Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : empréstimo

Fla pega empréstimo para cobrir atrasos de clubes e parceiros
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O Conselho de Administração do Flamengo aprovou um empréstimo em torno de R$ 12 milhões para cobrir o fluxo de caixa do mês de janeiro por conta do atraso de pagamentos de clubes e patrocinadores. A operação é de curto prazo por apenas três meses já que o rubro-negro tem recebimentos significativos no final de janeiro, inclusive uma parcela da venda de Paqueta. Não é portanto nada que afete a situação financeira do clube que é boa com dinheiro para contratações.

Houve uma série de pagamentos previstos para o Flamengo que não ocorreram no prazo. O Cruzeiro não pagou a parcela referente a Mancuello e a Udinese atrasou uma parte do que devia pela aquisição dos direitos de Felipe Vizeu. Além disso, a Carabao atrasou uma mensalidade de patrocínio. Para completar, houve certa burocracia para receber da Tim.

Com isso, a diretoria levou para o Conselho de Administração para aprovar um empréstimo que foi fechado com o Citibank pelo prazo de três meses. Ou seja, para ser quitado ainda neste primeiro semestre. O clube acabou o ano com nível baixo de endividamento bancário, com em torno de R$ 26 milhões.

A operação não afeta o dinheiro disponível para contratações que o Flamengo tem tentado no mercado como Dedé e Arrascaeta. Há um limite disponível de R$ 100 milhões no total, sendo que, para isso, é necessária a venda de R$ 70 milhões. As ofertas que o clube rubro-negro fará serão dentro do orçamento, com pagamento parcelado como já foi feito com Vitinho.

As duas tentativas de contratar jogadores do Cruzeiro, aliás, explicam porque o Flamengo ainda não cobrou mais duro em relação ao pagamento de Mancuello. Há a intenção de incluir o débito dentro da negociação dos jogadores se o time mineiro mudar sua posição e aceitar conversa.


Vasco tenta empréstimo com garantia da Globo para cobrir rombo de 2018
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Com Bruno Braz

A diretoria do Vasco quer pegar um empréstimo com garantia de cotas da TV Globo para cobrir o rombo nas contas de 2018 deixado pelo ex-presidente Eurico Miranda. A medida passará pelo Conselho de Grande Beneméritos em reunião marcada para 6 de agosto e, posteriormente, no Conselho Deliberativo. O valor a ser pedido ainda está sendo fechado: a informação inicial é de que o valor gira em torno de R$ 50 milhões. Eventualmente, pode ser necessário mais dinheiro para cobrir todas as pendências.

O clube já tem comprometida quase todas suas cotas de TV da Globo desse ano (92,4%), e boa parte do próximo ano (63,4%). Pelo balanço, o clube apresentava um rombo de R$ 114 milhões para cobrir em 2018, isto é, cerca de R$ 10 milhões por mês. Esse era o valor que faltaria para cobrir todas as despesas consideradas a receita disponíveis no início do ano.

O buraco foi reduzido com a venda do atacante Paulinho que gerou 13,6 milhões de euros (R$ 56 milhões) para o Vasco, sendo o resto bônus e comissões. Uma parte desse dinheiro foi para pagar um empréstimo de R$ 20 milhões com o empresário do jogador Carlos Leite, mas, assim, o clube também quitou uma despesa prevista para o ano.

Mas, ao mesmo tempo, a diretoria vascaína procurou credores e negocia dívidas, o que pode reduzir compromissos a serem quitados neste ano. Dirigentes ainda fazem cálculos para chegar ao número exato do valor necessário para fechar as contas o que deve ocorrer nos próximos dias.

Certo é que será feito um empréstimo com o uso das garantias dos direitos das cotas da Globo. Sem essa solução, a diretoria vascaína não vê como fechar as contas do ano.

A questão é que o presidente Alexandre Campello terá de obter apoio político de um Conselho dividido em que conta com poucos aliados de fato já que seu grupo político se enfraqueceu. Publicada no site do clube, a convocação da reunião é assinada por Eurico Miranda, que agora é presidente do Conselho de Grande Beneméritos do clube. Embora o texto fale em antecipação de receita de recebíveis da Globo, na verdade, o pedido será por um empréstimo com garantia nas cotas.

A avaliação dentro do Vasco é que a situação financeira é muito difícil em 2018 e no primeiro semestre de 2019 quando deve haver uma melhora com a liberação de parte das cotas de televisão. Além disso, há uma expectativa de fechar um patrocínio com o banco Inter para 2019.

Com o empréstimo, a diretoria vascaína entende que poderia ajeitar o fluxo de dinheiro conseguindo bancar o custo dos próximos anos, já que o comprometimento das cotas em 2020 e 2021 é menor.

Errata: Iniciamente, o blog informou que o valor do empréstimo iria girar entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões. Mas o valor correto é de cerca deR$ 50 milhões podendo sofrer variações.


Por contrato, Caixa controla Itaquerão e pode excluir Corinthians
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Firmado para viabilizar a verba do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social), o contrato entre a Caixa Econômica Federal e a empresa Arena Itaquera dá ao banco total controle sobre os negócios do Itaquerão. Mais do que isso, há uma previsão de que a instituição financeira pode excluir o Corinthians da operação do seu estádio.

Isso está determinado no contrato e no aditivo entre o banco e a empresa aos quais o blog teve acesso. O clube assina o acordo como interveniente. Baseada nesses documentos, será publicada uma série de reportagens sobre os termos do compromisso.

O pagamento do empréstimo do BNDES, de R$ 400 milhões, tem que ocorrer a partir de junho de 2015. O período para quitação é de 161 meses, com previsão de conclusão até 2028. Até lá, ou até o final da dívida, a Caixa tem grande poder sobre o estádio.

Esse controle se dá, primeiro, pela Arena Itaquera, empresa criada pela Odebrecht para ser a principal sócia do fundo que administra o estádio. Pela cláusula sétima, que trata das garantias, todas as cotas senior do fundo pertencentes à empresa são garantias do pagamento da dívida com o BNDES. Ou seja, se não houver pagamento, a Caixa se apropria delas.

Também nas garantias está determinado que, em caso de inadimplência, o banco assume o direito de voto do Corinthians no fundo do estádio. Para isso, o clube assinou uma procuração para a instituição. Com esses dois instrumentos, a Caixa passa a ter a maioria dos votos nas decisões da administração do fundo e, portanto, do estádio. É o que ocorre em caso de falta de pagamento.

Outras garantias de que a Caixa pode tomar posse nesta hipótese são o terreno do próprio estádio, e parte da sede do Corinthians no Parque São Jorge.

Além disso, o banco pode pedir a exclusão do clube da operação do estádio, respeitadas as condições do acordo entre corintianos e a Arena Itaquera. Se o Corinthians não for retirado da gestão após o pedido, a Caixa pode executar todo o valor da dívida de uma vez só, sem desembolsar mais nenhum dinheiro. É o que diz o item k da cláusula 17a do contrato.

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O contrato de comercialização, entre Corinthians e Arena Itaquera, não foi obtido pelo blog.

Mas fica claro que pelos termos do acordo de empréstimo que sequer é necessário que exista qualquer inadimplência para a Caixa controlar os negócios do estádio.

Pelas cláusulas, é o banco que vai administrar as contas em que estarão depositados todos os recursos originários do Itaquerão. Isso inclui direitos sobre nome, lanchonetes, aluguéis e bilheterias. Assim, pode garantir que o dinheiro seja usado prioritariamente para quitação do empréstimo.

Além disso, todos os negócios importantes do estádio têm que ser submetidos ao banco. Isso está explícito na cláusula nona do acordo. Por esse trecho, o fundo tem que obter aval para seu contrato com o operador do estádio (Corinthians), acordos de manutenção, venda de direitos sobre o nome, entre outros.

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Pelos termos do acordo, também terá de ser contratada uma auditoria independente para acompanhar o trabalho de comercialização das propriedades do estádio. Todos os contratos de exploração da arena têm que ter a conta da Caixa para depósito. Até porque os direitos sobre o nome do estádio, por exemplo, irão integralmente para pagar o empréstimo enquanto este não for quitado.

Também é obrigatória a apresentação de relatórios sobre o andamento da obra, assim como da execução financeira dessa. Com todos esses itens, a Caixa garante um controle completo sobre o negócio para receber o pagamento do dinheiro. Basicamente, se houver inadimplência, o Corinthians pode perder tudo a critério do banco.

O documento é assinado pelo presidente do clube, Mário Gobbi, e pelo diretor financeiro, Raul Corrêa e Silva. Além disso, a Odebrecht, o Fundo Arena Imobiliário FII, a Arena Itaquera, o Jequitibá Patrimonial e a Caixa são assinantes do contrato.

( Para seguir o blog no Twitter: @_rodrigomattos_)


Fla negocia empréstimo de R$ 5 mi com CBF para cobrir rombo
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( Para seguir o blog no Twitter: @_rodrigomattos)

Para fechar suas contas até o final do ano, o Flamengo já alinhavou um novo empréstimo com a CBF, tradicional fonte de recursos em gestões passadas. O valor inicialmente acertado entre as partes é de R$ 5 milhões. Mas esse montante ainda pode mudar porque estão sendo negociados os passivos antigos do clube com a entidade.

No início da administração de Eduardo Bandeira de Mello, a agremiação rubro-negra devia R$ 15,5 milhões à confederação. Mas houve uma renegociação, no primeiro semestre, que gerou um desconto de R$ 4,8 milhões, com o valor caindo para R$ 10,7 milhões no meio do ano. Agora, a entidade ajudará novamente o clube com recursos.

Ressalte-se que isso ocorre cerca de um semestre antes da eleição na CBF, marcada para 2014, em que provavelmente haverá uma disputa dos grupos liderados por Marco Polo Del Nero, da situação, e Andrés Sanchez, da oposição.

Um membro da diretoria rubro-negra negou ao blog que exista qualquer relação entre o empréstimo e a eleição: afirmou que o clube jamais venderia seu voto. Mas há uma proximidade com o presidente da entidade, José Maria Marin, aliado de Del Nero. Bandeira de Mello esteve na CBF nesta semana.

Para que o empréstimo seja fechado, é preciso que o Flamengo e a confederação cheguem a um acordo sobre qual o tamanho da dívida do clube. As contas dos dois lados não estão batendo. Mas dificilmente isso impedirá a operação.

Além da CBF, a diretoria ainda vai recorrer à empresa Polo Capital e a bancos para poder fechar o rombo de R$ 30 milhões até o final do ano. Essa é a quantia necessária para pagar todos os salários e contas do clube. Para essas operações, serão dados como garantias contratos futuros, entre eles os de televisão. Isso porque o clube rubro-negro já estourou o limite de antecipação de receita de televisão.

Inicialmente, o Flamengo iria obter R$ 27 milhões com a Maracanã S/A como antecipação de receita do contrato de três anos para jogar no estádio. Mas a diretoria rubro-negra já dá como certo que essa operação não irá para frente e, por isso, teve que arrumar nova forma de levantar os recursos.

Ou seja, sob o ponto de vista do compromisso com o Maracanã, é positivo para o clube porque poderá romper o contrato a qualquer momento se lhe interessar e terá receitas de bilheterias livres. Mas o clube fica devendo mais um favor à CBF.

O blog tentou ouvir a confederação, mas não conseguiu. A entidade não costuma se pronunciar sobre suas operações financeiras para clubes.


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