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Seis acertos de Zé Ricardo que explicam o título do Flamengo
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Quatro horas após o título do Flamengo, Muricy Ramalho, penúltimo técnico do time, entra ao vivo para falar no Sportv sobre o trabalho de Zé Ricardo: “Pegou um time que não estava bem comigo e fez um excelente trabalho.”

A sinceridade e correção de Muricy, que ressalte-se passava por um problema de saúde na época, mostram o tamanho do trabalho de Zé Ricardo durante um ano. Sim, o Flamengo tem um dos melhores elencos do país. Mas seu futebol dominante sobre o adversário, baseado em passes e aproximação dos atletas, é mérito do treinador.

Isso não significa que o Flamengo seja um esquadrão, imbatível. Não é, sequer é uma equipe pronta. Mas é um time que hoje tem mais qualidades do que defeito, uma cara e jogadores conscientes do que têm de fazer. Isso é mais importante do que um título do Estadual.  Veja como Zé Ricardo mudou o time em um ano.

Organização

Com Muricy, no início do Brasileiro-2016, o Flamengo jogava com uma linha avançada de quatro jogadores, o que deixava o time excessivamente exposto e sem jogo de meio-campo. O primeiro passo de Zé Ricardo foi recuar Arão para jogar ao lado de Márcio Araújo que foi mantido na principal formação.

O esquema com ponteiros foi mantido, mas Cirino foi trocado por Gabriel que voltava mais e dava consistência no meio e na defesa. De time sem padrão para se proteger, o Flamengo passou a se fechar com duas linhas de quatro quando se defendia, bem mais difícil de ser furado.

Jogo de passes

Zé Ricardo passou a dar ênfase na troca de passes e posse de bola para o Flamengo. O predomínio no número de jogadores no meio de campo foi uma chave para isso. Para isso, os jogadores de lado apareciam constantemente no setor para dar vantagem ao time.

Os laterais Jorge e Pará fechavam para o meio para se tornarem armadores em determinados momentos. Em outras situações, Gabriel e Éverton ocupavam esse espaço. Não ficavam alinhados e a ideia era ter três jogadores de cada lado, lateral, meio-campista e ponteiro. O time passou a ser dominante na posse de bola na maior parte dos jogos.

O fator Diego

Quando chegou o jogador mais cerebral no Flamengo, no meio da temporada, Zé Ricardo tinha que encaixa-lo no time. Ele deu menos obrigações defensivas (ele marcava, mas em menor intensidade) ao meia que podia sobrar das duas linhas de quatro jogadores, juntamente com Guerrero. O jogador ainda flutua para trás para carimbar as bolas do time.

Entende a natureza do Flamengo

Por ter sido formado no Flamengo, Zé Ricardo tem a percepção de que não é possível para o clube fazer um jogo de contra-ataque, nem fora, nem especialmente em casa. A torcida rubro-negra pressiona o time a jogar sempre para frente. Por seguidas vezes, ele repetiu que respeitaria essa realidade e faria sua equipe atuar de acordo com a natureza do clube. Na Libertadores, até fora o Flamengo tem sido ofensivo.

Não tem medo de contrariar a torcida

Em vários momentos, Zé Ricardo contrariou opiniões quase majoritárias da torcida do Flamengo. O maior exemplo é Márcio Araújo, que é um jogador com limitações ofensivas e que marca com eficiência. O treinador não só insistiu com ele como pediu a renovação do contrato baseado nos seus números positivos de desarmes, e o jogador tem sido eficiente nesta temporada inclusive na saída de bola.

Um outro exemplo é que trocou jogadores de renome como Juan pelo reserva Rafael Vaz por entender que este estava melhor. Independentemente de acertar ou errar, Zé Ricardo toma suas decisões baseado em suas convicções e nos números que dispõe para avaliar seus jogadores.

Inovações táticas

Após um fim de ano com queda de rendimento em 2016, Zé Ricardo precisava de alternativas para dar um salto no padrão de jogo do Flamengo. E não tem cansado de inovar em busca desse formato ideal que, diga-se, ainda não está consolidado.

Primeiro, botou Macuello do lado do campo – não deu certo. Depois, criou como alternativa a formação com três “volantes” no jogo contra a Universidade Católica que, na verdade, é bem ofensiva. Assim, aumentou seu domínio da posse de bola, tornando o time mais ofensivo. Em seguida, criou a alternativa com dois laterais para dar velocidade e reforçar a marcação, seja na direta com Pará e Rodinei, seja na esquerda com Trauco e René. Assim, supera desfalques e cria desequilíbrio nos adversários.

 


Virada rubro-negra marca vingança no Fla-Flu que demorou 22 anos
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Há vinganças no futebol que demoram. Em uma rivalidade que já dura mais de um século: o Flamengo esperou 22 anos para se vingar do Fluminense pelo gol de barriga de Renato Gaúcho. E devolveu a derrota na final com uma virada suada, e com gols nos últimos minutos, como naquela decisão de 1995. Uma reviravolta que, diga-se, fez justiça ao domínio rubro-negro nas duas decisões.

A vantagem de empate do Flamengo se esvaiu tão cedo que foi como se não tivesse existido. Mais uma falha da defesa rubro-negra na bola permitiu o desvio no primeiro pau e a conclusão de Henrique Dourado para o gol. Seria um novo Fluminense nesta segunda final em relação ao dominado no primeiro jogo?

Bem, a postura tricolor era mais agressiva com marcação na saída de bola e mais presença na frente. Mas a verdade é que, logo em seguida, o Flamengo se tornou dominante como ocorrera no primeiro encontro. A armação escolhida por Zé Ricardo com Trauco no meio e Renê na lateral dava superioridade ao time rubro-negro tanto ao bloquear os ponteiros rivais quanto por ter três homens no setor esquerdo do ataque.

O Flamengo, no entanto, não era tão incisivo quanto no primeiro jogo, e nem a zaga do Fluminense era tão vacilante. Como resultado, o time tricolor manteve a vantagem na etapa apesar de ser ver ameaçado pelo menos em uma chance clara de Éverton.

De volta, as armações dos times eram iguais, mas o jogo mudou. Além da bola aérea, o Flamengo passou a se expor também aos contra-ataques tricolores. Wellington Silva e Richarlison tinham um espaço que antes não lhes era permitido, e o Fluminense voltou a desenvolver seu jogo de passes rápidos. A partir daí, a partida era mais aberta e equilibrada.

A arquibancada inflamava dos dois lados, com a predominância grande de presença rubro-negra, mas o gol não saía. E os dois técnicos procuraram novas soluções. Zé Ricardo tirou o Berrío, que não encontrava espaço para sua velocidade, e pôs Gabriel. Para compensar, buscou na arrancada de Rodinei, que dera certo contra a Católica, sua jogada incisiva pela direita. Abel Braga apostou em Maranhão para jogar o que Wellignton não conseguiu.

O ritmo frenético do início do segundo tempo cobrou seu preço e a velocidade reduziu-se. A aposta rubro-negra era nas triangulações para achar Guerrero. O peruano não era brilhante como nos dois últimos jogos, mas mantinha o seu alto padrão de atuações desse ano. Era dele o pivô que dava jogo ao Fla, mas lhe faltava espaço para a conclusão diante da boa marcação da zaga tricolor.

Até que, por uma das ironias do destino, a bola aérea que era mais perigosa na outra área rendeu o gol rubro-negro. Réver ganhou a disputa pelo alto, Diego Cavalieri rebateu e Guerrero meteu a bola para dentro. Na minha opinião, houve falta de Réver em Henrique ao subir no lance.

A poucos minutos do final do jogo, o gol rubro-negro foi praticamente uma morte súbita. Não restavam forças ao tricolor para reagir, o que ocorreu de forma atabalhoada na base de um abafa improdutivo. Duas arrancadas de Rodinei com a defesa rival aberta levaram à expulsão de Diego Cavalieri e depois ao gol da virada já com Orejuela embaixo das traves, e perdido.

A corrida de Rodinei para chegar ao último gol lembrou aquela de Renato Gaúcho, então rubro-negro, para fazer o gol decisivo sobre o Atlético-MG na semifinal do Brasileiro de 1987. Um lance que o rubro-negro poderá guardar na memória para substituir o de 1995, um capítulo a seu favor nesta que é a rivalidade mais tradicional do país.


Final mostra que Fla-Flu muda a cada jogo
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Não esqueçamos que a última decisão entre Flamengo e Fluminense há 22 anos terminou com a vitória do time tido como mais fraco na época: o tricolor de Renato Gaúcho era franco atirador. Repetia-se ali uma regra que marcou o clássico com resultados surpreendentes desde a sua primeira edição.

O primeiro jogo da final o Estadual de 2017 não foi diferente. O Flamengo é o elenco mais forte do Rio de Janeiro neste momento, mas tinha sido dominado pelo Fluminense na Taça Guanabara. Um esquema de pontas velozes de Abel Braga tinha tornado o rubro-negro vulnerável e a vitória veio nos pênaltis. Daí surgiu uma presunção natural de que o jogo tricolor parecia se encaixar melhor ao do rival.

Mas o Flamengo apresentou um tal domínio no primeiro tempo da decisão que nem pareciam os mesmos times. Isso se deve em parte a uma percepção do técnico do técnico Zé Ricardo dos pontos fortes tricolores, e da maior experiência e variedade do elenco rubro-negro.

O Flamengo entrou com dois ponteiros abertos que sabem voltar e dobram a marcação nos seus setores (Everton e Berríon), somados a três jogadores (Márcio Araújo, Arão e Rômulo) que dão presença e toque de bola no meio. O resultado foi um domínio no campo de ataque no primeiro tempo e o bloqueio da jogada forte tricolor com Wellington Silva e Richarlisson pelos lados. Sem Scarpa, o Flu penava.

Somado a isso, Guerrero tinha mais uma atuação de ótimo nível em que consertava e centralizava todas as bolas perdidas rubro-negras, transformando-as em ataques reais. Assim, melhorava todo o time do Fla. A falha de Renato Chaves e o gol de Éverton foram consequências da superioridade rubro-negra que sufocava o rival. Poderia ter sido mais.

O segundo tempo teve um Fluminense bem mais presente no ataque, mas ainda sem saber se livrar do bloqueio a seus ponteiros. Richarlison é tão bom que às vezes escapava da sua marcação. Mas a defesa rubro-negra esteve melhor do que na Libertadores, inclusive com um preciso Rafael Vaz. A pressão tricolor durou 20min, mas não foi tão efetiva a ponto de empatar o jogo. O perigo era quase igual aos contra-ataques rubro-negros.

A superioridade tática tricolor da final da Taça Guanabara sumiu no Maracanã. O que se via era um elenco mais forte do Flamengo, bem postado, que soube superar de forma mais eficiente a falta de seu craque Diego do que o Flu a de Scarpa.

Há a certeza de que o Flamengo vai de novo se impor na segunda partida da final e ser campeão Estadual? Obviamente que não. Se um clássico já tem mudanças de rumo constantes, imagine um Fla-Flu de eternas reviravoltas. A Libertadores para os rubro-negros no meio de semana, a velocidade dos jovens tricolores e insondáveis fatores podem mudar tudo em um Fla-Flu. Certeza só de que a vantagem é rubro-negra.


Não se justifica usar Maracanã para maioria dos clássicos do Estadual
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O regulamento do Estadual do Rio prevê que todos os clássicos, semifinais e finais sejam disputados no Maracanã. É um tentativa de dar uma grandiosidade e relevância ao campeonato que este não tem mais. Basta verificar os públicos durante a competição. Só se justificaria jogar as finais ali, e uma ou outra partida.

Não é à toa que Botafogo e Vasco já cogitam jogar no Engenhão a final da Taça Rio, esse jogo inútil sob qualquer ponto de vista para o campeonato. E deveria se procurar alternativas para quase todos.

Nas semifinais, o time da Estrela Solitária e o Fluminense levaram apenas 7.309 pessoas ao Engenhão, no domingo, enquanto rubro-negros e vascaínos tiveram 21.895 pagantes no seu jogo. Em média, as duas partidas não atingiram nem 15 mil.

O Maracanã é um estádio caro. Em condições normais, só se justifica abri-lo pelo seu custo com públicos entre 30 mil e 40 mil pelo menos. Ou seja, valeria a pena para os jogos de Botafogo e Flamengo na Libertadores, ou do Fluminense na Sul-Americana, que têm apresentado público acima deste patamar porque são competições importantes.

Nenhum clássico do Estadual até agora ultrapassou a marca de 30 mil, sendo o melhor deles o Fla-Flu da final da Taça Guanabara, com 29.905, no Engenhão. É provável que no Maracanã o público fosse um pouco melhor.

Se em condições normais o Maracanã já é muito caro, os preços cobrados pela Odebrecht neste período de transição do estádio tornam ainda mais inviável utiliza-lo. Foram aluguéis nos patamares de 400 mil a R$ 500 mil, fora os custos. Ainda não está disponível o borderô de Vasco e Flamengo, mas, se houver lucro, será bem pequeno.

Sob esse ponto de vista, só as finais do Estadual do Rio justificariam de fato a abertura do estádio. É possível que uma semifinal atinja este público, mas não há certeza.

Ao impor o Maracanã, a Ferj tenta, mais uma vez, maquiar a realidade como faz com os borderôs dos jogos em que coloca a cota de televisão para disfarçar prejuízos seguidos em bilheterias dos jogos. É possível fazer isso em um papel no regulamento, mas a arquibancada não mente.

PS: Não comentarei aqui a classificação de Botafogo e Vasco à final da Taça pela inutilidade deste turno. A única observação é que a arbitragem do Estadual cometeu mais um erro bizarro com a validação do gol do botafoguense Dudu em um impedimento tão acintoso que até uma criança seria capaz de marcar.


Fla-Flu justifica a luta dos clubes para ter suas torcidas no estádio
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Após uma semana de liminares na Justiça, o Fla-Flu justificou a luta dos clubes para que suas duas torcidas estivessem presentes no Engenhão: foi um jogo emocionante. A partida teve duas viradas, belos lances, coragem, falhas das duas equipes até ser vencida nos pênaltis pelo time tricolor.

O empate foi um resultado dessas reviravoltas na partida. A disputa de pênaltis com vitória do Fluminense premiou os quase 30 mil torcedores que compraram ingressos em apenas dois dias para assistir ao clássico. Assim, ficou a tradicional Taça Guanabara com o tricolor, o que vale pelo simbolismo, embora tenha pouco efeito para o Estadual.

De início, o Flamengo não exibiu a consistência defensiva de outras partidas. Arão e Rômulo não repetiram a proteção à defesa, e os laterais tinham dificuldade para marcar Richarlison e Wellington Silva, ambos em boa tarde.  Foi assim que, após um escanteio, Trauco e Pará erraram e Wellington encaixou uma arrancada preciosa de 70m para fazer o gol.

A reação rubro-negra veio com sua estrela Guerrero. Em dois cruzamentos na área, ele deu cabeçadas que desarticularam a defesa tricolor e permitiram os gols de Arão e Éverton. O recurso a bolas aéreas, aliás, foi uma tônica para o Flamengo que não conseguia entrar na defesa rival por baixo.

Mas o sistema defensivo rubro-negro continuou a apresentar erros gritantes. Depois do pênalti em mão de Guerrero, o Fluminense virou em um buraco na zaga rival, bem aproveitado pelo passe preciso de Wellington Silva. A arrancada de Lucas não foi acompanhada por Arão e ele ficou livre para completar para o gol.

Em vantagem, o time tricolor voltou mais recuado no segundo tempo, o que reduziu o ritmo da partida. As trocas de Zé Ricardo com as entradas de Berrío, Gabriel e Vizeu jogaram o Flamengo para a pressão com uma linha de quatro na frente.

Mesmo assim, o time teve dificuldade para criar lances de ataque, insistindo na bola aérea. O Flamengo foi salvo por Guerrero em uma tarde excepcional em que até gol de falta conseguiu marcar. Parecia que o Flamengo vivia melhor momento ao final do jogo.

Mas, na disputa de pênaltis, o Fluminense foi mais eficiente, assim como já tinha sido um pouco melhor com a bola rolando. O goleiro Júlio Cesar esteve sempre mais perto das bolas do que Muralha, que se mexia muito sem objetividade. As duas cobranças ruins de Rever e Vaz deram o título ao time tricolor. Méritos, no final, também a Abel Braga que montou um time de bom nível, com elenco menos estrelado do que o rival.

Como complemento feliz ao clássico, o Flamengo parabenizou o Fluminense pelo título. O respeito mútuo demonstrado pelas diretorias dos dois times durante a semana, inclusive brigando juntas pela torcida mista, pode não resolver o problema da violência, mas ajuda bastante. É hora de deixar de picuinhas de lado para que os torcedores enxerguem que é possível conviver com o rival.


Globo ofereceu a Atlético-PR e Coritiba um quarto da cota do Madureira
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A origem da confusão que gerou o cancelamento do clássico Atletiba foi o fato de os dois grandes do Paraná terem se recusado a assinar um contrato com a Globo pelo Estadual. Isso ocorreu porque a oferta da emissora foi de R$ 1 milhão de cota para cada um de Atlético-PR e Coritiba. Entre outros times de menor expressão, o Madureira ganha R$ 4 milhões líquidos pelo Estadual do Rio.

A negociação do contrato ocorreu em janeiro de 2017. A Globo ofereceu um total de R$ 6 milhões pelo contrato do Paranaense, sendo um terço para os dois grandes clubes. Quando Coritiba e Atlético-PR recusaram, a Globo fechou o restante do Paranaense com os outros dez times por R$ 4 milhões.

“Sei que o Carioca é um campeonato que vale mais do que o Paranaense. Mas se você for ver é 1/20 em relação ao valor do Carioca”, comentou o presidente do Conselho Deliberativo do Atlético-PR, Mario Celso Petraglia, ao ser informado que o contrato do Estadual do Rio de Janeiro vale R$ 120 milhões.

Por meio de arbitral, a Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) é quem decide a distribuição das cotas do Rio de Janeiro. Esta destinou cotas de R$ 4,5 milhões brutos (R$ 4 milhões líquidos) para os quatro clubes mais bem posicionados depois dos grandes no Estadual de 2016, Boavista, Bangu, Madureira e Volta Redonda. Cada um levará esse valor como cota, e todos são aliados da Ferj.

Depois de recusar a oferta da Globo, Atlético-PR e Coritiba procuraram alternativas para arrecadar mais com o Paranaense. “Tentamos fazer um sistema de pay-per-view para os nossos sócios. Pensamos em fazer uma concorrência para a TV Fechada que tivesse Sportv, Esporte Interativo. Foi negociado um acordo com a Record para a TV Aberta”, explicou Petraglia.

Mas, ao mesmo tempo que os clubes traçavam a estratégia, a Globo fechou um acordo com a federação paranaense para os outros dez times. Na prática, isso inviabilizava qualquer projeto dos dois grandes visto que eles só teriam direito a um jogo, Atlético-PR e Coritiba.  “Ficamos impedidos de vender a maioria dos jogos do Estadual.”

Pela legislação brasileira, os clubes têm a prerrogativa de negociar seus direitos de imagens. Só é possível transmitir uma partida se houver contrato ou autorização dos dois times. Restava assim o Atletiba, jogo de maior valor do Estadual, que seria transmitido via internet.

A versão da Globo é de que ela tentou viabilizar a transmissão de um campeonato paranaense sem os dois grandes. Tanto que tem transmitido em TV Aberta os jogos. A argumentação da emissora é de ser normal uma das partes não aceitar um acordo, e tentar vender de outra forma seus direitos.

Petraglia, no entanto, reclama do modelo. “Não temos que negociar pela federação. Estamos querendo fazer a negociação diretamente pelos clubes. Por que eu teria de negociar para pagar comissão para a federação?”, argumentou o dirigente atleticano. Pela legislação brasileira, a federação paranaense não tem nenhum direito sobre o direito de televisionamento dos clubes.

O dirigente do Atlético-PR não sabe qual o desenrolar do imbróglio jurídico iniciado com a não realização do clássico. A dupla Atletiba pretende levar o caso ao tribunal de justiça desportiva do Paraná, e depois recorrer ao STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) se perderem. Em reunião na CBF, nesta segunda, o presidente do Coritiba, Rogério Barcelar, deve levar a questão à confederação.

Ao lembrar da proibição de realizar a transmissão, Petraglia dá uma definição sobre a justificativa da federação paranaense de que os profissionais da transmissão não estavam credenciados: “É ridículo.”


Ferj distribui R$ 30 milhões da Globo e agrados para times pequenos do Rio
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A Ferj (Federação de Futebol do Rio de Janeiro) distribui R$ 30 milhões em cotas de tv e agrados para os times pequenos que disputam o Estadual do Rio. O número foi obtido em levantamento nos borderôs dos jogos do campeonato. O valor corresponde a cota de dois times grandes (Flamengo, Fluminense, Botafogo e Vasco) no mesmo campeonato.

Para evitar resultados negativos, a Ferj tem registrado nos borderôs a cota líquida de televisão a que cada clube tem direito. Esse valor multiplicado por 11, total de partidas da competição fora os mata-matas, corresponde ao valor líquido a que cada time tem direito. A federação confirmou esse cálculo.

Dos oito times pequenos que disputam o Estadual, Boavista, Bangu, Madureira e Volta Redonda têm cotas maiores: R$ 4 milhões cada um. Macaé e Resende vêm sem seguida com R$ 2,2 milhões. No final da fila, estão Nova Iguaçu e Portuguesa, com R$ 1,826 milhão. A federação explicou que o critério de distribuição foi a colocação no campeonato do ano passado.

Cada um dos times que disputou a seletiva ainda ganhou R$ 93,333 mil por partida, o que dá uma soma de R$ 2,8 milhões. Conclusão: houve um total de R$ 26,852 milhões líquidos destinados aos pequenos. Considerado imposto igual ao aplicado aos grandes, 11%, a cota bruta deles foi em torno de R$ 30 milhões.

O total pago pela Globo pelo campeonato foi R$ 120 milhões. Desse total, metade ficou para os quatro grandes clubes, com R$ 15 milhões para cada. A cota líquida deles é R$ 13,3 milhões pelos borderôs. Com isso, sobram outros R$ 30 milhões para a premiação e para a Ferj.

Fora a cota turbinada, a federação ainda dá outros agrados aos pequenos. Esses clubes não pagam a taxa de 10% sobre a renda do jogo como ocorre com os grandes. Mais, não têm que custear nenhuma das despesas com arbitragem, por exemplo, como as outras equipes.

Os borderôs ainda registram bônus para os clubes pequenos que jogam em casa que giram em torno de pde R$ 10 mil. Até agora já foram 20 jogos só entre pequenos o que dá uma ajuda em bônus de mais R$ 200 mil no total. Não houve explicação para esses bônus.

Os clubes pequenos dão apoio ao presidente da Ferj, Rubens Lopes, em suas disputas eleitorais e nas brigas com o Flamengo. Chegaram a aprovar um bloqueio de cotas para a dupla Fla-Flu no ano passado.


Após acerto do Fla, grandes do Rio garantem só 50% da TV do Estadual
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Com Vinicius Castro

Com o acerto do Flamengo, o valor do contrato do Estadual do Rio de Janeiro subiu para R$ 120 milhões. Mas, desse total, apenas metade é garantido para os quatro grandes, divididos igualmente – eles podem conseguir mais com premiação. O clube rubro-negro aceitou um acordo igual ao dos outros após vários meses pedindo montante maior. Em troca, obteve algumas vantagens paralelas na negociação.

Na renovação, o contrato assinado pela Ferj (Federação de Futebol do Rio de Janeiro) com a Globo previa R$ 120 milhões com os quatro grandes. Sem um deles, caia 25% e ficaria em R$ 90 milhões que era o caso quando o Flamengo se manteve fora do acordo por nove meses.

Havia ainda uma amarra contratual pela qual os quatro grandes teriam cotas igual de R$ 15 milhões cada um. “Ainda não tivemos acesso ao contrato do Flamengo. Ele virá para anuência da Ferj. Pelo nosso contrato, nenhum dos grandes poderia ganhar mais do que os outros”, afirmou o presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira, que tinha criticado o rival por tentar ganhar mais. Esse valor é o dobro da cota de 2016.

Segundo o presidente do Vasco, Eurico Miranda, essa decisão de cotas iguais foi tomada em arbitral.  “Tem a decisão do arbitral. Está em contrato. Aqui a distribuição é pelo arbitral”, afirmou o presidente do Vasco, Eurico Miranda.

Com isso, sobram R$ 60 milhões para serem distribuídos segundo decisão do arbitral. Uma boa parte desse dinheiro vai para a premiação em valor ainda não definido. Neste caso, os grandes devem turbinar seu ganho com prêmios se forem campeões, ou se ganharem a Taça Guanabara.

Outra parte vai para os 12 times pequenos e para subsídios a campeonatos menores. “Tem subsídio da Série B, tem os que já receberam a seletiva. Isso foi decidido em arbitral, e a Globo não tem nada a ver isso”, completou Eurico.

O que a diretoria do Flamengo conseguiu foi evitar que o seu dinheiro passe pela Ferj, e assim receba diretamente. Dirigentes rubro-negros fizeram outros acordos em paralelo com a Globo como R$ 3 milhões pela Primeira Liga. E há também outra contrapartida ainda não divulgada: o blog apurou que há relação com a Arena da Ilha. Não ficou claro se há compensações de pay-per-view também. O contrato será votado na quinta-feira no Conselho Deliberativo do Flamengo.

“As duas partes cederam para chegar a um meio termo depois de nove meses de negociações”, limitou-se a dizer o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, sobre a Globo. Ele não quis falar em valores.

Durante a reunião, houve conversa sobre a cota de tv. Os outros clubes questionaram o presidente Bandeira se o valor recebido pelo Flamengo teria taxação de imposto como os dos outros. O dirigente rubro-negro garantiu que não haveria privilégio neste sentido, mas também não revelou os valores do seu contrato.

Resta saber como será a distribuição por premiação da Ferj. Certo é que com a assinatura do Flamengo as cotas dos clubes pequenos deve ser turbinada. O relato de pessoas que acompanharam à reunião é de que não houve discussões duras, apenas conversas entre os cartolas por diversos temas.

Ainda assim, Eurico Miranda propôs uma nota de desagravo ao presidente da Ferj, Rubens Lopes, pela forma como foi tratado pelo Flamengo na discussão de TV. Apesar disso, não houve clima de beligerância com Bandeira ao contrário de outras reunião.

 


Perto da estreia, Fla e Globo voltam a negociar contrato de TV do Estadual
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Após um período com as conversas travadas, Globo e Flamengo voltaram a negociar o contrato de televisão do Estadual 2017. A apenas dez dias da sua estreia na competição, o clube é o único que não aceitou um acordo com a emissora e, no momento, não terá seus jogos na competição transmitidos se persistir esse cenário.

A diretoria do Flamengo fez duas exigências que inicialmente não foram cumpridas pela Globo: receber diretamente o pagamento de seus recursos sem passagem pela Ferj (Federação de Futebol do Rio de Janeiro) e uma cota maior do que os outros grandes do Rio. Isso gerou contrariedade em Vasco, Fluminense e Botafogo, além de outros times menores do Estado.

A princípio, a Globo tinha recusado esses termos e assinado com os outros times e com a Ferj. Mas, recentemente, a emissora quis voltar à mesa de negociações com o clube rubro-negro e está empenhada em construir um acordo com o time.

Do lado rubro-negro, os cartolas também se mostraram predispostos a chegar a um meio termo para assinar um contrato. Há uma ressalva, no entanto, de que o clube não abre mão dos princípios postos inicialmente: valorização de acordo com seu retorno e independência da Ferj. Por isso, a volta às negociações não é certeza de os dois chegarão a um acordo.

É fato que, sem o Flamengo, o Estadual do Rio perde valor de mercado. Além de ser o time que concentra metade da torcida da região, o time rubro-negro ainda é candidato a disputar semifinais e finais do campeonato. Ou seja, sem assinar com o clube, a Globo ficará impedida de transmitir esses jogos se o time chegar às fases finais.

Em seu orçamento, o Flamengo não incluiu nenhuma receita pela transmissão do Estadual. A previsão é de que, se o time rubro-negro aceitar um acordo, o contrato do Estadual do Rio com a Globo supere R$ 100 milhões.


Ferj preocupa-se com Maracanã para Estadual e Engenhão é plano B
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A Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) está preocupada com a utilização do Maracanã no Estadual por conta do mau estado de conservação da arena. O plano B é o estádio Nilton Santos (o Engenhão). O primeiro clássico da competição já está marcado para a arena botafoguense.

O jornal “O Globo” revelou condições precárias em visita ao Maracanã. Como mostrado pelo blog, um laudo da Odebrecht já apontava diversos problemas após a entrega do equipamento pela Rio-2016. Atualmente, ninguém está cuidando do estádio.

Por meio de assessoria, o diretor de competições da CBF, Marcelo Viana, informou ter feito uma visita ao Maracanã no ano passado para verificar a possibilidade de uso do estádio para o amistoso Brasil e Colômbia.

“Ali, a preocupação bateu mais forte. Mas já temos alternativas para os clássicos. Mas é óbvio que ficar sem o Maracanã é muito ruim. Quanto maior o período inativo do estádio, pior e mais longa fica a  recuperação”, afirmou ele.

O clássico entre Fluminense e Vasco, que deveria ser no Maracanã, já foi marcado para o Engenhão. Os outros ainda não têm local definido. A preferência é pelo Maracanã, mas se não houver condições terão de ser na arena controlada pelo Botafogo.