Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Flamengo

Maracanã ‘menor’ e só para sócio reduz renda de final do Fla
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Para a final da Copa do Brasil de 2017, diante do Cruzeiro, a diretoria do Flamengo vendeu menos ingressos e a preços menores só para sócio em relação à decisão do título de 2013. Com isso, deve ter uma renda menor do que naquela decisão. Há explicações para as mudanças: restrições de lugares no estádio, crise econômica do Rio de Janeiro, ser o primeiro jogo da decisão e o incentivo a associação.

Em 2013, diante do Atlético-PR, o Flamengo conseguiu uma renda total de R$ 9,7 milhões. Havia naquele jogo sócios-torcedores e sem associação. Nesta partida diante do Cruzeiro, só haverá membros do programa sócio-torcedor do clube já que os ingressos estão praticamente egotados.

A carga total será de 67.931 com um número de pagantes de 54.102 previstos. Na última final da Copa do Brasil no Maracanã, a carga total chegou a 71.101 com a utilização efetiva de 68.857. Excluídas as gratuidades, os pagantes foram 57.991. Ou seja, uma diferença de quase 4 mil ingressos vendidos.

Além disso, houve uma redução dos preços dos ingressos para sócios que compraram todos os bilhetes. Em relação aos não associados, os valores se mantiveram estáveis. Naquela final de 2013, o preço médio era R$ 141,00. Ainda será preciso fechar a conta dessa decisão para fazer uma comparação.

Naquela final diante do Atlético-PR, os sócios pagaram R$ 150,00 na Norte. Agora, o preço ficou entre R$ 80,00 e R$ 115,00 dependendo do plano. Na Sul, o valor foi de R$ 150,00 em 2013, e ficou entre R$ 100,00 e R$ 145,00 para esta decisão. E isso se repete nos setores Leste (inferior e superior), Oeste e Maracanã Mais.

Mas é preciso ressaltar que antes os sócios podiam acumular os descontos com meia-entrada de estudante, e agora isso não poderá ocorrer. Em 2013, 13 mil sócios pagaram apenas R$ 75,00 na Norte por conta do desconto acumulado. Além disso, ao reduzir os valores dos ingressos para sócios, a diretoria do Flamengo levou em conta a crise econômica do país e o fato de ser a primeira partida, e a não a decisiva.

E principalmente há uma política da diretoria do Flamengo de incentivar o programa de sócio-torcedor, e uma final como a Copa do Brasil é um momento propício para isso. Portanto, para os sócios, são estabelecidos preços mais baixos. Houve adesão em massa às vésperas da final da competição.

Obviamente, se o clube perde em bilheteria, ganha bastante com as mensalidades do programa de sócio. O orçamento prevê R$ 38,6 milhões de arrecadação com sócio-torcedor em 2017, R$ 11 milhões a mais do que 2016. Ou seja, compensa perdas de bilheteria se cumprir esse número.


Após economia na operação, Fla fica com 37% da renda da semi do Maracanã
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Em sua volta ao Maracanã, o Flamengo conseguiu ficar com de 37% da renda da semifinal da Copa do Brasil, um percentual superior a outras partidas no ano no local. Houve uma redução do custo de operação do estádio, mas o aluguel da Odebrecht continua alto. A diretoria só aceitou retornar por ser um jogo de grande público.

Diante do Botafogo, a renda total foi de R$ 2,955 milhões para um público de 53 mil pessoas. Desse total, sobraram R$ 1,101 milhões de receita líquida. Isso antes da penhora judicial a que está submetida a bilheteria do clube que abocanhou mais R$ 165 mil.

No caso da semifinal com o Botafogo, a Odebrecht cobrou R$ 611 mil de aluguel. São 20% da renda bruta tirando as cortesias, mais R$ 150 mil com contas de consumo, como água e luz. Isso representa as mesmas condições anteriores. O clube rubro-negro conseguiu reduzir o custo da operação: gastou R$ 366 mil.

Há ainda descontos da Ferj (Federação de Futebol do Rio de Janeiro), entre outros.

Em comparação, na Libertadores, o Flamengo ficou com cerca de R$ 2,9 milhões líquidos de uma renda de R$ 10,3 milhões por três partidas. Ou seja, menos de 30% do total (antes das penhoras). No jogo de estreia, ficou com só 17% do total por bancar a recuperação do estádio.

O jogo diante do Atlético-MG não serve de referência porque não teve cobrança de aluguel em uma ação social com a prefeitura do Rio. Também houve diferenças na operação. Ainda assim, o clube ficou com menos de 25% da renda.

O normal em uma operação deu estádio sem excessos é sobrar de renda líquida em torno de dois terços para o Maracanã. Mas o Maracanã é uma arena extremamente cara, e a Odebrecht tenta bancar o prejuízo da sua manutenção com essas partidas. Por isso, o Flamengo foge do estádio para a Ilha do Urubu, com exceção de grandes jogos como essa semi. A final também deve ser realizada no Maracanã.

 


Surpresa: primeira mudança de Rueda foi tornar Fla mais defensivo
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Quem assistiu ao futebol envolvente do Atlético Nacional poderia acreditar que o Flamengo de Reinaldo Rueda teria características ofensivas extras. Mas a primeira medida do treinador colombiano foi tornar o time mais defensivo, trocando o domínio constante pela segurança. É o que explicam os próprios jogadores do Flamengo.

“Ele me passou que lateral precisa primeiro marcar”, explicou Rodinei. De fato, uma das orientações de Rueda foi recuar os dois laterais. Não por acaso Trauco foi preterido primeiro por Renê Jr, e depois por Pará. Afinal, o peruano comete seguidas falhas defensivas, embora tenha um bom passe ofensivo.

Também houve um recuo dos volantes Cuellar e Arão, que jogam mais postados na frente da zaga. Com isso, o time não sobe mais em bloco para pressionar o adversário. “A gente tem que estar mais fechado atrás”, comentou Cuellar. E o volante Márcio Araújo, que era usado para cobrir subidas por ser veloz, acabou na reserva.

“Não jogamos tão bonito, com tanto posse de bola quanto com Zé Ricardo. Mas o time está mais consistente”, contou Juan. Ele explicou que não houve mudança na sua posição e de Rever, apenas nos que o protegiam. Por exemplo, com laterais recuados, é menos espaço p cobrir. “Estamos sofrendo menos contra-ataques.”

Nas duas partidas diante do Botafogo, o Flamengo sofreu pouquíssimas conclusões a gol. No jogo decisivo, apenas uma cabeçada perigosa de Guilherme, o goleiro Thiago acabou sem fazer defesas. O time de Jair Ventura chegou a ficar sem alternativas para chegar à defesa rubro-negra, como o próprio treinador reconheceu. Em três jogos, o time não sofreu nenhum gol.

Quando tem que atacar, como não sobe mais em bloco, o Flamengo tenta passes verticais para achar seus jogadores de ataque nas linhas do rival. A tática é usar mais velocidade, e menos posse de bola. Guerrero ressaltou ver qualidades tanto em Zé Ricardo quanto em Rueda. A diferença, para ele, é que o time está “mais paciente, mais calmo”.

Claro que essas mudanças de Rueda, até agora, são pontuais e feitas para alguns jogos decisivos pois houve pouco tempo de trabalho. O treinador colombiano só poderá impor de fato sua filosofia a longo prazo quando espera-se o seu estilo preferido de toques e posse de bola. Mas, como um bom técnico brasileiro ou de qualquer lugar do mundo, sua primeira medida foi fechar a casa.

 


Após erros, CBF teme que clima tenso afete arbitragem de Fla x Bota
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O clima de rivalidade exacerbada entre Flamengo e Botafogo causa preocupação na comissão de arbitragem da CBF em relação à pressão sobre a arbitragem na semifinal da Copa do Brasil. Dirigentes dos dois clubes já fizeram reclamações à confederação, e houve decisões questionadas no primeiro jogo.

No sorteio de segunda-feira, saiu o nome de um árbitro experiente Wilton Pereira Sampaio. Ele é considerado o segundo juiz internacional da CBF, atrás de Sandro Meira Ricci. Mas Anderson Daronco, que também é da elite do quadro da confederação, foi bastante questionado no primeiro jogo.

Na ocasião, ele expulsou o zagueiro Carli e o goleiro Muralha em lance de rigor excessivo. A própria comissão da CBF considera que houve um exagero. E avalia que isso ocorreu porque Daronco quis segurar um jogo tenso, tanto que  travou o jogo com faltas. Também admite-se na confederação que o juiz errou ao não expulsar Pimpão que deu entrada no tornozelo de Berrío.

A diretoria do Flamengo reclamou dos dois lances depois do jogo, assim como a diretoria do Botafogo tinha  feito um protesto antes da partida temendo ser prejudicada em favor do rival.

Na avaliação da comissão da CBF, esse clima criado fora de campo se transpõe para o campo e os jogadores passam a pressionar o juiz o tempo inteiro. Isso torna muito difícil a condução da arbitragem durante a partida.

Não haverá recomendação especial para Sampaio porque ele é um árbitro experiente. Para a comissão da CBF, está preparado para lidar com esse tipo de pressão. Mas há o entendimento de que o andamento do jogo depende também dos jogadores em campo.


Como a reação de técnicos a Rueda explica o atraso do futebol brasileiro
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Desde que o Flamengo anunciou Reinaldo Rueda, houve uma reação de técnicos brasileiros com declarações que demonstravam a resistência a sua chegada. Começou com Jair Ventura, passou por Vanderlei Luxemburgo. Até uma associação de técnicos pediu para conversar com a diretoria da CBF sobre o assunto.

Foi talvez a reação mais agressiva a um técnico estrangeiro. Mas o Brasil é um país especialmente fechado a treinadores de fora, sendo a liga que menos contrata os profissionais nascidos em outras nações. Alguns vieram após o fracasso da Copa-2014, mas naufragaram em geral por falta de adaptação.

Mas por que isso ocorre? Talvez o melhor paralelo com Rueda seja Juan Carlos Osorio e sua passagem no São Paulo. Era um treinador com métodos bem diferentes do habitual no país. Seu rodízio constante de jogadores causou incômodo em jogadores.

É verdade que sua saída foi mais motivada pela crise política são-paulina do que pela resistência aos métodos. Mas a tentativa de armar um São Paulo que privilegiasse o toque de bola e aos poucos fosse se montando, como ocorreu no Nacional, já esbarrou no desmanche do time.

Essa é uma questão. Técnicos brasileiros estão acostumados a montar times de curto prazo. Sabem que chega a janela de transferência, há uma crise financeira, resultados ruins, e tudo pode mudar.

Assim, a maioria dos treinadores se protege privilegiando a armação da defesa do time que lhes dá uma segurança para obter melhores resultados. A estruturação ofensiva, em geral, fica em segundo plano porque é mais complexa.

Por isso, é cada vez mais raro vermos times brasileiros dominantes com a bola no pé e pressionando o rival. Talvez o último time deste nível tenha sido o Cruzeiro, bicampeão brasileiro. O Corinthians-2015 era uma equipe que chegou a um bom padrão ofensivo também no final do Nacional, mas, quando daria um salto, foi desmanchada. Os outros campeões brasileiros nos últimos dez anos eram mais pragmáticos, com futebol objetivo, porém não encantador.

Quando chega um treinador que pode propor algo diferente deste modelo, como deve ocorrer com Rueda e como foi com Osório, há uma resistência geral. A verdade é que os treinadores brasileiros melhoraram depois da Copa-2014, mas ainda estão longe do nível europeu. Aprenderam a desenvolver um tipo de jogo de forma eficiente, mas ainda falta repertório.

Por exemplo, o treinador mais bem-sucedido do Brasil é Fábio Carille. Seu Corinthians é  muito bem armado para contra-atacar. Tudo indica que Carille tem potencial para elevar seu patamar e se desenvolver como treinador – já dá sinais em certos aprimoramentos na equipe corintiana. Mas terá estabilidade do time? Talvez uma exceção hoje seja o Grêmio, de Renato Gaúcho, que desenvolve mais o jogo.

Obviamente, nosso maior expoente é Tite que já atingiu outra esfera. Este, sim, é capaz a se equiparar com os grandes treinadores estrangeiros. Mas, se for analisar, as ideias que implantou na seleção ainda fazem pouco eco no futebol nacional. Falta qualidade, ok, mas falta também manter jogadores, e técnico.

No final das contas, a reação de técnicos a Rueda é uma resistência a um modelo implantado no país. E é extremamente saudável que essa fórmula seja questionada para evoluirmos. Só com novas ideias é que conseguiremos elevar o patamar do nosso futebol de clubes atual.

 

 


Brigas, juiz perdido e suspeita de racismo. Engenhão tem noite lamentável
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Antes do início do clássico, a festa da torcida do Botafogo com fumaça, mosaico e cantos indicava uma noite bonita de futebol na semifinal contra o Flamengo. Mas a noite no Estádio Nilton Santos foi marcada por cenas lamentáveis: suspeita de racismo, brigas e confusão, e uma arbitragem que ajudou a estragar o espetáculo.

A primeira confusão foi ainda antes do jogo se iniciar quando a torcida rubro-negra ficou presa fora do estádio porque os portões foram fechados. A diretoria botafoguense alegou que torcedores sem ingresso tentavam entrar e que os outros chegaram em cima da hora. A torcida rubro-negra reclamavam de falta de organização. A PM mandou fechar o acesso. Não era um bom prenúncio para um jogo tenso.

Com a bola rolando, houve até algum futebol com um pitaco de Reinaldo Rueda no início do Flamengo. Sem Márcio Araújo, o time tinha uma saída de bola com passes verticais para encontrar espaço entre as linhas da defesa botafoguense, uma orientação dele. Um cenário diferente da troca de passes excessiva que ocorria com Zé Ricardo. O domínio era rubro-negro.

O Botafogo até reagiu com seu estilo de apostar em contra-ataques, mas apresentava pouco para um time mandante. No geral, o jogo era meia-boca, e a arbitragem o piorava. Travava o ritmo com muitas marcações de faltas, ou cometia erros bobos.

A volta para o segundo tempo foi pior. Na arquibancada, um torcedor botafoguense se dirigiu de forma ofensiva para um camarote de convidados rubro-negros, esfregando a própria pele. Quem viu considerou uma injúria racista à família do jogador Vinicius Jr.. O torcedor foi levado para o juizado local, e corre o risco de ficar preso por racismo.

Em campo, a partida até era mais aberta, com o Botafogo um pouco mais ligado, e o visitante agredindo com um jogo acelerado. Foi assim que teve sua melhor chance em cobrança de falta de Diego na trave. Parecia que o jogo ia engrenar com o time rubro-negro melhor… mas a arbitragem não ajudou.

Pimpão deu uma entrada no meio do tornozelo de Berrío, um lance feio que tirou o colombiano do campo. O árbitro Anderson Daronco deu só amarelo em lance de expulsão clara. Mais adiante, Carli e Muralha se embolaram em um ataque. Cada um poderia ter recebido um amarelo, seria o segundo do botafoguense. Ou o árbitro poderia até contemporizar. Mas expulsou ambos.

O jogo degringolou. O Flamengo perdeu padrão com as mudanças de Rueda, o Botafogo continuou a não jogar nada, nem sequer ameaçar o goleiro rival. Não era o time aguerrido da Libertadores.

Ao final, zero a zero no placar, uma briga de organizadas do Botafogo entre si fora do Engenhão acabou em pancadaria com o PM. Enquanto isso, esperava-se a conclusão da acusação de racismo na delegacia local. Um retrato da noite em que o futebol não foi protagonista.


Mesmo com Rueda, Brasileiro é a liga que menos contrata técnico estrangeiro
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A contratação do técnico Reinaldo Rueda pelo Flamengo gerou um novo debate sobre a presença de técnico estrangeiro no país. Isso porque o treinador Jair Ventura, do Botafogo, defendeu que sua chegada era ruim para os brasileiros, embora tenha mudado o tom após a repercussão. Não é à toa essa discussão: o Brasileiro é a liga de elite que mais rejeita contratar comandantes estrangeiros para seu times.

O blog fez um levantamento em oito dos principais campeonatos pelo mundo, Argentina, México, Espanha, Alemanha, Inglaterra, França, Itália e Brasil. Em todos, há um maior número de treinadores de fora do país na primeira divisão do que no Brasileiro da Série A.

Antes de expor os números, vamos entender o que disse Jair Ventura sobre a chegada de Rueda: “Para o mercado isso é muito ruim, porque parece que não temos profissionais capacitados para trabalhar dentro do nosso país. Isso é muito ruim para a gente que está começando”. Em seguida, ele afirmou que entendia ser legítimo que um clube contratasse estrangeiro para seu banco.

Nem precisaria pedir por uma reserva de mercado para técnicos no Brasil. Na prática, ela já existe. Contratado neste semana, Rueda se tornou o único treinador da Série A do Nacional no momento, o que representa 5% do campeonato. Há exemplos de outros treinadores recentemente, mas nenhum perdurou.

Na Premier League, campeonato com mais dinheiro do mundo, 16 dos 20 técnicos não nasceram na Inglaterra. Ou seja, um total de 80%. Todos os times de ponta têm técnicos estrangeiros, o Manchester United com Mourinho, o City, com Guardiola, o Chelsea, com Conte e por aí vai.

Na Bundesliga, onde há uma escola forte de formação de treinadores, oito dos 18 técnicos são estrangeiros, sendo um deles meio italiano, meio alemão. Assim, são 44,4% de técnicos de fora. Na Espanha, esse percentual é menor com 25%, quatro em 20 do total. O atual campeão Real Madrid se inclui com o francês Zidane.

A Itália, que tem uma cultura tática muito forte, tem um percentual bem menor, próximo ao Brasil. São dois técnicos em 20 clubes, sendo um deles Mihajtovic, sérvio com cidadania italiana que dirige o Torino. Mas a França também tem boa aceitação de estrangeiros com 25% dos 20 treinadores, inclusive nos clubes de maior investimento, Paris Saint-Germain e Monaco.

Nas Ligas Mexicana e da Argentina, também há mais presença de treinadores de fora. No México, são sete de 18 treinadores, quase 40%. Na primeira divisão da Argentina, o cenário é mais parecido com a Itália com 3 dos 28 técnicos, isto é, 10%.

E isso ocorre porque há maior qualificação dos treinadores brasileiros? Não necessariamente. Há dois cursos da CBF e da Associação Brasileira de Treinadores de Futebol, ambos sem a chancela da Conmebol e sem equiparação com a UEFA. Portanto, não são válidos em outros países e os brasileiros têm que fazer cursos no exterior para dirigir times de fora.

Por imposição da Fifa, a confederação ficou responsável por qualificar os treinadores e vai exigir a licença do seu curso a partir de 2019 para treinadores da Série. A confederação tenta conseguir que sejam reconhecidos.

O próprio Jair Ventura não tem a licença A da CBF ainda. Ele fez os cursos infantil e de base, e está em andamento com o de nível A. Faltará ainda o nível Pro. Isso, obviamente, não o desqualifica como técnico. Até porque reportagem recente da “Folha de S. Paulo” mostrou que ele e outros oito técnicos da Série A buscavam o diploma, enquanto outros 11 não os tinham nem faziam o curso.

“NA ABTF, buscamos um curso com a grande paralelo ao feito em Portugal. Buscamos a chancela da Conmebol. Mas, quando a Fifa determinou que as ligas fiscalizassem, um grupo da CBF nos alijou e simplesmente começou um curso. Isso é monopólio”, reclamou o presidente da associação, Zila Cardoso. “A CBF buscou fazer tem uns três ou quatro anos. A Argentina já tem chancela e foi feito pela associação de treinadores deles.”

De fato, o curso argentino é aceito na Europa. Entre os técnicos brasileiros que têm o curso completo da UEFA está Milton Mendes, do Vasco. Uma das reclamações de Jair Ventura foi justamente essa, de que o curso da CBF não permitirá que ele possa trabalhar no exterior.

Rueda, que chega agora ao Brasil, trabalhou como instrutor da Fifa na escola de treinadores da Colômbia e em seminários da entidade e da Conmebol, além de ter estudado em universidade na Alemanha. Para trabalhar no país, só precisa de visto de trabalho e registro na CBF, o que é simples.

Por meio de nota ao blog, a assessoria da CBF se manifestou dizendo que está tomando medidas para habilitar seu curso de treinadores, obtendo o reconhecimento internacional:

“A CBF tem como prioridade o reconhecimento das licenças de treinador expedidas pela entidade, devidamente chanceladas pela Conmebol, dentro dos mais rigorosos critérios adotados no mundo.

Sob esta perspectiva, mantém há mais de um ano contínua interlocução com a Conmebol e FIFA, que tem se mostrado interessadas na resolução do pleito.

No dia 8 de agosto, foram aprovadas pelo Conselho da Conmebol todas as providências necessárias para obtenção destas habilitações no cenário internacional.

Como resultado destes movimentos, o tema foi pautado com destaque para a próxima reunião dos Diretores de Desenvolvimento das entidades continentais, a se realizar nos dias 23 e 24 de agosto, na sede da FIFA.”


Em crise, o Flamengo terá de aprender a esperar pelo time de Rueda
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Não há clube brasileiro em que a troca de técnico não seja traumática, resultado de derrotas e tropeços que levam a uma crise. Foi assim no Flamengo que se perdeu em campo e demitiu Zé Ricardo. Com o time afundando, a diretoria rubro-negra decidiu ousar e trazer o colombiano Reinaldo Rueda.

Contribuiu para isso a negativa inicial de Roger, a escassez do mercado brasileiro e uma corrente dentro da diretoria do clube que estava cansada das mesmas soluções para o futebol. Era preciso apostar no diferente, no fora do contexto, para tentar fazer um time caro andar. E, de lambuja, atendia-se o pedido da torcida.

Apostas ousadas fazem sentido quando há por trás dela uma ideia do que se espera no melhor cenário. No caso de Rueda, o Flamengo espera a construção de identidade de jogo que se ensaiou com Zé Ricardo e que perdeu o rumo no meio do caminho.

O técnico colombiano é conhecido pelo seu Atlético Nacional que tocava a bola, dominava adversários e encantou a América do Sul. Mas aquela equipe era a conclusão de um projeto iniciado com Juan Carlos Osório em 2012, com sequência de Rueda. Quatro anos. Aprimorou um grupo de jogadores que permitia até trocas, mas que o DNA ficava.

Como já disse em entrevistas, sua inspiração é o Barcelona, e seu modelo de técnico Vicente Del Bosque, campeão do mundo pela Espanha em 2010. Diante disso, está claro que vai privilegiar o futebol de posse e toque de bola. Além do Nacional, as seleções de Honduras e Equador, que treinou em Copas, exibiam a mesma característica, e tiveram uma herança pela sua passagem.

É essa a ideia de parte da diretoria do Flamengo que vê Rueda como um projeto que terá mais efeito em 2018. Dirigentes do clube se mostraram bastante pacientes com Zé Ricardo que ficou mais de um ano no time. E, neste sentido, o colombiano chegaria no tempo certo porque teria um final de ano para consolidar sua formação.

Mas há muitas pedras no caminho. De imediato, o Flamengo tem um mata-mata contra um rival Botafogo hoje mais seguro de seu jogo. E está fora até do G6 do Brasileiro. O técnico colombiano terá de decifrar como fazer o time jogar de forma minimamente confiável em dois dias. E, pelo que se viu diante do Atlético-MG, não será tarefa fácil já que a equipe rubro-negra está perdida.

Depois disso, não haverá tempo para treinos ou pré-temporadas como de hábito no Brasil. Todas essas dificuldades que fazem a maioria dos bons técnicos nacionais optar pela segurança de defesas bem armadas e contra-ataques. Como exemplos mais bem-sucedidos estão aí o Corinthians e Botafogo.

São estilos de jogo válidos, eficientes e belos em determinados momentos. Mas, de uma certa forma, mais fáceis de construir do que o jogo de posse de bola e domínio do Atlético Nacional de Rueda. O próprio Osório, da mesma linha, teve dificuldades para implantar este estilo quando esteve no São Paulo. Na Europa, é mais viável porque há mais tempo e mais estabilidade de elenco.

Feitas todas essas considerações, a chegada de Rueda é bem-vinda por acrescentar repertório ao futebol nacional ainda que ele não seja um Bielsa ou Sampaoli, mais inventivos. Mas poderá propor um jogo diferente do o que se vê na maioria dos times do país. O problema é o contexto em que chega ao clube.

Há um mito que diz que a palavra crise significa oportunidade em chinês (em mandarim, na realidade). É de certa forma um mito como mostrou em seu blog o escritor Sergio Rodrigues, autor do ótimo “O Drible”. Isolada, a palavra crise tem sentido mais negativo: “momento crucial de perigo”. Só quando aliada a um complemento a palavra de fato se transforma em oportunidade.

O Flamengo abriu uma janela para o novo em sua crise. Mas resta saber se está pronto para enfrentar seu momento de perigo antes para que essa ideia tenha chance de florescer.


Bota avança na Libertadores com segundo menor gasto entre brasileiros
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Com Bernardo Gentile

Classificado às quartas-de-final da Libertadores, o Botafogo tem o segundo menor investimento em futebol entre os times brasileiros na competição sul-americana, só à frente da Chapecoense. Eliminados, Flamengo e Palmeiras devem gastar entre três e quatro vezes mais com futebol do que os alvinegros em 2017. Para compensar, o clube aposta em manutenção de técnico e futebol solidário.

O levantamento do blog foi feito em cima de orçamentos e demonstrações contábeis das oito equipes brasileiras na Libertadores. O orçamento do Botafogo prevê uma receita de R$ 190 milhões, com despesas com o futebol em torno em R$ 99 milhões. Só pode investir metade por conta do excesso de dívidas já que tem o maior débito do país entre os grandes.

“Continuamos em situação de vulnerabilidade. A situação fiscal e trabalhista estão equacionadas. Mas as cíveis continuam a ter penhoras. É muito mais fácil ter queda de orçamento pelas penhora do que aumento de receita”, contou o presidente do clube, Carlos Eduardo Pereira. “A gestão do futebol do clube é com muita austeridade. Não há folga.”

Em comparação, o orçamento do Flamengo foi revisto para R$ 600 milhões em 2017, com a venda de Vinicius Jr. Pela arrecadação do primeiro trimestre, o Palmeiras poderia chegar a esse valor também. A projeção do gasto com futebol não é precisa, mas pelo ritmo atual poderia atingir até R$ 400 milhões nos dois casos. Ressalte-se que ambos gastam dentro do que podem.

Classificados às quartas, Santos e Grêmio também têm mais receitas e gastos do que os botafoguenses. O Atlético-PR tem um patamar de receita parecido com o Botafogo, mas menos dívidas e, por isso, maior capacidade de investir. Eliminado, o Galo tinha um orçamento com previsão de mais de R$ 300 milhões em receitas.

“Não adianta ficar chateado. Não somos favoritos. Temos o 12o orçamento do Brasil. Compensamos com trabalho”, afirmou o técnico Jair Ventura.

Um dos méritos para compensar é trocar pouco de técnico. Na atual gestão, em dois anos e meio, houve duas mudanças. Só René Simões foi demitido, já que Ricardo Gomes quis sair para o São Paulo, na ocasião em que Jair assumiu o time.

Em relação ao elenco, não há a mesma estabilidade até pelos problemas financeiros. Da temporada 2016, saíram Sidão, Diogo Barbosa e Neílton, que eram titulares. Neste ano, as duas estrelas do time, Camilo e Montillo, também já não estão mais no elenco, nem o centroavante Sassá. Perguntado como fazer para compensar a desvantagem financeira, Pereira é sucinto:

“Qualidade do trabalho. Alguns jogadores estão conosco desde 2015. É um futebol solidário sem estrelas e com a competência do técnico”, analisou. “Tem que ter um Norte. Não dá para ir ficando para leste e oeste, trocando tudo. É um caminho traçado.”


Após novo rombo, Corinthians já tem dívida maior do que a do Flamengo
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Se em campo tem sobrado diante do Flamengo, o Corinthians capenga diante do rival em relação à gestão. Depois de anos menor, a dívida corintiana ultrapassou a rubro-negra em tamanho no meio de 2017, como mostram os dois balancetes divulgados. E isso sem levar em conta o débito pela Arena Corinthians que não é contabilizado.

Divulgadas nesta semana, as demonstrações financeiras do Corinthians até junho de 2017 mostram um débito líquido de R$ 472,4 milhões, um crescimento de quase R$ 50 milhões em relação ao final de 2016. Antes, a dívida era de R$ 425 milhões porque houve uma redução após a venda de boa parte do elenco em 2016. Mas, na atual temporada, o Corinthians voltou a apresentar R$ 35 milhões de déficit.

Em comparação, o balancete do Flamengo do mesmo período apresenta uma dívida líquida de R$ 364,4 milhões. Esse valor representa uma redução do total de R$ 460,6 milhões que era devido no final de 2016.

A diferença do caso rubro-negro deve-se principalmente à venda do jogador Vinicius Jr.. Foram registrados no ativo do Flamengo os recebimentos futuros relacionados ao jogador, já que foi paga a primeira parcela. Houve outra em julho de 2017 e a terceira parte chega em julho de 2018. No total, serão pagos R$ 145 milhões pelo atleta, sendo que uma parte do dinheiro (6 milhões de euros) foi para comissões e há outras partes para direitos de terceiros.  Sobram R$ 105 milhões para o clube.

Por conta do abastecimento das contas com essa operação, o time carioca fechou a receita do meio do ano com R$ 409 milhões, mais do que o dobro do Corinthians que terminou com R$ 140 milhões de renda neste período.

Uma comparação entre as gestões iniciada por Eduardo Bandeira de Mello e a primeira administração de Andres Sanchez e seus aliados mostra como mudou o panorama dos dois clubes. Em 2007, após a gestão de Alberto Dualib, o Corinthians devia R$ 170 milhões, valor corrigido pela inflação. Enquanto isso, o Flamengo devia R$ 750 milhões em 2013 quando a atual administração assumiu o clube. Agora, pela primeira vez, o clube carioca deve menos.

Há mais um problema para o Corinthians. Pelo ritmo atual de 2017, o clube descumpriria uma das normas do Profut ao final do ano. A Lei do Profut prevê que a agremiação alvinegra teria de reduzir seu déficit a 10% de seu faturamento no ano. Até agora, o déficit está em 25% das receitas obtidas. Neste caso, o clube poderia sofrer punições que, em último caso, levariam até a exclusão do programa.

Mas é preciso lembrar que isso só conta com o balanço do final do ano completo e que o Corinthians pode levar uma advertência antes de ser excluído.