Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Fluminense

Estadual do Rio permite que um clube banque VAR só em seus jogos
Comentários Comente

rodrigomattos

Além das partidas decisivas, o Estadual do Rio de Janeiro pode ter VAR (árbitro eletrônico) apenas para jogos de um clube caso este decida por conta própria bancar as despesas do mecanismo. Esse possiblidade está prevista no regulamento geral de competições da Ferj (Federação do Estado do Rio de Janeiro). A entidade explica que isso foi aprovado pela Assembleia Geral que entendeu que não afetaria o equilíbrio do campeonato.

Ao final do ano passado, a CBF fez um seminário com federações estaduais juntamente com representantes da Fifa e da IFAB (International Board) para aplicação do VAR em Estaduais. Na ocasião, dez federações manifestaram a intenção de ter a tecnologia em um número limitado de jogos de seus campeonatos, de acordo com os custos.

A Ferj é um das que levou adiante a implantação do VAR: fechou com a empresa Hawk-Eye um pacote para 10 partidas decisivas. Pelo acordo, o custo será de R$ 25 mil por jogo, além dos gastos com treinamento. Finais, semifinais de turnos, e os quatro jogos que decidem o Estadual (semis e finais) estão incluídos.

Juridicamente, a federação incluiu a previsão no seu regulamento de competições para 2019 no artigo 107A. No inciso 2, fica determinado que “qualquer clube poderá solicitar, as suas expensas, que o VAR seja utilizado em suas partidas”. Entre as condições, estão a que o jogo seja realizado em um estádio que tenha condições de receber a tecnologia e que o pedido seja feito com 10 dias de antecedência.

Essa regra pode estabelecer que, por exemplo, o Flamengo, com mais recursos, tenha todos os seus jogos com VAR, e o Vasco, apenas se chegar às fases decisivas. Isso já aconteceu no Estadual do Rio em relação ao antidoping. A Ferj só faz os exames para os clubes que decidem pagar por eles.

A Ferj explicou que foi vontade dos clubes, na reunião de definição de regras, ter o mecanismo à disposição de quem puder pagar.

“A Assembleia Geral entendeu que não se trata de vantagem, mas uma oportunidade e uma opção tecnológica à disposição do clube que queira dela se utilizar em alguma de suas partidas e cumpra os pré-requisitos exigidos. Assim como todo o procedimento para uso do VAR no Campeonato Carioca, a IFAB será informada do uso para chancelar.”

Perguntado sobre o assunto, o responsável da CBF para VAR, Manoel Serapião, afirmou que não havia nada sobre VAR apenas para jogo de um time no protocolo da Fifa. Portanto, não haveria vedação. Mas afirmou que entende ser pouco “lógico”, “inusitado” e “fora do propósito” do sistema.

O blog perguntou à IFAB (International Board) se esse procedimento era permitido, mas não obteve respostas até o início da manhã desta quinta-feira. É permitido que só parte dos jogos tenha a tecnologia, a questão é quando isso acontece só um clube.

Outro procedimento diferente da Ferj foi em relação à disponibilidade dos vídeos do VAR para agremiações que atuem na competição. Na Copa do Mundo, a Fifa vetou dar para a CBF as gravações sobre decisão do árbitro contestada tomada contra a seleção brasileira. A CBF também nega na Copa do Brasil. No regulamento de competições da Ferj, está informado que os clubes têm acesso aos vídeos por 48 horas após as partidas.

 


Palmeiras teve melhor desempenho em 2018, seguido por Inter, Fla e Grêmio
Comentários Comente

rodrigomattos

Consideradas as competições relevantes do cenário nacionais e internacionais, o Palmeiras foi o time com melhor rendimento em pontos entre os grandes do Brasil. Foi seguido por Internacional, Flamengo e Grêmio, que tiveram percentuais próximos. O pior foi o Vasco.

Anualmente, o blog levanta o desempenho dos maiores times brasileiros nos campeonatos mais relevantes: Brasileiro, Copa do Brasil, Sul-Americana, Libertadores e Recopa. O objetivo é avaliar, para além de título, quem foi mais eficiente na obtenção de pontos contra rivais fortes.

O campeão brasileiro sempre leva vantagem porque é a competição com maior número de jogos. Mas o Palmeiras foi bem também na Copa do Brasil e na Libertadores, atingindo as semifinais em ambas. Assim, ficou próximo dos 70% de pontos conquistados entre os disputados.

Em seguida, o melhor desempenho foi do Internacional. É preciso observar, no entanto, que o time gaúcho jogou menos partidas de elite, pois, além do Brasileiro, só disputou a Copa do Brasil e até a quarta fase, quando foi eliminado pelo Vitória.

Flamengo e Grêmio, com percentuais próximos dos 60% de aproveitamento, jogaram Brasileiro, Libertadores e Copa do Brasil. Portanto, tiveram maior número de jogos difíceis na temporada do que o Colorado.

Um segundo escalão de desempenho tem São Paulo, Athletico-PR, Cruzeiro e Atlético-MG, sendo que dois deles ganharam títulos em mata-matas, Sul-Americana e Copa do Brasil.

Os outros times grandes ganharam menos da metade dos pontos que disputaram no ano em campeonatos relevantes, sendo o pior deles o Vasco, com apenas 40,4% dos pontos. É preciso ressaltar, no entanto, a evolução do Bahia – que antes era uma equipe que brigava para não cair e, neste ano, esteve no meio da tabela e avançou até as quartas-de-final da Sul-Americana e da Copa do Brasil.

1- Palmeiras – 115 pontos/ 56 jogos – 68,5%

2- Internacional – 82 pontos/ 44 jogos – 62,1%

3- Flamengo – 94 pontos / 52 jogos – 60,3%

4- Grêmio – 100 pontos/56 jogos – 59,5%

5- São Paulo – 79 pontos/ 48 jogos – 54,9%

6- Athletico-PR – 95 pontos /58 jogos – 54,6%

7- Cruzeiro – 84 pontos / 54 jogos – 51,9%

8- Atlético-MG – 73 pontos / 48 jogos – 50,7%

9- Fluminense – 73 pontos / 52 jogos – 46,8%

10- Botafogo – 61 pontos / 45 jogos – 45,2%

11- Santos – 67 pontos / 50 jogos – 44,7%

12- Corinthians – 71 pontos / 54 jogos – 43,8%

13- Bahia – 65 pontos /50 jogos – 43,3%

14- Vasco – 63 pontos / 52 jogos – 40,4%

 


Sem denúncia, atrasos de salários na Série A não geram perda de ponto
Comentários Comente

rodrigomattos

O regulamento do Brasileiro da Série A é claro: atrasos de salários na carteira de mais de 30 dias levam à perda de três pontos por jogo se não forem quitados. E clubes como Sport, Vasco, Fluminense e Atlético-MG ultrapassaram esse prazo em algum momento do campeonato. A falta de denúncias pelos jogadores, sindicatos ou outras partes, no entanto, impede a procuradoria do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) de atuar.

O artigo 19 do regulamento do Brasileiro prevê a perda de três pontos por jogo para o time quando configurada a dívida por atraso salarial. Para isso, pela regras, é preciso que jogadores ou sindicatos denunciem os clubes à Justiça desportiva após 30 dias de atraso e, a partir daí, eles têm 15 dias para pagar.

Mas outras partes interessadas, como clubes rivais, podem tentar se apresentar como partes em denúncia à procuradoria do STJD. Caberá ao procurador-geral, Felipe Bevilacqua, analisar se o reclamante é legítimo para denunciar.

“Irei analisar a legitimidade de quem ofertou e as provas”, disse Bevilacqua ao blog, ressaltando que pode aceitar provas de outras partes que não sindicatos e jogadores se for o caso. “Se forem consistentes (prova), sim.”

Até agora a procuradoria do STJD não fez nenhuma denúncia sobre atraso salarial em relação à Série A. Pela lembrança do procurador, no ano passado, houve três casos em outras divisões. Entidade nacional, a Fenapaf (Federação Nacional de Atletas Profissionais) já foi aceita pela procuradoria como parte, além dos sindicatos.

Nesta semana, jogadores do Sport foram ao sindicato de jogadores profissionais de Pernambuco pedir adiantamento de receitas de direito de arena por conta de atrasos de até três meses nos salários, como noticiou a ESPN. Pois bem, os atletas pediram ao sindicato para não denunciar o clube.

“Jogadores solicitaram que pagassem o direito de arena do primeiro turno. Não solicitaram notificação ao clube. E pediram para não notificar o STJD e a CBF para o clube não ser prejudicado”, explicou o presidente do sindicato pernambucano, Ramon Ramos. Não foi possível contato com a diretoria do Sport. Em nota à ESPN, o clube admitiu atrasos.

No Rio, o Fluminense têm pendências admitidas com seus atletas e houve até cobranças no vestiário de jogo. Jogadores voltaram a falar sobre o problema ao final da partida contra o Ceará. Agora, a diretoria tenta resolver a questão com dinheiro que tem para receber ou auxílio de tricolores.

Os salários do Vasco venceram nesta terça-feira, 20 de outubro, e não foram pagos. Mas não se completou 30 dias, e a diretoria espera resolver a pendência logo. Segundo a assessoria do clube, o único atraso de fato foi no início do segundo semestre, considerando o período do Brasileiro. A diretoria não teme denúncia porque promete quitar o atraso atual e diz ter a confiança do elenco.

O sindicato de jogadores do Rio de Janeiro não fez nenhuma denúncia ao STJD sobre os casos dos dois clubes.

O Atlético-MG completou dois meses de atrasos de salários e, portanto, também estaria sujeito à denúncia se não quitasse os valores. A diretoria do clube promete antecipar cotas da Globo de 2019 para pagar toda a dívida neste ano.

Até agora, o único caso de punição a clube da Série A com perda de pontos por salário atrasado foi do Santa Cruz, em decisão de 2017 do STJD referente ao Brasileiro do ano anterior. Na ocasião, o time pernambucano já tinha sido rebaixado.

Colaborou Léo Burlá


Enquanto conversa sobre futuro, Fla tem queda de renda com Maracanã
Comentários Comente

rodrigomattos

Ao mesmo tempo que conversa sobre o futuro do Maracanã, o Flamengo teve queda de receita líquida em sua volta ao estádio em 2018 em novo acordo com a Odebrecht e problemas no estádio. É o que mostra o balancete mais recente do clube. Na semana retrasada, a diretoria rubro-negra conversou com o governador eleito do Rio de Janeiro, Wilson Witzel (PSC), sobre uma concessão do estádio.

O balancete trimestral do Flamengo até setembro de 2018 mostra arrecadação de R$ 39,9 milhões em 37 jogos neste ano. Mas, desse total, apenas 14% foram para os cofres rubro-negros, isto é, R$ 5,9 milhões.

Em comparação com o mesmo período do ano passado, a receita foi maior com R$ 47,3 milhões em 43 jogos o que também se explica por grandes públicos nas finais da Copa do Brasil e da Copa Sul-Americana. Neste caso, o clube ficou com 28% do total, sendo um total de R$ 13,3 milhões.

Essa diferença se explica pela mudança de estratégia do Flamengo neste ano. Abandonou a Arena do Urubu, onde tinha público menor e ingressos mais caros. Assinou novo acordo com a Odebrecht para uso do Maracanã até 2020 e abaixou o preço dos ingressos. Como resultado, teve sua melhor média de público no Brasileiro desde a década de 80, com 47 mil pessoas.

A questão é que a queda de custos do Maracanã combinada com a Odebrecht ocorreu em proporção pequena. Para se ter ideia, o clube ficou com apenas 18% das suas rendas no Brasileiro, quase todo disputado no Maracanã, percentual bem inferior aos 40% do ano passado.

A diretoria do clube entende como positiva a política por outros ganhos. Há rendas de comidas e bebidas (estima-se em R$ 200 mil por jogo), maior adesão do sócio-torcedor (que atingiu 100 mil) e um ganho da marca com o aumento de público no estádio. O Flamengo terá eleição presidencial neste final de ano. Segundo a situação atual, o contrato com a Odebrecht será mantido até 2020.

Além disso, houve problemas operacionais no período. O gramado esteve em mau estado a maior parte do tempo, o que gerou críticas de jogadores rubro-negros e obrigou ao fechamento do estádio. Na partida decisiva diante do Palmeiras, houve um apagão das luzes no meio do segundo tempo.

Ao mesmo tempo, o clube começou a conversar sobre o futuro. Em reunião, o presidente rubro-negro, Eduardo Bandeira de Mello, recebeu sinalização positiva de Witzel sobre a possibilidade de participação de agremiações na concorrência do Maracanã. Essa é uma reivindicação antiga do Flamengo.

O problema é que tanto o futuro governador quanto o time da Gávea não têm ideia de quando a Odebrecht sairá do estádio. A concessão à empreiteira já foi até anulada na primeira instância da Justiça pelas suspeitas de corrupção, mas o caso foi para recurso. Enquanto isso, arrasta-se um caso entre governo do estado e Odebrecht em tribunal de arbitragem.

A ideia do clube, se as condições forem favoráveis, seria oferecer-se para fazer obras de adaptação e assumir integralmente a gestão do estádio. O compromisso é incluir a obrigação de ceder o Maracanã para os outros três clubes quando quiserem jogar por lá – no caso do Fluminense, terá de ser negociado um acordo.

Questionado sobre o assunto, a assessoria de Witzel respondeu: “O governo do estado passou para a equipe de transição a situação atual da gestão do Maracanã e não há como definir o andamento na Justiça. As futuras ações para a gestão do estádio serão definidas durante o período de transição.”

A diretoria do Flamengo desenvolveu projeto de estádio próprio durante a gestão Bandeira de Mello, mas este não foi à frente depois que um terreno se tornou inviável. A próxima gestão terá de decidir se retoma essa ideia ou insiste no Maracanã.


Caso Scarpa: juíza apreende bens do Palmeiras baseada em decisão sem efeito
Comentários Comente

rodrigomattos

Com Leo Burlá

A decisão da Justiça trabalhista de apreender bens de Gustavo Scarpa e Palmeiras em favor do Fluminense baseou-se em jurisprudência do caso de Leandro Damião com o Santos. A questão é a que a medida judicial na ação de Damião citada teve uma reviravolta no TST (Tribunal Superior do Trabalho) e, na prática, não teve efeito nenhum no final. O clube da Baixada santista não ganhou nada pela saída do atacante porque houve um acordo entre as partes.

A juíza do TRT do Rio Dalva de Macedo estabeleceu o arresto de R$ 200 milhões em contas ou bens de Scarpa e Palmeiras, valor este referente à multa rescisória do contrato do jogador com o Fluminense. Em sua decisão, ela afirmou que “a jurisprudência desta especializada vem entendendo, nos casos em que se encontra sub judice a manutenção do contrato de trabalho do jogador com o seu antigo clube, a possibilidade de se proceder o arresto de valor suficiente para garantir o pagamento da multa rescisória formalizada com a antiga agremiação”.

Como base, citou uma decisão sobre a disputa entre Damião e Santos. Na determinação do ministro do TST Ives Gandra Martins, de janeiro de 2016, estabeleceu-se o arresto de R$ 65 milhões do jogador em favor do Santos, valor que o clube alegava ter de prejuízo.

A questão é que esta decisão foi alterada em posterior acordo entre o clube o jogador, em negociação com o ministro do TST. “Gandra deu essa decisão, mas fui falar com ele para explicar que ninguém pagaria para ter o Damião naquela época”, contou o advogado de Damião, Roberto Siegmann, que foi vice-presidente do Internacional. “Essa decisão não teve efeito porque foi feito um acordo com o Santos e tudo foi pacificado.”

Pelo acordo firmado com o Santos, Damião não teve de pagar nada para o clube. O que ficou combinado é que, se houvesse verbas de uma futura transferência, o clube santista ficaria com uma parte. Mas o arresto dos bens do jogador foi suspenso e ele pôde se transferir por empréstimo para o Bétis e depois Flamengo. Agora, está no Internacional.

“A decisão da juíza leva em conta o princípio de que tem que respeitar o direito do jogador atuar e estabelece a garantia do arresto”, comentou Siegmann.

As ações de Scarpa e Damião tinham ambas como objetivo se desvincular dos clubes com alegação de falta de pagamento de verbas trabalhistas. A diferença é de que o meia imediatamente se vinculou ao Palmeiras o que levou o time alviverde para o polo passivo do processo, enquanto não havia um outro time com contrato com o ex-centroavante santista.

Como reação à decisão da juíza, o Palmeiras alegou que não é parte e que a medida era abusiva. Já o Fluminense não se pronunciou. Não foi possível ter contato com a juíza Dalva Macedo.


Com Fla, Maracanã se recupera e terá 50 jogos no ano operando no azul
Comentários Comente

rodrigomattos


Quatro anos após a final da Copa-2014, o Maracanã se recupera do caos e tem um calendário cheio de cerca de 50 jogos previstos para o ano. A operação tem ocorrido com superávit operacional em 2017 e em 2018, segundo a concessionária pertencente à Odebrecht. Isso é possível principalmente pela volta do Flamengo ao Maracanã, no ano passado em jogos grandes e agora com mais frequência.

No início de 2017, o Maracanã viveu o seu pior momento ao chegar ao estado de abandono. Uma disputa entre o Comitê Rio-2016 e a Odebrecht levou o estádio a ficar fechado enquanto se decidia judicialmente quem seria responsável pela sua recuperação. Os organizadores da Olimpíada foram responsáveis por causar danos na cobertura, deixar equipamentos jogados pelos cantos e até permitir roubos. A partir daí, a Odebrecht foi obrigada judicialmente a retomar o estádio, enquanto seu futuro era decidido.

“Temos tido superávit operacional. Houve investimento em manutenção no estádio, para fechar os buracos da cobertura, melhoria no Maracãzinho, troca de bancos de reservas. E guardamos dinheiro provisionado para trocas de telão e som no futuro”, contou o presidente da concessionária Maracanã, Mauro Darzé. “Há um déficit contábil se consideramos o valor da outorga ao governo. Mas, com isso, a conta não fecha.”

A outorga está sendo discutida em arbitagem e a Odebrecht não a está pagando ao governo do Estado – seriam R$ 7 milhões por ano. A alegação é de que o Estado descumpriu o contrato ao modificá-lo e retirar a possibilidade de exploração econômica dos espaços do Célio de Barros e do Parque Julio Delamare, ambos tombados. A previsão é de que uma decisão só saia a partir do final do ano, enquanto o governo estuda a nova licitação.

Neste meio tempo, a Odebrecht só espera a oficialização de um acordo com o Flamengo já negociado de quatro anos para ter atividade garantida no estádio até o momento que venha a ter de entregá-lo. O Conselho Deliberativo votará no dia 11 de junho.

Com o clube rubro-negro, o Maracanã tem exatos 48 jogos confirmados no calendário. “Esse número deve ultrapassar 50 se Flamengo e Fluminense se classificarem na Copa do Brasil, Libertadores e Sul-Americana”, lembrou Darzé. Houve ainda quatro grandes shows, além de eventos menores.

Com isso, a expectativa é de um aumento no público total que vai ao estádio neste ano. Em 2017, foram 1,4 milhão de pessoas, contando os tours. Permanece a questão, no entanto, do estádio ser bastante caro para a utilização dos clubes. Neste ponto, a concessionária defende que cobra para bancar a manutenção e que, com mais jogos como no acordo do Flamengo, é possível reduzir custos.

No total, o Maracanã tem um gasto em torno de R$ 20 milhões a R$ 30 milhões com manutenção, contabilizado aí dinheiro que fica em caixa para novos itens como troca futura de telão. Além disso, há o custo operacional que só de luz varia entre R$ 100 mil e R$ 150 mil. Outros custos são de empresas de segurança, grades, orientadores, bares, etc. Nos jogos do Flamengo, chegam a R$ 450 mil, nos do Flu, são mais baixos.

Garantido o contrato com o Flamengo, a concessionária reiniciará a venda de camarotes cuja renda reverte em parte para o clube. Isso porque, com a indefinição do futuro do estádio, todos os contratos antigos foram cancelados. Outros contratos de publicidade para exploração em partes da arquibancada e de bebidas também estão ou serão negociados. Clubes levam uma parte da comercialização de bebidas e comidas. Em relação aos investimentos, a intenção é trocar alguns equipamentos de som e o gramado no fundo do campo, que também foi destruído pela abertura da Olimpíada.

A questão é quanto tempo vai durar a administração da Conscessionária Maracanã. O processo de concessão foi marcado pela acusação de corrupção a membros do tribunal de contas do Estado em pagamentos feitos pela Odebrecht. Esse fato e a intenção da construtora de sair do negócio levaram o governo a anunciar nova licitação. Só que a imobilidade do governo de Luiz Fernando Pezão parou o processo. Certo é que, em termos de manutenção, o cenário melhorou, embora a indefinição ainda pese sobre o estádio.


Por Profut, governo fiscaliza balanços. Há clubes da Série A com problemas
Comentários Comente

rodrigomattos

A Apfut (Autoridade Pública de Governança do Futebol) já iniciou a fiscalização de balanços de clubes de futebol e se prepara para, em seguida, iniciar procedimentos administrativos contra aqueles que descumprirem a Lei do Profut. Não se fala em nomes oficialmente. Em levantamento, o blog constatou problemas nas contas de Vasco, Fluminense, Internacional e Vitória sob o ponto de vista da legislação.

Os procedimentos administrativos podem levar eventualmente a exclusão dos clubes do programa Profut, que refinancia os débitos dos times. Isso significaria que suas dívidas integrais com o governo seriam cobradas de uma vez, sem os descontos que foram dados em multas pelo governo federal. Mas deve haver um processo longo até chegar a isso.

“Estamos começando a receber os balanços e estamos analisando. Caso constatemos irregularidades, vamos notificar os clubes e iniciar procedimentos administrativos”, afirmou o presidente da Apfut, Luiz André Mello. “A partir daí, pediremos ao clube para mostrar uma plano de ação em 180 dias (para se adaptar a lei). E vamos acompanhar e fiscalizar a execução.”

Mello não fala sobre nenhum clube especificamente. Todos os procedimentos são tratados em sigilo. “Tinha indícios de descumprimento em clubes da Série A. Se houver (desrespeito à lei), vamos fazer procedimentos”, completou.

Por conta própria, o blog fez um levantamento nos balanços de acordo com a Lei do Profut. Constatou que há dados que indicam descumprimento da lei em Vasco, Internacional, Fluminense, Vitória e Sport. O clube pernambucano, no entanto, não está no Profut e portanto não está submetido às regras.

Entre as obrigações, está ter um deficit de até 10% da receita do ano anterior. No caso dessa primeira fiscalização, vale o deficit de 2017 e a receita de 2016 portanto. Os quatro clubes não cumpriram essa determinação.

O Fluminense teve um deficit em 2017 de R$ 79,4 milhões. Isso representa 27% de sua receita do ano anterior de R$ 293 milhões. Além disso, o Fluminense não publicou o balanço dentro do prazo e suas demonstrações financeiras não foram auditadas, outra das obrigações previstas na lei.

A diretoria do Fluminense vem conversando com a Apfut e tem dado explicações para sua situação financeira. Isso não significa, no entanto, que está livre de punição. O clube terá de mostrar um plano de como vai se recuperar para cumprir as obrigações.

Outro caso é do Vasco. O deficit vascaíno foi de R$ 23 milhões, o que dá 10,8% da sua receita do ano de 2016. O pior problema, no caso do alvinegro, é outro. O balanço mostra que havia dívida de R$ 27 milhões em parcelas vencidas do Profut. Pela regra, três meses implicam em exclusão e esse valor é maior do que de três parcelas. Há ainda salários e FGTS em aberto, o que a lei não permite.

Assim como o Fluminense, a diretoria do Vasco já mostrou disposição de negociar com a Apfut para estabelecer uma fórmula para quitar os atrasados. Seu balanço indica que pretende usar depósitos judiciais.

Já o Vitória teve um deficit de R$ 59,8 milhões, o que representa 53% da receita de R$ 112 milhões do clube em 2016. No caso do Internacional, o deficit foi de R$ 62,6 milhões. Isso significa 21,4% da receita de 2016 de R$ 292,7 milhões.

Todos os quatro clubes tiveram trocas de presidentes nesta virada do ano ou no final de 2016. O presidente do Vasco, Alexandre Campello, é o que assumiu mais recentemente.

Não foi possível ao blog verificar dados como restrição de antecipação de receita a 30% ou custo percentual da folha de futebol porque isso exigiria informações além das disponíveis no balanço.

Constatada a irregularidade, a Apfut terá de fazer alguma sanção ao clube, mas não necessariamente a exclusão do programa. Há uma tendência a induzir a governança para que o clube se enquadre e, se isso não ocorrer, uma medida mais radical.

“Se não cumprir, vai ter punição. Pode ser uma notificação ou pode levar até a exclusão”, contou Luiz André Mello. Ele lembrou que o programa da Uefa de fair play para clubes tem maior flexibilidade, propondo medidas corretivas no clube. Mas, no Brasil, há uma lei a ser seguida.

 


Venda de quase R$ 1 bi em jogadores ajuda clubes a conter dívidas
Comentários Comente

rodrigomattos

A negociação de jogadores de um valor próximo de R$ 1 bilhão ajudou as contas dos clubes e manteve estável a dívidas total deles. É o que mostra um levantamento feito pela consultoria Sports Value nos balanços dos 20 times de maior arrecadação no país. Esse movimento não foi uniforme e metade dos times teve superávit e a outra metade, déficit.

Foram R$ 966 milhões em vendas de jogadores executadas pelos maiores times brasileiros. O líder no quesito foi o São Paulo, seguido de perto pelo Flamengo. No total, isso representou a segunda maior receita dos times, atrás apenas da televisão. O percentual é de 19% do total – o último ano em que houve proporção maior foi em 2013.

“Em 2015, o Profut ajudou as contas dos clubes. Em 2016, foram as luvas de televisão. Esse ano foram as vendas de jogador”, explicou Amir Somoggi, consultor da Sports Value.

Com a alta na receita de jogadores, a dívida total dos clubes teve um crescimento abaixo da inflação, na casa de 2%. Em 2016, o número era de R$ 6,63 bilhões. Agora, está em R$ 6,76 bilhões. O aumento de receita foi de 4%. Isso reduziu a relação entre receita anual e dívida para 1,3, o que mostra, teoricamente, contas mais saudáveis dos clubes.

Esse, no entanto, é um quadro geral. Do ponto de vista específico, o Flamengo teve uma redução brutal de sua dívida que caiu para R$ 335 milhões, queda de 27%. Do total de 20 clubes analisados, 11 tiveram redução da dívida ou crescimento no máximo no nível da inflação. Outros nove tiveram aumentos dos débitos líquidos acima da inflação.

Foram seis os clubes, Fluminense, Vasco, Palmeiras, Atlético-PR, Vitória e Sport que tiveram crescimento de débito acima de 10%. Veja no gráfico da Sports Value a evolução dos débitos de cada um. Botafogo e Internacional estão no topo da lista.

&


Após dois anos de Profut, Receita não definiu tamanho da dívida dos clubes
Comentários Comente

rodrigomattos

Após de mais de dois anos da implantação do Profut, a Receita Federal ainda não determinou de fato quanto devem os clubes brasileiros. Boa parte das dívidas fiscais dos times continua pendente de homologação pelo órgão, e os times estão pagando os parcelamentos com base nos seus próprios levantamentos dos débitos. Houve descontos de pendências e multas com base nesses cálculos.

A Lei do Profut foi implementada em agosto de 2015, sendo o decreto que a regulamenta feito em janeiro de 2016. Mas, nos últimos meses de 2015, houve a adesão da maior parte dos clubes brasileiros. Só no Brasileiro da Série A eram 17 times naquela época.

Pelo procedimento, os clubes apresentavam seus levantamentos de dívidas com a Receita, INSS e FGTS para as autoridades fiscais. Os parcelamentos e os descontos de multas foram feitos com base nesses cálculos. Mas o governo federal teria de conferir e homologar esses valores.

O processo, no entanto, tem sido bastante lento. Veja como exemplo o Flamengo que aderiu ao programa em outubro de 2015, pouco depois da implantação. O clube até já tinha um levantamento de suas dívidas pois as tinha regularizado anteriormente e pago um valor à Receita.

Pois bem, após dois anos da adesão, o clube rubro-negro registrou em seu balanço de 2017 que sua dívida fiscal é de R$ 283 milhões. Desse total, apenas R$ 108,2 milhões já foram homologados pela Receita, entre valores de imposto e INSS. Ou seja, falta confirmar R$ 174,8 milhões. Durante o ano de 2017, menos de R$ 10 milhões foram consolidados. O documento registra que o valor pode ser alterado pelos cálculos.

Não é um caso único. A última demonstração financeira do Santos, do terceiro trimestre de 2017, registra uma dívida fiscal de R$ 156,3 milhões. No documento, está escrito que “os tributos citados ainda não foram consolidados pelos órgãos responsáveis e até sua homologação poderá sofrer alterações.”

O site do Botafogo também registra que os débitos fiscais estão em processo de homologação. O clube alvinegro registra R$ 144 milhões em dívidas incluídas no Profut.

Não é possível confirmar a situação dos outros clubes porque ainda não fecharam suas demonstrações contábeis ou não essas estão disponíveis no site (o prazo é final de abril). Mas o blog apurou que a situação é comum a maioria dos times visto que a Receita tem sido lenta na homologação dos cálculos, o que neste caso não é culpa dos times.

Há portanto uma indefinição sobre qual o tamanho do débito real dos times. Dependerá da organização de cada clube para saber o quão preciso foi seu levantamento. Neste caso, a Apfut (órgão fiscalizador) não tem interferência pois é responsável pela fiscalização do cumprimento da lei, não pelo valor das dívidas.

Em relação ao pagamento das parcelas do Profut, há clubes em atraso. A nova diretoria do Vasco admitiu que o ex-presidente Eurico Miranda deixou de pagar alguns meses.

O blog enviou perguntas à Receita Federal na sexta-feira sobre o tema. Após três dias úteis, o órgão fiscal não respondeu as perguntas sobre o atraso nas homologações de dívidas. O Ministério da Previdência informou que era tarefa da Receita fazer os cálculos.

 


Calendário e contrato de TV limitam mudança na fórmula do Estadual do Rio
Comentários Comente

rodrigomattos

Em crise de público, o Estadual do Rio tem restrições no calendário da CBF e no contrato com a Globo para que sejam feitas alterações na fórmula de disputa para o próximo ano. Há dentro da federação discussões sobre mudança no formato, e a própria emissora vê como positiva essa discussão. A questão é que modificações têm que ser feitas mantendo 18 datas sem possibilidade de ficar sem jogos em determinados dias.

O Estadual do Rio-2018 tem enfrentado uma crise de público e de atratividade, com uma média de pagantes em torno de 3 mil pessoas. A Globo já demonstrou preocupação com a baixa presença de torcedores no estádio. E a própria Ferj reconheceu o problema quando questionada pelo blog:

“Obviamente que não (está satisfeita). E já vem se reunindo para melhorar o produto e fazer diferente em 2019. O campeonato carioca desperta interesse. Isso é fato. Não temos os números de 2018. Se todas as partidas do Campeonato Carioca de 2017, sem exceção, fossem jogadas com o Maracanã lotado, não atingiria 1/9 das pessoas que assistiram pela TV.  Porém, nosso desafio é levar o público ao estádio, em conjunto com os clubes, através de ações”, afirmou a Ferj por meio da assessoria.

Há diversos motivos para essa queda na atratividade do Carioca, entre elas, a violência do Rio de Janeiro, o baixo nível técnico dos jogos, problemas enfrentados pelos grandes clubes no início do ano, falta do Maracanã. Entre os questionamentos à Ferj (Federação do Estado do Rio de Janeiro), está a fórmula do Estadual do Rio.

Pelo formato atual, há dois turnos com semifinais e finais que contam pouco para a fase decisiva, de fato, da competição. Triunfos da Taça Rio e da Taça Guanabara só garantem vaga nas semifinais da competição, a não ser que o time vença ambos. O formato é complexo para ser entendido pelo torcedor e deixa vários jogos com pouco valor esportivo.

Para mudar a fórmula, no entanto, a Ferj e os clubes enfrentam restrições por compromissos assinados por eles mesmos. Por pressão das federações, o calendário da CBF estabelece 18 datas para os Estaduais.

Baseado nisso, a Ferj assinou um contrato com a Globo que prevê que todas essas datas têm que ser ocupadas por partidas. Assim, caso a federação optasse por uma redução do número de times e jogos, não poderia fazê-lo a não ser que reduzisse o valor recebido pelo contrato com consequência para as cotas dos clubes. O contrato tem valor de R$ 120 milhões, e se estende até 2024.

Não é possível também usar a antiga fórmula do Carioca que tinha dois turnos e, se um time vencesse os dois, levaria o título sem final. Isso deixaria duas datas em aberto sem jogo do Estadual, o que é vetado pelo contrato.

Não há resistência dentro da Globo a uma redução do número de datas do Estadual em favor do Brasileiro, mas isso implicaria em uma queda do valor. Dentro do calendário proposto, a emissora apoiaria uma mudança de formato desde que dentro das condições contratuais.

Já, na Ferj, há discussões para melhoria do Estadual. Já foi feita uma consulta ao Conselho Nacional do Esporte que referendou que a legislação não impede mudanças na fórmula para o próximo ano. Pode ser proposta nova fórmula que seria votada no arbitral dos clubes.

A federação não respondeu a perguntas sobre o contrato, alegando que respeita a confidencialidade do acordo. Mas disse que há efeito dos horários dos jogos na presença de público, e de aspectos comerciais que têm de ser respeitados. Abaixo a posição:

°A Federação de Futebol do Rio de Janeiro não se opõe ao debate sobre qualquer aspecto que venha a contribuir para o crescimento do Campeonato. Mas fica o registro que, seja qual for o formato ou adequação dele, não há chance de os aspectos comerciais deixarem de ser considerados como fator preponderante. Assim não fosse, bastaria que os clubes abdicassem do contrato de TV, colocassem as partidas nos horários e locais que melhor lhes conviesse cobrassem preço de ingresso bem barato.  A fórmula não é a única variável que  influencia.”

O contrato é válido por oito anos até 2024 para o caso dos três grandes clubes, Fluminense, Vasco e Botafogo, e da Ferj. O Flamengo, que assinou um contrato em separado com a mesma cota, tem compromisso até 2018.