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Estadual do Rio é emoção (ou é enrolação)?
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Henrique Dourado comemora gol do Flamengo na semifinal (André Mourão/FotoFC)

Ao se ligar a televisão em canal esportivo, entra a propaganda: “Estadual é emoção”, seguido de imagens de histórias emblemáticas da competição. A Globo e a SporTV exercem o seu justo direito de promover os eventos pelos quais pagaram caro. Duro é convencer o público carioca de que o atual Estadual é de fato emocionante.

Após 47 jogos, o maior público pagante foi de cerca de 20 mil pessoas em um Flamengo e Vasco. O clássico mais importante desta Taça Guanabara foi disputado em Volta Redonda com um público abaixo de 10 mil pessoas.

A Ferj (Federação do Rio de Janeiro de Futebol) certamente divulgará uma média de público fictícia pois tem uma regra que contabiliza 20% da capacidade do estádio presente não importa quem apareça por lá. A renda é igualmente inchada por cotas de TV para parecer que é significativa.

A parte desses truques, o que se vê no gramado é pobre, paupérrimo. Os grandes clubes nem tiveram um tempo que se possa chamar de pré-temporada. Mal voltaram aos treinos e já estavam em campo para jogar no dia 16. Sim, no meio de janeiro, porque é necessário arrastar o Estadual do Rio por 18 longas datas.

E para quê? A fórmula do campeonato é tão esdrúxula quanto à do ano passado. A vitória na Taça Guanabara que será decidida entre Flamengo e Boavista não vale uma vaga na final, na realidade, não vale quase nada. O time classifica-se para as semifinais do campeonato, assim como no caso da Taça Rio.

Uma equipe garante um lugar na decisão só se ganhar os dois turnos. Ou seja, supera todo mundo, bate a todos e aí… tem que enfrentar outro pelo título. De resto, obtém-se vagas por pontuação geral.

Some-se a isso à crise financeira que enfrentam três dos times grandes, Vasco, Fluminense e Botafogo, e temos um cenário desolador. O Flamengo, que só parou de jogar em 2017 em 13 de dezembro, botou reservas e juniores em boa parte do turno, com absoluta razão.

Aliás, os quatro grandes já começam a encarar o Estadual como deve ser: uma competição de pré-temporada, um título menor. Basta ver que as eliminações de Vasco e Fluminense nem fizeram cosquinha em seus técnicos, mais uma vez, com toda razão para as diretorias dos dois. O Botafogo entrou em crise pela eliminação na Copa do Brasil, e demitiu seu técnico Felipe Conceição mais pela derrota para a Aparecidense do que a para o Flamengo.

A propaganda da Globo, de fato, lembra momentos significativos da história dos clubes nos Estaduais. O problema é que quase todos estão em um passado, distante. A competição nunca mais será o que era.

Necessita-se de uma reformulação urgente (máximo de oito, dez datas, mais racional) para sobreviver um mínimo interesse do torcedor em um torneio de tiro curto que não atrapalhe o que interessa. Do jeito que está, salvo uma final um pouco mais interessante, só serve à Ferj e como fundo de tela da TV após o almoço do final de semana, enquanto as pessoas prestam atenção em outra coisa.

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Flamengo gasta com Dourado quantia quase igual à que receberá por Vizeu
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O Flamengo gastará com a contratação de Henrique Dourado, do Fluminense, praticamente o mesmo valor recebido pela negociação do Felipe Vizeu com a Udinese. A quantia gira entre R$ 11 milhões e R$ 12 milhões, com variações por conta do câmbio. Apesar disso, a diretoria rubro-negra entende que já tinha dinheiro suficiente para aquisição do novo centroavante mesmo sem a negociação.

O orçamento rubro-negro de 2018 previa um valor de até R$ 15 milhões para contratações. Ao mesmo tempo, apontava que teria de haver uma vendas que totalizariam outros R$ 15 milhões. Até porque o clube tem compromissos de anos anteriores para serem pagos, como aquisições dos direitos de Berrío, Mancuello e Marcelo Cirino.

No início do ano, a diretoria do Flamengo já tinha obtido R$ 6 milhões com a venda de Mancuello ao Cruzeiro, além de ter desonerado a folha salarial com saídas de atletas como Márcio Araújo, Alex Muralha, Gabriel, entre outros. Até teria condições de contratar Dourado.

Mas ajudou bastante a venda de Vizeu que somou outros R$ 11 milhões ou R$ 12 milhões. Com isso, o clube atingiu um valor entre R$ 16 milhões e R$ 17 milhões com negociações em 2017, ultrapassando o orçamento previsto.

Ao mesmo tempo, o clube rubro-negro pagará ao Fluminense justamente um montante em torno de R$ 11 milhões, sendo que parte irá para o Mirassol. No momento, pelo câmbio atual, dirigentes do time da Gávea avaliam que haverá uma pequena lucratividade entre as duas operações. No Fluminense, há a necessidade do dinheiro para quitar débitos.

Há uma combinação no clube rubro-negro que, além do previsto no orçamento, só pode-se contratar caso exista uma venda. Com o orçamento cumprido, fica claro que qualquer dinheiro extra será destinado ao departamento de futebol.


Sem pré-temporada, times grandes têm pior desempenho nos Estaduais em 2018
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Em um ano quase sem pré-temporada, os times grandes tiveram uma piora no seu desempenho no início dos Estaduais em relação a 2017. O levantamento do blog foi feito nas quatro principais competições com 12 clubes grandes. No total, eles somaram 13% a menos de pontos do que no ano passado no mesmo número de jogos, embora, óbvio, existam exceções como o Palmeiras e seus 100% dos pontos.

Por conta da Copa da Rússia, a CBF marcou o início dos Estaduais para o meio de janeiro quando costumavam ocorrer no início de fevereiro. A pré-temporada, portanto, durou menos de 15 dias. Boa parte dos times iniciou os campeonatos com juniores ou reservas para dar tempo de treinamento a titulares.

Diante desse cenário, era previsível a queda de rendimento. Dos 12 times analisados, São Paulo, Flamengo, Fluminense, Vasco, Atlético-MG e Grêmio começaram os Estaduais com campanhas inferiores a 2017.

Desses, o time rubro-negro e o gremista foram os que jogaram até mais tarde na temporada, com o Mundial e a Sul-Americana. Usam reservas e juniores. O Flamengo só teve dois pontos a menos do que no ano passado, mas o Grêmio só fez um ponto no Gaúchão.

Outras duas equipes tiveram desempenho similar ao ano passado, sendo elas, Corinthians e Cruzeiro. São justamente equipes que têm utilizado mais titulares nesses jogos iniciais, embora mantenham a rotatividade do elenco no início de temporada.

Quem melhorou em relação ao ano passado foram Botafogo, Internacional, Santos e Palmeiras. O time alviverde, por sinal, é o único que tem 100% de aproveitamento entre os da Série A, como mostrou o blog do PVC. Já o Botafogo tinha poupado jogadores em 2017 por priorizar as fases da pre-Libertadores, o que não faz nesta temporada. A equipe santista foi quase igual ao ano passado, com um ponto a mais.

No total, os 12 times grandes somaram 84 pontos nas quatro primeiras rodadas contra 97 no ano passado. Há clássicos em que se enfrentaram, mas esses se anulam dentro da estatística. Fato é que, na média, diante dos pequenos ou médios, ganharam menos pontos. Com exceção da Ponte Preta, que jogou o Brasileiro até o final, as outras equipes tiveram muito mais tempo de treino já que não disputavam competições até o final do ano.

A queda foi maior no Rio de Janeiro onde apenas o Botafogo melhorou entre os quatro grandes. Em São Paulo, apenas o tricolor do Morumbi teve uma piora no seu desempenho.

A tendência é que, com o transcorrer dos Estaduais, os times grandes tenham crescimento de desempenho e voltem a mostrar superioridade maior sobre os pequenos. Até porque utilizarão mais titulares e terão mais ritmo de jogo.


Flu pode cobrar multa de R$ 200 mi por Scarpa, mas Palmeiras tem proteção
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Na ação judicial na Justiça trabalhista, o Fluminense revelou o valor da multa rescisória prevista no contrato de Gustavo Scarpa: R$ 200 milhões. Pela Lei Pelé, o clube carioca pode cobrar o montante do jogador e do Palmeiras que anunciou sua contatação. Por isso, a agremiação alviverde colocou uma cláusula que dá a Scarpa a obrigação de pagar eventual valor devido, o que não impede o tricolor de cobrar do alviverde.

O meia tricolor entrou com uma ação trabalhista para se desvincular do Fluminense no final do ano passado por atrasos em direitos de imagem, em FTGS, férias e 13o. Conseguiu uma decisão liminar que o libera do seu contrato, mas o mérito ainda será decidido em abril pela Justiça trabalhista.

O Palmeiras analisou a situação do processo de Scarpa com cuidado e entendeu que não há chance de derrota do atleta. Isso porque há a compreensão no alviverde de que são vários os atrasos dos pagamentos de direito, dando base suficiente para rescisão pela lei.

O Fluminense já decidiu que vai manter a ação contra o jogador para restabelecer o vínculo do atleta. Sua alegação no processo é justamente que Scarpa entrou com o pedido de rescisão com a intenção de se transferir sem pagar a rescisão. Em decisão de 10 de janeiro, a juíza Dalva Macedo analisou as argumentações do clube e negou a liberação para o jogador (que foi dada posteriormente por um desembargador). Ali, a magistrada revela a tese do clube carioca:

“Alegou a Ré (Fluminense), ainda, que o autor, em flagrante má-fé, pretende a rescisão do contrato de trabalho por suposta mora contumaz, quando, na realidade, busca a sua transferência sem qualquer compensação financeira à Reclamada, uma vez que existe previsão de multa rescisória no montante de 200.000.000,00”, informou a magistrada em seu relatório.

Advogados consultados pelo blog afirmaram que o Fluminense pode cobrar esse valor de Scarpa e do Palmeiras desde que ganhe o caso na Justiça trabalhista. Para isso, se baseiam no artigo 28 da Lei Pelé, artigo 2o: prevê que o clube que se acertar com o jogador é devedor solidário em caso de rescisão. Nesta hipótese, o time carioca poderia processar o Palmeiras após ganhar o mérito da disputa com o jogador. Se perder, nada pode fazer.

Por isso, embora não veja chance de derrota de Scarpa, o Palmeiras incluiu uma cláusula de proteção pela qual pode entrar com uma cobrança contra o jogador caso seja acionado na Justiça. Em compensação, pagou luvas de 6 milhões de euros ao jogador, como revelou a ESPN e confirmou o blog. Isso seria uma forma de garantir que este é o valor da operação, sem incrementos na Justiça.

Um advogado consultado pelo blog afirmou que esse tipo de cláusula é um mecanismo jurídico de proteção usado recentemente em algumas contratações com jogadores em litígio. Advogados mais atualizados têm recomendado esse tipo de cláusula. Mas afirmou que ainda não existe uma jurisprudência consolidada na Justiça sobre a medida.

Em resumo, se Scarpa ganhar a ação do Flu, o clube carioca passou a ter um prejuízo de R$ 200 milhões de uma multa que não será paga. Caso o Flu vença, poderá cobrar do jogador e do clube paulista. Neste caso, o Palmeiras terá uma forma de evitar a cobrança, embora isso ainda possa ser discutido na Justiça. A audiência entre a agremiação tricolor e o jogador está prevista para abril.

Colaboraram Leo Burlá e Danilo Lavieri


Flu negocia para acertar a rescisão e pagar jogadores da sua “barca”
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Antes de anunciar a barca de oito jogadores com os quais não conta para 2018, o Fluminense traçou uma estratégia para acertar com os atletas e minimizar os gastos com o encerramento dos contratos. A ideia é fazer acordos que envolvam pagamento de um valor à vista pela rescisão e realocamento deles em outros clubes.

Um empecilho é que houve mal estar com alguns jogadores pela forma como foi feito o anúncio de que estavam fora dos planos para estar temporada. Receberam um aviso uma hora antes do aviso à imprensa. Um exemplo entre os que não gostaram do tratamento foi o goleiro Diego Cavalieri.

Mas a estratégia da diretoria do Fluminense era não causar um problema no restante do elenco que iria ficar. Na cúpula tricolor, entendia-se que, se não tivessem avisados todos os dispensados em conjunto, todos os jogadores ficariam inseguros e com incerteza sobre o futuro.

Em paralelo, os dirigentes tricolores traçaram a estratégia para acertar a rescisão em seguida. Querem tentar arrumar um clube para cada jogador, o que já cobriria os salários a que ele teria direito. Além disso, o Fluminense já está fazendo propostas de valores a serem pagos à vista para efetivar as rescisões do contrato. As ofertas são para minimizar os gastos, e o clube já estima um valor para quitar todas as saídas.

Assim, o tricolor das Laranjeiras evitaria ter de pagar os contratos integralmente. Pela legislação, quando um jogador é dispensado, o clube tem que quitar todo o restante do acordo disponível. Se a estratégia funcionar, a economia com folha salarial será de R$ 20 milhões, já considerados aí os valores pagos pela rescisão.

Essa ideia já deu certo com o zagueiro Henrique. Sua ida para o Corinthians está praticamente sacramentada, segundo cartolas tricolores. O caso mais complicado é de Diego Cavalieri. Por enquanto, não há acordo em relação ao goleiro campeão brasileiro pelo Fluminense. Haverá reuniões durante a próxima semana para resolver o caso dele, quando os representantes do jogador esperam ter uma resolução.

Com a economia de R$ 20 milhões, o orçamento do Fluminense tem uma previsão de superávit operacional em 2018, isto é, o clube gastará menos do que arrecadou. Só no futebol o gasto será de R$ 46 milhões a menos em relação ao ano anterior. Mas, ainda assim, haveria déficit financeiro por conta das dívidas acumuladas.

A situação financeira do Fluminense é complicada por conta da gestão anterior -Pedro Abad foi eleito na mesma corrente de Peter Siemsem – e o clube tenta se enquadrar na regra do Profut. Em 2017, o rombo previsto era de R$ 70 milhões, mas que cairia com negociações de jogadores. As contas ainda não fecharam para saber o número exato.

 

 

 

 


Conta chegou: após luvas e Profut, clubes vivem crise financeira para 2018
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Nas últimas duas temporadas, os clubes brasileiros tiveram eventos que lhes proporcionavam um incentivo ao ajuste nas contas: a implantação do Profut em 2015 e luvas de TV em 2016. Mas, ao final da temporada de 2017, uma parte dos grandes times nacionais está em situação financeira difícil com atrasos salariais, dívidas na praça ou obrigados a realizar cortes drásticos para ano. Da CBF, não vieram regras de controle enquanto o governo federal apertará a sua fiscalização neste ano no âmbito do Profut.

Um levantamento do blog com a ajuda de repórteres do UOL aponta que pelo menos três grandes clubes têm atrasos salariais: Vasco (dois meses), Fluminense e Cruzeiro. Dois times tiveram novas gestões que adotaram medidas para sanar atrasos de administrações anteriores: Atlético-MG e Santos. Suas diretorias informam que agora os salários estão em dia.

Em outros clubes, houve também ajustes de contas como no caso Corinthians, que fechará com superávit em 2017 após vender Guilherme Arana e renovar com a Nike (a informação do superávit é do presidente do clube, Roberto Andrade). É provável que a venda de Jô entre em 2018. Assim, o clube acertou pendências como luvas de Jô e Pedrinho.

Mesmo para quem está equilibrado financeiramente, há redução de investimentos em contratações para a temporada, como Flamengo e Palmeiras. No geral, as trocas entre jogadores passaram a dominar o mercado brasileiro com poucos recursos.

Fato é que a Apfut (orgão do governo que fiscaliza os clubes) notificou algumas vezes times grandes por indícios de problemas em suas contas durante o ano de 2018. Exigiu explicações. O nome dos advertidos não é revelado.

Mas, a partir de abril ou maio, os clubes terão de declarar que estão com salários em dia para o órgão governamental e começam a correr risco de exclusão. Quem não tem salário em dia corre o risco de exclusão do parcelamento das dívidas fiscais, o que significaria a execução de todas elas.

“Os clubes sempre se baseiam na receita extraodinária para fechar as contas (luvas, venda de jogador, etc). Então, estão sempre apagando incêndio. Quando entraram as luvas (em 2016 após negociação com Esporte Interativo e Globo), era importante ter reduzido o orçamento para se ajustar”, contou o consultor Amir Somoggi, que acompanha as contas dos clubes e previu o problema em 2016. “Os clubes se alavancam para ganhar títulos.”

Somoggi lembrou que o STF (Supremo Tribunal Federal) derrubou a necessidade da CND (Certidão Negativa de Débito) para disputa de competições. Para ele, reduz a pressão sobre os clubes para manter a questão fiscal em dia, embora nenhum grande clubes tenha sido excluído do Profut até agora.

A eventual punição por irresponsabilidade financeira só poderá vir da Apfut porque a CBF criou regras frouxas em seu licenciamento. O regulamento da entidade para licença de clubes só exige apresentação de balanços, enquanto sistemas de fair play já estão implantados na Europa e na Ásia.

“O filme se repete. É só olhar para o passado para entender como será no futuro. O cara gasta com contratação e depois não tem como pagar salário. É como alguém que compra um carro e depois não consegue pagar IPVA”, contou Pedro Daniel, consultor da BDO Sports Management.

A Fenapaf (Federação Nacional de Atletas Profissionais) informou não ter recebido reclamações de atrasos salariais desses clubes. Nem houve denúncia à Apfut relacionado aos casos listados. A agência atua de acordo com denúncias ou com acompanhamento das contas.

* Colaboraram Bruno Braz, Samir Carvalho, Jeremias Werneck, Bernardo Gentile, Leo Burlá, Diego Salgado, do UOL


Será que foi o Cruzeiro que ‘venceu’ na negociação de Fred?
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Às vésperas do Natal, o Atlético-MG acertava a rescisão de Fred. Cruzeiro, Flamengo e Fluminense mostraram interesse no jogador durante a semana. E o clube mineiro anunciou ter fechado com ele no sábado. Diante disso, a equipe celeste pode se considerada vitoriosa na negociação?

Primeiro, lembremos que a operação de Fred não é barata. Como publicou o UOL, pode atingir R$ 45 milhões em três anos, depende da questão da multa e de um eventual apoio de parceiros. Para se investir um dinheiro desse em um jogador, deve estar sobrando dinheiro no Cruzeiro né?

Não é o que mostram os números. A gestão do ex-presidente Gilvan de Pinho Tavares mais do que dobrou a dívida cruzeirense durante seus seis anos. Em 2011, o número era de R$ 120,3 milhões (ou R$ 168,6 milhões com correção pela inflação). Saltou para R$ 363 milhões ao final de 2016, um aumento de 115%.

Há controvérsia sobre o número atual, sendo que Zezé Perrella, presidente do Conselho do Cruzeiro, aponta um valor ainda maior, alegando que não foram pagos impostos. (Perrella, aliás, que deixou o clube em situação difícil em 2011, mas com rombo menor). Mas vamos nos ater ao que é fato registrado no balanço.

Não é que a dívida saiu do nada: o Cruzeiro operou em déficit nos cinco anos da gestão de Gilvan, ainda não se sabe os números de 2017. Ganhou títulos, mas nunca fechava no azul, mesmo em 2015 quando vendeu toda a base do time campeão brasileiro. Sua dívida já ultrapassa a receita do ano que ficou em R$ 238,4 milhões. Até porque a renda do clube cresceu em velocidade bem menor do que a débitos.

Só em pendências na Fifa há cobranças no valor de R$ 50 milhões contra o Cruzeiro por contratações não pagas. Ora, um clube nesta situação assumir uma despesa que pode atingir R$ 15 milhões por ano é aumentar as possibilidades de não fechar a conta no final do ano. O novo presidente cruzeirense, Wagner Pires de Sá, sinaliza que repetirá a gastança do antecessor sem ter resolvido os problemas financeiros.

Do outro lado, a gestão do Atlético-MG ia pelo mesmo caminho nas mãos do ex-presidente Daniel Nepomuceno. Não havia dinheiro suficiente para pagar o último time, o que ficou provado com as necessárias saídas de Fred e Robinho. A dívida alvinegra é até maior: atinge R$ 518 milhões ao final de 2016. A ver como ficou após este ano.

E Daniel já dobrava a aposta em relação ao antecessor Alexandre Kalil, que aumentou a dívida do Galo. Kalil e Gilvan têm gestões vitoriosas em campo, mas ambos deixaram seus sucessores em condições bem complicadas.

Ao dispensar jogadores caros, o novo presidente do Atlético-MG, Sergio Sette Câmara, parece tentar botar um freio na gastança anterior. Não havia mais como continuar naquela toada, ou o clube aumentaria seu rombo e poderia ter dificuldades para pagar o dia a dia.

No caso da dupla Flamengo e Fluminense, o clube rubro-negro sofreu para conseguiu uma recuperação financeira iniciada desde 2013. Agora, tem mais dinheiro para investir, mas controla seu orçamento para não repetir os rombos do passado. Era ou Fred ou Guerrero. Como a situação do segundo não se resolveu…

O clube tricolor carioca tem tentado seguir pelo mesmo caminho na gestão de Pedro Abad. Há pressão da torcida por investimentos, por contratações, mas não há dinheiro. O salário que Fred receberá no Cruzeiro certamente não se encaixaria na atual situação do Fluminense, voltando a repetir os valores impraticáveis da época da Unimed. Tudo que o clube não precisa agora.

Nem vou discutir aqui as qualidades técnicas de Fred. Se um jogador não cabe no caixa de um clube, sua contratação não deveria sequer ser pauta. Gastar menos do que se ganha é um princípio básico de qualquer administração de empresa meia-boca.

Pode ser que o Cruzeiro ganhe a Copa do Brasil no final de 2018, arrecade o prêmio de R$ 50 milhões da CBF e diga que Fred se pagou (o mesmo com uma Libertadores). Sem títulos, será uma temporada complicada para fechar a conta. É como se os dirigentes cruzeirenses tivessem feito uma aposta de “all in” com o futuro do clube na mesa.


Fla é fiel à ‘sua história’ para virar sobre Flu
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Ao descrever a reação sobre o Fluminense, pela Sul-Americana, o técnico Reinaldo Rueda observou que o “Flamengo foi fiel à sua história”. Falava da luta rubro-negra em campo. A explicação da classificação do time dele, de fato, é muito menos uma questão lógica do que uma dessas viradas surgidas das profundezas dos estádios.

Do lado tricolor, o recuo excessivo levou a um empate derrotado em um jogo em que esteve mais perto do triunfo quase o tempo inteiro. Se sobrou ao Flu inteligência ao explorar falhas do rival no início, lhe faltou a estratégia de se jogar até o fim e de não se acomodar.

Vejamos a trajetória do jogo do início. Ao contrário do primeiro confronto, o técnico Abel Braga adiantou seu time desde o princípio, marcando o Fla em seu campo e explorando as falhas rivais. Deu certo e o time abriu o placar logo no início na Avenida Miguel Traucco onde Lucas desfilou.

O empate rubro-negro foi construído por seus talentos, Everton Riberto e Diego, mas era um ponto fora da curva em um confronto em que quem jogava era o Fluminense. O gol que deu vantagem ao tricolor com Renato Chaves, superando Arão, era só consequência disso. E assim foi no terceiro tento com o mesmo Chaves, o mesmo Arão, já no segundo tempo.

Houve a partir dali algo, uma transformação. Sim, a substituição de Rueda de Traucco por Vinicius Jr. ajudou ao avançar seu time e injetar ali um atacante veloz e talentoso. Mas, mais do que isso, houve um recuo tricolor, como quem ignora que Fla-Flu não se ganha de véspera, como quem espera o fim.

Não é uma boa ideia recuar diante de um Flamengo, desorganizado, mas lutador e contando com maioria na arquibancada. Um gol de Vizeu após magistral passe de Everton Ribeiro, improvável pois até ali o centroavante nem chegara nas bolas, e o clima do estádio mudou. A partir daí, seria pressão.

Rueda fez o que lhe cabia e jogou seu time com coração para frente. E aí, diga-se, a torcida do Flamengo pode reclamar de muita coisa do seu time atual, mas não pode reclamar de falta de luta. Os jogadores que estiveram ali foram muito Flamengo para empatar.

E o imponderável estava ali, sempre ao lado rubro-negro, abandonando o tricolor. Pois quando Rueda decidiu tirar um volante para botar Paquetá, os rubro-negros clamavam: “Tire Arão, ele está cansando.” Mas quem saiu foi Cuellar e restou a Arão se redimir.

Os minutos restantes foram só sofrimento para o Tricolor lamentando ainda em campo a perda da vaga que se esvaia pelas mãos. A imagem que ficou foi de seus jogadores batidos por arrancadas de Vinicius Jr. que jogava um Fla-Flu como quem está no quintal de casa do alto dos seus 17 anos. O Flamengo não encontrou seu futebol, mas achou “a sua história” em um jogo pelo menos.

 

 


Justiça rejeita pedido do Fla de reduzir custo do Maracanã e igualar Flu
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O Flamengo entrou na Justiça para tentar jogar no Maracanã em 2018 com o mesmo custo do Fluminense, mas só conseguiu que não houvesse nova majoração de taxa. A briga é com a Odebrecht que faz a gestão do estádio. O clube rubro-negro quer pelo menos garantir um estádio de grande porte para jogos do próximo ano.

Atualmente, o Flamengo joga com aluguel mínimo de R$ 400 mil no Maracanã, ou 20% quando a renda for mais alta. Isso torna parte dos jogos do clube deficitários como ocorreu no clássico diante do Vasco. Nesta partida, a CBF e o governo do Estado obrigaram o Rubro-negro a atuar no estádio por questões de segurança.

Foi justamente em meio a esse imbróglio, em 18 de outubro, que o Flamengo entrou com um pedido de liminar contra a Concessionária Maracanã. Reivindicava que o clube tivesse as mesmas condições financeiras do Fluminense, com custos totais por jogo de no máximo R$ 250 mil – R$ 100 mil fixos e outros R$ 150 mil adicionais. Ao mesmo tempo, pedia garantia de poder realizar jogos no estádio em 2018, sem ser impedido pela Odebrecht.

No dia 19 de outubro, a juíza Milena Angelica Diz concedeu apenas em parte o pedido do Flamengo. Ou seja, deu a garantia de que o time possa jogar no Maracanã em 2018 com as mesmas condições de hoje, mas rejeitou redução das taxas.

“Doravante, o Flamengo assinou, esponte própria, o acordo financeiro que vige até o final de dezembro e, muito embora alegue que os valores ali estabelecidos são exorbitantes, aceitou pagá-los, de modo que não se verifica, em sede de cognição sumária, parâmetros para a redução do valor, ainda que o argumento utilizado seja a fixação de valor inferior para o Fluminense por meio de ou decisão judicial de segundo grau”, diz a decisão da juíza.

Lembre-se que o Fluminense tinha um contrato com a Odebrecht em que, inicialmente, nem pagava despesas do estádio, enquanto o Flamengo dividia custos com a empresa.

Em seguida, a magistrada Milena Diz afirmou que entendia “razoável” o pleito do clube de ter direito a jogar no estádio sem novos reajustes em 2018.

O blog apurou que o principal objetivo da diretoria do Flamengo era ter uma garantia de poder usar o estádio e, se possível, abaixar as cotas. Assim, seria uma alternativa cara, mas viável para partidas importantes como as da Libertadores. Mas o clube não descarta procurar outras opções por conta das altas taxas.

A primeira decisão foi apenas em liminar e o mérito final ainda não foi julgado. Haverá uma audiência de conciliação entre as partes em dezembro. A Odebrecht negocia sua saída do Maracanã com o governo do Estado, mas isso só deve ocorrer a partir do meio de 2018. Ou seja, até lá o clube tem que negociar com a construtora.

Nem Flamengo, nem Odebrecht responderam se vão recorrer da primeira decisão liminar.


Flu prepara modelo de gestão coletiva para evitar loucuras
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Com Leo Burlá

A diretoria do Fluminense prepara um modelo de administração colegiada para minimizar o poder do presidente de tomar medidas que comprometam o futuro do clube. A ideia é fazer o processo em etapas cujo objetivo final é montar uma espécie de Conselho de Administração.

A agremiação das Laranjeiras vive um momento difícil financeiramente após gastos excessivos do antecessor Peter Siemsen, e da saída da patrocinadora Unimed. A dívida gira estava R$ 516 milhões segundo o último balancete, receitas estão baixas, e há déficit previsto para 2017.

Só ao assumir o presidente Pedro Abad percebeu o tamanho do problema apesar de ser da corrente do antecessor. Isso porque havia compromissos e questões financeiras que eram centralizados no presidente, com pouco acesso até para Abad que era presidente do Conselho Fiscal.

Diante disso, a atual diretoria contratou uma auditoria da Ernest & Young que recomendou um modelo de gestão em que mais pessoas participem das decisões. Agora, uma comissão prepara o texto com um regulamento para normatizar a forma de administrar o clube. Boa parte poderá ser feito sem mudar o estatuto.

A ideia é que, para uma decisão de impacto para o clube, terá de haver autorizações de um grupo de pessoas da área, não só o presidente. Por exemplo, dirigentes da área e CEO teriam de dar aval a contratação de um jogador que represente despesa acima de R$ 3 milhões por ano.

É um primeiro passo. Na sequência, Abad tem a intenção de preparar uma proposta para a criação de um Conselho de Administração para gerir o clube. Isso precisaria ser aprovado pela Assembléia Geral, isto é, todos os sócios porque seria uma alteração significativa no estatuto.

Esse modelo já existe em clubes como São Paulo, Santos e Flamengo. Na prática, as principais decisões são submetidas ao conselho que tem de aprovar orçamentos, destinação de dinheiro, etc. Ao mesmo tempo, o conselho dá uma diretriz para a gestão do clube que tem de ser tocada pelos gerentes e diretores de cada área.

Informalmente, Abad já tem dividido decisões importantes de sua gestão com aliados. E contratou recentemente o ex-diretor do COB Marcus Vinicius Freire para ser o CEO do clube. Assim, espera melhorar a administração das finanças, aumentando receitas e controlando despesas. Além disso, quer incrementar a gestão esportiva do Fluminense.