Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : janela de transferências

Puxado por Neymar, mercado de transferências bate recorde: R$ 14,5 bi
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As transferências internacionais de jogadores atingiram o valor recorde de US$ 4,670 (R$ 14,5 bilhões) na janela de verão na Europa de 2017. Os números foram apresentados pela primeira vez pela diretora da Fifa, Kimberly Morris, em seminário na Escócia, nesta quinta-feira. A saída de Neymar para o PSG puxou esse valor para cima representando 5,7% de todo o mercado.

A janela de transferências dos principais mercados europeus fechou essa semana com contratações em valores elevados. Além de Neymar, Dembelé, contratado pelo Barcelona, também gerou cifras acima de € 100 milhões.

O gráfico apontado por Kimberly Morris, que é diretora de transparência e compliance da Fifa, mostrou que houve um aumento de 24% no dinheiro gasto com contratações neste verão em relação à temporada de 2016. No ano passado, o total foi de US$ 3,760 bilhões, em torno de US$ 1 bilhão a menos do que na atual temporada. O blog confirmou que os números são já com a janela fechada na quarta-feira.

Em cinco anos, o crescimento foi de mais de 50%. Em 2013, o montante gasto com contratações internacionais foi de US$ 3 bilhões.

Para atingir o patamar recorde em 2017, foram necessárias 1.454 transferências internacionais. Na comparação com cinco anos atrás, foram 400 contratações de jogadores do exterior a mais.


Desmanche corintiano representa quase metade das vendas do Brasil em 2016
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Sozinho, o Corinthians é responsável por quase metade do valor de vendas de jogadores do Brasil para o exterior em 2016. Isso porque o clube realizou negociações que somam R$ 170 milhões, segundo levantamento do blog. No total, a CBF divulgou que times brasileiros arrecadaram R$ 382,5 milhões com atletas que foram para o exterior até julho.

Para a soma das transações corintianas, foi considerado o valor bruto. Ou seja, o clube recebeu bem menos do que esse montante já que teve descontos de percentuais. Além disso, foi excluída a negociação de Jádson porque ocorreu em dezembro de 2015.

Algumas das transações como André, Elias e Bruno Henrique ocorreram após o levantamento da CBF, assim não estão no número da confederação. Consideradas apenas as transações até julho, o Corinthians representou 38% das negociações. Esse percentual deve subir quando a entidade divulgar o número final.

O desmanche corintiano é diretamente responsável pelo aumento no total arrecadado pelo Brasil com vendas para o exterior. Em 2015, até julho, foram R$ 306 milhões ganhos com jogadores negociados para fora, quase R$ 80 milhões a menos do que neste ano.

“O número de negociações foi parecido. O que pesou foram essas transferências mais altas para a China. Ainda não fizemos o comparativo”, contou o diretor do departamento de registro da CBF, Reynaldo Buzzoni. “Os grandes clubes são responsáveis por quase 100% das transações para o exterior e também das compras internas.”

De fato, não houve grande diferença no número de transferências, que passou de 32 para 36 de 2015 para 2016. O valor médio dela é que subiu, muito por causa da debandada corintiana para a China. O clube alvinegro paulista realizou 11 negociações para o exterior com recebimento de valores.

Como se percebe no caso do clube paulista, o fatiamento continua ser uma questão nas transações de clubes, um ano e meio depois de ser proibido pela Fifa. Segundo Buzzoni, são 2 mil contratos de clubes com os chamados TPOs (Third Party Ownership), ou seja, terceiras partes que detêm direitos sobre atletas. Eles valem até haver nova venda. “Notificamos os clubes para avisar em todos os casos. Entendemos que deve reduzir”, analisou o diretor da CBF.

Outra questão que chama a atenção é o baixo valor das comissões de empresários, o que indica que podem haver pagamentos não registrados. Foram apenas R$ 3,750 milhões em comissões a agentes, menos de 1% das negociações para o exterior.

“A gente regulamentou no sistema, mas o clube que tem que botar que pagou. Acompanhamos e consultamos o clube se houver uma notícia de comissão que não foi registrada. Vai aumentar a transparência aos poucos. É uma mudança de cultura”, contou o diretor da CBF.

 


Como favoritos do Brasileiro podem ser afetados pelo desmanche europeu
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Em todos os anos, a janela de transferências para a Europa muda a cara do Brasileiro ao levar jogadores importantes de candidatos ao título nacional. Com o dólar ainda alto, e a falta de dinheiro, o cenário promete se repetir na temporada de 2016.

Por isso, o blog levantou o orçamento e a situação dos oito dos principais clubes candidatos ao título brasileiro para saber quem está mais suscetível a perdas. Foram incluídos os times grandes que estão pelo menos fora da zona de rebaixamento, com exceção do Santos*. Para cada clube, há o valor previsto para ser obtido com negociações de atleta, e o quanto já cumpriu esta meta.

Os números não são uma verdade absoluta. Há circunstâncias que podem levar a vendas mesmo com a meta atingida, como ocorreu com o Corinthians, ou o time pode abrir mão de negociar mesmo sem atingir o valor. Aí vão os dados de cada clube:

Corinthians

Sua meta era negociar R$ 45 milhões em jogadores na temporada. O valor já foi ultrapassado com as saídas de Jádson, Renato Augustro, Gil, Ralph, Love e Malcon. Ainda assim, a diretoria corintiana decidiu vender também o zagueiro Felipe neste meio de temporada. Houve contratações como Giovanni Augusto, Marquinhos Gabriel e Guilherme. Teoricamente, o clube não precisa negociar mais ninguém.

Grêmio

O objetivo gremista é obter R$ 24 milhões com negociações. Até agora, não conseguiu uma boa venda. Os jogadores com maior potencial são Luan e Wallace. A diretoria já decidiu que vai negocia-los se receber uma proposta que resolva a situação financeira do clube. No caso do atacante, isso significaria R$ 100 milhões. O clube ainda contratou Bolaños e Wallace.

Internacional

Tem uma das maiores previsões de receita com venda de jogador: R$ 56,3 milhões. Teoricamente, seria o clube mais suscetível a ter perdas já que não negociou ninguém de peso até agora. Valdivia e Rodrigo Dourado seriam os jogadores com maior potencial para atingirem a meta. O clube tenta contratações como Nico Lopez, do Nacional.

Palmeiras

Não tem previsão de nenhuma receita com negociação de atletas. A principal ameaça ao elenco é o assédio de times grandes europeus sobre Gabriel Jesus. O Palmeiras tem apenas 30% dos seus direitos, o restante pertencendo a empresários. O clube fez contratações como Roger Guedes e Yerry Mina.

Flamengo

Sua previsão de arrecadação com jogador era de R$ 10 milhões. Em três meses, já ganhou R$ 7,5 milhões, praticamente atingiu a meta. Pode perder atletas em negócios de ocasião como se pagarem a multa de Paolo Guerrero que será reduzida no meio do ano. Já ultrapassou os R$ 20 milhões previstos para contratações no ano, com Cuellar, Mancuello e Rodinei, mas obteve R$ 6 milhões extras com luvas de tv.

São Paulo

O orçamento são-paulino prevê a venda de R$ 24 milhões em jogadores. Até agora, foram obtidos R$ 8 milhões com pequenas negociações e empréstimos. A diretoria tem consciência de que precisa negociar atletas e Rodrigo Caio é visto como a maior possibilidade. O departamento financeiro ainda estipulou que para novas contratações, como Maicon, terá de ser gerado caixa do próprio futebol. Ou seja, a meta pode aumentar para ficar com ele e Calleri.

Fluminense

A objetivo tricolor é obter R$ 25 milhões com a negociações de atletas na temporada, sendo que R$ 8,3 milhões já entraram pelo balanço. Assim, seriam necessários outros R$ 17 milhões. Dentro do clube, o zagueiro Marlon e o meia Gustavo Scarpa são vistos como os de maior potencial para venda.

Atlético-MG

É o clube que prevê o maior valor de arrecadação com negociações: R$ 60 milhões. Conseguiu cerca de um terço desse total com as saídas de Giovanni Augusto e André para o Corinthians. Terá de negociar um jogador de grande porte, provavelmente o atacante Lucas Pratto após a chegada de Fred. Ainda mais porque teve gastos com a contratações de atletas como Clayton, que completou praticamente todo o valor previsto em investimento: R$ 16 milhões.

PS* Foram levantados os maiores times do Brasil na Série A, com exceção de Botafogo e Cruzeiro (estão na zona de rebaixamento) e Santos que não foi possível obter os números.


China gastou R$ 1,1 bilhão em contratações em dois meses de 2016, diz Fifa
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Um relatório do departamento de transferências da Fifa apontou que os clubes chineses gastaram US$ 296 milhões (R$ 1,1 bilhão) com contratações nos dois meses de janela de transferências em 2016. O valor representa o triplo do que tinha sido gasto pelo país asiático no mesmo período do ano passado.

Em uma comparação com o futebol brasileiro, a China teve um investimento em jogadores em dois meses que representa dez vezes as despesas dos clubes nacionais com contratações em todo 2015. O montante chinês é tão significativo que seu mercado já disputa a liderança de maior gastador com a Inglaterra, diz a Fifa.

No total, foram contratados 100 jogadores do exterior pelos chineses, isto é, a média de transferência foi em torno de US$ 3 milhões. O número de atletas vindos de fora aumentou considerando em relação ao mesmo período de 2015, quando foram apenas 78 que chegaram ao país.

Se gastou muito com contratações, os clubes  chineses praticamente não tiveram ganhos com negociação de atletas. Foram apenas US$ 7 milhões de receitas com atletas que foram para outros países. Ou seja, o saldo chinês é de US$ 289 milhões negativo. Uma grande diferença para o Brasil que arrecadou R$ 679 milhões com o mercado de transferências de 2015, e teve saldo R$ 535 milhões

 


É possível evitar o desmanche de times pela China? Advogados discutem tema
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Os ataques de clubes chineses aos times brasileiros, principalmente o Corinthians, geraram uma dúvida sobre se é possível para os cartolas impedir a saída de jogadores. Advogados têm entendimento diversos sobre o tema. Alguns apontam que há mecanismo legais para segurar atletas, e outros argumentam ser impossível.

A questão se concentra na contradição entre a legislação da Fifa e a brasileira como ocorre em outros casos. Pela norma da Fifa, o clube que tem o jogador sob contrato pode segurá-lo mesmo com pagamento da multa. Pela lei do país, ele pode sair se pagar a multa rescisória mesmo com discordância do time.

Números do TMS da Fifa mostram que, em janeiro, o Brasil perdeu 96 jogadores para o exterior, enquanto 78 voltaram ao país. Um relatório da entidade fala em declínio de contratações no país, e expansão da China. O país asiático gastou US$ 43 milhões só em janeiro, atrás apenas de Inglaterra e Espanha.

“(Time interessado em contratar) Tem que falar com o clube que tem contrato no período em que o jogador está sob proteção, isto é, nos três primeiros anos do acordo no caso de atletas abaixo de 28 anos. Há exceção quando está nos dois anos finais de contrato, e no final da temporada. Em outros casos, tem que negociar”, contou o advogado Carlos Eduardo Ambiel.

Ex-avogado do São Paulo, ele cita o caso do zagueiro Breno. O Bayern de Munique pagou um valor maior do que a multa porque teve de negociar com o clube do Morumbi, segundo ele. Em outro caso, o time brasileiro poderia reportar à Fifa e acusar de assédio.

“Sei que há esse entendimento, mas discordo. Para mim, quando há o pagamento de multa, a saída é consensual. O clube pode falar direto com o jogador e depois pagar a multa”, rebateu Marcos Motta, advogado que atua nos tribunais da Fifa. “Bobo é o clube que paga além da multa. Se é meu cliente, e dizem que não vão liberar, falo para ir à Justiça trabalhista que libera.”

Pela Lei Pelé, de fato, o rompimento do contrato é possível desde que seja paga a multa rescisória estipulada em contrato. Foi o caso de alguns clubes chineses que levaram jogadores do Corinthians sem sequer se dirigir ao clube.

Mas a Lei Pelé também pode ser usada para segurar jogadores no caso dos mais jovens. É o que acontece quando há assédio de clubes europeus a garotos da base dos times. E, nisto, a ação judicial pode ser uma arma para o clube.

“Um atleta nosso da base que não tinha contrato foi aliciado por um clube europeu. Desconfiamos, e entramos com uma ação e notificamos o clube e o pai. Alegamos que a lei nos faculta ter direito a assinar o primeiro contrato com o atleta”, explicou o vice-jurídico do Atlético-MG, Lázaro Cunha, que disse que o atleta continua no Galo. “Pedimos investigação de onde vinha o dinheiro e se havia até lavagem de dinheiro.”

Como um conclusão, quando um clube sofre assédio de seus jogadores, há armas jurídicas para tentar impedir sua saída tanto na legislação nacional quanto da Fifa. Mas a vitória para tentar segurar o jogador é sempre incerta, e depende de cada juiz.


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