Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Jose Maria Marin

Justiça dos EUA inclui provas que complicam Del Nero em julgamento de Marin
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A Justiça dos EUA aceitou incluir no julgamento de acusados do caso Fifa provas que complicam o atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero. Ele não será julgado porque não se apresentou ao judiciário norte-americano, mas tem seu nome incluído na acusação. Há três réus que serão submetidos ao juri, entre eles o ex-presidente da confederação José Maria Marin.

Os supostos participantes dos esquemas de corrupção no caso Fifa estão divididos em três: réus confessos colaboradores, acusados que alegam inocência (caso de Marin) e aqueles que nunca apareceram nos EUA para responder (caso de Del Nero e Ricardo Teixeira). Por isso, o Departamento de Justiça apresentará uma acusação contra os três detidos que alegam inocência: Marin, Juan Angel Napout (ex-presidente da Conmebol) e Manuel Burga (da Federação Peruana).

Mas, para provar que eles participaram de conspiração mafiosa (RICO, na expressão americana), os procuradores requisitaram à Justiça que pudessem apresentar evidências contra outros participantes do esquema. A juíza Pamela K Chen admitiu o uso das provas em decisão no dia 13 de setembro.

No documento liberado pela Justiça, estão descritos os esquemas mafiosos, com citação de Del Nero e Ricardo Teixeira. O site Globo.com já tinha antecipado que eles eram citados na acusação. Mas, para isso, seria necessário que fossem aceitas as provas organização mafiosa que eles teriam criado junto com Marin. São listados cinco supostos esquemas no total, entre eles um envolvendo contratos da Copa do Brasil.

“A obtenção e compra de certos direitos de mídia e de marketing organizado pela CBF para várias competições, incluindo a Copa do Brasil. Como nas provas dos esquemas da Copa América e da Libertadores, em provando o esquema da Copa do Brasil, o governo vai provar que em adição a Marin, outros dirigentes de futebol – incluindo (os alegados conspiradores Ricardo Teixeira, longo tempo presidente da CBF) e (Marco Polo Del Nero, dirigente da CBF) – receberam propinas em conexão com a obtenção e a venda dos direitos de mídia e marketing da Copa do Brasil”, descreve o documento do Departamento de Justiça dos EUA.

Os procuradores vão apresentar as provas no julgamento e não as antecipam no documento, mas eles indicam alguns dos elementos a serem mostrados. Em relação a torneios internacionais, Copa América e Libertadores, são listados como evidências “contemporâneos planos de negócios da Full Play e da Torneos” que detalham as propinas pagas a cada um dos réus. Tanto Marin quanto Del Nero e Teixeira são acusados de receber subornos pela Libertadores e Copa América.

Em seguida, a procuradoria diz que esses documentos indicam pagamentos de propina para outros torneios, alguns dos quais não é possível provar com absoluta convicção a corrupção. Entre esses, estão citados “jogos amistosos das seleções da Argentina, Brasil, Bolívia, Equador, Colômbia e Chile, além de outras propinas”.

É a primeira vez que a Justiça norte-americana cita jogos amistosos da seleção brasileira. Há uma colaboração entre as Justiça dos EUA e da Espanha que determinou a prisão de Ricardo Teixeira por levar comissões ilegais por amistoso do Brasil. Por estar no Brasil, ele está em liberdade. O esquema envolve o ex-presidente do Barcelona Sandro Rosell.

Em relação aos esquemas da Copa América, Copa do Brasil e Libertadores, o Departamento de Justiça afirma ter outras evidências que os sustentem como mais documentos e testemunhas. “Outros documentos e/ou testemunhas que pagaram ou aceitaram propinas e que vão testemunhar sobre a participação direta dos réus nos esquemas da Copa América, Copa Libertadores e Copa do Brasil”, dizem os procuradores.

Resumo: a procuradoria dos EUA afirma ter registros financeiros e testemunhas para provar que houve subornos recebido por dirigentes pelos contratos da Copa do Brasil, da Copa América e da Libertadores. E, entre os beneficiados de acordo com a versão, está Del Nero.

O presidente da CBF já afirmou que não existirá nenhuma prova que o incrimine, e alega inocência. Mais recentemente, o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, disse que Del Nero não se defendia por desconhecer provas que o implicassem em qualquer esquema.

Já o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira nunca falou claramente sobre essas acusações. Mas, em entrevista à “Folha de S.Paulo”, disse que algumas das coisas de que é acusado “não são crime no Brasil”.

Por fim, Marin, que está em prisão domiciliar, diz ser inocente das acusações. Seus advogados tentaram derrubar a acusação de máfia, sem sucesso, assim como tentaram separar seu julgamento de outros acusados, o que também foi negado.


Denúncia dos EUA só contra Marin não livra Del Nero de risco de prisão
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A Procuradoria dos EUA decidiu separar os cartolas acusados no processo do “Fifagate”, escândalo de desvio de dinheiro do futebol. Foi feita uma nova denúncia contra o ex-presidente da CBF José Maria Marin e dois outros dirigentes, retirando os outros réus desse processo inicial. Mas os procuradores ressaltaram que os casos do presidente da confederação, Marco Polo Del Nero, e do ex-presidente Ricardo Teixeira continuam pendentes e serão levados adiante se eles aparecerem no país.

A reformulação da acusação do Departamento do Estado ocorreu para simplificar o julgamento no caso Fifagate. Só ficaram os três dirigentes que alegam inocência e serão julgados: Marin, o ex-presidente da Conmebol Juan Angel Napout e o ex-presidente da federação peruana Manuel Burga.

Esses três ex-cartolas respondem às acusações de máfia (Rico), fraude eletrônica e lavagem de dinheiro. Isso por supostamente terem recebido propina para conceder contratos da Copa América e da Libertadores, além da Copa do Brasil no caso de Marin. Serão julgados em 6 de novembro deste ano na corte de Nova York.

Outros 28 dirigentes são listados na acusação, mas não serão julgados. A maioria deles confessou crimes dos quais eram acusados. Portanto, o juiz vai dar uma sentença para cada um dos réus em lista que inclui o ex-executivo da Traffic José Hawila, e José Margulies, da Somerton, ambos brasileiros, além de ex-dirigentes de federações nacionais. Eles também já pagaram multas e fianças.

São listados ainda os dirigentes e ex-cartolas que são acusados de corrupção, mas não se apresentaram para responder o processo nos EUA, nem foram detidos. São os casos de Del Nero (seis citações) e Teixeira (28 citações). Mas eles não estão mais denunciados nesta ação. Detalhe: Del Nero é o único entre todos os acusados que continua no poder no futebol.

Em carta à Justiça, a procuradora Bridget Rohde explicou a separação. “S-2 (Denúncia número 2) remove os acusados que confessaram culpa e efetivamente separa aqueles acusados que até agora não foram trazidos à jurisdição da corte por prisão ou extradição de país estrangeiro. Importante, S-1 (primeira acusação que incluía Del Nero e Teixeira) se mantém um instrumento de acusação operativo para os acusados que não apareceram no caso, e as acusações no S-1 contra esses acusados permanecem pendentes.”

Em resumo, se Del Nero for aos EUA ou a um país que tenha acordo com os norte-americanos, deve ser detido e levado para responder a processo em separado do que ocorre com Marin. O mesmo ocorreria com Ricardo Teixeira. Eles são acusados de receber propina por contratos da Copa América e Copa do Brasil. No caso de Teixeira, isso também vale para o contrato da Nike.

A defesa de Marin já pretendia a separação do processo de seu cliente, assim como pretendia retirar a acusação de máfia. Na visão dos advogados do ex-presidente da CBF, a reformulação de denúncia contra ele não afeta o andamento do seu processo e facilita sua defesa. Oficialmente, advogados não se pronunciaram.


Denúncia de desvios na Conmebol implica Del Nero e Teixeira
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A denúncia da Conmebol à Justiça do Paraguai de que houve desvios das contas da entidade implica o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, e os ex-presidentes Ricardo Teixeira e José Maria Marin. Isso porque a acusação aponta conivência dos membros do comitê executivo da entidade durante o período de 16 anos de supostas irregularidades, de 2000 a 2015. Eles também devem, portanto, responder criminalmente na Justiça do Paraguai.

A denúncia da Conmebol ao Ministério Público Paraguaio feita em 6 de junho aponta supostos desvios de US$ 129,9 milhões (R$ 425 milhões) das contas da entidade. O documento de acusação foi obtido primeiro pela “Globo.com”, e depois pelo UOL. O principal beneficiário foi o ex-presidente da Conmebol Nicolas Leóz, de acordo com o documento. O esquema se manteve com o sucessor Eugenio Figueredo. Há acusações de menor porte contra o último presidente Juan Angel Napout.

Há transferências diretas feitas da conta da Conmebol para as de Nicolas Leóz no valor de US$ 28 milhões. Outras operações para contas desconhecidas em paraísos fiscais supostamente ligadas ao ex-dirigente no total de US$ 33,2 milhões. O restante foi de recursos pagos a empresas suspeitas no caso do “Fifa Gate” nos EUA, e outras firmas para as quais não se comprovou a razão do pagamento. Todos os dados foram obtidos em auditoria feita nas contas da Conmebol pela Ernest & Young.

Parte da denúncia da Conmebol aponta transferências diretas da conta da entidade para de seu ex-presidente Leóz

Por conta desses desvios, a denúncia aponta que os dirigentes da Conmebol supostamente cometeram os crimes de lesão de confiança, apropriação, lavagem de dinheiro, produção de documentos falsos e associação criminal. Caberá ao Ministério Público do Paraguai definir os responsáveis.

Pois bem, o Comitê Executivo e o Congresso da Conmebol eram os órgãos responsáveis por controlar a gestão da entidade. Portanto, seus membros no período de 2000 a 2015 podem ser igualmente responsabilizados pelos crimes, como conta o advogado da confederação sul-americana.

“Absolutamente (podem ser acusados). Todos os que figuraram no Comitê Executivo e Congresso participavam de informes a cada dois anos com os relatórios financeiros da Conmebol. Por isso, todas essas pessoas têm participação na gestão”, contou o advogado da Conmebol, Oswaldo Granada Sallaberry, ao blog. Ele assina a denúncia. “Eles participavam do corpo colegiado. Não podiam ignorar isso (os desvios)”

O advogado ressaltou que o próprio estatuto da Conmebol estabelecia que os organismos de poder eram o Comitê Executivo e o Congresso, e que o presidente precisava de autorização para seus atos.

A denúncia feita ao Ministério Público do Paraguai deixa clara a implicação dos dirigentes brasileiros que estiveram na Conmebol:

“Sobra dizer que os órgãos de controle para Conmebol eram pessoas que nunca alertaram para as graves irregularidades identificadas. Os elementos de evidência disponíveis fazem supor seriamente que as principais autoridades da Conmebol atuaram durante anos em conluio completo para implementação e encobrimento das infracções agora reportáveis”, afirma a denúncia. Em seguida, cita os como órgãos o Congress e o Comité Executivo.

Ricardo Teixeira foi membro do Comitê Executivo da Conmebol durante 12 anos do período citado na denúncia, de 2000 a 2012 quando renunciou a todos os cargos no futebol. Era um dos maiores aliados de Leóz. Ele já responde a processos por acusações de suborno em três outros países, EUA, Suíça e Espanha.

Del Nero se tornou membro do Comitê Executivo da Fifa em sua substituição em 2012, e logo em seguida assumiu o mesmo cargo na Conmebol. Ficou no cargo até renunciar ao posto da Fifa, juntamente com o da Conmebol, no final de 2015. Ou seja, esteve no poder da entidade enquanto ocorriam os supostos desvios de milhões dos cofres. O mesmo ocorreu com José Maria Marin como presidente da CBF.

Os três são denunciados na Justiça dos EUA por desvios de dinheiro da Conmebol nos contratos da Copa América, em supostos pagamentos de propina da empresa Datisa par obter direitos da competição. São acusados juntamente com todos os outros membros do Comitê Executivo.

A intenção dos advogados da Conmebol é que todos os ex-membros do comitê respondam ao processo e sejam intimados pela Justiça Paraguai.

“O Brasil tem bastante cooperação com a Justiça Paraguai por conta da nossa fronteira em comum em que temos de discutir crimes na fronteira”, explicou o advogado Oswaldo Granada, que disse desconhecer quais brasileiros estariam envolvidos.

Vale ressaltar que o atual presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, também integrou o comitê a partir de 2014.

A expectativa dele é que em 10 dias o Ministério Público do Paraguai já decida um procurador para cuidar do caso da Conmebol, dando sequência à investigação.

Procurada, a CBF informou que não se pronunciaria sobre o envolvimento de Del Nero. O blog tentou sem sucesso contato com a defesa de Ricardo Teixeira. Advogados de Marin não quiseram se pronunciar sobre o assunto por desconhecer o processo.

Reunião do Comitê Executivo da Conmebol em 2013 com Del Nero entre Figueredo (ex-presidente da Conmebol) e Marin


Marin tenta se livrar de acusação usada para máfia na Justiça dos EUA
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O ex-presidente da CBF José Maria Marin move um recurso para tentar derrubar a acusação de que faz parte de uma organização criminosa no processo do caso Fifa que corre na Justiça dos EUA. Esse crime foi criado para enquadrar a máfia. Houve audiência na terça-feira e a juíza Pamela K. Chen dará em breve veredito sobre o assunto. A tendência é a negativa ao pedido do ex-dirigente.

Em prisão domiciliar em Nova York, e detido desde 2015, Marin é acusado de sete crimes: um de conspiração criminosa (RICO), três por fraude eletrônica e três por lavagem de dinheiro. Isso porque o Departamento de Estado dos EUA alega que recebeu propina por contratos da Copa do Brasil, Copa América e Libertadores com passagem de dinheiro pelos EUA.

O objetivo da defesa do ex-dirigente da CBF é separar seu processo dos outros réus e ao mesmo tempo derrubar a acusação de participar de organização para influenciar, conspirar e corromper, conhecida como RICO nos EUA. A legislação de RICO foi criada no país na década de 70 para enquadrar a máfia.

“Apesar de os procuradores tentarem retratar esses esquemas diferentes como se fossem parte de um único, organização criminosa conspiradora mundial, o governo falhou ao demonstrar que Marin concordou em se juntar ou estabeleceu uma conspiração, ou que a Conmebol tivesse uma relação contínua com outras organizações”, afirmou o advogado de Marin, Charles Stillman, em sua moção. Na audiência, ele reforçou que não há conexão entre a Conmebol e outras confederações.

Mas os procuradores norte-americanos argumentam que há, sim, conexão entre a confederação sul-americana e outras como a Concacaf por meio da Fifa. E dizem que Marin não precisava ter conhecimento de todos os esquemas para ser considerado um conspirador. Bastava que ele tivesse participado de um dos atos ou conhecesse atos criminosos cometidos pelo grupo.

A juíza Pamela K Chen disse que a argumentação do advogado de Marin trata mais da questão de provas de conspiração do que de se há base para acusa-lo de fazer parte da organização, segundo o site jurídico americano “360law”. A indicação é de que ela deve negar o pedido do ex-dirigente da CBF, assim como a sua requisição para separar seu processo de outros réus. Até porque só sobraram cinco réus no processo que alegam inocência, todos os outros tendo assumido a culpa e feito acordos.

Se a juíza de fato negar o pedido, isso não significa que Marin está condenado por conspiração criminosa. Isso implica que ele ele vai ter que responder por esse crime no julgamento marcado para novembro de 2017, podendo ser condenado ou não. A defesa do ex-dirigente considera a acusação contra ele “vaga”, já os procuradores alegam que ter elementos para condena-lo.


Marin pede para ser julgado separado de outros réus por corrupção na CBF
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O ex-presidente da CBF José Maria Marin pediu à Justiça dos EUA para ser julgado em separado de outros cartolas pelas acusações de corrupção no caso Fifa. O objetivo é evitar prejuízos ao ex-cartola no julgamento que vai se desenrolar durante este ano. Marin é acusado de três crimes por ter recebido propina em contratos da CBF.

Iniciado desde 2015, por investigação do FBI, o caso Fifa tem 30 indiciados em um mesmo processo em que são acusados de pagar ou receber suborno relacionados a acordos de competições de futebol nas Américas do Sul, Centro e Norte. Entre eles, estão o atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero e o ex-presidente Ricardo Teixeira, que ficam no Brasil para fugir do processo.

Marin é acusado de desvios relacionados aos contratos da Copa do Brasil, da Copa América e da Libertadores. Por isso, responde pelos crimes de associação criminosa, fraude eletrônica e lavagem de dinheiro. Ele se declarou inocente ao contrário de outros réus que colaboraram com a Justiça. A previsão do julgamento de todos é novembro de 2017.

Em 31 de janeiro, o advogado Charles Stillman do brasileiro entrou com uma moção para pedir a separação do processo de Marin. Sua alegação é baseada na Lei de Procedimento Penal dos EUA em um artigo que prevê que pode haver separação caso o réu possa sofrer prejuízo no caso de ser julgado em conjunto. Ainda não houve resposta da juíza Pamela K. Chen.

A apuração do blog é de que o objetivo de Marin é restringir as acusações a que vai responder ao período em que de fato foi dirigente da CBF, isto é, de 2012 a 2015. Até porque há crimes relatados no caso Fifa que remontam a 1990, período em que se iniciam os pagamentos de propina dentro da Conmebol. Assim, ele teoricamente poderia reduzir uma possível pena.

O blog tentou contato com advogado de Marin em Nova Iorque sem resposta até a publicação deste post. O ex-presidente da CBF continua morando em seu apartamento na Trump Tower, em Nova Iorque, onde cumpre pena por prisão domiciliar. Aos 84 anos, não enfrenta problemas graves de saúde.

Quanto a Teixeira e Del Nero, enquanto não se apresentarem nos EUA seu caso não deve ser julgado.


CBF é ameaçada por novas ações judiciais e por Fifa por eleição às pressas
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Marcada para o meio da próxima semana, a eleição para vice-presidente da CBF está ameaçada por uma enxurrada de ações judiciais. Na sexta-feira, a Justiça já cancelou a realização do pleito com uma liminar concedida ao vice da confederação, Delfim Peixoto, e a entidade vai recorrer. O problema é que há pelo menos mais dois grupos mobilizados para entrar com pedidos judiciais similares.

Fora isso, houve uma denúncia à Fifa em que se relata supostas manobras irregulares no pleito marcado para substituir José Maria Marin. O Comité de Ética da entidade informou ao blog que não havia procedimento formal aberto e por isso não comentaria.  Mas houve a promessa ao denunciante, que quer se manter em sigilo, de que o caso será analisado.

Os questionamentos em relação à legalidade da eleição da CBF são relacionados a supostos desrespeitos de ritos do estatuto: 1) houve uma convocação sem que se tenha mostrado ou protocolado oficialmente a destituição de Marin; 2) Não há nenhuma publicidade da carta de renúncia de Marin; 3) Del Nero convocou o novo pleito sem ouvir dois dos vices, membros da presidência.

Esses foram alguns dos motivos que levaram ao cancelamento das eleições feita pela Justiça do Rio de Janeiro. Mesmo que a CBF consiga cassar a medida, não terá vida fácil na próxima semana.

“Só queremos a legalidade. Vou na semana que vem ao Rio para analisar a documentação. Vamos analisar para saber se é o caso (de ir à Justiça)”, afirmou o vice-presidente da CBF da Região Nordeste, Gustavo Feijó. As oito federações da região enviaram carta à confederação pedindo o cancelamento porque o cargo não estava vago.

O Bom Senso é outro que estuda uma ação judicial para paralisar a eleição na confederação alegando irregularidades no processo. Os argumentos ainda serão analisados para saber se cabe, de fato, a ação. Claro, essas duas iniciativas vão depender do resultado da decisão de Delfim.

O departamento jurídico da CBF promete se mobilizar para tentar derrubar todas as medidas contra a eleição. Seu argumento é que o pleito e sua convocação respeitaram o estatuto e, portanto, são legais. A alegação se baseia na existência da carta de renúncia de Marin.


Justiça cancela eleição e chama CBF de ‘desacreditada’; entidade recorrerá
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A Justiça do Rio de Janeiro cancelou a eleição para vice-presidência da CBF alegando irregularidades no processo de convocação do pleito. A decisão foi tomada pelo juiz Mario Cunha Olinto Filho, da 2a Vara do Tribunal de Justiça, após pedido de liminar do vice-presidente da confederação da Região Sul, Delfim Peixoto. A diretoria da confederação vai recorrer assim que for citada e defende a regularidade do processo.

A confederação marcou para a próxima quarta-feira, no dia 16, a eleição para substituição de José Maria Marin, preso nos EUA acusado de receber propinas. Há um candidato único da situação: o Coronel Nunes, da Federação Paraense, que se tornaria o vice mais velho e substituto potencial do presidente licenciado Marco Polo Del Nero.

Entre os argumentos para conceder o cancelamento, o juiz alegou que não foi comprovada a vacância do cargo de Marin, nem há indicação de sua renúncia. Mais, afirmou que não houve nenhuma publicidade de sua saída da entidade.

Além disso, afirmou que a convocação foi feita às pressas e não respeitou ritos do estatuto, pois a licença de Marco Polo Del Nero deveria ser verificada pelos outros vices-presidentes, sendo que dois deles não foram chamados para tratar do assunto. Por fim, a decisão afirma que a CBF está desacreditada por “sucessivos escândalos públicos”.

O vice-presidente jurídico da CBF, Carlos Eugênio Lopes, afirmou que assim que for citado irá recorrer da decisão: “Não vi a inicial, mas ela é baseada em uma falácia em relação ao Marcus Vicente (presidente interino) não poder ser presidente pelo que ouvi. Ele já obteve licença da Câmara. Quanto ao Marin já foi respondido  às federações que ele renunciou em carta do dia 27 de novembro. Não mostramos a carta porque não queríamos expôr o Marin. O processo é regular e vamos mostrar isso para o juiz”, analisou o advogado da confederação

Veja os principais trechos da decisão da 2a Vara Cível:

“Há verossimilhança nas alegações autorais. Há uma convocação pelo Presidente em exercício da ré, para suprir um dos cargos de Vice-Presidente, sem que haja sequer a indicação de qual dos cinco cargos estaria vago. Presumindo-se que seja o de José Maria Marin, preso no exterior, haveria erro quanto a isso, já que, em que pese a sua situação particular, não há indicativo de renúncia nem notícia de sua destituição, mediante o rito que prevê o artigo 22, do Estatuto Social, não havendo tecnicamente vacância (artigo 37, do Estatuto, a contrario sensu).”

“No mais, há indícios de irregularidades na forma de convocação (em 4 de dezembro de 2015), feita às pressas por conta do pedido de licença de Del Nero no dia anterior, não sendo clara a observância dos artigos 32 e 40, IX, do Estatuto, que determinam que aos membros da Presidência, sem prejuízo de supervisão, coordenação, direção e fiscalização do Presidente, compete…conceder licença aos seus membros e aos integrantes dos demais poderes e órgãos de cooperação´. Como o Presidente não pode deliberar sobre a sua própria condição pessoal, sendo que Marin se encontra preso com impossibilidade óbvia de participação, caberia aos outros três Vice-Presidentes conceder – ou não – a licença. O autor afirma que sequer foi consultado. Além disso, não há indicativos de eventual aquiescência dos demais para que o Sr. Marcus Vicente assumisse o exercício interino do cargo de Presidente.”

“Em relação à publicidade, há indícios de não observância do disposto no artigo 22, da lei 9.615/98, em especial o seu inciso terceiro, que impõe convocações com publicidade por pelo menos três vezes, em jornais de grande circulação. A bem da verdade, tal consideração aqui é secundária, já que ainda haveria tempo para que ela ocorresse, posto estar o ato designado para o dia 16. Assim, para que não se alegue no futuro dúvidas quanto ao processo eleitoral em prejuízo seja do autor, seja da própria ré – já desacreditada por conta de sucessivos e públicos escândalos – defiro a antecipação, para suspender a realização da Assembleia Geral eleitoral, convocada para o dia 16 de dezembro de 2015, às 14 horas, até o julgamento final ou por decisão de reconsideração. A realização implicará na inexistência de eficácia dos atos lá decididos. Cite-se e I-se pessoalmente a ré, por plantão, desta decisão.”


Proibido de falar com CBF, Marin renuncia por carta e gera questionamentos
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Em prisão domiciliar nos EUA acusado de receber propinas, José Maria Marin renunciou, de fato, à vice-presidência da CBF através de uma carta enviada em novembro ao então presidente da entidade, Marco Polo Del Nero. O documento foi confirmado por fonte ligada ao Marin assim como por dirigentes da entidade. Mas o original ainda não está com a confederação.

Há dois problemas na carta feita por Marin: 1) ele estava proibido de se dirigir a qualquer cartola da CBF ou à própria entidade neste período; 2) federações do Nordeste questionam como a entidade pode ter marcado uma eleição para substituí-lo sem ter recebido o documento original.

Pelo que o blog apurou, a carta de Marin é assinada no dia 27 de novembro e dirigida ao presidente da CBF. Em 6 de novembro, o dirigente assinou um acordo com a Justiça norte-americana. O documento diz o seguinte:

“O acusado não pode diretamente ou indiretamente se associar ou ter contato com acusados ou qualquer empregado ou associado com as seguintes entidades (…) (III) Conmebol ou qualquer afiliada ou empresa constituinte (isso inclui a CBF)”, afirmou o documento de finança. Se descomprido, ele pode ir para a prisão.

A interlocutores, Marin disse estar tranquilo porque, na carta, estaria rompendo os vínculos com a CBF, o que mostraria sua intenção de se concentrar na sua defesa. Por isso, não estaria afetando o acordo. É o entendimento de sua defesa. Mas a carta favorece um ex-aliado de Del Nero no esquema revelado pelo FBI.

Por enquanto, só existe uma cópia do documento no Brasil. Nesta quinta-feira, o presidente interino da CBF, Marcus Vicente, disse que ainda espera receber o original quando questionado por federações nordestinas.

“Até agora não protocolaram essa carta. Se ela ainda não chegou e não foi protocolada, como podem já ter marcado a nova eleição para o dia 16?”, questionou o presidente da Federação Bahiana, Ednaldo Rodrigues, que ainda lembrou da proibição de Marin falar com a CBF. “Tem um trâmite. Não pode fazer isso antes.”

O vice-presidente da Região Nordeste, Gustavo Feijó, adotou o mesmo discurso: “Se tem uma renúncia, por que não protocolaram? Qual a data da renúncia? Veio por carta? Esqueceram de protocolar a carta?”, afirmou Feijó. Eles ainda esperam uma explicação oficial da confederação.

Procurada, a assessoria da CBF afirmou que não comentaria o caso.


Cartolas têm de pagar mais de R$ 800 mi para EUA no caso Fifa
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Os números de acusações criminais de cartolas no caso Fifa impressionam: foram 94 indiciamentos na última avalanche do Departamento de Justiça dos EUA. Igualmente impactante é o total de dinheiro a ser arrecadado entre fianças, reparações e multas impostas aos dirigentes: US$ 214 milhões (R$ 813 milhões) até agora. Esse total será maior, já que algumas reparações não foram estimadas e há outros que podem ser detidos.

Dos 30 indiciados, foram 11 acusados que até agora ou fizeram acordos em que reconhecem sua culpa e aceitaram pagar indenizações ou fecharam fianças para se manterem fora da cadeia. Só uma parte do dinheiro entrou nos cofres do judiciário norte-americano porque há valores que estão garantidas por imóvel ou que serão quitadas parceladamente.

O montante irá para a reparação de quem foi prejudicado, o que inclui CBF, Conmebol, Concacaf, entre outras entidades. Veja caso a caso:

José Hawilla (dono da Traffic) – Fechou acordo de US$ 151 milhões como indenização por ser o ponto central do esquema de corrupção. Já quitou US$ 25 milhões, e terá de dar o restante até a setença final.

Chuck Blazer (membro do Comitê Executivo da Fifa) – Réu confesso, aceitou devolver US$ 1,9 milhão pelo recebimento de propinas, mas esse valor subirá até a sentença quando deve haver uma complementação dos valores.

Aaron Davidson (ex-executivo da Traffic) – Não se declarou culpado, mas se comprometeu a pagar US$ 5 milhões como fiança para responder ao processo em liberdade.

José Maria Marin (ex-presidente da CBF) – Afirmou ser inocente, mas teve de cobrir um valor de US$ 15 milhões de fiança. Desse total, pagou US$ 1 milhão em depósitos, e outros US$ 2 milhões foram dados com cartas finanças. O restante está garantido por imóveis.

Jacke Warner (ex-presidente da Fifa) – Pagou US$ 400 mil em fiança para responder ao processo em liberdade.

Alejandro Buzarco (Executivo da Torneos) – Fechou acordo de delação em que aceita pagar uma indenização de US$ 21,6 milhões.

Roger Huguet (ex-CEO Media World) – Ao confessar culpa, concordou em pagar indenização de US$ 600 mil.

José Margulies (ex-executivo da Valente e empresas Margulies) – Outro que confessou crimes e topou pagar US$ 9,2 milhões a título de reparação e multas.

Fabio Tordin (ex-executivo da Traffic) – Concordou em pagar US$ 600 mil ao confessar seus crimes.

Zorana Danis (dona da ISM) – Ao admitir culpa por pagamento de propinas, fechou acordo para pagar US$ 2 milhões ao judiciário norte-americano.

Jefrrey Webb (ex-presidente da Concacaf) – Quitará US$ 6,7 milhões em reparações por receber propinas ao confessar culpa. O valor pode subir com multas e fiança.

 


CPI descobre que Marin lucrou quase R$ 1 mi com Copa-2014
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A CPI do Futebol descobriu que o ex-presidente da CBF José Maria Marin recebeu pagamentos de R$ 985 mil do COL (Comitê Organizador Local). O dinheiro teria sido dado ao cartola a título de distribuição de lucros e foi registrado em sua declaração de imposto de renda a qual a comissão teve acesso após quebra de sigilo. Agora, resta apurar se o pagamento é indevido.

Como presidente do órgão, Marin era sócio do COL em modelo idealizado na época de Ricardo Teixeira. Assim como o antecessor, o dirigente tinha um percentual pequeno de cotas do comitê organizador, 0,01% do total, o restante pertencia à confederação.

Havia uma previsão de distribuição de lucros pelo estatuto do COL que não necessariamente seguiria o percentual de cotas. Sempre se descartou que qualquer dirigente fosse receber. O que Marin tinha direito era ao salário de presidente do comitê. Mas, agora, surge um pagamento por lucros. Não há registro até agora de que a CBF tenha recebido lucro do comitê.

A CPI ainda tenta apurar mais dados relacionados a esse pagamento ao ex-presidente da CBF para saber se era indevido de fato. Para isso, fez o requerimento de quebra de sigilos bancários e fiscal do COL (Comitê Organizador Local) e dos demonstrativos de resultados e lucros do comitê.

Também foi pedida a quebra de sigilo telefônico e de internet de Marin. Esses requerimentos serão apreciados nesta quarta-feira em sessão secreta entre os senadores, juntamente com outros. É preciso um quórum de pelo menos seis parlamentares.

O caso de Marin é só uma das linhas de investigação da comissão. Há apurações relacionadas ao presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, a sua ex-namorada e às agências de viagens de Wagner Abrahão, entre outros.