Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Mané Garrincha

Ordem da Fifa encareceu Mané Garrincha em R$ 20 mi e não teve efeito nenhum
Comentários Comente

rodrigomattos

O estádio Mané Garrincha, em foto de junho de 2013 (Crédito: Jefferson Bernardes/AFP)

Uma exigência da Fifa para antecipar o fim das obras encareceu o Mané Garrincha em R$ 20 milhões e não teve efeito prático nenhum. É o que mostra o relatório do Tribunal de Contas dos Distrito Federal que apura irregularidades no estádio. O projeto é cercado de tantas suspeitas que já levou à prisão dois ex-governadores do Distrito Federal, Agnelo Queiroz e José Roberto Arruda.

Desde 2010, o tribunal de contas fiscaliza a obra do Mané Garrincha, arena mais cara da Copa-2014, com custo de R$ 1,9 bilhão. O tamanho do prejuízo para os cofres públicos varia em cada avaliação: a Polícia Federal já falou em mais de R$ 900 milhões, a corte fiscal mencionou R$ 366 milhões e há processos em apuração sobre quanto será cobrado do consórcio de empreiteiras (Andrade Gutierrez e Via Engenharia) e de gestores públicos.

Em um dos processos no tribunal de contas, de junho de 2016, os auditores determinaram a tomada de contas especial após relatório apontar superfaturamento de R$ 67,8 milhões em itens de construção. Dentro desse documento, que tornou-se público, é possível constatar o papel da Fifa em aumentar o custo da obra, ainda que este valor não esteja sendo cobrado.

O relatório aponta que o cronograma inicial da obra era para que o Mané Garrincha fosse finalizado em julho de 2013. “No entanto, compromisso assumido posteriormente pelo GDF (Governo do Distrito Federal) com o governo federal e com a Fifa antecipou a conclusão para dezembro de 2012. Para isso, foi assinado o termo aditivo “H” e foram acrescidos gastos de aproximadamente R$ 20 milhões com serviços noturnos”, contou o documento.

De fato, durante o ano de 2012, a Fifa pressionou para que os estádios estivessem prontos com seis meses de antecedência para a Copa das Confederações – era o prazo de compromisso inicial. Pressionados, governadores começaram a assinar aditivos com empreiteiras para turnos extras para cumprir a data. Isso porque era uma competição teste, e não a própria Copa do Mundo.

Pois bem, após o aditivo, a obra terminou no mesmo prazo previsto anteriormente, meio de 2013. Segundo o relatório do tribunal, uma análise de documentos “permitiu concluir que o Consórcio recebeu recursos para antecipar o prazo de entrega da obra, mas não cumpriu com esse acordo.” Havia preparativos finais do Mané nas vésperas da Copa das Confederações.

Em sua defesa, as duas empreiteiras (Andrade Gutierrez e Via Engenharia) e Novacap, empresa do governo, afirmaram que o aditivo não era para antecipar o projeto, mas para incluir alterações exigidas pela Fifa e garantir o cronograma do contrato. Ou seja, na versão deles, pagaria-se mais para cumprir a data já prevista no contrato.

Ainda assim, o consórcio alega que a antecipação da obra teve impacto no aproveitamento de materiais de obras, o que aumentou o total final. Neste ponto, o tribunal aponta R$ 23 milhões de superfaturamento nos materiais por entender que a argumentação não procede. Só após a tomada de contas vai ser apurado o prejuízo.

Até agora, a investigação da Polícia Federal apontou que Agnelo Queiroz e José Roberto Arruda favoreceram a Andrade Gutierrez e Via Engenharia com a fraude da licitação e por medidas tomadas na realização da obra. A apuração se iniciou em delação de ex-executivos da Andrade Gutierrez que revelaram um cartel de empreiteiras na maioria dos estádios da Copa-2014.


Delações geram suspeitas sobre obras em 10 dos 12 estádios da Copa-2014
Comentários Comente

rodrigomattos

Delações feitas por executivos de empreiteiras e políticos já levantaram suspeitas sobre as obras de 10 de 12 estádios da Copa do Mundo-2014. Há diversos tipos e níveis de acusações: cartel, pagamento de propina para obter obra, irregularidades no financiamento, entre outros. Essas denúncias ocorreram no âmbito da operação Lava-Jato, ou em paralelo a esta.

Entre os estádios citados nas delações estão: Arena Corinthians, Castelão, Arena Pernambuco, Arena das Dunas, Arena Amazônia, Mané Garrincha, Maracanã, Arena Pantanal, Mineirão, Fonte Nova. Ressalte-se que, no Mineirão, o suposto esquema denunciado não ocorreu. Até agora só não há acusações em processos judiciais relacionadas ao Beira-Rio e à Arena da Baixada.

O maior esquema relacionado à Copa do Mundo foi revelado por executivos da Andrade Gutierrez. Eles contaram que houve um cartel entre as empreiteiras para combinar quem faria cada obra em oito dos estádios, fraudando as licitações. Agora, depoimentos de executivos da Odebrecht confirmam a existência deste conluio entre os construtores, segundo relevado pelo “O Estado de S. Paulo”.

Abaixo veja uma relação das acusações envolvendo cada um dos estádios:

1) Maracanã – Ex-executivos da AG (Andrade Gutierrez) e da Odebrecht apontaram pagamento de propina para o ex-governador do Rio Sergio Cabral para a execução da obra. O valor poderia chegar a 5% do projeto que somou R$ 1,2 bilhão. Cabral ainda aceitou a inclusão da AG na obra após acerto de “contribuição”. Funcionários da Odebrecht relataram ainda o pagamento a membros do TCE (Tribunal de Contas do Estado) para aprovar a concessão do estádio à empreiteira.

2) Arena Corinthians – Há dois deputados acusados de receber dinheiro da Odebrecht relacionado às obras no estádio: são Andrés Sanchez (ex-presidente do Corinthians) e Vicente Cândido (diretor da CBF), ambos do PT. Delações de executivos da Odebrecht apontam que Andres ficou com R$ 500 mil por meio de pagamentos para André Oliveira (vice do Corinthians), já Cândido é acusado de receber R$ 50 mil para ajudar na operação do financiamento da arena. Emílio Odebrecht, dono da empresa, disse que o estádio foi um presente para o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva.

3) Mané Garrincha – Ex-executivos da Andrade Gutierrez afirmam ter pago propinas aos ex-governadores do DF José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz por conta das obras do Estádio Mané Garrincha.  O valor para Agnelo seria de 1% da obra, que custou R$ 1,5 bilhão. O estádio ficou com a AG após acerto no cartel de empreiteiras, segundo seus ex-executivos.

4) Arena da Amazônia – Ex-executivos da Andrade Gutierrez dizem ter pago propina para os ex-governadores do Amazonas, Eduardo Braga e Osmar Aziz. O primeiro teria uma cota de 10% sobre obras realizadas no Estado, e o segundo teria aceitado reduzir o percentual para 5%. O estádio ficou com a AG por acerto no cartel, segundo seus executivos.

5) Arena Pernambuco – A licitação do estádio foi fraudada por conta do cartel acertado entre as empreiteiras, segundo o ex-executivo da Odebrecht. A versão é confirmada por ex-funcionários da AG. A Polícia Federal ainda investiga em inquérito indícios de superfaturamento na obra do estádio, o que se dá em separado da operação Lava-Jato.

6) Arena Fonte Nova – Ex-executivos da Andrade Gutierrez apontaram que a obra do estádio ficou com a Odebrecht fruto do cartel feito entre as empreiteiras para divisão dos projetos. O “Estado de S. Paulo” listou a arena como um das obras investigadas no âmbito da operação Lava-Jato, após delações de executivos da Odebrecht.

7) Arena das Dunas – Ex-executivos da OAS relataram pagamento de propina para o senador Agripino Maia (DEM-RN) por ele ter influência na execução das obras. O objetivo seria superar entraves para obter empréstimo no BNDES. A denúncia de cartel feita pela Andrade Gutierrez ainda apontou que a obra ficou com a OAS após acerto entre as empreiteiras.

8) Arena Pantanal – Não há acusações relacionadas à operação Lava-Jato em relação ao estádio. Mas o ex-secretário de Copa do Mato Grosso Eder Moraes afirmou que o ex-governador Silval Barbosa lhe ofereceu R$ 5 milhões em propina para acelerar o processo de contratação da obra. Posteriormente, Eder recuou de seu depoimento. Silval está preso por diversas acusações de corrupção e o jornal “O Globo” informou que deve fazer delação premiada.

9) Arena Castelão – Ex-executivos da Andrade Gutierrez e da Odebrecht apontaram que as obras do estádio foram destinados à empreiteira Queiroz Galvão como parte do cartel de empreiteiras que decidiu o destino de oito arenas.

10) Mineirão – A citação do Mineirão no âmbito da Lava-Jato é de uma esquema que não teria dado certo. Ex-executivos da Andrade Gutierrez relatam que, pelo acerto feito entre empreiteiras, ficariam com a execução da obra no estádio. Mas afirmam que perderam o interesse porque o projeto se tornou uma PPP (Parceria Público-Privada). A Construcap, que fez o estádio, teve executivo preso na Lava-Jato e é acusada por promotores mineiros de desvio de dinheiro no Mineirão com fraude a balanços.

 


Fla tem maior renda do ano em Brasília e analisa novos jogos fora
Comentários Comente

rodrigomattos

Além do público recorde de 67 mil, o Flamengo atingirá sua maior renda no ano com o jogo diante do Coritiba, no Estádio Mané Garrincha. Pelo acordo com a organizadora do evento, o clube vai levar em torno de R$ 1,5 milhão limpo, um valor bem superior a todos os jogos no Maracanã. Agora, se organizasse a partida por conta própria, é possível que ganhasse mais, mas haveria risco.

A partida no DF é realizada pela R7, empresa do ex-atacante Roni. Foi acertada uma cota fixa e outra variável de acordo com o número de presentes no estádio, o que fez com que o clube aproveitasse o sucesso de público. Esse acordo foi feito antes da arrancada do time no Nacional

Levantamento do blog mostra que em nenhuma partida nesta temporada 2015, seja no Brasileiro seja no Estadual, o time rubro-negro chegou perto desse patamar em termos de renda líquida. A melhor receita limpa foi no jogo contra o Santos: R$ 1,160 milhão, com cerca de R$ 174 mil retidos por penhoras.

Isso se explica pelos altos custos do Maracanã, com aluguel e inúmeras taxas da Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) até os escoteiros. Tudo isso é descontado da renda do Flamengo que não abocanha nem 50% da receita no estádio carioca. Às vezes, não leva nem um terço do total.

Questionado se pretendia realizar outros jogos fora do Rio, o presidente rubro-negro, Eduardo Bandeira de Mello, afirmou que iria analisar. A elevada presença de público foi impulsionada pela boa fase do time que tem seis vitórias seguidas. Tem que se avaliar também o efeito técnico do jogo fora do Maracanã.


‘Precisamos alimentar o elefante’, diz secretário sobre Mané Garrincha
Comentários Comente

rodrigomattos

Estádio mais caro da Copa-2014, o Mané Garrincha vive a dura realidade de não ter nenhum jogo realizado em 2015, e ter cancelada a única partida marcada entre Cruzeiro e Corinthians. Com déficit na sua operação, o governo do Distrito Federal aposta em eventos pontuais como a Olimpíada-2016, utilizações alternativas e uma concessão da arena à iniciativa privada.

São esses os planos traçados pelo secretário de turismo do DF, Jaime Recena, um crítico da construção do estádio em Brasília com 60 mil de capacidade. Para ele, deveria ter sido levantada uma arena de no máximo 35 mil, ou 40 mil pessoas.

“Não posso ser hipócrita de mudar o que disse antes de chegar ao governo. Antes, defendia que Brasília deveria ter um estádio de no máximo 35 mil ou 40 mil lugares”, contou Recena. “Mas o elefante está ai na sala. Agora, a gente tem que alimentar.”

Essa é a justificativa para a cidade ter confirmado sua presença na Olimpíada-2016 apesar de ser mais um custo para um Estado sem dinheiro, e com um rombo estimado de R$ 4 bilhões. Ele entende que os benefícios serão maiores do que os da Copa porque as seleções ficarão na capital do país, e não em outras cidades como no Mundial.

“Pelo que nos foi apresentado, não tem nenhum gasto fora do espectro. Se tiver uma surpresa, podemos rever. Mas não pensamos nisso agora. Abrimos mão de realizar o live site (festa pública similar à Fun Fest) que tinha um custo de R$ 7 milhões”, contou Recena. Segundo ele, o Mané Garrincha já está quase pronto, sendo necessárias poucas obras.

Mas, no dia a dia, o truque foi utilizar o espaço para secretarias, o que vai gerar economia de R$ 10 milhões. O custo estimado de operação é de R$ 600 mil, superior às receitas obtidas no ano passado. A longo prazo, foi montado um grupo no governo para buscar soluções para o estádio: o objetivo é entregá-lo a iniciativa privada.

“Estamos discutindo o modelo. Poderia ser feita uma cessão juntamente com o autódromo em que houvesse um complexo esportivo para aumentar o interesse. É uma área nobre de Brasília”, finalizou Recena. O governo de Agnelo Queiroz, que torrou R$ 1,5 bilhão no Mané Garrincha, dizia que ter certeza de que cederia o estádio à iniciativa privada com facilidade. Nunca aconteceu.


Custo de estádios da Copa triplica na conta final. Itaquerão passa Maracanã
Comentários Comente

rodrigomattos

Após quase seis meses de espera, o Ministério do Esporte publicou a conta definitiva da Copa-2014, na véspera do Natal do ano passado. O valor do custo dos estádios ficou em R$ 8,4 bilhões, o que significa um aumento de 184%, ou praticamente o triplo, em relação ao primeiro orçamento feito para o Mundial pela CBF. Pelo documento, o Itaquerão ultrapassou o preço do Maracanã.

Foi a última atualização da matriz de responsabilidades que o o governo federal prometia desde o final da Copa. No documento, o total gasto no Mundial foi de R$ 27,1 bilhões, cerca de R$ 1,5 bilhão a mais do que no ano anterior. Esse montante ficou abaixo do esperado pelo governo federal que era R$ 33 bilhões. Mas não é motivo para festejos porque o que se perdeu foram projetos de mobilidade urbana nas cidades-sede.

Desde o início da preparação, os custos aumentaram em relação aos estádios, e operações do Mundial. Em 2007, a CBF estimou em US$ 1,1 bilhão (pela cotação do dólar atual R$ 2,96 bilhões) o total a ser gasto com arenas em seu primeiro documento para a Fifa – não havia número de sedes definidas. A primeira matriz de responsabilidades, com orçamentos já feitos de estádios, previa R$ 5 bilhões de gastos. Agora, o montante final ficou em R$ 8,4 bilhões.

Em compensação, houve queda no valor total para obras de mobilidade urbana porque vários projetos foram retirados: não foram concluídos a tempo da competição. No total, foram 34 obras concluídas nesta área. Custos de aeroportos, operações de segurança e portos se mantiveram estáveis, com leves aumentos ou quedas em relação a 2013. Foram acrescentadas as instalações provisórias da Fifa em um total de R$ 580 milhões.

O estádio mais caro foi o Mané Garrincha, com R$ 1,4 bilhão. O Itaquerão aparece como segundo com maior preço com R$ 1,080 bilhão, e o Maracanã em terceiro, com R$ 1,050 bilhão. Isso porque houve um salto de R$ 260 milhões na sede paulista, enquanto a arena carioca, teoricamente, manteve o preço. Esse valor do estádio corintiano já é conhecido e foi comunicado ao conselho do clube no primeiro semestre do ano passado.

Há ressalvas: só estão consideradas as obras dentro dos muros. E tem que se lembrar que o contrato do Maracanã teve vários aditivos, e o tribunal de contas da união questionava alguns valores das obras. A Odebrecht tocou ambas as construções.

Os estádios têm características diferentes. O Maracanã tem uma capacidade maior, acima de 70 mil contra entre 40 mil e 50 mil, mas o Itaquerão tem maior área construída. O material de acabamento utilizado na arena corintiana é mais luxuoso.

Fato é que, com estádios mais caros e menos legado para as cidades, o governo não tem muito o que festejar da conta da Copa tanto que a publicou no dia 24 de dezembro, sem nenhuma publicidade.


Após a Copa, maioria dos estádios encolhe para jogos do Brasileiro
Comentários Comente

rodrigomattos

Terminada a Copa-2014, o futebol brasileiro pode desfrutar pela primeira vez de todos os 12 estádios da competição. Mas não inteiramente: a maioria das arenas encolheu após o Mundial com o uso de um número bem menor de lugares. Um exemplo disso foi o Flamengo e Grêmio, no Maracanã, recorde de público no Brasileiro, mas longe do patamar da final do torneio da Fifa.

Neste sábado, o público total foi de 59.680 pessoas, considerados pagantes e não pagantes. Em comparação, a decisão entre Alemanha e Argentina teve 74.738. No caso do jogo rubro-negro, os ingressos se esgotaram, isto é, havia interesse de mais gente só que a carga foi limitada.

A questão é que a Polícia Militar do Rio de Janeiro não permite a venda de todos os assentos por alegações de segurança. Deixa setores inteiros vazios para abrir um espaço entre visitantes e mandantes. O Flamengo queria vender 8 mil bilhetes a mais, mas foi vetado.

Medida similar ocorre no Itaquerão. O Corinthians informou que a capacidade máxima atual é de 38 mil lugares. Há limitações de segurança e de setores ainda por serem abertos. O maior público na Copa foi de 63.267, claro, com as arquibancadas provisórias que estão sendo retiradas agora. Só que os lugares temporários representam 19.800 assentos, isto é, daria para vender 43 mil.

A diretoria do Corinthians estima que, após as reformas que estão sendo tocadas pela Odebrecht para adaptar o estádio, a capacidade vai saltar para um número entre 48 mil e 50 mil. Isso só ocorrerá em 2015.

O Mineirão é outro grande estádio que não repete nos jogos de Atlético-MG e Cruzeiro os públicos da Copa. Após o Mundial, não houve mais de 50 mil no local, mas, quando os times bateram recordes, o máximo foi entre 56 mil e 57 mil. Na competição da Fifa, foram 58.141 pessoas na semifinal entre Brasil e Alemanha.

Outros estádios perderam lugares provisórios como a Fonte Nova e a Arena das Dunas. Mas, na Arena Pantanal, a federação matogrossense ainda não teve segurança para vender mais de 30 mil ingressos para Flamengo e Goiás. No máximo, atingirá 39 mil. Na Copa, foram 40.340 para Japão e Colômbia.

Há dois estádios com aumento de capacidade em jogos nacionais: Castelão e Beira-Rio. O estádio do Internacional pode receber 50 mil pessoas, contra 43 mil do Mundial. E a arena cearense já teve um público de 63 mil pessoas, em jogo antes da Copa.

A Arena Amazônia promete vender 40 mil bilhetes para jogo entre Vasco e Oeste. Se isso ocorrer, praticamente iguala a Copa com 39.800 bilhetes para Itália e Inglaterra. Mas até agora recebeu 35 mil com o Corinthians. Na Arena Permambuco e na Arena da Baixada, é impossível saber porque ainda não houve jogos de grande porte.

No total, sete estádios encolheram depois da Copa, outros dois aumentaram, e três deles ainda não é possível determinar se terão capacidade maior ou menor em jogos de campeonatos nacionais.

Essa redução dos estádios chama a atenção porque a Fifa já faz questão de não usar todos os lugares por conta de instalações de imprensa e para preservar a visão dos torcedores. Só que as medidas de segurança nos jogos de campeonatos nacionais determinam uma queda ainda maior na capacidade das praças.


Para Valcke, estádio mais caro da Copa é ‘exemplo positivo’
Comentários Comente

rodrigomattos

Em sua última rodada pelo Brasil antes da Copa-2014, o secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, afirmou que o Estádio Mané Garrincha é um exemplo positivo de legado do evento. Trata-se da arena mais cara do Mundial, com R$ 1,6 bilhão, cujo custo só poderá ser pago em mais de mil anos. Tudo fruto de dinheiro público.

Em seu twitter, o dirigente afirmou que “Brasília e o Estádio Nacional são exemplos positivos de legado da Copa do Brasil”. “Mais de 777 mil visitantes em apenas um ano. Mais público do que o antigo recebeu em 36 anos.”

Suas afirmações são repetições do que têm dito representantes do Governo do Distrito Federal, do Ministério do Esporte e da CBF que apelidaram o Mané Garrincha de “elefante dourado”. É uma defesa porque o estádio foi taxado de futuro elefante branco antes da Copa.

Todos ignoram – ou fingem que não sabem- que o estádio só enche com times de fora do Distrito Federal ou com promoções de ingressos com camarotes a R$ 1,00 para o futebol local. Todos ignoram – ou fingem que não sabem- que a renda líquida do estádio no primeiro ano foi de R$ 1,3 milhão, menos do que a estreia do Itaquerão. Todos ignoram – ou fingem que não sabem- que há sérias acusações de superfaturamento na arena.

Fica a pergunta: será que, ao analisar os dados reais do Mané Garrincha, Valcke investiria o seu dinheiro ou o da Fifa para construí-lo? Ou a arena só é um exemplo porque foi bancada pelo bolso alheio?


Copa introduz campos mais velozes no futebol brasileiro. Veja por quê
Comentários Comente

rodrigomattos

Ao assistir a jogos da Copa-2014, o torcedor poderá perceber que haverá mais velocidade da bola e dos jogadores do que nas partidas exibidas em boa parte dos campos do futebol brasileiro. Isso não se deve apenas a maior qualidade dos atletas, mas também ao padrão Fifa para gramados. E o Brasil deve viver nova era com esse tipo de campo em 12 arenas.

Assumindo os estádios esta semana, a federação internacional e o COL (Comitê Organizador Local) vão garantir que a grama será cortada a uma altura entre 1,8 cm e 2,2 cms nos estádios. Esse é o limite permitido pela entidade que já deu essas instruções para os donos dos campos. A mesma regra vale para os 68 centros de treinamento, boa parte deles dos times.

Os gramados brasileiros variavam entre 2,5 a 5cm de altura, segundo especialistas ouvidos pelo blog. O Pacaembu tinha a primeira medida. Maracanã e Mineirão eram conhecidos por terem campos com gramas mais altas e dimensões maiores.

O Itaquerão, por exemplo, já teve o seu campo cortado ao máximo de 1,8 cm. Isso causou estranhamento nos jogadores do Corinthians na partida diante do Figueirense, no domingo, segundo o técnico Mano Menezes. Ele afirmou que a bola deslizava mais, e era mais difícil o domínio.

Em pouco tempo, os corintianos deixarão de sentir esse estranhamento. Pelo menos um dos campos do CT do clube também foi cortado na medida indicada pela Fifa, já que o Irã treinará por lá. “Vamos manter neste padrão Fifa depois do final da Copa”, contou Hailton dos Santos Cunha, administrador do centro e que cuidou do gramado no Itaquerão.

Outros estádios da Copa, como o Mané Garrincha, já vêm sendo mantidos com a altura de corte padrão da Fifa. A Fonte Nova segue os mesmos limites.

Além disso, a Fifa forneceu equipamentos para tratamento do gramado, duas traves, redes e bandeiras de escanteios, todas com medidas precisas. As traves têm padrão levemente diferente das usadas no Brasil, com um circunferência maior, de 12cm, o que aumenta as linhas do campo. O blog pediu mais detalhes da preparação dos campos para o COL, mas não obteve respostas.

Fora permitir mais deslizamento da bola, a grama mais baixa também possibilita que os jogadores se cansem menos ao correr. Assim, é provável que se veja mais disposição física em campo. Agora, se isso ficará como um legado para o futebol brasileiro, dependerá se os donos de estádio manterão o corte baixo do gramado.


Itaquerão e Beira-Rio têm menor custo por jogo de estádios da Copa
Comentários Comente

rodrigomattos

Privados, o Itaquerão e o Beira-Rio têm as menores despesas percentuais por jogo entre os estádios da Copa-2014. Isso significa que o Corinthians e o Internacional ficam com uma fatia bem maior das receitas das partidas.

A constatação foi resultado de levantamento do blog em borderôs de jogos das dez arenas. Como critério, foram consideradas todas as despesas, desde custos operacionais a descontos de federações estaduais.

Foram usadas de três a cinco partidas por sede, com exceção do Itaquerão. A Arena das Dunas foi desconsiderada porque a maioria dos seus jogos dá prejuízo, o que causaria uma distorção. E a Arena da Baixada ainda não tem relatórios financeiros disponíveis.

Se as sedes privadas aparecem com o menor custo, os estádios geridos por empreiteiras ou por governos têm os maiores custos. Nas mãos de um consórcio formado pela Odebrecht e pela OAS, a Fonte Nova é o caso mais absurdo com despesas que mordem 69% das receitas em jogos do Bahia e Vitória.

Em seguida, estão estádios como Maracanã (47%), Castelão (57%) e Mané Garrincha (53%). Os dois primeiros também são administrados por concessionárias com liderança de empreiteiras – a Odebrecht, no caso da praça carioca. Já a arena brasiliense é responsabilidade do governo do Distrito Federal.

Esses números chamam atenção quando confrontados com os percentuais pagos por Corinthians e Internacional. A estreia do Itaquerão teve um custo de 21,4% da renda total – R$ 650 mil de uma renda de R$ 3 milhões. No caso do Beira-Rio, o Internacional gasta em média 23,6% de suas rendas com despesas operacionais desde a reabertura.

Claro que no caso corintiano houve alguma economia por o jogo inaugural ser evento teste da Fifa e por itens que faltam na arena, como monitoramento. O COL (Comitê Organizador Local) pagou, por exemplo, por 700 seguranças. Mas o clube colorado já fez um jogo com ajuda do comitê e a queda de despesa não foi tão significativa.

Há ainda de se levar em conta o fato de o Corinthians ter cobrado um alto ingresso médio (R$ 83), o que ajuda a minimizar o impacto das despesas. Mas o que fica claro é que, ao gerir seus próprios estádios, os clubes conseguem reduzir consideravelmente as despesas da partida.

A Odebrecht, no entanto, contesta a comparação afirmando que “o critério adotado pela reportagem desconsidera pontos cruciais na operação dos estádios.” Primeiro, cita os eventos-teste da Fifa como fator para baratear o jogo do Itaquerão e depois fala dos custos de manutenção.

“(Nos estádios da Odebrecht) Há casos que incluem os custos de operação e manutenção, e há caso em que os custos não são contemplados nos borderôs. No caso do Maracanã, por exemplo, a segurança patrimonial é feita além do estádio, abrangendo as estações de metrô e trem. Desta maneira, cada arena tem serviços específicos, que impossibilitam a comparação real dos custos”, disse a Odebrecht.

Mas fato é que os clubes não têm que pagar aluguel, não têm despesas operacionais em montantes acima de R$ 300 mil. Para se ter uma ideia, na final da Copa do Brasil, o Flamengo perdeu R$ 4 milhões em custos da concessionária do Maracanã e para outros itens.

A Federação de Futebol do Rio de Janeiro, por exemplo, exige 10% da receita total. O levantamento usou jogos do Botafogo, Flamengo e Fluminense, que têm modelos diferentes, para não haver distorções.

Da regra de altos custos impostos por empreiteiras, só escapa a Arena Pernambuco, que teve descontos em torno de um quarto das rendas dos jogos do Náutico. O estádio também é gerido pela Odebrecht.

Veja abaixo quanto gasta percentualmente cada estádio da Copa-2014 com despesas em geral:

Arena Amazônia: 43%

Arena Pantanal: 38%

Arena Pernambuco: 26,8%

Beira-Rio: 23,6%

Castelão: 57%

Fonte Nova: 69,2%

Itaquerão: 21,44%

Mané Garrincha: 53,2%

Maracanã: 46,8%

Mineirão: 26,8%


Dez estádios da Copa tiveram obras mais lentas que padrão. Veja quais
Comentários Comente

rodrigomattos

Com o primeiro jogo oficial no Itaquerão, neste domingo, os 12 estádios da Copa-2014 terão recebido partidas oficiais de futebol. Ou seja, todos estão funcionais, o que marca praticamente o final das obras – ainda há o fazer em alguns projetos que estão inacabados. Um levantamento do blog mostra que dez das arenas tiveram construções ou reformas mais lentas do que o padrão internacional.

Um dos vice-presidentes do Sinaenco, Leon Myssior, que projetou a Arena Independência, explicou que um estádio com planejamento bem feito pode ser erguido em um prazo entre 24 meses e 30 meses. Isso desde que não existam condições que dificultem a obra, como terrenos não-planos ou necessidade de demolições.

“Para isso, contando um estádio com cerca de 100 mil metros quadradros, se o projeto executivo estiver pronto, e com a utilização de pré moldados dá para fazer neste prazo. É o prazo certo, que dá para cumprir bem sem necessidade de terceiro turno. Em um processo acelerado, poderia ser feito em 20 meses”, explicou Myssior.

Do que foi feito para a Copa-2014, apenas os estádios do Mineirão e do Castelão foram feitos dentro deste prazo – ambos foram concluídos em 26 meses. A Arena das Dunas até teve as obras concluídas em 30 meses para realização da primeira partida. Mas ainda há arquibancadas provisórias sendo colocadas para atender a capacidade exigida para o Mundial.

De resto, os outros nove estouraram o prazo padrão. A obra mais demorada foi a Arena Pantanal, cuja construção demorou 47 meses, entre maio de 2010 e abril de 2014, quando foi realizado o primeiro jogo. A Arena Amazônia e o Beira-Rio também ultrapassaram os 40 meses para serem concluídos.

Claro que cada um teve um problema diferente – a Arena da Baixada e o Beira-Rio, por exemplo, tiveram falta de recursos para os projetos em determinado momento. Mas, em comum entre os erros, Myssior vê a falta de um projeto executivo bem elaborado antes do início das obras, e o uso de materiais estrangeiros de difícil aquisição.

Lembre-se que foi o governo federal que criou uma lei diferenciada para as contratações da Copa (RDC), que permitia licitações apenas com projeto básico. Lembre-se que a Fifa exigiu determinados padrões nos estádios que levaram a instalações de coberturas e especificações que muitas vezes só eram atendidas no exterior.

“A falta de projeto básico transforma as estimatidas de prazo e de custo em meras estimativas sem nenhuma base na realidade. Somos todos bobos em acreditar nisso. Os primeiros números divulgados foram simplesmente jogados para a platéia”, afirmou Myssior.

“E essas membranas de TPFE que foram instaladas na cobertura, só podem ser feitas em poucos países. Isso cria um problema logístico. Aquelas sedes que terminaram mais rápido, Castelão e Mineirão, foram justamente por substituíram muitos desses materiais”

Veja abaixo o prazo que cada estádio demorou para ficar pronto:

Belo Horizonte

Mineirão: 26 meses

Início de obra: Dezembro/2010

Primeiro jogo: Janeiro/2013

Brasília

Mané Garrincha: 35 meses

Início de obra: julho/2010

Primeiro jogo: maio/2013

Cuiabá

Arena Pantanal: 47 meses

Início da obra: maio/2010

Primeiro jogo: abril/2014

Curitiba

Arena da Baixada: 32 meses

Início da obra: outubro/2011

Primeiro jogo: maio/2014

Fortaleza

Castelão: 26 meses

Início da obra: dezembro/2010

Primeiro jogo: janeiro/2010

Manaus

Arena Amazônia: 44 meses

Início da obra: julho/2010

Primeiro jogo: março/2014

Natal

Arena das Dunas: 30 meses

Início da obra: Agosto/2011

Primeiro jogo: janeiro/2014

Porto Alegre

Beira-Rio: 46 meses

Início da obra: julho/2010

Primeiro jogo: abril/2014

Recife

Arena Pernambuco: 34 meses

Início da obra: agosto/2010

Primeiro jogo: maio/2013

Salvador

Fonte Nova: 34 meses

Início da obra: junho/2010

Primeiro jogo: abril/2013

Rio de Janeiro

Maracanã: 34 meses

Início da obra: agosto/2010

Primeiro jogo: junho/2013

São Paulo

Itaquerão: 36 meses

Início da obra: maio/2011

Primeiro jogo: maio/2014