Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Mano Menezes

Tite encaminha título corintiano com time mais barato do que de Mano
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A sete rodadas do final, a diferença de oito pontos do Corinthians para o Atlético-MG é quase certeza da conquista título brasileiro. Nunca uma vantagem assim foi superada. E Tite encaminha o clube paulista para a taça com um time um pouco mais barato do que o comandado por Mano Menezes, que ficou em quarto em 2014.

É o que fica claro pelos números financeiros corintianos até agosto deste ano. Em oito meses, o custo do futebol corintiano em 2015 foi de R$ 159,7 milhões. No mesmo período do ano passado, gastou-se R$ 157,2 milhões, valor que corrigido pela inflação de um ano vai a R$ 172 milhões.

A redução das despesas corintianas, portanto, representam 7,5%. Isso não significa que o futebol alvinegro é barato: continua a ter uma das maiores folhas salariais do país. Tanto que o clube tem déficit no período de R$ 17 milhões. Há um elenco com jogadores caros como Elias, Jádson e Renato Augusto, entre outros.

Mas é certo que, ao não renovar com Paolo Guerrero e Emerson Sheik, o time deu alguma aliviada em sua folha salarial, e não permitiu que esta aumentasse. Considerados os custos com pessoal, serviços de terceiros e aquisições de atletas, houve uma redução de quase R$ 9 milhões.

Mesmo assim, Tite levou seu time a ter um aproveitamento de 72% dos pontos, com 67 pontos. Em 31 rodadas, está a apenas dois pontos da campanha obtida por Mano Menezes em 38 jogos. O treinador anterior teve 60% de rendimento.

A se manter o atual custo, o Corinthians fecharia o ano com um gasto de R$ 240 milhões, cerca de R$ 20 milhões por mês. Em comparação, o futebol de 2014 teve R$ 258 milhões de gasto, com o número corrigido pela inflação. A maior diferença: é muito provável que este ano termine com uma taça do Brasileiro como prêmio.


Longe do Inter, Tite aproxima-se do Corinthians pelo grupo de Andrés
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Representantes do técnico Tite já conversam com dirigentes do Corinthians do grupo de Andrés Sanchez para falar sobre sua volta ao clube. Estão previstas negociações entre o procurador do treinador, Gilmar Veloz, e cartolas corintianos durante esta semana. Não houve contato com a oposição do clube – a eleição é em fevereiro.

Durante o Brasileiro, Tite tinha recebido sondagens do candidato do Internacional Vitório Píffero e do postulante da situação corintiana Roberto Andrade, que foi bancado por Andrés. Ambos demonstraram interesse em contar com o treinador. Ficou combinado que haveria negociação após o Brasileiro.

Tite já pendia para o lado do Corinthians pela maior identificação com o clube. Nesta segunda-feira, Píffero disse que quer manter Abel Braga, assim como seu rival Marcelo Medeiros. Assim, o treinador ficou longe do Beira-Rio.

No Corinthians, Roberto Andrade fez o contato com o treinador porque o atual presidente Mário Gobbi tem um relacionamento desgastado com ele. A demissão dele se deu com troca de acusações no bastidores, e com a desconfiança do técnico de que dirigente acertara com Mano Menezes antes de dispensa-lo.

O pano de fundo da negociação da volta de Tite, por sinal, é marcado pela guerra de alfinetadas entre os dois treinadores. Em sua entrevista, Mano afirmou que deixaria mais uma montagem de time para o outro, em referência ao que fizera em 2010 antes de assumir a seleção.

Para que ocorra um acerto com Tite, no entanto, há o importante passo da negociação financeira. O treinador não pediu os R$ 800 mil vazados na imprensa, mas, com as dificuldades de caixa do clube, essa negociação pode se desenrolar por mais tempo. Oficialmente, nem o clube, nem a assessoria dele falam sobre a negociação.


Heróico, enorme, Galo dá virada improvável sobre o frio Corinthians
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Com menos de 5min, Paolo Guerrero ganhou a disputa com Jemerson e mandou uma bala certeira no canto de Victor para abrir o placar. Pronto, a vaga na semifinal estava decidida em favor do Corinthians com dois gols de vantagem. Será? Talvez para um time normal, talvez para uma torcida normal. Não para o Galo.

E o que poderia ser um jogo inteiro modorrento, tornou-se a partida mais emocionante da temporada 2014. Porque há jogadores no Atlético-MG que simplesmente não aceitam que algo é impossível, que existem limites físicos e técnicos para um time. Do outro lado, estava um Corinthians que se fia no pragmatismo e frieza de seu técnico Mano Menezes. Não é o suficiente em jogos diferentes como o desta quarta-feira.

E o heroísmo do Galo começou com a presença de Diego Tardelli em campo. Apareceu para jogar depois de ficar 25 horas em um voo vindo da China e de ter atuado ontem pela seleção. Aguentou um tempo e meio, com intensidade.

Do lado corintiano, o contido Mano preferiu deixar Gil e Elias de fora. Talvez, o pensamento correto sob o ponto de vista técnico, e físico. Mas, às vezes, ão adianta ficar só preso ao manual.

Logo depois de tomar o primeiro gol, o Galo reagiu com um gigante Guilherme, o melhor em campo. Atuando como meia, às vezes quase um volante, ele lançou uma bola para Luan empatar de cabeça. Luan, aquele que tinha fraturado costelas. Guilherme, aquele que é centroavante. Não era lendo manual que o time mineiro viraria.

O mesmo Guilherme chutou da entrada da área, e a bola desviou e enganou Cássio. O improvável parecia conspirar a favor do Galo.

Acaba o intervalo e Tardelli continuava a correr. Não dava para entender. Ele meteu bola preciosa para Maicosuel perder o gol. Saiu, enfim, exausto. Mas ainda havia Guilherme que aproveitou um rebote e mandou na trave e no gol.

Faltavam 15min. Era muito jogo pela frente para o Galo. E sobrou para Edcarlos fazer o quarto, formado mais um herói improvável. Quando parecia que faltaria pernas, quando lhe faltava o craque, o time mineiro sobrou em coração e em torcida. Era o suficiente.

Ao final, o técnico Levir Culpi admitiu que sofria de arritmia cardíaca. Foi engraçado. De Mano Menezes, não se ouviu uma palavra em campo. Só o grito da torcida do Galo ecoava.

 


Corinthians tem um apagão de verdade, e Felipão bate Mano
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Contra a Alemanha, o técnico Luiz Felipe Scolari argumentou que a seleção perdeu o jogo em apenas seis minutos de apagão. Contra o Corinthians, o treinador teve o apagão a seu favor com três minutos de relaxamento da equipe paulista. Resultado: os gremistas saíram vitoriosos sobre os corintianos.

A comparação acima é apenas uma brincadeira. Os alemães destruíram os brasileiros na Copa-2014, e não foi apenas em seis minutos, mas no jogo inteiro. Em Porto Alegre, Grêmio e Corinthians fizeram um confronto equilibrado e foram as falhas paulistas no início do segundo tempo que deram a vitória aos gaúchos.

Dos dois últimos técnicos da seleção brasileira, esperava-se um futebol de melhor nível. Ou pode-se se concluir que os sete gols sofridos para a Alemanha são uma demonstração de que, de fato, ambos não fizeram bons trabalhos em suas passagens pelo time nacional.

Mais de 45 minutos jogados não foram suficientes para nenhum dos dois times produzir conclusões perigosas a gol. É verdade que o Corinthians de Mano tinha uma ideia mais clara de como tocar a bola e desenvolver  o jogo do que a equipe de Felipão. Mas nada de encher os olhos.

Então, veio o início do segundo tempo. Duas falhas da defesa corintiana seguidas deram a chance para Barcos fazer dois gols em três minutos. Anderson Martins e Fábio Santos estiveram no centro dos erros.

Passado o apagão, o jogo se igualou de novo até que o Corintihans passou a pressionar, e o Grêmio recuou. Guerrero, que perdera gol feito, deu bela arrancada pela esquerda e descontou para o time paulista. Houve bola na área, tentativas desesperadas, mas não o suficiente para empatar.

Não houve pênalti de Werley em bola que bateu no seu braço, e a expulsão de Guerrero foi resultado do excesso de mimimi dentro de campo desde o início do jogo. Um retrato do que apresentaram os dois últimos técnicos da seleção. Bem, pelo menos desta vez Felipão pode festejar o apagão.


Em um ano, Corinthians obtém menos da metade dos pontos
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Em um ano, desde o início de fevereiro de 2013, o Corinthians obteve apenas 48,1% dos pontos disputados em 72 jogos oficiais. O número deixa claro que a crise técnica corintiana não é recente e se estende desde a volta do título Mundial de 2012.

Desde a segunda semana de fevereiro, exatamente um ano atrás, o time do Parque São Jorge teve 28 vitórias. Isso significa que ganhou pouco mais de um terço das partidas que participou nos campeonatos – Paulista, Libertadores, Copa do Brasil, Brasileiro e Recopa. Esse rendimento seria o suficiente para manter os corintianos na 9a posição do último Nacional, uma a frente da real colocação da equipe ao final da competição.

É certo que houve uma queda de aproveitamento com o técnico Mano Menezes. Após o empate com o Mogi Mirim, o time tem só um terço dos pontos deste Estadual, ainda menos do que se verificava na época de Tite.

Mas as faltas de triunfos e regularidade corintianos são uma marca desde que o time foi campeão mundial. Tanto que  os títulos conquistados em 2013 foram ganhos em disputas mata-mata. Foi o caso da Recopa, em que houve apenas dois jogos contra o rival São Paulo, e o Paulista em que o time se destacou em eliminatórias depois de ficar em 5o na primeira fase.

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Tite sai irritado com diretoria por ataques e frustrado com acerto do time
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Conquista do mundial e Tolima marcaram a passagem de Tite

Após carreira vitoriosa, a saída de Tite do Corinthians não aconteceu de forma amigável. Apesar de se dizer em paz, o treinador deixa o clube irritado pelo processo de fritura feito pela diretoria, comandado pelo presidente Mário Gobbi, para justificar o rompimento com ele. E também frustrado por ter trabalhado muito para acertar o time neste segundo semestre e não ter conseguido.

Foram esse elementos que transformaram um cenário de renovação quase certa em um rompimento nesta quinta-feira, quando o treinador foi avisado de que seu contrato não seria estendido. Detalhe: naquela época, o apoio a Tite era bem forte no clube. Agora, o time acerta a volta de Mano Menezes como noticiou o blog do Perrone.

Antes do início da crise técnica corintiana, a diretoria e representantes do treinador se reuniram e manifestaram interesse mútuo de continuidade em 2014. A interlocutores do clube, Gobbi explicava que não lhe passava pela cabeça ter outro treinador que não Tite em 2014. O técnico também queria ficar.

O time desandou, o ataque não fez gols, houve empates em excesso e a vaga na Libertadore ficou longe. A crise deixava o técnico horas no centro de treinamento e em casa assistindo a vídeos para tentar encontrar uma fórmula para acertar a equipe. Ele acreditava que os jogadores estavam ao seu lado, e, portanto, entendia que o problema era tático ou técnico. Mas tudo que tentou não funcionou. Isso o deixava muito irritado.

Durante esse processo, começaram a vazar informações internas do clube com críticas ao treinador por parte de vários dirigentes. Havia reclamações sobre o excesso de conservadorismo nas mudanças do time. Mas, principalmente, também havia ataques sobre contratações, como Ibson, ou a dispensa do zagueiro Marquinhos. E até outros itens de bastidores do time.

Para Tite, as informações saiam distorcidas de dentro do clube para prejudicar sua imagem. Assim, mais desgastado, seria mais fácil romper com um técnico campeão da Libertadores e Mundial.

Mário Gobbi teve papel central nesta fritura. Em público, defendia o treinador e dizia que queria a renovação do contrato mesmo após a reunião em que ele quase caiu. Mas, nos bastidores, conselheiros já faziam apostas sobre o novo treinador. E  Tite entendeu que o presidente tentou força-lo a pedir demissão para facilitar o processo.

À diretoria e a conselheiros, o presidente do Corinthians também não deixava explícito o que queria para o time. Na segunda-feira, em reunião de diretoria, afirmou que não havia nada decidido sobre o técnico para o próximo ano. Fez isso três dias antes de dispensar Tite, quando já havia, sim, uma decisão tomada. Só esperava atingir os 47 pontos que livram a equipe do rebaixamento no Brasileiro para anunciar sua saída.

Com todo esse processo, Tite, que inicialmente queria ficar no clube, também ficou decepcionado e já não falava com tanto entusiasmo sobre a permanência. Mesmo irritado, e fritado, o treinador não deve atacar a diretoria. E o Corinthians, publicamente, também deve manter o tom de homenagens ao técnico.


Supertécnicos fracassam no Brasileiro e ficam longe do título
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A partida entre Cruzeiro e Fluminense foi simbólica do que tem ocorrido neste Brasileiro em relação aos técnicos. Líder disparado, o Cruzeiro é comandado por Marcelo Oliveira, que não tem nenhum título nacional ou internacional na carreira. Na disputa para evitar o rebaixamento, o Fluminense tem em seu banco Vanderlei Luxemburgo, dono de troféus do Brasileiro e passagem pela seleção. Deu o time celeste.

Um retrato do fracasso que assola os supertécnicos neste Nacional. O blog classificou como treinadores de renome aqueles que têm os maiores salários (em torno de R$ 500 mil), já tiveram passagem ou foram cotados pela seleção ou acumularam conquistas. Foram cinco neste campeonato: Muricy Ramalho, Abel Braga, Mano Menezes, Vanderlei Luxemburgo e Tite. Apenas o primeiro se salva com desempenho de razoável para bom, e venceu na quarta-feira.

Nenhum deles está entre os de melhores aproveitamentos do campeonato. Pelo contrário, têm brigado para não cair à Série B.

Somadas suas passagens por Grêmio e Fluminense, Luxemburgo acumulou 34 pontos em 25 jogos, um aproveitamento que o deixaria na 10a posição no Nacional. Pior é o caso de seu antecessor Abel Braga que obteve apenas 33,3% dos pontos no Tricolor carioca, números de rebaixado.

Ex-ténico da seleção, Mano Menezes também decepcionou no Flamengo: somou apenas 41,2% dos pontos. Não por acaso sempre se manteve pouco à frente da zona de degola. Um pouco inferior ao seu colega Tite, no Corintihans. Campeão Mundial e da Libertadores, ele tem 42,5% dos pontos com o Corinthians, que perdeu do Grêmio nesta rodada.

O único que ainda tem um desempenho de razoável para bom é Muricy Ramalho. Tetracampeão brasileiro, ele obteve 55,5% dos pontos nas passagens por Santos e São Paulo, onde está melhor. Seus números o deixariam em quinto no Nacional, ainda fora da zona de Libertadores.

Entre os técnicos com melhor atuação, estão nomes sem grandes conquistas, casos de Jayme de Almeida (66,6%), Vágner Mancini (66,6%), Renato Gaúcho (61,1%) e o próprio Marcelo Oliveira (70%). Quem tem carreira mais consistente é Oswaldo de Oliveira (58%), mas ainda é um técnico sem o status dos outros cinco.

Os treinadores de Atlético-PR, Grêmio, Cruzeiro e Botafogo conquistariam a vaga na Libertadores caso o campeonato acabasse nesta rodada, uma realidade longínqua para os supertécnicos neste Nacional.

 


Mano saiu do Fla sem ter nada a receber, diz agente
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Enquanto os pagamentos de jogadores rubro-negros estão atrasados, o técnico Mano Menezes deixou o Flamengo sem ter nada pendente a receber do clube. Pelo menos essa é a informação do agente do treinador, Carlos Leite, ao blog. Assim, é primeira vez no ano que um treinador deixará o time sem ter direito a atrasados, como ocorreu com Jorginho e Dorival Jr.. Há, sim, uma multa devida por ele ao clube referente a dois salários por rompimento de contrato.

Parte da diretoria rubro-negra passou da perplexidade à irritação com Mano após não receber nenhuma explicação convincente sobre sua saída. Assim, cartolas defendem que seja cobrada a multa contratual do treinador.

Questionado se havia algum valor pendente a ser pago ao técnico, Leite foi sucinto: “Nenhum”. Não quis falar se o treinador pagaria pelo rompimento do compromisso, e afirmou que ele não volta a trabalhar no Brasil até 2014. “Foi o que ele decidiu e me falou”, disse. Ao UOL Esporte, o treinador disse que o agente é quem saberia falar da parte financeira com o Flamengo.

Nos dias seguintes à saída de Mano, que já tem dez dias, a diretoria tentou mandar seguidas mensagens e telefonou para o treinador para tentar conversar para entender os motivos da sua saída. O técnico não respondeu as solicitações dos dirigentes.

Também houve uma averiguação interna para saber se sua decisão teve relação com a festa de jogadores realizada no condomínio do meia Carlos Eduardo, na segunda-feira anterior ao jogo com o Atlético-PR. Mas os atletas convenceram os dirigentes de que não houve nada demais no evento: alegaram que acabou às 22h30 e havia esposas presentes.

Carlos Leite apenas reforçou que os motivos para a saída do técnico foram os explicitados pelo próprio em seus comunicados, recusando-se a falar sobre outros episódios. De todo o caso, sobrou a decisão que a diretoria do Flamengo terá de tomar sobre o valor a ser cobrado de Mano de multa.


Em crise, Fla tem atrasos de salários e direitos de imagem
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Escancarada com a saída do técnico Mano Menezes, a crise no futebol do Flamengo também tem um elemento financeiro: atrasos de salários e de direitos de imagem dos jogadores têm sido constantes nos últimos meses. A demora em pagar em geral é de poucos dias, no caso de vencimentos, e maior em relação aos contratos de imagem. Mas é fato que o ex-técnico do time conviveu com esse problema em sua passagem pelo clube.

Um dos principais pilares da nova gestão da diretoria rubro-negra era manter os salários em dia, assim como pagar todos os impostos devidos e parcelas do passivo fiscal. A segunda tarefa tem sido cumprida. Já a primeira meta foi alcançada nos primeiros meses, mas agora tem sido complicado atingi-la.

Os dirigentes marcaram para o dia 5 de cada mês o pagamento de salários. Mas o blog apurou que pelo menos duas vezes esse prazo foi ultrapassado: os recebimentos ocorreram cerca de uma semana depois. O mês de setembro, por exemplo, atrasou e só foi quitado após o dia 10. Agora, está resolvido até o início de outubro.

Os contratos de direitos de imagem, que em geral compõem o grosso da remuneração dos atletas, têm demorado mais para serem pagos. Tanto que foi criado até um cronograma interno para quitação desses compromissos. Aqueles jogadores que recebem valores menores, em geral até R$ 50 mil, têm prioridade.

O blog não conseguiu confirmar se os pagamentos do técnico Mano Manezes estavam atrasados. Um dirigente apenas afirmou que é possível que isso tenha acontecido, mas, se ocorreu, foi por poucos dias. Mas cartolas avaliam que a questão financeira não teve peso sobre sua decisão de pedir demissão.

A assessoria do clube foi questionada pelo blog sobre os atrasos. Recusou-se a comentar o tema, mas não negou a informação. “Todas estas informações, que já não possuem mais o caráter técnico referente ao balancete, são tratadas internamente no clube”, afirmou a assessoria do clube.

A diretoria vinha mantendo os salários em dia até o meio do ano quando contava com antecipações de receitas (Adidas) e empréstimos feitos com base em rendas futuras (televisão), além das receitas correntes de patrocínio. Isso porque a administração anterior tinha deixado um rombo financeiro no clube, que estava quase sem renda disponível para fechar as contas do ano.

Mas o dinheiro não é suficiente para pagar tudo até o final do ano – o rombo em agosto era de R$ 40 milhões. A diretoria já prepara uma operação de empréstimo, cujo pedido será feito ao Conselho de Administração, para quitar os salários e direitos de imagem até o final do ano.


Para cartolas do Fla, há motivo oculto para demissão de Mano
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Apesar das explicações públicas de Mano Menezes, dirigentes do Flamengo avaliam que há um motivo oculto no pedido de demissão do treinador logo após o jogo com o Atlético-PR. Por isso, membros do Conselho Diretor têm evitado críticas diretas ao técnico até entender o que, de fato, levou o a deixar o time inesperadamente. O próprio presidente Eduardo Bandeira de Mello foi cauteloso durante sua entrevista coletiva nesta sexta-feira.

Até agora, o treinador disse que os jogadores não tinham assimilado suas orientações. E afirmou ao UOL Esporte que não queria ficar enganando a torcida pois não via evolução no time.

Mas a opinião dos cartolas do clube era favorável ao trabalho do treinador. Todos estavam insatisfeitos com os resultados da equipe, obviamente, já que estava próxima da zona de rebaixamento. E havia até questionamentos no Conselho Diretor em relação ao diretor de futebol, Paulo Pelaipe, e jogadores como Carlos Eduardo e Marcelo Moreno. Só que os dirigentes eximiam Mano de culpa.

Ninguém compreendeu então como ele, que não havia dado nenhum sinal de insatisfação até agora, deixou a equipe logo após uma derrota inesperada, mas que nem colocava o time na zona de rebaixamento. Para os dirigentes, questões financeiras não explicam sua saída, visto que ele terá de pagar uma multa e vinha recebendo o salário combinado.

Por isso, a ideia é de que se deve esperar os próximos dias para entender qual o motivo real que levou o treinador a optar pela demissão. Até porque, em discussões entre dirigentes rubro-negros, o consenso é que a saída de Mano deixa o time em situação complicada para o restante do Brasileiro.