Blog do Rodrigo Mattos

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Copa América adiará projeto do Fla de retirar assentos do Maracanã
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Próximos de selar parceria em definitivo, Flamengo e administradores do Maracanã (Odebrecht) discutem também a retirada dos assentos do setor Norte, reinvidicação antiga do clube para aumentar a capacidade. Só que as conversas já indicaram que a medida terá de ser adiada para depois da Copa América, o que seria no segundo semestre de 2019.

Com plano de usar o estádio nos próximos anos, a diretoria do Flamengo colocou na mesa a ideia de retirar os assentos do setor Norte, onde a torcida ainda fica em pé. A concessão permite a Odebrecht realizar esse projeto sem aprovação do governo do Estado.

Mas há outros entraves para viabilizar de imediato um setor sem assentos. Primeiro, a Copa América deve prever que os estádios tenham assentos. Isso exigiria uma adaptação inclusive da Arena Corinthians, que tem um setor sem assentos.

Além disso, as partes ainda estudam questões de legislação que podem dificultar a adaptação. Outro ponto é que o corpo de bombeiros terá de aprovar um projeto que determinaria qual a capacidade para o setor.

Atualmente, há uma estimativa das partes envolvidas no projeto de quantas pessoas caberiam sem assentos: pode ser 1,5 ou 2 torcedores para um torcedor atual. A capacidade do setor Norte é de 23 mil a 24 mil lugares. Mas esses números ainda são sem o parecer dos bombeiros, que será decisiva.

Além de aumentar a capacidade, a retirada dos assentos representaria uma economia para o Flamengo, porque a maior parte das cadeiras quebradas estão no setor. Isso justamente porque as pessoas ficam em pé. Há uma média de 40 assentos perdidos por jogo, com um custo de R$ 500,00 cada para o clube.

Outras reformas pensadas para o estádio são a construção de um bar de esportes no setor de camarotes oeste. Isso é uma ideia apenas da concessionária. Há ainda a possibilidade de uma loja do clube no Maracanã, o que dependerá do Flamengo querer investir neste projeto.


Com Fla, Maracanã se recupera e terá 50 jogos no ano operando no azul
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Quatro anos após a final da Copa-2014, o Maracanã se recupera do caos e tem um calendário cheio de cerca de 50 jogos previstos para o ano. A operação tem ocorrido com superávit operacional em 2017 e em 2018, segundo a concessionária pertencente à Odebrecht. Isso é possível principalmente pela volta do Flamengo ao Maracanã, no ano passado em jogos grandes e agora com mais frequência.

No início de 2017, o Maracanã viveu o seu pior momento ao chegar ao estado de abandono. Uma disputa entre o Comitê Rio-2016 e a Odebrecht levou o estádio a ficar fechado enquanto se decidia judicialmente quem seria responsável pela sua recuperação. Os organizadores da Olimpíada foram responsáveis por causar danos na cobertura, deixar equipamentos jogados pelos cantos e até permitir roubos. A partir daí, a Odebrecht foi obrigada judicialmente a retomar o estádio, enquanto seu futuro era decidido.

“Temos tido superávit operacional. Houve investimento em manutenção no estádio, para fechar os buracos da cobertura, melhoria no Maracãzinho, troca de bancos de reservas. E guardamos dinheiro provisionado para trocas de telão e som no futuro”, contou o presidente da concessionária Maracanã, Mauro Darzé. “Há um déficit contábil se consideramos o valor da outorga ao governo. Mas, com isso, a conta não fecha.”

A outorga está sendo discutida em arbitagem e a Odebrecht não a está pagando ao governo do Estado – seriam R$ 7 milhões por ano. A alegação é de que o Estado descumpriu o contrato ao modificá-lo e retirar a possibilidade de exploração econômica dos espaços do Célio de Barros e do Parque Julio Delamare, ambos tombados. A previsão é de que uma decisão só saia a partir do final do ano, enquanto o governo estuda a nova licitação.

Neste meio tempo, a Odebrecht só espera a oficialização de um acordo com o Flamengo já negociado de quatro anos para ter atividade garantida no estádio até o momento que venha a ter de entregá-lo. O Conselho Deliberativo votará no dia 11 de junho.

Com o clube rubro-negro, o Maracanã tem exatos 48 jogos confirmados no calendário. “Esse número deve ultrapassar 50 se Flamengo e Fluminense se classificarem na Copa do Brasil, Libertadores e Sul-Americana”, lembrou Darzé. Houve ainda quatro grandes shows, além de eventos menores.

Com isso, a expectativa é de um aumento no público total que vai ao estádio neste ano. Em 2017, foram 1,4 milhão de pessoas, contando os tours. Permanece a questão, no entanto, do estádio ser bastante caro para a utilização dos clubes. Neste ponto, a concessionária defende que cobra para bancar a manutenção e que, com mais jogos como no acordo do Flamengo, é possível reduzir custos.

No total, o Maracanã tem um gasto em torno de R$ 20 milhões a R$ 30 milhões com manutenção, contabilizado aí dinheiro que fica em caixa para novos itens como troca futura de telão. Além disso, há o custo operacional que só de luz varia entre R$ 100 mil e R$ 150 mil. Outros custos são de empresas de segurança, grades, orientadores, bares, etc. Nos jogos do Flamengo, chegam a R$ 450 mil, nos do Flu, são mais baixos.

Garantido o contrato com o Flamengo, a concessionária reiniciará a venda de camarotes cuja renda reverte em parte para o clube. Isso porque, com a indefinição do futuro do estádio, todos os contratos antigos foram cancelados. Outros contratos de publicidade para exploração em partes da arquibancada e de bebidas também estão ou serão negociados. Clubes levam uma parte da comercialização de bebidas e comidas. Em relação aos investimentos, a intenção é trocar alguns equipamentos de som e o gramado no fundo do campo, que também foi destruído pela abertura da Olimpíada.

A questão é quanto tempo vai durar a administração da Conscessionária Maracanã. O processo de concessão foi marcado pela acusação de corrupção a membros do tribunal de contas do Estado em pagamentos feitos pela Odebrecht. Esse fato e a intenção da construtora de sair do negócio levaram o governo a anunciar nova licitação. Só que a imobilidade do governo de Luiz Fernando Pezão parou o processo. Certo é que, em termos de manutenção, o cenário melhorou, embora a indefinição ainda pese sobre o estádio.


Acordo prevê que Fla atue maioria dos seus jogos no Maracanã até 2022
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O novo acordo entre Flamengo e Odebrecht em negociação prevê que o time atue entre 20 e 25 partidas por ano no mínimo no Maracanã. Esse contrato beneficia o clube com descontos que reduzem os custos da arena, embora longe de deixarem o local barato. Os termos do acordo foram acertados nesta quarta-feira e agora dependem de aprovação do Conselho Deliberativo do clube para serem válidos.

O modelo central do acordo é que o Flamengo volte a ter como casa frequente o Maracanã até 2022. Para isso, em uma ponta, o clube garante sua presença em um número mínimo de partidas, e na outra obtém reduções nos custos operacional e de aluguel. Isso poderia implicar em uma economia de até 20%.

Para se ter ideia, na partida diante do Internacional, o Flamengo ficou apenas com R$ 187 mil da receita do jogo que totalizou R$ 1,415 milhão, com um público de 55 mil pessoas. Ou seja, o custo do estádio ficou em R$ 1,2 milhão, como no caso da partida contra o América.

Pelos termos do acordo, o Flamengo passa a negociar diretamente com fornecedores como empresa de segurança, tendo um pacote de jogos para apresentar. A expectativa é de que isso gere 30% de redução no item custo operacional, o mais caro, que consome R$ 450 mil do borderô

Além disso, o aluguel pago à Odebrecht ficaria entre R$ 120 mil e R$ 700 mil dependendo da renda. Assim, seria menor do que o patamar atual que começa em R$ 150 mil e cresce de acordo com a renda. Para isso, está previsto um acordo com a empresa Esporte.com. Essa empresa cobre parte do aluguel em troca de poder explorar propriedades de marketing como placas acima do campo e placares.

Em troca, o Flamengo se compromete a jogar entre 20 e 25 partidas por ano no Maracanã no mínimo. Não foi possível obter o número exato. Em uma temporada que costuma ter cerca de 70 jogos, o clube atuará portanto a maior parte de suas partidas em casa no estádio.

O novo contrato tem aval do governo do Estado do Rio de Janeiro. Assim, se houver uma licitação do estádio, o acordo continuaria a ser válido para o concessionário seguinte que vencesse a concorrência. Isso se o Flamengo não fizer parte do grupo que participar da licitação, ainda sem data.

Fato é: feitos todos os descontos, o Flamengo vai ter um Maracanã mais barato, mas longe de ser um estádio rentável. Em arenas mais viáveis, a renda líquida fica em torno de dois terços (66%) da arrecadação bruta, o que envolve também ingressos mais caros e renda maior. No último domingo, ficou com apenas 13% do total da renda, percentual que pode crescer.

Um outro ponto é saber como fica o aproveitamento da Ilha do Urubu, estádio na Ilha do Governador no qual o Flamengo gastou quase R$ 20 milhões em instalações provisórias. Ao “SporTV”, o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, não descartou seguir usando o estádio se forem resolvidos problemas que o travam atualmente ou levar as instalações para a Gávea, em teste para uma futura arena.

 


Governo do RJ pode ter de pagar até R$ 80 mi em ações por Copa e Olimpíada
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Uma enxurrada de ações judiciais relacionadas à Copa-2014 e à Olimpíada-2016 vai obrigar o governo do Rio de Janeiro a pagar indenizações a donos de cadeiras cativas do Maracanã. O Estado não negociou a conta com organizadores do Mundial e dos Jogos. Resultado: já perdeu processos, teve contas sequestradas e o valor total a pagar pode chegar a cerca de R$ 80 milhões.

Os donos de cativas pagaram pelos lugares na construção do Maracanã, tendo direito a ocupá-los em todos os eventos no estádio. O governo do RJ reconheceu esse direito por decreto em 2014 em relação à Copa, e não fez nenhuma regulação para a Olimpíada. Não pagou nenhuma das indenizações.

Por isso, vários donos de cativas entraram com ações pedindo indenizações com base no valor dos ingressos dos jogos realizados no estádio na Copa, Jogos Olímpicos e Paraolímpicos. O blog viu três dessas ações no juizado especial fazendário no Rio de Janeiro que tiveram sentenças em 2017. O valor estipulado tem sido padrão: em torno de R$ 17 mil por cadeira.

“É certo, ainda que, dentro do possível, deve se assegurar a integral reparabilidade dos danos sofridos pelos titulares de cadeira cativa do Maracanã, que foram privados do direito de utilização dos próprios bens, justamente, nos mais importantes eventos esportivos do mundo”, relatou uma sentença da juíza Adriana Marques dos Santos, em agosto de 2017. Os responsáveis pelas ações pediram para não terem seus nomes divulgados.

“Na Copa, houve um decreto onde foi fixado um valor de R$ 4.485. Eles reconheceram, mas não pagaram com essa situação do Rio de Janeiro. Na Olimpíada e na Paralimpíada, eles deixaram correr frouxo”, contou o advogado Bruno Barki, que defende alguns dos donos de cativas.

“Tendo uma totalidade de decisões de indenizar o dono da cativa em aproximadamente de R$ 17 mil pela não utilização da mesma, o Estado não vem pagando voluntariamente a indenização. Então, não surgiu outra alternativa a não ser fazer o sequestro das contas do Estado que foi deferido na última semana”, completou o advogado.

De fato, em ​23 de fevereiro de 2018, a juíza Maria Cristina Cardoso determinou o sequestro das contas do Estado no valor de R$ 42.765. Isso é referente a ações de dois donos de cativas, mais juros.

A questão é que são cinco mil cadeiras cativas. E, como todas ficam em lugares privilegiados do estádio, as indenizações são calculadas pela categoria A de ingressos. Por isso, o valor chega a cerca de R$ 17 mil como padrão. Se todos os donos de cativas exigirem indenizações, o valor ultrapassa R$ 80 milhões em cobranças contra o Estado. E é um montante líquido e certo pela jurisprudência, além de o governo do Rio de Janeiro reconhecer o débito.

Questionada, a Procuradoria Geral do Estado do Rio de Janeiro informou que as indenizações estão previstas em decreto em relação à Copa do Mundo e à Copa das Confederações, neste caso, alguns valores já foram pagos. E a procuradoria reconheceu que não cabem recursos às condenações.

Veja a posição abaixo na íntegra:

“A indenização pelo uso das cadeiras durante a Copa das Confederações e a Copa do Mundo foi uma decisão do Governo do Estado. No caso da Copa das Confederações, o Decreto 44.236/2013 estabeleceu valores de R$ 874,00, para as cadeiras localizadas no anel superior, e de R$ 552,00 para aquelas localizadas no anel inferior do Maracanã. No caso da Copa do Mundo, o Decreto 44.746/2014 estabeleceu as seguintes indenizações: para a fase de grupos, com quatro jogos, R$ 350,00 para cada jogo; nas oitavas de final, com um jogo, R$ 440,00; nas quartas de final, com um jogo, R$ 660,00; e na final, R$ 1.980,00, totalizando R$ 4.480,00. Não houve decreto para as Olimpíadas, mas as indenizações estão sendo atribuídas pela Justiça com base no preço dos ingressos onde estavam localizadas as cadeiras. Sobre as condenações, não cabe recurso.​”

Nenhum órgão do governo do Rio consultado pelo blog explicou porque não foi cobrado dos organizadores do Mundial e da Olimpíada que pagassem os donos das cativas. Fifa e o COI lucraram com a venda de ingressos e não pagaram aluguel pelo uso do Maracanã nem ao Estado, nem à concessionária do estádio. Ganharam dinheiro e deixaram a conta para o governo.


Sul-Americana é turbinada por premiações, TV aberta e promoção
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Em sua campanha para ter suas competições fortes, a Conmebol tem turbinado a Copa Sul-Americana, seja em premiações, promoção e por uma natural exposição de televisão. É o que se percebe pelos dados da campeonato que será encerrado nesta quarta-feira com a final entre Independiente e Flamengo, no Maracanã.

A importância para a Conmebol de se promover a Sul-Americana é porque esta tem os seus direitos vendidos juntamente com a Libertadores para as televisões. Haverá uma concorrência feita pela IMG no início do próximo ano. A empresa fechou a acordo pelos direitos da confederação por US$ 1,4 bilhão (cerca de R$ 4,6 bilhões) por quatro anos e agora vai comercializa-los.

O campeão entre Flamengo e Independente levará US$ 2 milhões (cerca de R$ 6,6 milhões) , dois terços do prêmio dado ao Grêmio pelo título da Libertadores, Grêmio. Em comparação, a Uefa paga € 6,5 milhões (cerca de R$ 25,2 milhões) ao campeão da Liga Europa, e o vencedor da Liga dos Campeões fica com € 15,5 milhões (cerca de R$ 60,2 milhões) , mais do que dobro.

Haverá aumentos de premiação da Libertadores e da Sul-Americana para 2018, sem valor definido para esta segunda. A Conmebol ainda depende de aprovações para definir os montantes. Mas, no caso da Sul-Americana, há ainda cotas por participações na Recopa, que podem elevar os ganhos totais a mais de R$ 20 milhões.

Para além do dinheiro, a Sul-Americana teve uma exposição inédita em TV aberta no Brasil neste ano, o que aumenta seu potencial da comercialização. A Globo exibirá hoje com a final um total oito jogos do Flamengo em TV aberta, e já transmitiu outros quatro do Corinthians, no maior mercado que é o brasileiro. Isso não foi feito em 2016 porque a Chapecoense, que avançou no torneio, não tinha alcance nacional na época.

Para completar, a Conmebol tem promovido a competição de forma parecida com a Libertadores. Usará o árbitro de vídeo, cerimoniais de preparação antes do jogo, houve uma solicitação grande de ingressos de cortesia pela Conmebol, entre outros itens. Obviamente, esse tipo de evento não ocorreu em 2016 com a tragédia do voo da Chapecoense, que foi designada campeã pela confederação sul-americana.

A final terá um Maracanã cheio com a previsão de uma renda um pouco menor do que a primeira decisão da Copa do Brasil, entre Flamengo e Cruzeiro, que gerou R$ 7 milhões. Foram vendidos menos ingressos de visitantes para o Indenpendiente em relação ao time mineiro.

Há potencial para a Conmebol ganhar mais dinheiro com a Sul-Americana já que neste ano só foi vendida, por exemplo, uma placa de publicidade. Além disso, há a já mencionada venda dos direitos de televisão, que se tornam mais atrativas com audiências altas.


Justiça rejeita pedido do Fla de reduzir custo do Maracanã e igualar Flu
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O Flamengo entrou na Justiça para tentar jogar no Maracanã em 2018 com o mesmo custo do Fluminense, mas só conseguiu que não houvesse nova majoração de taxa. A briga é com a Odebrecht que faz a gestão do estádio. O clube rubro-negro quer pelo menos garantir um estádio de grande porte para jogos do próximo ano.

Atualmente, o Flamengo joga com aluguel mínimo de R$ 400 mil no Maracanã, ou 20% quando a renda for mais alta. Isso torna parte dos jogos do clube deficitários como ocorreu no clássico diante do Vasco. Nesta partida, a CBF e o governo do Estado obrigaram o Rubro-negro a atuar no estádio por questões de segurança.

Foi justamente em meio a esse imbróglio, em 18 de outubro, que o Flamengo entrou com um pedido de liminar contra a Concessionária Maracanã. Reivindicava que o clube tivesse as mesmas condições financeiras do Fluminense, com custos totais por jogo de no máximo R$ 250 mil – R$ 100 mil fixos e outros R$ 150 mil adicionais. Ao mesmo tempo, pedia garantia de poder realizar jogos no estádio em 2018, sem ser impedido pela Odebrecht.

No dia 19 de outubro, a juíza Milena Angelica Diz concedeu apenas em parte o pedido do Flamengo. Ou seja, deu a garantia de que o time possa jogar no Maracanã em 2018 com as mesmas condições de hoje, mas rejeitou redução das taxas.

“Doravante, o Flamengo assinou, esponte própria, o acordo financeiro que vige até o final de dezembro e, muito embora alegue que os valores ali estabelecidos são exorbitantes, aceitou pagá-los, de modo que não se verifica, em sede de cognição sumária, parâmetros para a redução do valor, ainda que o argumento utilizado seja a fixação de valor inferior para o Fluminense por meio de ou decisão judicial de segundo grau”, diz a decisão da juíza.

Lembre-se que o Fluminense tinha um contrato com a Odebrecht em que, inicialmente, nem pagava despesas do estádio, enquanto o Flamengo dividia custos com a empresa.

Em seguida, a magistrada Milena Diz afirmou que entendia “razoável” o pleito do clube de ter direito a jogar no estádio sem novos reajustes em 2018.

O blog apurou que o principal objetivo da diretoria do Flamengo era ter uma garantia de poder usar o estádio e, se possível, abaixar as cotas. Assim, seria uma alternativa cara, mas viável para partidas importantes como as da Libertadores. Mas o clube não descarta procurar outras opções por conta das altas taxas.

A primeira decisão foi apenas em liminar e o mérito final ainda não foi julgado. Haverá uma audiência de conciliação entre as partes em dezembro. A Odebrecht negocia sua saída do Maracanã com o governo do Estado, mas isso só deve ocorrer a partir do meio de 2018. Ou seja, até lá o clube tem que negociar com a construtora.

Nem Flamengo, nem Odebrecht responderam se vão recorrer da primeira decisão liminar.


Acordo entre Rio e Odebrecht prevê zerar dívidas por Maracanã
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O acordo entre o Governo do Rio e a Odebrecht para distrato do contrato do Maracanã prevê que sejam zeradas as pendências financeiras entre as partes. Existem ações do dois lados com cobranças das quais haveria desistência. Assim, um novo concessionário pegaria o estádio sem pendências. A previsão é de que seja assinado um distrato em breve.

A negociação está avançada e já tem seus principais termos acertados. Há um entrave: a Odebrecht quer um prazo final para sua saída do estádio depois da qual o governo do Rio teria de assumir se não houver novo concessionário. Isso ainda não foi acertado.

Pelo que já foi acordado, a Odebrecht vai desistir da cobrança em arbitragem de seus prejuízos pela modificação nos termos da concessão do Maracanã. Foi anulada a possibilidade de derrubar o Parque Julio Delamare e o Estádio Célio de Barros para utilização comercial, o que prejudicou planos comerciais. Por isso, a construtora cobrava do estado R$ 200 milhões pelos rombos nas contas do Maracanã.

No caso do Estado, se abrirá mão de processo judicial em que era cobrada a outorga não paga pela construtora, como previsto em edital de licitação. Havia previsão de pagamento de R$ 5,5 milhões anuais ao Estado. Além isso, havia cobrança de multa por descumprimentos de termos do contrato.

Com as contas zeradas, falta determinar a data de saída. A Odebrecht prevê que saia até o meio de 2018 do Maracanã. Esse seria o prazo para o governo do Estado botar uma licitação na praça e concluí-la, entregando o estádio a um novo concessionário. A questão é que a construtora teme que o governo demore já que pedira por uma concorrência em junho de 2017, sem sucesso.

Do lado do Estado, há expectativa de concluir o processo em novembro, inclusive com o lançamento da licitação. Ao “Globo”, o governador do Rio, Luiz Fernando Pezão, prometeu a concorrência no próximo mês.

Um dos maiores interessados no estádio, o Flamengo acompanha o processo com desconfiança por conta dos seguidos adiamentos pelo governo. Por isso, o clube continua com seu projeto de estádio próprio na Av. Brasil, onde acertou um pré-contrato para compra de terreno. Até o final do ano, tomará uma decisão. Outro interessado é o Fluminense que entende que os custos são altos e por isso não quer a gestão solo.


Rio já dá calote de R$ 90 mi no BNDES por Maracanã e é coberto por União
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O Estado do Rio já deixou de pagar 17 parcelas do empréstimos ao BNDES para a construção do Maracanã. O valor soma em torno de R$ 90 milhões e tem sido coberto pela União. Desde de setembro, o Estado entrou no programa de recuperação fiscal e ganhou uma isenção para pagar por mais 36 meses.

Palco da final da Copa-2014, o Maracanã teve um custo de obras de R$ 1,2 bilhão para atender requisitos impostos pela Fifa. O Tribunal de Contas do Estado apontou superfaturamento em torno de R$ 200 milhões por parte do consórcio composto por Odebrecht e Andrade Gutierrez, cujos executivos admitiram ter pago propina ao ex-governador Sergio Cabral. Do total do valor, R$ 400 milhões foram obtidos em financiamento ao BNDES. A então presidente Dilma Rousseff dizia que não havia dinheiro federal nas arenas.

Pois bem, outros 10 estádios receberam empréstimos do banco público. Mas, com a crise econômica no Estado, o Rio de Janeiro deixou de pagar as parcelas a partir de maio de 2016. Questionado por meio da Lei de Acesso à informação, o BNDES informou que o governo do Rio não voltou a quitar parcelas desde então.

“As prestações estão sendo pagas pela União, na qualidade de fiador da operação, desde maio de 2016, mês em que o Estado do Rio de Janeiro parou de pagar. O saldo devedor do financiamento, em setembro de 2017, é de R$ 309.547,30 mil (R$ 309,5 milhões)”, explicou o banco.

Já a secretaria de Fazenda do Rio de Janeiro informou que o Estado foi incluído no Regime de Recuperação Fiscal (RRF) em 5 de setembro. E, assim, ganhou um tempo para permanecer inadimplente. “Em consonância à regulamentação federal ao Regime, no plano apresentado pelo Estado, foi informada a previsão de não pagamento, durante 36 meses, dos contratos com instituições financieras que possuem garantida da União, caso do contrato do BNDES, com retorno de pagamento após este prazo”, contou a secretaria.

Com isso, o Estado do Rio passará um total de 53 meses sem quitar parcelas do empréstimo do BNDES. Cada parcela mensal girava em torno de R$ 5,5 milhões em maio de 2016. A secretaria da Fazenda do Estado informou que há uma vencida em 15 de setembro e ainda não paga: seu valor R$ 4,8 milhões.

Nenhum dos dois órgãos informou o valor exato da dívida do Rio de Janeiro que não foi paga com o BNDES. Mas, com a média mensal entre R$ 4,8 milhões e R$ 5,5 milhões, o valor gira entre R$ 85 milhões e R$ 93 milhões. Se consideramos os 53 meses, esse valor subirá além dos R$ 250 milhões em calotes ao final do período de carência.

A secretaria de Fazenda do Rio informou que até setembro a dívida vinha sendo reajustada pela taxa Selic, e agora tem uma taxa própria do contrato assinado entre o Rio de Janeiro e a União. Aliado do atual governador Luiz Fernando Pezão, o ex-governador Sergio Cabral, condenado por corrupção, foi o principal protagonista na reforma do Maracanã ao aceitar todas as condições impostas pela Fifa.


Maracanã ‘menor’ e só para sócio reduz renda de final do Fla
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Para a final da Copa do Brasil de 2017, diante do Cruzeiro, a diretoria do Flamengo vendeu menos ingressos e a preços menores só para sócio em relação à decisão do título de 2013. Com isso, deve ter uma renda menor do que naquela decisão. Há explicações para as mudanças: restrições de lugares no estádio, crise econômica do Rio de Janeiro, ser o primeiro jogo da decisão e o incentivo a associação.

Em 2013, diante do Atlético-PR, o Flamengo conseguiu uma renda total de R$ 9,7 milhões. Havia naquele jogo sócios-torcedores e sem associação. Nesta partida diante do Cruzeiro, só haverá membros do programa sócio-torcedor do clube já que os ingressos estão praticamente egotados.

A carga total será de 67.931 com um número de pagantes de 54.102 previstos. Na última final da Copa do Brasil no Maracanã, a carga total chegou a 71.101 com a utilização efetiva de 68.857. Excluídas as gratuidades, os pagantes foram 57.991. Ou seja, uma diferença de quase 4 mil ingressos vendidos.

Além disso, houve uma redução dos preços dos ingressos para sócios que compraram todos os bilhetes. Em relação aos não associados, os valores se mantiveram estáveis. Naquela final de 2013, o preço médio era R$ 141,00. Ainda será preciso fechar a conta dessa decisão para fazer uma comparação.

Naquela final diante do Atlético-PR, os sócios pagaram R$ 150,00 na Norte. Agora, o preço ficou entre R$ 80,00 e R$ 115,00 dependendo do plano. Na Sul, o valor foi de R$ 150,00 em 2013, e ficou entre R$ 100,00 e R$ 145,00 para esta decisão. E isso se repete nos setores Leste (inferior e superior), Oeste e Maracanã Mais.

Mas é preciso ressaltar que antes os sócios podiam acumular os descontos com meia-entrada de estudante, e agora isso não poderá ocorrer. Em 2013, 13 mil sócios pagaram apenas R$ 75,00 na Norte por conta do desconto acumulado. Além disso, ao reduzir os valores dos ingressos para sócios, a diretoria do Flamengo levou em conta a crise econômica do país e o fato de ser a primeira partida, e a não a decisiva.

E principalmente há uma política da diretoria do Flamengo de incentivar o programa de sócio-torcedor, e uma final como a Copa do Brasil é um momento propício para isso. Portanto, para os sócios, são estabelecidos preços mais baixos. Houve adesão em massa às vésperas da final da competição.

Obviamente, se o clube perde em bilheteria, ganha bastante com as mensalidades do programa de sócio. O orçamento prevê R$ 38,6 milhões de arrecadação com sócio-torcedor em 2017, R$ 11 milhões a mais do que 2016. Ou seja, compensa perdas de bilheteria se cumprir esse número.


Após economia na operação, Fla fica com 37% da renda da semi do Maracanã
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Em sua volta ao Maracanã, o Flamengo conseguiu ficar com de 37% da renda da semifinal da Copa do Brasil, um percentual superior a outras partidas no ano no local. Houve uma redução do custo de operação do estádio, mas o aluguel da Odebrecht continua alto. A diretoria só aceitou retornar por ser um jogo de grande público.

Diante do Botafogo, a renda total foi de R$ 2,955 milhões para um público de 53 mil pessoas. Desse total, sobraram R$ 1,101 milhões de receita líquida. Isso antes da penhora judicial a que está submetida a bilheteria do clube que abocanhou mais R$ 165 mil.

No caso da semifinal com o Botafogo, a Odebrecht cobrou R$ 611 mil de aluguel. São 20% da renda bruta tirando as cortesias, mais R$ 150 mil com contas de consumo, como água e luz. Isso representa as mesmas condições anteriores. O clube rubro-negro conseguiu reduzir o custo da operação: gastou R$ 366 mil.

Há ainda descontos da Ferj (Federação de Futebol do Rio de Janeiro), entre outros.

Em comparação, na Libertadores, o Flamengo ficou com cerca de R$ 2,9 milhões líquidos de uma renda de R$ 10,3 milhões por três partidas. Ou seja, menos de 30% do total (antes das penhoras). No jogo de estreia, ficou com só 17% do total por bancar a recuperação do estádio.

O jogo diante do Atlético-MG não serve de referência porque não teve cobrança de aluguel em uma ação social com a prefeitura do Rio. Também houve diferenças na operação. Ainda assim, o clube ficou com menos de 25% da renda.

O normal em uma operação deu estádio sem excessos é sobrar de renda líquida em torno de dois terços para o Maracanã. Mas o Maracanã é uma arena extremamente cara, e a Odebrecht tenta bancar o prejuízo da sua manutenção com essas partidas. Por isso, o Flamengo foge do estádio para a Ilha do Urubu, com exceção de grandes jogos como essa semi. A final também deve ser realizada no Maracanã.