Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Marco Polo Del Nero

Aposta na CBF é que banimento acabará aos poucos com poder de Del Nero
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Mesmo afastado provisoriamente do futebol pela Fifa, Marco Polo Del Nero articulou e garantiu a eleição de seu pupilo Rogério Caboclo para presidência da CBF. Anunciado nesta sexta-feira, o banimento definitivo do cartola pela federação internacional, no entanto, deve acabar aos poucos com a influência do dirigente sobre o futebol brasileiro. Será como uma morte lenta. Essa é a aposta entre dirigentes da confederação.

Del Nero estava afastado provisoriamente desde dezembro pelo Comitê de Ética da Fifa após acusações contra ele aparecerem na Justiça dos EUA. Delatores o apontaram como receptor de propinas por contratos da Copa América, da Copa do Brasil e da Libertadores. Ele nega.

Só que, neste meio tempo, o dirigente continuou conversando com presidentes de federações e dirigentes da CBF, garantindo que seria absolvido. Tanto que ele ligou para diversos dos cartolas para garantir apoio a Caboclo.

Com o banimento da Fifa, Del Nero perde qualquer possibilidade de ter a caneta de volta às mãos. Seus advogados reconhecem que dificilmente ele será vitorioso em recursos dentro da Fifa e o julgamento no CAS pode demorar anos. Assim, a possibilidade de ameaça futura em uma eventual volta se esvai e fica mais fácil ignora-lo, na visão de cartolas da confederação.

A análise é que internamente, em um primeiro momento, o diretor executivo e futuro presidente Rogério Caboclo continuará a escutar as opiniões de Del Nero para tomar decisões. Mas, com o passar do tempo, a aposta entre dirigentes é que seja fatal sua perda de influência. Afinal, não haverá motivo para ser fiel eternamente a um dirigente banido. Algo similar ocorreu com Ricardo Teixeira que continuou com influência no início, e depois perdeu espaço.

Dirigentes da CBF entendem que, apesar de dura, a Fifa pelo menos deu tempo para Del Nero preparar sua saída ao prolongar o tempo do processo até a punição definitiva. Com 135 dias de afastamento provisório, ele teve tempo de articular a eleição de um sucessor.

Sob o ponto de vista da Justiça, a punição de Del Nero não tem impacto imediato. Ele continua como indiciado na Justiça dos EUA, mas até agora as investigações no Brasil não saíram da fase de inquérito. Um deles foi arquivado pelo Ministério Público Federal de São Paulo, segundo seu advogado José Roberto Batochio.

Por meio de nota, os advogados de Del Nero na esfera esportiva afirmaram que recebiam a decisão com indignação. “Importante ressaltar que a investigação conduzida pelo Comitê não foi capaz de produzir qualquer prova referente ao suposto envolvimento em esquemas de corrupção”, afirmou a Bichara e Motta Advogados por meio de nota.


Inquérito contra Del Nero e Teixeira trava no STF por foro privilegiado
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O inquérito que investiga Marco Polo Del Nero e Ricardo Teixeira (presidente afastado e ex-presidente da CBF) está parado há oito meses no Supremo Tribunal Federal por discussão relacionada ao foro privilegiado. O objetivo da investigação é apurar crimes apontados na CPI do Futebol e no caso Fifa nos Estados Unidos. Como um dos investigados, Marcus Antônio Vicente, é deputado federal, o caso foi para o Supremo.

O início do inquérito foi na Justiça Federal do Rio, em junho de 2017, cerca de seis meses após a conclusão da CPI do Futebol. Naquele momento, já existia um inquérito na Polícia Federal desde 2015 quando estourou o caso Fifa, em que o Departamento de Justiça dos EUA acusou três presidentes da CBF, Del Nero, Teixeira e José Maria Marin de receber propinas por contrato.

Neste meio tempo, Marin foi julgado, condenado e preso nos EUA, Del Nero afastado pela Fifa e Teixeira vive sem viajar. Mas, no Brasil, as investigações em torno deles estão emperradas. São nove investigados no inquérito por uma série de crimes econômicos, financeiros e eleitorais: os três presidentes da CBF, Kléber Leite, Carlos Eugênio Lopes, Gustavo Feijó, José Hawilla, Antônio Osorio e Marcus Vicente.

Logo após a instauração do inquérito, a juíza da primeira instância o mandou para o STF por conta da inclusão de Marcus Vicente. Caberia ao STF definir se desmembraria o processo como fez em casos da Lava-Jato mantendo só a parte do deputado federal no Supremo.

Em agosto de 2017, o inquérito é distribuído para o ministro Celso de Mello. Um mês depois, ele faz um despacho para a Procuradoria Geral da República para esta definir se deve haver desmembramento do procedimento.

Em novembro, a PGR termina o seu parecer e o envia para o STF. Houve apenas uma petição neste meio tempo. Assim, desde 17 de novembro, o inquérito está no Supremo sem que seja tomada uma decisão sobre seu desmembramento. No total, já está há oito meses no tribunal.

Os crimes pelos quais os dirigentes são investigados são amplos: incluem crime contra o sistema financeiro, ocultação de bens ou crimes de lavagem, contra a ordem tributária, crime eleitoral e estelionato. Todos, obviamente, têm prescrição.

Del Nero tem como advogado José Mauro do Couto, que costumava advogar durante anos para Ricardo Teixeira e era contratado da CBF. A maioria dos investigados nem indicou advogados já que o inquérito está parado.

O blog tentou ouvir a Procuradoria Geral da República e o Supremo Tribunal Federal, mas ambos não estavam funcionando porque declararam ponto facultativo nesta quarta-feira por anteciparem o feriado de sexta-feira da Paixão.


Por manter Del Nero, Brasil é um dos lanternas em investimento da Fifa
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Sob a administração de Marco Polo Del Nero, a CBF se tornou uma das federações nacionais lanternas em repasses recebidos da Fifa para projetos de desenvolvimento do futebol, deixando de receber R$ 7,5 milhões que seriam destinados ao país. Na América do Sul, só supera a Venezuela em dinheiro dado pela entidade mundial. A Fifa interrompeu o envio de recursos ao Brasil porque o dirigente máximo do país está envolvido em acusações de corrupção, e atualmente suspenso de forma provisória até seu julgamento.

O chamado “caso Fifa” estourou em 2015 com a prisão de José Maria Marin, antecessor e aliado de Del Nero na CBF. No final do ano, o Departamento de Justiça dos EUA informou que Del Nero também era acusado de receber propinas em contratos da CBF e da Conmebol. A partir daí, o Comitê de Ética da Fifa abriu procedimento contra o presidente da confederação que renunciou ao cargo no Comitê Executivo da entidade.

Outra medida da Fifa foi bloquear recursos para CBF seja do programa de legado da Copa (US$ 100 milhões), seja do programa de Fundos de Avanço para o Futebol. Um relatório financeiro da Fifa divulgado nos últimos dias mostrou quais federações nacionais foram beneficiadas com esse programa. E o Brasil está entre os lanternas.

Pelo documento, a CBF recebeu US$ 200 mil (R$ 658 mil) de fundos nos anos de 2016 e 2017, 8% do previsto no total que era de US$ 2,5 milhões (R$ 8,3 milhões). Ou seja, o Brasil perdeu cerca de R$ 7,5 milhões em investimentos em projetos de futebol só para manter Del Nero na cadeira de presidente. Em seu documento, a Fifa explica: “Aquelas associações membros sob sanção ou suspensão não são elegíveis para receber fundos do programa de avanço.”

Na América do Sul, apenas a Venezuela, país que atravessa crise econômica e institucional, ficou atrás. O país recebeu 4% da renda prevista, em um total de US$ 100 mil. No continente, a média é de que os países tenham recebido 52% da verba prevista. Até federações nacionais que atravessaram crise política como a AFA (Associação de Futebol Argentina) conseguiram receber repasses de US$ 1 milhão no período.

Comparada com o mundo, a CBF também está entre os lanternas. Em média, a Fifa distribuiu 51% dos investimentos previstos em um total de US$ 297 milhões nesses dois anos. Ficaram atrás do Brasil por conta de problemas de organização ou suspensão os seguintes países: Sudão do Sul, Sudão, Nigéria, Líbia, Iêmen, Síria, Arábia Saudita, Paquistão, Kuait, Coreia do Norte e Guatemala. Algumas dessas nações passavam por conflitos sérios que impediam o desenvolvimento de programas esportivos. No caso do Brasil, a questão foi manter um presidente acusado de corrupção.

Em sua campanha pela chapa única, o diretor-executivo da CBF, Rogério Caboclo, prometeu a federações estaduais que o Brasil voltaria a receber recursos da Fifa, pois sua eleição facilitaria principalmente a liberação do dinheiro do legado. Teoricamente, esses recursos serão destinados a Estados que não receberam a Copa do Mundo, sendo usados na construção de centros de treinamento para desenvolvimento do futebol.

O blog não encontrou em nenhuma parte do orçamento da Fifa para 2019-2022 a previsão desse investimento de forma clara. Foi uma promessa do ex-presidente da Fifa Joseph Blatter durante a Copa-2014. Mas, com o congelamento do dinheiro pelo caso Del Nero, só um centro de treinamento foi feito no Pará.

Atualmente, a Fifa tenta se recuperar de problemas financeiros causados pelo escândalo de corrupção. Ainda fechou com déficit de US$ 189 milhões no ano de 2017, o terceiro seguido no vermelho. Só que, como 2018 é ano de Copa do Mundo e o de maior ganho para a entidade, a previsão é de que encerre o ciclo de quatro anos com superavit de US$ 100 milhões. A vantagem da Fifa é que tem reservas em torno de US$ 1 bilhão, o que amenizou a fase difícil.

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CBF tem três presidentes afastados por corrupção em 7 anos e não muda nada
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Em um período de apenas sete anos, a CBF teve seus três últimos presidentes afastados do futebol por corrupção. Apesar disso, pouco mudou. O processo eleitoral da entidade ocorreu com a mesma falta de transparências e regras antidemocráticas que levaram a sua credibilidade para a lama.

O futuro presidente da CBF (salvo um acidente de percurso) foi escolhido em reuniões com dirigentes de federações em uma sala de hotel do Rio de Janeiro, sem presença de nenhum clube, sem escrutínio público, em uma articulação feita por um dirigente que provavelmente será banido de toda atividade do futebol.

Sim, Rogério Caboclo (diretor executivo da entidade) foi uma escolha pessoal de Marco Polo Del Nero. Como se sabe, Del Nero não pode nem viajar sob o risco de ser preso pelas acusações de que levava propina em contratos… da CBF e da Conmebol. Foi suspenso provisoriamente pela Fifa e pode ser banido na próxima semana.

O escândalo que o tirou da CBF já tinha levado à prisão o então vice-presidente da confederação José Maria Marin, mais um acusado de receber propinas por contratos. Era também antecessor e amigo fiel de Del Nero. A ponto de sua chapa para presidente ser chamada de “Continuidade Administrativa”. Também venceu com candidatura única.

Antes de Marin, reinou por mais de vintes anos no futebol brasileiro Ricardo Teixeira. O ex-presidente da CBF, sumido em algum canto milionário do Rio de Janeiro, era o imperador da chapa única, método com o qual se elegia de quatro em quatro anos. Sua saída em 2012 se deu por outro escândalo de corrupção: recebimento de propinas em contratos da Fifa/ISL. Iria ser banido e renunciou.

Neste meio tempo, não houve nenhuma regra para tornar a entidade mais democrática. Pelo contrário. Manteve-se a cláusula de barreira que exige um mínimo de oito assinaturas para inscrição de candidatura, o que deixa o processo nas mãos das federações. Os clubes se tornaram coadjuvantes com votos de peso inferior às federações, além da impossibilidade de apresentar candidatos.

Ressalte-se que a falta de participação dos clubes na política da CBF é também culpada por esse status quo. Não houve nenhum movimento efetivo deles por mudanças, fora alguns discursos e iniciativas isolados.

A falta de democracia na confederação é tão clara que Caboclo sequer apresentou propostas aos seus eleitores. Foi escolhido pelo rei anterior, como o outro rei anterior elegera o seguinte. Não se sabe se o FBI voltará a investigar negócios do futebol brasileiro, e se terá novo impacto sobre dirigentes da CBF. Certo é que não terá efeito nenhum na estrutura do futebol brasileiro.


Para fechar chapa única, CBF prometeu agrado e investimento a federações
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Nas negociações da chapa única, a diretoria da CBF prometeu um agrado extra e investimento em estrutura para presidentes de federações estaduais. A tática deu certo e a situação da confederação reuniu 25 assinaturas de federações pela candidatura de Rogério Caboclo à presidência, barrando qualquer chance de oposição. Ele é escolhido do presidente Marco Polo Del Nero, afastado pela Fifa por corrupção.

Ciente de que deve ser afastado em definitivo pela Fifa, Del Nero articulou com as federações pela chapa de seu aliado. Na quinta-feira e na sexta-feira, Caboclo conversou com as federações em reuniões separadas para pedir os apoios.

Nas conversas, um dos pontos levantados pelo diretor-executivo da CBF foi a promessa de facilitar a liberação do dinheiro do legado da Copa pela Fifa. O valor a ser investido é de US$ 100 milhões. Inicialmente, a Fifa travou os recursos, mas depois fez um acordo com a CBF para fiscalização e liberação desses. A saída de Del Nero deve agilizar o processo.

Caboclo sinalizou que esse dinheiro vai sair para os Estados que não receberam Copa do Mundo, como já havia sido combinado. O valor será usado em projetos de centros de treinamento. Até agora só foi feito um no Pará.

Informalmente, outro agrado sinalizado foi em relação à viagem dos presidentes de federações para a Rússia. O pacote da CBF é para incluir os dirigentes das 27 entidades com passagens e estadias em jogos da primeira fase. Esse voo da alegria foi prometido por Del Nero em dezembro quando ele foi suspenso pela Fifa.

A princípio, não haveria direito a acompanhantes. Mas funcionários da CBF informaram que as passagens para os cartolas serão de executiva ou primeira classe. Assim, se eles quiserem, poderão quebrar as passagens para usar o valor para levar sua esposa. A confederação não aumentaria seu gasto, nesta versão.

Politicamente, a CBF ainda tem oito vagas de vices-presidentes, contra cinco no passado, para atender dirigentes de federações. O blog não conseguiu apurar se já há definição sobre quem formará a chapa.

Em sua argumentação para defender a candidatura, Caboclo deixou claro que pretende fazer uma gestão de continuidade e exaltou medidas tomadas por ele durante a presidência de Del Nero. Entre os pontos destacados, estão o aumento de receita da CBF com novos contratos de televisão da Copa do Brasil e da seleção, e o investimento feito em competições como as Séries B, C e D.

O contrato de televisão da Copa do Brasil aumentou porque estava bastante defasado em relação ao Brasileiro. A CBF ganha dinheiro com a Copa do Brasil e com a Série B. Portanto, o dinheiro investido em séries inferiores, na prática, é retirado em sua maior parte das outras competições.

Segundo relatos de federações, não houve nenhuma explicação detalhada de uma plataforma de propostas para o futebol brasileiro feitas por Caboclo.

Alijados da formação de chapa, os clubes foram procurados só na noite de quinta-feira com o cenário já definido. Há alguns times que ficaram irritados e têm conversado sobre se reunir em um fórum para discutir a situação da eleição da CBF. O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, tem sido bastante ativo com uma proposta de encontro em São Paulo. Mas não há definição ainda sobre isso.


Diretoria da CBF liga para pedir apoio a clubes após garantir chapa única
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A situação da CBF passou a fazer contato para pedir apoio dos clubes na eleição para presidente após garantir que haveria uma chapa única com Rogério Caboclo à frente. Antes, houve articulação com federações para garantir apoio para bloquear a oposição. A reação dos clubes tem sido uma mistura de surpresa, aceitação e irritação, dependendo do time.

O presidente afastado da CBF Marco Polo Del Nero decidiu apressar a eleição na CBF porque temia perder o controle da entidade caso seja punido em definitivo pela Fifa. O Comitê de Ética da Fifa suspendeu o Nero pelas acusações de corrupção na Justiça dos EUA. Pois bem, a suspensão provisória acaba no dia 15 de março, na próxima semana. Até lá ele teria um julgamento definitivo ou uma prorrogação da pena.

Como Del Nero considerava a punição provável, decidiu abrir mão de esperar e chamou federações para assinarem a chapa de Caboclo. No final da tarde de quinta-feira, já tinha obtido as 20 assinaturas necessárias para vetar oposição. A perspectiva da situação da CBF é ficar com 25 federações, sendo resistentes São Paulo e Rio de Janeiro. Minas Gerais demorou para assinar o apoio, mas referendou a chapa em seguida.

Ainda há articulação para tentar atrair esses Estados, e até perspectiva de tentar compor com Reinaldo Carneiro Bastos, que lançou-se na oposição.

Com a eleição garantida, o diretor-executivo da CBF Rogério Caboclo passou a ligar para os clubes. Ouviu de alguns deles irritação por terem sido alijados do processo. De outros, houve aceitação e promessa de apoio.

Durante o dia, o blog conversou com alguns dirigentes de clubes. A maioria desconhecia a articulação, tendo sido mantida fora do processo. O único que publicamente reclamou foi o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez. Mas há outros que ficaram contrariados.

A justificativa da cúpula da CBF para deixar os times de fora da discussão da chapa foi a hierarquia. Entendem que as federações estão acima na confederação. Na realidade, a prioridade de Del Nero e seus aliados era resolver a eleição primeiro.

Por isso, foi feita a articulação em hotel na Barra da Tijuca para juntar assinaturas em um processo que foi chamado pela situação de rolo compressor. Só aí que foram contatos os clubes. Nem precisam dos clubes pelo estatuto já que, juntos, os clubes das Séries A e B somam menos votos do que as federações.

Mas novo presidente Rogério Caboclo sabe que tem que manter um clima mais ameno com os times porque tem cinco anos na prática pela frente de mandato. A eleição será em abril de 2018 e sua gestão só começará em um ano. Mas, como coronel Nunes é o presidente interino, vai continuar mandando na CBF sob as ordens de Del Nero.

Um dos aliados do presidente da CBF afastado classificou sua atitude como desprendimento em relação ao cargo.

 

 


Ameaçado, Del Nero manobra por chapa única de aliado na CBF e exclui clubes
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Próximo da data-limite de sua punição na Fifa, o presidente afastado da CBF, Marco Polo Del Nero, articula para montar uma chapa única na sucessão de comando da entidade e excluir os clubes da discussão. Foram convocadas reuniões de federações estaduais para esta quinta-feira e sexta-feira, quando podem ser recolhidas assinaturas de apoio. O escolhido de Del Nero é Rogério Caboclo (diretor da CBF), o que deve deixar na oposição Reinaldo Carneiro Bastos, da federação paulista.

Del Nero foi suspenso pelo Comitê de Ética da Fifa em 15 de dezembro de 2017 diante das acusações de que levou propina em contratos da CBF e da Conmebol – ele é indiciado na Justiça dos EUA. Sua pena provisória vale até dia 15 de março. Depois disso, ou haverá prorrogação ou julgamento definitivo que poderá banir o dirigente do futebol.

Como a volta de Del Nero é improvável, ele chamou as federações para discutir a chapa única, até porque a eleição para presidente tem de ser convocada a partir de abril de 2018. Seu preferido é Rogério Caboclo, que lhe é leal e manteria a CBF em seu controle.

Há previsão de reuniões na casa de Del Nero no Rio de Janeiro, além de encontros na CBF. O presidente da entidade está proibido de entrar na seda da entidade pela suspensão da Fifa.

A ideia é levar a proposta do nome para as federações e conseguir apoio. Se houver um bom clima, os aliados de Del Nero pensam em já pedir as assinaturas das federações para a chapa. Caso consigam 20 assinaturas, inviabilizam qualquer outro concorrente, pois a inscrição de um candidato depende do apoio de oito entidades regionais. Foi assim que Del Nero ganhou todas suas eleições na federação paulista, por exemplo.

Neste cenário, o presidente afastado da CBF nem precisaria discutir com os clubes. Até esta quinta-feira, dirigentes de times ouvidos pelo blog nem tinham conhecimento da articulação.

A chave para fechar a fórmula de Del Nero é Reinaldo Carneiro Bastos, que até esta quinta-feira descartava apoiar a chapa. Com apoio entre clubes e algumas federações, ele poderia ter força para juntar oito federações para se inscrever na oposição. Há insatisfação entre algumas federações em relação a Caboclo. Caso se rebelasse, poderia se viabilizar como candidato. Na diretoria da CBF, no entanto, não acredita-se em um racha. Carneiro, por outro lado, se mostrou insatisfeito com a movimentação em contato com interlocutores ouvidos pela reportagem.

Certo é que o cenário eleitoral deve se definir nesses próximos dias antes da decisão da Fifa sobre Del Nero. E os clubes não vão participar. “Espero que [a reunião] seja mentira. Golpe baixo nos clubes que têm de participar de qualquer reunião na CBF. Precisa chamar os clubes para fazer nome de comum acordo, e não por baixo do tapete. A CBF tem seus defeitos e virtudes, mas não pode fazer isso com os clubes”, disse Andrés Sanchez, presidente do Corinthians.

Com Danilo Lavieri, Dassler Marques, Diego Salgado, Jeremias Werneck, Marinho Saldanha, Napoleão de Almeida e Pedro Lopes


Chefe da CBF gera mal estar com cartolas ao pedir transparência a clubes
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Durante o Conselho Técnico da Série A, o diretor-executivo da CBF, Rogério Caboclo, pediu transparência e respeito às leis aos clubes gerando mal estar e reação de dirigentes das agremiações. Sua fala foi entendida por cartolas como Andrés Sanchez e Mario Celso Petraglia como se a confederação dissesse que os clubes não têm boas práticas de gestão.

Caboclo é atualmente quem de fato administra a confederação com a suspensão provisória de Marco Polo Del Nero por acusação de corrupção. É também seu candidato preferido em caso de a Fifa banir o presidente da confederação em definitivo.

A discussão ocorreu quando Caboclo tratava da questão do registros de treinadores. Ele explicava aos clubes que teria de haver registro em carteira, e não só em contratos de direito de imagem.

Em seu discurso, o dirigente afirmou que os clubes precisavam ser mais transparentes e moralizar a gestão. Acrescentou que a CBF estava trabalhando neste sentido dentro de sua administração. E cobrou dos clubes a assinatura da carteira porque estava na lei.

O discurso gerou uma reação do presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, e do homem-forte do Atlético-PR, Mario Celso Petraglia. Ambos tomaram a palavra para dizer que já tinham práticas de gestão de transparência em seus clubes.

Outros dirigentes de agremiações também descreveram como infeliz a forma como Caboclo colocou as cobranças aos clubes. Alguns cartolas também contaram que a fala do cartola da CBF tinha um tom alterado, às vezes, confuso.

Aliados da diretoria da confederação minimizaram o episódio. Reconheceram que houve um desconforto após o discurso de Caboclo por parte do dirigente. Mas entendem que o fato foi superado e durou pouco tempo. Mas, mesmo os aliados, reconheceram que o chefe da CBF foi inábil.

Caboclo é o braço direito de Del Nero. Com o afastamento do presidente e com o Coronel Nunes como interino, é ele que tem tocado a CBF. O julgamento de Del Nero está em curso no Comitê de Ética da Fifa. Caso seja banido definitivamente, Caboclo é o seu preferido para sucede-lo.

A questão é que o diretor-executivo da CBF já enfrentou questionamentos entre presidentes de federações e de clubes. Um dos motivos é querer cortar gastos da entidade e não atender pleitos.

Na reunião do Conselho Técnico, a confederação apresentou uma conta de R$ 40 mil a R$ 50 mil por jogo para ter a arbitragem de vídeo. Recusou-se a pagar qualquer parte do montante alegando que não tem nenhum ganho financeiro com o Brasileiro. Só para o segundo turno isso daria R$ 500 mil por clube, e R$ 1 milhão no total.

Havia uma reivindicação dos clubes que a entidade bancasse pelo menos parte do montante. Sem isso, os clubes reprovaram a ideia da implantação para o segundo turno, como seria ideia da CBF. Ou seja, o projeto que era considerado prioritário por Del Nero já para 2017 ficou adiado para 2019.


O que pesa contra e a favor de Del Nero em seu julgamento na Fifa
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A partir desta sexta-feira, o presidente afastado da CBF, Marco Polo Del Nero, começa a ser julgado pelo Comitê de Ética da Fifa com um depoimento dele por videoconferência. O resultado será decisivo para o futuro do futebol nacional já que ele pode ser banido em definitivo do cargo e de atividades no esporte. O blog então lista os pontos a favor e contra o cartola na definição de seu futuro.

Lembremos primeiro que Del Nero será julgado por acusações de corrupção que o atingem na Justiça dos EUA. O Departamento de Estado norte-americano apontou indícios de que ele recebeu propina por contratos da CBF e da Conmebol. Só não foi julgado por lá porque não saiu do Brasil.

É exatamente por não sair do país por correr o risco de ser preso que Del Nero não irá à Suíça para se defender pessoalmente. Mandará advogados e falará por videoconferência. Se não aceitasse depor, sua situação se complicaria ainda mais. Aí vão os pontos.

Provas nos EUA 

O Departamento dos EUA reuniu provas contra Del Nero que foram obtidas pelo Comitê de Ética da Fifa, tendo sido apresentadas durante julgamento do ex-presidente da CBF José Maria Marin. Entre elas, estão as delações dos ex-executivos de empresas de TV José Hawilla e Alejandro Burzaco que o apontam como destinatário de US$ 6,5 milhões em propinas.

A esses depoimentos, foram acrescidos e-mails de Eladio Rodriguez, funcionário da Torneos empresa de Burzaco, em que relata pagamentos a serem feitos a Del Nero. Há ainda registros de viagens do cartola, por meio de movimentação na fronteira, que demonstram que ele estava em locais de reuniões citadas por testemunhas. Há ainda atas das reuniões da Conmebol com sua participação.

Sem comprovante de depósito

Uma das principais argumentações da defesa de Del Nero é a de falta de provas contra ele. Seus advogados apontam que não foi apresentado nenhum comprovante de depósito de uma das empresas que pagaram propina em favor do dirigente. Outro fato que será explorado por sua defesa é de que não há relatos de conversas diretas de Del Nero com os acusadores, sejam gravadas ou relatadas. (Burzaco mencionou um encontro entre eles).

A empresa Support Travel, que recebia as propinas e repassava a dirigentes, fez depósitos em favor de empresa de propriedade de José Maria Marin, como demonstrado por procuradores norte-americanos. Há valores recebido pela Support que ninguém demonstrou onde foram parar. Advogados de Del Nero dizem que ele não tem ligação com a empresa, que é de Wagner Arabhão, empresário que tem negócios com a CBF.

Del Nero mandava na CBF na gestão Marin

Durante o julgamento, advogados de José Maria Marin descreveram seu cliente como uma espécie de Rainha da Inglaterra, que não mandava nada na CBF. Alegavam que quem tinha o poder de fato era Del Nero, então, vice-presidente da entidade. Os contratos suspeitos foram todos assinados durante a gestão de Marin, assim como as propinas supostamente recebidas.

Del Nero só assumiu o poder em 2015

Já a defesa de Del Nero afirma que ele só assumiu a presidência da CBF em 2015, portanto, só a partir deste ano que é responsável por atos de gestão. Advogados do cartola vão alegar na Fifa que o dirigente não pode ser responsabilizado por medidas de antes de sua administração na confederação.

Política e imagem ruim

A gestão do novo presidente da Fifa, Gianni Infantino, quer passar a impressão de que a entidade se limpou de problemas de corrupção do passado, ainda que conviva com suspeitas de ter desmontado os mecanismos de fiscalização da federação. Neste sentido, a punição a Del Nero pode ser vista como uma resposta à Justiça dos EUA, onde a Fifa se apresenta como vítima dos casos de corrupção.

Outro fator que pesa é de que dirigentes afastados pelo Comitê de Ética não costumam ser absolvidos. Ou seja, seria difícil reverter uma punição. E a própria imagem de Del Nero depondo em videoconferência para não correr o risco de ser preso o prejudica em um julgamento.

Punição sem base

A política é também a argumentação de defensores de Del Nero. Segundo eles, a pena imposta pela Fifa é uma medida de Infantino por ver o brasileiro como um desafeto. A tese dos advogados é justamente que a federação internacional quer mandar um recado para a Justiça dos EUA, e não se atém aos documentos e dados do processo.


Além da CBF, Del Nero corre risco no Palmeiras se banido pela Fifa
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Suspenso pela Fifa por suspeita de corrupção, Marco Polo Del Nero corre o risco de ser banido de todas as atividades no futebol em julgamento no Comitê de Ética da entidade. Além da perda da presidência da CBF, uma punição pode afetar seu cargo de conselheiro vitalício do Palmeiras. O Conselho Deliberativo alviverde prevê abrir um procedimento para analisar a situação se houver condenação. Dois de três advogados consultados entenderam que ele não poderia seguir no clube se afastado em definitivo.

Del Nero foi indiciado pelo Departamento de Justiça dos EUA por conta da acusação de que recebeu propinas por contratos da CBF e da Conmebol. As provas contra ele foram reveladas durante julgamento do ex-presidente da confederação José Maria Marin. Com isso, o Comitê de Ética da Fifa o suspendeu por 90 dias.

Até agora não foi enviada a defesa de Del Nero, nem o processo tem data para julgamento. Ele nega qualquer ato irregular e promete ir até as últimas instâncias para tentar provar inocência. Mas o cenário não é positivo para o presidente da CBF já que, em geral, cartolas suspensos acabam afastados definitivamente.

O banimento é para qualquer atividade relacionada ao futebol. “Perante o Conselho, se houver uma condenação da Fifa, que é do meio do esporte, dependendo dos termos, o Conselho vai abrir procedimento para analisar a situação”, contou o presidente do Conselho Deliberativo do Palmeiras, Seraphim Del Grande.

A questão levantada é o quando um conselheiro vitalício, cargo ocupado por Del Nero no Palmeiras, atua no futebol. Se houver influência, ele não pode exercer o cargo já que o Palmeiras está submetido às regras da Fifa. “Essa é uma questão jurídica”, disse Del Grande, sem emitir opinião.

Pelo estatuto palmeirense, o conselheiro vota o orçamento e os balanços financeiros do clube, o que afeta o andamento do futebol. Também elege o COF (Conselho de Orientação Fiscal) que avalia medidas da gestão da diretoria.

Dos três advogados ouvidos pelo blog, dois entenderam que o cargo tem influencia no futebol e portanto não seria permitido continuar nele. Um terceiro analisou que seria uma interferência indevida da Fifa no Palmeiras determinar o afastamento do dirigente.

Especialista em casos na Fifa, um advogado que pediu anonimato afirmou que não dá nem para cogitar que Del Nero fosse banido da CBF e ainda pudesse continuar a exercer uma função em um clube. Para ele, a atuação de conselheiros no futebol é clara pois o futebol é o carro-chefe palmeirense, e decisões sobre a gestão do clube afetam seu andamento. Um colega que também pediu para não ter o nome publicado concordou com a tese.

Já o advogado Leonardo Andreotti, também especialista na legislação de Fifa, tem entendimento diferente. “O cargo de conselheiro de uma associação civil não tem nada a ver com essa situação. Se atingir essa esfera (Palmeiras), estaria extrapolando a decisão da Fifa. O clube não é só futebol e ele não estaria em um cargo de diretor”, analisou ele, que ainda lembrou da autonomia às entidades garantidas pela lei.

O julgamento de Del Nero na Fifa deve ocorrer em um prazo de até noventa dias depois da suspensão, o que significa dizer que até meados de março. Questionado durante o sorteio da Libertadores, o presidente do Palmeiras, Maurício Galiotte, não quis opinar sobre a situação do dirigente.