Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Parque Olímpico

Parque Olímpico, Maracanã e opções: o xadrez de Fla e Flu por um estádio
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A informação de que o Flamengo e o Fluminense disputarão o terreno do Parque Olímpico para construção de um estádio reascendeu o xadrez da dupla por uma casa. A informação foi publicada pelo UOL. A possibilidade de parceria entre os clubes é remota e por isso vão brigar por espaço no Rio de Janeiro.

Os dois times já tinham disputado o Maracanã quando um queria nova licitação (Fla) e o outro parceria com a Largadère (Flu). Os franceses se mandaram do estádio e a concorrência não saiu como queriam os rubro-negros. Agora, as articulações têm novos elementos.

Diante disso, a diretoria do Flamengo começou a procurar por terrenos para tocar seu estádio próprio. Tinha analisado a possibilidade do Parque Olímpico, mas a verdade é que estava focada em outros locais nas últimas semanas. Um terreno na Avenida Brasil era visto como boa perspectiva, além de outras opções menos votadas. E há o projeto da Gávea para 25 mil pessoas já em curso na prefeitura do Rio.

Enquanto isso, a diretoria tricolor trabalhou pela cessão do Parque Olímpico, como revelou o site Netflu. A ideia seria a construção de um estádio barato e sem gigantismo por meio de parcerias. Não sobra dinheiro no clube nem possibilidades de financiamento com a receita atual. Dirigentes tricolores têm boa entrada com a prefeitura em relacionamento com o secretário de Urbanismo, Infraestrutura e Habitação, Indio da Costa.

Com o interesse do Flamengo, a tendência é por concorrência. Mas isso vai depender do desenvolvimento das outras frentes da diretoria rubro-negra. O clube não definiu sua prioridade e deixou todas as possibilidades em aberto, inclusive outros terrenos.

No meio do caminho, o governo do Estado do Rio pode sair da sua apatia e abrir a licitação para a concessão do Maracanã. Neste caso, o clube é o candidato natural. E, justamente, se o Fluminense abrir mão do estádio tijucano, não haveria outro clube para jogar no Maracanã. Botafogo e Vasco tentam atrapalhar os planos do Flamengo, mas não apresentaram até agora nenhum plano real para o futuro do estádio.

Só que, para a diretoria rubro-negra, é preciso fazer conta. Uma opção é o Maracanã que não precisa ser construído, mas tem um custo de R$ 30 milhões/ano e necessidade de obras de adaptação para explora-lo comercialmente. Uma avaliação interna é que se precisaria de R$ 60 milhões de receita fora bilheteria para bancar todos os custos, incluídos os operacionais.

A outra opção é um estádio novo que terá o custo de construção, mas será mais rentável segundo todos os modelos estudados por cartolas rubro-negros. E o Flamengo entende que, hoje, tem até como obter financiamento por conta própria para bancar o estádio.

No caso do Fluminense, a conta é mais simples: o Maracanã se apresenta hoje inviável para o clube sozinho diante da demanda da sua torcida. Tanto que pretende evita-lo daqui para frente com a volta a Edson Passos. Se conseguir viabilizar construir outro estádio, pode encontrar uma fórmula bem mais eficiente de renda desde de que tenha parceiros e controle os custos de construção.

A parceria entre os dois clubes não é prioridade de nenhum dos dois clubes, embora nenhum dos lados tenha dito um não peremptório. Nenhum cenário atual indica essa parceria.

Há ainda um terceiro elemento neste xadrez que é a Odebrecht. A empresa controla o Maracanã e tinha obrigação de obras no Parque Olímpico após a Olimpíada pela PPP (Parceria Público-Privada). Seu objetivo claro é sair de ambos os projetos com o menor gasto possível. O problema é que, se a solução demorar, isso pode implicar em deterioração do estádio e em paralisia no Parque Olímpico. A prefeitura do Rio e o governo do Estado que vão dar as cartas do jogo.

 


BNDES deve ajudar a financiar gestão do Parque Olímpico
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O BNDES (Bando Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) deve ajudar no financiamento da futura gestão do Parque Olímpico por uma empresa privada. A informação é do ministro do Esporte, Leonardo Picciani. Já foi acertado que o equipamento esportivo será incluído no PPI (Programa de Parceria de Investimento) do banco público.

A intenção do Ministério do Esporte é cuidar do Parque Olímpico durante o ano de 2017, e depois repassa-lo a iniciativa privada. Por isso, pediu a inclusão no PPI. Agora, o BNDES vai fazer um modelo de concessão para o equipamento, o que inclui todas as arenas com exceção de uma que está nas mãos da prefeitura do Rio.

“Nós vamos firmar um contrato. O Parque será incluído no Programa de Parcerias e Investimentos, nós assinaremos um contrato com o BNDES para que o BNDES formule as formas de concessão do Parque. E provavelmente também faça a operação financeira”, afirmou o ministro do Esporte, Leonardo Picciani, quando questionado pelo blog se haveria financiamento do banco.

Ou seja, o banco deve financiar quem ganhar a concorrência. O entendimento do Ministério do Esporte é que de que há necessidade de injeção de dinheiro público para ajudar o gestor privado do equipamento esportivo.

A presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques, confirmou na quinta-feira que iria modelar a concessão do parque. “A gente vai partir de uma base, já tem bastante informação e quando o parque for oficialmente incluído (no PPI), a gente vai começar o trabalho de contratação de consultor, para modelar o que ainda precisa ser modelado”, afirmou, segundo a Agência Brasil.

O Ministério terá um gasto aproximado de R$ 45 milhões com a manutenção do Parque Olímpico e o Complexo de Deodoro. Foram necessárias pequenas obras em instalações permanentes como rebocos e pinturas de paredes, instalações elétricas, etc. Há pouco tempo o Comitê Rio-2016 tirou todas as suas sobras do local. A ideia é que em 2018 isso fique inteiramente nas mãos da iniciativa privada.

Enquanto isso, o Ministério prevê a organização de “mais de 20 eventos” até o final do ano nas instalações. Isso inclui campeonatos de ciclismo no velódromo. Rock in Rio nas instalações abertas, além de núcleos de esporte estudantil. “A gestão da AGOL (Agência para cuidar do legado dos Jogos) tem tomado as medidas necessárias para o bom funcionamento do parque”, afirmou o ministro.

Há obras mais complexas para serem feitas no local, como retiradas da Arena de Handebol, instalação de pista de atletismo e alojamentos para atletas. Tudo isso estava incluído em PPP prevista pela prefeitura do Rio que fracassou.

O Ministério tenta atrair confederações olímpicas para o Parque Olímpico de forma que possa incrementar atitudes de esporte de alto rendimento. Com a falta de alojamentos, Picciani admite que poderia se pagar hotéis para atletas que se hospedassem nas áreas próximas, por meio de convênios com o Ministério. Há, no entanto, forte contigenciamento de verba para as confederações.

Oito meses após os Jogos, o Ministério do Esporte não vê como atrasado o programa de legado do Parque Olímpico. O entendimento é de que o prazo para colocar tudo em funcionamento é de um ano após a Olimpíada.


Empresa francesa conversa com Bota sobre Engenhão e mira Parque Olímpico
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Candidata à concessão do Maracanã, a empresa francesa Lagardère conversa com o Botafogo para uma parceria na gestão do Nilton Santos (Engenhão) e ao mesmo tempo estuda informações sobre o Parque Olímpico. A intenção da gigante europeia é investir no Rio de Janeiro. O resultado da concessão do principal estádio da cidade vai influenciar nos planos da empresa.

Já houve duas reuniões entre a diretoria do Botafogo e representantes da Lagardère. A ideia da empresa é fazer uma proposta para participar da gestão e atrair negócios para o estádio, incluindo shows.  Além disso, tem intenção até de fazer parceria na gestão do departamento de marketing da agremiação como ocorre com times europeus como Borussia Dortmund.

Perguntado sobre as conversas, o presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira, admitiu que negocia com possíveis parceiros, mas não quis dar nomes. “Conversamos com algumas empresas que nos procuraram. Não gostaria de dizer o nome dos players”, afirmou o dirigente. “Tem alguns pontos interessantes.”

No momento, Pereira disse que o clube consegue administrar bem o estádio para jogos de futebol. O clube tem contado com aluguel de R$ 200 mil em clássicos no Estadual, e outros R$ 100 mil para jogos entre grandes e pequenos. E há claro a renda da bilheteria dos jogos do Botafogo, além de projetos como os nomes de torcedores grafados em cadeiras.

Mas o presidente botafoguense informou que ainda não é possível determinar se o estádio será superavitário no atual ano. “É muito cedo ainda. Pegamos o estádio depois de dois anos longe de nós”, disse Pereira.

Se perder o Maracanã, a Lagardère deve aumentar seu ímpeto em relação ao estádio alvinegro. Além disso, a empresa pode estudar a concessão do Parque Olímpico que no momento está abandonado. A prefeitura do Rio de Janeiro chegou a fazer uma licitação para conceder a exploração do espaço, mas a única empresa que se apresentou não foi considerada habilitada. Por enquanto, o Ministério do Esporte está encarregado de cuidar do local onde foi realizado a Olimpíada.


Novo ministro do Esporte, Picciani teve ganhos com obras olímpicas
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Nomeado novo ministro do Esporte pelo presidente interino Michel Temer, o deputado federal Leonardo Picciani (PMDB-RJ) ganhou dinheiro indiretamente com obras olímpicas e recebeu doações de empreiteiras que atuam em projetos dos Jogos. A primeira informação foi revelada pela “TV Record” no final de 2015 quando ele era parlamentar, e a segunda, consta de sua prestação de contas. A assessoria do parlamentar negou que exista qualquer conflito de interesse com seu novo cargo.

Picciani e sua família são sócios da empresa Agrobilara, com sede em Uberara, Minas Gerais. Em 2011, a empresa tornou-se sócia da Tamoio Mineração S/A. Depois, essa prederia passou a fornecer brita para as construções do Parque Olímpico e da Transolímpica.

Os valores dos contratos não são informados porque são pagos por empreiteiras dentro de PPPs (Parcerias Público-Privada). Não são acordos diretos com o governo. No caso do Parque Olímpico, os pagamentos são feitos pelo Consórcio Rio Mais, liderado pela Odebrecht.

A Agrobilara é o principal item do patrimônio do atual ministro. Ele tinha oito mil cotas no valor de R$ 6,673 milhões pela sua declaração à Justiça Eleitoral. Atualmente, a empresa vale R$ 40 milhões, e Leonardo Picciani é dono de 20% dela.

Sua assessoria confirma a participação societária, mas nega qualquer atuação na gestão da Tamoio. “Convém esclarecer que a Agrobilara não participa da administração da Tamoio nem tem ninguém indicado por ela no conselho de administração”, informou a assessoria. Ainda alegou que a Tamoio ganhou os contratos pela proximidade com o Parque Olímpico, que permite que ofereça o menor preço pela brita.

Além disso, a campanha a deputado federal de Leonardo Picciani em 2014 recebeu R$ 800 mil em doações de empreiteiras com participações em projetos olímpicos. São as construtoras Queiroz Galvão, OAS e Carioca Engenharia. Elas participam de projetos como a Linha 4 do metrô, o Parque Olímpico de Deodoro, Porto Maravilha e o BRT Transolímpico.

A assessoria do novo ministro ressaltou que as obras estão no final, e que o Ministério do Esporte não é responsável pela execução desses projetos. E informou que as doações foram legais e não têm relação com as obras. As obras são tocadas pela prefeitura do Rio de Janeiro, algumas delas com financiamento ou recursos diretos do governo federal via Ministério do Esporte.

Veja toda a nota da assessoria do ministro do Esporte, Leonardo Picciani:

“Não hã conflito de interesses no fato de o deputado assumir o Ministério do Esporte e a empresa Tamoio Participações fornecer brita para o Parque Olímpico e a Transolimpíada. Primeiramente, o deputado gostaria de esclarecer que o Ministério do Esporte não contrata obras. As obras para as Olimpíadas já estão concluídas e foram gerenciadas pelo Comitê Olímpico Internacional, Comitê Olímpico Brasileiro e pela Prefeitura do Rio de Janeiro.
 
Leonardo Picciani é sócio-cotista da Agrobilara. Além dele, também são sócios-cotistas seu pai, sua mãe e seus irmãos. A Agrobilara tem uma participação acionária na Tamoio que, por sua vez, é uma empresa de Sociedade Anônima, regida pela Lei das S/As.
 
Convém esclarecer que a Agrobilara não participa da administração da Tamoio nem tem ninguém indicado por ela no conselho de administração. Para exemplificar como funcionam as companhias S/As: o fato de ser acionista não significa que o portador das ações tenha qualquer ingerência sobre a empresa. É como os detentores de ações da Petrobras. O conselho administrativo, por exemplo, é majoritariamente composto de pessoas que não são da Petrobras. E o acionista pode ganhar ou perder dinheiro, dependendo do mercado de ações. É o caso da Agrobilara em relação à Tamoio.
 
Outra coisa: a brita é um produto de baixo valor agregado. Para se ter lucro com esse produto o que mais se leva em consideração é o valor do frete. Quanto mais perto da obra estiver a pedreira, melhor. Quanto mais longe, mais valor de frete gastará. Por isso, a Tamoio foi contratada pela empresa que detém a concessão pública para a Transolimpíada e para o Parque Olímpico. A Tamoio está localizada a cerca de 100 metros do canteiro de obras da Transolimpíada e a cerca de 2 km a 3 km do canteiro do Parque Olímpico. É a única pedreira nas proximidades, o que contribui para que o preço seja o melhor entre os demais concorrentes.
 
O deputado também gostaria de deixar claro que a Tamoio não possui contrato com o governo de Estado nem com a Prefeitura do Rio de Janeiro.
 
Por fim, Picciani afirma que, como ministro, será o mais interessado em fazer cumprir o orçamento do Esporte, zelando por cada recurso disponível e fiscalizando não apenas os recursos em si, mas, também, se o dinheiro está sendo bem gasto em benefício da população.”

 


Parque Olímpico Rio-2016 repete Londres e cresce gasto em 12%
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( Para seguir o blog no Twitter: @_rodrigomattos_)

Ao terminar as licitações do Parque Olímpico para os Jogos-2016, a prefeitura do Rio de Janeiro repetiu o modelo com privilégio às instalações provisórias  e ainda assim ultrapassou o orçamento previsto no dossiê de candidatura da cidade em 12%. Lembre-se que esses são os primeiros valores das concorrências e as obras sempre podem sofrer acréscimos e aditivos durante sua execução, o que ocorreu em quase todos os projetos da Copa-2014 e do Pan-2007.

Fora o que será executado por PPP (Parceria Público Privada), foram feitas licitações para quatro sedes esportivas na Barra da Tijuca: Velódromo, Centro Aquático, Centro de Tênis e Handebol. No total, está previsto um gasto de R$ R$ 666,7 milhões para a construção e operação dessas instalações. Pelo dossiê de candidatura de 2008, havia um valor de R$ 595 milhões, consideradas obras temporárias e permanentes corrigidas até hoje pelo INCC (índice de inflação para construção civil).

Houve, porém, alteração na natureza das instalações. Um exemplo é o fato de que que a Arena Handebol, inicialmente, seria permanente e agora será temporária e desmontada para se transformar em escolas – a montagem das escolas não foi incluída na conta do blog. O Parque Aquático também seria em parte permanente e em parte provisório, e agora terá inteiramente temporário. O velódromo continuou a ser permanente, mas passou a ser um novo, não um reformado.

Assim, repete-se estratégia do Parque Olímpico de Londres-2012 em que a maioria das estruturas era temporária, e foi desmontada ao final do processo. No caso brasileiro, houve um aumento de recursos no orçamento ainda nesta fase de licitação. Londres teve estouro de orçamento durante as obras.

No Parque Olímpico do Rio-2016, o dinheiro será integralmente bancado pelo governo federal que repassará os recursos para a empresa olímpica executar as obras.

Para a prefeitura e para o Ministério do Esporte, o crescimento no orçamento das instalações é menor e representa apenas 5% considerado o valor corrigido pelo INCC. Isso se explica porque os organismos públicos excluem de sua conta os itens de operação das instalações, antes, durante e depois dos Jogos por alguns meses. Mas esses valores estão licitados e não estavam previstos no dossiê de candidatura.

“Esse custo de desmontagem e remontagem não pode ser confundido com a construção da estrutura esportiva para as competições olímpicas, assim como os custos de manutenção das instalações diferem dos custos de construção dessas instalações. São itens diferentes que não podem ser comparados com o que foi previsto no dossiê”, defendeu a assessoria do Ministério do Esporte.

Fora isso, os governos alegam que houve mudanças nos projetos, novas leis e uma certificação ambiental que alteraram os preços inicial. “É importante ressaltar que o escopo das instalações esportivas previstas no Dossiê ter sofrido diversas alterações desde 2009. Foram incluídos, por exemplo, o sistema de ar condicionado do velódromo e requisitos de acessibilidade, segurança e sustentabilidade que foram ampliados e se tornaram mais rígidos”, afirmou a assessoria da empresa olímpica.

O orçamento integral da Rio-2016 está atrasado e deve ficar pronto ainda em janeiro deste ano, segundo a promessa dos organizadores do evento.


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