Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Paulo Autuori

Ideia do Fla é ter Carpegiani no futuro em função igual a de Autuori no Flu
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O primeiro contato entre dirigentes do Flamengo e Paulo César Carpegiani foi na última rodada do Brasileiro. Na ocasião, o diretor Rodrigo Caetano aproveitou a viagem a Salvador para conversar com o treinador do Tricolor baiano. Queria chamá-lo para ser coordenador técnico do clube em uma função similar a que Paulo Autuori executava no Atlético-PR, e agora faz o mesmo no Fluminense.

A ideia é criar uma modelo que dê estabilidade ao Flamengo com um coordenador que estivesse apoiando o treinador em exercício. Para a diretoria do clube, esse é o modelo para o futuro em que uma pessoa auxilia os diretores rubro-negros com conhecimento técnico, seja para trocar um treinador ou contratar atletas.

Não ficou fechada a negociação e no meio do caminho surgiu o interesse dos chilenos pelo técnico colombiano Reinaldo Rueda. As negociações se desenrolaram sem que o clube soubesse no início, mas o Flamengo já temia perder o treinador no final de dezembro. Oficialmente, dizia que ele ficaria.

Em janeiro, as negociações entre Chile e Rueda avançavam. A partir daí, Rueda tinha avisado que tinha proposta. Mas o diretor Rodrigo Caetano era tranquilizado por ele de que sua intenção era ficar no clube. O Flamengo já não tinha certeza.

Por isso, foi conversado com Carpegiani na semana passada se ele mudaria a função para qual seria contratado. Ficou praticamente tudo acertado para que assumisse o cargo de técnico se Rueda dissesse que não permaneceria. Havia, sim, a ideia de tentar outro técnico e ele ficar como coordenador, mas as opções no mercado escassearam. Após o colombiano fora, ele foi confirmado.

A partir de agora, Carpegiani é técnico efetivo do Flamengo, sem ser interino. Mas o Flamengo voltará, sim, a procurar um técnico a longo prazo para que ele se volte para o cargo de coordenador em função igual a de Autuori. O que isso significa? Não há prazo para isso ocorrer, e certamente não será agora. Pode ocorrer, sim, se houver uma oportunidade no futuro.


Atlético-PR ‘tropicaliza’ modelo inglês com Autuori na chefia do futebol
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Contactado pelo Atlético-PR no ano passado, o técnico Paulo Autuori já pensava em assumir um cargo de chefia no futebol e deixar o campo no Brasil. Aceitou ficar um ano armando o time até que fosse implantado o projeto no clube paranaense. E esse projeto se inspira no modelo inglês adaptado para o Brasil.

“Já estava programado quando o Autuori veio. Ele tinha deixado bem claro que não queria mais ser treinador no Brasil. Aceitou ficar esse ano, mas já tínhamos programado para esse período que seria feita a troca”, contou o presidente do Conselho Deliberativo do Atlético-PR, Mauro Celso Petraglia.

Segundo ele, o modelo adotado no clube paranaense é um inglês “tropicalizado”. Inspirou-se em casos como os clubes Manchester United (Alex Fergunson), Arsenal (Arsene Wenger) e Liverpool. Por lá, eles cuidam de toda a gestão do futebol, mas auxiliares assumem boa parte dos treinos.

No Atlético-PR, Autuori terá maior poder com a possibilidade de escolher e avaliar o técnico de campo, em cojunto com a diretoria do time paranaense. “Ninguém mudará um técnico sem ouvi-lo”, disse Petraglia. A definição de Eduardo Baptista passou pelas mãos de Autuori.

Petraglia faz questão de elogiar o novo técnico do rubro-negro, dizendo que ele caiu no Palmeiras não por conta de seus resultados. “Ele teve 70% de aproveitamento”, analisou.

Ao assumir, Baptista terá total liberdade para escalar seus times e usar seus esquemas. Mas a montagem do elenco passa por Autuori e pela direção do clube, sendo que ele participa do processo. Se houver discordância, o treinador tem a palavra final, segundo Petraglia.

Em compensação, o novo executivo Autori terá prerrogativas sobre todo o departamento de futebol, incluindo a divisão de base e negociações de contratações. Esse poder tem relação com uma afinidade entre o que pensa o ex-técnico e Petraglia. Ambos são contestadores de diversos aspectos da estrutura do futebol nacional.

“Claro que a afinidade conta. Teremos que conviver então tem que ter uma ideologia em comum”, completou Petraglia. Não é à toa que Autuori aceitou esperar um ano como treinador, enquanto o dirigente aceitou eleva-lo de cargo como era seu projeto.


Herança de Autuori para Muricy é time cansado, mas sem distúrbios
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O cenário que o técnico Muricy Ramalho encontrou no São Paulo ao assumir é de um time muito desgastado fisicamente, mas sem problemas internos no vestiário. Essa é a herança deixada pelo treinador anterior Paulo Atuori na avaliação de dirigentes e funcionários do clube. Fora óbvio, o fato de a equipe estar na zona de rebaixamento no Brasileiro.

Os problemas físicos do São Paulo são mais fruto da longa maratona de jogos, incluindo uma excursão e sequência de partidas no Brasileiro, do que responsabilidade de Autuori. Para se ter uma ideia do problema, as medições de desgaste dos jogadores por fisiologistas têm dado níveis bem altos desde que se iniciou essa série de compromissos.

Muricy desce do ônibus do São Paulo para fazer sua estreia

Houve uma partida em que o lateral-esquerdo Reinaldo entrou em campo com o nível de cansaço muscular igual ao que se verifica em uma atleta no final de um jogo, segundo apurou o blog. Isso foi bem no meio da maratona de quatro partidas em oito dias, imposta pela CBF para compensar a excursão do time.

Não é à toa. Desde a volta do Brasileiro em julho, o time já atuou 21 vezes em pouco mais de dois meses. Em toda a temporada, foram 59 partidas. Isso porque ainda estamos no início do segundo turno do Brasileiro.

Normalmente, uma equipe joga pouco mais de 70 partidas em um ano quando vai até a final do Mundial. Sem essa competição, o São Paulo vai ultrapassar esse número por conta de amistosos.

Além do aspecto físico, outro fator preponderante no futebol é o psicológico. Neste quesito, dirigentes avaliam que houve evolução na passagem de dois meses de Paulo Autuori no clube.

Quando ele chegou, havia claros problemas de vestiário, com turbulências entre seu antecessor Ney Franco e o goleiro Rogério Ceni. Também havia questões relacionadas ao zagueiro Lúcio, cujo comportamento não era bem digerido por colegas.

Segundo funcionários do clube, essas tormentas foram zeradas na passagem de Autuori, que assumiu para si as resoluções de distúrbios internos. Ainda há uma avaliação de dirigentes são-paulinos de que houve uma melhoria na parte psicológica dos jogadores dentro da campo. Mas o excesso de expulsões nos últimos jogos não confirma essa última tese.

Por isso, boa parte dos dirigentes são-paulinos concorda com o goleiro Rogério Ceni quando isenta Autuori por culpa pela má campanha do time dentro do Brasileiro. Avaliam que ele não teve tempo para treinar, teve uma equipe desgastada na mão, e ainda assim conseguiu melhorar alguns aspectos internos.

Só que essa constatação deixa claro que a culpa, em grande parte, é dos próprios cartolas que impuseram uma maratona aos jogadores com amistosos e depois demitiram um técnico pelos maus resultados.


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