Blog do Rodrigo Mattos

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Posição do Qatar congela plano de inchar Copa com 48 times na edição 2022
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O Qatar tornou difícil que se concretize o aumento da Copa do Mundo para 48 seleções já na edição de 2022. Durante reunião do Conselho da Fifa, no último domingo, o país-sede do próximo Mundial expressou preocupação com a possível expansão, especialmente com a possibilidade de ter de dividir o evento com outras nações da região. Essa posição congelou o plano para o inchaço imediato da competição que agora terá de ser rediscutido.

A proposta de aumento da Copa já em 2022 foi feita pela Conmebol. Por trás da ideia, estava o incentivo do presidente da Fifa, Gianni Infantino, que tem o interesse político de expandir o número de vagas mais rápido com vistas a sua reeleição. Inicialmente, o Qatar deu aval para a discussão levantada pela confederação sul-americana.

Mas, com o desenvolvimento da ideia, passaram a surgir diversos entraves. Entre eles, tem de haver um aumento da estrutura, com mais estádios, o que poderia obrigar a inclusão de outro país-sede: a Arábia Saudita tem interesse. Além disso, todos os contratos com a Fifa teriam de ser mudados. A intenção da cúpula da Fifa era que o seu congresso aprovasse um estudo de viabilidade entidade.

Só que, na reunião do Conselho, a federação do Qatar disse que a inclusão de outros países causaria muitos problemas legais, e rechaçou a divisão. Os qatarianos lembraram que ganharam a eleição com a proposta de Copa com apenas um país.

Pior, o Qatar está isolado politicamente na região com um embargo comercial declarado por outros sete países que atrapalhou até as obras da Copa. A Arábia Saudita é um deles, isto é, o país teria de fazer um acordo legal com um inimigo comercial.

Diante da posição qatariana, Infantino retirou do Congresso da Fifa a votação sobre viabilidade da Copa com 48. Alegou que tem que conversar com o Qatar. Ele admite que não tem como levar adiante a proposta sem a concordância do país árabe.

Neste cenário, o plano foi congelado. A Fifa tem até 2019 para tomar uma decisão por conta das eliminatórias do próximo Mundial que já teriam de levar em conta o número definitivo de participantes. O cenário atual é de que o aumento da Copa antecipado se torna improváve, a não ser em caso de reviravolta. Em 2022, devemos ter a fórmula clássica com 32 times.


Eleição da Copa tem presente de R$ 5 mil, festa de luxo e emprego de favor
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Um relatório do Comitê de Adjudicação da Fifa mostrou os bastidores das escolhas das sedes da Copa de 2018 e 2022. Estão lá descritos presentes de R$ 5 mil, festa de gala gratuita, empregos de favor e pagamentos vultosos para cartolas poderosos da federação internacional pelos países-cadidatos. Poderia se esperar um escândalo. Mas a entidade declarou que a eleição não fora comprometida, não prevê punição a ninguém e manteve as vitórias da Rússia e do Qatar.

O relatório divulgado pela Fifa sequer é completo visto que o chefe do comitê de ética, Micheal Garcia, que conduziu a investigação, questionou o publicamente. Ele afirmou que o documento publicado é incompleto e contém erros. Recorreu da decisão do Comitê de Adjudicação.

Do que foi revelada, sua investigação mostrou um mundo de lobby, troca de favores, pagamentos suspeitos e delações na busca pelo Mundial, votação feita em 2010. A tal ponto que mimos de valores altos são vistos com indiferença pela entidade.

Um exemplo foram os presentes dados pelo comitê de candidatura do Japão aos membros do Comitê Executivo da Fifa, que foram os votantes nesta eleição, e suas mulheres. Os japoneses deram bolsas e câmeras, entre outros brindes, em valores entre R$ 1.500 e R$ 5 mil. Não há informação de devolução.

Um favor ainda maior foi feito pela candidatura do Qatar sobre quem recai a maior suspeita de compra de votos. O comitê de candidatura do país pagou por um congresso e um jantar de gala da Confederação Africana de Futebol no valor to US$ 1,8 milhão (R$ 4,6 milhões). A investigação diz que o valor pode ser ainda maior. Em troca, só o país árabe podia fazer campanha no evento.

Ligado a candidatura, o qatari Mohammed bin Hammam, ex-membro da Fifa, fez uma série de pagamentos comprovados para cartolas da entidade. Originalmente, esse dinheiro seria para comprar votos na eleição para presidente, quando enfrentaria Joseph Blatter. Mas o relatório apontou possível ligação do dinheiro a Reynald Temarii, da Oceania, com votos da Copa.

Outra questão do Qatar foi um amistoso entre Brasil e a Argentina, em Doha, bancado por um conglomerado do país. O contrato com a AFA (Associação de Futebol Argentina) gerava questões sobre relação com a escolha da Copa.

Pedidos de favor para a candidatura inglesa, feitos por poderosos da Fifa, também foram identificados. O documento diz que Jack Warner, ex-vice da Fifa, requisitou que arrumassem emprego no Reino Unido para um conhecido. E os ingleses estavam dispostos a atendê-lo. Isso fora outros três pedidos de benefícios de cartolas da federação relatados por Lord Triesman, ex-chefe da candidatura inglesa.

À parte esses benefício, os bastidores da escolha tem pelo menos dois delatores usados pela Fifa, e descartados por falta de credibilidade, computadores destruídos e sumidos do comitê de candidatura da Rússia, e promessas de projetos de desenvolvimento em altos valores para países dos cartolas da Fifa.

A tudo isso, a federação internacional reagiu com otimismo por considerar o processo de eleição das Copas 2018 e 2022 livre de comprometimento. O relatório do comitê de adjudicação afirmou que não há provas de corrupção, nem compra de votos. Em resumo, encerrou a questão.

 


Fifa adia solução de escândalo do Qatar para após a Copa-2014
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Pressionada por novo escândalo sobre a escolha do Qatar para Copa-2022, a Fifa marcou para depois do Mundial do Brasil a conclusão do relatório sobre o caso. Uma denúncia neste final de semana do “Sunday Times” mostrou que um ex-dirigente da federação internacional pagou R$ 11 milhões em propinas para ganhar a sede do evento.

Nesta segunda-feira, o investigador da Fifa Micheal Garcia afirmou que concluirá as apurações sobre a escolha do Qatar-2022 e Rússia-2018 no dia 9 de junho, na próxima segunda-feira. Mas só submeterá o relatório à câmara do comitê de ética da entidade em seis semanas.

“Depois de meses de entrevistas com testemunhas e coleta de material, nós pretendemos completar essa fase de nossa investigação em 9 de junho, 2014, e depois submeter o relatório à câmara aproximadamente seis semanas. O relatório vai considerar todas as evidencias potenciais relacionadas ao processo de candidatura, incluindo provas coletadas em investigações anteriores”, afirmou Garcia, em uma nota oficial.

Com seis semanas, a Copa-2014 já estará concluída. Assim, a Fifa evita que o escândalo atinja o Mundial. Ressalte-se que, pelo menos na versão da federação, Garcia atua de forma independente, tanto que não foi a entidade quem divulgou a informação sobre a conclusão do inquérito inicialmente. Depois, publicou em seu site.

Se por um lado a Fifa evita o efeito no Mundial, fica uma dúvida se será possível incluir na investigação a nova denúncia do jornal “Sunday Times”. Segundo o jornal inglês, foram obtidos e.mails e provas de que o ex-membro do Comitê Executivo da Fifa, Mohammed bin Hamman, pagou R$ 11 milhões para integrantes de federações africanas e até um colega da cúpula da federação para obter apoio para o Qatar. N

ão é a primeira acusação desse tipo já que até o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira vem sendo investigado sobre o assunto, como mostrou o jornal Daily Telegraph em abril. O brasileiro tinha conexões com Bin Hamman. Até agora, as partes negam envolvimento no escândalo.

Mas, na Fifa, alguns dirigentes já admitem fazer uma nova votação caso sejam encontradas provas de suborno no processo de escolha. O presidente da federação, Joseph Blatter, no entanto, se recusa a falar do assunto enquanto a investigação não for concluída. Ou seja, só precisará lidar com o incômodo assunto após a Copa-2014.


Fifa negocia com TVs para fazer Copa do Qatar em novembro
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( Para seguir o blog no Twitter: @_rodrigomattos_ )

A Fifa já negocia com televisões parceiras a realização da Copa do Mundo do Qatar-2022 fora do período de junho e julho. Essas conversas já aconteciam antes mesmo das declarações do presidente da federação internacional, Joseph Blatter, de que oficializará o processo para mudar o Mundial. Por falta de opções, até agora o mês pensado para realização da competição é novembro, segundo apurou o blog.

Após conceder a Copa ao país do Oriente Médio, a cúpula da entidade máxima do futebol chegou a conclusão de que não será possível realizar a competição no verão do Qatar, que tem temperaturas entre 30 e 45 graus celsius. A opção então passou a ser mudar todo o calendário de 2022 e transferir a competição para o inverno.

Maiores financiadores da Copa, as tvs se mostraram extremamente contrariadas com a ideia de alteração de data. Explica-se: já há um cronograma de eventos esportivos na pauta durante a temporada. E é mais difícil vender o Mundial no final ou no início do ano. Por isso, as televisões são o maior empecilho para a alteração na data do Mundial.

Também terá de haver negociação com os clubes, principalmente europeus, pelas mudanças de calendários. E outra conversa acontecerá com patrocinadores. Afinal, já existem contratos firmados para a Copa.

Apesar da preferência pelo inverno, a Fifa já descartou realizar o Mundial no período em que há o Natal e o ano novo. Outro empecilho é que grupos de televisão americanos reclamam que a competição não pode coincidir com o Superbowl, maior evento da temporada norte-americana, que ocorre em janeiro ou fevereiro. Como são uma das principais fontes de renda da Copa, terão de ser ouvidos.

Uma opção que sobra é novembro, quando não seria atrapalhado o período de feriados, nem outros eventos esportivos. Neste mês, que está fora do inverno, o Qatar tem temperaturas entre 21 e 30 graus celsius, em média, o que torna viável a realização da Copa.

A Fifa iniciará os estudos mais elaborados para a mudança do Mundial a partir do mês que vem, no encontro de outubro do Comitê Executivo da Fifa. Mas o processo será demorado porque negociações e avaliações detalhadas terão de ser feitas sobre o assunto.

Após suas declarações sobre o Qatar, Blatter fugiu de perguntas sobre a mudança da Copa durante o congresso do COI (Comitê Olímpico Internacional) em Buenos Aires. Apenas negou que tenha dito que foi um engano dar o Mundial ao país árabe.


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