Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Real Madrid

Espanha se irritou com aviso de Lopetegui sobre Real pouco antes de anúncio
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O técnico Julen Lopetegui avisou a federação espanhola de seu acerto com o Real Madrid horas antes do anúncio oficial feito pelo clube. Esse foi o principal motivo da irritação dos dirigentes espanhóis que decidiram demitir na manhã desta quarta-feira. Durante coletiva, o presidente da federação Luis Rubiales chegou a falar em aviso cinco minutos antes do anúncio.

O anúncio do Real Madrid de que tinha contratado o técnico da Espanha ocorreu na terça-feira. Foi uma surpresa para a federação espanhola que foi avisada por Lopetegui e pelo Real Madrid no mesmo dia, poucas horas antes. Isso foi encarado como uma falta de consideração tanto do clube quanto do treinador.

Apenas três semanas antes, Lopeteguei tinha renovado seu contrato com a federação espanhola até 2020. Há uma multa de 2 milhões de euros a ser paga pela rescisão do contrato.

Pego de surpresa, o presidente da federação espanhola Luis Rubiales deixou Moscou às pressas para a cidade onde está concentrada o time nacional. Ele participou de reuniões durante a manhã de quarta-feira para decidir o destino de Lopetegui e acabou optando por demiti-lo.


Como o escândalo da Fifa ajuda a explicar o abismo entre Real e Grêmio
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O Grêmio não é um time qualquer: ganhou a Libertadores com justiça, e é o melhor da América do Sul neste ano. O confronto com o campeão europeu, no entanto, não deu nem jogo: o Real Madrid teve um domínio absoluto e ganhou com facilidade. E não é exceção neste Mundial em que a distância entre os times dos dois continentes só aumenta.

Foi sempre assim? Quando ocorreu este processo? Não, não foi sempre assim. Até a década de 90 os confrontos eram equilibrados, ganhava um europeu um ano, outro sul-americano no seguinte. Veja o caso dos títulos do São Paulo na década de 90, batendo Barcelona e Milan na bola. Mesmo na derrota, era pau a pau.

Os times europeus já eram mais ricos, e já contratavam os melhores daqui. A questão é que nos últimos 15 anos essa disparidade aumentou absurdamente. É só constatar que o Real dispõe de R$ 2 bilhões a mais todo ano em relação ao Grêmio. Por isso, nos últimos dez, 15 anos, os europeus em geral dominam amplamente os jogos, até quando perdem a partida no final.

E isso aconteceu porque os gigantes europeus se tornaram marcas globais durante esse período e passaram a arrecadar dinheiro em todo planeta, enquanto times sul-americanos se limitam a mercados locais. É só ver os garotos com a camisa do Barcelona nas ruas do Brasil.

Essa expansão de marca se deu justamente no boom da Liga dos Campeões, competição que a UEFA mudou de cara na década de 90, e se tornou a mais importante de clubes durante os últimos 15 anos. Localmente, as ligas nacionais se profissionalizaram também a ponto de a Premier League se tornar o que é hoje, o campeonato mais rico do mundo de um país.

E o que fazia a Conmebol e a América do Sul neste período? Foi justamente o período em que o FBI revelou que os cartolas da confederação sul-americana venderam os direitos da Libertadores para quem lhes pagou propina. Não faziam concorrência, e assim arrecadavam menos para os clubes.

Pior, nunca deram ao campeonato a promoção para tentar torna-lo global. Os cartolas estavam mais preocupados em encher os bolsos do que em promover o futebol sul-americano, que foi ficando para trás. Poderiam ter expandido para os EUA, para o México, criar uma marca continental. Nada disso foi feito.

Dentro do Brasil, o processo era parecido. A investigação do Departamento de Estado dos EUA revelou que Ricardo Teixeira levava propina pela Copa do Brasil, e depois José Maria Marin e depois Marco Polo Del Nero. De novo, o campeonato era mal vendido, gerava menos dinheiro para os clubes.

A liga brasileira sempre foi sufocada por um sistema que não queria os times fora das asas desses cartolas da CBF. Sim, houve um salto de receita dos clubes brasileiros nos últimos dez anos, até proporcionalmente maior do que dos europeus. Mas dentro de um mercado limitado, pois o Brasileiro nunca se tornou global.

Não é só, claro, culpa de corrupção. A América do Sul tem menos dinheiro do que a Europa, e a Libertadores nunca será igual a Liga dos Campeões financeiramente. Mas a diferença poderia ser muito menor se o continente americano tivesse aproveitado a globalização como fizeram os europeus nos últimos 15 anos.

Os times da América do Sul são celeiros de jogadores talentosos. Se tivessem força financeira, poderiam segurar por mais tempo seus jogadores e tornar a Libertadores e os campeonatos locais bem mais atrativos.  E possivelmente teriam força como tinham na década de 90 de enfrentar os rivais europeus. Com desvantagem, mas com possibilidade de vencer.

Por isso, a derrota do Grêmio – digna, mas sem nenhuma chance de vencer – tem muita relação com algo que ocorreu no dia anterior: a suspensão do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, por suspeita de corrupção.

Claro, haverá quem apresente um argumento bem forte contra esse tese de que o presidente da federação espanhola, Angel Maria Villar, também está envolvido em casos de corrupção, assim como Michel Platini ex-presidente da UEFA. Não há santos entre os cartolas europeus.

Mas a questão é que os casos em que eles são suspeitos não envolviam a organização dos campeonatos em si, alicerçadas em premissas profissionais. Não havia uma estrutura de contratos das competições construídas para favorecer cartolas, e tirar dinheiro dos clubes como ocorreu na América do Sul. E isso faz toda a diferença… em campo como se viu.

 


Rival na final, Real tem renda dez vezes maior do que Grêmio
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A distância financeira entre os clubes dá uma dimensão do tamanho do desafio do Grêmio diante do Real Madrid na final do Mundial de Clubes: a renda do time gaúcho representa um décimo do que ganha a equipe madrilenha. Essa diferença aumentou nos últimos dez anos o que se reflete em um abismo de investimento no elenco. Claro, isso pode ser superado em campo, mas a tarefa se torna mais difícil.

Vamos aos números. No último período, 2016/2017, o Real Madrid ganhou € 674,6 bilhões (R$ 2,6 bilhões), excluída qualquer receita relacionada à venda de jogador. Ou seja, essa renda veio da comercialização de direitos de televisão, marketing e licenciamento que é o que mais cresce entre europeus.

Em termos de renda, o Grêmio está um patamar alto no Brasil, abaixo só dos mais ricos como Flamengo, Palmeiras e Corinthians. Turbinado pela Libertadores, tem uma previsão de ganhar R$ 325 milhões em 2017. Mas é preciso excluir desse valor R$ 66 milhões com venda de jogadores para fazer a comparação com o clube europeu. Assim, o time gaúcho ganhou R$ 259 milhões em torno de um décimo do Real.

Não é que a diretoria gremista trabalhe mal na obtenção de receitas. Se comparado a 2007, dez anos atrás, o time gaúcho triplicou sua arrecadação que girava na casa de R$ 100 milhões.

Proporcionalmente, o Real Madrid cresceu menos do que o Grêmio em receita. Saltou de um patamar de € 351 milhões para o valor atual, isto é, praticamente dobrou. A questão é que em número absoluto a diferença cresceu em mais de R$ 1 bilhão neste período.

E isso se repete em relação aos outros gigantes da Europa como Barcelona, Manchester United e Bayern de Munique que têm patamares de arrecadação similares. Se forem consideradas as rendas com venda de jogador, muito maiores na Europa do que na América do Sul, a distância entre os dois continentes cresce ainda mais.

Sendo assim, fica claro que neste Mundial de Clubes o Grêmio terá, sob o ponto de vista de investimento, um desafio ainda maior do que outros times brasileiros tinham há dez anos. O Internacional, que bateu o Barcelona em 2006, enfrentou uma equipe excelente, mas certamente menos poderosa sob o ponto de vista financeiro do que é o Real de 2017.


Por que o Leicester arrecadou mais do que o Real Madrid na Champions
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A UEFA divulgou nesta sexta-feira a distribuição de dinheiro dos prêmios da última edição da Liga dos Campeões, 2016/2017. Há uma surpresa no número: o Leicester City ganhou mais dinheiro do que o campeão Real Madrid. Isso se explica pelos critérios de mercado adotados pela entidade – a vice-campeã Juventus foi a que mais arrecadou.

A Liga dos Campeões tem a maior premiação em competições de clubes no mundo: foram € 1,384 milhões dados aos times. Houve ainda € 11 milhões adicionais para times na Supercopa e para associação de clubes.

E como são divididas as cotas entre os clubes participantes? São 60% destinados a cotas fixas e por desempenho (número de vitórias, avanços de fase, título, etc). Neste quesito, obviamente, o Real Madrid ganhou mais do que os outros times, com € 54,9 milhões, incluindo o prêmio pela taça.

Mas outros 40% são distribuídos por conta do market pool (pesquisa de mercado). Trata-se do valor econômico que cada país tem dentro da Liga dos Campeões, isto é, quanto de dinheiro leva para a competição. Isso se dá “de acordo com o valor de mercado proporcional de televisão de cada país dividido entre os clubes participantes”, explica documento da UEFA. Foram € 580 milhões divididos dessa forma.

Neste caso, o mercado inglês é mais rico e o que proporciona maiores receitas para a UEFA. Então, o bolo é maior para dividir entre os times ingleses neste item, no caso, em torno de € 140 milhões. E como este montante é dividido?

Metade do bolo é dado de acordo com a posição no campeonato local no ano anterior: o Leicester foi o campeão inglês da temporada de 2015/2016. E a outra metade é dividida de acordo com o maior número de jogos do time na Liga dos Campeões. De novo, o o Leicester foi o inglês que mais avançou na última Champions. Assim, somou € 49,073 milhões de dinheiro do mercado.

Ao final, com as duas somas, o Leicester ganhou em torno de € 600 mil a mais do que o Real Madrid na Liga dos Campeões.

A Juventus foi o time que mais arrecadou porque levou € 110,4 milhões, já que sua participação de mercado foi ainda maior do que o time inglês. Isso se explica porque o bolo italiano, embora menor do que o inglês, teve de ser dividido por menos clubes já que apenas Napoli e Roma também estavam na Liga dos Campeões.

Veja abaixo o quadro dos times que mais ganharam dinheiro na última Liga dos Campeões:

1 – Juventus – € 110,4 milhões

2- Leicester City – € 81,7 milhões

3- Real Madrid – € 81,051 milhões

4- Napoli – € 66 milhões

5- Mônaco – € 64,7 milhões

6- Arsenal – € 64,6 milhões

7- Atlético de Madrid – € 60,6 milhões

8- Barcelona – € 59,8 milhões

9-PSG – € 55,3 milhões

10- Bayern de Munique – € 54,8 milhões


Superou Super Bowl: por que a final da Champions é o maior jogo do ano
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Por uma tradição europeia, a final da Liga dos Campeões é disputada em um jogo único. O crescimento da competição em interesse global elevou a evento esportivo mais valioso do ano, superando até o Super Bowl (a final do futebol norte-americano). Sua audiência é maior e mais global, e os valores envolvidos na decisão entre Real Madrid e Juventus, em Cardiff, se aproxima de R$ 300 milhões.

Não foi um caminho fácil. Quando a Liga dos Campeões foi formada, em 1992, seus direitos comerciais inteiros valiam € 8 milhões. Nesta temporada, consideradas as três competições de clubes europeias, a Uefa vai arrecadar € 2,4 bilhões.

Há vários elementos envolvidos nesta evolução da Champions, como organização, uma cara fixa e promoção da competição, atração de jogadores de alto nível à Europa. E o jogo único ajudou a atrair todas as atenções do mundo para o campeonato.

No ano passado, a final da Liga foi assistida por 160 milhões de pessoas, acima dos 145 milhões do Super Bowl. Os números são da Uefa, mas outros indicadores pelo mundo confirmam que o jogo de futebol superou o esporte dos EUA (ainda que exista variações nos índices).

Também há uma maior abrangência da Liga dos Campeões que vai para 200 países, enquanto a decisão do futebol americano fica em 180. E a maior parte da audiência do evento norte-americano é concentrado no próprio país.

Em palestra na CBF em maio, a chefe de operações comerciais da Uefa, Catalina Navarro, ressaltou essa característica: “Foi o evento mais assistido, passando o Super Bowl. É um evento de nível global, não somente de interesse europeu.”

Por conta disso, os valores financeiros envolvidos na final têm crescido. Só em premiações para os dois times pela participação na final são € 26,5 milhões, isto é, R$ 60,3 milhões. O campeão fica com € 15,5 milhões, e o restante é do vice.

Fontes do mercado avaliam que os direitos de televisão apenas desse jogo valem US$ 15 milhões, o que representa quase R$ 50 milhões. Há ainda valores indiretos envolvidos como os patrocínios que são para toda a competição, e comerciais pelo mundo inteiro para as redes de televisão, impossíveis de mensurar.

Como ocorre com o Super Bowl, há atualmente uma concorrência para sediar a final da Liga dos Campeões. A cidade de Cardiff estima uma arrecadação de 40 milhões de libras (R$ 170 milhões) por ser a sede do jogo. Esse tipo de mediação, claro, é impreciso. Mas a previsão é de 170 mil turistas, mais do que o dobro da capacidade do estádio de Cardiff.

Certo é que a cidade de Gales se tornará o centro do mundo por duas horas, uma capacidade que antes só a Copa do Mundo e a Olimpíada tinham de produzir. A Liga dos Campeões atrai menos atenção global do que esses dois eventos. Mas seu crescimento exponencial parece não parece ter limites.


Vinicius Jr opta por Real por chance como titular, salário e acordo com Fla
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Após meses de assédio, o Flamengo anunciou que fechou negócio com o Real Madrid para venda de Vinicius Jr. que só vai se transferir a partir de 2018. Uma reviravolta em cenário de dois meses atrás quando o Barcelona estava mais próximo do atleta. Vinicius Jr. optou pelo time madrilenho por mais chances de ser titular, maior salário e um acordo consensual com o Flamengo.

Monitorando o jogador há pelo menos um ano, o Barcelona chegou a dar como bem próxima a contratação e se sentiu traído. O staff do jogador chegou a visitar a cidade catalã. Mas as negociações com o Flamengo nunca evoluíram no valor desejado pelo clube carioca.

Em contrapartida, o Real Madrid passou a sondar o jogador enquanto negociava diretamente com o time rubro-negro. Pesou no ímpeto madrilenho a perda da corrida por Neymar para o Barcelona na saída do Santos. A intenção era que não se repetisse. Ao final de abril, Vinicius Jr avisou que preferia o time madrilenho.

Na escolha do jogador, foi levado em consideração de que no futuro entende ter mais chances de ser titular no Real do que no Barcelona. Explica-se: o trio Neymar, Suárez e Messi compõe o ponto alto do time catalão. Não que o ataque madrilenho seja menos forte com Cristiano Ronaldo, Bale e Benzema. Mas o staff do jogador e ele entendem que há mais espaço para crescer ali no setor esquerdo do Real.

Além disso, o Barcelona evitava entrar em leilão e tentava convencer o jogador com a imagem do clube, de aproveitar mais jogadores jovens. O salário proposto pelo Real Madrid foi superior ao do time rival.

Para completar, o time madrilenho fez a negociação com Vinicius Jr. casada com o Flamengo. Tanto que a renovação de contrato do jogador até 2019 foi anunciada pouco antes de concretizada a transferência do atleta. E o atacante não mostrou em nenhum momento intenção de brigar com seu clube de origem. Ou seja, o atleta também deu preferência para o clube que atendeu melhor os interesses rubro-negros.


Vinicius Jr pode decidir data da saída do Fla, Real pode pedi-lo em 2018
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Com Vinicius Castro

Com sua venda acertada, o atacante Vinicius Jr. terá a palavra final sobre a data da sua saída do Flamengo para o Real Madrid. O clube madrilenho tem a prerrogativa de pedir para que o jogador vá para a Espanha já no meio de 2018 quando ele for maior. Mas, se Vinicius Jr quiser, pode pedir para ficar mais seis meses ou um ano.

O acerto foi necessário porque a negociação foi feita como uma promessa de venda. Como menor, aos 16 anos, Vinicius Jr. não pode ser negociado ou registrado pelo Real Madrid. Esse tipo de operação já foi feita com outros clubes e é legal desde que com a concordância do time original do atleta.

Por isso, foi feita uma operação casada da renovação de seu contrato com o Flamengo com aumento de multa ao mesmo tempo que se fechou a negociação por € 45 milhões (R$ 164 milhões) com o Real Madrid. Seu compromisso com o time rubro-negro ia até o meio de 2019.

A questão é o amadurecimento do jogador que só agora subiu para o profissional do Flamengo. Se entender que o jogador está pronto no meio de 2018 o time madrilenho já pode requisita-lo sem que o time carioca possa barrar sua saída.

Mas, se o Real não quiser o jogador em um ano, já está engatilhado um empréstimo para que ele fique no Flamengo por mais seis meses ou por mais um ano. Mas, em todos os casos, a vontade do jogador vai prevalecer. Obviamente, a vontade do clube espanhol que terá seus direitos vai pesar sobre ele neste cenário.


Entenda por que norma da Fifa induz Fla a vender Vinicius Jr
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O Flamengo tinha como intenção renovar o contrato de Vinicius Jr, mas provavelmente terá de fazer isso associado a uma venda antecipada ao Real Madrid. Isso se explica pela norma da Fifa que proíbe clubes de assinarem com jogadores de menos de 18 anos por períodos iguais aos maiores. Assim, fica difícil para times nacionais segurarem atletas que estouram ainda menores.

Atualmente, Vinicius Jr tem contrato até o meio de 2019, o máximo permitido quando da assinatura no meio do ano passado, com multa de 30 milhões de euros. Desde o final do Campeonato Sul-Americano sub-17, a diretoria do Flamengo intensificou a negociação para fazer um novo contrato. Mas ali já era maior o assédio de grandes times europeus.

Então, o clube rubro-negro passou a viver a seguinte situação: perderiam o jogador por esse valor em 2018 por 30 milhões de euros. Por que? A cláusula 18 do estatuto de status e transferência do jogador da Fifa estabelece que o atleta pode se transferir para fora do país quando for maior, e limita aos três anos o contrato com menor. Ou seja, os times brasileiros só têm como segurá-los até os 19 anos. Pela lei brasileira, eles poderiam assinar por cinco anos, e ficarem até 21 anos.

“Já se tentamos mostrar na Fifa que esse prazo tinha que ser aumentado. Mas os europeus, na verdade, querem reduzir a norma para poderem assinar a transferência com 17 anos. A tendência parece ser manter como está”, contou o advogado Marco Motta, especialista em transferência e que já fez parte de comitês da Fifa. “Desse jeito, não tem como segurar.”

Os comitês para julgamentos de casos de transferência na fifa rejeitam qualquer cláusula que estabeleça uma preferência para prolongar o contrato. Há uma jurisprudência nesse sentido. Assim, não adianta o clube tentar se precaver com esse tipo de mecanismo.

Ressalte-se que a norma da Fifa tem como razão a tentativa de reduzir o tráfico internacional de menores já que empresários levam jogadores para a Europa às vezes em condições precárias. Isso ocorre, em geral, com atletas da África e da América do Sul.

“Não só no Brasil, mas em todo mundo essa é a norma mais criticada pelos clubes. Isso porque um time da Espanha, menor, por exemplo, também pode perder o jogador para outro grande”, contou o advogado Eduardo Carlezzo, outro especialista em direito esportivo internacional. “Pelo ângulo do jogador famoso e que vai ganhar dinheiro, pode não fazer sentido. Mas tem o lado do jogador menor desconhecido. A Fifa parte do pressuposto que tem que proteger.”

Carlezzo defende que deveria ser respeita a legislação de cada país, sem uma limitação da Fifa. Neste caso, os clubes brasileiros poderiam fazer contratos de cinco anos e segurar seus jogadores até os 21 anos. Na Espanha, esses acordos poderiam valer até seis anos.

Ao negociar uma possível transferência junto com a renovação, o Flamengo consegue garantir a extensão do contrato de Vinicius Jr, aumentando sua multa rescisória. Ao mesmo tempo, garante ao Real Madrid a compra dos seus direitos por 45 milhões de euros. O clube brasileiro aumenta seu ganho, e talvez estenda a permanência do atleta, o espanhol garante sua ida para Madrid, e Vinicius Jr lucra com a operação. Ressalte-se que não há nada assinado, nem a negociação foi concluída.

 


Para Barça, Vinicius Jr. quebrou promessa verbal ao preferir Real
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O Barcelona viu como uma quebra de uma promessa verbal a negociação avançada entre o rubro-negro Vinicius Junior e o Real Madrid. Representantes do clube catalão dizem que o jogador tinha uma espécie de acordo de que atuaria por lá, mas foram avisados por empresários dele que tinham preferido o time madrilenho. A diretoria rubro-negra diz que não há nada fechado, nem perto disso.

Há pelo menos um ano que o Barcelona monitora o atacante em seus jogos pela divisão de base do time carioca e da seleção brasileira. Em paralelo, o clube tinha conversas com empresários da Traffic que cuidam da carreira de Vinicius Junior sobre uma futura transferência já que o jogador tem menos de 18 anos.

Segundo representantes da equipe catalã, em todos esses contatos o jogador disse que iria para o Barcelona quando atuasse na Europa. Seus empresários também fizeram promessas similares, de acordo com fontes do time barcelonista. Havia assim a crença de que Vinicius Jr tinha uma conexão com o clube até por sua ligação com Neymar e com a Nike. Mas não havia nada assinado.

Para o Barcelona, foram os empresários do jogador que o convenceram a dar preferência ao Real por mais dinheiro já que o time catalão não entraria em leilão. O entendimento dos dirigentes do time de Neymar será a pior opção para Vinicius Jr pois o time madrilenho não sabe trabalhar bem com jogadores jovens contratados.

A diretoria do Flamengo trabalhava para a renovação do contrato do jogador principalmente após ele ser eleito o melhor do Campeonato Sul-Americano. E os representantes de Vinicius Jr levaram as sondagens ou propostas de clubes para o time rubro-negro. O fato de o Real ter entrado em contato com os dirigentes cariocas faz diferença.

A idade de Vinicius Jr é um trunfo e uma desvantagem para o Flamengo ao mesmo tempo. Primeiro, nenhum dos times europeus pode pagar € 30 milhões da multa de seu contrato agora porque ele é menor e não pode se transferir. Ao mesmo tempo, o clube só tem contrato até o meio de 2019 por limitação de legislação da Fifa e qualquer um poderia pagar essa multa no meio de 2018 quando ele será maior.

Para obter mais dinheiro do que isso, o Flamengo precisa renovar o contrato com o jogador e aumentar sua multa rescisória, talvez associada a conversa com um clube europeu. O empresário de Vinicius Junior, Lucas Mineiro, foi procurado pelo blog, mas não quis falar sobre a negociação.


Contrato de Neymar com Real foi feito em avião e nunca assinado em 2011
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A disputa acirrada de Real Madrid, Barcelona, Chelsea e Bayern Munique pela contratação de Neymar enquanto ele estava no Santos é relatada em detalhes no novo livro “Football’s Secret Trade” (Os segredos das transferências de futebol), de Tariq Panja e Alex Duff. O blog publica aqui trechos e algumas informações do livro, que será lançado nesta segunda-feira, pela editora Bloomberg Press, na Europa.

Há dois capítulos sobre a transferência de Neymar. Algumas das histórias são bem conhecidas pelo público brasileiro como a tentativa frustrada do Chelsea de contrata-lo em 2010 em reunião em Nova York, a investida forte do Real Madrid e o sucesso obtido pelo Barcelona ao assinar o acordo em novembro de 2011 (muito fruto da vontade do próprio Neymar).

Mas alguns detalhes novos dessas negociações são revelados como os bastidores da investida do Real Madrid sobre o atacante agora barcelonista. O livro nos conta como o time madrilenho tentou seduzir todos os lados, e esteve tão perto de assinar com o jogador a ponto de um contrato ter sido rascunhado para fechar o acordo em 2011. Aí vai o trecho do livro que conta essa história:

“O Real Madrid estava ciente da série de patrocinadores que Neymar estava atraindo. O clube espanhol tinha a política de pegar 50% dos contratos dos jogadores que assinava, e por anos perseguiu jogadores de alto padrão como David Beckham para aumentar sua renda. José Angelo Sanchez, o diretor geral do clube que tinha assinado com Beckham em 2003, teve um encontro com o advogado do Sonda, Eduardo Carlezzo, em Madrid no final de 2011. Mais ou menos na mesma época, o Real Madrid fez uma oferta por Neymar de € 45 milhões que foi rejeitada, e o advogado representando a cadeira de supermercado não tinha poder de ajudar para que se concretizasse. “Eu falei para o Real Madrid que estávamos interessados em que o jogador fosse para o Real Madrid também, mas a influência do Sonda no Santos era zero”, disse Carlezzo. A relanção do Santos com o Sonda se deteriorou porque o clube não gostava mais da ideia de empresas de fora terem percentuais sobre os direitos econômicos de Neymar, e tinha “começado uma guerra” com Sonda, disse Carlezzo.”

“O Real Madrid tentou em outro front. O presidente Florentino Pérez chamou o o presidente do Santos enquanto ele estava levando dois de seus seis filhos mais velhos para uma viagem à França. Pérez ofereceu um voo para Luiz Alvaro ir a Madrid almoçar. ‘Eu imagino que você queira almoçar comigo para falarmos dos direitos de Neymar?”, perguntou Luis Álvaro, lembrando a conversa. “Eu disse ‘não perca seu tempo e combustível de avião porque nós não temos interesse em vender’. O que ele fez? Ele entrou em um avião e voou para Paris e almoçou comigo’. Em meio a cordeiro e batata gratinada no Guy Savoy, um dos mais exclusivos restaurantes de Paris, Álvaro disse para Pérez o que dissera para o Chelsea: sem venda.”

“Mesmo assim, o Real Madrid entendia que estava fazendo progresso com o pai de Neymar. Motta (Marcos, advogado de Neymar) até rascunhou um contrato entre o clube e Neymar. O contrato era para ser totalmente secreto, mas com pouco tempo antes de um encontro crucial, Motta completou seu trabalho em um voo de uma hora da TAM entre Rio de Janeiro e São Paulo. ‘Eu disse para o meu assistente Stefano, vamos olhar o contrato no avião”, disse Motta, um extrovertido cujas camisas sociais têm suas iniciais. ‘Mas nós não vamos levar a primeira página do contrato porque você nunca sabe quem está sentado do seu lado'”

“Na manhã seguinte às 5 horas da manhã eu recebo uma chamada no meu telefone celular de um amigo perguntando para mim se eu tinha visto a edição da manhã do jornal “O Globo”. Nas páginas do jornal diário do Rio de Janeiro, o colunista Anselmo Gois noticiou: “Marcos Motta advogado de Neymar estava em um voo da TAM na manhã revisando um contrato entre o Real Madrid e o garoto” Motta pensou para lembrar quem poderia estar olhando sobre seus ombros no avião. “Tinha um cara fingindo que estava dormindo, um tipo de cara famoso na TV e talvez ele tenha visto” disse Motta. “Eu estava preocupado com as pessoas atrás de mim, não com este cara que parecia estar dormindo”. No final, o rascunho do contrato não foi necessário”

Além da história do Real, o livro conta que o Chelsea insistiu na tentativa de contratar Neymar usando um diretor chamado Micheal Emenalo que prometia que o jogador iria se transformar em um astro do time, a ponto de compara-lo com Michael Jordan no Chicago Bulls. Já o Bayern de Munique tentou por meio de um agente chamado Giovanni Branchini.

Ao final, um trecho mostra o momento decisivo para a escolha de Neymar pelo Barcelona:

“Quanto mais ele se encontrava com os poderosos perseguidores de seu filho, mais dinheiro o pai de Neymar percebia que ele poderia tirar deles. Ele decidiu que qualquer time que assinasse com o seu filho teria de pagar adiantado a multa de € 10 milhões, um arranjo que não era conhecido no mundo do futebol. E então, com o complemento do negócio, seu filho teria direito a outros € 30 milhões. Com esse plano, se uma das partes desistisse, teria de pagar a penalidade de € 40 milhões. Motta disse para Neymar pai que era uma jogada de mestre. ‘ Eu disse: parabéns você conseguiu. Não é uma questão de dinheiro agora. Você pode conseguir  o dinheiro que você quer do Chelsea, Real Madrid, Barcelona e Bayern. É o momento de você olhar seu filho nos olhos e dizer onde ele quer jogar, o que vai fazê-lo feliz?”

Como se sabe, Neymar decidiu pelo Barcelona e recebeu os € 10 milhões antecipados seis dias apenas antes da final com o Santos pelo Mundial, como mostrou esse blog em 2014. A diretoria santista o tinha autorizado a negociar com qualquer clube. Depois disso, um sócio do Barcelona começou a questionar negócios feitos pelo ex-presidente Sandro Rosell, entre eles a transação de Neymar.

Isso resultou em processos criminais na Espanha em torno da transação ainda em aberto que investigam as condutas de Neymar, seu pai, o Barcelona e seus dirigentes. O clube catalão já teve que pagar milhões de euros por uma multa do fisco espanhol. Ainda não há uma conclusão para o caso.

PS Recomendo bastante a leitura do livro “Football’s secret trade How the Player Transfer Market was Infiltrated” não só pela história detalhada de Neymar como outras envolvendo os negócios de transferências de jogadores. Tariq Panja é um dos repórteres de maior credibilidade no jornalismo esportivo europeu e conhece bem o Brasil porque morou aqui. É também amigo deste blogueiro. Infelizmente, o livro não tem edição brasileira ainda. A tradução é por conta e risco do blog.