Blog do Rodrigo Mattos

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Superou Super Bowl: por que a final da Champions é o maior jogo do ano
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Por uma tradição europeia, a final da Liga dos Campeões é disputada em um jogo único. O crescimento da competição em interesse global elevou a evento esportivo mais valioso do ano, superando até o Super Bowl (a final do futebol norte-americano). Sua audiência é maior e mais global, e os valores envolvidos na decisão entre Real Madrid e Juventus, em Cardiff, se aproxima de R$ 300 milhões.

Não foi um caminho fácil. Quando a Liga dos Campeões foi formada, em 1992, seus direitos comerciais inteiros valiam € 8 milhões. Nesta temporada, consideradas as três competições de clubes europeias, a Uefa vai arrecadar € 2,4 bilhões.

Há vários elementos envolvidos nesta evolução da Champions, como organização, uma cara fixa e promoção da competição, atração de jogadores de alto nível à Europa. E o jogo único ajudou a atrair todas as atenções do mundo para o campeonato.

No ano passado, a final da Liga foi assistida por 160 milhões de pessoas, acima dos 145 milhões do Super Bowl. Os números são da Uefa, mas outros indicadores pelo mundo confirmam que o jogo de futebol superou o esporte dos EUA (ainda que exista variações nos índices).

Também há uma maior abrangência da Liga dos Campeões que vai para 200 países, enquanto a decisão do futebol americano fica em 180. E a maior parte da audiência do evento norte-americano é concentrado no próprio país.

Em palestra na CBF em maio, a chefe de operações comerciais da Uefa, Catalina Navarro, ressaltou essa característica: “Foi o evento mais assistido, passando o Super Bowl. É um evento de nível global, não somente de interesse europeu.”

Por conta disso, os valores financeiros envolvidos na final têm crescido. Só em premiações para os dois times pela participação na final são € 26,5 milhões, isto é, R$ 60,3 milhões. O campeão fica com € 15,5 milhões, e o restante é do vice.

Fontes do mercado avaliam que os direitos de televisão apenas desse jogo valem US$ 15 milhões, o que representa quase R$ 50 milhões. Há ainda valores indiretos envolvidos como os patrocínios que são para toda a competição, e comerciais pelo mundo inteiro para as redes de televisão, impossíveis de mensurar.

Como ocorre com o Super Bowl, há atualmente uma concorrência para sediar a final da Liga dos Campeões. A cidade de Cardiff estima uma arrecadação de 40 milhões de libras (R$ 170 milhões) por ser a sede do jogo. Esse tipo de mediação, claro, é impreciso. Mas a previsão é de 170 mil turistas, mais do que o dobro da capacidade do estádio de Cardiff.

Certo é que a cidade de Gales se tornará o centro do mundo por duas horas, uma capacidade que antes só a Copa do Mundo e a Olimpíada tinham de produzir. A Liga dos Campeões atrai menos atenção global do que esses dois eventos. Mas seu crescimento exponencial parece não parece ter limites.


Vinicius Jr opta por Real por chance como titular, salário e acordo com Fla
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Após meses de assédio, o Flamengo anunciou que fechou negócio com o Real Madrid para venda de Vinicius Jr. que só vai se transferir a partir de 2018. Uma reviravolta em cenário de dois meses atrás quando o Barcelona estava mais próximo do atleta. Vinicius Jr. optou pelo time madrilenho por mais chances de ser titular, maior salário e um acordo consensual com o Flamengo.

Monitorando o jogador há pelo menos um ano, o Barcelona chegou a dar como bem próxima a contratação e se sentiu traído. O staff do jogador chegou a visitar a cidade catalã. Mas as negociações com o Flamengo nunca evoluíram no valor desejado pelo clube carioca.

Em contrapartida, o Real Madrid passou a sondar o jogador enquanto negociava diretamente com o time rubro-negro. Pesou no ímpeto madrilenho a perda da corrida por Neymar para o Barcelona na saída do Santos. A intenção era que não se repetisse. Ao final de abril, Vinicius Jr avisou que preferia o time madrilenho.

Na escolha do jogador, foi levado em consideração de que no futuro entende ter mais chances de ser titular no Real do que no Barcelona. Explica-se: o trio Neymar, Suárez e Messi compõe o ponto alto do time catalão. Não que o ataque madrilenho seja menos forte com Cristiano Ronaldo, Bale e Benzema. Mas o staff do jogador e ele entendem que há mais espaço para crescer ali no setor esquerdo do Real.

Além disso, o Barcelona evitava entrar em leilão e tentava convencer o jogador com a imagem do clube, de aproveitar mais jogadores jovens. O salário proposto pelo Real Madrid foi superior ao do time rival.

Para completar, o time madrilenho fez a negociação com Vinicius Jr. casada com o Flamengo. Tanto que a renovação de contrato do jogador até 2019 foi anunciada pouco antes de concretizada a transferência do atleta. E o atacante não mostrou em nenhum momento intenção de brigar com seu clube de origem. Ou seja, o atleta também deu preferência para o clube que atendeu melhor os interesses rubro-negros.


Vinicius Jr pode decidir data da saída do Fla, Real pode pedi-lo em 2018
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Com Vinicius Castro

Com sua venda acertada, o atacante Vinicius Jr. terá a palavra final sobre a data da sua saída do Flamengo para o Real Madrid. O clube madrilenho tem a prerrogativa de pedir para que o jogador vá para a Espanha já no meio de 2018 quando ele for maior. Mas, se Vinicius Jr quiser, pode pedir para ficar mais seis meses ou um ano.

O acerto foi necessário porque a negociação foi feita como uma promessa de venda. Como menor, aos 16 anos, Vinicius Jr. não pode ser negociado ou registrado pelo Real Madrid. Esse tipo de operação já foi feita com outros clubes e é legal desde que com a concordância do time original do atleta.

Por isso, foi feita uma operação casada da renovação de seu contrato com o Flamengo com aumento de multa ao mesmo tempo que se fechou a negociação por € 45 milhões (R$ 164 milhões) com o Real Madrid. Seu compromisso com o time rubro-negro ia até o meio de 2019.

A questão é o amadurecimento do jogador que só agora subiu para o profissional do Flamengo. Se entender que o jogador está pronto no meio de 2018 o time madrilenho já pode requisita-lo sem que o time carioca possa barrar sua saída.

Mas, se o Real não quiser o jogador em um ano, já está engatilhado um empréstimo para que ele fique no Flamengo por mais seis meses ou por mais um ano. Mas, em todos os casos, a vontade do jogador vai prevalecer. Obviamente, a vontade do clube espanhol que terá seus direitos vai pesar sobre ele neste cenário.


Entenda por que norma da Fifa induz Fla a vender Vinicius Jr
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O Flamengo tinha como intenção renovar o contrato de Vinicius Jr, mas provavelmente terá de fazer isso associado a uma venda antecipada ao Real Madrid. Isso se explica pela norma da Fifa que proíbe clubes de assinarem com jogadores de menos de 18 anos por períodos iguais aos maiores. Assim, fica difícil para times nacionais segurarem atletas que estouram ainda menores.

Atualmente, Vinicius Jr tem contrato até o meio de 2019, o máximo permitido quando da assinatura no meio do ano passado, com multa de 30 milhões de euros. Desde o final do Campeonato Sul-Americano sub-17, a diretoria do Flamengo intensificou a negociação para fazer um novo contrato. Mas ali já era maior o assédio de grandes times europeus.

Então, o clube rubro-negro passou a viver a seguinte situação: perderiam o jogador por esse valor em 2018 por 30 milhões de euros. Por que? A cláusula 18 do estatuto de status e transferência do jogador da Fifa estabelece que o atleta pode se transferir para fora do país quando for maior, e limita aos três anos o contrato com menor. Ou seja, os times brasileiros só têm como segurá-los até os 19 anos. Pela lei brasileira, eles poderiam assinar por cinco anos, e ficarem até 21 anos.

“Já se tentamos mostrar na Fifa que esse prazo tinha que ser aumentado. Mas os europeus, na verdade, querem reduzir a norma para poderem assinar a transferência com 17 anos. A tendência parece ser manter como está”, contou o advogado Marco Motta, especialista em transferência e que já fez parte de comitês da Fifa. “Desse jeito, não tem como segurar.”

Os comitês para julgamentos de casos de transferência na fifa rejeitam qualquer cláusula que estabeleça uma preferência para prolongar o contrato. Há uma jurisprudência nesse sentido. Assim, não adianta o clube tentar se precaver com esse tipo de mecanismo.

Ressalte-se que a norma da Fifa tem como razão a tentativa de reduzir o tráfico internacional de menores já que empresários levam jogadores para a Europa às vezes em condições precárias. Isso ocorre, em geral, com atletas da África e da América do Sul.

“Não só no Brasil, mas em todo mundo essa é a norma mais criticada pelos clubes. Isso porque um time da Espanha, menor, por exemplo, também pode perder o jogador para outro grande”, contou o advogado Eduardo Carlezzo, outro especialista em direito esportivo internacional. “Pelo ângulo do jogador famoso e que vai ganhar dinheiro, pode não fazer sentido. Mas tem o lado do jogador menor desconhecido. A Fifa parte do pressuposto que tem que proteger.”

Carlezzo defende que deveria ser respeita a legislação de cada país, sem uma limitação da Fifa. Neste caso, os clubes brasileiros poderiam fazer contratos de cinco anos e segurar seus jogadores até os 21 anos. Na Espanha, esses acordos poderiam valer até seis anos.

Ao negociar uma possível transferência junto com a renovação, o Flamengo consegue garantir a extensão do contrato de Vinicius Jr, aumentando sua multa rescisória. Ao mesmo tempo, garante ao Real Madrid a compra dos seus direitos por 45 milhões de euros. O clube brasileiro aumenta seu ganho, e talvez estenda a permanência do atleta, o espanhol garante sua ida para Madrid, e Vinicius Jr lucra com a operação. Ressalte-se que não há nada assinado, nem a negociação foi concluída.

 


Para Barça, Vinicius Jr. quebrou promessa verbal ao preferir Real
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O Barcelona viu como uma quebra de uma promessa verbal a negociação avançada entre o rubro-negro Vinicius Junior e o Real Madrid. Representantes do clube catalão dizem que o jogador tinha uma espécie de acordo de que atuaria por lá, mas foram avisados por empresários dele que tinham preferido o time madrilenho. A diretoria rubro-negra diz que não há nada fechado, nem perto disso.

Há pelo menos um ano que o Barcelona monitora o atacante em seus jogos pela divisão de base do time carioca e da seleção brasileira. Em paralelo, o clube tinha conversas com empresários da Traffic que cuidam da carreira de Vinicius Junior sobre uma futura transferência já que o jogador tem menos de 18 anos.

Segundo representantes da equipe catalã, em todos esses contatos o jogador disse que iria para o Barcelona quando atuasse na Europa. Seus empresários também fizeram promessas similares, de acordo com fontes do time barcelonista. Havia assim a crença de que Vinicius Jr tinha uma conexão com o clube até por sua ligação com Neymar e com a Nike. Mas não havia nada assinado.

Para o Barcelona, foram os empresários do jogador que o convenceram a dar preferência ao Real por mais dinheiro já que o time catalão não entraria em leilão. O entendimento dos dirigentes do time de Neymar será a pior opção para Vinicius Jr pois o time madrilenho não sabe trabalhar bem com jogadores jovens contratados.

A diretoria do Flamengo trabalhava para a renovação do contrato do jogador principalmente após ele ser eleito o melhor do Campeonato Sul-Americano. E os representantes de Vinicius Jr levaram as sondagens ou propostas de clubes para o time rubro-negro. O fato de o Real ter entrado em contato com os dirigentes cariocas faz diferença.

A idade de Vinicius Jr é um trunfo e uma desvantagem para o Flamengo ao mesmo tempo. Primeiro, nenhum dos times europeus pode pagar € 30 milhões da multa de seu contrato agora porque ele é menor e não pode se transferir. Ao mesmo tempo, o clube só tem contrato até o meio de 2019 por limitação de legislação da Fifa e qualquer um poderia pagar essa multa no meio de 2018 quando ele será maior.

Para obter mais dinheiro do que isso, o Flamengo precisa renovar o contrato com o jogador e aumentar sua multa rescisória, talvez associada a conversa com um clube europeu. O empresário de Vinicius Junior, Lucas Mineiro, foi procurado pelo blog, mas não quis falar sobre a negociação.


Contrato de Neymar com Real foi feito em avião e nunca assinado em 2011
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A disputa acirrada de Real Madrid, Barcelona, Chelsea e Bayern Munique pela contratação de Neymar enquanto ele estava no Santos é relatada em detalhes no novo livro “Football’s Secret Trade” (Os segredos das transferências de futebol), de Tariq Panja e Alex Duff. O blog publica aqui trechos e algumas informações do livro, que será lançado nesta segunda-feira, pela editora Bloomberg Press, na Europa.

Há dois capítulos sobre a transferência de Neymar. Algumas das histórias são bem conhecidas pelo público brasileiro como a tentativa frustrada do Chelsea de contrata-lo em 2010 em reunião em Nova York, a investida forte do Real Madrid e o sucesso obtido pelo Barcelona ao assinar o acordo em novembro de 2011 (muito fruto da vontade do próprio Neymar).

Mas alguns detalhes novos dessas negociações são revelados como os bastidores da investida do Real Madrid sobre o atacante agora barcelonista. O livro nos conta como o time madrilenho tentou seduzir todos os lados, e esteve tão perto de assinar com o jogador a ponto de um contrato ter sido rascunhado para fechar o acordo em 2011. Aí vai o trecho do livro que conta essa história:

“O Real Madrid estava ciente da série de patrocinadores que Neymar estava atraindo. O clube espanhol tinha a política de pegar 50% dos contratos dos jogadores que assinava, e por anos perseguiu jogadores de alto padrão como David Beckham para aumentar sua renda. José Angelo Sanchez, o diretor geral do clube que tinha assinado com Beckham em 2003, teve um encontro com o advogado do Sonda, Eduardo Carlezzo, em Madrid no final de 2011. Mais ou menos na mesma época, o Real Madrid fez uma oferta por Neymar de € 45 milhões que foi rejeitada, e o advogado representando a cadeira de supermercado não tinha poder de ajudar para que se concretizasse. “Eu falei para o Real Madrid que estávamos interessados em que o jogador fosse para o Real Madrid também, mas a influência do Sonda no Santos era zero”, disse Carlezzo. A relanção do Santos com o Sonda se deteriorou porque o clube não gostava mais da ideia de empresas de fora terem percentuais sobre os direitos econômicos de Neymar, e tinha “começado uma guerra” com Sonda, disse Carlezzo.”

“O Real Madrid tentou em outro front. O presidente Florentino Pérez chamou o o presidente do Santos enquanto ele estava levando dois de seus seis filhos mais velhos para uma viagem à França. Pérez ofereceu um voo para Luiz Alvaro ir a Madrid almoçar. ‘Eu imagino que você queira almoçar comigo para falarmos dos direitos de Neymar?”, perguntou Luis Álvaro, lembrando a conversa. “Eu disse ‘não perca seu tempo e combustível de avião porque nós não temos interesse em vender’. O que ele fez? Ele entrou em um avião e voou para Paris e almoçou comigo’. Em meio a cordeiro e batata gratinada no Guy Savoy, um dos mais exclusivos restaurantes de Paris, Álvaro disse para Pérez o que dissera para o Chelsea: sem venda.”

“Mesmo assim, o Real Madrid entendia que estava fazendo progresso com o pai de Neymar. Motta (Marcos, advogado de Neymar) até rascunhou um contrato entre o clube e Neymar. O contrato era para ser totalmente secreto, mas com pouco tempo antes de um encontro crucial, Motta completou seu trabalho em um voo de uma hora da TAM entre Rio de Janeiro e São Paulo. ‘Eu disse para o meu assistente Stefano, vamos olhar o contrato no avião”, disse Motta, um extrovertido cujas camisas sociais têm suas iniciais. ‘Mas nós não vamos levar a primeira página do contrato porque você nunca sabe quem está sentado do seu lado'”

“Na manhã seguinte às 5 horas da manhã eu recebo uma chamada no meu telefone celular de um amigo perguntando para mim se eu tinha visto a edição da manhã do jornal “O Globo”. Nas páginas do jornal diário do Rio de Janeiro, o colunista Anselmo Gois noticiou: “Marcos Motta advogado de Neymar estava em um voo da TAM na manhã revisando um contrato entre o Real Madrid e o garoto” Motta pensou para lembrar quem poderia estar olhando sobre seus ombros no avião. “Tinha um cara fingindo que estava dormindo, um tipo de cara famoso na TV e talvez ele tenha visto” disse Motta. “Eu estava preocupado com as pessoas atrás de mim, não com este cara que parecia estar dormindo”. No final, o rascunho do contrato não foi necessário”

Além da história do Real, o livro conta que o Chelsea insistiu na tentativa de contratar Neymar usando um diretor chamado Micheal Emenalo que prometia que o jogador iria se transformar em um astro do time, a ponto de compara-lo com Michael Jordan no Chicago Bulls. Já o Bayern de Munique tentou por meio de um agente chamado Giovanni Branchini.

Ao final, um trecho mostra o momento decisivo para a escolha de Neymar pelo Barcelona:

“Quanto mais ele se encontrava com os poderosos perseguidores de seu filho, mais dinheiro o pai de Neymar percebia que ele poderia tirar deles. Ele decidiu que qualquer time que assinasse com o seu filho teria de pagar adiantado a multa de € 10 milhões, um arranjo que não era conhecido no mundo do futebol. E então, com o complemento do negócio, seu filho teria direito a outros € 30 milhões. Com esse plano, se uma das partes desistisse, teria de pagar a penalidade de € 40 milhões. Motta disse para Neymar pai que era uma jogada de mestre. ‘ Eu disse: parabéns você conseguiu. Não é uma questão de dinheiro agora. Você pode conseguir  o dinheiro que você quer do Chelsea, Real Madrid, Barcelona e Bayern. É o momento de você olhar seu filho nos olhos e dizer onde ele quer jogar, o que vai fazê-lo feliz?”

Como se sabe, Neymar decidiu pelo Barcelona e recebeu os € 10 milhões antecipados seis dias apenas antes da final com o Santos pelo Mundial, como mostrou esse blog em 2014. A diretoria santista o tinha autorizado a negociar com qualquer clube. Depois disso, um sócio do Barcelona começou a questionar negócios feitos pelo ex-presidente Sandro Rosell, entre eles a transação de Neymar.

Isso resultou em processos criminais na Espanha em torno da transação ainda em aberto que investigam as condutas de Neymar, seu pai, o Barcelona e seus dirigentes. O clube catalão já teve que pagar milhões de euros por uma multa do fisco espanhol. Ainda não há uma conclusão para o caso.

PS Recomendo bastante a leitura do livro “Football’s secret trade How the Player Transfer Market was Infiltrated” não só pela história detalhada de Neymar como outras envolvendo os negócios de transferências de jogadores. Tariq Panja é um dos repórteres de maior credibilidade no jornalismo esportivo europeu e conhece bem o Brasil porque morou aqui. É também amigo deste blogueiro. Infelizmente, o livro não tem edição brasileira ainda. A tradução é por conta e risco do blog.


Como Turner quer incluir Palmeiras em torneio amistoso de grandes da Europa
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Para fechar com o Palmeiras contrato pelo Brasileiro-2019, o Esporte Interativo incluiu um projeto para internacionalizar a marca do clube com participação em um torneio com os gigantes da Europa. A ideia é usar as parcerias da Turner com empresas que têm direitos sobre datas de times como Barcelona, Real Madrid, Bayern de Munique, Chelsea e Manchester City, entre outros.

A empresa Relevent Sports foi responsável por criar a International Championships Cup em 2013 com o objetivo de atrair grandes europeus para jogar na pré-temporada nos EUA. O torneio se expandiu e agora terá edições em 2017 no terreno norte-americano, na China e na Australia. No total, são 17 equipes europeias, incluindo grandes da Espanha, Itália, Alemanha, Inglaterra e França.

O Esporte Interativo tem os direitos para o Brasil da competição por cinco anos. E já teve conversas com a Relevent e com a Catalyst, que participa da organização, sobre a intenção deles de realizar uma edição no país no futuro.

Assim, a expectativa da Turner é trazer alguns desses gigantes europeus para jogar no Allianz Parque contra o Palmeiras. Outra opção seria levar o Palmeiras para jogar na China, na edição de lá do torneio.

Há empecilhos neste plano. A pré-temporada europeia ocorre no meio do Campeonato Brasileiro. Portanto, haveria a dificuldade para o Palmeiras conseguir datas para atuar fora, ou mesmo em seu estádio. Até porque clubes só podem jogar torneios amistosos durante o Nacional com autorização da CBF.

O blog tentou contato com a Relevant para saber sobre planos de expansão para o Brasil, mas não obteve retorno.

 


Neymar terá de recusar ofertas maiores para renovar com Barça
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O atacante Neymar faz selfie na festa do título espanhol  (Crédito: Xinhua/Lino De Vallier)

O atacante Neymar faz selfie na festa do título espanhol (Crédito: Xinhua/Lino De Vallier)

Para renovar com o Barcelona para além de 2018, Neymar terá de aceitar um salário menor do que o oferecido por outros clubes europeus como Manchester United, Paris Saint-Germain e Real Madrid. A proposta do time catalão para estender seu contrato já foi feita e cabe agora a ele decidir se prefere se manter no clube. A tendência é pela sua permanência.

Pelo atual acordo, Neymar recebe € 5 milhões por ano, mais uma premiação que pode chegar a € 2,7 milhões. Há ainda uma garantia de que, no total, ele receberá € 49 milhões em todos os cinco anos de contrato. Esse compromisso vale até 2018.

O staff do jogador recebeu assédio dos outros grandes europeus como PSG, Manchester e Real que se comprometeram a pagar a cláusula de € 190 milhões ao Barça. O clube catalão ofereceu um aumento salarial para o jogador, mas sem igualar a proposta feita pelos rivais. Segundo fontes envolvidas na negociação, a diferença entre os valores é considerável.

Há uma política de restrição de valores dentro do time barcelonista. O objetivo é seduzir os jogadores com a possibilidade de título, e com a fidelidade a equipe. Já foi assim quando Neymar escolheu o Barcelona em 2011, ao assinar o pré-contrato que o prendeu ao clube. Ele rejeitou propostas maiores de Real e Chelsea.

A agremiação catalã pretende estender o contrato até 2021, com um aumento da cláusula rescisória. O novo valor deve ser de 250 milhões de euros similar do de Messi. Certo é que a decisão sobre se ele fica no Barça vai se resolver nesta janela de transferências europeia.

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Futebol não é justo: o destino escolheu Ronaldo para decidir a Liga
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Nas mãos de Simeone, o Atletico de Madrid encontrou uma forma de lutar de igual para igual contra times superiores tecnicamente, mais ricos, como Real Madrid, Barcelona, e Bayern de Munique. Desclassificou dois deles, igualou o jogo na final, e se esforçou mais do que o rival. E perdeu em um pênalti na trave.

Do outro lado, Cristiano Ronaldo foi um jogador excepcional, de novo, em toda a Liga dos Campeões. Mais uma vez, chegou baleado à final e praticamente não jogou. A ponto de deixar sobrecarregado Bale que puxou os ataques só. O erro de Juanfran na cobrança de pênalti lhe deu, no entanto, a bola do jogo. O destino, o acaso, deu a ele o chute final do título.

Futebol não tem nada a ver com justiça. Sim, é preciso ter méritos para montar um time que seja campeão da mais importante competições de clubes atual. Mas há momentos em que o acaso toma o lugar da lógica para decidir a partida.

Verdade que nesta final poderia ter ganho qualquer um dos dois times tal o equilíbrio. De início, o Real era dominante com seu meio de campo formado por Kroos, Modric e Casemiro. Sim, Casemiro foi, neste sábado, talvez o maior jogador do Real. No meio de gigantes, corrigiu erros do time, acertou quase tudo.

O gol saiu de forma ilegal com Sergio Ramos, aquele que sempre faz gols decisivos e completou um cruzamento de Kroos com desvio de Bale.

E o Atletico teria de sair do seu formato habitual de aproveitar o contra-ataque. Soube se adaptar. Iniciado o segundo tempo, o time de Simeone era superior e criou três chances em 15min, jogando à frente, pressionando o rival. Chegou a perder um pênalti mal marcado nos pés de Griezman.

Até que chegou ao gol com o toque de Carrasco no cruzamento de Juanfran. Uma cena épica em que ele foi beijar sua namorada ao lado do campo. E a torcida do Atletico cantava, assim como seus jogadores corriam mais do que os rivais. A maré parecia ter virado.

O jogo foi para a prorrogação igual, com o Real tentando superar suas limitações físicas. E assim chegou ao final dos 120 minutos para ser decidido nas penalidades, com jogadores cansados, com cãibras.

As cobranças foram bem executadas, inclusive a de Griezman. Menos a última do Atletico, a de Juanfran. E aí chegou a vez de Ronaldo, aquele que quase não falha. Seu chute final transformou Zidane, um técnico estreante, em campeão na sua primeira liga enquanto Simeone perde pela segunda vez após três anos de trabalho.

O Real Madrid ganhou pela 11a vez porque é um time, com méritos e escolhido pelo destino. O futebol é um resumo da vida, onde, às vezes, não interessa quanto você acerte: um só erro pode decidir tudo.


Real, Barça e Bayern ganham R$ 5 bi, mais do que toda Série A do Brasil
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Juntos, Bayern de Munique, Barcelona e Real Madrid ganharam R$ 5 bilhões em receitas na última temporada, número muito superior a de todos os clubes da Série A do Brasileiro. Mais do que isso, o abismo entre o futebol nacional e o europeu aumentou, já que as rendas dos gigantes europeus cresce de forma vigorosa, e a dos brasileiros estagnou.

Nesta sexta-feira, o clube alemão foi o último a revelar seus balanço de 2013/2014, com uma receita total de R$ 1,655 bilhão. Anteriormente, o time madrilenho revelara receita de R$ 1,721 bilhões, e a agremiação catalã ficou com R$ 1,658 bilhão. Pela primeira vez ultrapassaram o patamar de R$ 5 bi juntos. São os mais ricos ao lado do Manchester United.

Em comparação, um levantamento da consultoria BDO mostrou que 24 clubes brasileiros, incluindo todos da Série A e alguns da B como o Vasco, tiveram uma receita de R$ 3,2 bilhões. Ou seja, toda a elite nacional ficou com 54% a menos de dinheiro do que os três gigantes europeus.

Pode-se argumentar que isso já era sabido. A questão é que o abismo entre os grandes da Europa e o Brasil cresceu ainda mais na temporada passada. Afinal, os três clubes tiveram aumento de receitas, o Bayern em 22%. No Brasil, houve um incremento de apenas 2%. A estagnação ocorre depois de quatro anos de expansão forte das rendas no país

Outro argumento é de que a moeda forte favorece os europeus. É um fato. Mas há uma disparidade na gestão entre os clubes. O lema do Bayern é: “Não gastamos mais do que ganhamos”. Resultado: a agremiação completou 22 anos operando no azul, isto é, com lucro. Há dez anos que o Real também arrecada mais do que gasta. E o Barcelona recupera suas contas com dois superávit seguidos.

No Brasil, o cenário é oposto. Houve um déficit de R$ 432 milhões dos clubes nacionais, o maior em cinco anos, por conta dos gastos excessivos com o futebol. Apenas cinco times tiveram superávit, contra 19 que acumularam prejuízos.

Resultado: o Bayern anunciou que acabou de pagar o financiamento de seu estádio, o Real investiu quase € 200 milhões em jogadores (boa parte bancada por venda deles), e o Barça reduziu seu débito. A elite da Série A do Brasileiro viu sua dívida aumentar e ultrapassar R$ 3 bilhões.