Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : São Paulo Futebol Clube

São Paulo contrata 39% do elenco durante a temporada de 2017
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A rotatividade do elenco do São Paulo tem sido apontada como uma das maiores causas da crise técnica que o deixa na penúltima posição no Brasileiro. De fato, um levantamento do blog no elenco são-paulino mostra que quase metade do grupo chegou com a temporada em andamento. Se comparado com o time do ano passado, a alteração é ainda mais radical.

Dentro do Conselho de Administração do São Paulo, há a opinião de que as trocas constantes têm, sim, afetado o rendimento do time no Brasileiro. O entendimento é que o clube formou um novo time para este ano em relação a 2016, e depois uma terceira equipe durante a temporada.

O site do São Paulo registra 36 jogadores em seu elenco. Levantamento do blog mostra que 22 só chegaram para o time em 2017, seja no início ou no meio da temporada, incluídos os atletas da base promovidos. Ou seja, a diretoria fez uma renovação de 61% no time de 2016.

O então técnico Rogério Ceni já tinha, portanto, de montar uma base inteira para o ano. Mas, em seguida, a diretoria promoveu um ciclo de vendas de jogadores para cobrir buracos nas finanças que chegou a casa de R$ 181 milhões. E, depois, começou a contratar para fechar os espaços.

De novo, levantamento no site do clube mostra que 14 dos jogadores do time chegaram durante a temporada, isto é, 39%. Com exceção do gol e das laterais, todos os setores foram afetados. O ataque, por exemplo, só tem um atleta que já estava no grupo profissional na temporada de 2016: Gilberto. No meio, são três em 12.

Em entrevista ao UOL, o ex-auxiliar de Rogerio Micheal Beale ressaltou que trocas nesse nível afetavam o trabalho para formação de um time. E deu a entender que a comissão técnica sequer era avisada.

Em reuniões recentes, o diretor de futebol Vinicius Pinotti já argumentou a conselheiros que assumiu o futebol em abril e portanto é a partir dali que começou a implantar seu trabalho. Mas a troca constantes de diretores, vices e executivos de futebol no São Paulo é uma tônica desde o meio do ano passado. De fixo no clube só o presidente Carlos Augusto Barros e Silva.

Assim, membros do Conselho de Administração do São Paulo entendem que o time está eternamente em formação, seja nas mãos de Rogerio, seja agora com Dorival Jr. E, por isso, não rende.


CBF afrouxa regras financeiras para Brasileiro; Palmeiras terá gasto livre
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A CBF reduziu ao mínimo as regras de seu sistema de licenciamento para disputar o Brasileiro-2018, retirando os itens para controle de gastos e de exigência de CND. Com isso, apenas os clubes dentro do Profut terão de seguir as restrições de despesas e folha salarial para não perder o benefício. Único grande fora do programa, o Palmeiras não terá de respeitar limites ou reduzir déficits, assim como Sport e Chapecoense entre os times da Série A.

A explicação da CBF é que o processo será gradativo com aumento de exigências financeiras, de infraestrutura (CT e estádio), ano a ano. Neste primeiro ano, a intenção é fazer um diagnóstico e mostrar aos clubes que o que falta, ninguém deixará de ganhar a licença.

O licenciamento de clubes é um sistema implantado no futebol da Ásia e da Europa para dar maior responsabilidade financeira às gestões. Na Uefa, por exemplo, é o maior obstáculo para o Paris Saint-Germain contratar Neymar já que não terá como pagar a multa dentro das regras.

A CBF tem sido obrigada a implantar o sistema por determinação da Conmebol e da Fifa. O processo se iniciou em 2016 e o regulamento valerá a partir de 2018. Todos os clubes serão obrigados a obter a licença para disputar o Brasileiro.

O blog teve acesso ao regulamento final da CBF para licenciamento e a sua versão inicial redigida no ano passado, e enviada para todos os clubes. A confederação retirou praticamente todos os artigos que previam controles de gastos e de déficit como previsto no Profut.

“Porque precisávamos nos adaptar ao (regulamento) da Conmebol que veio no segundo semestre (de 2016). Quando foi feito o primeiro, não tinha o regulamento da Conmebol”, explicou o diretor do departamento  registro da CBF, Reynaldo Buzzoni. Isso não impediria a CBF de fazer regra mais dura. “É uma questão gradativa. A gente vai aumentar as exigências.”

Segundo ele, os clubes não conseguiriam se adaptar no primeiro ano e ficariam muitos sem licença. E o objetivo da CBF não é impedir ninguém de jogar, mas orientar sobre o que está faltando.

No regulamento final, a CBF deixou apenas como obrigação apresentar contas e não ter dívida fiscal. O primeiro item já é previsto em lei. E, no segundo caso, só haverá problemas se houver decisão final da Justiça. Foi retirada a obrigação de CND.

“Essa questão da CND estamos lutando para ficar fora (da lei)”, comentou Buzzoni. “Imagine que multam o UOL por algum motivo e ele perde a CND. Vai ficar sem poder exercer sua atividade jornalística? Quem não tiver CND não pode exercer sua atividade?”

Sem obrigação de CND e das medidas previstas no Profut, isso significa que não haverá controle nenhum sobre os gastos para participar do Brasileiro como ocorre na Europa. A maioria dos clubes da Série A, no entanto, terá de seguir as regras se quiser ficar no Profut com suas dívidas financiadas.

Como decidiram não aderir ao programa, Palmeiras, Sport e Chapecoense não estarão submetido a essas regras. Poderão antecipar receitas, gastar com futebol acima de 80% e apresentar déficit de mais de 5% da receita. Ressalte-se que os clubes também não se beneficiaram das condições mais generosas para pagamento de dívida do Prout. E o Palmeiras teve superávit em 2016.

Buzzoni não vê como isso possa causar desequilíbrio no Brasileiro. “É uma questão de gestão. Chapecoense faz boa gestão e quase não tem dívida. Sport também (boa gestão), e preferiu não entrar. É uma questão de cada clube”, completou o diretor da CBF. “Palmeiras tem um patrocinador, mas tem boa gestão, com receita de bilheteria.”

A entidade está realizando uma fiscalização nas contas do clube, ainda não concluída. A ideia é fazer um diagnóstico esse ano. Outros itens estão sendo analisados como infraestrutura, estádios, CTs, departamento de futebol.

O texto inicial do regulamento de licenciamento da CBF tinha mais de 70 itens. Foi reduzido para 25 na nova versão. Ambos ainda têm anexos financeiros, jurídico e de infraestrutura com as condições gerais.

O blog apurou que houve forte oposição de alguns clubes contra a versão inicial do regulamento redigida pelo jurista Alvaro Mello Filho. Há ainda uma ação do sindicato dos clubes, comandado por Mustafá Contursi, para questionar a legalidade do Profut, principalmente em relação a controle de gastos.

Veja abaixo as diferenças entre as versões inicial e final da confederação para o regulamento:

Antecipação de receita

A primeira versão proibia a antecipação de receitas pelo clube, com exceção de 30% no primeiro mandato para redução de dívidas ou construção de patrimônio. Agora, não há mais nenhuma previsão neste sentido.

Controle de gastos do futebol

O primeiro texto do licenciamento previa que o clube não poderia ter despesa superior à receita bruta. Seu déficit não poderia ser superior a 5% ao ano. E as despesas com futebol não poderiam ultrapassar 80% do total das receitas. Todas essas medidas foram excluídas da versão definitiva do regulamento.

Pagamentos em dia a jogadores

A minuta inicial do regulamento previa que era essencial para obter a licença comprovar que estava com a remuneração em dia dos jogadores. Foi outro item excluído.

Dívida fiscal

Os clubes eram obrigados a apresentar a CND (Certidão Negativa de Débito) para comprovar que estavam em regularidade fiscal, no primeiro documento. Pelo texto final, o clube não pode ter dívida fiscal oriunda de processo transitado em julgado, sem possibilidade de recursos. Ou seja, enquanto os times discutirem débitos na Justiça, não serão punidos mesmo que estejam sem pagar e em débito com o fisco.

Orçamento dos clubes

Os clubes teriam de apresentar um orçamento equilibrado com relatórios de acompanhamento para verificar o previsto e o real, pelo documento inicial da CBF. No regulamento final, os times apenas têm que mostrar orçamentos para o ano da competição, fazendo ajustes quando necessários, e “eventualmente” entregar balancetes.


São Paulo já faz sua pior campanha no Brasileiro de pontos corridos
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Com a derrota para a Chapecoense, o São Paulo passou a ter sua pior campanha na história do Brasileiro de pontos corridos até este estágio do campeonato. O desempenho do time atual tornou-se inferior ao da equipe de 2013 que também esteve ameaçada de rebaixamento.

Até a 14a rodada, o time são-paulino somou apenas 12 pontos, acumulando nove jogos sem vitória, segunda maior seca como apontou PVC. Nesta rodada do Brasileiro, em 2013, a equipe já tinha 13 pontos. Em ambas as situações, o São Paulo ocupava a 18a posição no Brasileiro.

Os números da equipe em termos de gols feitos e tomados são parecidos. Aquele time de Autuori tinha 14 gols marcados como o atual, mas tinha sofrido um a menos. Juntamente com o time de 2007, que foi campeão, são os piores ataques são-paulinos dos pontos corridos. A formação deste ano é também uma das três defesas menos eficientes do clube no Nacional.

O que serve de consolo para os torcedores tricolores é que, em 2013, o time se recuperou ao trocar de técnico e acabou o campeonato com relativa tranquilidade: ficou em nono lugar. O responsável por remontar a equipe, naquela época, foi Muricy Ramalho. A esperança é que Dorival Junior possa fazer o mesmo com a formação atual.

Essas foram as duas únicas situações em que o São Paulo esteve na zona de rebaixamento frequentemente. Na maior parte das campanhas, o time estava entre os 10 primeiros neste momento do Brasileiro, isto é, na parte nobre da tabela.


Clubes se encontram em São Paulo para debater mudança na eleição na CBF
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Um grupo de grandes clubes brasileiros se reúne nesta sexta-feira em São Paulo para discutir se serão tomadas medidas em relação às mudanças de estatuto da CBF que tiraram poder das agremiações. A reunião vem sendo articulada desde a semana passada em sigilo para não causar reações antes de os times saberem exatamente o que querem fazer.

As federações estaduais e a CBF votaram uma alteração no estatuto da entidade para alterar o peso dos votos na eleição para presidente. Com a nova regra, as federações passaram a ter peso três na votação, os clubes da Série A, dois, e os da B, um. Assim, as entidades estaduais têm mais votos (81) do que as agremiações (60). O movimento foi feito sem consulta ou aviso aos clubes.

Dirigentes de times ficaram irritados com a atitude da CBF e reclamaram da perda de poder sem discussão. Ainda mais porque a confederação tinha convocado todos os cartolas para opinar sobre as mudanças de estatuto, mas, no final, decidiu fazer uma versão sozinha só ouvindo federações.

Entre os clubes articulados, estão Atlético-MG, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Atlético-PR, Coritiba, Bahia, e provavelmente os grandes de São Paulo (Palmeiras, São Paulo, Corinthians e Santos), e o Cruzeiro. Não há certeza sobre a presença de todos, nem se haverá mais times no movimento justamente pelo sigilo mantido em relação ao encontro. A sede de um dos times paulistas da capital deve ser usada como local da reunião.

A pauta da reunião não está completamente definida, embora a reunião tenha sido motivada pela irritação com a atitude da CBF em mudar o sistema eleitoral para manter o poder. Dificilmente, no entanto, haverá uma revolta geral com a confederação pelo que o blog ouviu dos dirigentes que vão participar.

Mas há a intenção de tomar alguma medida já que os dirigentes de clubes perceberam que foram vistos como fracos diante da confederação por não reagirem às mudanças no estatuto. Há entre alguns cartolas que vão à reunião uma descrença em relação aos resultados já que as agremiações nunca conseguiram se unir de fato para reivindicar suas demandas. É imprevisível o que sairá da reunião.


Estaduais têm erros bizarros de árbitros, mas federações só pensam no poder
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Na semana em que as federações estaduais aumentaram seu poder, os Estaduais organizados por elas exibiram erros bizarros de arbitragem. As competições ainda tiveram desfalques importantes por jogadores estarem com as seleções e horário esdrúxulo para um clássico. Ou seja, a CBF e a federações fortaleceram um sistema que se mostra decadente.

No clássico carioca, disputado em Brasília, o árbitro Luis Antônio Silva Santos, o Índio, marcou um pênalti para o Vasco após suposta mão do lateral René. O problema é que a bola bateu claramente em parte de sua barriga. De frente para o lance, o meia Nenê disse ter visto pênalti e bateu para empatar.

Antes, o mesmo juiz protagonizou cena de cinema ao se desequilibrar após tomar uma barrigada de Luis Fabiano. É absurdo achar que um jogador pode encostar e tentar intimidar um árbitro e continuar em campo, ou seja, o vermelho foi correto. Mas a sua reação ao lance ao cair para trás pareceu exagerada. A anulação de um gol do Fla por impedimento, segundo o analista Salvio Espínola, da ESPN, foi correta já que Damião tentou disputar a bola.

No Morumbi, o árbitro Vinicius Furlan ignorou um entrada dura de Wellington Nem em Arana que deveria ter resultado em cartão vermelho. Quase no final do jogo, ele expulsou o mesmo jogador por supostamente atingir um rival sendo que seu braço não tem nenhuma ação violenta contra o corintiano. Houve ainda questionamento são-paulino sobre uma expulsão de Pablo que fez falta para amarelo e foi perdoado.

Foram atuações horrorosas dos dois árbitros nos clássicos, mas estão longe de ser exceção. Para lembrar os casos mais graves, o corintiano Gabriel foi expulso no clássico com o Palmeiras porque o juiz Thiago Peixoto o confundiu ele com Maycon. No Sul, um árbitro deu um pênalti contra o Inter após a bola bater no corpo do colorado Junio.

Esses são só os exemplos mais clamorosos de erros de arbitragem em competições que literalmente se arrastam neste primeiro semestre em uma maioria de jogos desinteressantes. No Rio, por exemplo, Flamengo e Fluminense, já classificados às semifinais, estão jogando só para cumprir tabela.

Quando há clássicos, além dos erros, ainda há desfalques já que os Estaduais continuam em datas Fifa. O Flamengo jogou sem Guerrero, Diego e Trauco, o Vasco sem Martín Silva. O São Paulo não tinha Cueva e Pratto, o Corinthians, Romero.

Pior, a Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) ainda marcou um clássico entre Fluminense e Botafogo na quinta-feira que começou enquanto ainda havia bola rolando na partida das eliminatórias entre Brasil e Uruguai. Sim, um Engenhão esvaziado tinha um jogo simultâneo, por alguns minutos, ao da seleção.

É neste cenário que a CBF e as federações articularam a manobra que lhes deu mais poder na eleição na entidade e tirou peso do votos dos clubes. Os dois fatos estão associados. Ao manter as federações poderosas, a confederação descarta qualquer mudança no calendário que dá 18 datas para os Estaduais e essas bizarrices vistas em 2017.

Ao mesmo tempo, a confederação posterga a implantação do árbitro eletrônico que poderia minimizar esses erros, alegando falta de dinheiro. Nada de profissionalização também, medida já largamente adotada na Europa. Limitam-se a afastar um árbitro atrás do outro, como já ocorreu com Índio, como quem enxuga gelo.

Ora, se a CBF e as federações não querem investir em arbitragem, por que não deixar que os clubes o façam organizando os próprios campeonatos? Porque desta forma iriam abrir mão de poder. Não, o objetivo é perpetuar um sistema que impõe jogos desinteressantes, falhas gritantes na organização dos campeonatos, tudo sob a mão firme de quem pouco se importa com isso.

 


São Paulo usa dinheiro de Neres e infla verba de contratações por Pratto
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A diretoria do São Paulo teve de aumentar a verba disponível para contratação para fechar a transferência de Lucas Pratto. Isso foi possível por conta da venda de David Neres ao Ajax e pela previsão de outras negociações como Lyanco. Assim, o clube usa uma parte do dinheiro para reforço e outro para abater dívidas.

Apesar de ter fechado o ano em superávit, o São Paulo ainda não tinha situação confortável financeira por uma dívida bancária de R$ 130 milhões. Por isso, previu só R$ 17 milhões no orçamento em contratações para o ano de 2017. A aquisição de 50% dos direitos de Pratto, no entanto, representa € 6,2 milhões (R$ 20,6 milhões).

Ao mesmo tempo, o clube tinha fechado a venda de David Neres ao Ajax por € 12 milhões (R$ 40 milhões), com a possibilidade de chegar a € 15 milhões por metas. Ainda receberá um percentual como clube formador por Oscar. E há perspectiva de venda de Lyanco. Assim, o clube deve atingir a meta de R$ 60 milhões de vendas prevista no orçamento.

“Imagina se vendêssemos o jogadores e não trouxéssemos ninguém? Ano passado a experiência foi péssima de lutar para não cair. O que cobramos do futebol é equilíbrio. Não podia contratar Pratto se não tivesse dinheiro”, contou o diretor financeiro do São Paulo, Adilson Alves Martins. “Fortalecer o time também melhora renda, público, premiações.”

O diretor explicou justamente que os pagamentos por Pratto serão feitos parceladamente em conjunto com os valores recebidos por Neres. Então, metade do valor será pago nos próximos dias quando entrar o dinheiro do Ajax. E outra metade será quitado no meio do ano quando o time europeu pagar o restante.

“Estamos ficando com metade do dinheiro do Neres que vão ajudar a pagar dívidas”, contou Adilson. “Tem que ser uma contratação planejada como essa, não aleatória.”

O Banco Intermedium foi usado para que seu patrocínio ficasse de garantia para o pagamento de Pratto. Foi isso que tornou possível o parcelamento junto ao Atlético-MG. Há a possibilidade de novas contratações se houver a saída de atletas, segundo o diretor financeiro.


Chefe de árbitros cai após metade dos times do Brasileiro reclamar à CBF
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A saída do presidente da comissão de arbitragem Sergio Corrêa ocorre após metade dos clubes da Série A reclamarem de juízes neste Brasileiro. A diretoria diz que o próprio diretor pediu para sair, mas admite que pode ter havido desgaste dele. Clubes que criticaram o diretor estavam satisfeitos com a troca por Marcos Marinho.

Levantamento do blog mostra que 10 clubes informaram ter feito protestos formais à CBF contra a arbitragem neste Nacional. São eles: Fluminense, Flamengo, Santos, São Paulo, Palmeiras, Cruzeiro, América-MG, Grêmio, Atlético-PR e Figueirense. Não foram consideradas reclamações de vestiário ou de técnicos e jogadores.

Um dos mais incisivos foi o presidente santista, Modesto Roma Jr., que pediu a queda de Sergio Corrêa após a expulsão do meia Lucas Lima no jogo contra o Internacional. Ele aprovou a troca no comando da arbitragem.

“O presidente da CBF fez o certo. Ele (Marinho) quando assumiu a Paulista vinha de um escândalo de arbitragem com o Edílson (caso de manipulação de arbitragem). Ele melhorou a arbitragem de São Paulo”, afirmou Modesto. “Os árbitros de São Paulo são muito bons, assim como os gaúchos.”

Ao justificar a escolha de Marinho, o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, citou os elogios dos times paulistas, incluindo Modesto. O presidente santista, no entanto, disse não ter indicado o novo chefe da arbitragem. “O presidente da CBF não precisa de indicação. Marinho é um bom nome. Seneme (Wilson, atualmente na Conmebol) é outro. Sávio (Spíndola, comentarista de tv) é outro.”

Outro crítico da arbitragem da CBF é o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, que fez seguidas reclamações formais por erros contra o time. “Espero que seja para melhor. Não conheço o novo titular, mas tive boas informações dele vindas dos presidentes dos clubes paulistas”, analisou. Ele não se mostrou preocupado com mais um paulista na comissão.”Se ele for bom mesmo, não vai se sujeitar a pressões de ninguém.”

Feldman afirmou que a arbitragem é sempre “o elo frágil” pelas críticas dos clubes, e que a própria comissão reconhecia alguns dos erros cometidos. A CBF instalou um grupo independente para avaliar o trabalho da comissão de arbitragem a pedido dos clubes. Até agora, todos os relatórios dessa comissão foram de elogios às atuações de alguns trios por rodada, enquanto os clubes continuam a reclamar.

Uma das apostas da confederação é o árbitro de vídeo, que está em fase final de testes pela Fifa e pode entrar em vigor em 2017. O ex-presidente da comissão Sérgio Corrêa vai cuidar justamente desse projeto.


Em meio à crise, clubes têm salto nas rendas em 2016 graças a TV e vendas
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Enquanto o Brasil vive uma das suas piores crises econômicas, os clubes grandes têm aumento muito acima da inflação em suas receitas em 2016. É o que mostra um levantamento do blog em cima de números parciais das equipes. A explicação para esse descolamento do futebol da crise são os novos contratos de televisão com a Globo – incluindo luvas – e negociações de jogadores com o dólar em alta.

De um total de 12, seis grandes clubes (Flamengo, Fluminense, Grêmio, Palmeiras, Internacional e Santos) divulgaram suas receitas parciais em 2016, sendo que cinco deles tiveram incrementos significativos. Além disso, clubes como Corinthians e São Paulo também já têm dados que demonstram que vão superar com larga vantagem suas rendas do ano passado. Só não há informações sobre Botafogo, Vasco, Atlético-MG e Cruzeiro.

Em comparação com suas receitas até o meio do ano de 2015, Flamengo, Fluminense, Palmeiras, Santos e Grêmio tiveram um aumento de receita de 52% em 2016, atingindo R$ 925 milhões contra R$ 609 milhões no mesmo período do ano passado. Para comparar, o PIB do Brasil tem previsão de retração de 3,3% neste ano, e a inflação em 12 meses é 8,74%. Ou seja, a renda desses clubes cresceu mais de cinco vezes a inflação.

Os novos contratos de televisão do Brasileiro tiveram o maior peso: o Flamengo aumentou sua receita neste item de R$ 76 milhões para R$ 114 milhões, compensando quedas no patrocínio. Movimento igual ocorreu no Fluminense com R$ 53 milhões contra R$ 36 milhões que ainda teve aumento considerável da venda de jogador. Já o Grêmio registrou R$ 100 milhões de luvas pelo seu novo contrato do Brasileiro, que valerá a partir de 2019, dobrando a receita do ano anterior. O Santos também triplicou sua receita no primeiro trimestre graças às luvas.

“A negociação do Gerson entrou neste ano. Foram R$ 49 milhões. O dinheiro a mais foi usaco em três frentes: foram pagas dívidas prioritárias, investimento no CT e em jogadores”, contou o presidente do Conselho Fiscal do Fluminense, Pedro Abad. “O clube não terá um ativo como esse para o próximo já que o Scarpa não será vendido.”

No caso do São Paulo, o clube informou que teve receita de R$ 280 milhões até julho de 2016, R$ 51 milhões a menos do que ganhou no ano inteiro passado. Isso se deve à TV e às vendas de jogadores. Uma realidade parecida com a do Corinthians que ainda não tem números consolidados, mas terá crescimento.

“A gente vai ter aumento de receitas. Estamos tentando melhorar nossos números e reduzir a dívida”, contou o vice de finanças do Corinthians, Emerson Piovezan. “Acredito que podemos fechar entre 20% e 25% acima da receita do ano passado. Não posso afirmar porque estamos implantando um novo sistema de controle e ainda não fechamos números parciais.”

Além do reajuste no contrato de tv, similar ao do Flamengo, o clube alvinegro negociou quase R$ 200 milhões em jogadores em valores brutos, sem considerar os descontos por percentuais de direitos. Além disso, a diretoria corintiana fechou novos patrocínios. Ou seja, o Corinthians vai superar com folga os R$ 300 milhões obtidos em 2015.

Dos clubes analisados, o Internacional é o único que não tem indicativo de aumento de receita. Até o meio do ano, foram R$ 142 milhões, enquanto em 2015 inteiro foram R$ 297 milhões. Isso ocorre porque o clube gaúcho teve uma das maiores rendas de venda de jogador no ano passado. Ainda assim, espera ter incremento de receita até o final do ano com novos contratos de TV.

“A venda neste ano foi bem curta (R$ 14 milhões) e não comercializamos os contratos de aberta a partir de 2019”, explicou o vice-presidente de Finanças do Inter, Pedro Affatato. “Ainda vamos fazer essa negociação e acreditamos que com as luvas vamos conseguir um pouco mais do que o ano passado.”

Os contratos do Brasileiro válidos a partir de 2016 a 2018 foram negociados antes do agravamento da crise nacional, por isso, houve grande incremento nos valores. Para a extensão a partir de 2019, houve uma disputa entre Globo e Esporte Interativo que gerou acordos mais vantajosos e luvas. Teoricamente, essas não podem ser contabilizadas como receitas correntes, sendo registradas só no ano do novo contrato.

Apesar do aumento das receitas, não dá para ter certeza de que os clubes vão melhorar sua situação financeira. Só no final de 2016, com os números consolidados, é que saberemos se essa renda extra foi usada para equilibrar as contas.

 


Sete fatos que explicam por que não há favorito no Brasileiro-2016
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É um clichê dizer que o Brasileiro é um campeonato imprevisível em que qualquer um pode conquista-lo. É uma meia verdade, mas é fato que a competição é bem mais equilibrada que as ligas europeias. E, na edição de 2016, acentuou-se ainda mais esse nivelamento neste início, deixando a sem favorito.

Como mostrado pelo blog do PVC, há 13 anos o campeonato não terminada a segunda rodada sem  nenhum time com seis pontos. Claro que esse é um quadro inicial e podem haver modificações durante o percurso: um elenco/time pode encaixar e se distanciar. Mas, no momento, isso não parece ser a maior probabilidade. E há alguns fatores que explicam por que não há um favorito no Brasileiro.

E por que o meia verdade escrito lá em cima? Embora não exista um favorito, dificilmente o título deixará de ficar nas mãos dos 11 maiores clubes do país, talvez o Botafogo possa ser excluído desse grupo. Desde 2003, nos pontos corridos, foi sempre um dos grandes que ganhou o Nacional.

Bem, então, vamos elencar algumas explicações para a falta de favorito do Brasileiro:

1. Desmonte de equipe por falta de recursos: Foi o que ocorreu com o Corinthians, campeão do ano passado. Isso obrigou o técnico Tite a remontar a equipe, o que está claro que demandará mais tempo do que esperavam os corintianos.

2. Troca de técnicos constantes já no início de temporada: Até agora, Palmeiras, Fluminense, Atlético-MG e Cruzeiro já trocaram de técnicos pelos maus resultados no início da temporada. É possível que ocorra também com o Flamengo. Isso significa que o estilo do novo treinador será imposto com o Brasileiro em curso, o dificulta saber até onde podem ir esses times.

3. Danos provocados pela seleção e pela janela de transferência: Campeão Paulista, o Santos foi destroçado pelas convocações da CBF e pode perder jogadores para o exterior. Outros clubes como o Corinthians e Atlético-MG também têm jogadores visados.

5. Foco na Libertadores: O São Paulo é um time que cresceu na temporada, embora esteja longe de ser regular para um campeonato de grande fôlego. Apesar da parada da Libertadores, está claro que sua prioridade é o torneio continental, o que afetará sua campanha.

6. Não há dinheiro de sobra: Houve clubes que investiram bem na temporada como Flamengo, Palmeiras, Atlético-MG e Fluminense. Ainda assim, os seus gastos giram no máximo no patamar de R$ 30 milhões cada, muito inferiores aos estrangeiros e europeus. Dá para montar bons times se bem gasto, mas nunca para sobrar na temporada.

7. Calendário apertado: Como já mostrado pelo blog, os times jogam com intervalos mínimos, o que os impede desempenhos 100% em toda temporada. Isso é outro fator para nivelar o campeonato.


Libertadores faz São Paulo reduzir abismo para Corinthians e Palmeiras
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As construções de dois estádios novos pelos rivais – Allianz Parque e Arena Corinthians – deixaram o São Paulo em inferioridade em arrecadação em bilheteria na capital. Mas a diretoria são-paulina aposta no sucesso na Libertadores para reduzir essa vantagem dos rivais. De fato, o dinheiro arrecadado na competição ultrapassará R$ 10 milhões com o jogo diante do Atlético-MG, nesta quarta-feira.

Levantamento do blog mostra a distância entre os grandes paulistas em bilheteria e renda de estádios em 2015. O Palmeiras teve arrecadação de R$ 87,2 milhões com jogos em 2015. A Arena Corinthians registrou R$ 73,8 milhões em receita líquida, segundo o balanço do fundo. Enquanto isso, o Morumbi rendeu R$ 52,3 milhões ao São Paulo, sendo R$ 29 milhões em bilheteria e o restante com aluguéis, camarotes e publicidade.

Mas, neste ano, o São Paulo já conseguiu R$ 9,5 milhões com partidas da Libertadores. É provável que atinja um valor superior a R$ 3 milhões de arrecadação contra o Galo. Houve um crescimento de R$ 20,00 no preço dos ingressos para o jogo nas quartas de final.

“Acho que a Libertadores vai fazer muita diferença. Nossa expectativa é anunciar mais de 60 mil no Morumbi”, contou o vice-presidente de Comunicação e Marketing do São Paulo, José Manssur. “O segredo no Morumbi é encontrar o valor certo para os ingressos. Nem tão barato que não dê dinheiro mesmo com estádio cheio, nem tão caro que afaste o torcedor. E esse ano acho que o clube acertou.”

Com o público das quartas de final, o São Paulo certamente vai ultrapassar a média de público do Corinthians nesta edição da Libertadores, mas não irá superar a renda. Isso porque os ingressos no estádio em Itaquera são mais caros.

“Não acho que isso ocorra porque o estádio é mais moderno. A questão é que o Morumbi é maior e tem mais oferta de lugares, enquanto os estádios do Corinthians e Palmeiras têm 40 mil. É a lei da oferta e da procura. As pessoas sabem que têm de correr porque há poucos assentos”, analisou Manssur.

Por enquanto, o São Paulo não tem projetos de renovação do Morumbi como ocorria anteriormente. A análise da diretoria são-paulina é de que se perdeu o timing da reforma para modernizá-lo. Assim, a ideia é apostar em medidas pontuais de gestão do estádio para aumentar sua receita.  Serão negociadas algumas propriedades novas, e há um calendário de eventos.

Não será o suficiente para superar a receita de rivais. Mas, pelo menos, o dinheiro que entra para o São Paulo fica em seus cofres e não é destinado para pagar o estádio como no caso corintiano.