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Brasileiro tem início com frente embolada e sem influência da tabela
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O início do Brasileiro tem um início sem influência da tabela de mando de campos e com a posições na frente bem mais embolada do que nos anos recentes. Nessas três primeiras rodadas, o fator casa teve peso relativo já que boa parte dos times com mais pontos atuaram fora. E há oito times com mais de seis pontos, número acima do normal no campeonato.

Primeiro, é preciso ressaltar que a posição na terceira rodada em geral tem pouco significado para o resultado final do campeonato. Há times campeões que até figuravam nas quatro primeiras colocações neste estágio, mas em geral só se estabilizavam na disputa mais à frente no campeonato.

Para complicar qualquer análise, há oito times com mais de seis pontos ao final da terceira rodada, um cenário só visto em 2011. A Chapecoense ainda pode se somar ao grupo em jogo contra o Avaí, nesta segunda-feira. Em geral, esse número é bem menor prevalecendo empates que deixam equipes emboladas no meio, e não na frente.

Teoricamente, isso poderia levar a conclusão de que a tabela da CBF com dois jogos seguidos em casa para um time ajudou os times a somar mais pontos. Mas as duas equipes que estão na ponta, Corinthians e Cruzeiro, jogaram duas vezes fora. O mesmo ocorreu com Grêmio e Coritiba que têm seis pontos e vêm na sequência da classificação.

Entre os oito que somaram pelo menos seis pontos, São Paulo, Vasco e Botafogo atuaram duas vezes em casa. São cinco times, portanto, que atuaram mais fora.

O início dos favoritos ao Brasileiro é ruim, o que torna o cenário mais nebuloso. O Flamengo até somou cinco pontos em três jogos, sendo dois deles fora. Mas o Atlético-MG tem apenas dois pontos após jogar duas vezes no Independência, e o Palmeiras perdeu as duas como visitante.

O bloco de times que tem capacidade técnica de enfrenta-los – Fluminense, Corinthians, Grêmio, Cruzeiro e o São Paulo – mostra estar próximo no futebol que é capaz de desenvolver. Difícil portanto tirar conclusões sobre esse início do Nacional. Como nos outros anos, um quadro mais claro só será conhecido quando houve um quarto do campeonato disputado. Ainda assim, bem sujeito a reviravoltas.

 


Dívida de clubes com governo sobe no 2º ano do Profut. Veja os devedores
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Depois da implantação do Profut, em 2015, houve uma redução na dívida dos clubes com o governo federal por conta de descontos de multas após a adesão. Mas, no ano passado, esse débito voltou a subir porque os times estão pagando parcelas reduzidas no início, aponta um estudo da BDO Sports Management. A expectativa é que o passivo só passe a cair em dois anos quando houver pagamento de parcelas maiores.

Explica-se: pelas regras do Profut, os clubes pagam 50% da parcela devida nos dois primeiros anos. Em seguida, a parcela passa para 75% por mais dois anos. Depois, atinge um patamar de 90% por mais dois anos. E só atinge 100% após esse período. Quem aderiu no final de 2015 vai ter o primeiro reajuste no final de 2017. A exceção é a dívida de FGTS que tem parcelas fixas.

Enquanto isso, o débito é reajustado pela taxa Selic, que atualmente está em 12,15%. Ou seja, os pagamentos feitos pelos clubes são inferiores ao crescimento do débito tributário consolidado na Receita.

Em 2016, a dívida dos 23 maiores clubes brasileiros com o governo aumentou 9% ou R$ 230 milhões, atingindo o valor de R$ 2,6 bilhões, apontou o relatório da BDO. O estudo da consultoria fala em estagnação do débito fiscal, levando-se em conta os dois anos de Profut e a inflação. Em 2015, o débito fiscal teve queda de R$ 100 milhões.

O reajuste ocorreu no débito fiscal de quase todos os 23 clubes. O maior devedor é o Botafogo, seguido de Atlético-MG, Flamengo e Corinthians (veja valores abaixo). O blog apurou que, quando a parcela representar 75% do total, a tendência é a dívida estagnar e se manter estável. Só passaria a haver queda real do débito fiscal dos clubes a partir de 2020 quando os clubes então pagarem 90% da parcela.

Maior devedor, o Botafogo mostra em seu site a previsão de seus pagamentos dentro do Profut. Em 2016, o clube estimou pagar R$ 5,150 milhões. Esse valor saltaria para R$ 8,6 milhões em 2021 como pagamento integral. Só que esse valor será maior porque a dívida será reajustada pela Selic nos próximos quatro anos.

Será portanto a partir de 2020 que os clubes passarão a ter um real peso de dívidas fiscais sobre seus orçamentos, e assim poderão começar a reduzir o montante que acumularam de débitos durante anos com o governo. Veja quanto cada um deve:

1º Botafogo – R$ 292,7 milhões

2º Atlético-MG – R$ 284,3 milhões

3º Flamengo – R$ 282,3 milhões

4º Corinthians – R$ 232,2 milhões

5º Vasco – R$ 194 milhões

6º Fluminense – R$ 193,4 milhões

7º Cruzeiro – R$ 188,7 milhões

8º Santos – R$ 155,2 milhões

9º Bahia – R$ 111,5 milhões

10º Internacional – R$ 109,4 milhões

11º São Paulo – R$ 104,5 milhões

12º Coritiba – R$ 100,2 milhões

13º Grêmio – R$ 96,1 milhões

14º Palmeiras – R$ 79,1 milhões

15º Sport – R$ 64,6 milhões

 


Após Profut, clubes controlam gastos com futebol e reduzem dívida em 2016
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Após a implantação do Profut, os grandes clubes brasileiros controlaram gastos com futebol e conseguiram uma redução da sua dívida total em 2016. É o que mostra um levantamento da BDO Sports Management. Mas só se poderá ter certeza sobre os efeitos do Profut sobre os times a longo prazo porque houve um crescimento anormal de dinheiro com televisão por luvas neste ano.

As receitas dos 23 clubes de maiores receitas saltaram para R$ 4,462 bilhões em 2016, um aumento de 29%, bem acima da inflação. Pelo padrão do futebol brasileiro, isso representaria uma explosão de gastos no futebol para aproveitar o dinheiro extra. Mas não foi o que ocorreu dessa vez.

Houve, sim, um crescimento de gastos com o futebol de 9,4%, pouco acima da inflação, o que elevou o valor a R$ 2,888 bilhões. Isso significa que as despesas com futebol ficaram em 58% da receita total. “Com o forte crescimento da receita e com a nova lei que vigora no segmento (PROFUT), o indicador Custo do Futebol/Receita Total atingiu seu menor valor no período analisado”, aponta o relatório da BDO.

Para completar, os clubes nacionais apresentaram um superávit de R$ 423,7 milhões. “Apenas 6 dos 23 clubes apresentaram déficit em seus balanços em 2016”, contou a BDO. Esses times que apresentaram déficit foram: Sport, Avaí, Botafogo, Coritiba, Internacional e Cruzeiro. Lembre-se que as regras do Profut estabelecem que os clubes têm de reduzir seus déficits até zerá-los.

Como consequência, houve uma redução discreta do endividamento líquido dos grandes clubes nacionais. Esse caiu para R$ 6,390 bilhões, R$ 63 milhões a menos do que em 2015. Em dois anos, houve 5% de queda no débito dos times. Lembre-se que, considerada a inflação, essa queda foi maior. A redução foi maior em relação a empréstimos: houve queda de 7% com o valor ficando em R$ 1,6 bilhão.

Mas isso não significa que todos os clubes conseguiram reduzir suas dívidas. Líderes do ranking dos devedores, Botafogo, Atlético-MG e Fluminense tiveram aumentos em seus débitos, além de Cruzeiro e Internacional. O São Paulo até teve um aumento de dívida, mas esse valor já caiu em 2017 com o pagamento de empréstimos e direitos de atletas. “16 dos 23 clubes apresentaram redução em seu endividamento com empréstimos”, apontou o relatório da BDO.

A dívida não é um índice absoluto para saber a situação financeira de um clube. É preciso levar em conta sua receita em relação ao débito, a natureza dos passivos e os gastos do clube. O Botafogo é o maior devedor na lista, mas é preciso lembrar que o Corinthians não incluiu o débito do estádio em seu balanço. Veja abaixo a listas da maiores dívidas de clubes brasileiros:

1o Botafogo – R$ 753,1 milhões

2o Atlético-MG – R$ 518,7 milhões

3o Fluminense – R$ 502 milhões

4o Flamengo ** – R$ 460,6 milhões

5o Vasco – R$ 456,8 milhões

6o Corinthians *- R$ 424,9 milhões

7o Grémio – R$ 397,4 milhões

8o Palmeiras – R$ 394,8 milhões

9o São Paulo – R$ 385,3 milhões

10o Cruzeiro – R$ 363 milhões

110 Santos – R$ 356,6 milhões

12o Internacional – R$ 311,6 milhões

13o Atlético-PR – R$ 264,5 milhões

14o Coritiba – R$ 187,1 milhões

15o Bahia – R$ 166,4 milhões

* O débito do Corinthians em relação a sua arena gira em torno de R$ 1,4 bilhão, mas uma parte desse valor deverá ser abatido por CIDs e ainda está em negociação.

**O Flamengo alega ter uma dívida de R$ 390 milhões porque não considera como débitos adiantamaentos de receitas, ao contrário da BDO.

 


Após ‘descontos’, São Paulo ainda tem que pagar R$ 15 mi por Maicon
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A compra dos direitos do zagueiro Maicon não foi nem barata nem simples para o São Paulo. A operação envolveu troca por direitos de atletas da base, pagamentos parcelados e renegociação após atraso. Restou agora um valor de € 4 milhões mais impostos a ser quitado com o Porto, algo em torno de R$ 15 milhões.

No balanço são-paulino de 2016, o débito pelo jogador é bem maior: atinge R$ 43,7 milhões (ou € 12 milhões). Esse é o retrato de dezembro do ano passado. Mas aí entram as explicações sobre os descontos de outros atletas e renegociações.

Para entender a operação, é necessária explica-la desde o início. O preço integral acertado por Maicon foi de de fato de € 12 milhões. Só que o Porto assinou um contrato pelo qual se obrigava a comprar metade dos direitos de dois jogadores da base são-paulino, cada um por € 3 milhões. O primeiro foi o lateral-esquerdo Inácio e o segundo será o volante Luizão.

“O valor do Maicon como dívida foi contabilizado integralmente. Mas o Porto era obrigado a comprar nossos dois jogadores. Assim, não precisamos pagar tudo porque automaticamente serão descontados os créditos dos dois jogadores (€ 6 milhões)”, explicou o diretor financeiro são-paulino, Adilson Alves Martins.

O São Paulo pagaria sua primeira parcela no final de dezembro, mas ficou sem dinheiro e adiou para janeiro de 2017 quando foi quitada. “Agora a dívida está em € 4 milhões e mais impostos”, contou Martins. Ou seja, o clube ainda terá de pagar em torno de R$ 15 milhões, valor que pode ser maior ou menor dependendo do câmbio. Duas parcelas vencem em 2017, e outras duas em 2018.

Juntamente com Pratto, adquirido depois da virada do ano, Maicon é o maior débito relacionado aos direitos de jogador em aberto no São Paulo. Com dinheiro recebido no início do ano, por Ademílson, o São Paulo já quitou Cuevas, Buffarini e Chavez, que totalizavam em torno de R$ 8 milhões. O clube, aliás, ganhou R$ 111 milhões com transferências em 2016, valor bem alto.

Tanto que o o São Paulo ainda tem dinheiro a receber do Sevilla por Ganso (R$ 17 milhões no final do ano). Uma boa parte, no entanto, tem que ser destinado à DIS, proprietária de parte dos direitos do jogador.

Líder e capitão do time, Maicon não demonstrou, no entanto, ser o zagueiro de ótimo nível esperado pelos são-paulino. Na Libertadores, foi expulso diante do Atlético Nacional em jogada que teve peso na eliminação do time, e seu desempenho no Brasileiro foi apenas razoável.


Patrocínio a clubes só cai desde Copa-2014. Palmeiras se salva
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Receitas com patrocínio e publicidade têm sido das que mais crescem no futebol mundial. Não no Brasil. Com o país em crise econômica, as parceiras comerciais em camisas de clubes perderam valor real nos últimos três anos considerada a inflação, segundo estudo da BDO Sports Management sobre as contas de 2016. Só quem se salva com valor significativo na camisa é o Palmeiras com a Crefisa.

O estudo da BDO aponta que os 23 clubes mais ricos do país ganharam R$ 524,1 milhões no ano passado com patrocínios. Houve um crescimento de apenas 4% em relação ao ano anterior sendo que a inflação foi de 6,29%.

Essa perda de valor ocorre, ironicamente, desde o ano da Copa-2014 quando havia a promessa de um boom no futebol nacional. Naquele ano, houve queda de patrocínios aos clubes depois de anos de alta. Do final de 2013 para cá, se o investimento tivesse crescido pelo menos o percentual da inflação (22%), teria chegado a R$ 586,8 milhões. Ou seja, o mercado perdeu em valor real em torno de R$ 60 milhões.

“Se consideramos a inflação, e o investimento da Caixa, o patrocínio voltou ao patamar de 2010”, analisou o consultor da BDO, Pedro Daniel. “Considerando o dólar que era mais baixo em 2010, o valor caiu. Com o câmbio favorável, seria para as multinacionais quererem investir no futebol aqui. Não aconteceu.”

Isso apesar do investimento pesado da Caixa Econômica Federal em uniformes de clubes chegando a atingir patamar de R$ 150 milhões. Na prática, o banco responde por 30% do mercado nacional de patrocínio. Sem esse dinheiro, a queda seria ainda mais acentuada.

Mercados maduros do futebol costumam ter divisão balanceada de receitas. Na Europa, a TV é a principal fonte de renda, mas não fica tão à frente de patrocínios e bilheteria. No Brasil, com a queda dos patrocínios, a televisão já responde por cerca de metade das rendas dos clubes do total.

Em 2016, os 23 clubes mais ricos do país arrecadaram R$ 4,962 bilhões. Desse total, apenas 11% foram de patrocínios aos times. Há sete anos atrás, em 2010, esse percentual chegava a 17%. O mercado de publicidade dos clubes simplesmente regrediu.

No ranking, o que se percebe é que o Palmeiras se salvou dessa queda com a Crefisa. Líder no país no quesito, o clube atingiu R$90,7 milhões em 2016, um crescimento de 30% sobre o ano anterior. Foi seguido pelo seu rival Corinthians com R$ 71,5 milhões e aumento dentro da inflação. Já o Flamengo, que era líder, caiu 22%, atingindo R$ 66,3 milhões – isso aumentou sua dependência da televisão.

Fora do topo, São Paulo (77%), Atlético-MG (94%) e Altético-PR (60%) tiveram evoluções nos seus ganhos de patrocínios significativos percentualmente. Mas, no caso do tricolor, está recuperado o que tinha perdido em 2015. E Galo e Furacão partiram de patamares mais baixos. Veja abaixo o ranking de patrocínios:

1o Palmeiras – R$ 90,7 milhões

2o Corinthians – R$ 71,5 milhões

3o Flamengo – R$ 66,3 milhões

4o Grêmio – R$ 35,5 milhões

5o São Paulo – R$ 35,3 milhões

6o Internacional – R$ 34,2 milhões

7o Atlético-MG – R$ 31,6 milhões

8o Cruzeiro – R$ 26,8 milhões

9o Santos – R$ 22,4 milhões

10o Fluminense – R$ 15,7 milhões

11o Vasco – R$ 13,6 milhões

12o Botafogo – R$ 9,4 milhões

13o Coritiba – R$ 9,4 milhões

14o Sport – R$ 9,3 milhões

15o Bahia – R$ 9 milhões

16o Vitória – R$ 8,8 milhões

17o Chapecoense – R$ 7 milhões

18o  Atlético-PR – 6,8 milhões

19o Figueirense – R$ 6,8 milhões

20o Ponte Preta – R$ 6 milhões


Por que São Paulo e Palmeiras ganharam menos do que rivais com TV em 2016
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Uma análise dos balanços dos clubes mostra que São Paulo e Palmeiras ficaram atrás de vários rivais em receitas de televisão em 2016, apesar de serem times importantes na grade da Globo. Isso se explica por que os dois clubes não registraram em sua arrecadação as luvas das negociações de televisão. Mais do que isso, esses dois times paulistas ainda têm luvas extras a receber neste quesito no futuro, enquanto outros, não.

Os ganhos de São Paulo e Palmeiras com renda de televisão foram quase iguais: R$ 128 milhões para são-paulinos e R$ 128,3 milhões para alviverdes. Ficaram bem abaixo de Flamengo (R$ 297 milhões) e Corinthians (R$ 230 milhões). É normal ficar atrás desses dois, mas não com diferenças acima de R$ 100 milhões. Só que rubro-negros e corintianos registraram o recebimento de suas luvas pela assinatura do contrato do Brasileiro-2019 com a Globo.

Em outra comparação, o Vasco levou mais dinheiro de televisão do que os dois paulistas, com R$ 165 milhões, assim como o Santos (R$ 147 milhões) e o Fluminense (R$ 177 milhões). Times de fora do Eixo Rio-SP com os mineiros Atlético-MG e Cruzeiro ficaram no mesmo patamar de São Paulo e Palmeiras em ganhos de televisão.

A diretoria são-paulina recebeu R$ 60 milhões de luvas da Globo por assinar apenas o Brasileiro de TV Fechada. Esse dinheiro foi registrado como antecipação de receita, ou seja, não contou no ganho total de televisão do clube embora tenha entrado em caixa. Se fosse registrado como renda do ano, o total ganho pelo clube ficaria em torno de R$ 450 milhões, em torno de R$ 20 milhões abaixo do Palmeiras.

“Se colocássemos esse valor como receita, ficaríamos em um patamar próximo de Palmeiras e Corinthians em receita”, contou o diretor financeiro do São Paulo, Adilson Alves Martins. “O São Paulo recebeu esse dinheiro no início do ano, mas, por precaução e por recomendação do auditor, decidiu contabilizar como antecipação de receita.”

O São Paulo usou a verba para abater dívida. E, agora, a projeção é de que o clube receba outras luvas em torno de R$ 20 milhões para assinar o contrato de TV Aberta e pay-per-view. Por enquanto, só houve conversas preliminares com a Globo, sem conversa efetiva sobre valores.

O caso palmeirense é levemente diferente. O Palmeiras recebeu apenas em 2017 suas luvas de R$ 40 milhões do Esporte Interativo pela TV Fechada do Brasileiro-2019, isto é, não houve impacto no balanço de 2016.

Assim como os rivais são-paulinos, o clube alviverde também negociará contratos de televisão aberta e pay-per-view com a Globo pelos Nacionais, em conversas em que poderá pedir luvas. Em ambos os casos, portanto, as receitas de luvas terão impactos em contas futuras dos dois times.


Times de SP ganham R$ 1,6 bi em 2016. Corinthians lidera com luvas da Globo
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Os quatro grandes clubes de São Paulo ganharam R$ 1,643 bilhão em 2016, um aumento de 43% em relação ao ano anterior. O número consta de estudo da consultoria BDO Sports Management. O Corinthians lidera a arrecadação do Estado, superando o Palmeiras graças às luvas pagas pela TV Globo.

Ressalte-se que o fato de o time corintiano ter ganho mais dinheiro não significa que suas contas estão em melhor estado do que as palmeirenses. Seu superávit foi de um terço dos rivais por excesso de despesa, e a renda recorde só ocorreu por causa de dinheiro extraordinário (luvas e vendas de jogadores).

De qualquer maneira, a boa notícia é que os quatro clubes apresentaram o seu maior superávit conjunto com R$ 175 milhões, sendo mais da metade vindo do Palmeiras. Isso depois de dois anos seguidos de rombos, principalmente nos casos de São Paulo e Corinthians. Assim, a consultoria BDO calculou uma queda de dívida de 4% para os times.

“Depois de oito anos seguidos de alta, o endividamento líquido dos quatro maiores clubes de São Paulo apresentou uma pequena redução no último ano”, explicou o relatório da BDO. No total, os quatro têm dívida líquida de R$ 1,561 bilhão. Veja um resumo de cada um dos quatro clubes segundo números da BDO:

Corinthians

O Corinthians teve R$ 485,5 milhões em receitas operacionais em 2016, quase R$ 200 milhões a mais do que em 2015. Desse total, R$ 80,7 milhões são de luvas da Globo pela assinatura do novo contrato do Brasileiro para 2019. Com isso, o Corinthians somou R$ 230 milhões em receitas de televisão, ou 47% do total. A venda de jogadores (R$ 144 milhões) foi outro fator, mas metade não ficou com o clube por pertencer a parceiros. Seu superávit foi de R$ 31 milhões, evitando o rombo dos dois anos anteriores.

A contabilização das luvas como receitas no ano da assinatura não era recomendado por norma no Conselho de Contabilidade até 2015. Deveria só entrar no ano do contrato. Mas a Apfut (órgão de controle do Profut) tem indicado aos times que façam esse registro na receita a partir deste balanço de 2016. Flamengo e Santos fizeram o mesmo. A norma ainda não está consolidada.

Palmeiras

Bem menos dependente da televisão, o Palmeiras teve uma receita operacional de R$ 468,6 milhões. O levantamento da BDO aponta que 27% das suas rendas vêm de direitos de TV. O clube teve 19% de publicidade e 15% de bilheteria.

Há de se fazer uma ressalva que, se fossem consideradas as receitas financeiras, o Palmeiras teria um total de renda bruta maior do que o do Corinthians. Com essas receitas, o clube atinge R$ 498 milhões. Não por acaso o Palmeiras teve o maior superávit com R$ 89 milhões.

São Paulo

Sua receita ficou longe dos dois rivais da capital com R$ 393,4 milhões, mas apresentou um crescimento de R$ 60 milhões em relação ao ano anterior. Desse total, um terço vem da televisão, 28% de transferências de jogadores e apenas 9% de publicidade.

Seu superávit foi de apenas 800 mil, o menor entre os quatro grandes clubes do Estado. Ressalte-se que pelo menos o clube conseguiu evitar os rombos nos balanços verificados nos dois últimos anos.

Santos

O Santos também contabilizou as luvas do contrato de televisão do Brasileiro-2019 em seu balanço. Por isso teve um salto para R$ 295,8 milhões em relação a 2015 quando sua renda foi de R$ 169,9 milhões. Apesar de ser a menor renda entre os grandes paulistas, obteve um superávit de R$ 54 milhões, inferior apenas ao Palmeiras.

Assim como o Corinthians, o Santos se mostra bastante dependente da receita de televisão com 50% do total vindo dos contratos de direitos de transmissão. Outros 25% vieram de transferências de jogadores.


Rodrigo Caio mostra caráter raro nos campos brasileiros
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Era primeiro tempo de São Paulo e Corinthians quando Jô foi pressionar a saída do goleiro Rena Ribeiro, protegido por Rodrigo Caio. O atacante corintiano não cometeu falta, mas o são-paulino foi atingido e caiu. De forma equivocada, o árbitro Luis Flávio Oliveira deu cartão amarelo a Jô.

Foi a vez de Rodrigo Caio se dirigir ao juiz e avisar que ele atingira seu próprio goleiro. Avisado, o árbitro anulou o amarelo que tiraria Jô da segunda partida da semifinal entre os times. O são-paulino abriu mão de uma vantagem em prol da falar a verdade.

Não é comum no futebol brasileiro, reflexo de uma sociedade em que levar vantagem é um hábito arraigado entre nós. Só em 2017 podemos lembrar de Keno apontando Gabriel de forma equivocada para que ele levasse um cartão injusto no Corinthians e Palmeiras. Ou recordar de Nenê pedindo pênalti em bola que bateu na barriga de Renê, no Flamengo e Vasco.

Estão longe de ser exceções em um ambiente em que os jogadores brasileiros constantemente simulam faltas inexistentes, gritam com o juiz para pressionar por marcações e até exageram agressões para pedir a expulsão de rivais. Parece que isso se aprendem na escolhinhas de futebol nacional. Na verdade, é ensinado por um meio social de moral distorcido, esse aí que vimos exposto nesta última semana na política.

Esse tipo de comportamento dos jogadores é nocivo em vários aspectos: dá a ideia ao cidadão de que vale tudo para seu time vencer, induz o árbitro a diversos erros que podem ser decisivos e cria um cenário no jogo em que a bola tem menos importância do que o mimimi.

Existe atitude similar em campeonatos europeus? Sim, há simulações e alguma pressão ao juiz. Mas em um nível bem menor do que o que ocorreu no Brasil. Isso se estende a fora do campo onde qualquer erro de árbitro – e são muitos no país admitamos – leva a questionamentos destemperados de dirigentes.

Ao final do jogo, questionado sobre sua atitude, Rodrigo Caio foi sucinto: “Fiz nada, fiz só o que tinha que fazer”. O país seria bem melhor se as pessoas simplesmente fizessem o que têm que fazer. Que o seu exemplo sirva ao menos para o futebol.


Sem contrato de imagem, Rogério ajuda marketing do São Paulo
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A diretoria do São Paulo tem aproveitado a volta de Rogério Ceni como técnico para turbinar ganhos com marketing. Isso apesar de o treinador não ter assinado um contrato de imagem assim como não fazia na época de jogador. Ainda assim, ele participa de campanhas e reforçou a imagem do clube em negociações.

Com Rogerio como técnico, em 2017, o São Paulo fechou contrato de patrocínio com o Banco Intermedium, em acordo que ainda terá de passar pelo Conselho Deliberativo. Agora, todos os espaços no uniforme estão cobertos.

Mas há campanhas com esses patrocinadores e prospecções de futuros parceiros que ganham muito com a presença do ídolo. Nas negociações, dirigentes são-paulinos têm usado o nome de Rogério para mostrar que houve valorização da imagem do clube. Segundo os cartolas, sua presença no banco traz outra repercussão para os patrocinadores.

Um exemplo é a Corr Plastik que assinou contrato para ter seu nome em várias propriedades do clube, inclusive a camisa de treinador. O acordo foi assinado no meio de 2016. A avaliação de dirigentes são-paulinos é de que, com Rogério, teria sido possível assinar por um valor maior.

Quando voltou ao clube, o ex-goleiro não assinou contrato de direito de imagem. Sua participação em propagandas e campanhas do São Paulo é negociada caso a caso. Em algumas ocasiões, é acertada uma divisão dos ganhos entre ele e a agremiação. Em outras, ele cede gratuitamente sua imagem para o São Paulo.

Os dirigentes são-paulinos ainda festejam porque o técnico dá duas entrevistas semanais e portanto sua imagem aparece mais até do que a dos atletas. Com isso, avaliam que há ganhos com o uso da imagem internacional do ex-goleiro.


Depois de dois anos de rombo, São Paulo tem superávit de R$ 1 mi em 2016
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Após dois anos com rombos nas finanças, o São Paulo fechou o ano de 2016 com superávit de R$ 1 milhão. A informação é do diretor financeiro do clube, Adilson Alves Martins. Isso foi possível com aumento de receita e redução de despesa. Há uma melhora financeira do clube, mas a situação ainda não está resolvida visto que foi necessário recorrer a empréstimos no final de 2016.

Nos anos de 2014 e 2015, o São Paulo acumulou déficit de R$ 180 milhões. Com isso, houve um inchaço da dívida que atingiu R$ 359 milhões no final do ano passado. Durante 2016, a diretoria tentou reduzir esse passivo, usando o aumento de renda.

No total, o clube teve uma receita de R$ 380 milhões ao final de 2016. Desse valor, R$ 105 milhões foram obtidos com a negociação de jogadores, quatro vezes mais do que o previsto inicialmente. Negociações como as de Ganso e Allan Kardec fizeram a diferença. Uma renda líquida de R$ 22 milhões na Libertadores ainda turbinou os cofres. Ainda assim, a receita está abaixo de Palmeiras e Corinthians em 2016.

“Esse é o principal conceito (aumentar receita e reduzir despesa). Se queremos fazer uma gestão para melhorar o clube, não tem como ter déficits como os de 2014 e 2015. Conseguimos ter um superávit esse ano (2016) e vamos prever um déficit de R$ 4 milhões para 2017”, contou Adilson.

“É uma ideia que mantenha a mesma linha. Até para termos cuidado e ninguém se acomodar e achar que estamos resgatados. Nós previmos R$ 10 milhões de déficit esse ano (2016) e fechamos com superávit.”

Ainda assim, no final do ano, a atual diretoria tentou aprovar um novo contrato de televisão com a Globo pelo Brasileiro para receber luvas antecipadas. O Conselho Deliberativo rejeitou alegando que comprometeria o futuro. Os dirigentes, então, tiveram de adotar outra solução para pagar as contas de 2016.

“O objetivo era pagar dívidas antecipadas. Então, fizemos uma solução com mix. Fizemos um novo empréstimo e ao mesmo tempo jogamos uma parte da dívida para depois”, contou Adilson.

Segundo ele, em 2016, a dívida bancária ficou em R$ 145 milhões. Ou seja, inferior aos R$ 170 milhões do final de 2015, mas acima do meio do ano, justamente pelo novo empréstimo. Adilson estimou que o clube economizou R$ 20 milhões de pagamento em juros.