Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : seleção

Até herdeiro da Globo se reuniu com Del Nero para melhorar relação com CBF
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Durante a disputa por contrato da seleção, a Globo apelou até a Roberto Marinho Neto, novo chefe do departamento de esporte, para melhorar a relação com a CBF. O herdeiro da família Marinho esteve na sede da entidade para um almoço com o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero. Na ocasião, a confederação já tinha se decidido por transmitir o jogo com outros parceiros.

A visita de Marinho Neto à sede da entidade ocorreu há cerca de um mês. Ele foi acompanhado de todos os diretores da Globo Esporte e foi recebido pela cúpula da CBF. A ida de executivos da Globo à confederação é comum, mas o chefe não costuma participar diretamente da negociação de contratos.

A ida do principal executivo da emissora no esporte teve como objetivo aparar arestas surgidas durante a negociação fracassada dos amistosos da seleção com a Argentina e com a Austrália. Ali, as duas partes saíram contrariadas com o resultado, entendendo não terem obtido as condições desejadas na negociação. Lembre-se: a CBF pedia o mesmo valor que a Globo pagava no ano passado, e a emissora queria dar menos.

Depois disso, o ex-executivo da Globo Marcelo Campos Pinto, que ocupava justamente cargo similar a Marinho Neto, passou a atuar na confederação. Ele ajudou na comercialização dos amistosos e também tem projetos para que uma produtora faça a transmissão da Copa América-2019, além de estar interessado em itens do Brasileiro como a venda dos direitos internacionais. Isso contrariou mais a Globo.

Apesar do desentendimento, a seleção continua a ser um produto prioritário para a emissora carioca. Por isso, além de aparar arestas, Marinho foi apresentar à CBF a nova estrutura de esportes da Globo que agora é separada do jornalismo. O almoço foi seguido por uma vista ao museu da CBF.

Para a Copa de 2018, a confederação prepara uma concorrência para os amistosos da seleção. Um candidato a tocar o projeto é Patrick Murphy, que foi executivo da Uefa para negociar direitos da Liga dos Campeões durante mais de 10 anos. Ele já comercializa alguns direitos da Copa Sul-Americana e está interessado no mercado brasileiro. A Globo considera o pacote de jogos da seleção de 2018 a 2022 uma prioridade para sua grade.


Brasil deve temer a Argentina, mas times ainda têm boa diferença
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O placar do amistoso entre Brasil e Argentina não refletiu o que foi o jogo, nem de longe significa que os times estão próximos. Ainda há uma diferença considerável entre os dois times. Mas a tendência é que, com mais jogos de Jorge Sampaoli, a equipe argentina cresça e se torne um adversário temível para a seleção na Copa-2018.

O jogo na Austrália não serve de parâmetro entre os times porque o Brasil estava muito desfalcado sem até sete titulares. Todo o sistema defensivo e Neymar não estavam em campo, deixando a formação muito diferente daquela que passeou sobre a Argentina nas eliminatórias.

Mesmo assim, o time brasileiro criou chances e poderia até ter feito o gol com Gabriel Jesus no segundo tempo, em boas triangulações com Philippe Coutinho e William. Pode-se dizer que o confronto foi equilibrado.

E isso, sim, revela uma evolução da Argentina. Não há mais aquela zona da época de Edgardo Bauza que deixa o time com vários espaços, sem fechar buracos na defesa, nem atacar em bloco na frente.

Com Sampaoli, a Argentina atuou com cinco jogadores de qualidade, Banega, Di Maria, Messi, Dybala e Higuaín. Ainda assim, não era uma equipe exposta. Marcava na saída de bola do Brasil em certos momentos, e sabia se fechar quando era necessário. Um esboço do que costumam fazer os times de Sampaoli como o Chile que atacava e defendia em bloco, com zagueiros bem avançados e a busca incessante pela bola em qualquer setor do campo.

Até a Copa, o técnico argentino tem um ano para acertar seu time. É mais tempo do que Tite demorou para arrumar o Brasil que já estava em boa forma no final de 2016. Sampaoli, no entanto, tem uma desvantagem, menos jogos de eliminatórias do que o treinador rival.

Analisando-se os potenciais dos dois times para a Rússia-2018, caso os argentinos garantam a classificação, a seleção ainda parece com vantagem. Tem vantagem de ter iniciado o trabalho um ano antes. Na linha de frente, os dois times se igualam em talento, talvez com vantagem de Messi sobre Neymar como figura mais importante do time.

Mas, no setor de defesa, o Brasil tem jogadores mais fortes. Os laterais brasileiros Daniel Alves e Marcelo são os melhores do mundo, e há boa variedade de opção de zagueiros. Na Argentina, já rodaram jogadores atrás sem se achar titulares firmes. A vantagem brasileira, portanto, permanece, mas seu rival deixou de ser uma carta fora do baralho.


Teixeira ganhou R$ 13 mi de ex-cartola do Barça preso após acordo suspeito
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Suspeito de gerar propina a cartolas, o contrato da CBF com a ISE (empresa de origem saudita) por amistosos da seleção está válido até 2022. O ex-presidente do Barcelona Sandro Rosell foi preso na Espanha por suspeita de lavagem de dinheiro de comissões recebidas por esse acordo, e o ex-dirigente da confederação Ricardo Teixeira é suspeito. Pois bem, Rosell pagou R$ 13 milhões a Teixeira logo após a renovação do acordo entre CBF e ISE, segundo descobriu a CPI do Futebol.

A ISE é uma empresa com sede em paraíso fiscal nas Ilhas Cayman, mas sua dona verdadeira é a Dallah Abarraka Group, da Arábia Saudita. A empresa assinou contrato com a CBF para compra dos direitos dos amistosos da seleção em 2006 por pouco mais de US$ 1 milhão, valor que variou pouco nos contratos.

Quem levou a ISE para contato com Ricardo Teixeira foi Sandro Rosell que é amigo e tem relacionamento de negócios com o ex-dirigente da CBF. O ex-presidente do Barcelona tem entrada em países árabes.

Os dois ex-cartolas são alvos de duas outras investigações, uma no Brasil relacionada ao suposto de desvio de dinheiro público em amistoso Brasil x Portugal, em 2009, e outra relacionada ao contrato da Nike, nos EUA.

Revelado pelo “Estado de S. Paulo”, o contrato da CBF com a ISE prevê a venda de todos os direitos internacionais dos amistosos da seleção, seja a comercialização, seja os direitos de tv. O contrato assinado em 2006 foi renovado em 2010 por mais dez jogos. Em novembro de 2011, pouco antes de Teixeira deixar a CBF, o acordo foi renovado novamente até 2022, como revelou a “Folha S. Paulo”.

Investigação da CPI do Futebol que quebrou o sigilo bancário de Teixeira identificou um pagamento de R$ 13 milhões feito por Rosell em 25 de janeiro de 2012. A informação foi publicada pelo blog. Ou seja, dois meses após a renovação do contrato, o ex-dirigente do Barcelona pagou ao então presidente da CBF.

“Apenas uma operação ponderada suspeita deixou de constar do RIF/COAF no 18874, tratando-se de transferência efetivada por Alexandre Rosell Feliu , Banco Rural, Agência xxx, conta xxxx, no valor de R$ 13 milhões, no dia 25/1/2012, para a conta de Ricardo Terra Teixeira no Banco Rural”, descreve o relatório da CPI. Os filhos de Teixeira ainda receberam pagamentos de R$ 1,8 milhões no meio de 2011.

Procurado, o advogado de Ricardo Teixeira, Michel Asseff Filho, informou que ainda tenta mais informações sobre possíveis acusações contra seu cliente. Ele está no Brasil e portanto não pode sofrer ações da polícia espanhola.

“É cedo ainda para falar alguma coisa, pois só temos informações de jornais. Estamos tentando entender informação oficial para ver se ele está sendo investigado e por o que”, disse Assef Filho.

Procurada, a CBF negou qualquer participação de Rosell em contratos da entidade por nota: “A Confederação Brasileira de Futebol informa que desconhece qualquer participação do Sr. Sandro Rosell em contratos firmados pela entidade. Não há nenhum registro de sua suposta atuação em negócios realizados pela CBF a qualquer tempo. Esclarece ainda que não recebeu qualquer pedido de informação oficial a respeito do tema.”

 


Com renda recorde, CBF gasta mais com seleção e federações em 2016
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A CBF aumentou seus gastos com a seleção e repasses às federações em 2016, o que reduziu o seu superávit apesar de receita recorde. A informação é de dirigentes das entidades estaduais que aprovaram o balanço da confederação em assembleia nesta terça-feira. A diretoria da CBF ainda diz que o câmbio teve impacto no resultado final.

A receita total da CBF foi de R$ 647 milhões no ano passado, diante de R$ 519 milhões em 2015. Apesar disso, o superávit caiu de R$ 72 milhões para R$ 44 milhões. Como promotora do futebol nacional, a confederação deve ter mesmo o propósito de investir dinheiro no esporte, e não guarda-lo no cofre. A questão é se o gasto é eficiente.

No geral, o investimento com o item que a CBF chama de futebol saltou de R$ 226 milhões para R$ 288 milhões. São 27,4% a mais, bem superior à inflação. E o que está incluído nesses itens? seleções, campeonatos brasileiros das quatro divisões e dinheiro para federações.

O balanço com números detalhados ainda não foi divulgado, então, ainda é não possível saber quanto aumentou cada item do futebol. É importante ressaltar que o investimento em futebol ainda representa menos da metade da receita total.

“Achei que houve um aumento na realidade no faturamento com queda no superávit por maiores despesas com o futebol. Teve um maior investimento no futebol”, contou o presidente da Federação Bahiana, Ednaldo Rodrigues, um dos que esteve na assembleia de aprovação de contas. Ele lembrou a troca da comissão técnica da seleção.

De fato, houve um aumento no gasto com o time brasileiro com a contratação de Tite e seu staff, saindo Dunga e seus auxiliares no meio de 2016. Ainda não havia um detalhamento de qual o tamanho do crescimento desse item. Até 2015, o gasto só com a seleção principal era de R$ 61 milhões, bem similar ao do ano anterior.

Em outro ponto, houve um aumento em torno de 50% dos repasses para as federações estaduais, justamente a base de aliados da CBF. Até 2015, as entidades ganhavam R$ 50 mil por mês e passaram a R$ 75 mil no ano passado. O gasto era de R$ 19,5 milhões, e deve saltar para um valor entre R$ 25 milhões e R$ 30 milhões, com cada federação recebendo pouco menos de R$ 1 milhão por ano.

“Se não fosse o repasse para as federações, não teria um desenvolvimento do futebol. Pernambuco não teria campeonatos de sub-15 e sub-17. O Sport está revelando muitos jogadores. Temos aqui o campeonato Central Única de Favelas”, defendeu o presidente da Federação Pernambucana, Evandro Carvalho.

Outro item em que houve aumentou foi no investimento no Brasileiro da Série D. “Houve um crescimento de 28 times na competição”, comentou Ednaldo Rodrigues. Saltou de 40 para 68 equipes.

O dirigente baiano ainda apontou que cursos de gestão e técnicos também incharam os custos da CBF pois eram pagos translados, hospedagens, etc, além de mecanismos de controle. De fato, a entidade organizou seminários e comitês de reformas para um processo que chamou de modernização. No final, só os votos das federações foi levado em conta para o novo estatuto.

Com o resultado financeiro, Carvalho mostrou entusiasmo com a gestão do presidente Marco Polo Del Nero à frente da CBF. “Queria o Brasil ter um crescimento de receita como a CBF. A CBF é a economia que deu certo. Empresa que dá lição de gestão. É extraordinário”, analisou o dirigente pernambucano, afastando críticas ao mandatário da confederação.

Em meio aos investimentos da CBF no futebol, não tem sobrado dinheiro para os R$ 15 milhões necessários para a implantação do árbitro de vídeo para o Brasileiro da Série A. O valor representa 2,31% da receita total da entidade em 2016. A entidade diz que só vai implantar o item em 2018.

O secretário-geral da confederação Walter Feldman atribuiu a queda no superávit a questões cambiais e disse não estar preocupado.


Neymar e a arte de tornar os outros lerdos
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Poderia aqui falar sobre o aproveitamento inacreditável de Tite que levou o Brasil à liderança isolada nas eliminatórias e à vaga na Copa da Rússia. Poderia explicar como todos os jogadores cresceram em suas mãos a ponto de um Paulinho até fazer um pivô brilhante diante do Paraguai. Poderia tratar da reinvenção de um futebol brasileiro com toques, aproximação, e também organização.

Mas escolherei falar do maior símbolo em campo desta seleção que é Neymar e os múltiplos talentos que desenvolveu nesta sua temporada de excelente de 2017. Agora ele cumpre a maior parte do potencial que prometia e se torna um jogador daqueles que faz o jogo paralisar para vê-lo correr.

Veja o seu antológico gol na Arena Corinthians. Arrancou por praticamente três quartos do campo, saindo da intermediária defensiva, colado ao campo. Ultrapassou dois rivais que ficaram tão para trás que pareciam aqueles carros retardatários de Fórmula 1. Chegou na área, trocou de velocidade, de direção, e chutou com desvio para fazer o gol.

Esse é o aprimoramento do Neymar que já tínhamos visto no Santos. Que enlouquecia defesas com movimentos tão desconcertantes e rápidos que os outros pareciam veteranos. É hoje ainda mais veloz e forte.

Mas há uma nova faceta do craque que aflorou em Barcelona e que agora se mostra com toda força. Essa pode ser vista no seu outro gol minimalista diante do Uruguai. O chutão de Miranda vem sem direção e Neymar o conserta com um toque de sua coxa esquerda. Um domínio dificílimo tornou-se fácil, quase óbvio. Sem fazer esforço, ele encobre Martín Silva com um toque na medida, simples.

Sua velocidade não é tão grande quanto no gol contra o Paraguai, mas os toques precisos abrem um lacuna que só permite aos uruguaios olharem à espera dele. Ali, revela-se um jogador capaz de controlar a partida a ponto de paralisa-la enquanto toma a decisão mais acertada. Fruto de uma consciência do que ocorre em campo superior a dos outros. O craque é aquele que antevê.

É exagerado e incorreto atribuir a Neymar o título de melhor do mundo. É quem tem jogado mais bola neste mês, talvez em dois meses. Messi e Cristiano Ronaldo tem vários anos de bons serviços no topo e devem disputar o título de novo este ano com justiça. Mas é certo que o atacante da seleção adquiriu a característica dos maiores da história que fazem o jogo parar para reverencia-lo. A partir daí, o tempo corre a seu favor.

 


CBF muda código de ética e derruba veto a filho de Tite na seleção
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A CBF modificou o texto do seu código de ética para derrubar a proibição à contratação do filho de Tite. O texto inicial do código impedia a contratação de qualquer parente por funcionários ou cartolas de clubes e da confederação. A nova redação exclui o departamento de futebol desse veto.

O texto base do código de ética da confederação foi feito em junho de 2016. Publicado no site da entidade, a redação proibia a contratação de parente até 3o grau por qualquer funcionários da CBF, de federações ou clubes. Afinal, sua abrangência era para todo o sistema de futebol. Assim o texto foi aprovado.

Mas, logo em seguida, o técnico Tite anunciou a formação de sua comissão técnica com o seu filho como auxiliar. Então, o blog de Gabriela Moreira publicou a informação de que havia um veto a ele. A partir daí, a CBF passou a estudar uma forma de modificar o texto.

A versão final foi aprovada nesta quinta-feira pela assembleia geral da CBF, composta pelas federações. E excluiu todo o departamento de futebol da regra, o que passa a valer para a confederação e para os clubes.

“Há uma diferença: os dirigentes estão mantidos isso (veto) até 3o grau. Para o sistema do futebol, comissão técnica, a nossa avaliação é de que não se justifica”, afirmou o secretário-geral da CBF, Walter Feldman. “Não tem sentido.”

Questionado se a medida tinha sido tomada por conta do filho de Tite, o dirigente afirmou que ele já não deveria ter sido afetado, mas que o texto era duvidoso. Segundo ele, o objetivo da CBF foi adaptar a redação para deixar claro que o veto não se aplicaria a comissões técnicas.

“Quando fomos tratar do filho do Tite, não houve nenhuma dúvida, qualificação indiscutível, inquestionável. Quando foi discutido aquilo, a gente achava que não deveria mudar, mas que deveria ficar bem claro que no sistema futebol isso não deveria ser aplicado”, concluiu Feldman.


Vinicius Jr estreará no profissional mais novo do que Neymar? Fla avalia
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Melhor jogador do Campeonato Sul-Americano sub-17, o atacante Vinicius Junior voltará ao Flamengo ainda sem data certa para subir ao profissional. O departamento de futebol do clube vai avaliar a situação do jogador com cautela, sem querer apressar sua ascensão. O jogador, por exemplo, nem atingiu a idade de Neymar em sua estreia no Santos.

A diretoria do Flamengo tem evitado comentar especulações sobre o novo jogador, tanto em relação a assédio de clubes de fora quanto de seu início profissional. Até porque há a lembrança dentro do clube de como jogadores são exaltados por torcedores nas categorias de base e isso afeta seu rendimento futuro.

Assim, Vinicius Jr e Lincoln continuarão a fazer parte do projeto “Pratas do Ninho” enquanto se preparam para ter uma chance no profissional no futuro. Não estão inscritos no Estadual, e não entrarão nesta fase inicial da Libertadores. O Brasileiro, durante o ano, é que seria uma oportunidade para subirem. Por contrato, o destaque do Sul-Americano fica no Flamengo até 2019, quando terá 19 anos.

Em comparação, Vinicius Jr vai fazer 17 anos em julho, e Neymar estreou no Santos quanto tinha 17 anos e um mês em 2009. O craque do Barcelona rapidamente virou destaque santista e se tornou a revelação do Paulista. Seu brilho mais intenso, no entanto, chegou na temporada seguinte com títulos do Paulista e da Copa do Brasil.

Ex-coordenador da base da seleção, Erasmo Damiani, que trabalhou dois anos com Vinicius Jr. na CBF, disse que cada jogador tem seu momento certo para subir. É preciso analisar o físico e a cabeça, e colocá-lo de forma cadenciada. Mas ressalta que há os que queimam etapas com sucesso.

“Os gestores do Flamengo são ótimos. Com a vivência que têm com ele, poderão decidir o momento. Ele pode voltar do Sul-Americano com uma vontade muito grande de sobressair e surpreender. O Gabriel Jesus, por exemplo, a gente sabia que tinha potencial, mas quem achou que ele chegaria tão rápido a titular da seleção? O futebol às vezes é prematuro”, analisou Damiani, que vê grande potencial e boa cabeça do jogador. “O que ele não pode é ser salvação. Tem que ser como o Neymar (o processo de subida).”

Na seleção, Vinicius Jr teve sua carreira também construídas aos poucos, tendo iniciado pelo time sub-15. Boa parte daquele equipe subiu com ele para o sub-17, tornando-se um elenco que jogou junto durante dois anos até o título do Sul-Americano. Além de Vinicius Jr, o Flamengo recebeu de volta Lincoln, que acabou com cinco gols no torneio, e o lateral Wesley e o zagueiro Patrick. Os dois primeiros são presença praticamente certa no Mundial sub-17 na Índia, em outubro.


Pedido de Tite, jogo com Alemanha muda preparação de seleção para Copa
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Ao pedir um amistoso contra a Alemanha em 2018, o técnico Tite e sua equipe fizeram uma mudança radical na estratégia da seleção para Copa da Rússia em relação a edições anteriores. O Brasil não opta por enfrentar campeões mundiais pouco antes do torneio desde a Copa-1998, na França. Depois disso, a preferência foi sempre por adversários fracos antes do Mundial.

O amistoso contra a Alemanha, primeiro confronto depois da goleada de 7 a 1 na semifinal da Copa-2014, será no final de março de 2018 a apenas dois meses e meio do início da competição na Rússia. O jogo foi um pedido da comissão técnica para a diretoria da CBF, e a intenção é pegar outras grandes seleções.

“Foi o que a gente vem falando. Sem dúvida nenhuma nós passamos para a presidência e para a vice-presidência a ideia que nós tínhamos de jogar com grandes seleções. A gente quer um nível de enfrentamento muito alto. Porque a gente entende que desta forma vai estar melhor preparado”, contou o diretor de seleções, Edu Gaspar, ao blog.

Levantamento nos amistosos na seleção no período de um ano antes de Mundiais mostra que apenas uma vez o Brasil pegou um campeão desde 1998. Foi em novembro de 2009, antes da Copa da África do Sul, quando o time nacional enfrentou a Inglaterra. Mas lembre-se que o time inglês não é campeão mundial desde 1966 e ainda faltavam sete meses para a Copa.

No período de um ano antes do Mundial-2014, o time de Luiz Felipe Scolari teve dez amistosos, sendo os dois times mais fortes Chile e Portugal. No ano do Mundial, seus rivais foram Africa do Sul, Panamá e Sérvia.

Na edição anterior, a equipe de Dunga pegou Zimbabwe e Tanzânia como últimos rivais no ano de 2010. Em 2006, sob o comando de Carlos Alberto Parreira, Lucerna e Nova Zelândia foram os últimos adversários, sendo a Rússia a única seleção mais forte enfrentada no ano do Mundial.

O último campeonato conquistado pela seleção em 2002 também foi precedido por partidas com adversários fracos ou médios, sendo o mais representativo Portugal, em abril. Aquela equipe chegou a pegar Andorra nas vésperas do Mundial. Em 1998, tinha sido diferente já que o time brasileiro pegara Alemanha e Argentina na reta final para a Copa da França.

Essa falta de adversários fortes ocorria nem sempre pela vontade dos técnicos, mas por conveniência política e financeira do ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira. Ele queria fazer o time faturar com amistosos onde interessasse aos parceiros da confederação. O mesmo se repetiu na gestão de José Maria Marin, com Marco Polo Del Nero como vice, para o Mundial de 2014.

Mas Tite e Edu Gaspar demonstram uma força dentro da CBF que não tinham seus antecessores. Foram conversar com a diretoria e os convenceram sobre amistosos com times fortes, incluindo a Alemanha.

“É muito bacana porque se mostra bem integrado entre nós e os demais membros da presidência e da diretoria. Conversamos bem, falamos nossas ideias, e está sendo bem atendido”, contou Edu Gaspar.

Agora resta saber se a CBF conseguirá datas para marcar outros amistosos com times campeões mundiais antes da Copa-2018.


Com ingresso inflado, CBF fatura quase o dobro com Tite do que com Dunga
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A chegada de Tite ao comando da seleção brasileira não foi boa apenas em campo para a CBF: teve efeito positivo para os cofres da entidade. A entidade teve um incremento de 92% no seu ganho com bilheteria nos jogos com o atual treinador nas eliminatórias em relação às partidas da era Dunga.

Isso ocorreu porque, nos confrontos com Tite, a CBF aumentou consideravelmente o valor dos ingressos. Os bilhetes para assistir à seleção tiveram uma inflação de 107%. Como a média de público caiu pouco, os ganhos de bilheteria explodiram para confederação.

Obviamente, isso só foi possível graças à boa fase da seleção. Com seis vitórias em seis jogos sob o comando de Tite, o time nacional voltou a despertar a atenção da torcida. O nome do treinador tem sido gritado nos jogos.

Nas três primeiras partidas da seleção com Dunga (Fortaleza, Salvador e Recife), a CBF faturou R$ 11,9 milhões com um ingresso médio de R$ 91,63. A média de público foi de 43,2 mil pessoas.

Nas três partidas seguintes do Brasil em casa, já com Tite no comando (Manaus, Natal e Belo Horizonte), a CBF ganhou R$ 22,9 milhões apesar da média de público mais baixa. Com o novo técnico, o ingresso médio cobrado pela confederação foi de R$ 190,45. Foi mais alto em todos os jogos, mas atingiu o ápice no Brasil e Argentina com R$ 238 de média.

Com esses valores inflados, sobraram ingressos em Manaus, em Natal e em Belo Horizonte. A média de público ficou em 40.034, abaixo portanto da época de Dunga. Mas isso não teve importância para a CBF que ganhou R$ 11 milhões a mais com o novo treinador em relação ao anterior no mesmo número de jogos. O blog tentou ouvir a confederação que não respondeu sobre o assunto.


Tite não fez sacrifícios em convocações para poupar clubes brasileiros
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Em suas coletivas, o técnico da seleção, Tite, tem dito que é preciso ter bom senso na convocação de atletas para evitar prejuízos a times no Brasileiro. Mas até agora a seleção não fez nenhum sacrifício para ajudar os clubes. Isso porque não houve situação em que o treinador queria determinado atleta e abriu mão para poupar o campeonato, segundo apurou o blog.

Desde que assumiu a seleção, Tite fez três listas de convocação. Nessas, só na primeira chamou dois jogadores de um mesmo time nacional: o Santos, Lucas Lima e então Gabriel. Depois, incluiu no máximo um de cada equipe do Brasil. Ele afirmou que, entre dois jogadores parecidos, ficaria com o que não prejudicasse um clube brasileiro.

Só que não houve nenhuma situação em que Tite ficou em dúvida entre dois jogadores e abriu mão de um deles para evitar prejuízo à equipe. Simplesmente, convocou um atleta por time porque era o grupo que queria. E, dentro da comissão técnica da seleção, não há uma regra que impeça a convocação de dois de um time do Brasil. Se houver necessidade, vai acontecer.

Apesar da fase final do Brasileiro, o treinador incluiu seis jogadores de times nacionais na sua lista, sendo dois dos clubes que disputam o título: Gabriel Jesus e Alex Muralha, de Palmeiras e Flamengo, respectivamente.

As participações dos atletas em jogos no dia 16 de novembro podem ser complicadas visto que a partida contra o Peru é no dia anterior – o Palmeiras joga dia 17. A comissão técnica da CBF descartou a possiblidade de usá-los só contra a Argentina e liberá-los antes do segundo confronto. A alegação é de que a seleção não pode ser prejudicada, isto é, não foi feito nenhum sacrifício.

A concessão que a CBF deve fazer é liberar o goleiro Weverton, que é reserva, para participar do jogo de segunda-feira entre América-MG e Atlético-PR. Assim, ele atrasaria sua apresentação ao time brasileiro. Essa é a promessa da confederação: ajudar na logística para devolver ou pegar atletas.

Os clubes são prejudicados porque a CBF faz um calendário que para só parcialmente para as eliminatórias. Há jogos do Brasileiro no dia seguinte aos das eliminatórias da Copa. A confederação promete resolver isso para o próximo ano, mas o calendário definitivo não foi anunciado.