Blog do Rodrigo Mattos

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Presidente do Fla protesta por perda de Paquetá para convocação: ‘Absurdo’
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O presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, classificou como absurda a convocação do meia do time Lucas Paquetá para amistoso da seleção, provavelmente desfalcando o time na semifinal da Copa do Brasil. Para ele, a inclusão na lista interfere no equilíbrio da competição.

Nesta sexta-feira, o técnico da seleção Tite chamou, além de Paquetá, Dedé, do Cruzeiro, e Fagner, do Corinthians, todos de times nas semifinais da Copa do Brasil. O amistoso com o El Salvador nos EUA é na véspera desses jogos decisivos. Times como Fluminense e Grêmio também perdem Pedro e Everton para rodadas do Brasileiro.

“Um absurdo. Interferir no equilíbrio da semifinal da principal competição mata-mata do Brasil para disputar dois amistosos sem expressão é lamentável”, afirmou Bandeira ao blog.

O presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, foi mais contido, mas também considerou injusto que seu time perca um jogador. “Não acho (justo), mas historicamente é assim”, disse. Já o vice-presidente de Futebol do Cruzeiro, Itair Machado, afirmara à Rádio Itatiaia que tentaria uma logística para contar com Dedé no jogo semifinal, trazendo o de avião.

O coordenador de seleções Edu Gaspar afirmou que os jogadores ficam nas duas partidas, e que a comissão evitou chamar mais de um jogador por time. Esse conflito de datas também ocorre para a final da Copa do Brasil. Tite ainda não definiu o que fará sobre esse jogo. Na convocação, ele admitiu prejuízo aos times.


Ataques a Neymar lembram campanha contra Suárez na Copa-2014
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Sim, Neymar exagera na reação às faltas sofridas e isso não é correto por tentar criar uma vantagem indevida no jogo. Dito isso, há um exagero nas críticas ao atacante brasileiro especialmente em parte da mídia estrangeira ao se maximizar os seus erros e se minimizar suas qualidades. Algo parecido com o que ocorreu com o uruguaio Luis Suárez durante a Copa-2014 pela sua agressão a jogador italiano – os dois atos não são comparáveis, as campanhas, sim.

Como já dito neste blog, e virtualmente em todos os lugares, Neymar promoveu um excesso de quedas com giros nos dois primeiros jogos do Brasil. Isso criou uma antipatia entre estrangeiros até compreensível no início da Copa. Mas, a partir daí, a postura do jogador mudou.

Diante do México, ele rodopiou no chão quando sofreu um pisão de Layun, um teatro descenessário. Mas o pisão existiu e não foi punido com cartão como merecia. E, depois disso, começou a onda com Osório dizendo que “futebol para homem”, seguido por outros jogadores mexicanos atacando o e esquecendo que foram superados na bola.

Um jornal inglês chamou o de falso. O ex-jogador Lineker, um dos mais lúcidos comentaristas do futebol atual, ironizou ao dizer que ele tinha um baixa capacidade de suportar a dor. No centro de imprensa de estádio de Moscou, onde eu estava, havia exclamações de indignação de jornalistas estrangeiros como se Neymar tivesse agredido alguém.

Lembra bastante o ataque de fúria contra Luis Suárez após ele morder Chielini na Copa-2014.  Não, não estou comparando os dois fatos, são bem diferentes. Suárez agrediu, errou feio e mereceu sua punição ao ser excluído da Copa. Mas, a partir daí, houve uma gritaria como se ele fosse um animal que não soubesse se comportar entres seres-humanos. Houve quem defendesse que fosse banido do futebol.

Peraí, onde estava essa cobrança toda por comportamentos éticos e postura quando ingleses e belgas botaram times reservas quando uma derrota os dava uma chave mais fácil? Onde estava a gritaria toda quando japoneses “jogaram para perder”? Neymar é o único jogador do futebol mundial que simula? O que fez Cristiano Ronaldo em seus saltos contra o Marrocos para cavar pênaltis (muito mais discretos do que os de Neymar, diga-se)?

A transformação de um jogador em vilão da Copa não faz nenhum sentido. Neymar trouxe para si mesmo essa onda ao se jogar demais no início da Copa, mas os ataques que sofre são exagerados e ofuscam a ótima Copa que faz. E só enxerga-se defeitos em um jogador que tem muitas qualidades. O ser-humano é complexo: reduzir sua descrição a apenas uma faceta não é correto.

Entres as maiores estrelas Mundiais, incluídos aí Messei e Cristiano Ronaldo, Neymar e Mbappé foram os únicos capazes de atuações brilhates nas eliminatórias da Copa. Considerado todo o Mundial, o atacante brasileiro tem tido um desempenho de ótimo nível, com alto número de dribles, passes decisivos e conclusões a gol. Resumir um jogador desse só ao seu defeito é uma injustiça.


Neymar tem atraído antipatia estrangeira pelo excesso de quedas
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A cena ocorreu no centro de mídia do Estádio do Spartak, em Moscou: a queda de Neymar no suposto pênalti contra a Costa Rica causa um grunhido de indignação entre jornalistas neutros de outros países. Quando o árbitro Bjorn Kuipers anulou a marcação, houve alguns aplausos.

Não é um fenômeno isolado. Tem sido comum jornalistas estrangeiros pedirem cartões amarelos ou punições pelas simulações ou reclamações constantes do craque brasileiro. Imagens da partida diante da Costa Rica mostram Neymar caindo, ofendendo o árbitro em mais de uma vez e sendo grosseiro ao pedir que este não o toque.

A irritação de Kuipers é evidente nos lances em que manda o brasileiro se levantar. A mesma irritação é vista em outros jornalistas, especialmente europeus, que veem como desrespeitosa as atitudes do jogador brasileiro.

Como bicho papão de Copas do Mundo, o Brasil não é exatamente querido na mídia estrangeira e entre torcedores de outros países com tradição no Mundial. É um pouco o time a ser batido em determinadas circunstâncias.

Mas jogadores de alto quilate como Cristiano Ronaldo, Messi e Neymar (não, ele não está no mesmo patamar técnicos dos outros) costumam causar admiração pelo que são capazes dentro de campo. O adorador de futebol se ajoelha diante do craque quando ele brilha intensamente. É só ver nossa admiração com o português e o argentino.

No caso de Neymar, no entanto, essa admiração cada vez mais se transforma em repulsa. Porque as atitudes do craque brasileiro são vistas como antidesportivas. Parece que está sempre querendo levar vantagem ao torcer as regras do jogo, ao pressionar por decisões favoráveis.

Essa percepção geral, além de aumentar uma já grande pressão sobre ele, espirra para o campo. O departamento de arbitragem da Fifa costuma marcar jogadores com tendência a se jogar demais, e será mais difícil que estes consigam faltas marcadas, mesmo quando forem. No final, não há nada que Neymar tenha a ganhar com o tipo de comportamento que tem exibido nesta Copa.


Neymar fará bem se entender arbitragem: contorcer-se não expulsará rivais
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Neymar sofreu um número excessivo de faltas por parte do time suíço? Fato, foram 10, um número dos mais altos na história da Copa do Mundo. E qual foi o efeito para o time brasileiro neste caso? Dois cartões amarelos para os jogadores adversários, apenas uma falta perigosa, um desgaste desnecessário sobre o principal atleta nacional.

O excesso de faltas teve relação direta com Neymar segurar muito a bola. Sem toca-la com mais rapidez, ficou exposto a um rodízio dos jogadores suíços. Cada vez um cometia falta sobre ele.

Tite reclamou desse método. Mas, embora sua ponderação tenha sido ouvida na Fifa, o departamento de arbitragem da entidade não entendeu que houve qualquer erro do árbitro Carlos Ramos. Marcou todas as faltas, deu os amarelos. Não entendeu que houve nenhuma falta que merecesse um cartão vermelho. E não houve de fato.

Em diversos lances, Neymar ainda exigiu cartões com gestos, ou se contorceu no chão exagerando o efeito da falta sofrida. Isso não teve nenhum efeito sobre Carlos Ramons, nem impressiona o comando da arbitragem da Fifa. A avaliação final é de que ele foi protegido como deveria pelo árbitro.

Ora, Neymar pode no próximo jogo tentar tudo de novo ao tentar com outro juiz. Mas a realidade é que ficou claro o padrão adotado pela Fifa: não adianta que sofra várias faltas de nível médio para arrumar uma expulsão. Isso só ocorrerá com lances mais duros de fato.

O atacante brasileiro sempre foi um jogador inteligente. Cabe a ele interpretar essa realidade do jogo e se adaptar a ela. Ou seja, soltar mais a bola para evitar pancadas constantes, e deixar de lado as reclamações excessivas. Talvez caso se concentre mais em desenvolver o excepcional jogo de que é capaz em vez de se preocupar com o árbitro.


Fifa vê replay inconveniente no telão que gerou reclamação do Brasil
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A Fifa entendeu que houve um erro no estádio de Rostov ao exibir o replay do lance do gol da suíça em que há uma discussão sobre falta em Miranda. Após o replay, aumentou a pressão de reclamação de jogadores brasileiros. Oficialmente, a federação internacional não fala do assunto.

O gol ocorreu em um cruzamento em que Zuber completou de cabeça após apoiar os braços em Miranda, teoricamente, empurrando. Logo após o lance, o goleiro Alisson reclamou.

Em seguida, o lance apareceu no telão duas vezes. Isso foi um erro porque lances polêmicos não deveriam aparece em replay no telão do estádio. Logo após, a reclamação aumenta e Neymar tenta mostrar ao árbitro Cesar Ramos para ele ver a imagem no telão.

A questão é que não há um funcionário do departamento de arbitragem da Fifa para decidir se o lance vai ou não ao ar. Não é a primeira vez em Copa do Mundo que um replay é exibido de forma inconveniente no telão quando não deveria acontecer, e gera reclamação local.

Neste momento, o árbitro de vídeo já tinha sido consultado de forma silenciosa e tinha dito que não houve nenhuma falta. O entendimento da Fifa é que o jogo não deve ser parado constantemente, e que só lances claros devem ser analisados.

 


Na Rússia, CBF perde um terço dos patrocinadores em relação à Copa-2014
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A CBF chegará à Copa da Rússia-2018 com cinco patrocinadores a menos para a seleção do que na Copa-2014, uma redução em torno de um terço de parceiros. Durante esse período, a entidade enfrentou uma série de escândalos com um ex-presidente preso e o outro banido do futebol. Há impacto financeiro embora não esteja claro o tamanho por conta do câmbio.

A confederação não conseguiu fechar sua última cota de patrocínio relacionada ao setor automotivo, como revelou a coluna “De primeira”.  Com isso, a entidade terá nove parceiros no Mundial da Rússia, quatro principais e cinco da segunda categoria.

Na Copa-2014, foram 14 parceiros, cinco principais e outros nove de segunda categoria. Ressalte-se que aquele Mundial foi no Brasil o que aumentava atratividade. Mas, mesmo na Copa-2010, a CBF tinha 10 patrocinadores quando chegou a competição.

Após o Mundial do Brasil, em 2015, o então vice-presidente e ex-presidente José Maria Marin foi preso na Suíça acusado de ter recebido propina por contratos da CBF e da Conmebol. Seu sucesso Marco Polo Del Nero também foi acusado e acabou banido do futebol pela Fifa agora em 2018. A entidade pouco fez para limpar sua imagem: o futuro presidente da confederação Rogério Caboclo foi eleito por influência de Del Nero e o elogiou ao vencer.

Houve uma debandada de patrocinadores como Proctor & Gamble, Sadia, Chevrolet, Unimed. Algumas das empresas alegaram que houve impacto dos caros de corrupção. Houve também dificuldades financeiras com queda econômica do Brasil.

Os patrocínios constituem a principal fonte de renda da CBF, representando percentual em torno de 70% do total ganho pela entidade. E há queda de receita com marketing pode ser vista no balanço apesar do impacto do câmbio impedir saber o exato valor.

Em 2017, a CBF arrecadou R$ 353 milhões com patrocínios. O valor de 2014 reajustado pela inflação foi de R$ 452 milhões (o valor original é de R$ 353 milhões). Ou seja, teoricamente, a entidade ganhou R$ 100 milhões a menos em valores corrigidos.

Mas há variações por câmbio porque os contratos são dolarizados. No balanço de 2017, a CBF informou que  redução pela cotação baixa das moedas estrangeiras. Quando o sobe o dólar, sobe a receita. Tanto que, em 2016, a confederação ficou com R$ 410 milhões em patrocínios, valor ainda assim inferior ao de 2014 corrigido pela inflação.

 


CBF pede a Corinthians e Grêmio liberação de atletas antes da Libertadores
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Com Pedro Ivo Almeida

A comissão técnica da seleção vai conversar com Corinthians e Grêmio para tentar liberar Cássio e Geromel antes dos jogos finais dos clubes na primeira fase da Libertadores. Mas a própria CBF reconhece que os dois times têm a prerrogativa de segurar os jogadores, de acordo com as regras da Conmebol.

Pelas regras da Fifa, o período entre 20 e 27 de maio deveria ser para o descanso de atletas. Na Europa, teoricamente, os atletas convocados não podem mais jogar a não ser a final da Liga dos Campeões. Só que, na América do Sul, pode haver jogos neste período.

A apresentação da seleção está marcada para segunda-feira. Então, Cássio e Geromel chegariam três ou quatro dias atrasados. Isso porque o Grêmio joga no dia 23 de maio, contra o Defensor, e o Corinthians, no dia 24 de maio, diante do Milionários.

“A Conmebol mandou uma carta para nós dizendo que os clubes têm essa prerrogativa de ficar com os atletas neste período”, contou o coordenador técnico da seleção, Edu Gaspar. “Na quarta-feira e na quinta, eles poderiam jogar pelo clube, mas vamos conversar com o clube. Seria responsabilidade dos clubes segurar os atletas quando já estariam convocados. Vamos explicar isso.”

A palavra final, no entanto, será dos próprios clubes que poderão negar a convocação antecipada. No início da semana, estão previstos exames e testes físicos, considerados essenciais pela comissão técnica. Contundido, Fagner irá se apresentar no prazo.


Brasil se recuperou do 7 a 1 em campo, mas, fora, segue longe da Alemanha
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Em suas análise antes do jogo, os jogadores e técnico alemão Joachim Low ressaltaram o fato de a seleção brasileira ter evoluído em relação à semifinal da Copa do Mundo de 2014 em que sofreu goleada para a Alemanha. Uma análise correta: Tite recuperou o time a ponto de poder enfrentar com igualdade os rivais no amistoso. Fora de campo, no entanto, a organização do futebol brasileiro continua longe, muito longe, dos germânicos.

Vejamos o que temos nos campos da Bundesliga e no Brasileiro para estabelecer uma comparação. A liga alemã é a segunda do mundo em receita, com um total que gira em torno de 3,3 bilhões de euros (R$13,6 bilhões). Já o campeonato organizado pela CBF gera receita de televisão em torno de R$ 1,8 bilhão para 2019, novo contrato de direitos. A receita de bilheteria é de cerca de R$ 200 milhões.

Claro, temos de considerar que há uma diferença de moeda e força de economia, visto que a Alemanha é uma potência financeira. Mas a diferença de seis para um é bastante significativa.

A parte financeira é reflexo de como são organizados os dois campeonatos mais importantes dos dois países. Na Alemanha, há a liga que pensa sua estratégia para cada ano. É emblemático que os clubes da Bundesliga tenham aprovado o árbitro de vídeo em sua reunião anual quase por unanimidade, e os clubes brasileiros tenham rejeitado o mecanismo para o Brasileiro-2018. Ficaram incomodados com o preço imposto pela CBF que daria R$ 1 milhão para cada no campeonato.

Externamente, a Bundesliga conta com regras financeiras de fair play financeiro para os clubes para garantir que estejam saudáveis e não gastem mais do que podem. Há ainda regulamento, mais restritivo do que de outros países, que não permite a empresários ou empresas comprem mais de 50% das ações dos clubes. Exceção apenas para empresas que tenham fundado os clubes ou estejam por lá há 20 anos.

No Brasil, mesmo com as regras de Profut, os clubes continuam a penar para pagar salários e impostos em dias, a ponto de dirigentes ainda falarem em usar dinheiro que era obrigação fiscal para financiar suas atividades.

Na arquibancada, outra goleada. A Alemanha é a liga com melhor média de público, de 41 mil pessoas por jogo. O Brasileiro tem média de 15 mil pessoas e não tem evoluído nos anos recentes.

Apesar desse cenário, na última reunião, o CEO da Bundesliga, Christian Seifert, disse que tinha que seja feita “uma análise dolorosa” e “uma discussão aberta” por conta da falta de resultados na Europa dos times alemães. Ou seja, não estava satisfeito com o cenário.

A CBF investe pouco no Brasileiro da Série A porque alega que não ganha dinheiro com ele. E vem mantendo as mesmas estruturas para melhoria de gramado, arbitragem ou promoção do torneio de anos atrás. O problema brasileiro, portanto, está longe de ser o time de Tite que equilibrou o quadro diante de Joachim Low. Nossa questão é bem mais em cima.

 


Del Nero reproduz, no futebol, situação de Temer no governo
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Acossado por denúncias nos EUA, o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, cada vez tem uma situação mais parecida com a do presidente da República, Michel Temer. Ambos são alvos de acusações graves de corrupção e ainda se mantêm inatingíveis por aliados e leis. Adotam discursos reformistas, mas repetem velhas práticas do país.

Primeiro, vamos ao que gerou a crise para o cartola e o político. A Procuradoria Geral da República acusou Michel Temer, em duas denúncias, de casos de corrupção. A segunda delas o apontou como participante de esquema para obter propina em contratos da Petrobras, juntamente com a cúpula do PMDB.

Temer não se tornou réu e nem pode ser julgado porque o Congresso não autorizou. Sem isso, seu caso não pôde ser analisado pelo STF, nem ele teve de afastar da presidência.

O Departamento de Justiça dos EUA, correspondente à procuradoria brasileira, apontou que Marco Polo Del Nero recebeu propinas por contratos da CBF e da Conmebol. Ele foi indiciado nos inquéritos por crimes de fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e conspiração.

Só que, para ser julgado, Del Nero precisa estar nos EUA. A partir do momento em que José Maria Marin foi preso, ele não saiu mais do país. Assim, seu processo em Nova Iorque foi congelado, apesar de ele aparecer citado por diversos delatores no julgamento.

A Fifa ainda deixou em banho maria o processo no Comitê de Ética que poderia atingi-lo. Internamente, no Brasil, os presidentes de federação que compõem o poder na CBF aceitaram as explicações de Del Nero e não o importunaram com pedidos de impeachment.

Na política tradicional, para barrar as denúncias, Temer distribuiu aprovações de verbas para emendas parlamentares para garantir os votos no Congresso. Logo após as delações da semana passada, Del Nero prometeu a presidentes de federações que levaria todos os 27 cartolas em um trem da alegria para a Copa da Rússia-2018. Era uma demanda dos dirigentes.

O presidente da República tem uma discurso de reformas, seja a trabalhista já aprovada ou a da previdência em curso. A segunda tem como objetivo conter gastos, mas, ao mesmo tempo, ele perdoou diversas dívidas de setores industriais e agrícolas por lobby no Congresso.

Já Del Nero entrou na CBF com a promessa de modernizá-la. Prometeu o licenciamento de clubes que regularia o mercado, evitando problemas nas contas, e um código de ética, com maior poder para os clubes dentro da CBF. Na prática, seu licenciamento tem regras frouxas que não obrigarão os times a evitar a gastança, o código de ética foi modificado por interesses particulares e o novo estatuto da confederação tirou poder das equipes em favor de federações.

Para completar, tanto Temer quanto Del Nero se protegem das denúncias desviando foco para supostos feitos de sua gestão. O presidente da República fala em crescimento e contenção da inflação. Em discurso às federações, Del Nero assume para si méritos pela boa fase do time Tite.


Liberação de Cássio para o Corinthians seria justa, mas paliativa
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Com a contusão de Walter, o Corinthians ficou sem seus dois goleiros em jogos importantes do Brasileiro já que Cássio está com a seleção. A CBF negou a liberação do jogador apesar do discurso de que pensa-sempre-nos-clubes. A liberação do goleiro seria justíssima, mas um paliativo porque resolveria um problema pontual sem tocar na questão central.

É cansativo, mas necessário repetir: o problema principal é o calendário da CBF que permite jogos de clubes em datas Fifa exclusivas de seleções. Não dá para tirar o goleiro do líder do campeonato na reta final da competição por três jogos, tivesse ou não Walter se contundido.

Claro, a lesão do goleiro reserva agrava a situação. Mas a liberação de Cássio certamente abriria um precedente para outros clubes pedirem a CBF que devolvesse seus jogadores porque um reserva tomou cartão ou se lesionou. Seriam pedidos igualmente justos.

Mas a confederação não está lá muito preocupada com justiça. Sua prioridade é preparação da seleção de Tite e, na realidade, se importa pouco com os clubes ainda que diga o contrário.

Até quando não pode obrigar os clubes a cederem os atletas, como ocorreu com Vinicius Jr do Flamengo no sub-17, a CBF tenta pressionar os times para priorizem a seleção. Além de pedidos, a comissão técnica da seleção foi a público se lamentar a falta de colaboração rubro-negra, sendo que, além do jogador ter uma lesão, o clube precisava dele no Brasileiro.

Caso se importasse com os clubes nacionais, já teria a tempos achado uma fórmula para reduzir o número dos jogos dos times grandes, a custa dos Estaduais. Assim, sobraria espaço para a seleção. Mas isso impede apoios políticos das federações que elegem Marco Polo Del Nero. De novo, sou aqui repetitivo e chato, mas porque o problema persiste, igualmente repetitivo e chato.

Então, segue o Corinthians sem Cássio, amanhã, será o Flamengo sem Diego, no outro dia, em seguida, o Grêmio sem Arthur. E por aí vai…