Blog do Rodrigo Mattos

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Del Nero reproduz, no futebol, situação de Temer no governo
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Acossado por denúncias nos EUA, o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, cada vez tem uma situação mais parecida com a do presidente da República, Michel Temer. Ambos são alvos de acusações graves de corrupção e ainda se mantêm inatingíveis por aliados e leis. Adotam discursos reformistas, mas repetem velhas práticas do país.

Primeiro, vamos ao que gerou a crise para o cartola e o político. A Procuradoria Geral da República acusou Michel Temer, em duas denúncias, de casos de corrupção. A segunda delas o apontou como participante de esquema para obter propina em contratos da Petrobras, juntamente com a cúpula do PMDB.

Temer não se tornou réu e nem pode ser julgado porque o Congresso não autorizou. Sem isso, seu caso não pôde ser analisado pelo STF, nem ele teve de afastar da presidência.

O Departamento de Justiça dos EUA, correspondente à procuradoria brasileira, apontou que Marco Polo Del Nero recebeu propinas por contratos da CBF e da Conmebol. Ele foi indiciado nos inquéritos por crimes de fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e conspiração.

Só que, para ser julgado, Del Nero precisa estar nos EUA. A partir do momento em que José Maria Marin foi preso, ele não saiu mais do país. Assim, seu processo em Nova Iorque foi congelado, apesar de ele aparecer citado por diversos delatores no julgamento.

A Fifa ainda deixou em banho maria o processo no Comitê de Ética que poderia atingi-lo. Internamente, no Brasil, os presidentes de federação que compõem o poder na CBF aceitaram as explicações de Del Nero e não o importunaram com pedidos de impeachment.

Na política tradicional, para barrar as denúncias, Temer distribuiu aprovações de verbas para emendas parlamentares para garantir os votos no Congresso. Logo após as delações da semana passada, Del Nero prometeu a presidentes de federações que levaria todos os 27 cartolas em um trem da alegria para a Copa da Rússia-2018. Era uma demanda dos dirigentes.

O presidente da República tem uma discurso de reformas, seja a trabalhista já aprovada ou a da previdência em curso. A segunda tem como objetivo conter gastos, mas, ao mesmo tempo, ele perdoou diversas dívidas de setores industriais e agrícolas por lobby no Congresso.

Já Del Nero entrou na CBF com a promessa de modernizá-la. Prometeu o licenciamento de clubes que regularia o mercado, evitando problemas nas contas, e um código de ética, com maior poder para os clubes dentro da CBF. Na prática, seu licenciamento tem regras frouxas que não obrigarão os times a evitar a gastança, o código de ética foi modificado por interesses particulares e o novo estatuto da confederação tirou poder das equipes em favor de federações.

Para completar, tanto Temer quanto Del Nero se protegem das denúncias desviando foco para supostos feitos de sua gestão. O presidente da República fala em crescimento e contenção da inflação. Em discurso às federações, Del Nero assume para si méritos pela boa fase do time Tite.


Liberação de Cássio para o Corinthians seria justa, mas paliativa
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Com a contusão de Walter, o Corinthians ficou sem seus dois goleiros em jogos importantes do Brasileiro já que Cássio está com a seleção. A CBF negou a liberação do jogador apesar do discurso de que pensa-sempre-nos-clubes. A liberação do goleiro seria justíssima, mas um paliativo porque resolveria um problema pontual sem tocar na questão central.

É cansativo, mas necessário repetir: o problema principal é o calendário da CBF que permite jogos de clubes em datas Fifa exclusivas de seleções. Não dá para tirar o goleiro do líder do campeonato na reta final da competição por três jogos, tivesse ou não Walter se contundido.

Claro, a lesão do goleiro reserva agrava a situação. Mas a liberação de Cássio certamente abriria um precedente para outros clubes pedirem a CBF que devolvesse seus jogadores porque um reserva tomou cartão ou se lesionou. Seriam pedidos igualmente justos.

Mas a confederação não está lá muito preocupada com justiça. Sua prioridade é preparação da seleção de Tite e, na realidade, se importa pouco com os clubes ainda que diga o contrário.

Até quando não pode obrigar os clubes a cederem os atletas, como ocorreu com Vinicius Jr do Flamengo no sub-17, a CBF tenta pressionar os times para priorizem a seleção. Além de pedidos, a comissão técnica da seleção foi a público se lamentar a falta de colaboração rubro-negra, sendo que, além do jogador ter uma lesão, o clube precisava dele no Brasileiro.

Caso se importasse com os clubes nacionais, já teria a tempos achado uma fórmula para reduzir o número dos jogos dos times grandes, a custa dos Estaduais. Assim, sobraria espaço para a seleção. Mas isso impede apoios políticos das federações que elegem Marco Polo Del Nero. De novo, sou aqui repetitivo e chato, mas porque o problema persiste, igualmente repetitivo e chato.

Então, segue o Corinthians sem Cássio, amanhã, será o Flamengo sem Diego, no outro dia, em seguida, o Grêmio sem Arthur. E por aí vai…

 


CBF e Globo encaminham acordo por direitos de TV da seleção até 2022
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Com Pedro Ivo de Almeida

A CBF e a Globo estão próximas de fechar o acordo por todos os direitos de transmissão de TV da seleção brasileira até 2022. O fracasso da licitação da TV Aberta e Fechada para venda dos jogos do time brasileiro levou a uma negociação direta entre as partes. Falta pouco para a assinatura de contrato.

Desde o ano passado, com o fim do contrato antigo, a CBF e a Globo têm tido uma queda-de-braço em que a primeira reivindica mais dinheiro, e a segunda tenta conter seus investimentos. Jogos amistosos da seleção neste ano não tiveram transmissão da emissora.

Em agosto, a CBF lançou uma concorrência para transmissão de 37 jogos da seleção de 2017 a 2022, sendo dois pacotes, um para TV e outra para internet. Nenhuma emissora topou pagar o valor mínimo de US$ 3,5 milhões, e a Globo comprou só os direitos de internet.

Havia a expectativa de uma nova licitação, mas iniciou-se uma negociação direta entre as duas partes. Pelo que apurou o UOL Esporte, o acordo entre a emissora e a CBF já tem os principais termos alinhavados. Tanto que já está em confecção o contrato.

Inicialmente, poderia ser feito um acordo pontual apenas para os amistosos para o final do ano. Mas a Globo mais uma vez descartou contratos desse tipo por entender que há dificuldade para comercializar. Então, partiu-se para a discussão do acordo de longo prazo abrangendo os 37 jogos.

Há a possibilidade de o contrato ser fechado ainda nesta semana com otimismo das duas partes, segundo apurou o blog. Não foi possível obter valores. O acordo anterior tinha valor de US$ 2 milhões por jogo.

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CBF deve reduzir preço da seleção para TVs ou mudar pacote
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Sem receber proposta pelos direitos de TV dos jogos da seleção, a CBF deve ter de reduzir o preço mínimo proposto de US$ 3,5 milhões, ou reformar o pacote de concorrência. Há interesse de emissoras no time brasileiro, mas o preço ficou acima do almejado por estas.

A diretoria da confederação tinha expectativa de atingir o valor mínimo por todos os jogos da seleção, o que dobraria seus ganhos atuais por partida. No total, havia previsão de um ganho de R$ 465 milhões em um contrato por 37 partidas.

No anúncio da concorrência, o diretor da TEAM, Patrick Murphy, que coordena a concorrência, afirmou que os preços foram estabelecido por critérios científicos. E se dizia confiante que o valor mínimo seria atingido.

Mas, ao final do processo, não houve entrega de propostas com a oferta inicial. Apenas a parte digital não exclusiva foi comprada pela Globo por valor menor – o mínimo era Us$ 500 mil.

A Globo e a Turner manifestaram interesse na licitação de TV Aberta, segundo apurou o blog. Mas acabaram não fazendo propostas. O interesse continua só que dependerá de valores a serem pedidos pela CBF. A confederação tem dois caminhos: reduzir o preço ou reformar o pacote mudando seu fatiamento.

O pacote de seleção é considerado especialmente estratégico pela Globo. A emissora entende que ainda não é possível explorar amplamente os direitos de eventos esportivos apenas no ambiente digital. Antes, pagava US$ 2 milhões por jogo até o final do ano passado. Mas iniciou uma queda-de-braço com a CBF neste ano que complicou a renovação e levou à concorrência.

Ainda não há uma data para o lançamento de uma nova licitação pela seleção.

 

 


CBF diz que Maracanã não tem condições para seleção, mas permite final
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A diretoria e a comissão técnica da CBF avaliaram que o Maracanã não tinha condições técnicas para receber a seleção nas eliminatórias, alegando problemas estruturais no estádio. Mas a arena foi aprovada pela mesma confederação para realização da final da Copa do Brasil e para jogos do Brasileiro.

Durante entrevista coletiva, o técnico Tite chegou a apontar problemas de manutenção no estádio como justificativa. Disse ter visto uma caixa de som solta. “Quem faz a manutenção disso?” Em seguida, afirmou: “Se dá um problema, é de quem a responsabilidade? Tem que ter um mínimo de segurança.”

Só que a própria CBF autorizou a realização do jogos do Flamengo contra Cruzeiro e Botafogo, na final e semifinal da Copa do Brasileiro. Ambas as partidas tiveram públicos em torno de 60 mil pessoas. E não é possível realizar jogos dessa competição sem aval da confederação.

Após a entrevista, o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, disse que o estádio não está bem para partida. “Foi feita uma avaliação pelo nosso departamento técnico. Ele avaliou que não está bem para ter jogo lá”, disse.

Questionado por que a CBF permitiu jogos na Copa do Brasil, Del Nero foi evasivo: “Vamos jogar lá”.

A concessionária Maracanã rebateu alguns pontos levantados pela CBF em nota que diz que o estádio, sim, em condições para receber jogos:

“A Concessionária Maracanã esclarece que neste ano já foram realizados 27 jogos de futebol no estádio, alguns deles com os maiores públicos do país, o que comprova o perfeito funcionamento de suas instalações. Também é importante registrar que vistoria promovida pela CBF atribuiu recentemente nota 4,75 ao gramado do Maracanã, numa escala em que o máximo é 5, atestando seus altos padrões para a realização de qualquer competição.

Em complemento, a Concessionária Maracanã lembra também que há um ano comunicou oficialmente sua decisão de que houvesse encerramento do contrato de concessão, pois o mesmo se tornou inviável economicamente após ter sido descaracterizado por iniciativas do Governo do Estado. Na ocasião, ainda em 2016, o Governo manifestou publicamente que iria promover uma nova licitação, o que não foi realizado até agora. Em novembro passado, conforme previsão contratual, foi iniciado um processo de arbitragem, conduzido pela FGV, em decorrência de não haver um acordo entre as partes.”


Favorita, Globo terá concorrência da Turner por jogos da seleção
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A concorrência da CBF para os direitos de televisão da seleção brasileira tem a Globo como favorita, mas o Esporte Interativo já decidiu que fará uma proposta na disputa. É esse o cenário após a confederação anunciar a fórmula da disputa, nesta sexta-feira à tarde. São 37 jogos do time nacional em um pacote que valerá no mínimo R$ 465 milhões.

O modelo anunciado pela CBF e pela Synergy, empresa contratada pela entidade, foi de incluir em pacote todos os direitos de TV Aberta, TV Fechada e pay-per-view juntos. Isso dá força à Globo que detém todas essas mídias. Mas optou-se por essa fórmula justamente porque houve sinalização, em consultas, de que a Turner entraria forte na concorrência.

Internamente, diretores da confederação queriam fatiar os direitos para incentivar a concorrência na TV Fechada. Até porque há a consciência de que a Globo é favorita pelo maior poder financeiro. Mas Patrick Murphy, da Synergy, argumentou que separar TVs Aberta e Fechada desvaloriza ambas pela perda de exclusividade.

Com isso, foi montado um modelo com abertura para possibilidade de consórcio entre TVs o que fortalece a formação de outros grupos concorrentes à Globo. E o Esporte Interativo já se prepara para montar um modelo de negócios em conjunto com outra TV Aberta.

A principal possibilidade é a Turner fazer proposta sozinha e depois sublicenciar para outra rede que poderia pagar uma fatia do total. Outra alternativa é fechar já uma parceria com uma emissora aberta e fazer uma proposta conjunta. De qualquer maneira, é certo que haverá proposta concorrente. Tudo será entregue até o meio de setembro.

Já a Globo estuda o modelo implantado pela CBF antes de estabelecer uma estratégia. Uma parceira da emissora em direitos tem sido a Fox Sports com quem divide Libertadores, Copa do Brasil e Copa do Mundo. Mas a emissora global considera a seleção estratégica e portanto entende como uma concorrência que tem de ser vencida.

Ao explicar o pacote único, Patrick Murphy, executivo da Synergy, disse que isso foi para valorizar mais o produto já que TV Aberta e Fechada são concorrentes, segundo ele. “Podem haver bids conjuntos. A Fox pode fazer junto com a Record e com digital”, exemplificou.

Uma questão é a divisão da mídia digital que está incluído no pacote de TV Aberta e Fechada, mas também está em um segundo pacote sozinha. Ou seja, uma empresa poderá pagar US$ 500 mil por jogo para ter direitos digitais não exclusivos. Se a Globo quiser tudo como antes, terá de pagar US$ 4 milhões por jogo no mínimo, o dobro do que pagava no contrato anterior.

 


Com Tite, Globo aumenta audiência em 4 milhões/jogo e seleção se valoriza
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Desde que o técnico Tite assumiu a seleção, a Globo teve um incremento de audiência de 4 milhões de pessoas por jogo do Brasil em média. É o que mostram dados da própria emissora em seu plano de patrocínio para a Copa-2018. Isso aumenta o valor potencial que a CBF pode obter com sua concorrência pelos direitos de suas partidas.

O plano de patrocínios da Globo para a Copa tem seis cotas para empresas no valor de R$ 180 milhões cada e tem previsão de ser fechado até outubro. O pacote não inclui os amistosos da seleção em 2018 que podem entrar ou não, dependendo do resultado da concorrência.

Mas a boa fase mostra a importância do time brasileiro para a emissora. “A audiência média das últimas 7 vitórias da seleção nas Eliminatórias da Copa do Mundo da FIFA Rússia 2018 foi de 32 milhões de telespectadores, 4 milhões a mais que a média dos 6 jogos iniciais”, diz o documento da Globo.

Ao lado, estão detalhados as audiência de cada partida. Com Tite, o pico foi de 38 pontos na última partida diante do Paraguai, e com Dunga, o índice não passou de 30 pontos. E claramente o aumento foi obtido graças aos resultados já que, no primeiro jogo do novo técnico, foram 29 pontos.

Assim, o time brasileiro com o novo treinador tem uma média de audiência 12% maior do que com Dunga. Há um crescimento de audiência geral do futebol da Globo em 2017, mas em patamares menores do que esse do time nacional.

Fica clara a importância da seleção quando a emissora exalta para os anunciantes a boa fase. Em um trecho, a Globo afirma que  “a lembrança da derrota já ficou pra trás”. E exalta a medalha de ouro olímpico e a “sucessão inédita de vitórias”. Segundo a emissora, isso fez o brasileiro voltar a “festejar, se engajar e se emocionar com a seleção brasileira”.

A Globo reconhece que a importância dos jogos da seleção vai além de preencher mais uma grade do futebol. Por isso, trata como prioritária a aquisição do pacote de 37 jogos oferecidos pela CBF. A entidade anunciará o modelo de licitação na sexta-feira.

No seu documento, a emissora diz que os jogos amistosos de 2018 farão parte do pacote Copa “caso sejam transmitidos pela Globo”. Em seguida, informa a potenciais anunciantes que eles serão acrescidos às outras 56 transmissões ao vivo.

Internamente, a emissora não vê como imprescindíveis para seu pacote os amistosos do início do ano pelo volume de material. Mas, logo depois do Mundial, os jogos da seleção são vistos como de grande importância para manter o vínculo com o time nacional.

 

 


Como novo torneio pode prejudicar sul-americanos e favorecer europeus
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O calendário de jogos internacionais após a Copa-2018 não é promissor para a seleção brasileira e para sul-americanos. Pelo contrário, seus dados indicam fortalecimentos dos rivais europeus com partidas mais competitivas, e menos jogos relevantes para o Brasil e outros países sul-americanos. Um dos motivos é a recém-criada Copa das Nações na Europa que já gera desconforto em cartolas de outros continentes.

O comando da seleção brasileira, no entanto, entende que o impacto da competição não será tão grande para o país, e que ainda haverá chance de enfrentar grandes seleções. Só ressalta que será preciso mais programação para encaixar jogos contra os principais times do velho continente.

Com as inovações de UEFA e Fifa, o calendário depois da Copa tem a característica de ter vários jogos competitivos para os europeus, e um cenário incerto para os sul-americanos. Além da Euro, suas eliminatórias e o classificatório da Copa, os europeus terão a Copa das Nações.

O novo torneio terá sua primeira fase em datas de amistosos já no segundo semestre de 2018. Em seguida, no meio de 2019, haverá playoffs com semifinais e finais. As equipes serão separadas em quatro divisões, com 12 times em cada uma, e rebaixamento e ascensão. A Liga A determinará o campeão da Copa das Nações. Quando o torneio acabar, já terão se iniciado as eliminatórias da Euro e depois da Copa.

“Certamente haverá menos jogos amistosos internacional e indubitavelmente menos amistosos sem sentido. Mas ainda haverá espaço para jogos amistosos internacionais – particularmente jogos de aquecimento para as finais dos torneios. A UEFA ainda espera que os times europeus tenham a chance de jogar com oponentes de outras confederações”, afirmou a UEFA sobre a competição. A entidade entende que seus times top ainda poderão jogar contra outros continentes.

Mas cartolas do Conselho da Conmebol estão preocupados que os europeus só joguem entre si, e fiquem mais fortes. Por isso, há um movimento para levar a questão à Fifa para discutir seu impacto. O objetivo é juntar dirigentes de outros continentes para conversar com a federação internacional.

Na América do Sul, ainda não há decisão de como serão as eliminatórias para Copa depois que o continente passou a ter 6,5 vagas para 10 país. A pergunta é se ainda faz sentido um classificatório nessas condições.

O coordenador técnico da seleção Edu Gaspar reconhece que Copa das Nações é melhor para os europeus. Mas não vê a seleção prejudicada em termos de obter partidas competitivas.

“Ainda existe a possibilidade de podermos disputar amistosos. Os times da Liga A e B (os mais fortes) vão ter agenda porque a Liga das Nações ocupa uma data, e tem outra para amistoso”, analisou Edu. “Não muda praticamente nada para nós. A gente só tem que se organizar previamente, o que já estamos fazendo.”

Ele reconhece que reduz em uma data a cada dupla a possibilidade de amistoso com europeu, mas lembrou que o Brasil pode jogar com outras confederações. Sobre a possibilidade de os europeus terem mais competições, ele entende que há vantagens e desvantagens.

“De um lado, sem dúvida mais competição fortalece o time. Mas nós teremos a Copa América e as eliminatórias com adversários super fortes. Não vejo como prejuízo do ponto de vista técnico”, observou Edu, que gostou do modelo da Copa das Nações.

Uma das prioridades da comissão técnica de Tite era realizar amistosos com europeu nesta reta final para a Copa-2018. Já tem o jogo marcado com a Alemanha no próximo ano e uma possibilidade de enfrentar a Inglaterra no final do ano. Em relação às eliminatórias sul-americanas, Edu aprova o aumento de vagas porque cresce a possiblidade de classificação.

Certo é que, depois da Copa-2018, o cenário de jogos de europeus e sul-americanos será diferente e as seleções terão de se adaptar à nova realidade.


Big brother de Tite: seleção monitora 50 nomes com ficha completa
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A comissão técnica da seleção montou uma teia extensa de observação dos candidatos a jogar na seleção: são vistos ao vivo, há conversas com técnicos, ficha médica. O grupo de atletas monitorados no momento é em torno de 50 nomes que podem estar na lista para o jogo com o Equador, pelas eliminatórias da Copa-2018.

“Para esse jogo, temos um grupo de 50 jgogadores. É um grupo variável. Pode entrar um ou outro a cada jogo”, contou o técnico da seleção, Tite. “Vemos a parte física, a parte tática como está jogando nos times. Conversamos com os atletas.”

Um exemplo é que, na pré-temporada dos times europeus, o auxiliar Cleber Xavier e preparador físico Fabio Mahseredjian estiveram nos EUA para acompanhar os principais jogadores. Xavier, por exemplo, foi conversar com Guardiola sobre Gabriel Jesus.

O preparador costuma discutir com seus pares sobre a condição física dos atletas. Durante o programa “Noite de Craques”, com Zico, no Esporte Interativo, o técnico Tite revelou que Diego, do Flamengo, ainda não está 100% após se recuperar de contusão no joelho direito. “Está retomando após a lesão”, afirmou o treinador, após ter conversado com a comissão técnica da seleção.

O grupo tem um total de 10 pessoas, complementado por Fernando Lazaro, Tomás Araújo, Maurício Dulac, Taffarel, Silvio, Matheus Bachi e Edu Gaspar. Cada um vai para um lugar para observar de jogos a treinos dos jogadores que interessam, seja no Brasil, seja na Europa.

Outro trunfo é contar com um sistema em que Tite pode requisitar qualquer vídeo dos jogadores em momentos específicos dos jogos. Assim, pode analisar como cada atleta pode executar determinada função. Dentro desse cardápido, é que Tite define seu grupo final para eliminatórias e futuramente para a Copa da Rússia.


Até herdeiro da Globo se reuniu com Del Nero para melhorar relação com CBF
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Durante a disputa por contrato da seleção, a Globo apelou até a Roberto Marinho Neto, novo chefe do departamento de esporte, para melhorar a relação com a CBF. O herdeiro da família Marinho esteve na sede da entidade para um almoço com o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero. Na ocasião, a confederação já tinha se decidido por transmitir o jogo com outros parceiros.

A visita de Marinho Neto à sede da entidade ocorreu há cerca de um mês. Ele foi acompanhado de todos os diretores da Globo Esporte e foi recebido pela cúpula da CBF. A ida de executivos da Globo à confederação é comum, mas o chefe não costuma participar diretamente da negociação de contratos.

A ida do principal executivo da emissora no esporte teve como objetivo aparar arestas surgidas durante a negociação fracassada dos amistosos da seleção com a Argentina e com a Austrália. Ali, as duas partes saíram contrariadas com o resultado, entendendo não terem obtido as condições desejadas na negociação. Lembre-se: a CBF pedia o mesmo valor que a Globo pagava no ano passado, e a emissora queria dar menos.

Depois disso, o ex-executivo da Globo Marcelo Campos Pinto, que ocupava justamente cargo similar a Marinho Neto, passou a atuar na confederação. Ele ajudou na comercialização dos amistosos e também tem projetos para que uma produtora faça a transmissão da Copa América-2019, além de estar interessado em itens do Brasileiro como a venda dos direitos internacionais. Isso contrariou mais a Globo.

Apesar do desentendimento, a seleção continua a ser um produto prioritário para a emissora carioca. Por isso, além de aparar arestas, Marinho foi apresentar à CBF a nova estrutura de esportes da Globo que agora é separada do jornalismo. O almoço foi seguido por uma vista ao museu da CBF.

Para a Copa de 2018, a confederação prepara uma concorrência para os amistosos da seleção. Um candidato a tocar o projeto é Patrick Murphy, que foi executivo da Uefa para negociar direitos da Liga dos Campeões durante mais de 10 anos. Ele já comercializa alguns direitos da Copa Sul-Americana e está interessado no mercado brasileiro. A Globo considera o pacote de jogos da seleção de 2018 a 2022 uma prioridade para sua grade.