Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Sul-Americana

Sul-Americana terá final única por questão política para agradar Lima
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A decisão do Conselho da Conmebol de realizar uma final única da Sul-Americana teve relação com uma negociação política na entidade. Inicialmente, essa não era o plano desenvolvido pelos organizadores da competição que pretendiam manter dois jogos na competição, como contraponto à Libertadores.

Com a confirmação da final única da Libertadores-2019, a Conmebol lançou uma concorrência para escolher a cidade-sede desta primeira decisão. Só houve candidaturas formais de Lima, Santiago e Montevidéu, que desistiu no meio por faltas de recursos. Cidades brasileiras como Belo Horizonte, São Paulo e Rio de Janeiro chegaram a se interessar, mas não apresentaram candidatura formal.

Foi feita uma visita técnica de membros da Conmebol que concluíram que Santiago reunia as melhores condições para a final. O Conselho da entidade sul-americana confirmou a cidade chilena, o que gerou descontentamento em Lima.

No meio da reunião nesta semana, um dirigente da federação colombiana sugeriu que fosse feita a final da Sul-Americana em Lima como compensação. Assim, ficaria decidido que também a segunda competição da Conmebol teria apenas um jogo na decisão. Todos os dirigentes aprovaram.

A questão é que, antes disso, a Sul-Americana tinha sido pensada justamente para ser diferente da Libertadores. Primeiro, manteria a tradição de duas decisões nas casas dos times finalistas. Segundo, seria vendida comercialmente como uma competição diferente da principal.

A decisão política, no entanto, botou esse plano por água abaixo. Agora, a decisão é de que as finais únicas ocorrerão em 2019 e será testado o modelo. No futuro, o objetivo é fazer uma semana de eventos anteriores a cada semana, com a possibilidade de as duas decisões serem na mesma cidade.

 


Derrota na final prova que elenco do Fla foi superestimado
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A final da Sul-Americana comprovou o que o restante do ano indicava: o elenco do Flamengo foi superestimado na avaliação da maioria. Nas horas decisivas da temporada, faltou (e muito) o futebol de jogadores de como Arão, Trauco, Everton Ribeiro e especialmente Diego para não mencionar os ausentes. Sobrou ao clube recorrer a sua base que (ainda que valente) não foi suficiente para bater o Independiente. Viu do outro lado o atacante Barco ser decisivo para o título Rojo.

Fica claro que Reinaldo Rueda entendeu que as estrelas não correspondiam quando optou por tirar Everton Ribeiro em favor de Paquetá. Decisão acertada já que eram de seus pés que saiam as jogadas incisivas do Flamengo pela direita. Era a ele que o time recorria.

Em compensação, um apagado Diego perambulava pelo meio-campo sem nada do brilho de outros tempos. Eram passes laterais, um ou outro bom lançamento e a bola parada. Pouco, muito pouco para que o que se espera dele.

É certo que o Flamengo poderia ter um cenário mais favorável se Everton tivesse convertido o gol feito que perdeu após passe de Viseu. Mas a verdade é que o time carioca nunca exibiu um futebol que justificasse dois gols de diferença no primeiro tempo. Foi melhor, mas fez o seu gol mais na pressão, na bola aérea que é ponto fraco dos argentinos e na valentia de Paquetá.

Com a defesa aberta, viu um Barco avançar e sofrer pênalti de Cuellar. Jovem, Barco foi o melhor jogador em campo, bagunçando a defesa do Flamengo e seus laterais extremamente falhos na marcação. Ganhava no setor de Traucco, ganhava no de Pará. E fez um belo segundo tempo como o jogador mais perigo time argentino, muitas vezes fazendo parceria com Meza.

Rueda recorria à base, de novo, e pôs Vinicius Jr em campo. Era momento de se abrir e dar velocidade ao Flamengo. Mas nunca foi uma rapidez que achasse os espaços vazios da defesa argentina, que diga-se, não era uma fortaleza. O Independente tem muito mais mérito nos seus talentos ofensivos e na sua sua movimentação à frente do que na marcação.

Mas não havia no Flamengo o passe clarividente diante das noites péssimas vividas por Diego, Arão e mesmo Cuellar. E vinha Everton Ribeiro como última tentativa. Faltou, além do meio-campo, Guerrero. Viseu esteve perdido a maior parte do tempo, incapaz de dar sequência ao ataque rubro-negro. No final, foram quatro jogadores da base como tentativa no ataque, incluindo Lincoln.

Desesperado, o Flamengo se lançou todo ao ataque. E aí não teve, além de um jogo articulado, aquele jogador decisivo. Aquele que se vendeu que o Flamengo tinha de sobra para esta temporada.


Conmebol teme que violência em final afete venda de direitos para TV
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A Conmebol teme que incidentes de violência de torcida de Flamengo e Independiente afetem a imagem da  Sul-Americana e Libertadores. Assim, há a preocupação de que  isso possa afetar a venda de direitos de televisão das competições que será feita no próximo ano. Por isso, há uma decisão de ser duro em punições.

Na madrugada da segunda final, a torcida do Flamengo jogou fogos na porta do hotel da delegação do Independiente e ameaçou uma invasão ao local. Já torcedores do Independiente protagonizaram ato racista no estádio na segunda decisão, também usaram fogos no hotel rubro-negro e protagonizam confusão por ingressos no Rio de Janeiro.

A preocupação da Conmebol é que a Sul-Americana e a Libertadores fiquem associadas a esse tipo de evento, o que afeta seu valor de mercado. A IMG aceitou pagar um mínimo de US$ 350 milhões por ano pelos direitos das duas competições, mas o objetivo é fazer uma concorrência com TVs para arrecadar mais. Se o valor obtido for maior, a confederação ganha mais.

Além disso, a ideia da Conmebol é cada vez mais aproximar as competições de práticas da Liga dos Campeões, inclusive com a final única. Obviamente, isso não se encaixa com a violência.

Por isso, há a decisão política da diretoria da Conmebol de ser duro em punições aos clubes, baseado no regulamento que responsabiliza os times por atos de sua sua torcida até fora do estádio. Assim, haverá no total três procedimentos disciplinares contra os dois clubes.

Questionado se temia punição, o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, afirmou: “Tomamos todas as providências ao nosso alcance.”

No meio do ano, a torcida do Peñarol protagonizou um episódio muito mais grave no estádio em jogo com o Palmeiras. Seus torcedores derrubaram alambrados, foram para cima de palmeirenses que ficaram acuados. Em campo, jogadores do time uruguaio fizeram o mesmo. Punição: um jogo dentro de casa sem torcida.


Em 2017, Fla tem desempenho superior em mata-mata sobre pontos corridos
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Diante do Independiente na Argentina, o Flamengo disputa a sua segunda final em mata-mata em competições importantes no ano, sendo a primeira da Copa do Brasil. Enquanto isso, a equipe capengou no Brasileiro e foi eliminada na primeira fase da Libertadores. Não por acaso: o time tem aproveitamento muito superior em mata-mata do que nos pontos corridos no ano de 2017.

Pela Sul-Americana, Copa do Brasil e Primeira Liga, o clube carioca realizou 17 jogos eliminatórias na temporada. Desse total, obteve 66,7% dos pontos, isto é, dois terços. Foram nove vitórias e apenas uma derrota para o Santos, nas quartas-de-final da Copa do Brasil.

Já nos pontos corridos o aproveitamento é de apenas 51% dos pontos. Considerados o Brasileiro e as fases de grupo da Libertadores e da Primeira Liga, que são pontos corridos, foram 72 pontos em 141 possíveis. O time ficou em sexto no Nacional e caiu na primeira fase da Libertadores.

Esse desempenho pode se explicar pela irregularidade do Flamengo na temporada, alternando boas atuações com jogos sofríveis. Quando é necessário se concentrar em uma partida específica, o time consegue ter melhor resultado.

Outra explicação é que, quando o Corinthians disparou no Brasileiro, o clube carioca claramente se decidiu mais à Copa do Brasil e à Sul-Americana do que ao Nacional. O técnico Reinaldo Rueda decidiu por escalar times mistos em alguns momentos da competição com exceção da fase final.

PS Não foi incluído na conta o Estadual porque o nível é mais fraco, o que distorceria o cálculo.


Fla é fiel à ‘sua história’ para virar sobre Flu
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Ao descrever a reação sobre o Fluminense, pela Sul-Americana, o técnico Reinaldo Rueda observou que o “Flamengo foi fiel à sua história”. Falava da luta rubro-negra em campo. A explicação da classificação do time dele, de fato, é muito menos uma questão lógica do que uma dessas viradas surgidas das profundezas dos estádios.

Do lado tricolor, o recuo excessivo levou a um empate derrotado em um jogo em que esteve mais perto do triunfo quase o tempo inteiro. Se sobrou ao Flu inteligência ao explorar falhas do rival no início, lhe faltou a estratégia de se jogar até o fim e de não se acomodar.

Vejamos a trajetória do jogo do início. Ao contrário do primeiro confronto, o técnico Abel Braga adiantou seu time desde o princípio, marcando o Fla em seu campo e explorando as falhas rivais. Deu certo e o time abriu o placar logo no início na Avenida Miguel Traucco onde Lucas desfilou.

O empate rubro-negro foi construído por seus talentos, Everton Riberto e Diego, mas era um ponto fora da curva em um confronto em que quem jogava era o Fluminense. O gol que deu vantagem ao tricolor com Renato Chaves, superando Arão, era só consequência disso. E assim foi no terceiro tento com o mesmo Chaves, o mesmo Arão, já no segundo tempo.

Houve a partir dali algo, uma transformação. Sim, a substituição de Rueda de Traucco por Vinicius Jr. ajudou ao avançar seu time e injetar ali um atacante veloz e talentoso. Mas, mais do que isso, houve um recuo tricolor, como quem ignora que Fla-Flu não se ganha de véspera, como quem espera o fim.

Não é uma boa ideia recuar diante de um Flamengo, desorganizado, mas lutador e contando com maioria na arquibancada. Um gol de Vizeu após magistral passe de Everton Ribeiro, improvável pois até ali o centroavante nem chegara nas bolas, e o clima do estádio mudou. A partir daí, seria pressão.

Rueda fez o que lhe cabia e jogou seu time com coração para frente. E aí, diga-se, a torcida do Flamengo pode reclamar de muita coisa do seu time atual, mas não pode reclamar de falta de luta. Os jogadores que estiveram ali foram muito Flamengo para empatar.

E o imponderável estava ali, sempre ao lado rubro-negro, abandonando o tricolor. Pois quando Rueda decidiu tirar um volante para botar Paquetá, os rubro-negros clamavam: “Tire Arão, ele está cansando.” Mas quem saiu foi Cuellar e restou a Arão se redimir.

Os minutos restantes foram só sofrimento para o Tricolor lamentando ainda em campo a perda da vaga que se esvaia pelas mãos. A imagem que ficou foi de seus jogadores batidos por arrancadas de Vinicius Jr. que jogava um Fla-Flu como quem está no quintal de casa do alto dos seus 17 anos. O Flamengo não encontrou seu futebol, mas achou “a sua história” em um jogo pelo menos.

 

 


Ponte planeja levar até 15 mil em ônibus para semifinal em Mogi
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Empolgada com a vitória sobre o São Paulo no Morumbi, a diretoria da Ponte Preta planeja organizar caravana com empresas de ônibus para a viagem de até 15 mil torcedores para a semifinal da Copa Sul-Americana no estádio de Mogi-Mirim, substituto do vetado Moisés Lucarelli. A expectativa é de que os ponte-pretanos encham o estádio. Mas não seria o clube que pagaria as despesas.

Ainda não está fechada a carga de ingressos para o Estádio Romildão, mas essa deve ficar abaixo dos 20 mil lugares, justamente o patamar mínimo previsto no regulamento para a semifinal da competição.  É provável que sejam vedidos cerca de 17 mil ingressos. O laudo sobre o estádio, que prevê até 20.558, é que conta.

“Tenho certeza de que os torcedores da Ponte vão lotar o estádio. Mogi é perto de Campinas. Vamos conversar com as empresas de ônibus daqui de Campinas para ver o que é possível fazer. Também haverá muitos de carro”, afirmou o presidente ponte-pretano, Márcio Della Volpe.

Para a torcida são-paulina, a ideia é reservar 5% dos ingressos, mas isso depende das determinações da polícia em relação à segurança do jogo.

O veto ao Moisés Lucarelli pelo São Paulo – baseado no regulamento da Sul-Americana -serviu como um fator de motivação para o time da Ponte na partida de ida do Morumbi. Pelo menos essa é a opinião de Della Volpe, que, no entanto, entende que a disposição dos atletas é que foi decisiva para a vitória.

“Ajudou porque deu uma força a mais para os jogadores (a polêmica sobre o Moisés Lucarelli). Mas o essencial foi o que eles queriam muito essa classificação”, contou o presidente ponte-pretano.


São Paulo planeja vetar outro estádio na final da Sul-Americana
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Após impedir o uso Moisés Lucarelli para a semifinal, diante da Ponte Preta, a diretoria do São Paulo já planeja pedir novo veto a estádio em caso de classificação à final da Sul-Americana. Do outro lado da chave, o Libertad e o Lanús se enfrentam e se o primeiro time passar à decisão sofrerá o crivo da equipe do Morumbi.

Explica-se: nesta quinta-feira, o primeiro jogo da outra semifinal será no Estádio Nicolas Leoz, no Paraguai, que tem capacidade para cerca de 10 mil pessoas. Ou seja, está bem abaixo do total necessário para essa fase e também para a final pelo regulamento da Sul-Americana. Mas a Conmebol ignora as regras se não houver reclamação do time oponente.

O São Paulo já monitorou a situação e decidiu por um veto em caso de classificação, o que levaria uma possível decisão para o Defensores Del Chaco. E pode ocorrer o mesmo com o Lanús, outro potencial rival da final.

Oficialmente, o campo do time argentino tem mais de 40 mil lugares. Mas, ao presidente da Ponte Preta, Marcio Della Volpe, dirigentes da equipe argentina informaram que têm utilizado o com capacidade para 20 mil pessoas. Ou seja, os são-paulinos também poderiam pedir o veto do estádio.

Assim, o clube do Morumbi consolida uma prática em disputas de competições sul-americanas. Já tinha vetado o estádio do Tigre para a final da Sul-Americana, em 2012, e a Arena da Baixada para a decisão da Libertadores, em 2005. A posição da diretoria é de que o clube não deve abrir mão de nenhum direito e das regras nesses campeonatos.

No caso da Ponte, cartolas são-paulinos também levaram em conta a pressão da torcida. Em monitoramento em redes sociais, constataram que os torcedores já tinham percebido que o Moisés Lucarelli não tinha capacidade para receber a semifinal. Então, não pegaria bem para o clube diante dos torcedores deixar de brigar por seus direitos.


Com voo fretado, São Paulo paga para jogar Sul-Americana
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A obsessão do São Paulo com a Libertadores faz a diretoria não medir esforços para atingir o título da Sul-Americana. Tanto que os dirigentes optaram por gastar US$ 180 mi (R$ 400 mil) para fretar o avião que levou os jogadores à Colômbia para a partida que classificou o time às semifinais da competição.

Esse valor, que é o normal praticado pelo mercado, é maior do que a cota a que os times têm direito por passar de fase na Sul-Americana, que gira em torno de US$ 150 mil (R$ 342 mil). A renda no jogo de ida no Morumbi foi R$ 572 mil, mas ainda houve descontos que em geral giram em torno de R$ 150 mil.

Somadas outras despesas, logísticas e com os salários dos atletas, dirigentes são-paulinos avaliam que estão pagando para jogar a competição. Só rendas consideráveis nas semifinais e finais mudarão esse cenário de prejuízo.

A diretoria do São Paulo, no entanto, avalia que as competições sul-americanas são deficitárias mesmo, mas que é preciso investir para ter ganhos intangíveis, como patrocínio e bilheterias maiores no próximo ano. Alguns dirigentes são-paulinos entendem que até para contratar jogadores é mais fácil se a equipe estiver no principal evento do continente em 2014, embora essa opinião não seja consenso.

Fato é que, mesmo quando o São Paulo ainda passava apuros no Brasileiro, o presidente Juvenal Juvêncio já tinha pedido ao técnico Muricy Ramalho que escalasse a força máxima para a partida das oitavas-de-final, diante do Universidad Catolica. Na ocasião, o treinador era contrário a ideia. Mas Juvenal lhe explicou a importância do torneio para o clube.

Por isso que dirigentes são-paulinos têm feito esforços financeiros para dar condição melhor aos jogadores. Ao decidir pelo voo fretado, o departamento de futebol entendeu que haveria um desgaste muito grande, com voos quebrados, para chegar até Medellín, o que prejudicaria o desempenho até no Brasileiro.

Esse voo gerou críticas da oposição que questionou a presença de conselheiros dentro do avião. A acusação é de que Juvenal bancou a viagem de membros do Conselho para obter apoio na eleição de abril para presidente do clube. O dirigente argumentou que não foi grande o número de conselheiros no avião e disse que não houve diferença no total gasto.


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