Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Vasco

Saiba como funcionará o árbitro de vídeo no Brasileiro
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Com Pedro Ivo de Almeida

Após gol de mão de Jô contra o Vasco, a diretoria da CBF decidiu acelerar a implantação do árbitro de vídeo no Brasileiro: a ideia é ter na próxima rodada. O sistema terá de respeitar o protocolo determinado pela Fifa, único permitido pela International Football Board Association. É o mesmo que será utilizado pela Conmebol nas semifinais da Libertadores

A CBF vinha protelando a instalação do árbitro de vídeo por economia já que o custo estimado é de R$ 15 milhões por ano. Por isso, foram feitos testes apenas em dois jogos da final do Campeonato Pernambucano, além de experiências offline. Mais: a confederação tinha discordâncias com a Fifa sobre a abrangência da atuação do juiz no monitor, mas só poderá usar o sistema da federação internacional.

E a Fifa já estabeleceu umas série de regras básicas para atuação do árbitro de vídeo. A intenção geral é que sejam poucas revisões em lances capitais, sem parar o jogo inteiro. Veja nesta série de perguntas como irá funcionar o sistema:

Como funciona?

Um árbitro ou ex-árbitro ficará em frente a um monitor com imagens dos jogos. O árbitro de campo pode consulta-lo no caso de dúvida ou o juiz à frente da televisão pode interferir se identificar um erro não visto pelo colega no campo. Eles se falam por intercomunicação. A decisão final é de quem está em campo. A CBF ainda vai decidir exatamente em que locais ficarão os juízes à frente do monitor, dependendo da infraestrutura do estádio.

Quando o árbitro poderá atuar?

1) Lances de gol para ver se houve irregularidade em impedimento ou se a bola entrou. Não será possível voltar atrás se for marcado impedimento inexistente porque o lance para.

2) Pênaltis para saber se houve, de fato, a falta na área.

3) Cartões vermelhos para verificar se ocorreram agressões fora do lance não vistas pelo árbitro.

4) Identificação de jogadores em confrontos em massa em campo.

Quais imagens serão usadas?

No caso brasileiro, serão usadas as imagens da Globo, detentora dos direitos do Brasileiro. A CBF entende que tem de ser utilizadas as mesmas imagens vistas pelo torcedor para não gerar dúvida. Em Pernambuco, houve testes com produção própria e com imagem da emissora oficial. Ainda não está descartado o uso de transmissão própria que seria mais cara também. Fato é que a imagem não terá som.

O sistema brasileiro de árbitro de vídeo já está maduro para ser usado?

Fifa e Conmebol contrataram empresas para implantar o árbitro de vídeo, sendo no caso da federação internacional o Hawk-eye que já era usado em outras competições esportivas. Ambas fizeram treinamentos com os árbitros que utilizarão o sistema. No Brasil, foram treinados pela Conmebol três árbitros: Anderson Daronco, Wilton Pereira Sampaio, e Sandro Meira Ricci, além de Péricles Bassols, internamente. Não foi contratada nenhuma empresa pela CBF para controlar o sistema, pois não havia previsão de implantação. A entidade vai se basear no que pegou com a Conmebol, e vai treinar de forma intensiva outros 11 árbitros, em um total de 14.

Há um problema de usar no meio do campeonato?

A CBF já tinha previsto em seu regulamento de competições de 2017 que poderia implantar o sistema de árbitro de vídeo durante qualquer das suas competições, independente da fase. Está no artigo 77. Ou seja, tem respaldo jurídico. O regulamento, inclusive, prevê que não é necessário fazer em todas as partidas, podendo a confederação utilizar só em algumas. A própria comissão de arbitragem admite que pode ter o árbitro de vídeo em alguns jogos e outros, não, dependendo da infraestrutura. A Conmebol também decidiu pelo uso do árbitro de vídeo no meio da Libertadores, a partir das semifinais.

O sistema de árbitro de vídeo já tem regras definitivas?

A International Board ainda não decidiu as regras definitivas do árbitro de vídeo que está em aprimoramento. Há um protocolo provisório feito pela Fifa que tem de ser usado em todos os países. A expectativa é de que o padrão ganhe contornos definitivos no final do ano, ou início de 2018, para chegar à Copa da Rússia consolidado.


A hipocrisia de Jô no gol de mão é um retrato do Brasil atual
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O erro de arbitragem em favor do Corinthians que lhe deu a vitória contra o Vasco é grave, mas fica até em segundo plano diante da atitude de Jô no episódio. Após meter a mão na bola, o atacante se fez de desentendido e disse que não sabe se bateu ou não no seu braço. A declaração seria cômica se não fosse um retrato de um Brasil tomado pela hipocrisia.

Primeiro, coloquemos as coisas em contexto. Jô esteve envolvido no lance com Rodrigo Caio quando o zagueiro do São Paulo avisou que ele não cometera falta, e portanto não merecia amarelo. Foi beneficiado pela honestidade do são-paulino.

Qual seu comentário na ocasião? “A gente precisa ser o mais sincero e honesto no grupo possível. Eu sairia em defesa, ia elogiar meu companheiro (se fosse no Corinthians). Essa atitude nos dá uma responsabilidade muito grande na próxima vez que acontecer. Se acontecer, a gente tem que fazer igual”, resumiu o corintiano, em abril.

Pois bem, cinco meses depois, Jô teve chance de fazer igual. O cruzamento veio da esquerda e talvez acabasse em gol. Difícil saber. O que é irrefutável é o movimento da cabeça e do braço de Jô conjuntos para acertar a bola. Foi no braço e no gol.

O lance é límpido, e qualquer juiz de pelada teria visto estando na linha de fundo como o da CBF, a poucos metros do lance. Um erro tão grotesco quanto o impedimento dado contra o Corinthians que anulou o gol diante do Flamengo. A arbitragem da CBF repete esse tipo de falha rodada a rodada, e o time corintiano foi beneficiado e prejudicado neste campeonato.

Mas isso, hoje, é secundário em relação à reação de Jô. Não, ele não fez igual a Rodrigo Caio como prometera. De cara, ele sinaliza para jogadores do Vasco que tinha feito o gol com o peito.

Sua entrevista após o jogo, no entanto, é constrangedora: “Eu não vi. Se tivesse convicção, eu ia falar. Me joguei na bola e não vi se tocou ou não. Se tivesse tocado, eu ia falar. Mas eu me joguei, eu me projeto. E se tocou ou não é interpretação do árbitro.”

Ora, Jô não precisa ver. Sentiu a bola bater no seu braço a não ser que tivesse uma doença que o impedisse de ter sensibilidade nesta região. Ele não se jogou, não bateu com o peito, meteu a mão na bola. Pode acontecer, o jogo é rápido, o atleta se afoba e coloca a mão, o juiz não vê. Tentar nos fazer de otários com uma mentira é outra história.

A própria entrevista do técnico Fábio Carille tentando minimizar o fato revela como se tenta dar jeitinho, passar pano no futebol e desviar o foco da questão moral. Diz ele que havia muito dúvida se a bola já “estava dentro”. “Ele pode falar que pegou na mão, mas e se a bola já estava dentro?”. Foge da questão central que é de que o atacante meteu a bola na mão e tentou enganar a todos.

Mas não é uma novidade no Brasil de hoje. Aqui é o lugar onde políticos saem em passeata contra a corrupção e depois são pegos com malas de mais de R$ 50 milhões em apartamentos. O país onde juízes não se sentem impedidos de julgar pessoas com quem têm ligações óbvias. A nação onde é regra pregar moralidade à frente das câmeras, levar vantagem atrás dela e negar tudo depois.

Haverá quem diga que a falha de caráter de Jô não é tão grave quanto a de políticos. Ou quem diga: “Jogadores não podem ser cobrados pelo que ocorre em campo, lá é diferente.” Até porque boa parte dos jogadores faz o mesmo, tenta enganar, levar vantagem, né? (Sim, a maioria age assim como vimos em diversos exemplos neste ano)

Não se está aqui comparando atos de corrupção aos de Jô. De fato, não cometeu crime ou desviou recurso público, não cometeu um sério dano à sociedade. E, obviamente, as duas situações têm disparidades e não podem ser julgadas da mesma forma.

Mas a exigência de princípios é para todos no exercício de sua profissão , na condução da vida, não só para políticos. Está em cada troco a mais que você devolve, ou não. Está em fazer seu trabalho de forma justa, e não tentar enganar a concorrência, seja você engenheiro, advogado ou… jogador. Quando alguém só se importa em levar vantagem, e não em vencer de forma correta, há um problema.

O resumo do episódio está na frase seguinte de Jô: “O juiz interpretou que não foi então foi bom para a gente. O importante é a vitória suada, os três pontos.” É isso: se for bom para a gente, não interessa se foi correto. Esse é o Brasil atual.


Punição ao Vasco indica STJD mais brando contra violência
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O STJD determinou uma perda de seis mandos de campo para o Vasco pela confusão no jogo contra o Flamengo, em que houve briga em toda a arquibancada, bombas e ameaça a jornalistas. Outros conflitos generalizados em jogos do Brasileiro provocaram penas bem mais duras do tribunal no passado.

O julgamento do caso vascaíno durou quase quatro horas, sendo que mais de uma hora foi exclusivamente para exibir cenas do confronto. Foi possível ver a briga iniciada pela torcida na arquibancada do Vasco, a tentativa de invasão do campo, o arremesso de bombas, a reação da PM com gás lacrimogêneo que atingiu o público, a saída de jogadores do Flamengo debaixo de ataque e as depredações do estádio.

Na 1ª comissão do STJD, o relator do caso Gustavo Pinheiro votou por apenas quatro jogos sem torcedores na arquibancada e permissão de vascaínos na social de São Januário. Ex-diretor jurídico vascaíno, na gestão de Roberto Dinamite até 2014, ele culpou praticamente só a PM pela confusão, acolhendo tese da defesa do clube. “O agravamento do caso se deu por causa da polícia”, explicou.

A auditora Michele Ramalho não concordou porque entendeu que é inadmissível uma torcida jogar bomba. Deu perda de seis mandos de campo. O presidente da comissão Lucas Rocha concordou e analisou: “É difícil verificar algo mais grave a não ser que fosse uma batalha campal.” Mas, após falar em oito perdas de mando, recuou para o número de seis jogos. A sanção pedida pela procuradoria era até 25.

Para efeito de comparação, em 2013, o próprio Vasco perdeu mando de oito jogos na primeira instância pela briga generalizada diante do Atlético-PR, punição que caiu para seis no pleno do STJD, tradicionalmente mais brando. Mandante daquele jogo, o Atlético-PR pegou gancho de 12 jogos que caiu para nove no segundo julgamento. Em ambos os casos, ainda havia partidas com portões fechados. Aquela briga atingiu toda a arquibancada, mas não os jogadores.

Naquele mesmo ano, o conflito entre vascaínos e corintianos no Mané Garrincha gerou quatro perdas de mando para cada um dos clubes. Foi uma briga de grandes proporções, mas sem bombas ou arremessos no campo. Em 2010, o Coritiba chegou a sofrer uma punição de 30 partidas pelo STJD, após torcedores invadirem o campo para bater em jogadores pelo rebaixamento do time em jogo contra o Fluminense. No ano seguinte, a segunda instância do tribunal reduziu para 10 jogos.

Mas, em 2015, a briga em campo e na arquibancada de torcedores de Ceará e Fortaleza já tinha uma certa queda da severidade do tribunal. O Ceará pegou sete jogos, reduzidos para cinco no STJD. E o Fotaleza ficou com sete partidas de pena.

No Brasileiro 2016, Corinthians, Palmeiras e Flamengo tiveram punições parciais nos setores de suas organizadas por brigas progatonizadas por essas. No caso corintiano, em que o conflito com a PM foi maior no Maracanã, foram cinco jogos como mandante, e cinco como visitante. São casos menos graves do que o vascaíno, ressalte-se, porque não envolveram toda a arquibancada, nem houve bombas e ameaça a jogadores.

Questionado pelo blog, o presidente da comissão Lucas Rocha defendeu que a perda de seis mandos para o Vasco é severa, e lembrou que já houve casos piores. “Considerei muito grave e votaria por punição mais severa, mas decidi acompanhar a auditora. A punição máxima seria dez jogos. Punição tem que ser pedagógica”, disse ele. Antes do julgamento de segunda-feira, o Vasco já tinha sido absolvido, em duas instâncias, pela briga no meio da arquibancada no jogo com o Corinthians.

Os advogados do Vasco e seu presidente Eurico Miranda defendem que o clube não teve responsabilidade na confusão, atribuindo a culpa à atuação da Polícia Militar e movimentos de oposição por incitar confusão. “Ela (PM) foi causadora da tragéria. Como joga bomba de gás lagrimogêneo indiscriminadamente na torcida? Um jogou bomba e falou : “Mandamos mais uma no Chiqueirão””, afirmou Eurico, que negou relação com organizadas que causaram briga. “Mentira, mentira. Não tem relação nenhuma.”


Após consulta do Flu, CBF diz que Vasco não usou Douglas de forma irregular
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A CBF diz que o volante Douglas, do Vasco, estava regular quando enfrentou o Fluminense. Houve uma consulta do clube tricolor à confederação, que informou que o jogador estava ok. O time das Laranjeiras, como revelou o UOL Esporte, estuda o caso para saber se entra com denúncia no STJD para tirar pontos da equipe vascaína no clássico, realizado no dia 27 de maio.

Segundo o departamento de registros da CBF, a rescisão e o novo contrato de Douglas com o Vasco foram publicados no dia 30 de maio, com diferença de três minutos.

O Fluminense ficou desconfiado da regularidade do atleta porque a rescisão é datada do dia 25 de maio. De fato, essa é a data do novo contrato, mas seu registro só se deu no dia 30 de maio juntamente com a rescisão, segundo a CBF. A entidade entende que esse é um procedimento normal que ocorre com vários jogadores.

Na versão da CBF, a regularidade do jogador estava garantida pelo registro velho, feito com base no contrato antigo. O novo registro no BID serviria automaticamente para substituir o anterior.

Quem defende que há irregularidade argumenta que Douglas estava, sim, registrado no BID no dia 27, data do clássico. Só que ele estaria inscrito no documento da CBF com um contrato que já não era válido, uma vez que a rescisão havia sido assinada dois dias antes. Isso teria deixado o volante em condição irregular.


Brasileiro nas Série A e B já tem 9 brigas em estádios. São Januário lidera
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Em apenas 12 rodadas, os Brasileiros das Séries A e B já têm nove casos de conflitos em estádio, sendo o mais grave o ocorrido em São Januário. Normalmente, os episódios começam a se acumular do meio para final do Nacional. Há um aumento da violência dentro e nas redondezas das arenas nos últimos anos, na avaliação do especialista em violência no futebol Maurício Murad.

Em relação às mortes ligadas ao futebol, já foram 9 no ano confirmadas em 2017, perto ou longe do estádio. As duas últimas neste final de semana, no Rio de Janeiro e em Recife. Mantém-se a média de anos anteriores com leve alta. Em 2016,  foram 13 confirmadas, e quatro em investigação. O levantamento é de Murad, professor da Universidade Salgado de Oliveira, com base em dados policiais.

Mas o que mais chama a atenção são os episódios violentos nos estádios e suas redondezas. “Na última década, a violência estava fora do estádio. Parece que há uma tendência de retorno nos estádios e adjacências. Autoridades da força de segurança, dos clubes e da CBF têm que estar atentas”, contou Murad. Por lei, clubes mandantes e a confederação são responsáveis pela segurança dos torcedores dentro das arenas.

Interditado pelo STJD preventivamente, São Januário foi de fato o sítio mais problemático com três ocorrências. Foram brigas e tumultos nas partidas do Vasco diante do Avaí, do Corinthians e do Flamengo. O último caso foi mais grave com arremessos de bombas e conflito generalizado que afetou até jogadores e jornalistas.

Outro local problemático foi o Beira-Rio com dois conflitos. Após o empate com o Criciúma, no final de semana, torcedores entraram em confronto com policiais, saquearam e depredaram o estádio. Antes disso, os colorados tinham protagonizado outra briga após a derrota para o Boa Esporte.

A procuradoria do STJD informou que já está pronta a denúncia contra o Inter no artigo 213, por tumulto, embora ainda não protocolada na secretaria. A pena máxima é de perda de 10 mandos de campo.

Outros dois confrontos graves foram no Serra Dourada na partida entre Goiás x Vila Nova em que torcedores das duas torcidas se digladiaram nas arquibancadas. Longe do estádio, um morreu em conflito. Próximo do Couto Pereira, organizadas do Coritiba e do Corinthians também brigaram, com o saldo de um corintiano ferido apanhando no chão.

Ainda no último final de semana, houve mais um embate entre membros de uniformizadas do Atlético-MG e do Botafogo, nas redondezas do Engenhão. Na Série B, houve ainda um conflito dentro da torcida do Paysandu, entre organizadas, por conta de homofobia de uma delas, na partida diante do Luverdense.

Maurício Murad lembra que, no início do Nacional, o número de casos costuma ser menor pois o campeonato costuma esquentar a partir de setembro. De fato, um levantamento do blog em brigas mostra que a maioria ocorreu no segundo semestre em 2013. O aumento dos conflitos dentro dos estádios tem efeito na média de público com mais impacto até do que os homicídios longe deles.

“Considerado o grau de homicídios no país, os números do futebol são terríveis, mas até baixos pelo que se verifica”, contou ele, que vê o número de mortes abaixo do que período de 2010 a 2013. “Mas a violência dentro do estádio é bem mais impactante do que o que ocorre a 10 quilômetros e afeta o espetáculo.”

Uma pesquisa feita por ele aponta que 70% das pessoas indica a violência como principal motivo para não ir aos estádios. O total de pesquisados foi de 2.200 pessoas.

Até agora, não há nenhuma medida concreta ou plano da CBF para lidar com a violência dentro dos estádio, que aumenta na gestão do presidente Marco Polo Del Nero. Ele está na confederação há cinco anos e se limita a dar entrevistas com sugestões genéricas. A maioria dos relatórios de delegados da entidade sobre jogos minimiza ou ignora conflitos. Dirigentes de clubes são resistentes a implantar um controle eficiente de acesso nos estádio, o que dificultaria a entrada de vândalos.


Relatórios da CBF minimizam problemas em brigas em São Januário
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Relatórios da CBF sobre jogos em São Januário minimizaram os incidentes de brigas no estádio. Isso ocorreu em jogos anteriores e no clássico com o Flamengo em que foram ignorados alguns episódios. Esses documentos foram produzidos pelo diretor de competições da Ferj (Federação de Futebol do Rio de Janeiro), Marcelo Vianna. Ele afirmou não ter visto problemas de segurança no local antes do sábado e disse ter relatado os incidentes que viu.

Não houve nenhuma restrição da confederação ao clássico com o Flamengo no local escolhido pela diretoria vascaína. Pelo Estatuto do Torcedor, o Vasco é o responsável por garantir a segurança de jogos em que é mandante.

Já a CBF marca os jogos da competição, responde solidariamente por danos ao torcedor e é a responsável pelo plano de segurança da competição. Trata-se de um documento genérico de 16 páginas sem instruções específicas. O plano de ação fica por conta da Ferj, feito em reunião com autoridades de segurança.

Questionado, por meio de assessoria, Marcelo Vianna, da federação, afirmou não ter visto problemas de segurança no estádio antes do clássico: “Não encontrei. Diversas partidas foram realizadas de várias competições em São Januário sem verificação de ocorrências. Compete ao delegado as observações se o clube está cumprindo as normas dos regulamentos das competições e do estatuto do torcedor.”

Pois bem, a CBF institui relatórios de todos os jogos em 2017 para avaliar as condições dos estádios. No caso de São Januário, todos os documentos foram produzidos por Marcelo Vianna. Nesses, ele minimizou brigas anteriores.

Diante do Corinthians, houve tumultos por confronto entre torcedores que protestavam contra o presidente vascaíno, Eurico Miranda, e seus apoiadores, sejam seguranças ou outros torcedores. O confronto foi generalizado como mostram os vídeos. “Após a partida, houve início tumulto na arquibancada onde estava localizada a torcida do clube mandante (curva da arquibancada) que foi rapidamente contornado pela Polícia Militar”, relatou Vianna.

Depois, na partida contra o Avaí, houve um apagão e novos protestos contra Eurico Miranda, seguidos de agressões. Houve tiros de balas de borracha e até a necessidade de divisão no meio da torcida para evitar mais briga.

Mas Vianna atribuiu o problema à política do clube e disse que a PM manteve a ordem: “Durante a paralisação da partida grupos políticos de segmentos contrários protestaram no anel da arquibancada. A Polícia Militar realizou intervenção, mantendo a ordem e organização no interno do estádio. Com o reinício da partida, tudo transcorreu sem incidentes até o encerramento. Não havendo registro de nenhuma anormalidade.”

Pela assessoria, Vianna afirmou ter relatado o que viu e que a CBF recebeu as informações: “Nos jogos citados contra Corinthians e Avaí, ocorreram situações na arquibancada, assinaladas na súmula do jogo e também no relatório. Isso ficou (e está) à disposição das autoridades desportivas e da entidade organizadora do campeonato para avaliação dos fatos.”

O relatório sobre o jogo entre Flamengo e Vasco, também de Vianna, menciona bombas e correria na torcida vascaína, mas, de novo, ignorou alguns dos graves acontecimentos. Ele não cita o fato de jornalistas terem sido ameaçados por torcedores de agressão dentro da cabines invadidas, nem que os jogadores do Flamengo e arbitragem tiveram que sair correndo para deixar o campo sob bombas da torcida do Vasco. Também não mencionou que o gás de pimenta afetou os atletas.

“Após término da partida, na proporção de estádio destinado à torcida mandante.Houve confronto entre torcedores, com intervenção da polícia, diversas bombas entre outros objetos foram atirados para dentro de campo, impossibilitando a saída para o vestiário da equipe de arbitragem e jogadores da equipe visitante, ocasionando intensa correria no anel da arquibancada. Após a intervenção da polícia militar, com a utilização de bombas de efeito moral e gás de pimenta, todos puderam deixar o campo de jogo. após chegada ao vestiário, não foram produzidos fatos, ruídos ou ameaças nas proximidades do vestiário.”

Não foi relatado nenhum problema nas instalações de imprensa do estádio. Quase todos os itens do estádio foram marcados como ok nos documentos.

Após a confusão, a decisão do STJD determinou falha estrutural do estádio: “O Vice-Presidente (Paulo César Salomão Filho) destacou ainda uma falha gritante na infraestrutura do estádio devido ausência de barreira para obstruir a passagem de torcedores ao local destinado aos profissionais de imprensa que impeça o contato entre os mesmos e as cabines de rádio e televisão”, diz a nota do STJD. Jornalistas foram atacados por torcedores dentro da cabine.

Segundo Vianna, não cabe ao delegado verificar falhas estruturas, o que deveria ser feito pela comissão nacional de estádios da CBF.  Sem verificar nenhum problema em São Januário, a CBF aprovou a realização do clássico contra o Flamengo no local.

Após a briga generalizada, bombas e uma morte do lado externo, a CBF impediu torcedores de irem ao estádio nos próximos jogos. Seu presidente Marco Polo Del Nero defendeu à “Folha de S. Paulo” uma punição por dez anos para os torcedores, sem mencionar medida prática da entidade para resolver a questão da violência. Ele está há cinco anos na CBF.

“A responsabilidade é de quem é o mandante do jogo e de quem organiza a competição. Entendo que responde juntamente com o clube. Um torcedor que sofrer prejuízo pode demandar o clube e a CBF”, explicou o advogado Carlos Eduardo Ambiel. “O fato de haver brigas não signitiva que houve omissão. Às vezes pode-se se tomar todas as providências e haver conflito. Isso tem que ser apurado.”

O blog fez perguntas para a confederação sobre os relatórios sobre São Januário, e sobre os planos de segurança do Brasileiro. A CBF informou que “o plano de ação de cada partida é elaborado pela Federação estadual mandante da partida junto com as autoridades de segurança. A Ferj elaborou, como sempre faz, o plano de ação da referida partida.”


Selvageria em São Januário era uma tragédia anunciada e não tem desculpa
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Derrota para o rival confirmada, membros da torcida do Vasco tentaram invadir o campo, se confrontaram com policiais e jogaram bombas no campo. A confusão chegou a ameaçar jogadores que estavam no gramado que tiveram de sair de correndo para o vestiário. Fora do estádio, uma morte. Ao final, Eurico Miranda pede desculpas, mas diz que não significa que São Januário não pode receber clássicos.

Não poderia estar mais equivocado: é até óbvio que o estádio não poderia ter recebido o jogo entre Flamengo e Vasco. Já não deveria ter sido palco do Corinthians e Vasco no final de 2015, mas, por sorte, o nível de confusão naquela ocasião (houve algumas) foi ao menos tolerável. Não desta vez.

A rivalidade entre os dois times é a mais explosiva e São Januário tem condições complicadas de acesso para as torcidas e para controle delas em situações tensas. Havia ainda um histórico recente de confusões no estádio dentro da própria torcida vascaína, com brigas frequentes. O clima entre parte dos torcedores vascaínos já era de revolta com a atual diretoria.

Era um caldeirão preparado para estourar em caso de uma derrota cruzmaltina, algo bem possível diante do desnível técnico entre os dois times. Não dá para aceitar em nenhum lugar do mundo que a derrota do time da casa transforme o estádio em clima de guerra.

O governo do Estado do Rio tem responsabilidade no episódio pela letargia com que lida com a questão do Maracanã. Estivesse o estádio em funcionamento e viável: o clássico possivelmente seria realizado por lá. Na verdade, era o que deveria ser imposto pelas autoridades de segurança.

O pedido de desculpas de Eurico é insuficiente. Não trata das falhas de segurança que proporcionaram uma enorme quantidade de bombas a serem lançadas no campo. A PM tem culpa, mas o clube é responsável legalmente pelo planejamento de segurança no jogo.

Não trata do fato de jogadores, árbitros e jornalistas terem sido expostos à selvageria.  Ao final, foca em uma insinuação de que uma armação política gerou a confusão. Sem nenhuma prova ou indício de que isso seja real. Será que a família do torcedor vascaíno morto aceita esse tipo de explicação?

Eurico, ressalte-se, não é o responsável direto pela briga, mas errou feio ao marcar o jogo em São Januário. A culpa principal é dos vândalos que transformaram uma derrota para o rival em uma mancha para a torcida do Vasco, em uma provável perda de mando de campo e em uma ameaça à campanha vascaína, baseada em jogos em casa. Pior, a confusão provocou uma morte no portão externo. Não há outra solução moral para o STJD além de fechar São Januário por um longo tempo.

Esse não é o único dano para o Vasco. Imagine o impacto das imagens da briga para o torcedor jovem vascaíno que pensava em ir ao estádio apesar dos problemas? Veja a imagem do torcedor carregado pelo colega Pedro Ivo, do UOL, retirado da arquibancada com gás de pimenta nos olhos. Será que essa criança vai querer voltar a São Januário? Não há desculpas que vá fazer ele esquecer o que ocorreu.

 


Brasileiro tem início com frente embolada e sem influência da tabela
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O início do Brasileiro tem um início sem influência da tabela de mando de campos e com a posições na frente bem mais embolada do que nos anos recentes. Nessas três primeiras rodadas, o fator casa teve peso relativo já que boa parte dos times com mais pontos atuaram fora. E há oito times com mais de seis pontos, número acima do normal no campeonato.

Primeiro, é preciso ressaltar que a posição na terceira rodada em geral tem pouco significado para o resultado final do campeonato. Há times campeões que até figuravam nas quatro primeiras colocações neste estágio, mas em geral só se estabilizavam na disputa mais à frente no campeonato.

Para complicar qualquer análise, há oito times com mais de seis pontos ao final da terceira rodada, um cenário só visto em 2011. A Chapecoense ainda pode se somar ao grupo em jogo contra o Avaí, nesta segunda-feira. Em geral, esse número é bem menor prevalecendo empates que deixam equipes emboladas no meio, e não na frente.

Teoricamente, isso poderia levar a conclusão de que a tabela da CBF com dois jogos seguidos em casa para um time ajudou os times a somar mais pontos. Mas as duas equipes que estão na ponta, Corinthians e Cruzeiro, jogaram duas vezes fora. O mesmo ocorreu com Grêmio e Coritiba que têm seis pontos e vêm na sequência da classificação.

Entre os oito que somaram pelo menos seis pontos, São Paulo, Vasco e Botafogo atuaram duas vezes em casa. São cinco times, portanto, que atuaram mais fora.

O início dos favoritos ao Brasileiro é ruim, o que torna o cenário mais nebuloso. O Flamengo até somou cinco pontos em três jogos, sendo dois deles fora. Mas o Atlético-MG tem apenas dois pontos após jogar duas vezes no Independência, e o Palmeiras perdeu as duas como visitante.

O bloco de times que tem capacidade técnica de enfrenta-los – Fluminense, Corinthians, Grêmio, Cruzeiro e o São Paulo – mostra estar próximo no futebol que é capaz de desenvolver. Difícil portanto tirar conclusões sobre esse início do Nacional. Como nos outros anos, um quadro mais claro só será conhecido quando houve um quarto do campeonato disputado. Ainda assim, bem sujeito a reviravoltas.

 


Dívida de clubes com governo sobe no 2º ano do Profut. Veja os devedores
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Depois da implantação do Profut, em 2015, houve uma redução na dívida dos clubes com o governo federal por conta de descontos de multas após a adesão. Mas, no ano passado, esse débito voltou a subir porque os times estão pagando parcelas reduzidas no início, aponta um estudo da BDO Sports Management. A expectativa é que o passivo só passe a cair em dois anos quando houver pagamento de parcelas maiores.

Explica-se: pelas regras do Profut, os clubes pagam 50% da parcela devida nos dois primeiros anos. Em seguida, a parcela passa para 75% por mais dois anos. Depois, atinge um patamar de 90% por mais dois anos. E só atinge 100% após esse período. Quem aderiu no final de 2015 vai ter o primeiro reajuste no final de 2017. A exceção é a dívida de FGTS que tem parcelas fixas.

Enquanto isso, o débito é reajustado pela taxa Selic, que atualmente está em 12,15%. Ou seja, os pagamentos feitos pelos clubes são inferiores ao crescimento do débito tributário consolidado na Receita.

Em 2016, a dívida dos 23 maiores clubes brasileiros com o governo aumentou 9% ou R$ 230 milhões, atingindo o valor de R$ 2,6 bilhões, apontou o relatório da BDO. O estudo da consultoria fala em estagnação do débito fiscal, levando-se em conta os dois anos de Profut e a inflação. Em 2015, o débito fiscal teve queda de R$ 100 milhões.

O reajuste ocorreu no débito fiscal de quase todos os 23 clubes. O maior devedor é o Botafogo, seguido de Atlético-MG, Flamengo e Corinthians (veja valores abaixo). O blog apurou que, quando a parcela representar 75% do total, a tendência é a dívida estagnar e se manter estável. Só passaria a haver queda real do débito fiscal dos clubes a partir de 2020 quando os clubes então pagarem 90% da parcela.

Maior devedor, o Botafogo mostra em seu site a previsão de seus pagamentos dentro do Profut. Em 2016, o clube estimou pagar R$ 5,150 milhões. Esse valor saltaria para R$ 8,6 milhões em 2021 como pagamento integral. Só que esse valor será maior porque a dívida será reajustada pela Selic nos próximos quatro anos.

Será portanto a partir de 2020 que os clubes passarão a ter um real peso de dívidas fiscais sobre seus orçamentos, e assim poderão começar a reduzir o montante que acumularam de débitos durante anos com o governo. Veja quanto cada um deve:

1º Botafogo – R$ 292,7 milhões

2º Atlético-MG – R$ 284,3 milhões

3º Flamengo – R$ 282,3 milhões

4º Corinthians – R$ 232,2 milhões

5º Vasco – R$ 194 milhões

6º Fluminense – R$ 193,4 milhões

7º Cruzeiro – R$ 188,7 milhões

8º Santos – R$ 155,2 milhões

9º Bahia – R$ 111,5 milhões

10º Internacional – R$ 109,4 milhões

11º São Paulo – R$ 104,5 milhões

12º Coritiba – R$ 100,2 milhões

13º Grêmio – R$ 96,1 milhões

14º Palmeiras – R$ 79,1 milhões

15º Sport – R$ 64,6 milhões

 


Após Profut, clubes controlam gastos com futebol e reduzem dívida em 2016
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rodrigomattos

Após a implantação do Profut, os grandes clubes brasileiros controlaram gastos com futebol e conseguiram uma redução da sua dívida total em 2016. É o que mostra um levantamento da BDO Sports Management. Mas só se poderá ter certeza sobre os efeitos do Profut sobre os times a longo prazo porque houve um crescimento anormal de dinheiro com televisão por luvas neste ano.

As receitas dos 23 clubes de maiores receitas saltaram para R$ 4,462 bilhões em 2016, um aumento de 29%, bem acima da inflação. Pelo padrão do futebol brasileiro, isso representaria uma explosão de gastos no futebol para aproveitar o dinheiro extra. Mas não foi o que ocorreu dessa vez.

Houve, sim, um crescimento de gastos com o futebol de 9,4%, pouco acima da inflação, o que elevou o valor a R$ 2,888 bilhões. Isso significa que as despesas com futebol ficaram em 58% da receita total. “Com o forte crescimento da receita e com a nova lei que vigora no segmento (PROFUT), o indicador Custo do Futebol/Receita Total atingiu seu menor valor no período analisado”, aponta o relatório da BDO.

Para completar, os clubes nacionais apresentaram um superávit de R$ 423,7 milhões. “Apenas 6 dos 23 clubes apresentaram déficit em seus balanços em 2016”, contou a BDO. Esses times que apresentaram déficit foram: Sport, Avaí, Botafogo, Coritiba, Internacional e Cruzeiro. Lembre-se que as regras do Profut estabelecem que os clubes têm de reduzir seus déficits até zerá-los.

Como consequência, houve uma redução discreta do endividamento líquido dos grandes clubes nacionais. Esse caiu para R$ 6,390 bilhões, R$ 63 milhões a menos do que em 2015. Em dois anos, houve 5% de queda no débito dos times. Lembre-se que, considerada a inflação, essa queda foi maior. A redução foi maior em relação a empréstimos: houve queda de 7% com o valor ficando em R$ 1,6 bilhão.

Mas isso não significa que todos os clubes conseguiram reduzir suas dívidas. Líderes do ranking dos devedores, Botafogo, Atlético-MG e Fluminense tiveram aumentos em seus débitos, além de Cruzeiro e Internacional. O São Paulo até teve um aumento de dívida, mas esse valor já caiu em 2017 com o pagamento de empréstimos e direitos de atletas. “16 dos 23 clubes apresentaram redução em seu endividamento com empréstimos”, apontou o relatório da BDO.

A dívida não é um índice absoluto para saber a situação financeira de um clube. É preciso levar em conta sua receita em relação ao débito, a natureza dos passivos e os gastos do clube. O Botafogo é o maior devedor na lista, mas é preciso lembrar que o Corinthians não incluiu o débito do estádio em seu balanço. Veja abaixo a listas da maiores dívidas de clubes brasileiros:

1o Botafogo – R$ 753,1 milhões

2o Atlético-MG – R$ 518,7 milhões

3o Fluminense – R$ 502 milhões

4o Flamengo ** – R$ 460,6 milhões

5o Vasco – R$ 456,8 milhões

6o Corinthians *- R$ 424,9 milhões

7o Grémio – R$ 397,4 milhões

8o Palmeiras – R$ 394,8 milhões

9o São Paulo – R$ 385,3 milhões

10o Cruzeiro – R$ 363 milhões

110 Santos – R$ 356,6 milhões

12o Internacional – R$ 311,6 milhões

13o Atlético-PR – R$ 264,5 milhões

14o Coritiba – R$ 187,1 milhões

15o Bahia – R$ 166,4 milhões

* O débito do Corinthians em relação a sua arena gira em torno de R$ 1,4 bilhão, mas uma parte desse valor deverá ser abatido por CIDs e ainda está em negociação.

**O Flamengo alega ter uma dívida de R$ 390 milhões porque não considera como débitos adiantamaentos de receitas, ao contrário da BDO.