Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Vasco

Com rotação, Facebook terá pacote da Libertadores incluindo brasileiros
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Na concorrência feita pela Conmebol, o Facebook adquiriu um pacote de direitos de transmissão da Libertadores-2019 que inclui todas as partidas da quinta-feira. Isso significa algo entre 20 e 30 jogos, entre compromissos de fase de grupo e alguns eliminatórios. Como haverá rotação de times na tabela, é certo que haverá jogos de times brasileiros que só passarão na plataforma digital, um fato inédito para campeonatos nacionais e internacionais no país.

A concorrência da Conmebol para o Brasil foi dividida em quatro pacotes, TV Aberta, TV Fechada A, TV Fechada B e todas as partidas de quinta-feira. A Globo levou a primeira propriedade, a Fox Sports, a segunda, e o Sportv, a terceira, como revelou o blog do Flávio Ricco. O Facebook ficou com essa quarta fatia.

No total, são 155 jogos da Libertadores-2019 a serem divididos pelos pacotes. A Globo tem direito a dois por rodada, incluindo a final da competição. Fora isso, todos os jogos são divididos entre os outros três pacotes.

O pacote número 1 de TV fechada tem em torno de 60 partidas, com a decisão da Libertadores. O pacote número 2 de TV Fechada tem em torno de 60 jogos, sem a final e com transmissão até a semifinal. No caso do Facebook, serão entre 20 e 30 partidas a que a plataforma terá direito com compromissos até as quartas-de-final.

A questão é que, pelas regras da concorrência, a Conmebol não dá mais às emissoras poder sobre a tabela. Agora, será a confederação sul-americana quem decidirá quais jogos serão em cada dia. E foi colocado nas regras que haveria uma rotação entre os grandes times.

Diante dessas regras, a Conmebol já dá como certo que clubes relevantes do continente com os brasileiros e argentinos terão jogos também nas quinta-feiras, ainda que em menor número do que nos outros pacotes. Ou seja, neste cenário, será a primeira vez que clubes nacionais terão jogos de seus times principais transmitidos exclusivamente no Facebook em competições nacionais ou internacionais.

Após longas conversas com a Conmebol, a plataforma de mídias sociais entrou forte na concorrência da Libertadores. Está disputando direitos de TV Aberta no pacote de outros países, fora o Brasil, e também apresentou interesse nos direitos internacionais para fora da América do Sul. Ainda não estão claros os resultados dessas concorrências, separadas da brasileira, mas é certo que o Facebook fez propostas relevantes.

Até recentemente, o Facebook negava que fosse investir na compra de direitos de competições. No Brasil, tinha apenas adquirido um campeonato brasileiro de aspirantes juntamente com o Esporte Interativo. Ainda não está claro como a plataforma digital vai explorar comercialmente as transmissões. Certo é que tem uma base de anunciantes considerável em seus negócios.


Por Profut, governo fiscaliza balanços. Há clubes da Série A com problemas
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A Apfut (Autoridade Pública de Governança do Futebol) já iniciou a fiscalização de balanços de clubes de futebol e se prepara para, em seguida, iniciar procedimentos administrativos contra aqueles que descumprirem a Lei do Profut. Não se fala em nomes oficialmente. Em levantamento, o blog constatou problemas nas contas de Vasco, Fluminense, Internacional e Vitória sob o ponto de vista da legislação.

Os procedimentos administrativos podem levar eventualmente a exclusão dos clubes do programa Profut, que refinancia os débitos dos times. Isso significaria que suas dívidas integrais com o governo seriam cobradas de uma vez, sem os descontos que foram dados em multas pelo governo federal. Mas deve haver um processo longo até chegar a isso.

“Estamos começando a receber os balanços e estamos analisando. Caso constatemos irregularidades, vamos notificar os clubes e iniciar procedimentos administrativos”, afirmou o presidente da Apfut, Luiz André Mello. “A partir daí, pediremos ao clube para mostrar uma plano de ação em 180 dias (para se adaptar a lei). E vamos acompanhar e fiscalizar a execução.”

Mello não fala sobre nenhum clube especificamente. Todos os procedimentos são tratados em sigilo. “Tinha indícios de descumprimento em clubes da Série A. Se houver (desrespeito à lei), vamos fazer procedimentos”, completou.

Por conta própria, o blog fez um levantamento nos balanços de acordo com a Lei do Profut. Constatou que há dados que indicam descumprimento da lei em Vasco, Internacional, Fluminense, Vitória e Sport. O clube pernambucano, no entanto, não está no Profut e portanto não está submetido às regras.

Entre as obrigações, está ter um deficit de até 10% da receita do ano anterior. No caso dessa primeira fiscalização, vale o deficit de 2017 e a receita de 2016 portanto. Os quatro clubes não cumpriram essa determinação.

O Fluminense teve um deficit em 2017 de R$ 79,4 milhões. Isso representa 27% de sua receita do ano anterior de R$ 293 milhões. Além disso, o Fluminense não publicou o balanço dentro do prazo e suas demonstrações financeiras não foram auditadas, outra das obrigações previstas na lei.

A diretoria do Fluminense vem conversando com a Apfut e tem dado explicações para sua situação financeira. Isso não significa, no entanto, que está livre de punição. O clube terá de mostrar um plano de como vai se recuperar para cumprir as obrigações.

Outro caso é do Vasco. O deficit vascaíno foi de R$ 23 milhões, o que dá 10,8% da sua receita do ano de 2016. O pior problema, no caso do alvinegro, é outro. O balanço mostra que havia dívida de R$ 27 milhões em parcelas vencidas do Profut. Pela regra, três meses implicam em exclusão e esse valor é maior do que de três parcelas. Há ainda salários e FGTS em aberto, o que a lei não permite.

Assim como o Fluminense, a diretoria do Vasco já mostrou disposição de negociar com a Apfut para estabelecer uma fórmula para quitar os atrasados. Seu balanço indica que pretende usar depósitos judiciais.

Já o Vitória teve um deficit de R$ 59,8 milhões, o que representa 53% da receita de R$ 112 milhões do clube em 2016. No caso do Internacional, o deficit foi de R$ 62,6 milhões. Isso significa 21,4% da receita de 2016 de R$ 292,7 milhões.

Todos os quatro clubes tiveram trocas de presidentes nesta virada do ano ou no final de 2016. O presidente do Vasco, Alexandre Campello, é o que assumiu mais recentemente.

Não foi possível ao blog verificar dados como restrição de antecipação de receita a 30% ou custo percentual da folha de futebol porque isso exigiria informações além das disponíveis no balanço.

Constatada a irregularidade, a Apfut terá de fazer alguma sanção ao clube, mas não necessariamente a exclusão do programa. Há uma tendência a induzir a governança para que o clube se enquadre e, se isso não ocorrer, uma medida mais radical.

“Se não cumprir, vai ter punição. Pode ser uma notificação ou pode levar até a exclusão”, contou Luiz André Mello. Ele lembrou que o programa da Uefa de fair play para clubes tem maior flexibilidade, propondo medidas corretivas no clube. Mas, no Brasil, há uma lei a ser seguida.

 


Vasco estima ganhar R$ 120 mi a menos do que Fla em cotas da Globo em 2019
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A diretoria do Vasco estima que ganhará menos da metade do valor do Flamengo em cotas da Globo pelo Brasileiro-2019. A informação consta do balanço do clube alvinegro. O modelo de nova distribuição de cotas da emissora foi para reduzir diferenças entre times, mas o cálculo vascaíno é que a vantagem rubro-negra vai aumentar e atingir R$ 120 milhões. Além do modelo, pesa um aditivo ao contrato assinado pelo ex-presidente Eurico Miranda que reduz as cotas do clube cruzmaltino.

Atualmente, o Flamengo já é o clube com maior receita de televisão do Brasil, superando inclusive rivais de outros Estados. Em 2017, ganhou R$ 199 milhões com televisão, contra R$ 97 milhões do Vasco. Mas, neste caso, estão todas as receitas de televisão, incluído o Estadual do Rio em que os dois times recebem igual.

Em seu balanço, o Vasco detalhou todas as informações do contrato assinado com a Globo. Alguns dados básicos eram sabidos: serão pagos R$ 1,1 bilhão aos clubes. Desse total, serão 40% divididos igual, 30% por exibição e 30% por posição no campeonato. Isso fora o pay-per-view.

Nessa conta, a diretoria vascaína prevê que vai ganhar R$ 61 milhões pelos contratos de TV Aberta e Fechada. Outros R$ 34 milhões viriam do PPV, distribuído de acordo com o percentual da torcida de cada time.

A questão é que o documento tem uma estimativa de que o Flamengo abocanhe muito mais pelo Brasileiro-2019. “O maior rival deve passar a receber valores acima de R$ 220 milhões com o novo contrato, o que aumentará a diferença de arrecadação com esses direitos dos atuais R$ 70 milhões para cerca de R$ 120 milhões. Esses valores ainda são estimativas, mas parece inegável que a diferença de receita aumentou substancialmente”, afirma o documento.

A estimativa foi feita com base nas variáveis de PPV, de posições de tabela e exibições de tv, segundo o blog apurou. Além disso, leva em conta que as luvas do rubro-negro foram de R$ 120 milhões e dos vascaínos, de R$ 60 milhões. A diretoria vascaína entende que esses números podem variar, mas que certamente haverá maior vantagem rubro-negra.

O blog não conseguiu confirmar com a diretoria do time da Gávea se as estimativas vascaínas correspondem ao contrato rubro-negro. Mas dirigentes vascaínos tinham informações sobre as diferenças entre os acordos, além das condições gerais que são iguais a todos.

A Globo defende que o novo modelo tornou mais igualitária a distribuição de dinheiro entre clubes, ao estabelecer critérios de meritocracia como a posição no campeonato. Mas há o reconhecimento na emissora que certos fatores tornam diferentes os valores recebidos por cada um como o pay-per-view que é estabelecido pela adesão da torcida.

E há outro aspecto que reduziu as cotas vascaínas. O balanço relata que o ex-presidente Eurico Miranda assinou um aditivo ao contrato com Globo para estendê-lo que reduziu o valor total com a previsão de descontos. Na gestão de Miranda, o Vasco recebeu luvas extras de R$ 12,5 milhões que, na verdade, funcionavam como um empréstimo.

Então, o Vasco perderá durante três anos um total de R$ 36 milhões em descontos do contrato da Globo por causa dessas luvas/adiantamento feito por Eurico. Isso por conta dos juros do período em que o dinheiro foi pego, em 2016, até a época de desconto. Ou seja, o ex-presidente recebeu um dinheiro de forma antecipada que implica em uma perda do triplo do valor no futuro para o Vasco.

 

 


Vasco cai com pior campanha brasileira em grupos da Libertadores em 16 anos
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O Vasco foi eliminado antecipadamente da Libertadores com a pior campanha de um time brasileiro na fase de grupos em 16 anos. Com a derrota para o Cruzeiro em casa, o time somou apenas dois pontos em cinco jogos, nenhuma vitória.

Nesta quarta-feira, o time carioca foi goleado pelo Cruzeiro por 4 x 0 em São Januário. Foi a segunda goleada na fase de grupos, e terceira na Libertadores.

Faltando uma rodada, o time vascaíno só pode atingir 5 pontos se vencer a Universidad do Chile. A última vez em que uma equipe brasileira esteve em situação similar foi quando o Flamengo somou apenas quatro pontos nesta fase, e o Atlético-PR, cinco. Ambos foram eliminados. Em todas as outras edições desde então, os times brasileiros tiveram desempenho superior nos grupos.

Além disso, houve duas eliminações em fase prévia da Libertadores. O Corinthians para o Tolima, em 2011, e a Chapecoense, agora em 2018.

A partida diante do Cruzeiro foi um retrato do que se viu deste Vasco na Libertadores. Um time desorganizado em sua defesa que só funcionou em uma partida diante dos cruzeirenses em Minas Gerais. Fora isso, foi uma peneira.

Os laterais Pikachu e Henrique davam espaços nas costas, os zagueiros olhavam para os rivais dentro da área, e os volantes estava mal posicionados para protege-los. É preciso que se diga que o primeiro gol cruzeirense foi marcado em impedimento de Léo. Mas o atropelamento foi tal que fez pouca diferença no resultado final.

E a defesa era o ponto forte vascaíno no ano passado, com nomes diferentes. De qualquer forma, o técnico Zé Ricardo, que tinha esse mérito, não parece conseguir encontrar novamente uma forma de botar o time para se defender de forma eficiente. Ofensivamente, o time tinha uma falta de talento absoluta, tentando vencer só na pressão e vontade.

Os gols cruzeirenses foram saindo com naturalidade. Thiago Neves recebeu livre após jogada pela direita e aumentou. Depois disso, Sassá ampliou. E a torcida vascaína se revoltou: começou a gritar time sem vergonha, criticou a diretoria… Isso causou uma briga porque parte dos torcedores tentou abafar o protesto. Houve quem chamasse de protesto político. Como dizer que é política quando uma torcida reclama de um vexame desses?

O cenário melancólico se seguiu. Quando o Cruzeiro acelerou: fez mais um gol. A torcida brigou de novo. E assim o Vasco se despediu com a pior campanha brasileira na Libertadores em mais de uma década.

 


Venda de quase R$ 1 bi em jogadores ajuda clubes a conter dívidas
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A negociação de jogadores de um valor próximo de R$ 1 bilhão ajudou as contas dos clubes e manteve estável a dívidas total deles. É o que mostra um levantamento feito pela consultoria Sports Value nos balanços dos 20 times de maior arrecadação no país. Esse movimento não foi uniforme e metade dos times teve superávit e a outra metade, déficit.

Foram R$ 966 milhões em vendas de jogadores executadas pelos maiores times brasileiros. O líder no quesito foi o São Paulo, seguido de perto pelo Flamengo. No total, isso representou a segunda maior receita dos times, atrás apenas da televisão. O percentual é de 19% do total – o último ano em que houve proporção maior foi em 2013.

“Em 2015, o Profut ajudou as contas dos clubes. Em 2016, foram as luvas de televisão. Esse ano foram as vendas de jogador”, explicou Amir Somoggi, consultor da Sports Value.

Com a alta na receita de jogadores, a dívida total dos clubes teve um crescimento abaixo da inflação, na casa de 2%. Em 2016, o número era de R$ 6,63 bilhões. Agora, está em R$ 6,76 bilhões. O aumento de receita foi de 4%. Isso reduziu a relação entre receita anual e dívida para 1,3, o que mostra, teoricamente, contas mais saudáveis dos clubes.

Esse, no entanto, é um quadro geral. Do ponto de vista específico, o Flamengo teve uma redução brutal de sua dívida que caiu para R$ 335 milhões, queda de 27%. Do total de 20 clubes analisados, 11 tiveram redução da dívida ou crescimento no máximo no nível da inflação. Outros nove tiveram aumentos dos débitos líquidos acima da inflação.

Foram seis os clubes, Fluminense, Vasco, Palmeiras, Atlético-PR, Vitória e Sport que tiveram crescimento de débito acima de 10%. Veja no gráfico da Sports Value a evolução dos débitos de cada um. Botafogo e Internacional estão no topo da lista.

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Caos: balanço revela Vasco com buraco de R$ 10 mi por mês gerado por Eurico
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O balanço do Vasco mostra um clube quase sem receita para passar o ano e com R$ 86 milhões em dívidas já vencidas, fora um crescimento do rombo geral. Primeiro documento de fato transparente revela um cenário caótico deixado pela administração do ex-presidente Eurico Miranda. O próprio documento reconhece a situação dramática vascaína.

“Assim, o grande problema imediato do clube é como equacionar a grande insuficiência de caixa prevista para 2018 que, equivale, a quase R$ 10 milhões de déficit financeiro mensal”, detalha o balanço. Ou seja, nesta temporada, o Vasco tem um buraco de R$ 10 milhões por mês. A previsão de déficit na temporada é de R$ 114 milhões.

Para piorar, a única receita extra que foi a venda do atacante Paulinho foi menor do que divulgado inicialmente. O clube ficará apenas com € 13,65 milhões (R$ 56 milhões) da negociação. Isso porque, além da comissão de Carlos Leite, outros € 3 milhões foram dados para o jogador por bônus de performance, em contrato assinado em janeiro de 2018. Havia suspeita de que o agente tinha participação nos direitos do atleta, o que é negado pelo presidente Alexandre Campello.

No total, a dívida líquida do clube ficou em R$ 506 milhões, um crescimento em torno de 10% em relação ao ano passado. Isso porque a agremiação teve déficit de R$ 22 milhões em 2018. O problema é que a boa parte dos débitos já está vencido, como salários atrasados, empréstimo com a CBF, impostos não pagos. No total, somam R$ 86 milhões.

Para completar, a principal receita do Vasco que é de televisão está praticamente toda comprometida nesta temporada, como já tinha revelado o blog. Segundo o documento, 92,4% das cotas de TV de 2018 foram antecipadas. Para o próximo ano, também 63,4% dessas receitas já foram recebidas. E há percentuais menores das cotas de 2020 e 2021 que já entraram no caixa.

A diretoria vascaína explica no documento que tentará antecipar mais valores do contrato com a Globo para tentar aliviar a situação financeira do ano. Outra medida será tentar utilizar dinheiro preso em depósitos judiciais para tentar quitar dívidas de impostos.

O Vasco corre o risco de exclusão do Profut por atrasos nos pagamentos e negocia com o governo um novo parcelamento. A dívida já vencida com o governo é de R$ 27 milhões.

 


Sócio do Vasco protocola denúncia à CBF por venda de Paulinho
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O sócio do Vasco Luiz Roberto Leven Siano, que é advogado especialista em direito esportivo, protocolou uma denúncia na CBF de que houve irregularidade na venda de Paulinho, e quer saber se o clube foi lesado. Sua alegação é de que a norma da Fifa foi quebrada porque houve vinculação entre empréstimo do empresário Carlos Leite e a negociação. A diretoria do clube nega qualquer desvio da norma da entidade.

Nesta sexta-feira, o presidente do Vasco, Alexandre Campello, anunciou a venda de Paulinho para o Bayer Leverkusen por € 18,5 milhões (R$ 77 milhões). Anteriormente, afirmara no Conselho Deliberativo que o empréstimo de R$ 10 milhões de Carlos Leite tinha previsão de pagamento quando o atleta fosse vendido. Em entrevista, o dirigente disse que Leite ainda ganhará um percentual de 10% de comissão sobre o negócio.

O documento de Leven Siano é uma denúncia à CBF e a à Fifa, além de um pedido de esclarecimentos e a Vasco e Bayer Leverkusen. Ainda requisita a Eurico Miranda, presidente do Conselho de Grandes Beneméritos vascaíno, uma investigação interna. Segundo ele, seu objetivo é evitar que o Vasco seja lesado por isso também questiona a negociação abaixo da multa.

“Questiono Bayer e Vasco sobre a possibilidade de estarem violando regra da Fifa ao pagar direitos federativos a intermediários”, afirmou Leven Siano. “Denunciei o caso à Fifa e à CBF para que averiguem a situação.” A denúncia fala em quebra dos artigos 18bis e 18Ter do Regulamento de Transferências e Status de jogadores da Fifa, que veda influências externas no departamento de futebol e participação de terceiros em direitos de jogadores.

A CBF já tinha informado estar atenta ao caso, embora ainda não tenha iniciado um procedimento formal de investigação. Outra alegação no documento protocolado por Leven Siano é em relação à suposta quebra da Lei do Profut pela qual quem empresta dinheiro a um clube não pode ter negócios com este.

Por fim, Leven Siano ainda questiona o por que da preferência para Carlos Leite receber seu empréstimo na frente de outros credores. “Isso fere os interesses de outros atletas que tenham demandas e sejam credores do Vasco. Por que ele recebe na frente se o clube tem outras dívidas inclusive tributárias?”.

Leven Siano atuou como advogado de ex-jogadores como Edmundo em ações de cobranças contra o Vasco por dívidas passadas: esta já resolvida e sendo paga em parcelas. Também já defendeu dirigentes vascaínos em outras demandas, dentro de diversas correntes políticas do clube.

A diretoria do Vasco garante a regularidade do negócio de Paulinho. Segundo Campello, por meio de assessoria, não houve nenhuma quebra dos artigos da Fifa relacionados a influências externas ou posse de direitos de atletas por terceiros.

Em entrevista coletiva, Campello negou que Leite tenha posse sobre qualquer direito federativo do atleta, apenas recebendo comissão. Ainda afirmou que considerou positivo o valor a ser recebido na negociação e citou a situação financeira difícil do clube para justificar a situação.

Ao “Globo Esporte”, Carlos Leite disse que gostou da sugestão de um advogado (trata-se de Leven Siano) de que seja feita uma investigação sobre a transferências e o empréstimo. Afirmou esperar que o resultado seja divulgado.


Empréstimo ligado à venda de Paulinho pode gerar punição ao Vasco
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O empréstimo feito pelo agente Carlos Leite ao Vasco gera suspeita de ferir a norma da Fifa porque foi usado como garantia o valor a ser recebido na venda do jogador Paulinho. A maioria dos advogados ouvidos pelo blog indicou que pode haver irregularidade. A CBF acompanha o caso com atenção, mas ainda não iniciou processo formal. A diretoria vascaína, por sua vez, não vê problema na operação.

Na noite de terça-feira, o presidente do Vasco, Alexandre Campello, apresentou ao Conselho Deliberativo as condições do empréstimo feito com o agente Carlos Leite. O clube pegou R$ 10 milhões e tem que devolver assim que vender os direitos do jogador Paulinho que está sendo negociado com o Bayer Leverkusen. As principais garantias são as cotas de TV da Ferj de 2020, mas o pagamento se torna antecipado em caso de negociação do atleta.

Um dos conselheiros vascaínos questionou o presidente durante a reunião se isso iria ferir a norma da Fifa. Não houve resposta conclusiva. Mas a opinião dentro de parte da oposição vascaína era de que não implicaria em irregularidade porque não há cessão de direitos do atleta a terceiros.

A CBF informou que acompanha o caso e busca informações, mas que até agora não notificação ao Vasco, nem início de procedimento formal. Uma eventual denúncia da confederação e processo na Câmara de Resolução de Disputas pode gerar pena ao clube.

Entre especialistas no assunto, há a opinião de que a operação de Leite fere, sim, a regra da Fifa. Advogado com atuação em causas envolvendo o Vasco, Luiz Roberto Leven Siano entende que há uma clara quebra de dois artigos das regulações para transferências e status de jogadores da Fifa, o 18bis e o 18ter.

O 18bis diz que o clube não pode assinar um contrato que permita a uma terceira parte interferir em transferências do clube. Já o 18ter afirma que nem o clube, nem o jogador podem entrar em um acordo com a terceira parte que implique nesta participar da compensação pela sua saída.

“Infringe os dois artigos e pode haver penalidade não só em relação ao clube como em relação ao agente. Está ficando evidente que esse acerto (empréstimo) pressupõe uma contrapartida”, contou Leven Siano, que também vê burla à Lei do Profut no empréstimo. Alega que há vedação de empréstimo a quem tenha relação contratual com clube.

Especialista em direito esportivo, o advogado Marcos Motta deu explicações em seu twitter sobre a situação em tese, sem citar o caso de Paulinho. “Recebeu aporte de terceiros? Individualizou a garantia com a venda de determinado atleta? A Fifa considera, prima face, TPO (direito de terceiro, que é proibido), Ou seja, burla do artigo 18TER do regulamento e depende do caso, também do 18bis caso seja atestada a influência do terceiro no clube.”

Ouvido pelo blog, ele disse que não poderia falar especificamente sobre o caso de Paulinho porque não viu o contrato. Mas confirmou seu entendimento sobre empréstimos condicionados à venda de atleta.

Outro advogado especialista em direito esporte Eduardo Carlezzo tem opinião discordante. Entende não haver infração aos artigos. “Se há um empréstimo puro e simples, que não pressupõe nenhuma outra condição, entendo que não fere. Isso se o empréstimo é financeiro e implique em lucro pelos juros. Mas tem que olhar caso a caso”, explicou.

O blog da Gabriela Moreira, na ESPN, apontou que o Vasco na gestão de Eurico Miranda cedeu 20% do percentual de Paulinho para o empresário Carlos Leite. Neste caso, todos os advogados apontam que esse tipo de operação implicaria em quebra à TPO (Third Partnesphip Ownership).

As punições pelo descumprimento dos dois artigos vão de multas até a proibição do time de registrar jogadores (isto é, de contratar) por duas janelas de transferências. É isso tipo de pena a que o Vasco pode estar submetido se o processo for à frente.

A CBF informou o seguinte sobre o tema: “A Diretoria de Registro, Transferência e Licenciamento da CBF acompanhou, por intermédio do noticiário, a possível venda do atleta Paulinho, do  Club de Regatas Vasco da Gama, para o futebol internacional. Até o momento, nenhum documento relativo à negociação foi inserido no sistema. Se houver algum procedimento inadequado, a CBF poderá notificar os envolvidos a prestarem os devidos esclarecimentos.”

Já o presidente do Vasco, Alexandre Campello, por meio de sua assessoria de imprensa, informou que ” Leite não tem participação nos direitos do atleta (Paulinho). O que ficou acordado é que, caso vendesse o Paulinho na janela de agora, acertaria com o Carlos de pagar o valor emprestado ao clube. Mas ele não tem direitos, e sim comissionamento, como qualquer empresário.” Por isso, entende que não há nenhuma irregularidade.


Após dois anos de Profut, Receita não definiu tamanho da dívida dos clubes
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Após de mais de dois anos da implantação do Profut, a Receita Federal ainda não determinou de fato quanto devem os clubes brasileiros. Boa parte das dívidas fiscais dos times continua pendente de homologação pelo órgão, e os times estão pagando os parcelamentos com base nos seus próprios levantamentos dos débitos. Houve descontos de pendências e multas com base nesses cálculos.

A Lei do Profut foi implementada em agosto de 2015, sendo o decreto que a regulamenta feito em janeiro de 2016. Mas, nos últimos meses de 2015, houve a adesão da maior parte dos clubes brasileiros. Só no Brasileiro da Série A eram 17 times naquela época.

Pelo procedimento, os clubes apresentavam seus levantamentos de dívidas com a Receita, INSS e FGTS para as autoridades fiscais. Os parcelamentos e os descontos de multas foram feitos com base nesses cálculos. Mas o governo federal teria de conferir e homologar esses valores.

O processo, no entanto, tem sido bastante lento. Veja como exemplo o Flamengo que aderiu ao programa em outubro de 2015, pouco depois da implantação. O clube até já tinha um levantamento de suas dívidas pois as tinha regularizado anteriormente e pago um valor à Receita.

Pois bem, após dois anos da adesão, o clube rubro-negro registrou em seu balanço de 2017 que sua dívida fiscal é de R$ 283 milhões. Desse total, apenas R$ 108,2 milhões já foram homologados pela Receita, entre valores de imposto e INSS. Ou seja, falta confirmar R$ 174,8 milhões. Durante o ano de 2017, menos de R$ 10 milhões foram consolidados. O documento registra que o valor pode ser alterado pelos cálculos.

Não é um caso único. A última demonstração financeira do Santos, do terceiro trimestre de 2017, registra uma dívida fiscal de R$ 156,3 milhões. No documento, está escrito que “os tributos citados ainda não foram consolidados pelos órgãos responsáveis e até sua homologação poderá sofrer alterações.”

O site do Botafogo também registra que os débitos fiscais estão em processo de homologação. O clube alvinegro registra R$ 144 milhões em dívidas incluídas no Profut.

Não é possível confirmar a situação dos outros clubes porque ainda não fecharam suas demonstrações contábeis ou não essas estão disponíveis no site (o prazo é final de abril). Mas o blog apurou que a situação é comum a maioria dos times visto que a Receita tem sido lenta na homologação dos cálculos, o que neste caso não é culpa dos times.

Há portanto uma indefinição sobre qual o tamanho do débito real dos times. Dependerá da organização de cada clube para saber o quão preciso foi seu levantamento. Neste caso, a Apfut (órgão fiscalizador) não tem interferência pois é responsável pela fiscalização do cumprimento da lei, não pelo valor das dívidas.

Em relação ao pagamento das parcelas do Profut, há clubes em atraso. A nova diretoria do Vasco admitiu que o ex-presidente Eurico Miranda deixou de pagar alguns meses.

O blog enviou perguntas à Receita Federal na sexta-feira sobre o tema. Após três dias úteis, o órgão fiscal não respondeu as perguntas sobre o atraso nas homologações de dívidas. O Ministério da Previdência informou que era tarefa da Receita fazer os cálculos.

 


Calendário e contrato de TV limitam mudança na fórmula do Estadual do Rio
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Em crise de público, o Estadual do Rio tem restrições no calendário da CBF e no contrato com a Globo para que sejam feitas alterações na fórmula de disputa para o próximo ano. Há dentro da federação discussões sobre mudança no formato, e a própria emissora vê como positiva essa discussão. A questão é que modificações têm que ser feitas mantendo 18 datas sem possibilidade de ficar sem jogos em determinados dias.

O Estadual do Rio-2018 tem enfrentado uma crise de público e de atratividade, com uma média de pagantes em torno de 3 mil pessoas. A Globo já demonstrou preocupação com a baixa presença de torcedores no estádio. E a própria Ferj reconheceu o problema quando questionada pelo blog:

“Obviamente que não (está satisfeita). E já vem se reunindo para melhorar o produto e fazer diferente em 2019. O campeonato carioca desperta interesse. Isso é fato. Não temos os números de 2018. Se todas as partidas do Campeonato Carioca de 2017, sem exceção, fossem jogadas com o Maracanã lotado, não atingiria 1/9 das pessoas que assistiram pela TV.  Porém, nosso desafio é levar o público ao estádio, em conjunto com os clubes, através de ações”, afirmou a Ferj por meio da assessoria.

Há diversos motivos para essa queda na atratividade do Carioca, entre elas, a violência do Rio de Janeiro, o baixo nível técnico dos jogos, problemas enfrentados pelos grandes clubes no início do ano, falta do Maracanã. Entre os questionamentos à Ferj (Federação do Estado do Rio de Janeiro), está a fórmula do Estadual do Rio.

Pelo formato atual, há dois turnos com semifinais e finais que contam pouco para a fase decisiva, de fato, da competição. Triunfos da Taça Rio e da Taça Guanabara só garantem vaga nas semifinais da competição, a não ser que o time vença ambos. O formato é complexo para ser entendido pelo torcedor e deixa vários jogos com pouco valor esportivo.

Para mudar a fórmula, no entanto, a Ferj e os clubes enfrentam restrições por compromissos assinados por eles mesmos. Por pressão das federações, o calendário da CBF estabelece 18 datas para os Estaduais.

Baseado nisso, a Ferj assinou um contrato com a Globo que prevê que todas essas datas têm que ser ocupadas por partidas. Assim, caso a federação optasse por uma redução do número de times e jogos, não poderia fazê-lo a não ser que reduzisse o valor recebido pelo contrato com consequência para as cotas dos clubes. O contrato tem valor de R$ 120 milhões, e se estende até 2024.

Não é possível também usar a antiga fórmula do Carioca que tinha dois turnos e, se um time vencesse os dois, levaria o título sem final. Isso deixaria duas datas em aberto sem jogo do Estadual, o que é vetado pelo contrato.

Não há resistência dentro da Globo a uma redução do número de datas do Estadual em favor do Brasileiro, mas isso implicaria em uma queda do valor. Dentro do calendário proposto, a emissora apoiaria uma mudança de formato desde que dentro das condições contratuais.

Já, na Ferj, há discussões para melhoria do Estadual. Já foi feita uma consulta ao Conselho Nacional do Esporte que referendou que a legislação não impede mudanças na fórmula para o próximo ano. Pode ser proposta nova fórmula que seria votada no arbitral dos clubes.

A federação não respondeu a perguntas sobre o contrato, alegando que respeita a confidencialidade do acordo. Mas disse que há efeito dos horários dos jogos na presença de público, e de aspectos comerciais que têm de ser respeitados. Abaixo a posição:

°A Federação de Futebol do Rio de Janeiro não se opõe ao debate sobre qualquer aspecto que venha a contribuir para o crescimento do Campeonato. Mas fica o registro que, seja qual for o formato ou adequação dele, não há chance de os aspectos comerciais deixarem de ser considerados como fator preponderante. Assim não fosse, bastaria que os clubes abdicassem do contrato de TV, colocassem as partidas nos horários e locais que melhor lhes conviesse cobrassem preço de ingresso bem barato.  A fórmula não é a única variável que  influencia.”

O contrato é válido por oito anos até 2024 para o caso dos três grandes clubes, Fluminense, Vasco e Botafogo, e da Ferj. O Flamengo, que assinou um contrato em separado com a mesma cota, tem compromisso até 2018.