Blog do Rodrigo Mattos

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Martín Silva redime Vasco de sua imaturidade na Libertadores
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O Vasco entrou em campo em Sucre como se estivesse disputando uma partida da primeira fase do Estadual, meio com a cabeça no ar. Do outro lado, o Jorge Wilstermann entendeu que em Libertadores não faltam episódios improváveis. Assim que uma goleada no primeiro jogo se transformou em uma vaga ganha apenas na disputa dos pênaltis.

Com menos de 7min, o jogo já estava 2 x 0 para os bolivianos. Dois gols de pura imaturidade, de desatenção. O gordinho Zenteno abriu o placar em um clássico cruzamento na primeira trave: ninguém o vigiou. Mal saiu a bola e já estava com o Jorge Wilsterman para novo cruzamento… e novo gol.

O jogo boliviano era todo pela esquerda de seu ataque, direita da defesa vascaína, centrado no brasileiro Serginho. A marcação de Pikachú sobre ele era frouxa. Com espaço, Serginho podia cortar para seu pé direito e lançar na área vascaína, onde os zagueiros Paulão e Ricardo não achavam a bola.

Outra diferença para o primeiro jogo foi a presença de Chávez, argentino que sabe jogar bola e só entrou no final da primeira partida. Foi dele o terceiro que deixava o jogo a um gol dos pênaltis.

Findo o primeiro tempo, o Vasco mal tinha trocado passes, não tinha ganho divididas, mal conseguia espanar bolas para o alto. Limitava-se a olhar atônito enquanto os bolivianos jogavam. Havia um efeito da altitude, mas era pequeno diante do quadro geral. Só no tempo de bola.

Após o intervalo, é verdade que o Vasco ao menos voltou mais calmo e atuando como um time de futebol na Libertadores. Jogou mal a segunda etapa, mas pelo menos jogou. Mais cansado, o Jorge Wilstermann não repetia a pressão, mas seguia perigoso pelo alto. E foi mais uma vez por ali que Zenteno marcou para se candidatar a carrasco do time carioca.

Foi lucro levar para os pênaltis porque Alex Pirulito desperdiçou o que seria o quinto gol boliviano quase no final da partida. Houve um pênalti não marcado sobre Rildo no tempo regular, não marcado pelo árbitro Wilmar Roldán. Não era uma marcação tão fácil por ser na linha, mas foi um erro capital.

Só a interferência de Martín Silva salvou os vascaínos. Pegou três pênaltis, e ainda viu seus companheiros perderem dois deles. A cobrança decisiva foi de Alex Pirulito, de novo, nas mãos de Martín Silva.

Ao final, Pikachú, um dos que mais errou no jogo, disse “Glória a Deus” pela a classificação. Estava errado. Glória a Martín Silva que redimiu seus companheiros de uma quantidade de falhas inacreditável e o Vasco de um vexame.

 


Estadual do Rio é emoção (ou é enrolação)?
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Henrique Dourado comemora gol do Flamengo na semifinal (André Mourão/FotoFC)

Ao se ligar a televisão em canal esportivo, entra a propaganda: “Estadual é emoção”, seguido de imagens de histórias emblemáticas da competição. A Globo e a SporTV exercem o seu justo direito de promover os eventos pelos quais pagaram caro. Duro é convencer o público carioca de que o atual Estadual é de fato emocionante.

Após 47 jogos, o maior público pagante foi de cerca de 20 mil pessoas em um Flamengo e Vasco. O clássico mais importante desta Taça Guanabara foi disputado em Volta Redonda com um público abaixo de 10 mil pessoas.

A Ferj (Federação do Rio de Janeiro de Futebol) certamente divulgará uma média de público fictícia pois tem uma regra que contabiliza 20% da capacidade do estádio presente não importa quem apareça por lá. A renda é igualmente inchada por cotas de TV para parecer que é significativa.

A parte desses truques, o que se vê no gramado é pobre, paupérrimo. Os grandes clubes nem tiveram um tempo que se possa chamar de pré-temporada. Mal voltaram aos treinos e já estavam em campo para jogar no dia 16. Sim, no meio de janeiro, porque é necessário arrastar o Estadual do Rio por 18 longas datas.

E para quê? A fórmula do campeonato é tão esdrúxula quanto à do ano passado. A vitória na Taça Guanabara que será decidida entre Flamengo e Boavista não vale uma vaga na final, na realidade, não vale quase nada. O time classifica-se para as semifinais do campeonato, assim como no caso da Taça Rio.

Uma equipe garante um lugar na decisão só se ganhar os dois turnos. Ou seja, supera todo mundo, bate a todos e aí… tem que enfrentar outro pelo título. De resto, obtém-se vagas por pontuação geral.

Some-se a isso à crise financeira que enfrentam três dos times grandes, Vasco, Fluminense e Botafogo, e temos um cenário desolador. O Flamengo, que só parou de jogar em 2017 em 13 de dezembro, botou reservas e juniores em boa parte do turno, com absoluta razão.

Aliás, os quatro grandes já começam a encarar o Estadual como deve ser: uma competição de pré-temporada, um título menor. Basta ver que as eliminações de Vasco e Fluminense nem fizeram cosquinha em seus técnicos, mais uma vez, com toda razão para as diretorias dos dois. O Botafogo entrou em crise pela eliminação na Copa do Brasil, e demitiu seu técnico Felipe Conceição mais pela derrota para a Aparecidense do que a para o Flamengo.

A propaganda da Globo, de fato, lembra momentos significativos da história dos clubes nos Estaduais. O problema é que quase todos estão em um passado, distante. A competição nunca mais será o que era.

Necessita-se de uma reformulação urgente (máximo de oito, dez datas, mais racional) para sobreviver um mínimo interesse do torcedor em um torneio de tiro curto que não atrapalhe o que interessa. Do jeito que está, salvo uma final um pouco mais interessante, só serve à Ferj e como fundo de tela da TV após o almoço do final de semana, enquanto as pessoas prestam atenção em outra coisa.

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Vasco tem maior parte de cota da Globo em 2018 já antecipada por Eurico
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A nova diretoria do Vasco terá de lidar com uma situação financeira delicada: a maior parte ou toda a cota da Globo por direitos de transmissão de 2018 foi recebida de forma antecipada pelo ex-presidente Eurico Miranda. Há ainda comprometimento de receitas de TV de 2019 do novo contrato. Esse novo acordo só pode ser obtido com a Globo porque não estava no clube.

A informação sobre a antecipação das cotas de TV do Vasco foi confirmada pelo presidente Alexandre Campello. “Tem um valor significativo antecipado de TV de 2018 e 2019. Um comprometimento importante. Não dá para precisar quanto porque é dividido por parcelas”, revelou o dirigente.

O contrato de televisão é a principal fonte de renda vascaína, representando cerca de 80% do total ou R$ 165 milhões, segundo o último balanço de 2016. No último documento financeiro do Vasco, o registro de antecipações da Globo era de R$ 14,3 milhões. Mas está claro que esse valor subiu bastante em 2017.

“Sei que tem antecipação. O grosso do dinheiro já foi antecipado. Junto à Globo, soubemos que quase tudo de 2018 já foi recebido. Tem uma nova folga no novo contrato (válido até 2019)”, contou o vice-presidente de Finanças vascaíno, Orlando Marques. “Queremos validar todos essas dados com documentos para ter confiabilidade. Mas é verídico.”

Há ainda outra questão: o clube ainda tem problemas com as cotas de 2019. “Pelo que sabemos, já tinha sido assinado (contrato de 2019). Foi assinado. Não temos o contrato ainda. Eurico fazia uma gestão muito individualizada. Estamos buscando.” Após a publicação do post, a Globo informou já ter entregue ao presidente Campello todos os contratos de TV do clube a partir de 2019.

Isso não significa que o Vasco não vá receber nada da Globo em 2018. Há cotas variáveis como as de Pay-per-view que são pagas só depois das vendas, e por isso, a emissora não costuma antecipar.

Não é a única receita comprometida vascaína. Orlando Marques informou que o clube já recebeu os pagamentos pelas transferências de Mateus Vital e Madson, que giravam em torno de R$ 10 milhões. Segundo o dirigente, a informação é de que o dinheiro foi usado para pagar despesas e dívidas.

Campello ressalta que caberá ao Vasco buscar receitas novas. Acertado por Eurico Miranda, o contrato com a Lasa, empresa do ramo famacêutico, está ainda em análise pela nova diretoria. A intenção é verificar se há condições ou cláusulas que podem prejudicar futuramente o clube. Por isso, o jurídico analisa antes de confirmar o compromisso.

Retificação: o texto informou inicialmente que o Vasco ainda não tinha acesso aos contratos da Globo de 2019, mas posteriormente a Globo informou já ter entregue os documentos que não estavam no clube.


Vasco admite empréstimo de agente Carlos Leite por ‘dinheiro rápido’
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Com Pedro Ivo de Almeida

O Vasco levantou recursos com o empresário Carlos Leite para quitar suas dívidas iniciais que tem com jogadores do clube. A informação, que tinha sido publicada inicialmente pelo “Extra”, foi confirmada pelo presidente vascaíno, Alexandre Campello. Segundo ele, o motivo foi ter dinheiro rápido, e não haverá contrapartida.

O Vasco tem um compromisso de quitar os salários atrasados nesta primeira quinzena de fevereiro. Havia uma data marcada para o dia 5 que não foi cumprida, mas a diretoria diz que será pago até o final da semana. Campello confirmou recursos de Leite, sem informar o valor. O montante supera R$ 10 milhões, de acordo com apuração.

“Vai ter transparência. Não acho que é interessante divulgar agora. Mas vai aparecer no balanço”, disse ele, após ser perguntado sobre os valores. “Não tem contrapartida. É importante para ele que o Vasco vá bem porque tem muitos jogadores no clube.”

Ao explicar porque pediu os valores a um empresário, Campello alegou dificuldades para obter o dinheiro no mercado. “O empréstimo foi com condições abaixo do mercado. Precisávamos de dinheiro rápido. Para obter um empréstimo em banco, íamos precisar dar garantias.”

O blog confirmou que o agente emprestou o dinheiro, mas que espera que seja devolvido o valor antes de viabilizar novos aportes. Anteriormente, Leite já emprestara para o Vasco R$ 20 milhões na gestão do ex-presidente Eurico Miranda. Esses valores foram pagos com a venda de atletas como o volante Douglas.

Em 2017, o agente também pagou salários para o zagueiro Anderson Martins, que estava sem receber e tinha ido para o clube por influência dele. Além dele, o Vasco encaminhou a rescisão de Luis Fabiano, acertando o pagamento da dívida de forma parcelada.

Tags : Vasco


Sem pré-temporada, times grandes têm pior desempenho nos Estaduais em 2018
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Em um ano quase sem pré-temporada, os times grandes tiveram uma piora no seu desempenho no início dos Estaduais em relação a 2017. O levantamento do blog foi feito nas quatro principais competições com 12 clubes grandes. No total, eles somaram 13% a menos de pontos do que no ano passado no mesmo número de jogos, embora, óbvio, existam exceções como o Palmeiras e seus 100% dos pontos.

Por conta da Copa da Rússia, a CBF marcou o início dos Estaduais para o meio de janeiro quando costumavam ocorrer no início de fevereiro. A pré-temporada, portanto, durou menos de 15 dias. Boa parte dos times iniciou os campeonatos com juniores ou reservas para dar tempo de treinamento a titulares.

Diante desse cenário, era previsível a queda de rendimento. Dos 12 times analisados, São Paulo, Flamengo, Fluminense, Vasco, Atlético-MG e Grêmio começaram os Estaduais com campanhas inferiores a 2017.

Desses, o time rubro-negro e o gremista foram os que jogaram até mais tarde na temporada, com o Mundial e a Sul-Americana. Usam reservas e juniores. O Flamengo só teve dois pontos a menos do que no ano passado, mas o Grêmio só fez um ponto no Gaúchão.

Outras duas equipes tiveram desempenho similar ao ano passado, sendo elas, Corinthians e Cruzeiro. São justamente equipes que têm utilizado mais titulares nesses jogos iniciais, embora mantenham a rotatividade do elenco no início de temporada.

Quem melhorou em relação ao ano passado foram Botafogo, Internacional, Santos e Palmeiras. O time alviverde, por sinal, é o único que tem 100% de aproveitamento entre os da Série A, como mostrou o blog do PVC. Já o Botafogo tinha poupado jogadores em 2017 por priorizar as fases da pre-Libertadores, o que não faz nesta temporada. A equipe santista foi quase igual ao ano passado, com um ponto a mais.

No total, os 12 times grandes somaram 84 pontos nas quatro primeiras rodadas contra 97 no ano passado. Há clássicos em que se enfrentaram, mas esses se anulam dentro da estatística. Fato é que, na média, diante dos pequenos ou médios, ganharam menos pontos. Com exceção da Ponte Preta, que jogou o Brasileiro até o final, as outras equipes tiveram muito mais tempo de treino já que não disputavam competições até o final do ano.

A queda foi maior no Rio de Janeiro onde apenas o Botafogo melhorou entre os quatro grandes. Em São Paulo, apenas o tricolor do Morumbi teve uma piora no seu desempenho.

A tendência é que, com o transcorrer dos Estaduais, os times grandes tenham crescimento de desempenho e voltem a mostrar superioridade maior sobre os pequenos. Até porque utilizarão mais titulares e terão mais ritmo de jogo.


Vasco vai verificar dívidas contabilizadas na gestão Eurico
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Após um conturbado processo eleitoral, e da saída de Eurico Miranda, o Vasco ainda não sabe qual o tamanho real da crise financeira do clube. É o que conta o novo vice-presidente de Finanças vascaíno, Orlando Marques. O dirigente disse ao blog que está levantado os documentos para conferir os valores lançados como dívida pelo clube para saber quais de fato são válidos.

Marques evita falar em auditoria, mas reconhece que a gestão de Eurico estava longe dos métodos ideias. Diz que é bem diferente do que ocorre em outros clubes, que o orçamento é ficção e que pretende aos poucos implantar um sistema com balancetes periódicos para mostrar a situação à torcida.

Ao mesmo tempo, o que Marques já sabe é que terá de fazer um esforço para quitar salários atrasados até a primeira quinzena de fevereiro. E uma informação já é certa: o Vasco fechará com déficit em 2017, apesar de o balanço só estar previsto para abril.

Do que é conhecido até agora, o clube vascaíno tinha dívidas de R$ 457 milhões até o final de 2016.  Além do débito, outro problema é a excessiva dependência da receita da TV Globo, que representa 80% do total. Eurico afirmou que pagou diversas dívidas, mas o balanço do clube de 2017 que mostrará a situação real antes e depois da sua chegada.

Blog: A atual gestão tem uma noção do real tamanho da dívida do Vasco?

Orlando Marques: Números são frios. Tivemos várias dívidas, coisas que ainda não estão claras. Seria impossível identificar a situação do Vasco agora. Auditoria eu acho que é um nome muito forte, mas precisamos confirmar e conferir esses números. Formatar isso com documentos. Desde ontem, o jurídico está conferindo esses documentos. Não queremos fazer nenhuma injustiça.

Blog: Mas a atual diretoria contratará uma auditoria externa para verificar as contas de Eurico Miranda?

Marques: Jurídico fará o levantamento. Auditoria é uma palavra forte. Mas, se houver necessidade, podemos ver. Esse ainda é meu primeiro dia assumindo. Não dá para dizer.

Blog: A atual gestão já sabe como fecharam as contas do Vasco em 2017? Houve déficit ou superávit?

Marques: Déficit. Informação toda é que fechou no vermelho. Mas é um indicativo.

Blog: Quando haverá um balanço pronto do ano passado para saber a real situação?

Marques: Março ou abril. Vem sendo feito. Não podemos ser levianos agora de dizer que esse é o número (da dívida). Temos que ter um retrato mais preciso. É como qualquer situação de uma empresa em que se assume. Semana que vem vamos ter um alguma coisa, alguma indicação. Nós não temos esse valor. Dia a dia estamos vendo. O rapaz aqui da tubulação de gás chegou agora dizendo que tinha uma dívida. Em cinco ou sete dias, vamos ter uma ideia.

Blog: O Vasco conseguirá cumprir esse prazo prometido de pagar os salários atrasados em 5 de fevereiro?

Marques: Tive uma conversa com o pessoal. Estamos trabalhando para que ser pago na 1a quinzena de fevereiro. Não podemos ser levianos de dar uma data. Estão sendo feitos contatos pelo nosso presidente (Alexandre Campello) para a primeira quinzena. Depende de como vamos negociar essas dívidas.

Blog: Qual a previsão da entrada do dinheiro de soliedariedade de Phillipe Coutinho?

Marques: Estão entrando com o advogado instruído para pedir isso. (processo já tinha sido dado início com Eurico Miranda).

Blog: Houve um dinheiro emprestado pelo empresário Carlos Leite para ajudar nos salários?

Marques: Não tenho a informação desse aporte. Foi negociado pelo presidente.

Blog: O Vasco já tem um orçamento para 2018? Os números aprovados pela gestão Eurico Miranda estão valendo?

Marques: Dentro da gestão do Eurico, teve um orçamento aprovado. É uma peça de ficção como em qualquer empresa. O piloto vai conduzindo do jeito que as condições se apresentam. Poderia prever por exemplo que o Vasco vai ganhar a Libertadores. Trabalho nisso em empresas privadas. O orçamento é besteira. As previsões que se colocam são previsões e não se confirmam.

Blog: Mas outros clubes têm orçamentos estruturados que são executados durante o ano, claro, com ajustes…

Marques: Se pegar os outros clubes, e ver a gestão anterior (Eurico), há uma enorme diferença de gestão. Vamos modernizar a gestão. Mas, quando se derruba um muro, é fácil. Demora muito mais tempo levantar o muro, tijolo a tijolo. Não temos ainda muita informação. Mas cada vice-presidente em uma unidade tem que fazer orçamento e ter uma gestão financeira. Não é que tem que dar lucro, mas tem que ter responsabilidade na gestão, nas despesas. Tem que ter responsabilidade nas despesas.

Blog: O Vasco pretende começar a publicar balancetes periódicos para mostrar para torcedores qual a real situação?

Marques: É uma tendência. Vamos ver como podemos fazer isso. Há um grupo de vascaínos que trabalham em empresas que estão se propondo a ajudar nesta responsabilidade.

 

 

 


Vasco cria a ‘fake democracia’ e ignora voz dos sócios
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A eleição de Alexandre Campello não é ilegal, mas é um tapa na cara do sócio vascaíno que foi as urnas. A voz do associado do clube foi ignorada em favor de artimanhas e alianças de bastidores. Um processo anti-democrático fruto de um estatuto atrasado que trava o clube, praticamente uma “fake democracia” controlada por Eurico Miranda.

Lembremos: a eleição no Vasco é indireta. Elege-se primeiro uma chapa vencedora que depois será referendada pelo Conselho Deliberativo. Pelo menos sempre foi assim: com a voz do sócio, indiretamente, sendo respeitada. Após disputas na Justiça, Julio Brant seria o vencedor.

Ao abandonar a chapa de Julio Brant, Alexandre Campello e Roberto Monteiro quebraram essa lógica. Os votos que seus conselheiros receberam, no entanto, foram por uma mudança no atual quadro do Vasco, com a saída de Eurico Miranda. Em vez disso, eleitos, traíram não Brant, mas os seus eleitores ao seus associarem a Eurico para ganharem a eleição a presidente.

Ora, como se sente o sócio vascaíno que foi votar em novembro? Como um trouxa cuja vontade foi ignorada pelos poderes do clube, como uma pessoa que só está ali para dar dinheiro e legitimar os poderosos. Já que o real poder está apenas na urna do Conselho Deliberativo, na sede Náutica do clube.

A eleição direta deveria ser uma norma em todos os clubes brasileiros. Os pleitos indiretos são excrescências do passado ainda mantidos em times como o São Paulo e Atlético-MG, entre outros. Permitem que a voz de quem sustenta o clube, pelo menos que fosse ouvida pelo associada, seja ignorada em prol de acordos políticos.

Difícil saber o que será uma gestão de Alexandre Campello visto que o que vimos até agora é que não ser seu forte cumprir acordos e respeitar urnas. Difícil saber também qual a influência que Eurico manterá no Vasco, embora alguma seja certa – ficou com o Conselho Fiscal inteiro composto por aliados. Um sinal é de que seu nome foi gritado quando Campello foi eleito, sendo que o vencedor só foi lembrado depois.

Certo é que o Vasco demonstrou ser um clube anti-democrático, e apegado a regras do passado que não funcionam mais há muito tempo na sociedade moderna. Independentemente de nomes, não dá para acreditar em uma melhora na sua gestão se não mudar essa realidade.

PS Em sua entrevista ao final da eleição do Vasco, Eurico Miranda chamou o UOL de fake news. O blog agradece, portanto, ao ex-presidente vascaíno pela inspiração para o título deste post.

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Oposição do Vasco terá obstáculos para anular desmanche de Eurico
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Provável presidente do Vasco pela oposição, Júlio Brant terá dificuldades para anular as recentes negociações de jogadores e contratos do atual dirigente Eurico Miranda. Brant anunciou sua intenção de rever os últimos atos do atual presidente. Só que a base legal para isso é subjetiva já que Eurico tem a caneta no momento.

Primeiro, relembremos a situação: houve eleição indireta no Vasco com contestação judicial de uma urna em que havia acusação de fraude em favor de Eurico. A Justiça decidiu em favor de Brant até agora o que deve lhe dar a vitória em eleição no Conselho. O pleito tem que ser marcado até o dia 22 de janeiro.

Neste meio tempo, Eurico liberou o zagueiro Anderson Martins, praticamente fechou a venda de Mateus Vital e ainda ofereceu Paulinho e Guilherme Costa no mercado. Acertou um contrato de fornecedor esportivo com a Diadora que pode se estender a até três anos, segundo ele.

Os atos são vistos como lesivos por Brant que informou que vai analisar se tentará reverte-los. Para isso, o grupo de oposição pretende alegar “gestão temerária”. Esse mecanismo está na Lei de Responsabilidade do Esporte que prevê punição para quem descumprir determinados itens.

Só que, na lei, há previsão de descumprimento em casos de antecipação de receitas, medidas que causem aumento de endividamento trabalhista ou déficit, além de contratos com benefícios a dirigentes. Não há previsão de contratos com condições adversas.

A oposição do Vasco tem consciência da dificuldade, mas entende que é uma zona cinzenta e que pode alegar na Justiça que tratava-se de acordos lesivos ao clube. Isso poderia ser feito, por exemplo, caso Mateus Vital seja negociado por um valor muito abaixo do mercado.

Dentro do Conselho Deliberativo atual do Vasco, majoritariamente a favor de Eurico, o entendimento é de que o dirigente tem a caneta e a prerrogativa de assinar esses contratos enquanto durar seu mandato, que vai até 16 de janeiro. Não haveria sequer necessidade de levar o contrato de patrocínio aos conselheiros, nesta tese. Esse é outro ponto que será estudado pela oposição: se as medidas de Eurico ferem o estatuto.

 


Vasco inicia processo por percentual de Coutinho e receberá em até um mês
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A diretoria do Vasco já deu início aos procedimentos para obter o percentual da venda de Philippe Coutinho do Liverpool para o Barcelona. O valor ficará entre R$ 12,4 milhões e R$ 15 milhões, dependendo do cálculo. Pelo menos uma parte do montante deve ser recebida em até 30 dias.

Pela legislação da Fifa, o clube formador do jogador tem direito a um percentual de até 5% da venda do jogador. No caso de Philippe Coutinho, o valor da transferência foi de 160 milhões de euros (R$ 620 milhões), sendo uma parte paga à vista e outra parceladamente.

O Vasco já contratou um escritório de advocacia para trabalhar na requisição do percentual de Coutinho. A expectativa é de que o Barcelona não apresente nenhuma resistência para o pagamento, sendo necessário, portanto, levantar os trâmites legais.

Por isso, foi pedido o passaporte do jogador na CBF que registra quanto tempo o atleta ficou atrelado ao clube de São Januário dos 12 aos 18 anos.  Coutinho ficou no Vasco até os 18 anos. Assim, a diretoria vascaína acredita que o percentual fique entre 2% e 2,5% do total.

Pela legislação, o Barcelona que paga a transferência tem que separar esse percentual e repassar ao Vasco até 30 dias após a inscrição de Coutinho, que deve ocorrer nos próximos dias. Desta forma, a expectativa seria receber em torno de três quartos do total devido, entre R$ 9 milhões e R$ 10 milhões. O restante viria nas datas dos outros pagamentos.


Conta chegou: após luvas e Profut, clubes vivem crise financeira para 2018
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Nas últimas duas temporadas, os clubes brasileiros tiveram eventos que lhes proporcionavam um incentivo ao ajuste nas contas: a implantação do Profut em 2015 e luvas de TV em 2016. Mas, ao final da temporada de 2017, uma parte dos grandes times nacionais está em situação financeira difícil com atrasos salariais, dívidas na praça ou obrigados a realizar cortes drásticos para ano. Da CBF, não vieram regras de controle enquanto o governo federal apertará a sua fiscalização neste ano no âmbito do Profut.

Um levantamento do blog com a ajuda de repórteres do UOL aponta que pelo menos três grandes clubes têm atrasos salariais: Vasco (dois meses), Fluminense e Cruzeiro. Dois times tiveram novas gestões que adotaram medidas para sanar atrasos de administrações anteriores: Atlético-MG e Santos. Suas diretorias informam que agora os salários estão em dia.

Em outros clubes, houve também ajustes de contas como no caso Corinthians, que fechará com superávit em 2017 após vender Guilherme Arana e renovar com a Nike (a informação do superávit é do presidente do clube, Roberto Andrade). É provável que a venda de Jô entre em 2018. Assim, o clube acertou pendências como luvas de Jô e Pedrinho.

Mesmo para quem está equilibrado financeiramente, há redução de investimentos em contratações para a temporada, como Flamengo e Palmeiras. No geral, as trocas entre jogadores passaram a dominar o mercado brasileiro com poucos recursos.

Fato é que a Apfut (orgão do governo que fiscaliza os clubes) notificou algumas vezes times grandes por indícios de problemas em suas contas durante o ano de 2018. Exigiu explicações. O nome dos advertidos não é revelado.

Mas, a partir de abril ou maio, os clubes terão de declarar que estão com salários em dia para o órgão governamental e começam a correr risco de exclusão. Quem não tem salário em dia corre o risco de exclusão do parcelamento das dívidas fiscais, o que significaria a execução de todas elas.

“Os clubes sempre se baseiam na receita extraodinária para fechar as contas (luvas, venda de jogador, etc). Então, estão sempre apagando incêndio. Quando entraram as luvas (em 2016 após negociação com Esporte Interativo e Globo), era importante ter reduzido o orçamento para se ajustar”, contou o consultor Amir Somoggi, que acompanha as contas dos clubes e previu o problema em 2016. “Os clubes se alavancam para ganhar títulos.”

Somoggi lembrou que o STF (Supremo Tribunal Federal) derrubou a necessidade da CND (Certidão Negativa de Débito) para disputa de competições. Para ele, reduz a pressão sobre os clubes para manter a questão fiscal em dia, embora nenhum grande clubes tenha sido excluído do Profut até agora.

A eventual punição por irresponsabilidade financeira só poderá vir da Apfut porque a CBF criou regras frouxas em seu licenciamento. O regulamento da entidade para licença de clubes só exige apresentação de balanços, enquanto sistemas de fair play já estão implantados na Europa e na Ásia.

“O filme se repete. É só olhar para o passado para entender como será no futuro. O cara gasta com contratação e depois não tem como pagar salário. É como alguém que compra um carro e depois não consegue pagar IPVA”, contou Pedro Daniel, consultor da BDO Sports Management.

A Fenapaf (Federação Nacional de Atletas Profissionais) informou não ter recebido reclamações de atrasos salariais desses clubes. Nem houve denúncia à Apfut relacionado aos casos listados. A agência atua de acordo com denúncias ou com acompanhamento das contas.

* Colaboraram Bruno Braz, Samir Carvalho, Jeremias Werneck, Bernardo Gentile, Leo Burlá, Diego Salgado, do UOL