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Negociação coletiva de TV domina 90% das ligas do mundo. Brasil é exceção

rodrigomattos

02/08/2018 11h00

A maioria dos campeonatos nacionais do mundo tem negociação coletiva de televisão, e apenas uma minoria dos contratos é fechada individualmente pelos clubes. Uma dessas exceções é o Brasileiro. É o que aponta um estudo da Fifa publicado nesta semana com uma análise da realidade de ligas por todo o planeta. Outro ponto revelador é que o país é um dos poucos na elite que tem um campeonato gerido pela federação nacional, e não por uma liga.

O relatório global de futebol de clube da federação internacional está em sua segunda edição e tratou da temporada de 2017. Seu objetivo é analisar o ambiente esportivo e econômico dos times em cada país e continente. Para isso, compilou dados de cada uma das federações.

Em relação à negociação de televisão, a Fifa obteve dados de 190 países entre os seus filiados. Desse total, 170, ou cerca de 90%, tinham negociação coletiva dos direitos de televisão. Apenas 10% tinham acordos individuais de clubes.

O Brasil está nesta fatia minoritária desde 2011, quando houve a ruptura do Clube dos 13 e as negociações passaram a ser individuais. Isso se manterá pelo menos até 2024, período que contempla contratos assinados entre os clubes e a Globo ou o Esporte Interativo relacionados aos direitos do Brasileiro.

Entre os países mais representativos do futebol mundial, há outros dois campeonatos com negociações individuais: Portugal e México. Além deles, há outras nações menos relevantes no esporte com o mesmo modelo, como Angola, Cabo Verde, Egito, Peru, Ucrânia e Chipre. Nenhuma das cinco principais ligas europeias tem acordos individuais de times.

Além disso, o estudo da Fifa levantou que 59% dos campeonatos são organizados por federações nacionais, enquanto outros 41% são de responsabilidade de ligas. O Brasileiro é organizado pela CBF, que controla arbitragem, tabela e departamento técnico da competição. A confederação tem asfixiado qualquer tentativa de liga ao longo do tempo.

Apesar de a maioria dos campeonatos ter organização de federações, o Brasil é um dos poucos da elite do futebol mundial, seja na tradição ou financeiramente, com este tipo de gestão da competição. Com o mesmo modelo, há países como Chile, Uruguai, Rússia e China.

Entre os países com liga estão EUA, México, Argentina, Colômbia, Inglaterra, Itália, Espanha, França, Alemanha, Holanda, Portugal e Japão. Até em continentes como a África, onde o futebol é menos desenvolvido do que na América do Sul, 40% dos países já possuem ligas organizando seus campeonatos.

Por fim, o Brasil é o único país entre todos com futebol relevante que combina um Brasileiro organizado pela federação nacional (CBF) com negociação individual de direitos de televisão. Ou seja, é onde os clubes têm a menor capacidade de se organizar coletivamente para melhorar o desenvolvimento de seu esporte em toda a elite do esporte mundial.

 

 

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Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.


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