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CBF prepara regras de controle financeiro para clubes para 2020

rodrigomattos

30/01/2019 04h00

Após manter frouxas as regras iniciais, a CBF já prepara implementação de exigências financeiras mais duras para os clubes do Brasileiro da Série A para 2020 em seu sistema de licenciamento. Trata-se do fair play financeiro inspirado em mecanismo similar ao que funciona na Europa. A questão é que uma parte das agremiações ainda tem dificuldades para cumprir requisitos básicos como se viu no ano passado.

A CBF instaurou o seu sistema de licenciamento de clubes da Série A para 2018 com exigências básicas. A versão inicial era mais dura com regras de fair play, mas a entidade foi pressionada por clubes a retirar esses itens inicialmente. Prometeu para futuro essas medidas.

"Com certeza, começa a implantar o fair play em 2020. Quais vão ser as regras é que vamos definir", contou o diretor do departamento de registro e transferências da CBF, Reynaldo Buzzoni. "Contratamos o César (Grafietti) e já temos a Ernest para analisar os balanços e ver o que pode implementar. Não adianta botar algo que os clubes não podem cumprir."

A Ernest & Young e o consultor César Grafietti trabalham para construir do modelo de fair play financeiro para 2020. Em 2019, os clubes têm obrigação de apresentar balancetes trimestrais e orçamentos, com acompanhamento dos números pela CBF. A partir do próximo ano, teriam de cumprir metas de déficit, controle de gastos e dívidas.

"Para 2019, estamos pensando no modelo. Para 2020, vamos pensar na implantação. O objetivo é entregar no primeiro semestre um modelo pronto. Estou falando com a Uefa, estou vendo o que fizeram para evitar erros que cometeram no início. Quero ouvir as histórias deles", contou Grafietti, que conversará com clubes em fevereiro.

Ele indica os caminhos do que deve ser cobrado: "Um controle de déficit que pode ser pequeno, um controle de dívida, não pode ter dívidas muito maiores do que tem hoje, controle de gastos em relação à receita. Tem que apresentar CND, não pode ter atraso de salário, protesto a partir de determinado valor (seriam vetados)."

Neste quadro, em 2020, seria ainda um ano de adaptação com punições mais leves, como multa e advertência. Para as temporadas seguintes, poderiam ser aplicadas penas como proibição de contratar na janela de transferências, limitação de elencos ou até impedimento de disputar campeonatos em casos graves.

"Processos não devem excluir do campeonato no início, pode ter uma advertência, multa. Só haveria punição mais pesada para um clube que saísse muito do orçamento com um déficit muito grande previsto. Poderia cortar sua atuação em uma janela", explicou Alexandre Rangel, consultor da Ernest & Young.

A questão é se os clubes vão, de fato, se adaptar e se a CBF enfrentará o desgaste de puni-los. Em 2018, quando era feito só monitoramento dos clubes, uma parte deles não entregou os balancetes trimestrais dentro do prazo do licenciamento.  "Alguns não cumpriram. Esse ano começa a ter punição. Estamos cobrando da CBF. Nossa posição é que seja cobrado dos clubes esses documentos", contou Rangel.

Buzzoni afirmou que todos os orçamentos foram entregues. Os balancetes eram opcionais para o último ano, e agora são obrigatórios.

Na questão dos balanços, uma discussão entre os consultores é se negociações de jogadores entrarão no cálculo do déficit. Na Europa, as vendas de atletas não podem ser consideradas como receita para esse cálculo, apenas rendas correntes e não eventuais.

"Venda de jogador deve contar para o efeito de déficit? Vai ser incluído ou não? Tem que definir um critério. Na Europa, não é incluído, mas temos que levar em conta que somos um país que forma jogadores", analisou Rangel.

Grafietti entende que tem que ser construído um modelo para evitar que os clubes vendam para fechar as contas, e sim, usem negociações para financiar compras. Assim, estariam equilibrados. Até porque, no Brasil, o primeiro objetivo será que os clubes gastem menos do que arrecadem, e só depois analisar se há dinheiro de fora do futebol que cause desequilíbrio como ocorre com Manchester City e PSG agora.

Buzzoni reconhece que boa parte dos clubes brasileiros têm situações financeiras delicadas. "Queremos que esse fair play atue em tudo isso inclusive em questões como débitos de clubes para que, no futuro, essas dívidas sejam zeradas", disse. Punições por débitos entre clubes, no entanto, continuarão a ser feitas pela câmera de resolução de disputas.

Além das demandas financeiras, para 2019, já estão valendo exigências como ter um time feminino, centro de treinamento próprio ou alugado com proibição de treino no estádio (só em casos excepcionais), iluminação mínima nos estádios de 800 lux, e estrutura profissional na administração, com CEO e diretor financeiro.

No caso dos estádios, estádios como Morumbi, Vila Belmiro, São Januário, a Ressacada do Avaí e o do CSA terão de passar por adaptações e passarão por uma revisão antes do Brasileiro. Se não atingirem o padrão mínimo, não poderão ser usados. Até 2021, o patamar será de 2500 luxs.

 

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Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.


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