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Loucura coletiva da torcida abraça Flamengo do Rio a Lima

rodrigomattos

21/11/2019 04h00

Quando o ônibus do Flamengo chegou ao aeroporto do Galeão para viajar a Lima, em um mero terminal de cargas, um mar de pessoas o envolveu. Os braços esticados em direção à lataria, os corpos grudados uns aos outros, uma massa de pedaços humanos que se solidificava em um. Era como uma mar revolto que abraça e empurra, que deseja sugar e jogar para cima.

Há um certo momento, em uma foto, que parece que a multidão vai levantar o ônibus. Que vai leva-lo nos ombros, carrega-lo como um filho. Ou então que vai engolfa-lo embaixo de seus corpos, incorpora-lo, transformar aquele veículo em parte de si mesmo. Não faltam imagens em que os espaços entre a massa da torcida e o ônibus é indivisível, inexistente.

Não dá para adivinhar o que se passou na cabeça de um jogador alvo de tal manifestação. Os relatos de dentro do ônibus eram de que os jogadores estavam paralisados observando, vidrados. Marcos Braz, vice de futebol, admitiu que só perceberam o tamanho da coisa quando saíram com o ônibus.

Pois foi esse o caminho do Flamengo de seu CT do Ninho do Urubu até Lima. Saiu de casa envolvido no mar de gente, chegou para voar em meio ao mar de gente, pousou em Lima com gente à espera… e afastada.

A polícia peruana foi mais cautelosa sem compreender direito esse movimento. Isolou jogadores na chegada no aeroporto. Afastou torcedores o máximo que pôde no hotel. Uma barreira não foi suficiente, uma segunda foi feita. No rosto dos policiais, uma certa incompreensão: "O que há para ver aqui? É só um ônibus."

Barrados a 50 ou 70 metros da entrada do hotel, os rubro-negros continuam a cantar. Alijado a 20 metros, o grupo menor de 50 a 70 pessoas se esgoelava. Quando o ônibus entrou no hotel, jogadores já provavelmente em seus quartos, os torcedores continuam ali cantando na barreira. Se você informava que a delegação já tinha chegado, passou, eles ali seguiam: "Não acredito. cadê o vídeo?"

Essa é uma frase que talvez seja muitas vezes ouvidas no futuro quando se falar sobre 20 de novembro e o que fez a torcida do Flamengo. Só vendo os vídeos para acreditar.

 

 

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Sobre o Autor

Nascido no Rio de Janeiro, em 1977, Rodrigo Mattos estudou jornalismo na UFRJ e Iniciou a carreira na sucursal carioca de “O Estado de S. Paulo” em 1999, já como repórter de Esporte. De lá, foi em 2001 para o diário Lance!, onde atuou como repórter e editor da coluna De Prima. Mudou-se para São Paulo para trabalhar na Folha de S. Paulo, de 2005 a 2012, ano em que se transferiu para o UOL. Juntamente com equipe da Folha, ganhou o Grande Prêmio Esso de Jornalismo 2012 e o Prêmio Embratel de Reportagem Esportiva 2012. Cobriu quatro Copas do Mundo e duas Olimpíadas.

Sobre o Blog

O objetivo desse blog é buscar informações exclusivas sobre clubes de futebol, Copa do Mundo e Olimpíada. Assim, pretende-se traçar um painel para além da história oficial de como é dirigido o esporte no Brasil e no mundo. Também se procurará trazer a esse espaço um olhar peculiar sobre personagens esportivas nacionais.


Rodrigo Mattos