Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Engenhão

Na Justiça, Botafogo alega prejuízos no Engenhão por culpa da prefeitura
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A diretoria do Botafogo entrou com um protesto judicial contra a prefeitura do Rio alegando prejuízos pelo fechamento do Engenhão (Estádio Nilton Santos) em 2013. Não é ainda uma ação judicial de cobrança: seu objetivo é garantir o direito de o clube processar o município no futuro sem possibilidade de prescrição. Um processo só deve ser movido a partir de 2018.

O protesto do Botafogo foi na Vara de Fazenda Pública em dezembro de 2016, juntamente com a Companhia Botafogo que é detentora da concessão do estádio. A assessoria da prefeitura do Rio de Janeiro disse desconhecer o procedimento alvinegro, mas defendem as reformas.

O Engenhão foi fechado em março de 2013 para reparos na cobertura por supostas falhas no projeto. Foi uma decisão do então prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes após um laudo que mostrava risco de queda na cobertura. Mas, em seguida, houve outro laudo que indicava que não havia necessidade de reformas. Há uma disputa entre o Consórcio Engenhão e o Consórcio RDR, que construíram o equipamento, para determinar se houve falha e quem é o responsável.

“Em que pese tal celeuma, é certo que o Botafogo e a Companhia Botafogo suportaram e ainda vêm suportando seríssimos prejuízos decorrentes da interdição do estádio cujo montante ainda não foi definitivamente calculado, como consectário da sua extensão e de suas múltiplas facetas”, afirmou o clube alvinegro no protesto.

O vice-presidente jurídico do Botafogo, Domingos Fleury, explicou que o objetivo dessa medida é garantir que o clube tenha direito a processar a prefeitura até 2021, sem que exista prescrição pelo fato. Afirmou que acredita que acontecerá a ação, mas provavelmente não neste ano.

“Não acredito que consiga fazer até o final do ano porque estamos apagando muito incêndio. Para mover uma ação como esta, tem que pensar direito, contratar um bom escritório. Não estamos em condições agora de enfrentar a prefeitura. Mas a diretoria não poderia se omitir e perder a chance de ação para gestões futuras”, contou Fleury.

Outro aspecto é que o Botafogo pretende esperar a conclusão da outra ação que decide se era necessário ou não novas reformas na cobertura do estádio. Se não era preciso fazer a renovação, a ação do clube alvinegro ganha força. A atual diretoria ainda alega que não tem noção de quanto arrecada por ano com o Engenhão porque não teve o estádio aberto por um ano. Assim, não sabe quantificar os prejuízos.

“Ainda não temos um número. A gestão anterior de Maurício Assumpção tinha uma receita, mas não é confiável. Agora que vamos ver quanto o estádio gera porque ele foi devolvido em dezembro de 2016”, completou Fleury.

A assessoria da prefeitura do Rio de Janeiro informou:

“Em relação à necessidade de fechamento do estádio, a decisão foi tomada pela antiga gestão, que determinou a interdição após receber do Consórcio Engenhão – formado pelas empresas Odebrecht e OAS – um laudo técnico assinado pelos engenheiros detectando problemas estruturais.
De acordo com este laudo, os arcos superiores foram subdimensionados e, no momento da inauguração do estádio apresentaram inclinação 50 centímetros além do esperado no projeto. Diversos estudos foram feitos e durante um monitoramento de rotina foi constatado risco à segurança dos frequentadores com colapso da estrutura em determinadas condições como baixa temperatura e alta velocidade de vento, por exemplo. Para priorizar a segurança da população optou-se pelo fechamento do estádio. Os custos da reforma foram integralmente assumidos pelo Consórcio Engenhão, sem ônus aos cofres públicos.”


Torcida única é o muro do Trump no futebol carioca e paulista
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Minha primeira recordação de um jogo de futebol no estádio é de ir às cadeiras do Maracanã com setor misto na final do Estadual de 1986. Flamengo e Vasco decidiam o título, e o meu pai vascaíno levou a mim e a minha irmã, ambos rubro-negros, à decisão. Saímos festejando e ele quieto após os gols de Bebeto e Júlio César.

Essa é uma das melhores lembranças que tenho do meu pai, hoje já falecido. Sem gostar muito de futebol, com temperamento difícil e com especial antipatia pelo Flamengo, deu uma demonstração de tolerância ao nos levar ao jogo. Meu pai e seu amigo vascaíno nos carregaram nos ombros ao final do jogo.

As imagens daquela tarde voltaram à minha cabeça quando a Justiça do Rio decretou a torcida única para os clássicos no Rio de Janeiro. Não é só o prazer da arquibancada que se perde com isso. A torcida única pressupõe que somos todos inimigos incapazes de conviver com o diferente. Ao se isolar torcedores de equipes rivais, os torcedores vão se tornar cada vez mais radicais e mais afastados uns dos outros.

É só ver que medidas históricas na política para separar pessoas, como o muro proposto por Donald Trump para conter imigrantes, só tendem a aumentar a distância e a raiva entre as pessoas. Se você não convive com o outro, nunca vai entender o ponto de vista dele, sua identidade. Se há a possibilidade de aproximação, há a chance de compreensão.

A tese do promotor Rodrigo Terra aceita pelo juiz é de que essa é uma medida que vai reduzir a violência, após os atos de barbárie do último Botafogo e Flamengo. Primeiro, é preciso lembramos que neste clássico houve uma falha da polícia militar cujos soldados não foram para o estádio como estava nos planos. Foram contidos por protestos de familiares. Os certos torcedores organizados são tão violentos hoje quanto nos últimos anos: só estavam livres para agir.

E o argumento da redução da violência se torna quase nulo quando constatamos que a maioria das mortes de torcedores em conflitos de organizadas se dá longe dos estádios. Basta lembrar do torcedor do Fluminense, que não era de organizada e apenas gostava de seu time, agredido perto do Maracanã neste ano quando voltava de um jogo em Xerém. No máximo, vai se reduzir a tensão em volta dos estádios porque tem ocorrido, sim, brigas dentro e fora deles.

Uma decisão importante como essa que afeta mais de 100 anos de tradição de festas compartilhadas no Rio foi tomada sem que se ouvisse a sociedade. Um promotor e um juiz definiram a “solução” sem um levantamento dos seus efeitos, sem consultas públicas na assembleia estadual, sem nada.

Esse tipo de medida arbitrária tornou-se uma tônica no Rio dos últimos tempos. Tivemos de pagar caro para organizar dois megaeventos (Copa do Mundo e Olimpíada) sem nenhuma consulta popular. O Maracanã, um símbolos da cidade, foi transformado pelo padrão Fifa também por decisão solitária do então governador Sergio Cabral. E, agora, nos tiram a festa como ocorrera em São Paulo.

Como sempre, o argumento é de que se trata de um mal necessário para nosso bem. Mas o que vejo é que a polícia terá seu trabalho facilitado, o promotor vai poder dizer que “resolveu” o problema e o torcedor perde o seu direito. Será impossível se repetir uma cena como essa do meu pai me levando para o estádio para ver um jogo dos nossos times.

Em 1987, o Flamengo voltou a enfrentar o Vasco na final do Estadual. O time cruzmaltino venceu com belo gol de Tita após passe de Dinamite. Eu estava lá novamente com meu pai e sai triste do estádio, e ele com um sorriso discreto na boca para não me chatear. Fomos embora juntos eu, ele e minha irmã.

Foi uma lição: me ajudou a aprender a perder e a entender o outro, também inspirou em mim um respeito que guardo até hoje pelo Vasco, por sua história, por sua torcida, por seus times, e pelo meu pai. Se não for capaz de despertar esse tipo de sentimento em torcedores adversários, o futebol torna-se cada vez mais um instrumento para alimentar o ódio e perde boa parte do seu sentido.


Bota discute vetar Engenhão ao Fla, mas regulamento da Ferj impede
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Com Pedro Ivo de Almeida

A diretoria do Botafogo discute vetar o Engenhão para jogos do Flamengo após as confusões ocorridas no clássico que terminou com um torcedor morto. Essa proibição, no entanto, depende da Ferj (Federação de Futebol do Rio de Janeiro) pelo regulamento do campeonato. A tendência é a federação não aceitar o veto.

Questionado pelo blog, o presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira, afirmou que ainda não iria se pronunciar sobre possível veto ao Flamengo – o clube rubro-negro já não pode atuar em outras partidas na arena. Ele informou que só vai tomar uma decisão após inspeção de danos ao estádio. Mas indicou que é uma medida analisada por supostos danos de torcedores rubro-negros à arena.

“Foram muitas cadeiras e banheiros quebrados”, afirmou o dirigente. Pereira reconheceu que é a Ferj quem decide sobre o uso do Engenhão em clássicos. “Perfeito. Mas existe um bom senso para tudo depois do que aconteceu no domingo.”

Em entrevista à ESPN Brasil, Pereira atacou a postura do Flamengo e relembrou até a polêmica contratação do volante Willian Arão, que trocou o clube alvinegro pelo rubro-negro no fim de 2015.

“O Flamengo quer tomar decisões pensando só nele. Não é a forma como o Botafogo vê o futebol, por isso não temos qualquer tipo de diálogo. Sem falar, óbvio, na falta de ética que foi a questão do Willian Arão”, declarou.

Também à ESPN Brasil, o presidente do Fla, Eduardo Bandeira de Mello, lamentou a decisão do Botafogo de propor o veto. “Em um momento como esse, tomar atitudes que só servem para acirrar mais os ânimos… É uma grande besteira fazer isso no momento. A gente respeita a posição de outros clubes e pede que respeitem a nossa também. Tem que trabalhar para acabar de vez com violência nos estádios”, disse Bandeira.

Pelo regulamento, em seu artigo 44, os clássicos têm que ser disputados no Maracanã. O mando de campo é da Ferj. Depois, pelo artigo 62, fica estabelecido que, se o Maracanã não estiver disponível o local, será o Estádio Nilton Santos (Engenhão).

Nos bastidores, a Ferj entende que tem a prerrogativa de continuar a marcar clássicos do Flamengo no estádio pelas regras. Ainda não recebeu uma demanda do Botafogo para veto, e só discutirá isso se acontecer. Mas, internamente, a federação não pretende aceitar a posição do clube alvinegro.

Durante o arbitral do Estadual, o Flamengo pediu que o Maracanã fosse incluído como local para semifinais e finais. Em seguida, os clubes decidiram que, se não houvesse o Maracanã disponível, seria o Engenhão. O Botafogo não se manifestou em nenhum momento contra essa decisão.


Empresa francesa conversa com Bota sobre Engenhão e mira Parque Olímpico
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Candidata à concessão do Maracanã, a empresa francesa Lagardère conversa com o Botafogo para uma parceria na gestão do Nilton Santos (Engenhão) e ao mesmo tempo estuda informações sobre o Parque Olímpico. A intenção da gigante europeia é investir no Rio de Janeiro. O resultado da concessão do principal estádio da cidade vai influenciar nos planos da empresa.

Já houve duas reuniões entre a diretoria do Botafogo e representantes da Lagardère. A ideia da empresa é fazer uma proposta para participar da gestão e atrair negócios para o estádio, incluindo shows.  Além disso, tem intenção até de fazer parceria na gestão do departamento de marketing da agremiação como ocorre com times europeus como Borussia Dortmund.

Perguntado sobre as conversas, o presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira, admitiu que negocia com possíveis parceiros, mas não quis dar nomes. “Conversamos com algumas empresas que nos procuraram. Não gostaria de dizer o nome dos players”, afirmou o dirigente. “Tem alguns pontos interessantes.”

No momento, Pereira disse que o clube consegue administrar bem o estádio para jogos de futebol. O clube tem contado com aluguel de R$ 200 mil em clássicos no Estadual, e outros R$ 100 mil para jogos entre grandes e pequenos. E há claro a renda da bilheteria dos jogos do Botafogo, além de projetos como os nomes de torcedores grafados em cadeiras.

Mas o presidente botafoguense informou que ainda não é possível determinar se o estádio será superavitário no atual ano. “É muito cedo ainda. Pegamos o estádio depois de dois anos longe de nós”, disse Pereira.

Se perder o Maracanã, a Lagardère deve aumentar seu ímpeto em relação ao estádio alvinegro. Além disso, a empresa pode estudar a concessão do Parque Olímpico que no momento está abandonado. A prefeitura do Rio de Janeiro chegou a fazer uma licitação para conceder a exploração do espaço, mas a única empresa que se apresentou não foi considerada habilitada. Por enquanto, o Ministério do Esporte está encarregado de cuidar do local onde foi realizado a Olimpíada.


França treina em meio a obras no Engenhão, e segurança censura imagens
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Alijada do Maracanã para poupar o gramado, a França foi obrigada a treinar para o jogo com o Equador em meio a obras no Engenhão, estádio que está em reforma após ameaça de desabamento. Um segurança que atua no estádio tentou vetar imagens das reformas na passagem de jornalistas brasileiros e estrangeiros.

O campo anexo do Engenhão é um COT (Centro Oficial de Treinamento) da Copa-2014 e pode receber práticas de times anteriores aos jogos. Para a chegada ao gramado, a organização do COL (Comitê Organizador Local) desviou a passagem dos jornalistas. Em treinos do Botafogo, os repórteres passam por dentro da arena de onde dá para ver todas as obras. Mais longo, o novo caminho evita a entrada no estádio.

Ainda assim, é possível ver estruturas de ferro, guindastes e montes de terra no caminho da obra no estádio. A prefeitura do Rio promete que a reforma da arena será concluída no primeiro semestre de 2015. A intenção é corrigir o arco superior que estava ameaçado de desabamento, segundo laudo. Por isso, é impossível treinar dentro do Engenhão.

Não havia obras no campo anexo em que estavam os franceses. Cercas improvisadas separavam os dos jornalistas, e havia uma arquibancada provisória. Lá, era permitido fazer imagens do campo e dos jogadores.

Quando o UOL Esporte tentou tirar fotos das obras no caminho, um segurança, que não era do COL, proibiu as imagens. Alegou que era uma ordem do Botafogo. Mas isso não faz sentido visto que o clube não costuma vetar foto do local, e treina em aberto no campo.

A Odebrecht e a prefeitura do Rio são os responsáveis pela obra. A construtora informou que o campo está sob responsabilidade do COL e da Fifa, por isso, não tem relação com os seguranças que atuam por lá.


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