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Planilhas apontam R$ 4,1 mi ilegais da Odebrecht por Arena Corinthians
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Planilhas da Odebrecht que constam em inquéritos da Lava-Jato

Incluídas em inquéritos da Lava-Jato, planilhas da Odebrecht apontam R$ 4,1 milhões em pagamentos ilegais por conta da Arena Corinthians. Esses documentos são do departamento de operações estruturadas e não têm indicação de destinatário. As planilhas foram mapeadas pelo blog em inquéritos da operação tornados públicos na semana passada.

Há um inquérito relacionado à Arena Corinthians no STF (Supremo Tribunal Federal) mantido em sigilo pelo ministro Edson Fachin. Um dos pontos investigados é o suposto pagamento de Caixa 2 para o ex-presidente corintiano Andrés Sanchez.

Como já mostrado pela “Folha de S. Paulo”, há uma planilha que indica o pagamento de R$ 3 milhões para o ex-deputado em contribuições ilegais de campanha. Ele negou que tenha recebido. Ao explicar o propósito do pagamento, a planilha tem escrito na linha do nome de Andres: “importante interlocutor para a gestão do contrato para as obras/operação da Arena Corinthians”.

Mas há outras planilhas do departamento de operações estruturadas em que não constam nomes, mas apenas codinomes. Dentro desse setor da Odebrecht, só constavam pagamentos por fora, não contabilizados oficialmente. Em delações, ex-executivos da construtora indicaram que a maior parte era propina ou Caixa 2, embora não todos.

Pois bem, o blog identificou dez pagamentos feitos por esse departamento da Odebrecht em que constam como explicação “Arena Corinthians”. São em datas diferentes, o que indica que não são registros repetidos. Nesses, o codinome em geral é Timão. E há outros com codinomes como Azeitona, Papai Noel, Trenó, Rena.

Os pagamentos começam em fevereiro de 2014. Naquele mês, há dois em menores valores, em total de R$ 15 mil, e há um de R$ 500 mil no dia 25. No mesmo período, é datada de 17 de fevereiro a ata assinada por executivos da Odebrecht e do Corinthians que estabeleceu o aumento do preço da obra do estádio de R$ 820 milhões para R$ 985 milhões. O documento foi assinado de fato alguns dias depois e teve data retroativa, segundo apurou o blog.

Pela Odebrecht, assinaram Antonio Gavioli, cujo nome consta nas planilhas como responsável pelos pagamentos por fora pela arena, e Luis Bueno, que fez delação sobre o estádio mantida em sigilo. Pelo Corinthians, assinou Andrés Sanchez.

Os outros pagamentos que constam das planilhas são no período entre agosto e outubro de 2014. Esse é o período da eleição em que a outra planilha da Odebrecht indica pagamento a Andres. Segundo apurou o blog, pode haver coincidências de registros entre esses dois documentos. Por isso, não foram somados os pagamentos teoricamente destinados ao deputado no total.

Em 13 de agosto, a planilha registra um total de R$ 1,3 milhão em dois pagamentos da Odebrecht referente ao estádio, com os codinomes Azeitona e Timão. Em 2 de setembro, a Odebrecht enviou o Boletim de avanço de obra para o Corinthians, informando que o total de R$ 985 milhões da obra tinha sido todo gasto.

Até outubro há um total de R$ 3,6 milhões referentes à arena neste período eleitoral. Com os pagamentos de fevereiro, todos os valores referentes ao estádio chega a R$ 4,1 milhões.

O ex-presidente corintiano Andrés Sanchez nega ter havido pagamentos referentes à arena pela empreiteira: “Não houve pagamento na Arena Corinthians. Não tem nada. Não sei, a planilha não é minha. Se houve algum rolo na Arena, o Corinthians é vítima. É vítima. Não fiquei sabendo de nada. Se houve alguma coisa, o Corinthians é vítima”, disse ele.

Procurada, a Odebrecht não respondeu as perguntas e emitiu uma nota: “A Odebrecht S.A entende que é de responsabilidade da Justiça a avaliação de relatos específicos feitos pelos seus executivos e ex-executivos. A empresa está colaborando com a Justiça no Brasil e nos países em que atua. Já reconheceu os seus erros, pediu desculpas públicas, assinou um Acordo de Leniência com as autoridades brasileiras e da Suíça e com o Departamento de Justiça dos Estados Unidos, e está comprometida a combater e não tolerar a corrupção em quaisquer de suas formas.”

O Corinthans já emitiu nota oficial em que afirma que vai apurar possíveis irregularidades relacionadas às delações no estádio. Em delação, o ex-presidente da Odebrecht Marcelo Odebrecht afirmou que não pagou propina na Arena Corinthians: disse que o que poderia ter havido foi Caixa 2 para Andres.

Lista de pagamentos feito pela Odebrecht referente à Arena Corinthians:

25/2/2014 – Papai Noel – R$ 500 mil

25/2/2014 – Rena – R$ 5 mil

27/2/2014 – Trenó – R$ 10 mil

13/8/2014 – Azeitona – R$ 300 mil

13/8/2014 – Timão – R$ 1 milhão

19/8/2014 – Timão – R$ 300 mil

11/9/2014 – Timão – R$ 500 mil

18/9/2014 – Timão – R$ 500 mil

25/9/2014 – Timão – R$ 500 mil

16/10/2014 – Timão – R$ 500 mil

Colaborou Diego Salgado


Delações geram suspeitas sobre obras em 10 dos 12 estádios da Copa-2014
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Delações feitas por executivos de empreiteiras e políticos já levantaram suspeitas sobre as obras de 10 de 12 estádios da Copa do Mundo-2014. Há diversos tipos e níveis de acusações: cartel, pagamento de propina para obter obra, irregularidades no financiamento, entre outros. Essas denúncias ocorreram no âmbito da operação Lava-Jato, ou em paralelo a esta.

Entre os estádios citados nas delações estão: Arena Corinthians, Castelão, Arena Pernambuco, Arena das Dunas, Arena Amazônia, Mané Garrincha, Maracanã, Arena Pantanal, Mineirão, Fonte Nova. Ressalte-se que, no Mineirão, o suposto esquema denunciado não ocorreu. Até agora só não há acusações em processos judiciais relacionadas ao Beira-Rio e à Arena da Baixada.

O maior esquema relacionado à Copa do Mundo foi revelado por executivos da Andrade Gutierrez. Eles contaram que houve um cartel entre as empreiteiras para combinar quem faria cada obra em oito dos estádios, fraudando as licitações. Agora, depoimentos de executivos da Odebrecht confirmam a existência deste conluio entre os construtores, segundo relevado pelo “O Estado de S. Paulo”.

Abaixo veja uma relação das acusações envolvendo cada um dos estádios:

1) Maracanã – Ex-executivos da AG (Andrade Gutierrez) e da Odebrecht apontaram pagamento de propina para o ex-governador do Rio Sergio Cabral para a execução da obra. O valor poderia chegar a 5% do projeto que somou R$ 1,2 bilhão. Cabral ainda aceitou a inclusão da AG na obra após acerto de “contribuição”. Funcionários da Odebrecht relataram ainda o pagamento a membros do TCE (Tribunal de Contas do Estado) para aprovar a concessão do estádio à empreiteira.

2) Arena Corinthians – Há dois deputados acusados de receber dinheiro da Odebrecht relacionado às obras no estádio: são Andrés Sanchez (ex-presidente do Corinthians) e Vicente Cândido (diretor da CBF), ambos do PT. Delações de executivos da Odebrecht apontam que Andres ficou com R$ 500 mil por meio de pagamentos para André Oliveira (vice do Corinthians), já Cândido é acusado de receber R$ 50 mil para ajudar na operação do financiamento da arena. Emílio Odebrecht, dono da empresa, disse que o estádio foi um presente para o ex-presidente Luis Inácio Lula da Silva.

3) Mané Garrincha – Ex-executivos da Andrade Gutierrez afirmam ter pago propinas aos ex-governadores do DF José Roberto Arruda e Agnelo Queiroz por conta das obras do Estádio Mané Garrincha.  O valor para Agnelo seria de 1% da obra, que custou R$ 1,5 bilhão. O estádio ficou com a AG após acerto no cartel de empreiteiras, segundo seus ex-executivos.

4) Arena da Amazônia – Ex-executivos da Andrade Gutierrez dizem ter pago propina para os ex-governadores do Amazonas, Eduardo Braga e Osmar Aziz. O primeiro teria uma cota de 10% sobre obras realizadas no Estado, e o segundo teria aceitado reduzir o percentual para 5%. O estádio ficou com a AG por acerto no cartel, segundo seus executivos.

5) Arena Pernambuco – A licitação do estádio foi fraudada por conta do cartel acertado entre as empreiteiras, segundo o ex-executivo da Odebrecht. A versão é confirmada por ex-funcionários da AG. A Polícia Federal ainda investiga em inquérito indícios de superfaturamento na obra do estádio, o que se dá em separado da operação Lava-Jato.

6) Arena Fonte Nova – Ex-executivos da Andrade Gutierrez apontaram que a obra do estádio ficou com a Odebrecht fruto do cartel feito entre as empreiteiras para divisão dos projetos. O “Estado de S. Paulo” listou a arena como um das obras investigadas no âmbito da operação Lava-Jato, após delações de executivos da Odebrecht.

7) Arena das Dunas – Ex-executivos da OAS relataram pagamento de propina para o senador Agripino Maia (DEM-RN) por ele ter influência na execução das obras. O objetivo seria superar entraves para obter empréstimo no BNDES. A denúncia de cartel feita pela Andrade Gutierrez ainda apontou que a obra ficou com a OAS após acerto entre as empreiteiras.

8) Arena Pantanal – Não há acusações relacionadas à operação Lava-Jato em relação ao estádio. Mas o ex-secretário de Copa do Mato Grosso Eder Moraes afirmou que o ex-governador Silval Barbosa lhe ofereceu R$ 5 milhões em propina para acelerar o processo de contratação da obra. Posteriormente, Eder recuou de seu depoimento. Silval está preso por diversas acusações de corrupção e o jornal “O Globo” informou que deve fazer delação premiada.

9) Arena Castelão – Ex-executivos da Andrade Gutierrez e da Odebrecht apontaram que as obras do estádio foram destinados à empreiteira Queiroz Galvão como parte do cartel de empreiteiras que decidiu o destino de oito arenas.

10) Mineirão – A citação do Mineirão no âmbito da Lava-Jato é de uma esquema que não teria dado certo. Ex-executivos da Andrade Gutierrez relatam que, pelo acerto feito entre empreiteiras, ficariam com a execução da obra no estádio. Mas afirmam que perderam o interesse porque o projeto se tornou uma PPP (Parceria Público-Privada). A Construcap, que fez o estádio, teve executivo preso na Lava-Jato e é acusada por promotores mineiros de desvio de dinheiro no Mineirão com fraude a balanços.

 


Como o envolvimento da WTorre na Lava-Jato pode afetar o Allianz Parque
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A operação Lava-Jato incluiu em sua investigação a construtora WTorre e o seu dono Walter Torre Junior, administradores do Allianz Parque, por suspeita de corrupção em concorrência da Petrobras.  Não há relação do caso com o estádio palmeirense. Mas o envolvimento da empreiteira pode ter impacto econômico na arena alviverde como visto em outras situações. Vamos explicar como.

Primeiro é preciso que se diga que a WTorre e Walter Torre Jr. negam as acusações apontadas na Lava-Jato – receber propina de R$ 18 milhões para desistir de concorrência – e dizem colaborar com a Justiça. E agora tomam medidas para tentar minimizar o impacto da imagem na empresa.

“A empresa não pagou nem recebeu nenhuma soma a agente privado ou público. Claro que qualquer suspeição, num momento delicado como este, tem impacto sobre a imagem da empresa”, explicou a assessoria da Torre. “E, por entendermos a questão dessa forma, contatamos nossos principais parceiros, com quem temos relações sólidas e de confiança, que não se resume à área de entretenimento. E sentimos muita tranquilidade por parte de cada um.”

A empreiteira tenta minimizar os riscos econômicos. E quais seriam eles?  “Não tem impedimento para um empresa investigada assinar novos contratos ou receber empréstimo. Mas o sistema de compliance (regras de gestão) dificulta que os bancos deem empréstimos para quem tem problemas judiciais”, contou o advogado Fernando Fernandes, que já atuou em casos da Lava-Jato. “Os bancos ficam com medo de a empresa não ter como pagar. Muitas empresas entram em recuperação judicial por falta de liquidez.”

Para o Allianz Parque, se a WTorre ficar sem crédito e liquidez, isso representará um grande impacto na parceria com o Palmeiras e na gestão da instalação. Pelo acordo feito, a construtora fez o estádio em troca da concessão do uso de superfície local e do Allianz Parque por 30 anos – o custo total foi de R$ 675 milhões. A gestão da arena se dá por meio da Real Arenas Participações Ltda, controlada pela construtora.

Para pagar pela obra, foi preciso pegar um financiamento no Banco do Brasil. No final do ano de 2014, a dívida com o banco somava R$ 435 milhões, e seria quitada em 10 anos. A construtora não informou o valor atual.

As garantias para o empréstimo são as rendas do estádio – fora a bilheteria que é palmeirense – e o uso do terreno da arena, segundo o balanço da Real Arenas. Esses bens foram dados em alienação fiduciária para o Banco do Brasil. Se a construtora passar por problemas financeiros, o banco poderia executar e tomar esses bens.

Segundo o advogado Guilherme Marcondes Machado, especialista em recuperação judicial, a alienação fiduciária facilita a tomada da garantia pelo credor em caso de inadimplência. “Nestes casos, o banco pode tomar imediatamente o bem”, explicou o advogado. “A alienação é uma transferência de propriedade para o devedor. Se não há pagamentos, a propriedade é do banco.”

A WTorre se recusou a comentar os termos das garantias do estádio alegando “razões de sigilo”. “Mas, com toda a tranquilidade, podemos afirmar que a arena vem tendo uma performance excepcional sob diferentes aspectos: comercial, financeiro e de conteúdo, entre outros”, disse a assessoria da WTorre. E afirmou que o plano de negócios da arena foi ultrapassado sem dar números.

E como o Palmeiras ficaria afetado nesta questão? O clube, obviamente, não teria efeito direto nas suas finanças que são independentes do estádio, nem deixaria de jogar no local. Mas a situação jurídica do Allianz Parque poderia se complicar se os direitos do estádio fossem transferidos a terceiros.

Um exemplo é o caso do Grêmio com a OAS em sua arena. O clube tenta comprar de volta a Arena Grêmio da empreiteira que entrou em recuperação judicial justamente por causa da Lava-Jato. Mas o clube tem de negociar com a massa de credores da empreiteira, o que torna a solução difícil. Enquanto isso, enfrenta prejuízo mesmo quando o estádio enche.

“A atividade inteira da empresa acaba afetada. Em uma recuperação judicial, já houve 13 mil credores. São muitos interesses para atender para fechar uma operação de venda”, completou Machado. Ele explica que o bem só pode ser utilizado se o credor – no caso da WTorre, o BB – aceitar.

A assessoria da WTorre insiste que sua situação é muito diferente de casos como a OAS. “Nenhum diretor da companhia nem o fundador da empresa foram indiciados, e estamos seguros de que não há elementos nem delito para que isso ocorra. Você há de concordar que essa situação é muito diferente das situações que você mesmo cita (OAS e Odebrecht), onde os dirigentes das empresas estão presos, com impacto não apenas nos negócios dos estádios, mas dos respectivos grupos empresariais”, afirmou a construtora.

Mas o blog apurou que esse não é o único negócio da WTorre com a Petrobras sob suspeita. E outra consequência financeira seria a Justiça determinar que a empresa pague multas milionárias em caso de culpa com o objetivo de ressarcir as vítimas.

Questionada pelo blog, a assessoria do Palmeiras não quis comentar o caso. A diretoria do clube tem uma disputa com a WTorre sobre questões de gestão do estádio em uma corte de arbitragem.


Diretor suspeito da Odebrecht atuou para encarecer Arena Corinthians
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Suspeito de ter pago propina a dirigente do Corinthians, em investigação da Lava-Jato, o diretor da Odebrecht Antônio Roberto Gavioli atuou para aumentar o preço do estádio por meio de alterações contratuais. Sua assinatura consta de aditivos ao acordo e de reuniões para incrementar o valor pago pelo clube pela arena. Cartolas corintianos aceitaram o crescimento do montante.

O blog mostrou que a Odebrecht conseguiu cinco mudanças no contrato original de construção da Arena Corinthians, que elevaram o preço de R$ 820 milhões para R$ 985 milhões. Com juros e instalações provisórias, o valor subiu a um total entre R$ 1,150 bilhão e R$ 1,2 bilhão.

Pelo menos dois dos aditivos contratuais têm as assinaturas de Gavioli, o terceiro e o quarto. Sua participação ainda foi decisiva no quinto aditivo que, de fato, aumentou o preço do estádio.

Assinatura de Antônio Gavioli no quarto aditivo entre contrato Odebrecht e Corinthians

Assinatura de Antônio Gavioli no quarto aditivo entre contrato Odebrecht e Corinthians

Uma reunião em fevereiro de 2014 determinou o incremento do contrato. Na ata deste encontro, estão lá como representantes da Odebrecht, Antônio Roberto Gavioli, Ricardo Corregio e Luiz Bueno. Pelo Corinthians, Andres Sanchez e o arquiteto Aníbal Coutinho. Juntamente com os outros executivos, Gavioli pretendia um valor ainda maior para a obra. O aumento foi decidido com a justificativa de alteração no escopo da obra.

O arquiteto Aníbal Coutinho argumentou que demandas feitas pelo clube justificavam um aumento em torno de R$ 23 milhões em custo direto, um valor bem inferior ao crescimento de R$ 175 milhões. “Não participei da discussão de valores nesta reunião porque não me cabia. O que fiz foi participar da elaboração do anexo técnico com os itens da obra. Esse anexo possibilita hoje a realização da auditoria da obra”, afirmou o arquiteto.

A revisão do contrato gerou um aumento, por exemplo, no lucro da Odebrecht que era calculado por percentual. Somados a taxa de administração e seu lucro, a empreiteira passaria a receber R$ 79 milhões. A construtora alega que o dinheiro seria aplicado na própria obra.

Gavioli e Bueno realizavam todas as suas negociações diretamente com Andrés Sanchez. Foi o que ocorreu no caso deste quinto aditivo contrato – a assinatura pelo clube, no entanto, é do presidente então da época Mario Gobbi. O novo acordo foi selado em maio de 2014.

Agora, o clube diz já ter contratado uma auditoria para verificar se houve gastos não justificados no estádio e promete requisitar abatimento se isso for constatado.

Não havia nenhuma participação de André Luiz Oliveira, vice do Corinthians que foi detido e questionado se recebera R$ 500 mil de propina. O valor do suposto pagamento foi encontrado pela operação Lava-Jato em documentos contábeis da Odebrecht, com o nome de Gavioli, a inscrição Timão ao lado e um número de endereço associado a Oliveira onde seria entregue o dinheiro. O diretor da Odebrecht também foi alvo de operação de busca e apreensão e condução coercitiva.

Um cenário bem diferente do prestígio que demonstrava dentro da Arena Corinthians. Quando a presidente da República, Dilma Rousseff, esteve no estádio para visitá-lo, Gavioli foi um dos poucos que estavam na sala especialmente reservada para ele, juntamente com Andres para recebê-la. Outro presente era o presidente da empresa, Marcelo Odebrecht, agora preso pela Lava-Jato.

Na terça-feira à noite, a empresa confirmou que fará “uma colaboração definitiva para a Operação Lava-Jato”. Entre os principais executivos presos, está o diretor Alencar Alexandrino, que ajudou a viabilizar o estádio corintiano juntamente com Andrés Sanchez. E agora há o envolvimento de Antônio Gavioli. O blog não conseguiu encontrá-lo para comentar.

Na operação do estádio, o Corinthians acumula uma dívida de cerca de R$ 400 milhões com a Odebrecht por meio do fundo da arena, sem a aplicação de juros. Outros R$ 400 milhões são devidos no financiamento do BNDES. Há ainda empréstimos bancários.

Em nota nesta terça-feira, o Corinthians afirmou que “quaisquer irregularidades ou desvios de conduta, constatados por autoridades ou não, serão devidamente apurados, e a Instituição tomará todas as providências a si cabíveis para punir os responsáveis, bem como diligenciar para que todos os prejuízos causados ao Clube e à Arena Corinthians sejam ressarcidos”.

 

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