Blog do Rodrigo Mattos

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Brasileiro já tem série de times mistos com impacto na briga na frente
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O calendário com excesso de jogos já leva alguns clubes a usar times mistos ainda no início do Brasileiro. Isso causa impacto na briga com a liderança do Brasileiro. É um cenário similar ao do ano passado, mas que, desta vez, começa cedo.

Na rodada do final de semana, o Cruzeiro enfrentou o Atlético-MG no clássico com uma formação reserva, de olho na última rodada da primeira fase da Libertadores. Foi derrotado e viu o rival mineiro se apoderar da ponta.

Enquanto isso, Corinthians e Grêmio jogaram com times mistos em suas partidas também por conta de compromissos pela competição sul-americana. Tinham alguns titulares. Ambos apenas empataram diante de Sport e Paraná.

Foi a segunda vez que os gremistas não tiveram a formação principal em seis jogos e estão em 8o no Nacional. Corintianos também já tinham atuado sem a força principal diante do Ceará e perdeu pontos naquele jogo.

Ao mesmo tempo, o Flamengo teve seus titulares no clássico contra o Vasco. Mas tinha poupado boa parte do time na derrota para o Chapecoense quando deixou adversários se aproximarem da ponta, perdida agora nesta 6a rodada.

O Palmeiras não chegou a escalar reservas no Nacional: rodou alguns jogadores na partida contra a Chapecoense. Líder, o Atlético-MG preferiu escalar reservas na Copa Sul-Americana.

Todos esses movimentos dos clubes têm relação com um calendário bastante apertado feito pela CBF. Por conta de Estaduais de três a quatro meses, serão 12 rodadas do Brasileiro espremidas até Copa: haverá jogos até às vésperas da Copa. Em paralelo, a primeira fase da Libertadores e as oitavas da Copa do Brasil.


CBF impõe a jogadores uma das pré-temporadas mais curtas da década
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O calendário da CBF impôs aos jogadores e clubes uma das pré-temporadas mais curtas da década por conta da Copa do Mundo. Serão apenas 14 dias até o início dos Estaduais, período que começou nesta quarta-feira com a representação dos times. Apenas no ano do Mundial no Brasil e em 2011 houve menos tempo de treinos para as equipes.

A pre-temporada é um período essencial para preparação física e tática do times. Na Europa, estende-se por períodos superiores a um mês, do final de junho até o início de agosto, com a realização de amistosos. No Brasil, historicamente, competições começavam pouco após a volta das férias.

Durante os últimos três anos, no entanto, a CBF tinha implantando um período um pouco mais longo de preparação, que atingiu 25 dias. Era uma evolução em relação às duas semanas padrão do início de 2012 e 2013. Anteriormente, em 2011, houve só 10 dias.

Há ainda um ponto fora da curva com a realização da Copa-2014 no Brasil quando foram apenas oito dias de pré-temporada. A confederação sequer chegou a delimitar o período. Aqui, foi considerado o dia final de 30 de férias coletivas até o início dos Estaduais. Então, as competições se iniciaram em 12 de janeiro.

A partir de 2015, a CBF tinha jogado o início dos campeonatos para o final de janeiro ou primeiros dias de fevereiro, o que proporcionava a pré-temporada maior. Isso foi possível graças à retirada de cinco datas de Estaduais durante esses anos. Só que a entidade não obrigou as federações a diminuir mais as competições em 2018, o que levou seu início para 16 de janeiro.

O período de descanso da confederação na Copa será mínimo, comparado a outros países. Há uma rodada da Série A prevista para o dia 13 de junho, véspera da estreia da Copa. No calendário da CBF, o início do Mundial aparece marcado no dia 15, mas, na realidade, ocorre um dia antes.

Com o calendário encavalado, já que não mexeu nos Estaduais, a CBF também compromete a pre-temporada de 2019. Isso porque o Brasileiro irá até o dia 9 de dezembro, o que significa que as férias só poderão começar no dia 10 de janeiro. Assim, será impossível ter os 25 dias padrão de pré-temporada que tinham sido criados.

Caso algum time brasileiro chegue à final do Mundial, terá disputar ainda uma rodada do Brasileiro com a competição já em andamento.


Clubes deveriam planejar a temporada para o Brasileiro, mas CBF não ajuda
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A posição do Grêmio de priorizar a Copa do Brasil sobre o Brasileiro gerou preocupações de CBF e Globo, e discussões pelo país. A eliminação do time gaúcho do mata-mata e a oscilação corintiana aumentaram o debate sobre o acerto na estratégia. Mas essa discussão acaba desaguando também na forma como o futebol é organizado no Brasil.

Primeiro, é preciso ressaltar que em todo o futebol desenvolvido os clubes costumam priorizar a liga nacional em pontos corridos. Salvo exceções como jogos relevantes da Liga dos Campeões, ou uma final de Copa com o time já longe do topo na tabela da liga local.

Isso se explica por que é a campeonato nacional que permite um planejamento da temporada, tanto de forma esportiva, quanto financeira e na relação com os torcedores. É nele que o clube pode melhor avaliar seu desempenho em relação ao investimento feito.

Por exemplo, com um orçamento x, pode-se estimar que tipo de jogador vai se contratar e estabelecer uma meta de resultado – fugir do rebaixamento, vaga continental, título, etc. Em longas 38 rodadas -alguns campeonatos têm menos -, os acasos tendem a se anular e o time chegar próximo do desempenho que de fato poderia obter. Não é matemático, mas é o cenário mais provável.

Do outro lado, um time em um mata-mata pode ser eliminado por uma bola na trave, uma disputa de pênaltis, um dia ruim de um zagueiro, um chute feliz. Enfim, esse incontável número de fatores que envolvem o futebol, principalmente em jogos parelhos.

Para além da parte esportiva, os pontos corridos permitem o clube saber que terá um dinheiro determinado para a temporada pelo contrato fixo com a televisão. As variáveis econômicas pelo desempenho são menores do que no mata-mata.

E viabiliza um número certo de jogos para serem vistos pelos torcedores criando fidelidade com ele. Sabe-se que serão 19 partidas em casa, com possibilidade de venda de ingressos por temporada ou sócios-torcedores, contratos com estádios, parceiros comerciais, etc.

Agora, para isso, depende-se de um calendário organizado em que todos ou a maioria dos jogos sejam no final de semana para a organização de um evento pelo clube para se aproximar de seu torcedor. Criar o hábito do estádio.

Não é o caso no Brasil com um calendário superpovoado em que o Brasileiro é espremido de maio a dezembro. A CBF insiste em manter Estaduais inchados e ocupando datas nobres como os domingos, em favor de seus aliados de federações. O Nacional é portanto jogado em meio de semana, em sequências insanas de quem já chega no seu início com um elenco desgastado.

Ora, neste cenário, um clube como o Grêmio acaba enxergando em uma competição de tiro mais curto como a Copa do Brasil a possibilidade de minimizar esse cansaço, e poupa no Brasileiro. Não faz sentido para um time tão bom quanto o gremista. Mas a mentalidade do “só faltam três jogos para o título” se instala quando o calendário te empurra para o imediatismo e não a visão de longo prazo.

E a equipe acaba prejudicada por um planejamento equivocado como ficou claro coma  queda de rendimento corintiano. Com as duas derrotas em três jogos do time paulista, o Grêmio poderia almejar estar próximo do líder não tivesse desperdiçado tantos pontos pelo caminho.

Não dá para crucificar. O que a CBF deveria fazer era melhorar as condições para o clube. Se não vai cortar os Estaduais, que alongue o Brasileiro nos finais de semana e deixe as competições menos nobres para o meio de semana.

Que os clubes possam usar reservas em Estaduais em jogos nas quartas durante todo o primeiro semestre por exemplo, enquanto os titulares jogam nos finais de semana no Brasileiro. (O ideal mesmo seria a CBF reduzir drasticamente os Estaduais). De qualquer jeito, os clubes só vão adotar a racionalidade em seus planos para a temporada se essa mesma racionalidade for aplicada para o planejamento de toda a organização do futebol nacional. Ou seguiremos vivendo no caos.


CBF apequena Brasileiro com seu novo calendário pegadinha para 2017
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Quando a Conmebol decidiu transformar a Libertadores em anual, a reação positiva foi geral: era uma mudança esperada e que fazia todo sentido para a principal competição do continente. Restava saber como a CBF adaptaria o nosso calendário à nova realidade. Pois bem, a confederação aprensentou um calendário que mantém todos os defeitos e vícios atuais, e ainda piora determinadas situações. Uma verdadeira pegadinha que finge trazer novidades, mas só apresenta velharias.

Vamos aos fatos. A Libertadores aumentou em sua fase prévia e passou a estender sua primeira fase pelo primeiro semestre. Reduziu o número de jogos da competição sul-americana nesta metade do ano. Seria a chance de a CBF reduzir e comprimir os Estaduais e estender o Brasileiro por todo o ano.

Em vez disso, a confederação manteve as competições regionais com 18 datas e aumentou a sua duração até a primeira semana de maio – antes, acabaria em abril. Ou seja, se a Libertadores se torna anulizada, o Nacional continua a começar só no meio de maio, e dura seis meses e meio. Sim, pouco mais de um semestre para o campeonato mais importante do país que perdeu uma semana em relação ao primeirao calendário. Enquanto isso, os Estaduais se estendem por longos 15 finais de semana, fora o carnaval.

A Copa do Brasil continua a ser quase no ano inteiro, começando e acabando um pouco mais cedo (de fevereiro a outubro), e com jogos únicos das duas primeiras fases. Mas as duas finais, marcadas para setembro e outubro, agora ocorrerão dois dias depois de partidas de eliminatórias do Brasil. Se houver algum convocado de um dos times, terá de jogar no sacrifício com 48 horas de intervalo, bem abaixo do recomendado. Pior, há uma distância de 35 dias entre as duas finais, o que muda a realidade dos times entre os jogos.

A diretoria da CBF prometera que o Brasileiro iria parar durante todo o período de 15 dias das eliminatórias. Cumpriu agora com sacrifício das finais da Copa do Brasil. Mais, há quatro datas Fifa (duas duplas), de amistosos da seleção, que devem afetar seis rodadas do Nacional. Os jogos estão marcados para o dia seguinte à partida do Brasil, ou para a véspera.

O calendário da confederação, como esperado, manteve a exclusão da Primeira Liga. Essa competição é considerada pelos clubes mais interessante do que os Estaduais: teve média de público bem superior em 2016. Havia a promessa da CBF de aceitá-la como oficial após disputa no início do ano. Não aconteceu no primeiro calendário, e nem agora no segundo.

Por incrível que pareça, com erros e acertos, a Conmebol foi capaz de mudar a estrutura da Libertadores ao torná-la anual. Em contrapartida, a CBF fez questão de mexer o menos possível na organização do calendário nacional, e manter velhos defeitos. Bem do jeito que os presidentes de federações aliados de Marco Polo Del Nero desejam, e que só prejudica os clubes.

 


CBF e Primeira Liga têm queda de braço por Estadual e Libertadores
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A Primeira Liga e a CBF já iniciaram informalmente discussões sobre o encaixe das datas da competição enquanto se esboça o calendário de 2017. A confederação propôs que os times da Libertadores ficassem fora do campeonato. Já a Primeira Liga rechaça e defende que os Estaduais para suas equipes tenham menos datas.

A discussão tem ocorrido no âmbito do grupo da CBF para o calendário do futebol. Neste, já foi aceita uma redução para os Estaduais de três datas, caindo para 16. A Primeira Liga usará esses dias para aumentar o campeonato de cinco para sete ou oito datas. Assim, incluiria 16 times.

Mas os dois lados concordam que há um excesso de jogos para as equipes que estejam em todas as competições. Por isso, a CBF quis excluir os times da Primeira Liga da Libertadores. Já os clubes argumentaram que o ideal seria diminuir as suas participações em Estaduais.

Ainda não há uma negociação formal entre as duas partes. Por enquanto, as participações de Flamengo e Atlético-MG no grupo de estudo de calendário têm atuado como um canal de comunicação entre os dois lados.

O Galo, por meio do presidente Daniel Nepomuceno, chegou a propor que a Primeira Liga pudesse ser um caminho para a Libertadores. Pela sua proposta, os vencedores da Copa do Nordeste, do Paulista e da Copa Verde poderiam disputar com o seu campeão um vaga no torneio continental, que seria tirada do Brasileiro. A CBF ouviu contrariada a proposta.

Ao mesmo tempo em que há conversa, ocorrem provocações entre as duas partes. A declaração do técnico da seleção, Dunga, de que a Primeira Liga agravava o problema do calendário foi vista por dirigentes dos clubes como um recado dado pela confederação.

Na festa de encerramento do torneio, houve declarações de dirigentes que ressaltaram as dificuldades impostas pela CBF à competição: “Esse projeto foi muito criticado. Foi tachado como projeto pessoal, liga pirata, e nos deu muito trabalho”, afirmou o presidente rubro-negro, Eduardo Bandeira de Mello. “Vamos tornar a Primeira Liga uma das três principais competições do país. É um movimento e pessoas que se cansaram com o que viram no futebol brasileiro”, completou o diretor jurídico da liga, Eduardo Carlezzo.


CBF desenha calendário 2017 com pequeno corte nos Estaduais
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A CBF elabora um calendário para 2017 com uma redução de três datas nos Estaduais. Essa foi a proposta do comitê que estuda o cronograma de partidas nacionais e a diretoria já iniciou um esboço neste sentido. O corte permitirá a inclusão de partidas da Primeira Liga, mas não aliviará em nada o excesso de jogos e coincidências com datas Fifa.

O comitê é composto pelos ex-jogadores Carlos Alberto Torres e Edmilson, o ex-técnico Carlos Alberto Parreira, representantes de federações e da Globo. O membro do Bom Senso FC, Luis Filipe Chateaubriand retirou-se do grupo por discordâncias sobre o formato da temporada.

Primeiro, foi rechaçada a ideia de adaptar o calendário nacional ao europeu. A alegação da maioria do grupo era que no Brasil não haveria como disputar jogos no calor, que isso atrapalharia planos de marketing de empresas de patrocínio e até o calendário escolar de divisões de base. A ideia de prolongar o Brasileiro pelo ano inteiro, com jogos nos finais de semana, também não vingou.

Então, passou-se a a discutir o tamanho dos Estaduais. Uma redução drástica foi rejeitada porque poderia afetar os clubes menores, e contratos vigentes de campeonatos. Temeu-se ainda uma reação mais forte de federações estaduais.

Resultado: foi proposta a redução de apenas três datas, caindo de 19 para 16. O Campeonato Paulista, por ter um contrato mais vultoso e maior número de clubes, deve ser preservado. Assim, se abrira espaço para três datas da Primeira Liga, que poderia passar de cinco para oito.

Esse número foi repassado para o departamento de competições da CBF. O diretor Manoel Flores ficou de realizar um esboço com a nova ideia para repassar ao grupo.

Há uma intenção de tentar preservar datas-fifa, mas isso será praticamente impossível já que não foi reduzido o número de jogos. Ou seja, os times continuarão a ter desfalques quando a seleção jogar. Pelo que está na mesa até agora, as mudanças serão bem pequenas em relação ao calendário atual.


Excesso de jogos com Primeira Liga exige ajuste no calendário 2017
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A disputa da Primeira Liga representou um avanço político para os clubes, mas ao mesmo tempo significa um desgaste extra para seus times. Um levantamento do blog mostra que até agora as seis equipes grandes incluídas na competição disputaram 13% a mais partidas do que os outros seis clubes. Fica clara a necessidade de ajuste para 2017 com redução de Estaduais para acomodar o novo torneio.

Até agora, o Grêmio foi o time que mais jogou entre os 12 maiores do país com um total de 16 confrontos, 10 pelo Gauchão, quatro pela Libertadores, e três pela Primeira Liga (o clássico contra o Inter contou pela Primeira Liga e Gauchão). O Cruzeiro foi o que menos jogou: 11 vezes. Em média, cada time da Primeira Liga atuou 14,3 partidas.

Durante a competição, vários times como Grêmio, Flamengo, Atlético-MG e Fluminense optaram por se utilizar de reservas na Primeira Liga. Ao mesmo tempo que isso minimiza o desgaste, tira o prestígio da competição e dificulta a sua comercialização.

Entre as equipes grandes fora da Primeira Liga, a média de jogos ficou em 12,7 partidas. Lembre-se que há três paulistas na Libertadores. Por isso, São Paulo e Corinthians aparecem como os times que mais jogaram com 15 partidas cada um. Mas equipes como Botafogo e Vasco, que ainda não estrearam na Copa do Brasil, têm só 10 partidas.

Feitas as contas, está claro que os clubes da Primeira Liga têm de exigir da CBF uma redução dos Estaduais para 2017. Há a intenção de discutir esse tópico entre em reunião entre as partes, mas isso tem sido constantemente adiado.

Se não houver diminuição de datas dos regionais, isso pode afetar a pré-temporada ou encavalar jogos novamente. Assim, esses times podem se ver obrigados a escalar reservas ou a ter um desgaste excessivo antes do Brasileiro. Para cada data que entrar da Primeira Liga, deve sair uma de Estadual.

A Primeira Liga já se provou mais atrativa para o público do que os Estaduais. Pela lógica de mercado e do torcedor, deve tomar espaço deles na próxima temporada. Resta saber se CBF vai seguir a lógica ou interesses políticos.

 


Líder, Cruzeiro joga mais vezes em 2014 e sente desgaste na temporada
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Em queda de rendimento no segundo turno do Brasileiro, o Cruzeiro enfrenta uma temporada bem mais desgastante em 2014 do que no ano passado. Jogou muito mais vezes, teve calendário mais apertado e ainda perdeu jogadores para a seleção brasileira. Em comparação, chega à partida com o Botafogo com mais confrontos na temporada do que o São Paulo, seu rival pela liderança.

Ao final de outubro em 2013, o time mineiro tinha atuado apenas 52 vezes. Explica-se: a equipe não disputara a Libertadores, fora eliminada nas oitavas de final da Copa do Brasil e também ficou fora da Sul-Americana.

Agora, o Cruzeiro soma 61 partidas na temporada. Em resumo: chegou às quartas-de-final da principal sul-americana e está na semifinal da Copa do Brasil. Ou seja, isso representa um aumento de 17% nas vezes que entrou em campo. O São Paulo, que está a cinco pontos do líder, tem 58 jogos no ano.

“Esse problema do calendário todos sofrem. Temos o elenco bom, mas chega uma hora que fica complicado”, explicou o gerente de futebol do Cruzeiro, Valdir Barbosa. “Mais do que a questão do número de jogos, o que apertou neste ano foi a Copa. Começou a juntar muitos jogos decisivos. E isso gera um desgaste físico e psicológico.”

Outra questão levantada por Barbosa é a perda de jogadores para a seleção brasileira em datas Fifa, o que foi evitado nos dois últimos amistosos. Há dois problemas: o desfalque e a necessidade de o jogador fazer longas viagens como ir à China, com adaptações a fuso horário e voos exaustivos.

Não há um levantamento dentro do Cruzeiro para saber se aumentou o número de contusões nesta temporada. Só identifica-se que há uma grande rodízio no time. “Muitas vezes é por necessidade (física)”, explicou Barbosa.

Fato é que o time fez um primeiro turno brilhante no Brasileiro, com 43 pontos. Agora, soma 18 pontos em 12 partidas, isto é, apenas 50% de rendimento. Mais desgastado, o Cruzeiro tem campanha inferior ao ano passado quando obtivera 65 pontos até a 31a rodada do campeonato.


‘Messi pode ter 80 jogos por ano. É sobrecarga’, diz médico da Fifa
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O presidente da Fifa, Joseph Blatter, culpou a longa temporada pela série de lesões anteriores à Copa-2014 que deixaram estrelas fora da competição. Sua opinião é baseada no trabalho do comitê médico da entidade, chefiado pelo belga Michel D’Hooghe. Para ele, os jogadores de elite sofrem uma sobrecarga de jogos que deveria ser reduzida.

Até agora, atletas como o alemão Reus, o francês Ribery, o italiano Montolivo, o mexicano Luis Montes, entre outros, foram cortados por conta de lesões. Já o melhor do mundo Cristiano Ronaldo sofre como uma contusão na preparação para o Mundial. A Fifa ainda não sabe se cresceu o número de problemas, mas culpa o desgaste pelo desfalques.

“Joga-se hoje muito mais do que antes. Hoje, um jogador como Messi pode ir a 80 jogos em uma temporada. Isso afeta as cartilagens dos atletas. São lesões de meniscos e ligamentos. Futebol provoca uma sobrecarga nos jogadores”, observou D’Hooghe, que também é membro do Comitê Executivo da Fifa.

Segundo o belga, pelos estudos da Fifa, o ideal seria que os atletas atuassem em torno de 50 vezes por ano, aproximadamente uma vez por semana. Mas é difícil estabelecer limites porque há outros interesses em jogo. “A questão é econômica e não de saúde”, atacou D’Hooghe.

Levantamento da Fifa mostra que 76% dos jogadores do Mundial atuam na Europa. O secretário-geral da UEFA (Federação europeia), Gianni Infantino, entende que não há excesso de partidas no continente. Para ele, as contusões são causadas por partidas disputadas de forma mais intensa.

Para minimizar o desgaste, o chefe dos médicos da Fifa pede que seja respeitado o período de descanso dos jogadores antes do Mundial. Para o D’Hooghe, desta forma, eles estarão recuperados para a competição.

Ele lembrou que o Mundial do Japão/Coréia do Sul foi chamado de “Copa da fadiga” pelo ex-jogador Beckenbauer. E, na ocasião, o período de descanso foi o suficiente para recuperar a maior parte dos jogadores. Lembre-se: Zidane não atuou com inteiras condições físicas naquela edição.


Desgastado em 2013, São Paulo quer novo calendário e menos jogos
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( Para seguir o blog no Twitter: @_rodrigomattos_ )

Maior afetado em 2013 por uma maratona de jogos, o São Paulo defende uma mudança do calendário do futebol brasileiro, com modificações na competições e redução no número de partidas. A diretoria do clube considera legítimo o movimento de 75 jogadores, o Bom Senso FC, que pediu alternações no cronograma de partidas para 2014.

As críticas do São Paulo à grande quantidade de jogos são antigas, assim como a posição de parte de seus dirigentes que prega a alteração do cenário brasileiro neste quesito. Cartolas do clube não têm uma relação boa com a cúpula da CBF.

“O São Paulo já se posicionou pela necessidade de um novo calendário. Não é uma questão simples. Têm que ser ouvidas todas as partes”, afirmou o diretor de futebol João Paulo de Jesus Lopes. “Os jogadores são parte legítima. Têm autonomia total para discutir essa questão que os envolve. Não vamos interferir.”

Entre as ideias do diretor são-paulino para o calendário, há pontos em comum com os jogadores como a necessidade de um pré-temporada de pelo menos três semanas. Jesus Lopes sugere fórmulas para reduzir o número de jogos da temporada.

“A Libertadores e a Sul-Americana não devem ser disputadas simultaneamente. Isso só acontece pela necessidade da Argentina. Para o Brasil, não faz sentido. O Brasileiro poderia ter um número menor de times, talvez 16 com a diminuição do número de rebaixados. Os Estaduais têm que ser racionalizados”, defendeu ele, que quer ainda tempo para amistosos no exterior.

Com todas essas competições acumuladas, e ainda amistosos, o São Paulo já tem 79 jogos garantidos na temporada. Esse número pode subir para 85 caso o time chegue até a final da Copa Sul-Americana.

Excluídos os períodos de férias, pré-temporada e Copa das Confederações, isso significa que a equipe jogará uma partida em média a cada 3,8 ou 3,5 dias. Pode parecer razoável, mas isso significa que nunca a equipe terá uma semana cheia para treinamento, algo comum na Europa. Normalmente, times europeus atuam entre 60 e 70 partidas por ano, dependendo do seu sucesso nas competições.