Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : cartolas da Fifa

Copa inchada e Mundial de Clubes viram chaves na disputa de poder da Fifa
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O aumento da Copa do Mundo para 48 times já na próxima edição e a criação do novo Mundial de Clubes viraram chaves em uma briga por poder e dinheiro dentro da Fifa. Ambos os temas vão permear a agenda da reunião da cúpula da Fifa em Moscou, neste domingo. Não deve haver nenhuma decisão sobre os dois pontos até porque a falta de consenso adiará os tópicos para depois da Rússia.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, é patrono das duas iniciativas: vender um novo Mundial de Clubes para uma proposta bilionária de um grupo financeiro e aumentar a Copa já no Qatar-2022. Seu objetivo não declarado é usar esses projetos como trunfos políticos para se reeleger à presidência no próximo ano.

No caso da Copa, foi a Conmebol quem apresentou a proposta de elevar para 48 times a Copa do Mundo já em 2022 – para 2026, isto está aprovado. A reunião teve a presença de Infantino. Nos bastidores, a ideia não saiu dos cartolas sul-americanos. A própria federação do Qatar, que estava presente, deu aval para o aumento, segundo apurou o blog.

Infantino já classificou a ideia como positiva e a levou adiante para ser discutida no Congresso da Fifa, nesta quarta-feira. Em paralelo, analisa-se a viabilidade logística de realizar o aumento de times. Oficialmente, no entanto, ele se mostra cauteloso: reafirmou que só haveria a mudança se o Qatar aceitasse por conta do contrato. Mas o país arábe já deu um ok extra-oficial.

Se conseguir aprovar a ideia, Infantino, de cara, consegue oferecer 16 vagas a mais na Copa na próxima edição. Esses postos vão beneficiar mais confederações como a africana, a asiática e as das Américas. Juntas, elas ficariam com 13 das vagas. A Europa será a que percentualmente menos crescerá com o aumento do Mundial.

Ora, Infantino tem atualmente como maior opositor a UEFA, do presidente Aleksander Ceferin. É este dirigente, por exemplo, quem criticou de forma mais dura a ideia do presidente da Fifa de vender o novo Mundial de Clubes e a Liga das Nações para um grupo financeiro por US$ 25 bilhões.

Foi a pressão da UEFA que barrou a tentativa de Infantino de aprovar às pressas o Mundial de Clubes ainda antes da Copa. O assunto está na agenda do Conselho, mas membros da cúpula entendem que não haverá nenhuma medida definitiva sobre o caso. Isso justamente porque a posição firme da federação europeia impediu o dirigente da Fifa de acelerar o seu projeto.

A pressa de Infantino em aprovar o novo Mundial de Clubes é por conta da possibilidade de um grande volume de dinheiro na entidade. Assim, poderia distribuir esses recursos para federações nacionais, confederações continentais e clubes. Isso obviamente aumentaria seu capital político para a futura eleição como presidente.

Na América do Sul, há entusiasmo com o projeto por parte de dirigentes da Conmebol. Isso porque, além da Conmebol aumentar suas receitas, os clubes teriam uma receita extra e aumentariam sua força para tentar minimamente segurar seus jogadores para reduzir o abismo para os europeus.

Diante deste cenário, a reunião do Conselho da Fifa em Moscou promete não ter decisões definitivas, mas uma disputa quente nos bastidores para saber quem dominará os próximos passos. O aumento da Copa-2022 e o novo Mundial de Clubes devem ter uma definição no segundo semestre deste ano.

 


Vazamento mostra controle de fundo secreto sobre Santos e Geuvânio
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O contrato entre Santos e o Doyen Sports dá controle quase total ao fundo em qualquer operação de transferência de Geuvânio. O teor do documento ficou conhecido porque o site “football.leaks” vazou seu conteúdo nesta sexta-feira. A divulgação do acordo ocorreu justamente quando o Santos decidiu não pagar a quantia de € 3,85 milhões a que o Doyen teria direito na venda do atleta para o Tinjian Quanjin, da China.

Pelo contrato com o Santos, o fundo tem direito a receber um valor mínimo pela transferência, ser indenizado em caso de fim de vínculo com Geuvânio, receber juros, ser comunicado sobre propostas, exigir que o clube recompre os direitos e aprovar trocas com atletas. Mais do que isso, o Doyen pode cobrar diretamente do chinês Tianjin Quanjian o percentual de Geuvânio, ou tomar posse de uma conta do Santos. O acordo foi assinado pelo ex-presidente santista Odílio Rodrigues.

O documento está em uma zona cinzenta da regularidade das normas da Fifa. Em sua legislação, a entidade proíbe ingerência de terceiros na gestão do futebol de um clube. A operações do fundo maltês estão sob investigações da Fifa desde o vazamento de seus documentos. A origem do seu dinheiro é incerta já que opera com diversas empresas em paraísos fiscais, e diferentes sócios ocultos.

Para tentar evitar punições, o contrato entre Santos e o grupo estabelece “a independência do clube na gestão da utilização do jogador”. Mas são tantas as restrições para o time que essa liberdade é questionável.

O Doyen pagou € 750 mil pelos 35% dos direitos econômicos de Geuvânio, em novembro de 2014, fim da gestão de Odílio. De cara, o contrato estabelece que o Santos não deve pagar nenhum imposto, e por isso não deve emitir fatura tributária. Se for obrigado por lei, o clube que deveria quitar pendências.

No caso de uma proposta por Geuvânio, o Santos tem de informar detalhes ao Doyen. O valor mínimo para ser aceito era € 4 milhões. Menos do que isso, o clube teria de compensar o fundo para vender o atleta. Ou seja, teria de garantir o € 1,4 milhão referente aos 35% sobre o valor mínimo.

Se fosse feita uma venda conjunta ou troca com atletas, o Santos teria de fazer relatórios para o fundo explicando os valores de cada jogador e a possibilidade de o Doyen trocar os direitos de Geuvânio por outros. Sempre a palavra final é do fundo. Caso o jogador fosse até o final do contrato, e ficasse livre, o Doyen receberia seu investimento inicial, mais juros de 10%, o que daria € 912 mil.

Além de obter as melhores condições para o seu dinheiro, o fundo tem a prerrogativa de sair pelo mundo para oferecer o jogador. E tem o direito de determinar a venda do jogador se chegar ao valor mínimo (€ 4 milhões). Se o Santos não concordasse, poderia segurar o atleta só se indenizasse o Doyen.

A situação atual, em que o Santos não quer pagar o Doyen, também provoca um cenário favorável ao grupo maltês. É dado como garantia o contrato do Santos com a Meltex de licenciamento do clube. É o dinheiro de franquias de lojas e vendas de produtos com a marca santista.

Pior, a diretoria santista deu uma procuração para o fundo operar a sua conta vinculada que recebe os recursos do uso da marca do time. Ou seja, o Doyen pode simplesmente bloquear € 912 mil da conta do Santos. Há ainda uma nota promissória assinada pelo clube neste valor com execução imediata.

O presidente do Santos, Modesto Roma Jr., considerou o atual acordo ilegal e por isso não quer pagar o Doyen. Procurado pelo blog, ele disse que não poderia falar: “Está com o departamento jurídico”, afirmou. Não foi possível contato com o Doyen.

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Substituto de Valcke é ligado a Blatter e homem do dinheiro na Fifa
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Com o afastamento de Jérôme Valcke, o diretor financeiro da Fifa, Markus Kattner, assumirá o cargo de secretário-geral da entidade, segundo mais importante do futebol mundial. Trata-se de um cartola que, assim como antecessor, entrou na federação internacional pelas mãos do presidente Joseph Blatter. E os arquivos financeiros da organização estão sob investigação na Suíça.

Pelo organograma da entidade, Kattner é uma espécie de vice-secretário-geral, por isso, entra no lugar de Valcke. Haverá uma mudança de estilo. Mais caladão, o cartola está longe do estilo do estilo desenvolto e político de Valcke. Costuma falar apenas em congressos para detalhar a situação financeira.

Markus Kattner assumirá lugar de Valcke - Crédito: Friedemann Vogel - FIFA/FIFA via Getty Images

Crédito: Friedemann Vogel – FIFA/FIFA via Getty Images

A saída de Valcke já vinha sendo conversada, como mostrou a Bloomberg. Mas não havia um acordo de como aconteceria seu afastamento até que estourou um novo escândalo com denúncia de que ele participava da venda ilegal de ingressos da Copa-2014. A acusação foi feita pelo empresário israelense Benny Alon, e é negada por Valcke por meio de advogados.

Substituto de Valcke,  Kattner não é um outsider e está inserido no sistema de gestão da Fifa. Antes da entidade, ele trabalhou na Mckinsey & Company. Essa empresa tinha entre os seus membros o sobrinho de Blatter, Phillippe Blatter. No final da década de 90, a Mckinsey foi prestar consultoria para a Fifa. Mais tarde, Kattner foi contratado para assumir a diretoria financeira da Fifa, e Philippe Blatter foi para Infront que passou a explorar direitos da Copa do Mundo.

Recentemente, em operação da polícia Suíça, foram recolhidos arquivos dos computadores de Valcke e de Kattner na sede da Fifa, segundo informações da BBC. O objetivo é verificar a denúncia feita ao Departamento de Justiça dos EUA de que US$ 10 milhões foram pagos do caixa da entidade para o ex-vice-presidente Jack Warner a título de propina pela escolha da Copa do Mundo-2010. Seria uma forma de o governo da Africa do Sul quitar a propina para o cartola pelo seu voto, segundo investigações norte-americanas.

Valcke era investigado justamente por supostamente ter ordenado o pagamentos. Kattner pode ter um envolvimento já que cuida da movimentação financeira da federação internacional.


EUA temiam fuga de cartolas da Fifa, e adiaram prisão para a Suíça
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Documento em que procuradores norte-americanos afirmam temer fuga de cartolas

Documento em que procuradores norte-americanos afirmam temer fuga de cartolas

Ao iniciar o processo contra cartolas da Fifa, o Departamento de Justiça tomou todas as precauções para evitar fugas dos dirigentes – entre eles o ex-presidente da CBF, José Maria Marin – e adiou por uma semana a ordem de prisão para pegá-los na Suíça. É o que mostra documento da Justiça de Nova Iorque sobre o caso obtido pelo blog.

Procuradores norte-americanos deram entrada com a acusação e pedido de prisão contra os 14 cartolas e executivos no dia 20 de maio. A detenção foi aceita pela corte. Só que a intenção era de que a operação acontecesse na semana seguinte quando havia o Congresso da Fifa para eleição do novo presidente: boa parte deles estaria em Zurique, na Suíça, que tem tratado de extradição com os EUA.

Então, os procuradores pediram sigilo do processo por uma semana até que as prisões fossem executadas. No pedido feito à corte americana, o procurador Darren La Verne alega que “os acusados estão agora em liberdade, e o governo planeja efetuar as prisões nas próximas semanas.”

Em seguida, ele manifesta o temor de fuga dos dirigentes. “Doze dos 14 acusados não são cidadãos norte-americanos e todos os acusados ou residem ou têm extensiva rede de contatos no exterior. Assim, o governo está preocupado que os acusados possam fugir da Justiça se descobrirem que estão sendo acusados”, contou.

O juiz aceitou o pedido do procurador e tornou sigiloso o processo até o dia 26 quando foram executadas as prisões. Logo que os cartolas foram detidos, as acusações se tornaram em sua maior parte públicas, disponibilizadas no site do Departamento de Justiça dos EUA.

A estratégia deu certo tanto que, por meio da polícia suíça, todos os cartolas acusados na Fifa foram presos de surpresa no Hotel Bar Au Lac, com exceção do ex-presidente da Conmebol Nicolas Leóz que estava no médico. Ele foi detido em seguida. Agora, o governo norte-americano tenta extraditá-los. Todos estão detidos em prisões suíças.


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