Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Eurico Miranda

Vasco sofre para resolver dívidas do Profut e do FGTS geradas por Eurico
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A diretoria do Vasco tem se esforçado para resolver dívidas fiscais geradas pela última gestão de Eurico Miranda, pois essas ameaçam as finanças do clube. Há parcelas do Profut (programa de refinanciamento fiscal) e valores do FGTS não pagos pelo ex-presidente. Assim, o clube não consegue negociar novo patrocínio com a Caixa Econômica e ainda há a ameaça de execuções judiciais.

O Vasco contratou um advogado tributarista para levantar todas as pendências fiscais do clube. Em outra iniciativa, o presidente vascaíno, Alexandre Campello, tem visitado órgãos como a Caixa e o Banco Central. E houve um encontro com o ministro do Esporte, Leonardo Picciani, onde foi explicada a situação difícil do clube. Isso apenas dois anos depois de o Vasco ter aderido ao Profut onde deveria consolidar todos seus débitos com o governo federal.

“A Caixa tem uma particularidade de que era o nosso patrocinador. Há um contato para ver da possibilidade (de novo contrato). Mas temos que aparar arestas”, contou o vice de finanças do Vasco, Orlando Marques. Ao explicar as arestas, ele completa: “A questão dos tributos. Tem ainda pendências com a Caixa.”

Ao “Extra”, Campello não negou a possibilidade de um acordo, mas disse que não há uma negociação no momento. Poderia ser uma substituição para a Lasa, empresa farmacêutica que assinou com o Vasco e depois não pagou e cujos dirigentes desapareceram.

O problema para retornar à Caxa é a necessidade de CND (Certidão Negativa de Débito). Entre as dívidas, o clube estava com três meses de atraso nos pagamentos do Profut, em um valor que gira em torno de R$ 2 milhões.

Pela lei, três meses de atraso levariam à exclusão do programa de refinanciamento e à cobrança imediata da dívida. Isso caberia aos órgãos de fiscalização, Receita, BC, etc. Detalhe: o Vasco teve um desconto de R$ 113 milhões em sua dívida ao aderir ao Profut. Agora, a nova diretoria pretende negociar.

Outra dívida importante é relacionada ao FGTS.  Teoricamente, toda a dívida do fundo de garantia passada deveria ter sido consolidada no pacote do Profut. Ou seja, houve novos débitos surgidos na gestão de Eurico. A nova diretoria reconhece a dívida, mas não quer ficar analisando erros do passado. Há ainda outras pendências fiscais menores, segundo Marques.

“O Profut é um programa muito bom. Muitas coisas não foram pagas no passado”, disse o vice de finanças,. Questionado sobre essa falta de pagamento de Eurico, Orlando Marques disse que quer pensar para frente. “Não gosto de olhar no retrovisor. Estou aqui dirigindo e costumo dizer que dirijo olhando para frente. Sabemos qual a herança, boa ou ruim. Temos tido várias reuniões, e cada vice-presidente assume sua responsabilidade, o que é muito bom.”

Fora as dívidas fiscais, a diretoria do Vasco também pretende contratar uma empresa para levantar os valores de outros débitos. “Auditoria no Vasco é bastante complicado por conta da informação fornecida”, explicou Orlando Marques em referência à fata de documentos.


Vasco tem maior parte de cota da Globo em 2018 já antecipada por Eurico
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A nova diretoria do Vasco terá de lidar com uma situação financeira delicada: a maior parte ou toda a cota da Globo por direitos de transmissão de 2018 foi recebida de forma antecipada pelo ex-presidente Eurico Miranda. Há ainda comprometimento de receitas de TV de 2019 do novo contrato. Esse novo acordo só pode ser obtido com a Globo porque não estava no clube.

A informação sobre a antecipação das cotas de TV do Vasco foi confirmada pelo presidente Alexandre Campello. “Tem um valor significativo antecipado de TV de 2018 e 2019. Um comprometimento importante. Não dá para precisar quanto porque é dividido por parcelas”, revelou o dirigente.

O contrato de televisão é a principal fonte de renda vascaína, representando cerca de 80% do total ou R$ 165 milhões, segundo o último balanço de 2016. No último documento financeiro do Vasco, o registro de antecipações da Globo era de R$ 14,3 milhões. Mas está claro que esse valor subiu bastante em 2017.

“Sei que tem antecipação. O grosso do dinheiro já foi antecipado. Junto à Globo, soubemos que quase tudo de 2018 já foi recebido. Tem uma nova folga no novo contrato (válido até 2019)”, contou o vice-presidente de Finanças vascaíno, Orlando Marques. “Queremos validar todos essas dados com documentos para ter confiabilidade. Mas é verídico.”

Há ainda outra questão: o clube ainda tem problemas com as cotas de 2019. “Pelo que sabemos, já tinha sido assinado (contrato de 2019). Foi assinado. Não temos o contrato ainda. Eurico fazia uma gestão muito individualizada. Estamos buscando.” Após a publicação do post, a Globo informou já ter entregue ao presidente Campello todos os contratos de TV do clube a partir de 2019.

Isso não significa que o Vasco não vá receber nada da Globo em 2018. Há cotas variáveis como as de Pay-per-view que são pagas só depois das vendas, e por isso, a emissora não costuma antecipar.

Não é a única receita comprometida vascaína. Orlando Marques informou que o clube já recebeu os pagamentos pelas transferências de Mateus Vital e Madson, que giravam em torno de R$ 10 milhões. Segundo o dirigente, a informação é de que o dinheiro foi usado para pagar despesas e dívidas.

Campello ressalta que caberá ao Vasco buscar receitas novas. Acertado por Eurico Miranda, o contrato com a Lasa, empresa do ramo famacêutico, está ainda em análise pela nova diretoria. A intenção é verificar se há condições ou cláusulas que podem prejudicar futuramente o clube. Por isso, o jurídico analisa antes de confirmar o compromisso.

Retificação: o texto informou inicialmente que o Vasco ainda não tinha acesso aos contratos da Globo de 2019, mas posteriormente a Globo informou já ter entregue os documentos que não estavam no clube.


Oposição do Vasco terá obstáculos para anular desmanche de Eurico
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Provável presidente do Vasco pela oposição, Júlio Brant terá dificuldades para anular as recentes negociações de jogadores e contratos do atual dirigente Eurico Miranda. Brant anunciou sua intenção de rever os últimos atos do atual presidente. Só que a base legal para isso é subjetiva já que Eurico tem a caneta no momento.

Primeiro, relembremos a situação: houve eleição indireta no Vasco com contestação judicial de uma urna em que havia acusação de fraude em favor de Eurico. A Justiça decidiu em favor de Brant até agora o que deve lhe dar a vitória em eleição no Conselho. O pleito tem que ser marcado até o dia 22 de janeiro.

Neste meio tempo, Eurico liberou o zagueiro Anderson Martins, praticamente fechou a venda de Mateus Vital e ainda ofereceu Paulinho e Guilherme Costa no mercado. Acertou um contrato de fornecedor esportivo com a Diadora que pode se estender a até três anos, segundo ele.

Os atos são vistos como lesivos por Brant que informou que vai analisar se tentará reverte-los. Para isso, o grupo de oposição pretende alegar “gestão temerária”. Esse mecanismo está na Lei de Responsabilidade do Esporte que prevê punição para quem descumprir determinados itens.

Só que, na lei, há previsão de descumprimento em casos de antecipação de receitas, medidas que causem aumento de endividamento trabalhista ou déficit, além de contratos com benefícios a dirigentes. Não há previsão de contratos com condições adversas.

A oposição do Vasco tem consciência da dificuldade, mas entende que é uma zona cinzenta e que pode alegar na Justiça que tratava-se de acordos lesivos ao clube. Isso poderia ser feito, por exemplo, caso Mateus Vital seja negociado por um valor muito abaixo do mercado.

Dentro do Conselho Deliberativo atual do Vasco, majoritariamente a favor de Eurico, o entendimento é de que o dirigente tem a caneta e a prerrogativa de assinar esses contratos enquanto durar seu mandato, que vai até 16 de janeiro. Não haveria sequer necessidade de levar o contrato de patrocínio aos conselheiros, nesta tese. Esse é outro ponto que será estudado pela oposição: se as medidas de Eurico ferem o estatuto.

 


Saia justa: Eurico reclama com herdeiro da Globo e recebe resposta
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Em encontro recente da Globo com dirigentes de clubes, houve uma saia justa entre o presidente do Vasco, Eurico Miranda, e o herdeiro da família dona da Globo, Roberto Marinho Neto, que é o principal executivo da área de esportes da emissora. O dirigente vascaíno interpelou o executivo sobre o tratamento dado ao Estadual do Rio, e recebeu uma resposta dura.

A Globo decidiu promover uma reunião institucional com os dirigentes de 21 clubes que assinaram o novo contrato do Brasileiro para a partir de 2019. A ideia era apresentar formalmente a nova divisão de cotas de tv, mais igualitária para a TV Aberta e a TV Fechada. Agora, serão 40% igualmente, 30% por posição, e 30% por audiência.

No evento, Roberto Marinho Neto dava uma palestra sobre as estratégias da emissora quando foi interrompido por Eurico Miranda. O presidente do Vasco reclamou de críticas feitas em canais da emissora a campeonatos comprados pela própria Globo. Sua referência era especificamente ao tratamento dado ao Estadual do Rio. Em sua intervenção, o vascaíno disse que toda hora que liga os canais ouve comentários negativos.

Em sua resposta, Roberto Marinho Neto primeiro perguntou a Eurico se ele estava sugerindo que se censurasse os jornalistas da Globo. Depois, o executivo afirmou que não haveria censura porque a origem da empresa é em um jornal, e que não abriria mão dos princípios jornalísticos da emissora. Marinho Neto ainda argumentou que a Globo valoriza, sim, os campeonatos que compra e transmite.

De novo com a palava, Eurico disse que, sob o ponto de vista do Vasco, a emissora continuava pagando as cotas então o clube não era prejudicado por denegrirem o campeonato. Ao blog, o dirigente contou ainda que o executivo da Globo perguntou o que ele faria caso um jogador criticasse o clube. “Se o jogador do Vasco faz isso, vai embora na hora”, retrucou Eurico.

O executivo da Globo ratificou então o que dissera anteriormente. A cena foi vista como constrangedora por dirigentes presentes, mas o embate não teve tom agressivo.

Roberto Marinho Neto foi alçado ao comando da área de esportes da Globo em outubro do ano passado. Na ocasião, uma reformulação estabeleceu que os departamentos de compra de direitos de competições esportivas e o jornalismo esportivo ficariam sob o mesmo guarda-chuvas. Assim, o conteúdo de esporte deixou de fazer parte do setor de jornalismo em geral da empresa.

Eurico tem um histórico de embates com a Globo. Em janeiro de 2001, colocou o símbolo do SBT na camisa do Vasco na final do Campeonato Brasileiro do ano anterior. Era uma retaliação a programas jornalísticos que revelavam irregularidades na gestão do dirigente no Vasco – várias dessas denúncias foram incluídas na CPI do Futebol, no Senado.

O blog ouviu Eurico Miranda que confirmou o episódio e deu algumas explicações sobre sua posição. “Só queria que me explicassem por que eu entendo pouco de marketing. Queria saber como se compra um produto e vão vender ele esculhambando. Me explicaram e está tudo certo”, afirmou o dirigente vascaíno. E acrescentou com ironia: “Queria entender essa técnica de marketing nova de vender o produto dizendo que é uma merda.”

O blog observou ao dirigente vascaíno que havia uma diferença entre o departamento de marketing e de jornalismo em uma empresa de comunicação. Eurico disse que não questionava a liberdade de imprensa, e que respeitava o direito de crítica.

“Você, por exemplo, não pode criticar a instituição Vasco que não entra no clube. Eu represento a instituição Vasco”, disse ele. O blog perguntou então se não tinha direito de critica-lo. “Você pode me criticar quanto quiser porque estou nisso há muito tempo e dou pouca importância. Só não pode me chamar de homossexual, ladrão ou corno. Porque aí vai ter problemas.”

Por fim, Eurico observou que entende que os resultados ruins de público do Estadual no final de semana (semifinais da Taça Rio) foram por conta da forma como foi conduzida a promoção dos jogos.

 


Luta vascaína é insuficiente para compensar erros de Eurico em 2015
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Quem assistiu aos últimos jogos do Vasco pôde acompanhar uma luta sem desistência, e mesmo alguma melhora na qualidade do jogo. Mas esse esforço foi insuficiente para compensar todos os erros cometidos pela diretoria do clube na temporada 2015. A principal parte da conta do rebaixamento vai para o presidente Eurico Miranda, e uma fatia fica para o antecessor Roberto Dinamite.

No início do ano, com sérias restrições orçamentárias pelos erros de Dinamite e do próprio Eurico, a diretoria montou um elenco modesto. Em um futebol carioca enfraquecido, e com arbitragens ruins, levou um título. E isso criou a impressão de que era o suficiente para um Brasileiro.

Lembre-se: Eurico falou em disputar o título. Confrontado com um início horrendo no Nacional, em que o time não ganhava de jeito nenhum, o dirigente seguiu se enganando e garantindo que não haveria queda. Com isso, demorou muito a reagir e reconhecer a insuficiência técnica de sua equipe para a competição.

Quando contratou atletas como Nenê, entre outros, conseguiu pelo menos criar um time competitivo dentro do Nacional. Mas daria tempo? A reação do time era positiva, com vitórias fora e uma arrancada de 28 pontos em 15 jogos.

Só que, na lanterna, o time vascaíno acumulava um prejuízo de pontos poucas vezes visto nos pontos corridos: só fez 13 no primeiro turno. Teria de fazer uma campanha igual a dos times que brigavam na ponta. Não havia qualidade para isso apesar da melhora.

Foi o que se viu neste domingo. Precisando de uma combinação de resultados, o Vasco lutou até o fim, teve o grito da sua torcida, mas não foi capaz de vencer o Coritiba e o gramado encharcado do Couto Pereira.

É verdade que houve um pênalti não marcado sobre Nenê. É verdade que Carlos Alberto poderia ter sido expulso no jogo entre Figueirense e Fluminense. Foram prejuízos para o Vasco.

Mas não se pode atribuir a isso o rebaixamento vascaíno. O que falta ao time de São Januário é o respeito de seus dirigentes à rica história do clube. Por isso os vascaínos enfrentam seu terceiro rebaixamento em uma década.

 


Após acusação de Eurico à Liga, Kalil rebate: ‘Só respondo a gente séria’
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Durante sessão da CPI do Futebol, o presidente do Vasco, Eurico Miranda, classificou a Liga Sul-Minas como a coisa mais “ilegal e imoral” que já viu no futebol. Ao seu lado, o presidente do Corinthians, Roberto de Andrade, concordou e disse que se negou a entrar no organismo.

O executivo da liga, Alexandre Kalil, rebateu a posição dos dois dirigentes: “Não comento isso. O futebol brasileiro está em outro estágio. Só respondo a gente séria. Tem que aprender que o futebol mudou. O Eurico vir falar para mim em imoral?  Você acha que tenho que responder uma acusação de imoral do Eurico?”, afirmou o dirigente.

A declaração de Eurico foi: “A CBF deveria matar [a Liga Sul-Minas-Rio] no nascedouro. Em 50 anos de gestão no futebol, nunca vi algo tão imoral e ilegalE afirmou que, se fosse chamado, não iria aceitar discutir a liga.

Roberto de Andrade disse que o Corinthians se recusou a participar da Liga após um convite feito. “Não falo com o Andres há muito tempo, e nem conheço a voz do atual presidente do Corinthians. Desde que estou aqui, não houve convite até porque não tenho essa autonomia. São os clubes que decidem”, disse Kalil.

Em entrevista anterior, o executivo da liga afirmara que daria a presidência do organismo para Andrés Sanchez se ele quisesse, mas o corintiano não topou.

Fato é que as duas declarações mostram que há um racha entre os clubes brasileiros, com os 12 times de primeira divisão da liga de um lado, e Corinthians, Botafogo e Vasco, do outro. Entre os paulistas, Palmeiras, São Paulo e Santos não se posicionaram, mas tendem a ficar com a FPF (Federação Paulista de Futebol), isto é, longe da liga.


Eurico se diz ‘tranquilo’ sobre briga contra Série B e Celso Roth
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Há dois meses, em reunião na CBF, o presidente do Vasco, Eurico Miranda, era bem enfático ao dizer que seu clube não cairia à Série B. Agora, a sete pontos da salvação, na mesma confederação, o dirigente tem poucas palavras, e não dá garantia como antes. Mas ainda se diz tranquilo sobre a situação.

Questionado sobre a chance de escapar do rebaixamento, o vascaíno respondeu: “Tranquilo”. Sobre a ameaça de demissão do técnico Celso Roth: “Tranquilo.”

Quando perguntado sobre a possibilidade de contratar Antônio Lopes para treinador, ele disse inicialmente que não responderia. Depois, afirmou que não havia “nenhuma chance”. E se foi.

O Vasco volta a jogar, nesta quarta-feira, contra o Santos, na Vila Belmiro. Resta saber se situação continuará tranquila após esse jogo.


Clubes revivem seus rachas ao retomarem poder sobre Brasileiro
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Ao prometer o poder sobre o Brasileiro aos clubes, após 12 anos, a CBF expôs o racha existente entre os cartolas dos times que inviabiliza qualquer movimento de união. Ressurgem discussões entre eles que já duram mais de 20 anos sobre pontos corridos e mata-mata, cotas de tv e ligas.

A confederação sempre teve o poder pelo seu estatuto de definir o formato do Nacional. Mas havia um Conselho Técnico dos times de primeira divisão que decidia, de fato, a fórmula até 2004. Então, o ex-presidente Ricardo Teixeira passou a ignorar os clubes e impôs a manutenção dos pontos corridos.

Mais de dez anos depois, as agremiações recuperam o direito anterior em meio à crise enfrentava pelo presidente da CBF, Marco Polo Del Nero. O presidente do Atlético-PR, Mário Celso Petraglia, sugeriu a criação da liga de times em reunião na confederação. A maioria dos dirigentes, no entanto, não viu clima para liga. “Foi muito superficial”, disse João Humberto Martorelli, do Sport. Petraglia saiu em silêncio.

Outra divisão é entre aqueles que defendem a volta do mata-mata, grupo que estava enfraquecido até agora, e os que querem a permanência dos pontos corridos. Grêmio e Vasco lideravam o movimento pela mudança de fórmula.

O presidente vascaíno, Eurico Miranda, ainda quis esticar a corda das funções do Conselho Técnico. Para ele, o encaminhamento natural é uma discussão de cotas de televisão dentro do grupo. “Não existe. É só nisso que eles pensam”, ironizou o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello.

Enquanto debatem esses temas, os clubes deixam para o futuro discussões sobre maior participação de fato das agremiações no poder da CBF. Será feita reforma ampla no estatuto, na quinta-fera, na qual só atuam federações. Hoje, as agremiações são minoritárias na eleição em relação às federações, e não participam da decisão sobre mudanças de estatuto.

“Acho que deveríamos ter maior participação. Vai acontecer no futuro”, disse esperançoso Modesto Roma Jr, do Santos. “Será uma evolução natural”, analisou Bandeira de Mello.

O secretário-geral da CBF, Walter Feldman, prometeu que a atuação clubes na entidade crescerá ainda mais com o tempo. Mas disse que nem a inclusão de clubes da Série B na eleição nem aumento do número de votantes foram discutidos.

A confederação já vinha falando em deixar os clubes definirem a fórmula do Brasileiro na atual gestão. Tomou a decisão em um momento em que seu presidente Del Nero é pressionado por investigações norte-americanas que levaram à prisão de seu vice José Maria Marin.


Com Eurico, Vasco se torna maior devedor da CBF: R$ 16 milhões
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No início de sua gestão, o presidente Eurico Miranda transformou o Vasco no maior devedor da CBF: um total de R$ 16 milhões. Os dados constam dos balanços financeiros dos clubes e da confederação. O aumento da dívida tem relação com empréstimo feito pelo clube no final do ano passado já sob sua presidência para pagar débitos fiscais.

A confederação tem como prática dar dinheiro a clubes com a cobrança de juros – principalmente no caso de times cariocas. Tanto que, nos últimos cinco anos, a dívida das agremiações praticamente dobrou, saltando de R$ 36 milhões para R$ 69,1 milhões ao final de 2014.

A entidade não gosta de detalhar os números, nem falar das negociações. O diretor financeiro da CBF, Rogério Caboclo, disse que não sabe especificar quanto cada clube deve. Mas esses números podem ser obtidos nos balanços deles.

Entre os cariocas, Fluminense, Flamengo e Botafogo reduziram suas dívidas com a confederação. O Botafogo, que tinha o maior passivo, teve uma queda de R$ 15,9 milhões para R$ 12 milhões ao final de 2014. No Flu, houve uma redução de cerca de R$ 1,7 milhão: ficou em R$ 11,2 milhões. E o Flamengo diminui quase pela metade o débito: está em R$ 6,8 milhões.

Enquanto isso, o Vasco teve um acréscimo de mais de R$ 5 milhões no total de sua dívida. Eurico negociou o empréstimo no final do ano passado. “Não tenho nenhum comentário sobre isso”, esquivou-se Caboclo ao ser questionado sobre o empréstimo. O blog procurou Eurico que não atendeu os telefonemas. A assessoria do clube informou que só ele poderia falar do assunto.

Mas a verdade é que a CBF foi generosa: o dinheiro terá de ser pago a longo prazo pelo balanço vascaíno. Do total do débito do clube, só R$ 1,2 milhão terá de ser quitado em 2014, sendo o restante de R$ 14,8 milhões nos anos seguintes.

Uma parte dessa dívida foi adquirida pelo ex-presidente Roberto Dinamite, que também tinha o costume de pegar empréstimo com a CBF. Chegou a levantar R$ 8 milhões para pagar a folha salarial, e tentou nova ajuda no final do ano passado. Adversários políticos, Dinamite e Eurico têm um ponto em comum: no aperto, recorrem à confederação.


Vasco quebra jejum no Estadual com a cara de Doriva, não de Eurico
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Não faltará quem atribua, seja entre vascaínos ou entre rivais, o título do Vasco à volta de Eurico Miranda. É um erro, no entanto, ignorar os méritos do técnico Doriva ao armar uma defesa consistente com limitados recursos que lhe foram dados. Talvez seja esse o principal mérito do time vascaíno neste título Estadual após 12 anos.

Ao assumir, Eurico só tinha recursos para montar um time barato com um técnico sem nome. E recorreu a Doriva, que tinha feito trabalho interessante com a conquista do título paulista pelo Ituano. Mostrou saber montar uma defesa.

E isso se repetiu no Vasco. Ao goleiro de bom nível que tinha, Martín Silva, juntou dois zagueiros Rodrigo e Luan que se encaixaram, protegidos pelos volantes Serginho e Guiñazu. Não havia muita qualidade ofensiva, mas ficou difícil fazer gol no Vasco. Foi apenas um em quatro jogos decisivos.

Não foi diferente na final quando o time soube conter o ímpeto inicial do Botafogo. Eram aqueles 15min que o time alvinegro consegue correr muito até perder o fôlego. E os vascaínos passaram a desenvolver seu toque de bola e dominar o rival.

Aí se revela o defeito deste time cruzmaltino: lhe faltam jogadores capazes de inventar, furar defesas. Para chegar ao seu gol, foi preciso recorrer à força da marcação. Gilberto pressionou Marcelo Mattos, e Guiñazu serviu Rafael Silva para fazer seu segundo gol decisivo.

A tarefa do Botafogo para o segundo tempo era duríssima: fazer dois gols nesta bem montada defesa. Com substituições, o time de General Severiano tentou imprimir velocidade, e até mostrou mais fôlego do que em partidas anteriores. E empatou com Diego Jardel em jogada no meio da defesa vascaína, um fato raro. Só que Gilberto, o melhor atacante do time carioca, confirmou a taça.

Haverá questionamentos sobre os oito pênaltis marcados em favor do Vasco no Estadual. Mas, se não houvesse um time bem armado, com méritos defensivos apesar de suas limitações, não adianta ter penalidades a favor que a taça não será obtida.

Na arquibancada vascaína, o que se via era uma frase “o respeito voltou” em alusão ao que repete Eurico Miranda. Muito mais justa foi a homenagem dos torcedores ao gritar o nome de Doriva após a conquista confirmada.