Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Liga dos Campeões

Superou Super Bowl: por que a final da Champions é o maior jogo do ano
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Por uma tradição europeia, a final da Liga dos Campeões é disputada em um jogo único. O crescimento da competição em interesse global elevou a evento esportivo mais valioso do ano, superando até o Super Bowl (a final do futebol norte-americano). Sua audiência é maior e mais global, e os valores envolvidos na decisão entre Real Madrid e Juventus, em Cardiff, se aproxima de R$ 300 milhões.

Não foi um caminho fácil. Quando a Liga dos Campeões foi formada, em 1992, seus direitos comerciais inteiros valiam € 8 milhões. Nesta temporada, consideradas as três competições de clubes europeias, a Uefa vai arrecadar € 2,4 bilhões.

Há vários elementos envolvidos nesta evolução da Champions, como organização, uma cara fixa e promoção da competição, atração de jogadores de alto nível à Europa. E o jogo único ajudou a atrair todas as atenções do mundo para o campeonato.

No ano passado, a final da Liga foi assistida por 160 milhões de pessoas, acima dos 145 milhões do Super Bowl. Os números são da Uefa, mas outros indicadores pelo mundo confirmam que o jogo de futebol superou o esporte dos EUA (ainda que exista variações nos índices).

Também há uma maior abrangência da Liga dos Campeões que vai para 200 países, enquanto a decisão do futebol americano fica em 180. E a maior parte da audiência do evento norte-americano é concentrado no próprio país.

Em palestra na CBF em maio, a chefe de operações comerciais da Uefa, Catalina Navarro, ressaltou essa característica: “Foi o evento mais assistido, passando o Super Bowl. É um evento de nível global, não somente de interesse europeu.”

Por conta disso, os valores financeiros envolvidos na final têm crescido. Só em premiações para os dois times pela participação na final são € 26,5 milhões, isto é, R$ 60,3 milhões. O campeão fica com € 15,5 milhões, e o restante é do vice.

Fontes do mercado avaliam que os direitos de televisão apenas desse jogo valem US$ 15 milhões, o que representa quase R$ 50 milhões. Há ainda valores indiretos envolvidos como os patrocínios que são para toda a competição, e comerciais pelo mundo inteiro para as redes de televisão, impossíveis de mensurar.

Como ocorre com o Super Bowl, há atualmente uma concorrência para sediar a final da Liga dos Campeões. A cidade de Cardiff estima uma arrecadação de 40 milhões de libras (R$ 170 milhões) por ser a sede do jogo. Esse tipo de mediação, claro, é impreciso. Mas a previsão é de 170 mil turistas, mais do que o dobro da capacidade do estádio de Cardiff.

Certo é que a cidade de Gales se tornará o centro do mundo por duas horas, uma capacidade que antes só a Copa do Mundo e a Olimpíada tinham de produzir. A Liga dos Campeões atrai menos atenção global do que esses dois eventos. Mas seu crescimento exponencial parece não parece ter limites.


Atrasada, CBF trabalha por mais público no Brasileiro, mas investe pouco
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Ao organizar um seminário para evolução do futebol do país, a CBF trouxe conhecimento para o país e expôs o atraso do país em relação aos europeus na organização do Brasileiro, seja da confederação seja dos clubes. Há um projeto em curso para melhoria do campeonato, mas este conta com investimento baixo para o tamanho da competição. A confederação, no entanto, espera uma retomada do crescimento do público do Nacional em 2017 – houve queda em 2016.

Durante os seminários, os diretores da UEFA Catalina Navarro e do Middlesbrough, Mark Ellis, expuseram como se deu a organização do futebol europeu nos últimos 25 anos. Estádios mais modernos e com serviços ao espectador, operações de jogo planejadas com metodologia e antecedência e erradicação da violência foram medidas adotadas na Liga dos Campeões e Premier League.

Além do sucesso comercial, as duas competições atingiram médias de público acima de 40 mil. O Brasileiro da Série A ficou em torno de 15 mil em 2016. Levantamento da UEFA aponta a liga brasileira como o 36o campeonato em média de público entre todos os esportivos o mundo, atrás de toda elite europeia e até da Segunda Divisão na Inglaterra.

Diretor de competições da CBF, Manoel Flores reconhece o atraso na organização, mas pede tempo para avançar.  “Eles (europeus) começaram em 1992. Começamos em 2014. Temos pressa e vamos chegar lá”. Ele conta com seu projeto de criar procedimentos padrões no Brasileiro, dentro e fora de campo.

Mas, em 2016, a CBF registrou um investimento de R$ 3,8 milhões no Brasileiro da Série A, um campeonato que gera mais de R$ 1 bilhão em receita de televisão. “Indiretamente é muito mais (o investimento). Temos a operação completa da Série A. Não é complexa como a deles”, defendeu-se Flores.

Ele afirmou que, se for questão de investimento a CBF, põe dinheiro. Mas até agora a entidade resiste a implantação do árbitro de vídeo por causa dos custos envolvidos. A UEFA tem equipes permanentes em estádios de clubes para planejar os dias de jogos, a da CBF é reduzida e hoje só trata de questões do campo.

Em seu projeto, a CBF prioriza primeiro a melhoria do campo de jogo. Primeiro, tirou pessoas do campo para limpa-los e criou um visual do Brasileiro. Agora, trabalha na qualidade do gramado.  “Eles (europeus) estão em um nível muito avançado. Estamos focados no campo de jogo que é gramado perfeito. Como chega? No máximo até o ano que vem. A gente vai ser muito mais incisivo no ano que vem”, contou Flores.

A parte de estrutura -estádios, finanças e parte esportiva do clube – será analisada pelo sistema de licenciamento da CBF. Sua base já foi divulgada, mas ainda faltam regras específicas para cada item. “Critérios de infraestrutra vão ser detalhados. A princípio, vai valer para 2018.” Teoricamente, poderia rebaixar times, mas dependerá do rigor da CBF.

Essas medidas devem impactar na média de público do Brasileiro aos poucos, segundo Flores. De acordo com ele, a média vem crescendo ano a ano. Na verdade, ela caiu em 2016 com a ausência do Maracanã e ficou em torno de 15 mil contra 17 mil de 2015. De fato, os clubes do Rio não puderam usar seu principal estádio.

“De 2010 a 2015, não falo do ano passado por que não teve Maracanã, de 2010 a 2015 o gráfico é crescente. Estava em 10, 11 mil e saltou para 17 mil. Era uma consequência do trabalho sendo feito pelos clubes também de tratar bem”, analisou Flores.

Seu recorte a partir de 2010 ignora que, em 2009, o Brasileiro teve média acima de 17 mil e melhor do que a de 2015. Isso deve-se também ao título do Flamengo.

“Vamos ver como se porta esse ano (o público). Pela pesquisa que fizemos, a questão de segurança sim, o nível de serviço, a atratividade do jogo. A CBF está fazendo isso. E está fazendo o que pode ser feito. Demora um tempo mais largo. Tudo isso é identificado. A média de público é a medida correta do sucesso”, contou. E exaltou os horários diferentes de jogos que, de fato, tiveram boa aceitação do público principalmente o de 11 horas da manhã de domingo.

O diretor da CBF diz ter pressa para evolução do Brasileiro, e promete que não vai se esperar 25 anos como ocorreu na Liga dos Campeões para chegar ao nível de excelência. Resta saber quanto a confederação está disposta a usar de seus cofres visto que investe menos de 1% de sua renda total no Nacional, e não resiste em liberar para que os clubes se organizem em liga. Há de se fazer uma ressalva de que esse investimento também tem que vir dos clubes que podem melhorar serviços ao público, times e segurança.


TVs se preparam para disputa por Champions e Libertadores no 2º semestre
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As emissoras de televisão já se preparam para uma possível coincidência de disputas de direitos de televisão por Libertadores e a Liga dos Campeões no segundo semestre deste ano. A concorrência da competição da europeia já é certa, enquanto a da sul-americana deveria ocorrer na mesma época, embora a Conmebol não a tenha confirmado.

A Liga dos Campeões foi adquirida pelo Esporte Interativo em outubro de 2014 em concorrência com outras emissoras de TVs fechadas. O contrato é de três anos e irá até o meio do próximo ano (temporada 2018/2019). A nova concorrência está prevista para o segundo semestre deste ano, ainda sem data certa.

Entre os concorrentes, é certo a presença do próprio Esporte Interativo, além de provavelmente a ESPN e o Sportv. Não se sabe se a Fox Sports entrará nesta disputa.

O último contrato foi obtido com um pagamento superior a US$ 100 milhões por três anos. Houve uma concorrência de envelope fechado, o que se repetirá agora em 2017.

No caso da Libertadores, o cenário ainda é incerto. Mas a Conmebol já informou às emissoras que vai contratar uma empresa para montar uma concorrência para o contrato a partir de 2019. A expectativa é portanto que até o segundo semestre o modelo desse leilão esteja pronto e seja colocado em prática. Até porque as emissoras entendem que, depois disso, fica bem em cima do final do contrato.

A questão é que alguns executivos de televisões ainda se mostram descrentes sobre a intenção da Conmebol de executar a concorrência. A confederação sul-americana nunca executou uma disputa aberta, sempre vendendo os direitos de forma obscura. Por isso, foram constatados pagamentos de propina a dirigentes em contratos da entidade, em investigação feita pelo Departamento de Justiça dos EUA no “caso Fifa”.

Membros da cúpula da Conmebol dizem que já foi decidido que a concorrência ocorrerá por país, sem necessariamente haver divisão por plataforma. A participação de emissoras na disputa vai depender do modelo e da confiabilidade que a confederação sul-americana der ao processo. É certo que a Fox Sports e provavelmente a Sportv vão participar. Esporte Interativo e ESPN vão depender da concorrência.


Libertadores terá sorteio para oitavas de final como na Liga dos Campeões
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Em sua reforma da competição, a Conmebol fará um sorteio para definir os confrontos das oitavas de final da Libertadores em vez de estabelecer os cruzamentos por posição. A informação é de um dos dirigentes que esteve presente na reunião da confederação sul-americana para definir as mudanças no torneio.

A reforma do campeonato foi baseada na consultoria Mckinsey que estabeleceu modificações para aumentar as receitas. Basicamente, foi copiado o modelo da Liga dos Campeões, já que a consultoria também trabalha para a UEFA.

E, dentre as premissas da liga, está a de evitar um confrontos entre os grandes times do continente logo de cara nas eliminatórias. Na Europa, o objetivo é evitar jogos entre Barcelona e Real Madrid ainda nas oitavas de final, por exemplo. Na América do Sul, haverá a mesma intenção: evitar um cruzamento entre um São Paulo e Corinthians logo de cara. E o sorteio costuma minimizar esse risco, segundo a consultoria.

Atualmente, os confrontos das oitavas-de-final são estabelecidos com o 1o pegando o 16o lugar, e assim por diante. Com isso, já houve confrontos entre Boca Juniors e River Plate, Flamengo e Corinthians, todos nesta primeira fase de mata-mata.

Entre as mudanças da Libertadores, está o aumento de 38 para 44 times. Com isso, o Brasil ganhou mais duas vagas na pré-Libertadores. Pelo relatório da consultoria, o país deveria ganhar ainda outra vaga extra, totalizando três. O objetivo é econômico de aumentar os ganhos da competição.

Mas houve uma resistência de outras confederações que entenderam ser excessivo que o país ficasse com oito postos na principal competição sul-americana. Por isso, foram duas vagas, dando uma para cada um dos outros países.


Brasileiro vira campeonato com mais times em ligas continentais no mundo
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Ao dar duas vagas extras para o país na Libertadores, a Conmebol tornou o Brasileiro o campeonato que mais classifica times para ligas continentais no mundo. Nenhuma das cinco competições de continentes pelo planeta dá sequer um número próximo às sete vagas brasileiras concedidas pela confederação sul-americana.

A Conmebol decidiu inchar a Libertadores para 44 times, incluindo os 28 classificados para a fase de grupos e outros 16 na prévia à competição. Com isso, o Brasil ficou com sete vagas por razões comerciais, enquanto a Argentina ficou com seis. Antes, cada um tinha cinco times. A entidade alegou que houve motivos comerciais e tamanho de população.

Um levantamento do blog mostra que a situação é inédita nas outras cinco ligas. Na Europa, são no máximo quatro times por país, número que chega a cinco se o país tiver o campeão. É o caso da Espanha neste ano com cinco equipes – outros com quatro vagas são Alemanha e Inglaterra. Ficam com quatro vagas os países que atingem o maior coeficiente técnico da UEFA, misto de desempenho das agremiações e das seleções.

Outro exemplo é a Liga dos Campeões da Ásia, talvez a segunda mais organizada do mundo. Seu critério é técnico: desempenhos das seleções representam 30% do ranking de países, e os de clubes, 70%. Assim, cada um dos países mais representativos -Japão, Coréia do Sul, China, Arábia Saudita e Irã – fica com quatro vagas, sendo uma na fase prévia. São 32 equipes na fase de grupos.

A Liga dos Campeões da Concacaf é um pouco menor, com 24 times. Mas também há o respeito do limite de quatro times para os dois principais países, México e EUA. Há uma fase prévia para classificação dos países do Caribe.

Na África, a liga dos campeões do continente tem 58 times em um formato bem diferente das mais tradicionais. Há um grupo de países mais representativos, como Egito, África do Sul, Tunísia e Marrocos, que classificam dois times. A maioria das nações só tem uma vaga na competição.

Por fim, na Oceania, há a menor das competições: são apenas 12 times. A Nova Zelândia e a Nova Caledônia classificam dois times para o campeonato – a Austrália faz parte da confederação asiática.

No total, o Brasileiro dará 13 vagas para a Libertadores e Liga Sul-Americana. Para efeito de comparação, a Espanha tem sete na Europa se não tiver o campeão.

 


Por que a reforma da Libertadores copia o modelo da Liga dos Campeões
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Com Pedro Ivo Almeida

A reforma da Libertadores tem uma série de medidas que se inspiram abertamente na Liga dos Campeões. Não é à toa. Seu principal objetivo é aumentar as receitas dos clubes por meio da valorização da competição, buscando justamente o processo ocorrido na Europa anos atrás.

O pacote de mudanças inclui a transformação da competição em anual, o aumento do número de participantes, padronizações para procedimentos de jogo e estádios e possivelmente uma final única. Essas alterações terão de ser aprovadas pelo Conselho Executivo da Conmebol, em reunião no domingo. A maioria deve passar porque os países já deram aval a elas.

Primeiro, vamos explicar como se deram as reformas. No final de 2015 e início de 2016, clubes de todo o continente, liderados por argentinos e uruguaios, criaram um grupo para exigir transparência da Conmebol sobre contratos da Libertadores. Afinal, três presidentes da entidade foram presos justamente por levar propinas para ceder esses direitos a televisões e empresas.

Times brasileiros ainda se reuniram em separado com a cúpula da Conmebol e pediram mudanças para tornar a competição mais atrativa e rentável, já que hoje dá menos dinheiro que alguns Estaduais.

Pressionado, o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, além de reajustar os prêmios, contratou a consultoria Mckinsey para realizar um estudo para aumentar receitas da Libertadores. O documento basicamente recomendou que se seguisse o modelo da Liga dos Campeões em vários aspectos, dizem fontes que tiveram acesso a ele.

No twitter, Dominguez afirmou que a emoção do futebol sul-americano era única e negou a cópia: “Calendário anual busca superar desafios do futebol sul-americano e melhorar a qualidade, não imitar.” Só que há muitos pontos em comum da nova Libertadores com a Liga dos Campeões. Vejam eles:

– Competição de fevereiro a novembro, anual e terminando no último mês da temporada.

– Final em jogo único – Está em discussão e divide opiniões na Conmebol. Mas, se acontecer, será em um sábado no final de novembro, exatamente como a Liga dos Campeões em maio.

– Aumento do número de clubes – Já está aprovado o incremento de 38 para 42 times, ainda a definir as vagas. A Liga dos Campeões tem três fases eliminatórias antes da de grupos e foi inflada pelo ex-presidente da UEFA Michel Platini que deu chance a países menores. Na América do Sul, com poucos países, o Brasil deve ser contemplado e ter seis vagas. Isso é uma diferença entre os dois modelos.

– Eliminados da Libertadores entram na Copa Sul-Americana – Essa mudança, já decidida, cria uma relação igual a da Liga dos Campeões e a Liga Europa. Os times eliminados do principal torneio europeu que ficam em terceiro no grupo têm direito a entrar na segunda competição em importância.

– Padronização de gramados e estádios – A Conmebol deseja instituir uma fiscalização para, aos poucos, melhorar e padronizar os estádios e gramados usados na Libertadores, como ocorreu na Europa.

– Procedimentos do dia de jogo – A UEFA tem uma série de medidas padrão para seus dias de jogo da liga: horário rígido, chegada de delegações, entrada de times juntos, estádios limpos de publicidade. Há a intenção da Conmebol de adotar um protocolo na Libertadores, alguns itens de publicidade já estão em vigor.


Futebol não é justo: o destino escolheu Ronaldo para decidir a Liga
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Nas mãos de Simeone, o Atletico de Madrid encontrou uma forma de lutar de igual para igual contra times superiores tecnicamente, mais ricos, como Real Madrid, Barcelona, e Bayern de Munique. Desclassificou dois deles, igualou o jogo na final, e se esforçou mais do que o rival. E perdeu em um pênalti na trave.

Do outro lado, Cristiano Ronaldo foi um jogador excepcional, de novo, em toda a Liga dos Campeões. Mais uma vez, chegou baleado à final e praticamente não jogou. A ponto de deixar sobrecarregado Bale que puxou os ataques só. O erro de Juanfran na cobrança de pênalti lhe deu, no entanto, a bola do jogo. O destino, o acaso, deu a ele o chute final do título.

Futebol não tem nada a ver com justiça. Sim, é preciso ter méritos para montar um time que seja campeão da mais importante competições de clubes atual. Mas há momentos em que o acaso toma o lugar da lógica para decidir a partida.

Verdade que nesta final poderia ter ganho qualquer um dos dois times tal o equilíbrio. De início, o Real era dominante com seu meio de campo formado por Kroos, Modric e Casemiro. Sim, Casemiro foi, neste sábado, talvez o maior jogador do Real. No meio de gigantes, corrigiu erros do time, acertou quase tudo.

O gol saiu de forma ilegal com Sergio Ramos, aquele que sempre faz gols decisivos e completou um cruzamento de Kroos com desvio de Bale.

E o Atletico teria de sair do seu formato habitual de aproveitar o contra-ataque. Soube se adaptar. Iniciado o segundo tempo, o time de Simeone era superior e criou três chances em 15min, jogando à frente, pressionando o rival. Chegou a perder um pênalti mal marcado nos pés de Griezman.

Até que chegou ao gol com o toque de Carrasco no cruzamento de Juanfran. Uma cena épica em que ele foi beijar sua namorada ao lado do campo. E a torcida do Atletico cantava, assim como seus jogadores corriam mais do que os rivais. A maré parecia ter virado.

O jogo foi para a prorrogação igual, com o Real tentando superar suas limitações físicas. E assim chegou ao final dos 120 minutos para ser decidido nas penalidades, com jogadores cansados, com cãibras.

As cobranças foram bem executadas, inclusive a de Griezman. Menos a última do Atletico, a de Juanfran. E aí chegou a vez de Ronaldo, aquele que quase não falha. Seu chute final transformou Zidane, um técnico estreante, em campeão na sua primeira liga enquanto Simeone perde pela segunda vez após três anos de trabalho.

O Real Madrid ganhou pela 11a vez porque é um time, com méritos e escolhido pelo destino. O futebol é um resumo da vida, onde, às vezes, não interessa quanto você acerte: um só erro pode decidir tudo.


Qual a cara do Brasil na Liga dos Campeões: Neymar ou David Luiz?
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Quando se chega às fases finais da Liga dos Campeões, é comum se organizar listas de nacionalidades de jogadores: o Brasil figura sempre entre os primeiros, ou no topo da relação. Isso vira argumento para mostrar que a formação de atletas continua forte no país. A questão é quem são esses atletas brasileiros que atuam nos principais times europeus?

Essa pergunta volta a ser relevante depois das quartas-de-final entre Barcelona e PSG em que, de um lado, Neymar brilhou, fez gol, e ajudou o Barcelona a se aproximar da classificação. Do outro, David Luiz tomou dois ovinhos (caneta, como preferirem) de Suárez em dois gols do time espanhol. É entre a imagem dos dois que o futebol brasileiro pende no principal palco de clubes.

O zagueiro ficou marcado como a cara da derrota dos 7 a 1 para a Alemanha. Falhou muito, foi estabanado, e perdeu a compostura com o placar humilhante. E Neymar era o que o Brasil sonhava ser, mas não estava em campo por contusão.

O atacante do Barcelona é também uma exceção: o único brasileiro que, de fato, é uma estrela em seu time entre os grandes europeus. Há bons coadjuvantes, ressalte-se, como Thiago Silva (contundido nesta quarta), William, Oscar, Marcelo etc.

Mas a verdade é que, ainda que tenha quantidade na liga, o Brasil está longe da qualidade de outros tempos quando havia dois ou três jogadores de primeira grandeza no futebol europeu, como Rivaldo, Romário, Ronaldo, etc. Pense nos últimos campeões da Liga dos Campeões: qual teve um brasileiro como principal destaque? Quando um brasileiro foi eleito melhor do mundo pela última vez?

Então, de uma certa forma, o futebol nacional na Liga dos Campeões é muito mais David Luiz do que Neymar. Toma mais canetas do que dá. É por isso que a cara atônita do zagueiro na tv depois de levar o primeiro drible de Suárez nos faz lembrar tanto dos 7 a 1 quando ele tinha a mesma expressão. E a boa fase da seleção de Dunga, invicta, ainda não foi capaz de apagar essa imagem que segue nos assombrando.


Pré-temporada do Brasil continua bem menor do que na elite do futebol
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A CBF anunciou com estardalhaço a existência de uma pré-temporada de um mês em 2015 como medida tomada para melhorar o calendário. Só que o período antes do início dos campeonatos no Brasil será bem menor do que o de qualquer dos países da elite do futebol mundial. É o que mostra um levantamento do blog.

A partir de terça-feira, inicia-se oficialmente a pré-temporada de 25 dias para os clubes brasileiros, embora certos times tenham apresentação na segunda-feira. O período se encerra em 31 de janeiro, pois no dia seguinte começam os Estaduais. No total, somadas as férias, serão 55 dias sem partidas desde o final do Brasileiro.

As cinco principais ligas europeias, Alemanha, Itália, Inglaterra, França e Espanha, têm períodos que são o dobro ou praticamente isso antes do início dos campeonatos. Em relação à última temporada, variam entre 45 a 60 dias de pré-temporada. O total da época sem jogos chega a 90 dias em alguns casos.

Foi considerado como ponto de encerramento na Europa a final da Liga dos Campeões, já que a UEFA proíbe campeonatos nacionais depois disso. Sua realização ocorre no final de maio. Para efeito do reinício, foi levado em conta a primeira partida oficial em fase que envolveu os times grandes em cada país.

Assim, o período de pré-temporada de cada país em 2014 foi: Inglaterra (53), Alemanha (52), França (45), Espanha (60) e Itália (67). Claro, há partidas antes disso de eliminatórias das copas nacionais e da própria Liga dos Campeões, que realiza jogos em julho. Mas não há times de elite nessas fases.

Grandes na fase inicial, Napoli e Porto, por exemplo, só entraram na competição em agosto. Na América do Sul, o Corinthians deve estrear na pré-Libertadores antes do início dos Estaduais.

Com uma pré-temporada muito maior, os clubes europeus conseguem programar períodos longos de preparação física para atingir nível mais alto nos inícios dos campeonatos. Além disso, ainda podem realizar excursões e amistosos pela Asia e outros continentes para expandir seu público.

Depois, quando a temporada se inicia, o Brasil ainda tem um número bem mais elevado de jogos do que a Europa por conta dos Estaduais que continuarão a ter 19 datas. São quatro meses perdidos para competições de pouca relevância esportiva.


‘Vamos transmitir todos os 146 jogos’, diz novo dono da Liga dos Campeões
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Edgar Diniz, presidente do canal Esporte Interativo, que comprou a Liga dos Campeões

Edgar Diniz, presidente do canal Esporte Interativo, que comprou os direitos de TV fechada da Liga dos Campeões

O final de outubro teve uma surpresa para o telespectador de esporte: o canal Esporte Interativo ganhou a concorrência da UEFA para os direitos de TV Paga da Liga dos Campeões, batendo uma proposta conjunta de ESPN e do SporTV. A emissora já possuía um jogo por semana na TV Aberta, que ficou apenas com a Globo. Mas, ao vencer o leilão, passou a ter direitos sobre todos as partidas em em transmissões fechadas.

A informação de mercado é de que o valor pago chegará a US$ 135 milhões por três anos. A diretoria do canal não fala sobre valores, cobertos por sigilo contratual. Nos bastidores, há a informação de que o montante seria menor. Fato é que a disputa foi acirrada porque a audiência da Liga dos Campeões explodiu em dez anos, multiplicada por três.

E o presidente da empresa, Edgar Diniz, exaltou: “Quem quiser os maiores craques do mundo até a Copa só vai ter um lugar: o Esporte Interativo.”  Refere-se à exclusividade em TV fechada, já que a Globo ficou com a TV Aberta.

Em entrevista ao blog, ele explica como esse é seu trunfo para negociar a entrada do canal na NET e na Sky, como vai aumentar a equipe para transmissões, sua opinião sobre a distância do futebol europeu e o brasileiro, e a explosão dos preços dos direitos de competições esportivas.

O que muda para o canal sair da TV Aberta para a fechada na Liga dos Campeões?

Edgar Diniz – É uma mudança de patamar importante. Tínhamos um jogo por rodada e agora teremos a missão de sermos os donos exclusivos da tv paga, e ser referência da liga no Brasil. É outro peso e responsabilidade. Temos visão para elevar a outro patamar. Vamos transmitir todos os jogos, oito simultâneos, com narração e comentário em português. A gente vai fazer as transmissões em tv a cabo. O que não tiver na tv linear estará na internet para quem tem o Esporte Interativo.

O quanto se expande a escala da sua operação?

Edgar Diniz – É uma mudança de escala. Isso faz a gente investir em vários aspectos. Todos os jogos serão transmitidos em HD. Vamos ter que fazer um investimento em estrutura e equipe. Será um desafio. E teremos a transmissão Copa do Nordeste em fevereiro. A gente cresce mais de 50% nos investimentos do canal (em estrutura).

Mudou a estrutura acionista do canal?

Edgar Diniz- Os donos do canal continuam os mesmos. A Turner continua a ser acionista, e somos majoritários.

Como estão as negociação para entrar na NET e Sky com um canal exclusivo? Há possibilidade de transmitir jogos nos canais da Turner que já estão na grade como Space e TNT?

Edgar Diniz- A gente tem conversas que já acontecem, mas não podemos entrar em detalhes. A gente criará valor para as operadoras, criando valor para os assinantes. Elas (operadoras) são intermediárias. As operadoras querem entregar o melhor conteúdo aos seus assinantes. Temos a Liga dos Campeões e outros esportes, e as operadoras vão querer prover o conteúdo ao assinante. Quem quiser os maiores craques do mundo até a Copa só vai ter um lugar: o Esporte Interativo. É lá que estão Cristiano Ronaldo, Messi, Neymar, David Luiz, e os outros brasileiros. A ideia é ter um canal de esporte exclusivo para transmissão (na grade da NET e Sky): o Esporte Interativo.

Quanto a Liga dos Campeões cresceu desde que vocês transmitiram em 2004?

Edgar Diniz- Desde 2009 foi um crescimento espetacular. Nossa experiência começou em 2004 quando tivemos os direitos e lançamos a marca na Rede TV e depois Band. A Liga dos Campeões cresceu demais. Consolidou-se como o maior campeonato do mundo. Todos os craques disputam a Liga. O melhor jogador do mundo sempre foi um jogador que disputou a Liga dos Campeões, e nunca deixou de disputar desde sua criação. No Brasil, houve um movimento importante: a evasão dos grandes craques de 80 e 90. Cada vez foram mais jovens para Europa. Isso fez a conexão com os ídolos, Ronaldo, Ronaldinho, Kaká. Os brasileiros começaram a torcer para os times estrangeiros. Houve explosão de venda de camisas de times estrangeiros no Brasil. Ainda houve os videogames, onde a molecada quer jogar com Messi e Ronaldo. Só querem usar esses times estrangeiros no videogame. Assim, cresceram as marcas desses times, e as torcidas desses times. Houve um crescimento de 60% de audiência nestes últimos anos. E foi três vezes mais em relação a 2004.

Você entende que esse crescimento é fruto do enfraquecimento do futebol brasileiro?

Edgar Diniz- É muito mais fortalecimento do futebol europeu como grande centro do futebol. É polêmico esse tema. Não é só em relação ao futebol brasileiro. É também com a Argentina, Uruguai, e a América Latina inteira, a África, mesmo da Europa. O futebol dos países dos grandes centros virou um grande negócio, os grandes times estão na Europa. Estão gerando cada vez mais receita, o que ajudou a reforçar esse movimento de saída de jogadores jovens. É impossível qualquer time de qualquer mercado disputar os grandes craques com os europeus. O futebol brasileiro poderia gerir o futebol melhor? Poderia. Mas é enorme o destaque da Liga dos Campeões, como a melhor e mais bem gerida marca do mundo. Tudo funciona: a criação de marca, hino da competição… Jogadores comentam que é muito diferente de qualquer outra competição.

Mas você vê o futebol brasileiro em decadência? Preocupa-se com o enfraquecimento do produto nacional?

Edgar Diniz – É importante separar dois aspectos, seleção e Brasileiro. Me preocupa que os campeonatos do Brasil tenham se enfraquecido. Gostaria de ter craques. É um mercado que tem um tamanho que pode se desenvolver, e segurar jogadores por mais tempo. Não adianta negar. Vejo alguns dizerem que o Brasileiro é uma das lidas mais fortes. Não é. A qualidade é incomparável com os campeonatos europeus, e principalmente com a Liga dos Campeões. Sou Flamengo e gostaria que meu time tivesse craques, e os rivais também. Gostaria que o futebol brasileiro se fortalecesse.

Vocês têm intenção de expandir sua atuação em compras de direitos no mercado nacional?

Edgar Diniz – Agora estamos concentrados: nosso foco é fazer a melhor cobertura da Liga dos Campeões. Não encaramos como moeda de troca. É a grandeza (da Liga dos Campeões) que nos ajuda a nos consolidar como canal muito importante no Brasil. Temos a Copa do Nordeste que é muito bem sucedida. O maior público do ano no Brasil foi a final entre Ceará e Sport. Neste aspecto, estamos fazendo um trabalho muito parecido com o que se faz lá fora. Criamos uma bola, sorteio de chaves (para a Copa do Nordeste). A gente criou junto com a CBF a Copa Verde, incluiu Norte e Centro-oeste. Com elas, pode-se ajudar a ter jogo no futebol brasileiro o ano inteiro. Temos os direitos de marketing, e por isso promovemos a competição.

Os direitos de transmissão da Liga dos Campeões são para todos os jogos. Vão transmitir todos?

Edgar Diniz – Todos os jogos da competição, 146. Tudo a partir da fase de grupos, vamos fazer. A gente vai usar alguns da fase eliminatória.

Mudará o pacote para assinantes atual do Esporte Interativo?

Edgar Diniz – Isso ainda está sendo decidido: formato e preço, que pode evoluir. Estamos olhando. Não podemos divulgar ainda.

Com o Esporte Interativo, são quatro canais pagos de esporte no Brasil (Espn, Fox Sports e Sportv). Você entende que há espaço para tantos canais na TV paga brasileira?

Edgar Diniz – Acho que tem espaço para quatro canais. O mercado cresceu muito nos últimos anos. O esporte é o conteúdo mais importante na tv paga. Criamos um mercado no Nordeste. Estamos criando conteúdos que não existiam. Neste caso, é uma região que está crescendo mais do que o mercado brasileiro. Ainda está crescendo esse mercado. Existe um olhar (das TVs pagas) para tentar repetir o que outros estão fazendo e tirar conteúdo. Mas temos o exemplo do Nordeste atraente que não é levado para TV Paga. A nossa cultura é voltada para Sudeste e Sul. E o Brasil vai além disso. Quando compramos o Mundial de Handebol foi um sucesso absurdo. Foi tão bem sucedido que houve um movimento grande para assistir à final de handebol de quem não conseguia ver o Esporte Interativo. Depois, o SporTV comprou os direitos. Perdemos os direitos, mas, antes de transmitirmos, ninguém achava atraente. Se todo mundo olhar o que o outro está fazendo vai acontecer o funil que você falou. Se olhar para eventos que não são transmitidos, pode aumentar.

Qual seu investimento em direitos de esportes olímpicos?

Edgar Diniz – A gente tem competições do judô, Grand Prix e Grand Slam, e do Taekwondo. Temos as melhores competições desses esportes. Olhamos outras oportunidades. Fazemos uma cobertura de esporte olímpica constante. Não cobrimos apenas na Olimpíada.

O mercado de direitos de futebol brasileiro não está inchado demais? Subiu muito acima da inflação seus valores?

Edgard Diniz – Está subindo acima da inflação. Não é um fenômeno brasileiro. A TV Paga tem maior dependência de eventos ao vivo agora. Todos os outros conteúdos deveriam ser sob demanda, não faz sentido que sejam oferecidos em canais lineares. E, antes, a indústria de tv paga foi baseada em canais lineares. O grande motivo para assistir canal linear agora são eventos ao vivo. É o esporte é o gênero de televisão que continua a ter ao vivo. O valor dos direitos de eventos esportivos está explodindo, nos EUA, na Europa, na Ásia. Cresce e se expande. É do meu interesse que não continue subindo dessas formas porque aumenta os custos para o canal. Mas, sendo bem honestos, acho que vão continuar subindo.