Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : manipulação de resultados

Com suspeita de manipulação, Copinha tem patrocínio de empresa de apostas
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Atingida por denúncia de tentativa de manipulação de resultado, a Copa São Paulo de Junior tem patrocínio de uma empresa que mantém um site de apostas. O site “BET90.Com” usa a marca da Copinha e permite apostas em jogos da competição, enquanto o “BET90.TV” aparece em placas da entidade.

Há dúvidas sobre a regularidade desse tipo de propaganda por conta da regulação do CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária). A Federação Paulista de Futebol (FPF) alegou que segue a legislação brasileira.

Esse tipo de aposta em jogos no Brasil é ilegal, previsto como contravenção penal. Mas sites de apostas costumam anunciar no país com outras empresas ligadas que são apenas de palpites e remetem às páginas com possibilidade de jogar a dinheiro.

É o caso do patrocinador da Copinha “BET90.TV”. Seu site é apenas de prognósticos esportivos, mas tem um ícone para um site de apostas esportivas chamado “BET90.com”. Esse oferece bônus de R$ 400 para quem se inscrever no “Pacote Copinha”. Há vários jogos da competição disponíveis para apostas neste domínio que não é brasileiro, e portanto, não está submetido à legislação nacional.

“É proibido (o jogo e fazer propaganda), mas eles usam uma versão diferente do mesmo patrocinador. O CONAR tem restrições a propaganda de apostas, mas sites usam um subterfúgio de ter a propaganda de site de palpites. A legislação brasileira não fala nada sobre isso: tapa o sol com a peneira”, contou o especialista em direito esportivo da FGV, Pedro Trengrouse, que defende a legalização das apostas com pagamento de impostos.

Em uma decisão de abril de 2013, o CONAR vetou propagandas da empresa BET365, justamente no mesmo modelo da “BET90”. A empresa informava que só fazia propaganda de site de palpites, mas o argumento não foi aceito já que remetia ao de apostas.

“Tais argumentos não convenceram a relatora. Para ela, toda a articulação do anúncio mais a coincidência no nome dos sites são ‘uma clara tentativa de atrair consumidores para a franquia, sem qualquer distinção’, escreveu ela em seu voto. Notou ainda que, se digitado no Google, o nome do site remeterá àquele de apostas pagas. Por isso, recomendou a sustação, voto aceito por unanimidade”, diz a decisão do Conar, tomada após voto da conselheira Renata Garrido. Anteriormente, o órgão vinha aceitando o argumento e aceitado esse tipo de propaganda.

A FPF (Federação Paulista de Futebol) tem um programa para tentar monitorar as apostas online e impedir manipulações. Contratou a empresa Esporte Radar com esse objetivo, mas as apostas em jogos sob o comando da federação ocorrem justamente por conta do funcionamento desses sites, fora do país. A entidade defendeu a legalidade da publicidade do site:

“O contrato de patrocínio segue rigorosamente a legislação brasileira, que veta publicidade de sites de apostas. Anúncios de sites de palpites, porém, são permitidos pela legislação. Isto já acontece, por exemplo, na Copa do Brasil, Sul-Americana e, inclusive, em grandes veículos de comunicação.”

No exterior, é legal e aceitável que empresas de apostas esportivas patrocinem times de futebol, como já ocorreu com o Milan. De fato, a Conmebol vende publicidade da Sul-Americana para outro site de apostas.


China multiplica dinheiro de contratações após passado de armações
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Protagonista no recente desmanche do Corinthians, o futebol chinês triplicou o investimento em contratações nos últimos dois anos, o que o tornou o eldorado de jogadores brasileiros. É uma tentativa de impulsionar a Superliga Chinesa marcada por seguidos casos de manipulação de resultados. Tanto que atletas têm feito contratos para se proteger desse aspecto nebuloso do campeonato local.

Nos anos entre 2011 e 2013, os times de futebol da China tinham investido uma média de US$ 37,5 milhões em contratações de jogadores de fora do país. Esse número subiu para US$ 102 milhões na temporada de 2014. Os dados são do TMS, empresa encarregada pela Fifa de controlar as transferências internacionais de atletas.

Em 2015, o valor já tinha crescido novamente. A estimativa é de que fechou em US$ 108 milhões no ano passado.

Relatório do TMS da Fifa indica que o maior número de contratações dos chineses é de brasileiros, com cerca de 20% dos 100 atletas que chegam ao país. A China já está à frente do Brasil e se tornou um dos 10 maiores mercados de contratações do mundo.

Mas esse crescimento convive com um passado nebuloso. Um ano antes do boom de investimento, em 2013, foi descoberto um esquema de manipulações de resultados da Super Liga Chinesa que levou à prisão de 33 dirigentes. O título de 2003 do Shanghai Shenhua foi retirado. A Pirelli abandonou o patrocínio da liga e a emissora CCTV desistiu da transmissão.

Não era um fato extraordinário no futebol chinês. O livro “The Fix”, do jornalista canadense Declan Hill, mais precisa investigação sobre manipulação de resultados, mostrou que a China era o centro de esquemas de armação pelo mundo. Isso refletia na liga.

Em um dos capítulos, Hill conta que, em 2004, o gerente do time Beijing Hyundai, Yang Zuwu, chegou a retirar seu time de campo durante uma partida, e desistir do campeonato. Ao explicar sua atitude, ele alegou que a liga estava cheia de “falsos jogos, apitos nebulosos, apostas ilegais nas partidas, e outros fenômenos feitos”. A investigação de Hill obteve provas que referendavam as acusações.

Precavidos, alguns jogadores brasileiros que têm ido para a China pedem para serem incluídas cláusulas em seus contratos com salvaguardas de armações em jogos. Por exemplo, em certos acordos, está previsto que caso um clube esteja envolvido em manipulação, o acordo pode ser rompido. Mais, há contratos que explicitam que o jogador não participará de esquemas.

Em resumo, o futebol chinês vive uma explosão de dinheiro para contratações por conta da injeção de empresas estatais e privadas que compraram os times. Mas ainda tem que superar uma desconfiança de anos de armações de resultados em seus campos para competir com grandes ligas.


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