Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Allianz Parque

Conmebol inclui Arena Corinthians e Allianz Parque na Copa América-2019
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Em reunião em Santiago, dirigentes da CBF e da Conmebol traçaram um plano prévio da Copa América-2019 com sedes e quantidades de times. Entre os sete locais escolhidos, ficou acertado que São Paulo terá duas sedes com o Allianz Parque e a Arena Corinthians. A informação foi publicada primeiro no Globo.com e confirmada pelo blog.

Uma das prioridades dos vigentes é realizar uma Copa América com contenção de custos no Brasil. Assim, a intenção é que a competição fique restrita a poucas sedes com deslocamento reduzido. Já certas estão São Paulo (2), Rio de Janeiro, Porto Alegre, Belo Horizonte, Salvador e Brasília. Há a possibilidade da inclusão de Fortaleza e de Recife com a Arena Pernambuco.

Esse é plano inicial, mas os organizadores ainda terão de discutir com os donos dos estádios para fechar o cronograma de jogos para as 16 seleções previstas. O Comitê Organizador Local será formado em acordo entre a Conmebol e a CBF. Serão eles que negociarão com os donos dos estádios a cessão desses.

Depois, a confederação estabelecerá um orçamento para a competição. A Conmebol deve ter bastante peso nas decisões sobre a Copa América já que bancará a maior parte dos custos da competição. Balanço da entidade apontou que a competição, quando realizada nos EUA, foi bastante rentável atingindo receita de quase US$ 90 milhões.

Ainda não há informação de quanto tempo os estádios terão de ser usado exclusivamente para a Copa América. Normalmente, o Brasileiro não para para a Copa América. Mas a intenção da CBF é reduzir bastante o período de cessão para não repetir os prejuízos cometidos pela Copa-2014 e porque não haverá necessidade de grandes estruturas.

Pelo plano inicial, o Allianz Parque será o único estádio da Copa América que não foi utilizado na Copa-2014. Isso porque, em Porto Alegre, há uma preferência pelo Beira-Rio em relação à Arena Grêmio.


Estádio dá ao Palmeiras vantagem de R$ 150 mi sobre Corinthians em 2 anos
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Quando decidiram fazer seus estádios, Palmeiras e Corinthians adotaram modelos de negócios completamente diferente. Houve uma longa discussão sobre quem teria a melhor fórmula. Passados dois anos das arenas em funcionamento, o clube alviverde teve uma vantagem de cerca de R$ 150 milhões em renda sobre o rival, de acordo com levantamento do blog.

No modelo escolhido, o Corinthians decidiu criar uma estrutura de empresas para financiar a construção de seu estádio com empréstimo do BNDES e incentivo fiscal. Depois, ainda usou dinheiro da Odebrecht. As rendas da arena seriam todas destinadas ao pagamento desta conta, o que tirava a renda do clube com bilheteria. Hoje, a perspectiva é de que se alongue o pagamento da dívida por pelo menos 20 anos.

Já o Palmeiras fechou uma parceria com a W/Torre pela qual cedida o estádio e o terreno por 30 anos. A construtora realizava toda arena e cedia as rendas de bilheteria para o clube, ficando com o direito de exploração para shows e outros eventos.

Levantamento nas contas do fundo Arena Imobiliário e nas bilheterias do clube mostra que o estádio corintiano teve uma arrecadação em torno de pelo menos R$ 147,5 milhões em dois anos e meio de funcionamento. Pelas contas do fundo, foram R$ 119,3 milhões até o meio de 2016. As bilheterias corintianas somadas no segundo semestre foram de R$ 28,2 milhões.

No mesmo período, o Palmeiras deve registrar receita um pouco superior com o Allianz Parque. Em 2015, descreveu R$ 87,2 milhões em arrecadação com jogos em seu balanço.

Não há um número total fechado para 2016 já que o balanço não se encerrou. Mas as receitas de bilheteria do ano foram de R$ 59,6 milhões. Ou seja, o total chega a pelo menos R$ 146,8 milhões. Esse número certamente será maior já que o Palmeiras tem direito a um percentual pequeno da renda de eventos e de naming rights.

Feitas as contas, em dois anos com os estádios novos, o Palmeiras teve uma vantagem de cerca de R$ 150 milhões em seus cofres sobre o rival o que se reflete na situação financeira dos dois clubes. E pelo cenário atual isso deve perdurar.

Como deve prolongar a dívida com o BNDES por 20 anos, e tem outros débitos com a Odebrecht, o Corinthians pode ficar duas décadas sem bilheteria. A situação se agrava porque há a dívida privada, pela falta de venda de naming rights e de negociação da maior parte dos CIDs. Assim, é difícil dizer quando de fato o clube conseguirá cobrir o R$ 1,1 bilhão do custo do estádio.

No cenário mais otimista, de pagamento do débito corintiano em 20 anos,  a escolha do modelo de negócios de estádios representará uma diferença de R$ 1,5 bilhão em favor do Palmeiras sobre o rival em neste período. E, em 10 anos mais, o próprio Palmeiras terá seu estádio integralmente. Ou seja, não há dúvida hoje de quem fez o melhor negócio.


Com Maracanã fechado, Palmeiras lucra quase o triplo do Fla com bilheteria
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A partida decisiva entre Palmeiras e Flamengo, nesta quarta-feira, será mais um exemplo de casa cheia no Allianz Parque, apesar das restrições do STJD. Do outro lado, o clube rubro-negro vive sua trajetória itinerante pelo fechamento do Maracanã. Como resultado, o time paulista lucrou quase o triplo do rival em bilheteria até agora no Brasileiro.

Os números constam de levantamento de Benny Kessel, em seu ótimo blog www.balancodabola.blogspot.com.br, sobre as finanças de clubes. Seus dados vão até a 24a rodada do Nacional.

O Palmeiras teve um lucro de R$ 18,3 milhões em bilheteria, total das receitas menos as despesas de jogo. É o clube que mais ganha dinheiro com ingressos no Brasileiro. Há três explicações: tem a maior média de público com 32.882, um estádio grande e cobra ingressos mais caros do que os outros.

Já o Flamengo sediou alguns jogos no Mané Garrincha e na Arena das Dunas, mas a maioria foi em estádios menores como o Kléber Andrade e Volta Redonda. Em resumo, sua média de público foi de 20.413, apenas a sexta do campeonato. Isso para um clube que, anteriormente, costumava liderar o quesito e, nesta edição, disputa o título.

Mesmo considerada a taxa de ocupação estádio: o time carioca está bem abaixo do Palmeiras: 76% contra 54%. E, como os estádios não são seus, o Flamengo ficou com apenas R$ 6,6 milhões em lucro de bilheteria, o que representa apenas metade do dinheiro arrecadado. Enquanto isso, o Palmeiras ficou com quase dois terços do total da receita.

Lembrança: Flamengo e Palmeiras têm disputado o posto de time que mais arrecada no Brasil, o que se reflete posteriormente em campo. E a bilheteria tem sido um fator a favor do time paulista.


STJD diz que, se Mancha for ao jogo, deve voltar a fechar portões no futuro
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O STJD estudará mudar a punição ao Palmeiras e fechar portões de jogos futuros se for constatada a presença em massa e com camisas da torcida organizada alviverde no jogo contra o Flamengo, na quarta-feira. Isso seria uma desrespeito à punição do tribunal. O mesmo vale para os rubro-negros em seus jogos em casa e como visitantes. A informação é do presidente do tribunal, Ronaldo Piacente.

A corte esportiva puniu o clube paulista com a proibição de presença de organizadas e torcida visitante, além do fechamento do setor do Gol Norte para o Palmeiras. Para o Flamengo, foi imposta redução de 20% do público e veto da presença de organizadas e visitantes. A punição passa a valer só agora neste meio de semana. A Mancha alviverde, na semana passada, soltou um comunicado para seus torcedores dizendo para irem no setor do Gol Sul do Allianz Parque.

“Não pode ir com camisa, com faixas, nem reservar um setor. Se forem só alguns e se misturarem aos outros, não tem como impedir. Vamos analisar depois caso a caso. Esperamos que cumpra a determinação”, afirmou Piacente. “Se isso acontecer (presença em massa de organizadas), vamos estudar e pode mudar a punição para os clubes. Provavelmente volta aos portões fechados. Aí é saber se as organizadas querem prejudicar o time.”

O entendimento de Piacente é de que pode não ser possível impedir todos os torcedores organizadas, mas os principais, chefes e envolvidos em briga, são conhecidos no estádio. E lembrou que a punição só com veto à organizada e um setor fechado foi uma alternativa para não fechar o estádio.

“É para beneficiar o torcedor do bem, e não o torcedor do mal. Agora temos que ver se é possível. Espero que os clubes tenham bom senso para retirar os torcedores os 30, 40 que sempre brigam. Falei para o presidente do Flamengo, vocês precisam fazer a sua parte”, contou Piacente.

A posição do tribunal é de que a punição é nova e por isso ainda precisa de ajustes, e testes. A intenção é descobrir se é possível vetar só as organizadas. Se não for, a tendência é a volta dos portões fechadas.

O presidente do STJD explicou que, no sábado, a torcida visitante não estava proibida no jogo do time rubro-negro com o Vitória, nem do Palmeiras com o Grêmio, no domingo. Isso porque a punição vale a partir de segunda-feira, dez dias após a data do julgamento.

O Flamengo chegou a entrar com uma petição para a pena ser antecipada e cumprida no sábado, mas o Vitória rejeitou em comunicado ao tribunal. E, segundo o presidente do STJD, a sanção só poderia ser antecipada com a concordância do clube mandante.


STJD repetirá pena de Fla e Palmeiras para clube que não ajudar organizada
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A cúpula do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) vê as punições aplicadas a Palmeiras e Flamengo como exemplos para futuras decisões em casos de violência de torcida. Ambos os clubes tiveram setores de seus estádios fechados, sendo no caso palmeirense os locais das organizadas, por três ou cinco jogos.  Há no STJD, no entanto, o reconhecimento de que serão necessários ajustes nas penas.

Na semana passada, o pleno da corte esportiva decidiu fechar o setor Norte do estádio palmeirense, e 20% de arenas onde o Flamengo jogar, além de impedi-los de ter torcidas visitantes. Foram sanções pela briga entre torcidas dos dois times em jogo do primeiro turno, no Mané Garrincha.

Segundo o presidente do STJD, Ronaldo Piacente, as punições foram uma espécie de benefício do tribunal porque as diretorias dos dois clubes demostraram não ter ligações com as organizadas. Se não fosse por isso, os dois teriam de jogar com portões fechados sem nenhum torcedor.

“Foi o principal fator. Palmeiras e Flamengo informaram que não davam nada para as organizadas. Sim, vai ter isso para outros clubes que façam o mesmo”, contou Piacente. “Se o clube beneficiar organizada, não terá essa ideia. Desde que não financie, a ideia é essa. A ideia é evitar punir os outros torcedores.”

Questionado como verificaria quais diretorias cumprem o pré-requisito, Piacente admitiu que não tem poder de investigar cada dirigente. Disse que vai realizar uma pesquisa a cada julgamento similar.

Em seguida, ele afirmou que a punição para torcida visitante era para impedir que os ingressos fossem repassados às organizadas. O blog questionou então por que as diretorias de Flamengo e Palmeiras dariam bilhetes às uniformizadas se teoricamente não têm relação com estas. “Não sei se repassam. É só para garantir.”

Essa é uma das questões surgidas pelas penas aplicadas pelo STJD. Outro empecilho é que torcedores de organizadas podem acabar indo ao estádio sem uniforme, como admitiu o próprio presidente do tribunal.

“Cai por terra a punição se puderem entrar todos em outro setor. Cabe ao clube fiscalizar. Não tem como evitar que dois ou dez membros entrem com camisas brancas (neutras). Mas não pode um grupo grande com faixas”, contou Piacente. Ele admitiu que o ideal seria um controle rígido na entrada, mas não acha que isso é possível.

Outra ajuste necessário ocorrerá se o Palmeiras não mandar algum jogo no Allianz Parque. Neste caso, o setor das organizadas no Pacaembu deve ficar fechado, segundo Piacente.

“Estamos quebrando um paradigma. É uma lei nova. Vão surgir problemas. É um primeiro passo. Vamos tentar acertar aos poucos”, contou o presidente do STJD.

Por fim, Piacente disse que a ideia da punição às organizadas surgiu de conversas com presidentes do clubes que relatavam ser ameaçados por estas. Segundo ele, as uniformizadas fazem chantagem exigindo benefícios ou soltarão rojões e brigarão para prejudicar os clubes, que seriam punidos com portões fechados.


Como o envolvimento da WTorre na Lava-Jato pode afetar o Allianz Parque
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A operação Lava-Jato incluiu em sua investigação a construtora WTorre e o seu dono Walter Torre Junior, administradores do Allianz Parque, por suspeita de corrupção em concorrência da Petrobras.  Não há relação do caso com o estádio palmeirense. Mas o envolvimento da empreiteira pode ter impacto econômico na arena alviverde como visto em outras situações. Vamos explicar como.

Primeiro é preciso que se diga que a WTorre e Walter Torre Jr. negam as acusações apontadas na Lava-Jato – receber propina de R$ 18 milhões para desistir de concorrência – e dizem colaborar com a Justiça. E agora tomam medidas para tentar minimizar o impacto da imagem na empresa.

“A empresa não pagou nem recebeu nenhuma soma a agente privado ou público. Claro que qualquer suspeição, num momento delicado como este, tem impacto sobre a imagem da empresa”, explicou a assessoria da Torre. “E, por entendermos a questão dessa forma, contatamos nossos principais parceiros, com quem temos relações sólidas e de confiança, que não se resume à área de entretenimento. E sentimos muita tranquilidade por parte de cada um.”

A empreiteira tenta minimizar os riscos econômicos. E quais seriam eles?  “Não tem impedimento para um empresa investigada assinar novos contratos ou receber empréstimo. Mas o sistema de compliance (regras de gestão) dificulta que os bancos deem empréstimos para quem tem problemas judiciais”, contou o advogado Fernando Fernandes, que já atuou em casos da Lava-Jato. “Os bancos ficam com medo de a empresa não ter como pagar. Muitas empresas entram em recuperação judicial por falta de liquidez.”

Para o Allianz Parque, se a WTorre ficar sem crédito e liquidez, isso representará um grande impacto na parceria com o Palmeiras e na gestão da instalação. Pelo acordo feito, a construtora fez o estádio em troca da concessão do uso de superfície local e do Allianz Parque por 30 anos – o custo total foi de R$ 675 milhões. A gestão da arena se dá por meio da Real Arenas Participações Ltda, controlada pela construtora.

Para pagar pela obra, foi preciso pegar um financiamento no Banco do Brasil. No final do ano de 2014, a dívida com o banco somava R$ 435 milhões, e seria quitada em 10 anos. A construtora não informou o valor atual.

As garantias para o empréstimo são as rendas do estádio – fora a bilheteria que é palmeirense – e o uso do terreno da arena, segundo o balanço da Real Arenas. Esses bens foram dados em alienação fiduciária para o Banco do Brasil. Se a construtora passar por problemas financeiros, o banco poderia executar e tomar esses bens.

Segundo o advogado Guilherme Marcondes Machado, especialista em recuperação judicial, a alienação fiduciária facilita a tomada da garantia pelo credor em caso de inadimplência. “Nestes casos, o banco pode tomar imediatamente o bem”, explicou o advogado. “A alienação é uma transferência de propriedade para o devedor. Se não há pagamentos, a propriedade é do banco.”

A WTorre se recusou a comentar os termos das garantias do estádio alegando “razões de sigilo”. “Mas, com toda a tranquilidade, podemos afirmar que a arena vem tendo uma performance excepcional sob diferentes aspectos: comercial, financeiro e de conteúdo, entre outros”, disse a assessoria da WTorre. E afirmou que o plano de negócios da arena foi ultrapassado sem dar números.

E como o Palmeiras ficaria afetado nesta questão? O clube, obviamente, não teria efeito direto nas suas finanças que são independentes do estádio, nem deixaria de jogar no local. Mas a situação jurídica do Allianz Parque poderia se complicar se os direitos do estádio fossem transferidos a terceiros.

Um exemplo é o caso do Grêmio com a OAS em sua arena. O clube tenta comprar de volta a Arena Grêmio da empreiteira que entrou em recuperação judicial justamente por causa da Lava-Jato. Mas o clube tem de negociar com a massa de credores da empreiteira, o que torna a solução difícil. Enquanto isso, enfrenta prejuízo mesmo quando o estádio enche.

“A atividade inteira da empresa acaba afetada. Em uma recuperação judicial, já houve 13 mil credores. São muitos interesses para atender para fechar uma operação de venda”, completou Machado. Ele explica que o bem só pode ser utilizado se o credor – no caso da WTorre, o BB – aceitar.

A assessoria da WTorre insiste que sua situação é muito diferente de casos como a OAS. “Nenhum diretor da companhia nem o fundador da empresa foram indiciados, e estamos seguros de que não há elementos nem delito para que isso ocorra. Você há de concordar que essa situação é muito diferente das situações que você mesmo cita (OAS e Odebrecht), onde os dirigentes das empresas estão presos, com impacto não apenas nos negócios dos estádios, mas dos respectivos grupos empresariais”, afirmou a construtora.

Mas o blog apurou que esse não é o único negócio da WTorre com a Petrobras sob suspeita. E outra consequência financeira seria a Justiça determinar que a empresa pague multas milionárias em caso de culpa com o objetivo de ressarcir as vítimas.

Questionada pelo blog, a assessoria do Palmeiras não quis comentar o caso. A diretoria do clube tem uma disputa com a WTorre sobre questões de gestão do estádio em uma corte de arbitragem.


Após confusão no Allianz Parque, CBF libera patrocínio em arenas fora da TV
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A CBF alterou o regulamento geral de competições para 2016 e permitiu a publicidade em estádios desde que fora da zona de imagem da televisão. Essa modificação ocorre após confusão entre a entidade e o Palmeiras em jogo no Allianz Parque em 2015. Apesar da flexibilização, a confederação mantém controle sobre o patrocínios nos estádios atendendo demanda da Globo.

Em maio de 2015, no primeiro jogo do Brasileiro, uma empresa contratada pela CBF cobriu com faixas brancas a marca “Allianz Parque”. Torcedores se irritaram com a entidade. Depois, a confederação atribuiu a atitude a um erro da empresa e liberou as marcas. Em outros estádios, a publicidade é tolerada, mas necessitava sempre de autorização expressa da confederação. E a Globo podia pedir veto.

No regulamento da CBF, esse tópico é tratado no artigo 4o, inciso II do regulamento. Foi mantido o texto que dá à entidade o direito de autorizar qualquer publicidade ou direitos comerciais nos estádios, exceto aqueles acertados em acordos por clubes. Mas acrescentou-se outra exceção: publicidade “fora do alcance da imagem das transmissões televisivas”.

A CBF explicou que, basicamente, está liberado patrocínio nas arenas desde que não estejam na linha de transmissão da tv. Cada estádio terá uma determinação diferente porque a Globo tem um posicionamento de câmeras diverso em cada lugar. Então, os lugares permitidos serão combinados com a emissora. A necessidade de pedir anuência da confederação existe, mas não é obrigatória.

Responsáveis pelo Allianz Parque entenderam como positivas as modificações no regulamento: dizem que pode melhorar a relação do estádio com a TV na qual costuma ocorrer grandes embates.  No estádio, será liberada a parte das arquibancadas oposta a que é exibida pela Globo. Patrocinadores do estádio terão prioridade para ocupar esses espaços.

Outros gestores de arenas relataram obstáculos com a regulação da CBF e com a Globo. A emissora se irrita com marcas que aparecem pouco acima da linha de placas e são exibidas nas transmissões em estádios como Maracanã e Arena Grêmio. Por isso, a Globo sempre pressiona a confederação a regular esses patrocínios para não prejudicar seus próprios parceiros.

A CBF tem feito regulamentos que privilegiam os detentores de direitos de transmissão, ou que tenham comprado placas em volta do campo. Ao explicar a mudança nas regras, a entidade informou que sempre realiza ajustes após pedidos ou análise do que ocorreu na temporada. Haverá ainda um regulamento de marketing da confederação.


Na final, Palmeiras vende 100% de ingressos a sócios-torcedores pela 1a vez
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Pela primeira vez, o Palmeiras vendeu 100% dos ingressos para sócios-torcedores no segundo jogo da decisão da Copa do Brasil, diante do Santos, no Allianz Parque. Acabaram os bilhetes na negociação na internet nesta segunda-feira. Só é possível obter entradas agora destinadas ao tour alviverde, camarotes, cadeiras cativas ou visitantes.

Até agora, o Avanti, programa de sócios palmeirense, tinha no máximo atingido um patamar em torno de 70% como na final contra o Santos, do Paulista. Em jogos normais, os membros do programa respondem por cerca de dois terços dos que compram igressos.

“O palmeirense entendeu que é vantajoso virar sócio-torcedor e, consequentemente, sabe que é prático, seguro e cômodo comprar pela internet”, afirmou Robson Oliveira, da Futebolcard, que controla a negociação de bilhetes palmeirenses, por meio de sua assessoria.

O Palmeiras tem 126 mil sócios-torcedores, e a carga de ingressos negociada deve girar em torno de 34 mil já que os números finais ainda não foram divulgados pelo clube.


Para Fla, Guerrero faz papel de estádio novo: aumenta público e sócios
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Adversários neste domingo, Palmeiras e Flamengo têm as maiores médias de públicos do Brasileiro-2015. Só que há motivos bem diferentes. Líderes no ranking, os palmeirenses têm no Allianz Parque seu trunfo. Já os rubro-negros viram a torcida e sócios explodirem após a chegada do atacante Paolo Guerrero.

A média de público do Flamengo é de 29.560 pagantes. Nos jogos sem o centroavante, esse número ficou em 25.052. Com ele em campo, houve crescimento de 91% com 48.033 de média nas duas partidas. Desde o anúncio da sua contratação, os sócios-torcedores saltaram de cerca de 50 mil para 68 mil.

“A primeira questão da chegada dele foi de auto-estima por tirar o ídolo do maior rival no cenário nacional Corinthians. Isso é um ganho intangível”, analisou o vice de marketing do Flamengo, José Rodrigo Sabino. “Houve uma melhora no Sócio-torcedor por ter um ídolo, principalmente porque ele chegou e resolveu em campo.”

O impacto na bilheteria deve-se à estreia do atacante e à melhoria que ele representou para a equipe com vitórias, avaliou o dirigente. Segundo Sabino, o resultado positivo em um jogo é o que representa maior impacto na bilheteria.

Outro efeito foi na venda de camisa, embora esse ainda não possa ser medido. Sabino disse que, em certas lojas, já está em falta a letra R para grafar na camisa rubro-negra já que esta aparece três vezes no nome do jogador.

Só que Guerrero não foi barato: sua contratação custou entre R$ 30 milhões e R$ 40 milhões, somadas luvas e salários por três anos. Não há um valor confirmado oficialmente. As receitas geradas são suficientes para bancar esse custo?

“Ainda não dá para avaliar quanto vai gerar. Demos uma visibilidade enorme para nossos patrocinadores que é muito importante. Temos que dar esse retorno a eles”, analisou Sabino.

Certo é que, sem estádio próprio, o Flamengo fez do atacante peruano uma alavanca similar – em menores proporções, claro – a do Palmeiras com o Allianz Parque. Obviamente, com um estádio, a diretoria alviverde obteve efeitos maiores com a liderança de média de público (33 mil) e a segunda posição no ranking de sócios-torcedores. Com Guerrero e no estádio palmeirense, os ingressos foram todos vendidos.

 


Brasileiro tem aumento de renda e público em 2015 apesar de obstáculos
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O recorde de público na 16a rodada não é uma exceção: a média do Brasileiro-2015 deve fechar acima da última edição e tem crescido nos anos recentes. A renda acompanha essa tendência de aumento. A questão é que os clubes brasileiros ainda enfrentam gargalos para incrementar suas receitas com estádios, e a presença de torcedores de forma mais intensa.

Até a 16a rodada, a média de público do Brasileiro é de 16.845. Já é superior ao número do ano passado que foi de 16.555. E, tradicionalmente, o segundo turno apresenta média de público maior do que o primeiro – em 2014, atingiu 17.782.

“Sócios-torcedores, ações de marketing e novas arenas são os maiores responsáveis por esse crescimento. Um exemplo neste ano é o Palmeiras. Ano passado foram Cruzeiro e Inter. O Corinthians mantém público constante. O Flamengo cresceu com contratações”, comentou o especialista em marketing esportivo Amir Somoggi. “A questão do horário novo da CBF, 11 horas, também pesou.”

Um levantamento de Somoggi indica que a receita total com estádios foi de R$ 693 milhões em 2014. Número superior em R$ 200 milhões a 2012, e que deve ter novo aumento na atual temporada, segundo o especialista. É fato que a renda deve superar 2014 com os recordes do Allianz Parque, a boa média do Corinthians e o uso do Maracanã em todo o campeonato.

Há problemas, no entanto, para incrementar as receitas e público em maior escala. Considerado o poder aquisitivo do brasileiro, o Nacional tem um ingresso médio entre os mais caros do mundo como já mostraram estudos no país e no exterior. Isso, óbvio, afeta a capacidade de crescimento de pagantes ainda mais se levarmos em conta que o espetáculo não é de alto nível.

Outra entrave é o modelo de negócios de arenas. A maioria dos estádios tem como gestor empreiteiras ou consórcios, e não os clubes. São eles que lucram mais com camarotes e assentos vips, o que faz com que os times não tenham interesse em alavancar essa receita. Assim, essa fonte de renda não decola.

Com todos esses empecilhos, além de aberrações como as gratuidades do Maracanã, o público tem crescido no Brasileiro. É provável que atinja uma média similar ou superior aos anos entre 2007 e 2009, os melhores dos pontos corridos. Em resumo, o brasileiro gosta de ir ao estádio apesar das condições ainda estarem longe das ideais.