Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Ministério do Esporte

BNDES deve ajudar a financiar gestão do Parque Olímpico
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O BNDES (Bando Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) deve ajudar no financiamento da futura gestão do Parque Olímpico por uma empresa privada. A informação é do ministro do Esporte, Leonardo Picciani. Já foi acertado que o equipamento esportivo será incluído no PPI (Programa de Parceria de Investimento) do banco público.

A intenção do Ministério do Esporte é cuidar do Parque Olímpico durante o ano de 2017, e depois repassa-lo a iniciativa privada. Por isso, pediu a inclusão no PPI. Agora, o BNDES vai fazer um modelo de concessão para o equipamento, o que inclui todas as arenas com exceção de uma que está nas mãos da prefeitura do Rio.

“Nós vamos firmar um contrato. O Parque será incluído no Programa de Parcerias e Investimentos, nós assinaremos um contrato com o BNDES para que o BNDES formule as formas de concessão do Parque. E provavelmente também faça a operação financeira”, afirmou o ministro do Esporte, Leonardo Picciani, quando questionado pelo blog se haveria financiamento do banco.

Ou seja, o banco deve financiar quem ganhar a concorrência. O entendimento do Ministério do Esporte é que de que há necessidade de injeção de dinheiro público para ajudar o gestor privado do equipamento esportivo.

A presidente do BNDES, Maria Silvia Bastos Marques, confirmou na quinta-feira que iria modelar a concessão do parque. “A gente vai partir de uma base, já tem bastante informação e quando o parque for oficialmente incluído (no PPI), a gente vai começar o trabalho de contratação de consultor, para modelar o que ainda precisa ser modelado”, afirmou, segundo a Agência Brasil.

O Ministério terá um gasto aproximado de R$ 45 milhões com a manutenção do Parque Olímpico e o Complexo de Deodoro. Foram necessárias pequenas obras em instalações permanentes como rebocos e pinturas de paredes, instalações elétricas, etc. Há pouco tempo o Comitê Rio-2016 tirou todas as suas sobras do local. A ideia é que em 2018 isso fique inteiramente nas mãos da iniciativa privada.

Enquanto isso, o Ministério prevê a organização de “mais de 20 eventos” até o final do ano nas instalações. Isso inclui campeonatos de ciclismo no velódromo. Rock in Rio nas instalações abertas, além de núcleos de esporte estudantil. “A gestão da AGOL (Agência para cuidar do legado dos Jogos) tem tomado as medidas necessárias para o bom funcionamento do parque”, afirmou o ministro.

Há obras mais complexas para serem feitas no local, como retiradas da Arena de Handebol, instalação de pista de atletismo e alojamentos para atletas. Tudo isso estava incluído em PPP prevista pela prefeitura do Rio que fracassou.

O Ministério tenta atrair confederações olímpicas para o Parque Olímpico de forma que possa incrementar atitudes de esporte de alto rendimento. Com a falta de alojamentos, Picciani admite que poderia se pagar hotéis para atletas que se hospedassem nas áreas próximas, por meio de convênios com o Ministério. Há, no entanto, forte contigenciamento de verba para as confederações.

Oito meses após os Jogos, o Ministério do Esporte não vê como atrasado o programa de legado do Parque Olímpico. O entendimento é de que o prazo para colocar tudo em funcionamento é de um ano após a Olimpíada.


Ministério mantém envolvido em escândalo da JBS como secretário de futebol
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O Ministério do Esporte decidiu manter como secretário de futebol e defesa dos direitos do torcedor, Gustavo Perrella, envolvido no escândalo de suposto pagamento de propina da JBS para o senador Aécio Neves (PSDB-MG). A informação foi dada pelo próprio ministro Leonardo Picciani que disse que não vai prejulga-lo. É o único dos citados no caso que mantém seu cargo, nem é afastado.

Filho do senador Zezé Perrella, Gustavo foi nomeado no meio de 2016 passado para o cargo de secretário. Antes disso, já tinha se envolvido em outro caso controverso quando um helicóptero seu foi flagrado pela polícia com cocaína, mas ele foi inocentado na investigação.

No caso JBS, Gustavo é apontado como dono da empresa Tapera Participações Empreendimentos Agropecuários suposto destino dos R$ 2 milhões pagos para JBS para o senador Aécio Neves. Houve buscas da Polícia Federal em endereços ligados ao secretário de futebol.

Questionado pelo blog, o ministro Picciani afirmou que o caso surgiu recentemente, que ainda não teve acesso a informações do tema e que não cabe julgar o Gustavo Perrella, o que será feito no âmbito do inquérito no STF (Supremo Tribunal Federal). Por isso, vai mantê-lo no cargo durante o processo.

“Não tenho conhecimento dos autos desta investigação, nem me cabe fazer algum tipo de julgamento. Cabe as autoridades que investigam e tem a atribuição de julgar chegar a veredicto. Não posso prejulgar e não prejulgarei o secretário. Caberá a ele se defender se for o caso e aos responsáveis apontar quem é inocente ou não”, afirmou o ministro, em evento na quinta-feira à noite, no Rio de Janeiro.

Após a denúncia, o senador Aécio Neves foi afastado de suas funções como senadores. O assessor de Zezé Perrella, Mendherson Souza Lima, foi exonerado de seu cargo no Senado após ser preso.

Em nota, Zezé Perrella negou qualquer participação no esquema, enquanto Aécio Neves também alegou inocência. O blog não conseguiu contato com o secretário de Futebol, Gustavo Perrella.

 


Governo não tem controle sobre verba olímpica, e paga até empresa suspeita
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Em reunião no COB (Comitê Olímpico Brasileiro), o ministro do Esporte, Leonardo Picciani, admitiu a dirigentes que há problemas na fiscalização de recursos repassados para investimento no esporte olímpico e a municípios. Tanto que a pasta pediu ajuda para esse controle a outros órgãos do governo federal. Há uma investigação da Polícia Federal sobre possível desvio de verba do Ministério destinada às confederações.

Um dos temas da reunião de Picciani com dirigentes olímpicos foram exatamente esses convênios.  As confederações questionaram sobre a falta de liberação de dinheiro de projetos seja os que já estão assinados seja os que ainda não foram avaliados. Houve até o pedido para prioridade para convênios do basquete, atletismo, judô, tênis de mesa e tiro com arco – sendo esta última confederação envolvida nas suspeitas de desvios.

Além disso, as confederações apontaram que há projetos cujas prestações de contas estão há cinco anos na pasta e ainda não foram analisados pelo Ministério do Esporte. Há um prazo máximo de oito anos para concluir esse processo. Também foi questionado sobre a não aprovação de programas de lei de incentivo.

Em resposta, o ministro do Esporte explicou que há problemas porque existem 3 mil prestações de contas pendentes na pasta, incluindo verbas olímpicas e repassadas a municípios. As entidades que receberam os recursos já deram suas explicações à pasta, mas o ministério não conseguiu fazer as verificações pela equipe reduzida.

Picciani informou que já pediu ajuda da CGU (Controladoria Geral da União) e ao Ministério do Planejamento para tentar solucionar o problema. Há uma informação apurada pelo blog de que a equipe do Ministério do Esporte para fiscalizar repasses tem menos de 10 pessoas.

E a reportagem constatou que a SB Promoções, empresa que está no centro da suspeita de desvio de recursos no convênio, continua a receber pagamentos do Ministério apesar de dois anos de investigação da Polícia Federal. Seu último pagamento foi feito em 1o de julho há apenas 12 dias.

Questionado sobre suas afirmações na reunião, por meio de assessoria de imprensa, o ministro Picciani não respondeu as perguntas. Apenas informou que apresentou novos integrantes da pasta, Luiz Lima (secretário de esporte de alto rendimento) e Rogério Sampaio (da autoridade de dopagem).  “No encontro, o ministro colocou a equipe à disposição das entidades para discussão de projetos em geral, visando, também, ao próximo ciclo olímpico. O COB afirmou que não iria se manifestar sobre o assunto.


Governo busca solução para cumprir Lei Profut sem afetar Brasileiro
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O governo federal está no meio de um imbróglio jurídico relacionado ao Brasileiro-2016. Isso porque não há um consenso sobre se é obrigatória ou não a apresentação de certidões fiscais pelos clubes para a disputa do campeonato. A CBF não as exigiu. O ministro do Esporte, Leonardo Picciani, disse que procura uma solução em que se cumpra a lei, mas sem tirar a estabilidade do campeonato.

Sancionada em 2015, a Lei Profut torna obrigatória a apresentação das certidões aos times para se manterem no programa de financiamento. Entidades que organizam o campeonato deveriam incluir essa exigência em seus regulamentos em que seria previsto o rebaixamento dos times caso descumprissem a norma. Isso não aconteceu até agora.

“Vamos instalar a Apfut (Agência do Futebol) e vamos avaliar essa situação. A lei tem que ser cumprida. Não há hipótese de não ser cumprida. Mas vamos analisar de perto a situação jurídica inclusive a ação no STJD (que decidirá sobre a exigência em ação sobre o Campeonato Paraibano). É preciso achar um ponto de equilíbrio porque é fundamental o campeonato ter estabilidade”, disse Picciani, na sexta-feira.

Pela sua declaração, a intenção é evitar uma disputa jurídica em relação à exigência com possíveis ações para questionar o Brasileiro.

A confusão jurídica vem desde fevereiro com os Estaduais. Na ocasião, o Ministério do Esporte informou a algumas federações que não seriam necessárias as certidões por um período de adaptação, algumas as exigiram, outras não.

O blog de Gabriela Moreira, na ESPN, mostrou que o Ministério do Esporte mandou um parecer para a CBF em que dizia que, para o Brasileiro, isso seria obrigatório. A confederação ignorou à espera de uma regulamentação.

Há ainda uma lei que modifica a Lei Profut e estende a adesão ao programa de financiamento até o meio do ano. Um membro da Apfut ouvido pelo blog informou que, possivelmente, isso também retardaria a entrada em vigor da obrigação das certidões. Certo é a necessidade do Ministério do Esporte determinar alguma medida que esclareça a questão.


No último dia, Dilma libera R$ 150 mi para esporte olímpico após os Jogos
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No dia em que era votado seu impeachment, quarta-feira, o governo da presidente da República, Dilma Rousseff, liberou R$ 150 milhões para projetos de apoio ao esporte olímpico. Oficialmente, os recursos serviriam também para a Olimpíada, mas o próprio Ministério do Esporte reconhece que o objetivo é atender o setor depois dos Jogos.

Pelo procedimento padrão, o Ministério do Esporte divulga chamadas públicas para que confederações olímpicas possam apresentar pedidos de recursos por meio de projetos. Além de estatais e da Lei Piva, esse é o canal de verbas governamentais para os esportes olímpicos.

Pois bem, nesta chamada cujo gasto máximo será R$ 150 milhões, há duas justificativas para projetos serem aceitos: preparação de atletas em geral, que inclui diversos itens; e despesas com custeio, organização e treinamentos para os Jogos Olímpicos do Rio-2016. Aí entra a questão dos prazos, já que a publicação definitiva dos programas aceitos na primeira etapa ocorreria no dia 29 de julho, uma semana antes dos Jogos.

“Trata-se de uma questão administrativa orçamentária. O edital menciona preparação para o Rio 2016 porque a rubrica orçamentária da qual sairão os recursos tem essa designação. E o objeto do edital precisa ter correspondência com a rubrica. O objetivo do edital é aproveitar e potencializar o legado olímpico, formação e preparação para Tóquio 2020”, explicou a assessoria da pasta.

O ex-ministro do Esporte Ricardo Leyser informara que pretendia manter a mesma verba atual para o esporte de elite depois da Olimpíada. A última chamada pública de projetos ocorrera em 2013. Por isso, as confederações olímpicas se preparam para usar o dinheiro para programas após os Jogos.

“Todos os nossos projetos das seleções olímpicas já estão prontos. Isso não vai afetar”, contou o presidente da Confederação Brasileira de Handebol, Manoel Oliveira. “Vamos usar para as seleções de base.”

Mesma posição teve o presidente da Confederação Brasileira de Tênis de Mesa, Alaor Azevedo, que já tinha conversado com o Ministério do Esporte sobre o tema. “Na conversa que tivemos (com o Ministério), era para depois dos Jogos”, disse o dirigente.

Segundo Azevedo, houve demora na publicação da chamada pública dos projetos por alterações na lei para convênio. Isso obrigou o Ministério do Esporte a fazer adaptações na sua chamada pública.


Novo ministro do Esporte, Picciani teve ganhos com obras olímpicas
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Nomeado novo ministro do Esporte pelo presidente interino Michel Temer, o deputado federal Leonardo Picciani (PMDB-RJ) ganhou dinheiro indiretamente com obras olímpicas e recebeu doações de empreiteiras que atuam em projetos dos Jogos. A primeira informação foi revelada pela “TV Record” no final de 2015 quando ele era parlamentar, e a segunda, consta de sua prestação de contas. A assessoria do parlamentar negou que exista qualquer conflito de interesse com seu novo cargo.

Picciani e sua família são sócios da empresa Agrobilara, com sede em Uberara, Minas Gerais. Em 2011, a empresa tornou-se sócia da Tamoio Mineração S/A. Depois, essa prederia passou a fornecer brita para as construções do Parque Olímpico e da Transolímpica.

Os valores dos contratos não são informados porque são pagos por empreiteiras dentro de PPPs (Parcerias Público-Privada). Não são acordos diretos com o governo. No caso do Parque Olímpico, os pagamentos são feitos pelo Consórcio Rio Mais, liderado pela Odebrecht.

A Agrobilara é o principal item do patrimônio do atual ministro. Ele tinha oito mil cotas no valor de R$ 6,673 milhões pela sua declaração à Justiça Eleitoral. Atualmente, a empresa vale R$ 40 milhões, e Leonardo Picciani é dono de 20% dela.

Sua assessoria confirma a participação societária, mas nega qualquer atuação na gestão da Tamoio. “Convém esclarecer que a Agrobilara não participa da administração da Tamoio nem tem ninguém indicado por ela no conselho de administração”, informou a assessoria. Ainda alegou que a Tamoio ganhou os contratos pela proximidade com o Parque Olímpico, que permite que ofereça o menor preço pela brita.

Além disso, a campanha a deputado federal de Leonardo Picciani em 2014 recebeu R$ 800 mil em doações de empreiteiras com participações em projetos olímpicos. São as construtoras Queiroz Galvão, OAS e Carioca Engenharia. Elas participam de projetos como a Linha 4 do metrô, o Parque Olímpico de Deodoro, Porto Maravilha e o BRT Transolímpico.

A assessoria do novo ministro ressaltou que as obras estão no final, e que o Ministério do Esporte não é responsável pela execução desses projetos. E informou que as doações foram legais e não têm relação com as obras. As obras são tocadas pela prefeitura do Rio de Janeiro, algumas delas com financiamento ou recursos diretos do governo federal via Ministério do Esporte.

Veja toda a nota da assessoria do ministro do Esporte, Leonardo Picciani:

“Não hã conflito de interesses no fato de o deputado assumir o Ministério do Esporte e a empresa Tamoio Participações fornecer brita para o Parque Olímpico e a Transolimpíada. Primeiramente, o deputado gostaria de esclarecer que o Ministério do Esporte não contrata obras. As obras para as Olimpíadas já estão concluídas e foram gerenciadas pelo Comitê Olímpico Internacional, Comitê Olímpico Brasileiro e pela Prefeitura do Rio de Janeiro.
 
Leonardo Picciani é sócio-cotista da Agrobilara. Além dele, também são sócios-cotistas seu pai, sua mãe e seus irmãos. A Agrobilara tem uma participação acionária na Tamoio que, por sua vez, é uma empresa de Sociedade Anônima, regida pela Lei das S/As.
 
Convém esclarecer que a Agrobilara não participa da administração da Tamoio nem tem ninguém indicado por ela no conselho de administração. Para exemplificar como funcionam as companhias S/As: o fato de ser acionista não significa que o portador das ações tenha qualquer ingerência sobre a empresa. É como os detentores de ações da Petrobras. O conselho administrativo, por exemplo, é majoritariamente composto de pessoas que não são da Petrobras. E o acionista pode ganhar ou perder dinheiro, dependendo do mercado de ações. É o caso da Agrobilara em relação à Tamoio.
 
Outra coisa: a brita é um produto de baixo valor agregado. Para se ter lucro com esse produto o que mais se leva em consideração é o valor do frete. Quanto mais perto da obra estiver a pedreira, melhor. Quanto mais longe, mais valor de frete gastará. Por isso, a Tamoio foi contratada pela empresa que detém a concessão pública para a Transolimpíada e para o Parque Olímpico. A Tamoio está localizada a cerca de 100 metros do canteiro de obras da Transolimpíada e a cerca de 2 km a 3 km do canteiro do Parque Olímpico. É a única pedreira nas proximidades, o que contribui para que o preço seja o melhor entre os demais concorrentes.
 
O deputado também gostaria de deixar claro que a Tamoio não possui contrato com o governo de Estado nem com a Prefeitura do Rio de Janeiro.
 
Por fim, Picciani afirma que, como ministro, será o mais interessado em fazer cumprir o orçamento do Esporte, zelando por cada recurso disponível e fiscalizando não apenas os recursos em si, mas, também, se o dinheiro está sendo bem gasto em benefício da população.”

 


FPF isenta clubes de certidão fiscal para jogar Paulista
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Diante de um vácuo jurídico na interpretação da Lei Profut, a Federação Paulista de Futebol isentou suas equipes de mostrar as CNDs (Certidões Negativas de Débito) para disputar o Paulistão. Teoricamente, era obrigatório pela legislação. Outras federações como a do Rio de Janeiro e de Minas Gerais foram rígidas e exigiram o documento.

A Lei do Profut alterou o artigo 10o do Estatuto do Torcedor: o texto passou a prever que é critério técnico para se classificar a uma competição apresentar a regularidade fiscal, de FGTS e comprovar o pagamento de salários em dia. Só que o governo admite que há diferentes interpretações de como isso será executado, e ainda tenta esclarecer a questão.

Representantes do Ministério do Esporte estiveram na Federação Paulista e falaram sobre essas interpretações, sendo uma delas a de que não havia certeza de que a CND tivesse que ser apresentada antes do campeonato. Foi a tese encampada pela FPF.

Assim, a Federação Paulista incluiu em seu regulamento geral a obrigatoriedade de regularidade fiscal. Só que entendeu que não é ela quem fiscaliza a questão. Levará casos à Justiça Desportiva em caso de denúncia.

Já federações como a de Minas Gerais e do Rio de Janeiro tiveram uma compreensão diversa e exigiram as CNDs dos clubes. No Estadual do Rio, houve clubes como Botafogo que não conseguiram a certidão, mas o TJD da federação foi flexível e os liberou.

Em Minas, houve maior rigor. Desde outubro, a federação local fez reuniões com os clubes e disponibilizou uma consultoria tributária para ajuda-los a conseguirem a regularidade. Ao final, a FMF informou que os 12 times da primeira divisão passaram a ter as CNDs – alguns as obtiveram na sexta-feira antes do Estadual. Ou seja, não eram impossível criar um programa para obter as certidões.

 


Governo gasta R$ 11 milhões em ‘CTs padrão Fifa’ após a Copa
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A Copa-2014 acabou há quase um ano, mas os gastos do governo federal com a competição continuam. Levantamento do blog mostra que foram investidos R$ 11 milhões em estádios para transformá-los em “CTs padrão Fifa” após o final do Mundial.

No total, após o evento, o Ministério do Esporte destinou dinheiro para a reforma de 10 arenas de pequeno e médio portes em municípios de São Paulo, Bahia, Paraná, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Essas despesas fazem parte do programa “Apoio a Copa-2014”. Nos projetos, constam especificações de que os estádios devem ter o “padrão Fifa” em suas instalações.

No ano passado, a expectativa do Ministério do Esporte era de mais de R$ 100 milhões em infraestrutura desse tipo, mas o órgão não informou se este valor está mantido. A posição da pasta é que isso será um legado esportivo espalhado pelo país do Mundial.

Só em 2015 houve liberação de R$ 5,348 milhões para quatro estádios, e o restante foi aplicado no segundo semestre do ano passado.

Neste ano, R$ 2,5 milhões foram para o Estádio Antônio Fernandes, no Guarujá. Ao final do projeto, a instalação esportiva já receberá R$ 4,3 milhões do governo federal, e R$ 12 milhões do governo do Estado de São Paulo. A reforma incluiu todos os equipamentos e arquibancada, e foi inaugurada parcialmente para o Mundial.

Durante a Copa, o local recebeu a Bósnia Herzegovina. Agora, é sede do Guaraujá, time da Segunda divisão de São Paulo. Há a perspectiva de servir de centro de treinamento para a Rio-2016.

Em 2015, também houve liberação para o Estádio Martins Pereira, em São José dos Campos, no valor de R$ 1,6 milhão. No total, a arena recebeu R$ 5,6 milhões do governo federal – faltam R$ 400 mil. Na Copa, só foi usado pelo Santos, que cedeu a Vila Belmiro para seleções. Atualmente, abriga o São José esporte Clube, e partidas de rugby.

Exemplos iguais se espalham pelo país, embora algumas obras tenham sido paralisadas por conta do ajuste fiscal. Questionado sobre a utilidade do investimento em CTs após a Copa do Mundo, o Ministério do Esporte não respondeu às perguntas do blog após dois dias.


Instalações da Fifa custam R$ 108 mi no Itaquerão, 10% do total da obra
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As instalações provisórias da Fifa no Itaquerão para a Copa-2014 tiveram um custo total de R$ 108 milhões, o que é igual a 10% do do total da obra do estádio. Desse gasto, o Corinthians arcou com R$ 90 milhões, segundo a Odebrecht, responsável pela operação. A estrutura corintiana complementar corintiana foi a segunda mais cara, atrás da de Manaus.

Os números constam da matriz de responsabilidades do Ministério do Esporte, fechada no final do ano passado. Nela, está um gasto total de R$ 580 milhões com as instalações da Fifa nos 12 estádios. São estruturas montadas e depois destruídas, sem utilização posterior.

Na conta de todos as arenas, apenas a parte do Corinthians foi bancada por iniciativa privada. Nem Ministério do Esporte, nem Odebrecht souberam explicar a discrepância entre a conta de cada um. Fato é que o montante foi incluído no fundo que acumula a dívida para construção do estádio, e é bem maior do que a previsão inicial de R$ 60 milhões.

“O valor estimado para as obras temporárias era de no máximo R$ 100 milhões na época em que se efetivou o financiamento para elas. Ou seja, no final ficou R$ 10 milhões abaixo do previsto. Quanto às exigências da Fifa, deve-se levar em consideração que elas foram crescendo na medida em ocorriam as Inspections (reuniões trimestrais com técnicos da Fifa). A previsão inicial de R$ 60 milhões, no final do ano de 2013, baseava-se num levantamento preliminar realizado pela própria Fifa e a Prefeitura, justamente quando se discutia a questão dos custos e das responsabilidades sobre as obras temporárias”, explicou a Odebrecht.

Como o Ministério do Esporte não explicou sua conta, não ficou claro se incluiu como nos R$ 107,9 milhões as arquibancadas provisórias, bancadas pela Ambev em acordo com o governo do Estado. A questão é que essa instalação teve custo de R$ 38 milhões, visto é, somada ao que foi bancado pelo Corinthians, daria um total bem mais alto: R$ 128 milhões.

Governo e a construtora também discordam sobre o preço final das obras do Itaquerão. Segundo a construtora, o valor é de R$ 985 milhões. Já o Ministério do Esporte registrou um montante de R$ 1,080 bilhão.

Não é apenas no estádio corintiano em que há dúvidas. A matriz de responsabilidades registra que a Arena Amazonas teve um gasto de R$ 123 milhões com instalações da Fifa para receber a Copa, um valor muito acima de outra arenas para 40 mil pessoas. O blog enviou perguntas ao governo do Estado para saber sobre esse número, mas não obteve resposta após uma semana. O montante representa quase um quinto da obra da praça esportiva de Manaus.

Considerada a Copa-2014 e a Copa das Confederações, o Brasil gastou R$ 778 milhões com instalações provisórias, o equivalente a 9% do custo total dos estádios. O Ministério do Esporte considerou um bom investimento.

“Apenas com a exposição da imagem do Brasil, que realizou uma Copa do Mundo bem organizada e exitosa, além da receita gerada com turismo, o megaevento já se pagou, deixando importante legado, esportivo e de infraestrutura urbana, nas cidades-sede. As instalações complementares formaram parte da estrutura necessária para o pleno funcionamento de uma operação complexa do tamanho de uma Copa do Mundo, exigindo espaços de trabalho adequados para jornalistas de todo o mundo, voluntários, e profissionais de tecnologia, dentre outros”, justificou a pasta.

 


Governo deve manter todos os chefes olímpicos apesar de novo ministro
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Com a posse do novo ministro do Esporte George Hilton (PRB-MG), nesta sexta-feira, começou a se desenhar o xadrez da nova organização do esporte dentro do governo federal. E há sinalização de que a Casa Civil deve assumir a condução da Olimpíada, como antecipara Edgar Alves, em sua coluna na “Folha”. Dentro do Esporte, a tendência é a manutenção da estrutura do departamento de alto rendimento, que cuida das verbas para a preparação de atletas olímpicos.

Assim Hilton teria autonomia para tocar outros setores da pasta como os programas sociais, Segundo Tempo e distribuição de quadras. Para as questões do futebol, onde há uma discussão de lei refinanciamento para os clubes, há indefinição.

Titular do Ministério da Casa Civil, Aloísio Mercadante já vem pressionando desde a Copa do Mundo para que sua pasta tenha mais protagonismo nos grandes eventos. No Mundial, perdeu a queda-de-braço pois o secretário-executivo do Esporte, Luis Fernandes, tornou-se o homem forte da sua organização.

Na Olimpíada, é provável que a Casa Civil passe a coordenar ações. A APO (Autoridade Pública Olímpica) já é a responsável por controlar a execução de obras e de orçamentos dos projetos, tocados majoritariamente pela prefeitura do Rio de Janeiro. A empresa tem como titular Fernando Azevedo e Silva, que é indicação pessoal de Dilma e não deve sair. O Esporte, no entanto, tinha rubrica de algumas despesas olímpicas.

A coordenação da preparação de atletas, por meio de injeção de verbas recordes no Plano Medalha (estatais, tesouro e lei de incentivo), deve continuar no Esporte, mas sem influência do novo ministro. A tendência é que o secretário de alto rendimento, Ricardo Leyser, seja mantido. Ele tem relação muito boa com a Casa Civil, o que fortalece sua permanência, além do que agora é um período crucial em que falta apenas um ano e meio para os Jogos.

A coluna de Lauro Jardim, na Veja, mostrou que Dilma não prometeu a nenhum ministro porteira fechada, isto é, todos os cargos dentro de sua pasta. Isso reforça a tendência a fatiar o poder no Esporte.

Em seu discurso de posse, o ministro George Hilton, que admitiu não entender da área que assume, disse que priorizaria o esporte educacional, e programas sociais. Falou rapidamente sobre o legado da Olimpíada. Ele já fez ligações para cartolas e ex-atletas influentes para tentar amenizar a má impressão causada por sua nomeação.

Uma incógnita é o futebol. Homem forte do ministério, Luis Fernandes pode sair para acompanhar Aldo Rebelo no Ministério de Ciência e Teconologia. Ele é oriundo da área de pesquisa, e já atuou na pasta. Se ele sair, o ministério ficaria sem o principal nome em meio à negociação da LRFE (Lei de Refinanciamento Fiscal do Esporte) para os clubes, e teria de ser definida a situação do secretário de futebol, Toninho Nascimento. A Casa Civil já participava desta negociação também.

George Hilton vai começar a reunir os atuais homens do ministério para conversar na próxima semana. Só depois disso deve dar sua primeira entrevista para explicar os planos da pasta.