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Rei da TV Aberta em 18, Palmeiras ganharia maior cota por exibição na Globo
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O Brasileiro-2019 terá uma nova divisão de cotas de televisão e uma parte do bolo será dividida de acordo com o número de exibições em TV Aberta e TV Fechada. Pelos números de jogos na Globo durante o Nacional-2018, o Palmeiras seria o clube que teria direito a maior fatia pois se tornou o time mais exibido na emissora. A agremiação alviverde ainda negocia um contrato com a Globo para o próximo ano, e por enquanto só vendeu seus direitos da TV Fechada para a Turner.

Do bolo da Globo de R$ 1,1 bilhão destinados à TV Aberta e à Fechada, há previsão de distribuir 40% de forma igualitária, 30% por posição e 30% por exibição em cada plataforma. No caso da TV Aberta, serão R$ 180 milhões destinados à divisão por meio de exposição na Globo.

A divisão se dá da seguinte forma: somam-se todas as aparições dos times na TV Aberta independentemente se apenas para alguns Estados ou para o Brasil inteiro. A partir daí, do total, estabelece-se qual percentual cada um dos clubes tem direito. Quanto mais aparecer na TV Aberta, mais ganha. A mesma regra vale para a fatia da TV Fechada.

Até 2017 Corinthians e Flamengo eram os que mais apareciam na TV Aberta. Mas, nesta temporada, houve dois fatores que mudaram isso. Primeiro, a emissora alterou sua estratégia e colocou mais jogos dos dois times no pay-per-view para aumentar o número de assinantes. Além disso, o Palmeiras fez a melhor campanha do Nacional, tornando-se campeão. Por isso, atraiu mais atenção.

O time alviverde acabou o campeonato com 17 partidas exibidas na Globo, quase metade de seus jogos. Foi seguido pelo Cruzeiro. Depois, vieram juntos vários clubes, Flamengo, São Paulo, Corinthians, Fluminense e Vitória com 13 jogos. O Palmeiras também teria a melhor premiação por posição, ficando com a maior cota desses contratos.

Ressalte-se que um estudo indica que Flamengo e Corinthians devem ganhar mais dinheiro com os novos contratos de televisão por conta da divisão do bolo do PPV.

O clube alviverde está em uma longa negociação com a Globo para contratos de TV Aberta e PPV. Isso porque a emissora quer estabelecer um desconto no contrato palmeirense por conta de ter assinado com a Turner, enquanto o clube não aceita. Mas ainda há tempo para fechar e as negociações avançam. Campeão e com mais exibições na TV Aberta, a agremiação reforça seu pleito de ser valorizada.

O blog não levantou a divisão da TV Fechada porque pelo menos sete clubes têm contrato com a Turner e portanto as condições seriam diferentes. Nas transmissões fechadas, o SporTV terá de usar jogos apenas dos 13 clubes com os quais têm direito. Veja abaixo quantos jogos exibidos e qual o valor estimado cada um dos clubes ganharia em 2019 só na fatia referente à exibição em TV Aberta:

Palmeiras* – 17 jogos – R$ 15,480 milhões

Cruzeiro – 16 jogos – R$ 14,500 milhões

Flamengo, Corinthians, São Paulo, Atlético-MG, Fluminense e Vitória – 13 jogos – R$ 11,9 milhões

Grêmio e Internacional – 12 jogos – R$ 11 milhões

Botafogo, Vasco e Sport – 10 jogos – R$ 9,1 milhões

Bahia* e Atlético-PR* – 6 jogos – R$ 5,5 milhões

Santos e Paraná – 5 jogos – R$ 4,6 milhões

América-MG e Ceará – 4 jogos – R$ 3,7 milhões

Chapecoense – 2 jogos – R$ 1,8 milhão

*Ainda não têm contrato com a Globo para TV Aberta e pay-per-view

 

 


Premiação da Globo para Brasileiro-19 reduz diferença entre campeão e vice
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Com os novos contratos a partir de 2019, a tabela de premiações do Brasileiro-2019 da Globo vai reduzir a diferença entre os prêmios do campeão e do vice do campeonato. Ao mesmo tempo, serão reajustadas de forma significativas as cotas dos times que se salvam por pouco do rebaixamento. Essa divisão é fruto do novo modelo de contrato feito pela emissora com os clubes que estabelece distribuição de 30% do total por posição.

A tabela para o Nacional-2019 tem um prêmio para o campeão de R$ 33 milhões se o clube tiver contrato com a Globo em todas as mídias, como já revelado pelo blog. Em seguida, o vice ficará com 0,5% a menos se considerado o bolo total para prêmio que é R$ 330 milhões. Assim, a cota do segundo será R$ 31,35 milhões. Ressalte-se que esse valor vale para para clubes com todos os contratos com a Globo.

Para efeito de comparação, o campeão de 2018 Palmeiras ganhará R$ 18,7 milhões contra um valor entre R$ 11 milhões e 12 milhões para o vice Flamengo, em números determinados pela CBF. O bolo é bem menor do que o do próximo ano com R$ 63,8 milhões já que só uma fatia pequena do contrato da Globo era dividido por posições.

A partir do próximo ano, a tabela do Brasileiro da Globo terá diferenças menores entre as posições. Cada colocação mais baixa perde 0,5% do total ou R$ 1,65 milhão. Como exemplo, o terceiro ficaria com algo próximo de R$ 29,7 milhões. E o quarto colocado ganhará R$ 28 milhões. Assim sucessivamente até o 10o colocado.

A partir do meio da tabela, há uma queda maior de 0,8% para o 11o, mas em seguida as reduções são em percentuais bem menores. No final das contas, o 16o colocado fica com R$ 11 milhões, um valor bem maior do que o atual, entre R$ 700 mil e R$ 800 mil. Os quatro times rebaixados continuam sem receber nada da cota de premiação.

É preciso ressaltar que essas cotas valem para os clubes que tiverem assinado com a Globo todos os contratos, de TV Aberta e Fechada. Quem tiver só acordo de Aberta (casos de Santos e Internacional) ganha só o percentual referente a esses direitos (em torno de metade), e recebe outra parte da Turner pela TV Fechada.

Nos acordos com a Turner, 25% do total é destinado à premiação por posição. Assim, contabilizadas as duas emissoras, o total deve ficar entre R$ 310 milhões e 330 milhões por colocação.

As regras de distribuição de cotas por posições estão estabelecidas em contratos com a Globo, mas podem ser alteradas se houver concordância de todos os clubes. Isso dentro de determinados limites estabelecidos pelos acordos.

 


Bolsonaro já foi capitão, mas não do Palmeiras
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Eduardo Carmim/Photo Premium/Folhapress

Palmeirense, o presidente eleito Jair Bolsonaro foi ao Allianz Parque para assistir ao último jogo de seu time no Brasileiro, diante do Vitória, a convite da diretoria do clube. Ao final da partida, a CBF o convidou para a cerimônia de premiação e ele desceu para entregar a taça com a camisa do time. Acabou levantando o troféu, posando para fotos e festejando com os jogadores.

Organizadora do Brasileiro, a CBF escolheu uma foto para ilustrar a premiação do título palmeirense em seu site: Felipe Melo, Felipão e Jair Bolsonaro seguram o troféu de campeão ao centro, cercados por outros jogadores e membros da comissão do clube. Em outras imagens, o presidente eleito aparece erguendo a taça só, com atletas em volta.

Não é incomum que presidentes da República frequentem estádios de futebol. Boa parte deles gosta do esporte e a aproximação com times atrai popularidade. O próprio Bolsonaro já foi a partidas com camisas de outros times, a maioria deles carioca.

Há uma diferença, no entanto, entre estar em um camarote a convite do clube e ir para o gramado entregar taças e participar da festa. Bolsonaro não fez gol, nem defesas, não armou sistemas táticos ou preparou atletas fisicamente, enfim, não participou da campanha vitoriosa palmeirense.

Imagine uma cena: o presidente eleito vai tomar posse e o Felipe Melo pega a faixa presidencial e sai festejando na rampa do palácio. Ou um medalhista olímpico vai subir ao pódio e o chefe de estado do seu país vai junto para tirar uma selfie. A cada um que seja dado o título que lhe foi merecido.

Não por acaso há um liturgia na Copa do Mundo que para tocar a taça é preciso ganha-la. Chefes de Estado, o que será o caso de Bolsonaro a partir de janeiro, podem encostar no troféu apenas o tempo suficiente para repassa-los aos jogadores campeões. Não há na Copa casos de presidentes que tenham saído pulando com o troféu em meio a jogadores.

Houve, sim, um chefe de Estado que misturava futebol e seu time com seu cargo político. Era o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Recebeu o Corinthians no Palácio do Planalto, ganhou uma faixa e taça de campeão. Mais tarde, fazia visitas para ver a construção da Arena Corinthians. Depois, soube-se por delações da Odebrecht que Lula tinha influenciado a empreiteira para participar do projeto do estádio.

Lula, que pregava a fiscalização de cartolas antes de ser presidente, tornou-se aliado do ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira quando os dois organizaram um jogo beneficente da seleção no Haiti. Em todo o governo de Lula, não houve uma investigação séria da confederação feita pela Polícia Federal ou com apoio do governo.

Se a boa relação contou, não se sabe. Fato é que todas as tentativas do Ministério Público Federal de investigar o cartola foram para gaveta. Também não houve apuração no Congresso sobre a CBF no período Lula. Quando o Departamento de Estado dos EUA indiciou três ex-presidentes da confederação, o então ministro da Justiça José Eduardo Cardozo se revelou surpreso. No governo anterior, de Fernando Henrique Cardoso, Teixeira quase caiu com uma CPI do Senado.

Para a CBF, é sempre interessante se aproximar de presidentes eleitos. Seus últimos três presidentes foram afastados por corrupção, um deles está preso. Ao lado de Bolsonaro no palco de festa, estava o futuro presidente da CBF, Rogério Caboclo, cuja eleição é questionada na Justiça por uma manobra para tirar poder dos clubes. A discussão na Justiça é se a mudança no estatuto desrespeitou a lei.

Bolsonaro nada disse em seu programa de governo sobre o esporte. Foi eleito com um discurso de erradicar a corrupção no país. Qual será a sua visão sobre a CBF e a forma como gere o futebol brasileiro? Será que, ao aceitar esse convite, o presidente eleito sinaliza que pretende se aproximar da entidade?

É cedo para responder essas perguntas. A única certeza que fica deste domingo é que, na regra não escrita do futebol, só deveria levantar a taça quem se esforçou para ganha-la. Bolsonaro já foi capitão, mas não do Palmeiras.


Felipão é 1o técnico campeão em nove anos que assumiu no meio do Brasileiro
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Na maior parte de suas edições, o Brasileiro de pontos corridos costuma premiar os clubes mais estáveis que mantêm seus treinadores durante todo o campeonato. Foi assim nos últimos oito anos. Luiz Felipe Scolari quebra esse paradigma ao ser campeão após assumir o Palmeiras durante o campeonato.

A última vez que isso ocorreu foi com o Flamengo em 2009. Naquele Nacional, o clube carioca demitiu Cuca e contratou Andrade que assumiu na 14a rodada. O time rubro-negro, que chegou a ficar perto da zona de rebaixamento, se recuperou do início ruim e arrancou no final para o título.

Felipão chegou ao Palmeiras ainda depois do que o então técnico rubro-negro em relação a estágio do campeonato. A diretoria alviverde demitiu o técnico Roger que tinha iniciado a temporada após derrota para o Fluminense. Assim, Scolari estreou diante do América-MG, na 17a rodada, com um empate.

Desde então, ele manteve o time invicto por 21 rodadas até a vitória decisiva sobre o Vasco em São Januário – no total, 22 jogos sem perder contando o anterior a ele. Desta forma, levou um time que estava na 6a posição quando chegou ao título com uma rodada de antecipação por ter cinco pontos a mais do que o vice-líder Flamengo. Naquela distante 16a rodada, antes de Felipão, o time rubro-negro era o líder com oito pontos a mais do que o alviverde.

Durante seu trabalho, Felipão deu padrão à defesa palmeirense que antes era falha, e se tornou a menos vazada do campeonato, protegida por Felipe Melo e Bruno Henrique. O ataque também se tornou o mais eficiente com o crescimento de jogadores como Dudu e Deyverson.

Campanhas de recuperação como esta não são a tônica do Nacional. Em boa parte das edições, o time campeão do primeiro turno acaba levando o campeonato. E o técnico campeão, em geral, é o mesmo que iniciou no banco do time que fica com a taça.

Foi assim com Muricy Ramalho que assumiu o Fluminense pouco antes do Brasileiro-2010. Dois anos depois, Abel Braga também estava no tricolor antes do campeonato para preparar a campanha do título. No caso corintiano, os três títulos, dois com Tite e um com Fábio Carille, foram obtidos por treinadores que estavam desde o início do ano no banco alvinegro.

No bicampeonato do Cruzeiro, Marcelo Oliveira foi o técnico nas duas ocasiões, iniciando a temporada. Também no Palmeiras de 2016,  Cuca chegou ao time antes do Nacional. O título de Felipão é, portanto, uma exceção à regra.


Brasileiro tem G4 restrito a clubes mais ricos nos últimos cinco anos
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A duas rodadas do final, o Brasileiro-2018 tem um G4 (vaga direta na Libertadores) desenhado com Palmeiras e Flamengo garantidos, com Internacional, Grêmio e São Paulo disputando outras duas vagas. São times que estão entre aqueles com as dez maiores receitas do Nacional, sendo os dois primeiros os mais ricos. É uma tônica do Nacional nos últimos cinco anos onde azarões foram praticamente excluídos da elite, e principalmente da disputa pelo título.

Um levantamento do blog mostra que, desde de 2014, todos os times que acabaram no G4 estavam entre as oito maiores receitas daquele ano. Na atual temporada, o cenário deve se repetir, embora as receitas ainda não tenham sido fechadas. Palmeiras e Flamengo ocupam as primeiras posições neste ranking, o que deve se repetir. São Paulo costuma obter a terceira ou quarta maior renda, e Grêmio e Inter variam entre a 4ª posição e a 10ª posição desta lista.

Em relação aos títulos, nesses cinco anos, o campeão sempre foi um dos dos cinco primeiros em receita a partir do título do Cruzeiro de 2014. O Corinthians ganhou três Nacionais nos últimos dez anos, justamente o período quando teve uma explosão de receitas. Quando o dinheiro corintiano acabou, o Palmeiras assumiu seu posto no domínio, enquanto o Flamengo ainda luta para transformar receita em taça.

Embora o dinheiro sempre tenha tido peso no Nacional, especialmente nos pontos corridos, o topo da tabela nunca foi tão concentrado entre times de elite. Em 2013, Atlético-PR, 13ª receita, e Botafogo, 9ª renda do ano, estavam no G4. Houve ainda o caso do Fluminense, de receita mais modesta, que ocupou espaço constante na elite, de 2010 a 2012, mas contava com ajuda por fora da Unimed, não contabilizada em seu balanço. Mas Atlético-PR e Goiás foram outros que já ocuparam espaço no G4 nos pontos corridos.

“A partir dos novos contratos de televisão, em 2012, começa a haver uma diferenciação. Em 2013 e 2014, os clubes passam a se estruturar nesta realidade”, analisou o consultor financeiro César Grafietti, que faz estudos sobre finanças de clubes. Ele refere-se ao rompimento do Clube dos 13 quando os clubes passaram a assinar contratos individuais de televisão do Brasileiro, o que gerou ganhos extras para Corinthians e Flamengo.

Um levantamento de Grafietti sobre resultados aponta no mesmo sentido: domínio dos times mais ricos nos primeiros lugares. Segundo ele, os três com receitas maiores sempre estiveram nas sete primeiras posições nos últimos cinco anos. “Antes, as receitas eram mais próximas. Em um ano, podia-se montar um time bom”, explicou. “Agora dificilmente vai ter uma Chapecoense. Pode ter ali no topo um Cruzeiro, Atlético-MG, Inter”.

E o cenário tende a se aprofundar. Estudo do próprio Grafietti com a Ernest & Young mostra que a nova divisão de receitas de televisão deve dar maior vantagem do Flamengo e Corinthians graças ao pay-per-view. Sem contrato com a Globo, o Palmeiras recebeu luvas de R$ 100 milhões da Turner, conta com a Crefisa e seu rentável estádio. Times do grupo do meio devem sofrer perdas em relação aos que mais ganham.

Grafietti contou que, na Europa, a concentração de poder em poucos clubes começou com a Lei Bosman. Em paralelo, teve a formação da Liga dos Campeões no atual formato o que aumentou a exposição e receitas de alguns clubes. Atualmente, foram formados superclubes dentro das ligas domésticas como Real Madrid, Barcelona, Juventus, Bayern de Munique, contra quem as outras equipes têm dificuldade para competir em igualdade pela diferença financeira.

 


CBF enfrenta gargalos por VAR no Brasileiro: custo alto, Globo e equipe
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Durante seminário sobre VAR realizado pela CBF, ficou claro que há consideráveis desafios para entidade implantar o árbitro de vídeo para o Brasileiro-2019 apesar da pressão de clubes. Entre as barreiras estão: o custo básico é alto, ainda há ajustes na equipe (árbitros e operadores de vídeo) e não existe um acordo feito com a Globo. O congresso serviu para IAFB (International Board) e Fifa darem instruções e sugestões às federações estaduais e à confederação sobre o sistema e protocolo.

Acompanhando a implantação do VAR no Brasil há dois anos, o gerente de serviços da IAFB, Dirk Schlemmer, vê bastante evolução no país, mas entende ser um desafio expandir o uso para todo o Nacional. “Não posso dizer se estão prontos. Mas não estou preocupado porque mostraram capacidade. É um grande desafio realizar isso no campeonato”, analisou.

Em sua palestra, Schlemmer tratou de questões financeiras e legais para implementar o VAR. Segundo ele, os custos do árbitro de vídeo em campeonatos inteiros variam entre US$ 250 mil e US$ 5,5 milhões (R$ 21 milhões), dependendo da sofisticação. Ele ressaltou que não dá para estimar o custo de cada liga porque elas têm condições “bem diferentes”.

Mas há uma diferença grande para o primeiro orçamento feito pela CBF para o Brasileiro 2018. Na ocasião, foi informado aos clubes que teriam de arcar com R$ 20 milhões por turno, R$ 50 mil por jogo. Ou seja, o campeonato inteiro sairia por quase o dobro do mais caro analisado pela IAFB.

“Não dá para compara com o Brasil pelo tamanho continental”, afirmou o diretor de VAR da CBF, Ricardo Bretas. Ele ainda está desenhando o projeto de árbitro de vídeo para 2019 para encontrar o de menor custos. “O objetivo é reduzir custo para clubes e CBF”. Haverá uma concorrência entre empresas.

Uma das ideias em análise é fazer um centro de VAR fixo, como fez a Rússia na Copa do Mundo, o que reduziria custos de viagens e instalações. Mas o problema é a qualidade da fibra ótica no Brasil pode deixar muito lenta a chegada das imagens à central e inviabilizar o imediatismo necessário do mecanismo.

Esse é só um dos desafios técnicos. A CBF terá de encontrar operadores de vídeo experientes e não há tantos no mercado. A Globo nunca quis ceder os seus para não se envolver na operação, apenas na cessão das imagens.

Outra questão é a do número de árbitros. Atualmente, a CBF já treinou 98 árbitros, e outros passaram por treinos da Fifa. Assim, a soma total é de 106 deles preparados. É suficiente. mas isso obrigará a repetição de escalas.

“Teremos que fazer a escala com antecedência, e não vai dar para tirar (um árbitro) por um erro”, contou o coordenador do VAR no Brasil, Sergio Corrêa.

Uma terceira questão é o acordo a ser feito com a Globo que cederá as imagens. Schlemmer ressaltou que é essencial acertar um contrato com a emissora transmissora do evento. A Globo, no entanto, não tem contrato com a CBF para o Brasileiro, o que é feito diretamente com os clubes.

Bretas disse que ainda não se iniciou uma negociação com a emissora para tratar da questão. Só foi conversado sobre a Copa do Brasil que teve VAR pela primeira vez neste ano. Em 2017, quando se tentou uma implantação rápida do VAR, as conversas com a Globo chegaram a travar na questão da operação.

Em relação a câmeras, não deve haver problema. O mínimo exigido pelo protocolo da Fifa é de quatro câmeras. A Globo costuma usar um número entre sete e 17 equipamentos dependendo da qualidade do jogo. Não há problema ter um número diferentes de câmeras por jogo, segundo a IAFB.

Apesar do desafio, especialistas da Fifa e da IAFB viram evolução no VAR usado no futebol brasileiro. “Foi uma surpresa porque a Fifa não tinha visto a empresa que trabalhou aqui. Mas ficamos positivamente impressionados. Quando pedimos ajustes pequenos, no dia seguinte, já tinham feito”, afirmou Sebastien Runge, chefe do departamento de tecnologia e inovação do futebol da IAFB/Fifa.

Na reta final do Brasileiro, o Inter levou uma petição com a assinatura da maioria dos clubes pedindo o árbitro de vídeo para o próximo Nacional. Naquela ocasião, a CBF disse que não estava pronta para implantar naquele momento. Mais do que isso, clubes que assinaram como o Corinthians, por exemplo, dizem que só aceitam se a CBF pagar.

Em 2018, foi recusado pela maioria dos clubes por conta dos custos. Agora, o projeto da CBF ficará pronto para ser mostrado no Conselho Técnico da Série A, em 2019, para decidir se o VAR entra ou não no Brasileiro.


Brasileiro repete rotina com Palmeiras com líder folgado no final
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Finalizada a 35ª rodada, o Palmeiras manteve a diferença de cinco pontos na liderança do Brasileiro para o segundo colocado apesar do tropeço diante do Paraná. O Internacional perdeu do Botafogo e cedeu o segundo lugar ao Flamengo que bateu o Sport. Repete-se assim uma rotina dos últimos seis Nacionais: o ponteiro sempre chega com folga de mais de três pontos neste ponto do campeonato. E nunca houve virada nesta circunstância.

O último Brasileiro com disputa até o final foi o de 2011 em que Vasco e Corinthians chegaram com apenas dois pontos de diferença ao jogo derradeiro. Quando faltavam três jogos, essa vantagem corintiana era igual e se manteve até a conclusão com título do alvinegro paulista.

Desde então, os líderes do Brasileiro têm aberto distância mais cedo e nunca precisaram do último jogo para decidir. Para se ter ideia, faltando três rodadas, a menor diferença nesses últimos seis anos foi do próprio Palmeiras em 2016. O time tinha quatro pontos de vantagem sobre o vice-líder Santos.

Aliás, uma coincidência: Flamengo e Palmeiras chegaram a este estágio com exatamente a mesma pontuação atual. Os alviverdes tinham 71 pontos, e os rubro-negros, 66. A diferença é que havia os santistas entre eles – acabaram como vice-campeões.

De resto, o Brasileiro, equilibrado durante sua disputa, já costuma chegar a este estágio com o título decidido, ou quase. No ano passado, o Corinthians garantiu o campeonato justamente na 35ª rodada ao abrir 10 pontos para o Grêmio e se tornar inalcançável.

Dois anos antes, o Corinthians de Tite também já era campeão neste estágio pois tinha 12 pontos sobre o Atlético-MG. Em 2014, o Cruzeiro tinha sete pontos de vantagem sobre o São Paulo quando faltavam três jogos: foi campeão na rodada seguinte. E o mesmo time celeste já era campeão a três jogos do final.

Antes, em 2012, o Fluminense foi campeão em jogo contra o Palmeiras justamente na 35ª rodada, ao abrir 10 pontos sobre o rival Atlético-MG.

Em resumo, o histórico recente do Brasileiro não é de um equilíbrio e disputa até o final. É o que se ensaia também em 2018 ainda mais se considerarmos que, além da vantagem, o Palmeiras tem um tabela bem mais fácil diante do América-MG, Vasco e Vitória, times da parte debaixo da tabela. Enquanto isso, o Flamengo enfrenta Grêmio, Cruzeiro e Atlético-PR. Será portanto uma enorme surpresa se houver uma reviravolta e se fugirá da rotina dos últimos anos.


Corinthians e Vasco é jogo que vale milhões de TV e futuro dos clubes
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Ameaçados de rebaixamento, Corinthians e Vasco disputam jogo que vale milhões em cotas de TV do Brasileiro e o futuro dos dois clubes para os próximos anos. Explica-se: pelo novo modelo de distribuição de receita de televisão os times grandes não têm mais salvaguarda quando caem à Série B, isto é, nada ganharão da primeira divisão. E os dois alvinegros carioca e paulista enfrentam graves crises financeiras.

Até 2018, os contratos de televisão com a Globo previam a manutenção da cota de televisão para o ano seguinte à queda de um grande para a Segundona. No segundo ano, ficaria com 50%. Isso acabou com o novo contrato.

Para se ter ideia do impacto, o estudo da Ernest & Young com Cesar Grafietti sobre cotas de TV estima que o Corinthians pode ganhar até R$ 271 milhões da televisão no Brasileiro de 2019 com o novo modelo de distribuição. Sem a salvaguarda, a cota de televisão da Série B é R$ 6 milhões por clube.

Claro que, com a força de sua torcida, o Corinthians poderá negociar um acordo paralelo para a Série B como já aconteceu em outras circunstâncias – o mesmo vale para o Vasco. E talvez pleitear um dinheiro pelo pay-per-view. Mas não poderá requisitar participação no bolo da Série A, o que gera uma perda considerável para seus caixas. De garantido, só os R$ 6 milhões.

No caso vascaíno, o caso é mais grave. O mesmo estudo da Ernest & Young e de Grafietti prevê receitas de R$ 103,6 milhões para o Vasco com o Brasileiro da Série A de 2019. Mas os vascaínos têm problemas extras: uma parte significativa de suas cotas com a Globo foi antecipada pela gestão de Eurico Miranda. Ou seja, se não tivesse direito a cotas da Série A, essa pendência comprometeria temporadas futuras.

Além disso, o Vasco é bem mais dependente de cotas de televisão do que o Corinthians. No ano de 2017, último com contas completas disponíveis, o clube teve 80% de sua arrecadação proveniente da Globo. No caso corintiano, foram 37% para o período de 2017 porque o clube tem mais patrocínio e venda de jogadores.

Essas perdas seriam ainda mais sentidas se levarmos em conta que o Vasco foi deixado em situação de penúria financeira por Eurico. Ainda tem dificuldades de pagar salários em dia e teve de pegar um empréstimo de cerca de R$ 40 milhões para fechar o ano. A dívida é crescente pelo balanço publicado pela gestão de Alexandre Campelo, embora Eurico tenha feito um documento paralelo.

No caso corintiano, o clube vive mais um ano de déficit financeiro mesmo com o desmanche do elenco campeão em 2017. A dívida continua a crescer e atingiu R$ 504 milhões, excluído o débito da Arena Corinthians.

Feitas todas essas contas, uma vitória no estádio corintiano se torna crucial para ambos os times. O Vasco tem 39 pontos e está a dois da zona de rebaixamento, enquanto o Corinthians tem um ponto a mais. É bem possível que a pontuação necessária para fugir do descenso seja inferior ao patamar habitual de 45.

Mas as rodadas finais dos dois times estão longe de serem fáceis: os vascaínos pegam o provável campeão Palmeiras, além de São Paulo e Ceará. Já o Corinthians tem um jogo contra a Chapecoense, em confronto direto na luta contra Série B, e duas outras partidas com times de cima, Furacão e Grêmio.


Corinthians e Fla aumentam vantagem com nova cota de tv, diz estudo
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Com o novo modelo de distribuição da Globo, Corinthians e Flamengo aumentarão a vantagem nos seus ganhos com cotas de televisão do Brasileiro em relação aos rivais a partir de 2019. É o que mostra um estudo da Ernest & Young com o consultor Cesar Grafietti que estima quanto cada clube receberá no próximo ano. Há uma comparação na atual divisão do bolo com a futura.

Ao mudar a divisão de cotas, a Globo exaltou o fato de que adotava um modelo mais justo com contratos nas mesmas condições para todos os clubes. E isso vale para TV aberta e fechada (dividido com 40% igual, 30% por posição e 30% por exibição). Mas o pay-per-view e novos acordos de placas publicitárias vão render valores maiores aos dois clubes times mais populares, além de luvas – as placas estão fora do pacote da Globo.

O pay-per-view vai distribuir um mínimo de R$ 650 milhões pelo contrato previsto. E Flamengo e Corinthians vão ter um valor mínimo garantido que representa 18,5% desse total. Além disso, houve mudança de pesquisa do PPV que passará a ser por torcedor cadastrado e em todas as cidades, não só em capitais como antes.

Para se ter ideia, a projeção do estudo da Ernest & Young previu que, no melhor cenário com o time campeão, o Flamengo atinge cotas de R$ 327 milhões pelo Brasileiro-2019. No total, o clube ganharia R$ 147 milhões a mais do que na projeção de 2018 para qual foi considerada a posição do final o primeiro turno.

Já o Corinthians, em caso de título, teria um ganho total de R$ 271 milhões em 2019, isto é, R$ 91,5 milhões a mais do que na atual temporada. A diferença entre os dois é porque o Flamengo ainda tem parte das luvas para receber enquanto o Corinthians já pegou tudo, além de exibições na aberta.

Em comparação, o São Paulo, terceiro da fila, teria ganhos estimados de R$ 173,6 milhões em caso de ser campeão no Brasileiro-2019, um crescimento de R$ 38 milhões em relação à atual temporada. Seu contrato pode ser melhor comparado com os dois primeiros porque o clube já assinou tudo com a Globo. O estudo da Ernest & Young projetou o Palmeiras em faixa similar, mas o time não fechou com a emissora e, na TV fechada, tem contrato com a Turner. Então, o cenário alviverde é mais incerto.

“É isso mesmo (os dois vão ganhar mais). O modelo de aberta e fechada é mais justo. Mas o pay-per-view provoca um descolamento de Corinthians e Flamengo. Eles passam a ter percentuais mínimos garantidos e antes tinham percentuais abaixo disso. Ainda consideramos as placas”, contou o analista Cesar Grafietti, um dos que realizaram a análise. “(O novo modelo) É melhor para quem está em cima, e quem está embaixo, mas não para quem está no meio.”

Por no meio, leia-se clubes como Atlético-MG, Cruzeiro, Grêmio e Vasco (teoricamente Inter e Santos também, embora tenham acordos com a Turner). No caso dos três primeiros times, as projeções mostram que eles ganhariam menos em 2019 do que em 2018, caindo de R$ 108 milhões para R$ 100,6 milhões (sempre em caso de título).

O Vasco é mais prejudicado porque tem descontos de cotas antecipadas, então terá receitas menores. Já colorados e santistas aceitaram contratos com a Globo  de TV aberta e PPV com fatores redutores após fecharem com a Turner.

Também há previsão de queda de cota total para Fluminense e Botafogo. Em faixas mais abaixo do PPV, Bahia e Sport têm projeção de aumento de seus ganhos, assim como outros clubes abaixo deles.

Ressalte-se que essa é uma estimativa e os números podem variar com as pesquisas de pay-per-view e o número de jogos exibidos (a projeção foi feita em cima da audiência atual). Mas Grafietti disse que não haverá uma variação que dobre um valor. Para ele, o aumento de vantagem para Corinthians e Flamengo é certo.

No geral, os dois primeiros passariam a ganhar até nove vezes mais do que os últimos. Em ligas europeias, esse percentual é de 1,6 na Premier League, na Inglaterra.

Além da questão da mudança de distribuição, outro fator será a alteração do fluxo de dinheiro pago pela Globo, bem mais concentrado no segundo semestre do que no primeiro. O blog já tratou do assunto no final do ano passado quando mostrou que os clubes teriam de se adaptar.

Como exemplo, o Corinthians passará os quatro primeiros meses do ano ganhando R$ 3,9 milhões em cada parcela, enquanto ganhava R$ 15 milhões durante o ano de 2018. Em compensação, os pagamentos crescem para algo em torno de R$ 30 milhões a partir de maio com valores a receber por exibição e atingem o máximo no final do ano com a premiação por posição.

“Os clubes vão ter que adaptar seu fluxo de caixa no ano que vem porque no primeiro semestre vão ter bastante dificuldade”, explicou o analista da Ernest & Young Pedro Daniel.

Todo esse cenário, lembre-se, leva em conta que a Globo consiga fechar os contratos de pay-per-view e TV aberta com os clubes que faltam, Bahia, Atlético-PR e Palmeiras. Sem eles, o pacote será afetado o que pode ter impacto para todos os clubes. Além disso, há uma disputa de times como Santos e Inter com a Turner relacionado ao contrato de TV fechada.


Clubes ignoram regra do Brasileiro e ingresso se torna mais barato em 2018
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A regra do Brasileiro da Série A que determina um preço mínimo para ingressos tornou-se, na prática, letra morta por ser ignorada pelos clubes. Dirigentes utilizam-se de uma brecha aberta por eles mesmos no Conselho Técnico da competição para cobrar menos do que os R$ 40,00 impostos pelo regulamento da competição. É uma das causas para a queda do valor do ingresso médio do Nacional até agora.

O regulamento do Brasileiro é feito pela CBF após a aprovação das regras em votação dos clubes no Conselho Técnico. Foi assim que os dirigentes estabeleceram que o valor mínimo do ingresso inteiro de cada jogo seria R$ 40,00, com meia a R$ 20,00.

Só que, na mesma reunião, os clubes determinaram que poderiam fazer promoções desde que aprovadas pela CBF. Essa brecha vem sendo largamente utilizada pelos times. Isso tornou praticamente nulo o item do regulamento do Nacional do valor mínimo.

Levantamento do blog mostra que dez dos 20 clubes da Série A cobraram menos do que o valor mínimo previsto no seu último jogo em casa. O menor preço foi o do Botafogo com seu bilhete a R$ 5,00 na partida contra o Corinthians, o que irá se repetir no clássico contra o Flamengo. O objetivo é levar mais torcedores ao Estádio Nilton Santos na luta do time contra o rebaixado – cerca de 20 mil foram à ultima partida.

Entre as outras equipes, o Bahia já pediu R$ 10,00 pela entrada em seu jogo em casa. O normal são valores entre R$ 20,00 e R$ 30,00 como ingresso inteiro mais barato estabelecido pelos clubes. Além dos dois times, cobraram abaixo do mínimo: São Paulo, Fluminense, América-MG, Santos, Cruzeiro, Ceará, Corinthians e Chapecoense. Os outros times respeitam o limite pelo menos nas últimas duas rodadas.

Ressalte-se que esse é um retrato desta última partida e não pode ser usado como referência para preços gerais de ingressos. O Corinthians, por exemplo, que cobrou R$ 30,00 para um setor, tem o segundo bilhete médio mais caro do Brasileiro.

Com as promoções, números do site “Sr. Goool” mostram que o preço médio do ingresso do Brasileiro caiu em relação ao ano passado considerada a estatística até a 32ª rodada. Até agora, o bilhete médio foi de R$ 31,2 em 2018, enquanto o valor de 2017 era de R$ 34,36.

O Flamengo tem impacto neste número. No ano passado, o clube jogava a maior parte de suas partidas na Arena do Urubu e teve média abaixo de 15 mil pessoas com bilhete mais caro, R$ 48 em média. Neste ano, o clube voltou ao Maracanã e abaixou o valor do ingresso, além de estar disputando o título. Assim, leva 47 mil pessoas em média por jogo com ingresso médio a R$ 31,2.