Blog do Rodrigo Mattos

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CBF deveria usar dinheiro da Copa do Brasil para prêmio do Brasileiro
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O debate sobre os clubes em segundo plano o Brasileiro voltou durante a semana com a ideia da CBF de restringir o número de inscritos. Clubes rejeitaram a ideia por entenderem que a culpa é do calendário da própria confederação. Como a confederação não vai mudar o seu cronograma da temporada e os times vão barrar o limite de inscritos, uma sugestão (paliativa) seria desviar uma parte da verba da Copa do Brasil para o Brasileiro para aumentar sua atratividade.

Explica-se: a CBF assinou um belo contrato de direitos para a Copa do Brasil com a Globo em um total de R$ 330 milhões. Com isso, aumentou de forma considerável as premiações, inclusive dando R$ 20 milhões para o vice-campeão e R$ 50 milhões para o campeão. Tudo válido ainda neste ano.

A questão é que isso criou uma disparidade com o Brasileiro que tem premiação originária da cota da Globo. Em 2018, o campeão vai levar um prêmio de R$ 20 milhões. Para o próximo ano, com os novos contratos, esse valor vai chegar à R$ 33 milhões, ainda inferior ao da Copa do Brasil.

O fator financeiro não é a única explicação para a prioridade de alguns clubes para a Copa do Brasil. Os jogos decisivos e a perspectiva de eliminação tendem a botar titulares em campo nesta competição. Mas, obviamente, uma semifinal em que a classificação garante pelo menos R$ 20 milhões vai ter um peso na decisão do clube em que competição jogar. Isso pode chegar a 10% do orçamento de certos clubes grandes, mais do que o dobro de um patrocínio.

Ora, se a CBF não vai fazer nada a respeito do calendário, poderia pelo menos equilibrar os recursos em relação à premiação para refletir a maior importância do Brasileiro. Como? a confederação poderia reserva uma parte da verba do contrato, digamos R$ 100 milhões, para um fundo para reforçar a premiação do Brasileiro.

Como hipótese, o prêmio para o campeão da Copa do Brasil poderia cair para R$ 30 milhões, e o campeão do Brasileiro ter o seu bônus turbinado até os R$ 50 milhões. O mesmo poderia ocorrer em outras posições aumentando a importância de se chegar na frente no Nacional, e induzindo os clubes a escalarem mais os titulares. Pode se ter uma discussão sobre o caixa já que o dinheiro é gerado pela Copa do Brasil, mas, com um acordo com os times, isso poderia ser viabilizado.

Não, isso não resolveria a questão principal que é o fato de o calendário ter um excesso de jogos e por isso obrigar os clubes a escalar reservas em jogos importantes. Isso só vai ser tratado quando se enfrentar a questão política das federações e se reduzir a participação dos clubes grandes nos Estaduais. Mas, pelo menos, as recompensas financeiras do Brasileiro e da Copa do Brasil estariam mais de acordo com a importância das duas competições. Seria um passo inicial.


Com novos acordos, Fla e Corinthians dobram valor ganho com placas em 2019
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Os novos acordos do Flamengo e Corinthians para placas publicitárias no Brasileiro dobram o valor ganho pelos dois times a partir de 2019. Cada um dos dois clubes fechou com a Sportpromotion por R$ 12 milhões de garantia mínima pelas placas em volta do campo em seus jogos, enquanto recebiam apenas R$ 6 milhões da Globo pelas mesmas propriedades em 2018. Ainda vão ganhar mais do que o dobro do que outros times se estes assinarem de fato com a BR Foot.

Os termos dos acordos de Flamengo e Corinthians com a Sportpromotion foram revelados primeiro pela “ESPN”. Pelos contratos, os clubes recebem pelo menos R$ 12 milhões pelas placas, e depois 65% do que exceder esse valor. Os compromissos são válidos por quatro anos.

No caso do Flamengo, foi feita uma concorrência com empresas: a Sportpromotion foi vencedora também pela forma de modelo proposto. A empresa faz a procura por interessados e tem que respeitar duas premissas: primeiro tem que oferecer os espaços para os parceiros da Globo, o que está previsto por contrato com a emissora.

Na sequência, o clubes rubro-negro pretende que se priorize seus patrocinadores. Então, por exemplo, concorrentes de seus parceiros podem ser barrados, como uma empresa de energéticos diferente da da Carabao. Todos os contratos de patrocínio serão assinados com o próprio clube e não com a Sportpromotion. E o valor de R$ 12 milhões é líquido.

Pelo acordo atual com a Globo, a empresa dá a garantia mínima de R$ 6 milhões, mas só vendeu R$ 3,5 milhões em 2018. Ou seja, o clube ficou neste patamar mínimo. E a emissora tinha total controle sobre a comercialização dos espaços publicitários. Os acordos do Corinthians com a Globo eram similares ao do que clube rubro-negro por um acordo com a emissora.

O acordo feito pelos outros 18 clubes com a BR Foot dá a cada um R$ 5,5 milhões. Mas desse valor é descontada a comissão de 10% da CBF que portanto reduz em R$ 500 mil. Além disso, há um desconto de R$ 1,7 milhão para logística do campeonato. A diretoria do Flamengo entende que pode fazer parcerias e reduzir consideravelmente este custo ou até anula-lo.

 


Santos e Atlético-PR veem contrato com Turner válido após fim de canal
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Após o fim do canal Esporte Interativo, houve uma insegurança de clubes em relação à manutenção do contrato com a Turner para transmissão do Brasileiro. Depois de análises jurídicas e conversas, Santos e Atlético-PR concluíram que os termos do acordo seguem válidos e não veem motivo para rompimento. O Palmeiras ainda estuda o caso.

Logo após o anúncio do fim do canal, executivos da Turner passaram a procurar os clubes para expressar a intenção de manter o compromissos de direitos do Brasileiro. Era uma forma de garantir que os pagamentos seriam feitos e explicar como seria feita a transmissão dos jogos do Nacional.

De início, a reação pública mais dura em relação a um possível rompimento foi do presidente do Bahia, Guilherme Bellintani. Internamente, o presidente do Santos, José Carlos Peres, também manifestou contrariedade e a possibilidade de romper o acordo.

Só que o departamento jurídico do Santos analisou o contrato e não entendeu que a Turner tenha descumprido nenhum dos termos do acordo. Explica-se: o contrato é com a Turner, e não com o Esporte Interativo. Há permissão para passar os jogos em outros canais do grupo.

Advogados do Atlético-PR fizeram um estudo similar a respeito do acordo com a empresa norte-americana e chegaram a mesma conclusão. Embora exista um contexto de transmissão em canal esportivo, isso não é obrigatório em nenhum parte do acordo. Ou seja, a Turner tem direito de passar seus jogos no TNT e no Space como pretende pelo seu novo projeto.

No Palmeiras, o acordo ainda está em estudo e o clube não tem nenhuma posição sobre o assunto. O clube foi quem recebeu o maior pagamento da Turner, em um total de R$ 100 milhões em contratos de luvas e outros direitos de amistosos e exploração de sócio-torcedor. As outras agremiações receberam R$ 40 milhões de luvas.


Contrato da Turner do Brasileiro gera dúvida se clubes podem rescindir
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Os contratos da Turner com os clubes para a compra dos direitos do Brasileiro a partir de 2019 preveem que a empresa pode transmitir em outros canais diferentes do Esporte Interativo. Ao mesmo tempo, o acordo não trata da possibilidade do final do canal e tem um contexto de transmissões em um canal esportivo. Será a análise dessas cláusulas que vai determinar o futuro da transmissão dos jogos do Nacional após o encerramento do canal Esporte Interativo.

A Turner tem contratos com 15 clubes para direitos do Brasileiro da Série A na TV fechada, sendo que pouco menos da metade desses está, de fato, na elite. Entre eles, estão Palmeiras, Santos, Internacional, Bahia, Atlético-PR e Ceará.

O anúncio do final do canal do Esporte Interativo na TV a cabo pegou os clubes de surpresa na quinta-feira: nenhum deles tinha sido avisado anteriormente. Depois disso, executivos da Turner ligaram para os clubes para dizer que tinham a intenção de manter o compromisso, e transmitir os jogos no canal Space e TNT como anunciado.

Mas já estava instalado um cenário de desconfiança entre os clubes. O presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, fala claramente em partir para a briga e levar o caso para o rompimento. “Não há outro caminho. Já havia problemas na relação por conta da questão da luvas superiores para o Palmeiras”, afirmou o dirigente.

Clubes como Santos e Atlético-PR são mais cautelosos, preferindo esperar uma avaliação do contrato para saber quais os próximos passos. “O jurídico ainda está analisando”, afirmou Marcelo Frazão, diretor de marketing do Santos.

A questão é a leitura do contrato que tem dados que podem levar a conclusões diferentes sobre as consequências com o final do canal. Primeiro, o compromisso é assinado com a Turner que continua a existir, e não com o Esporte Interativo. Segundo, o documento tem um cláusula em que permite que a empresa transmita os jogos em outros canais diferentes do Esporte Interativo.

Mas o problema é que não há nenhuma previsão do final do canal. E, segundo o blog apurou, todo o contrato é feito em um contexto de exibição das partidas em um canal exclusivo de esportes. E também não se especifica nem se é permitido que não se transmita jogos no Esporte Interativo nem o que ocorreria no caso de final do canal.

Neste contexto, os clubes veem um prejuízo porque a exibição de marcas de seus patrocinadores pode ser inferior à prevista. E há a argumentação de que, se não houvesse o Esporte Interativo, a negociação teria sido feita de forma completamente diferente.

Do outro lado, a Turner tem a cláusula a seu favor e pode exigir a execução do contrato. Além disso, houve uma antecipação de R$ 40 milhões para cada um dos clubes, dinheiro que é como um misto de antecipação/luvas. Ou seja, se tentarem romper, os clubes poderiam ter de devolver os recursos e possivelmente ter de pagar indenizações.

Caso os clubes de fato partam para a briga, a questão será decidida por uma corte de arbitragem da FGV (Fundação Getúlio Vargas). Um grande empecilho é o tempo visto que o caso teria de ser decidido antes do início do Brasileiro-2019.


Clubes e CBF racham sobre venda de direitos internacionais do Brasileiro
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Os clubes racharam na negociação por direitos internacionais do Brasileiro. De um lado, 11 times já assinaram um acordo com a empresa BR para venda das propriedades com o apoio da CBF. Do outro, agremiações como Flamengo, Corinthians, Atlético-PR, Bahia e Cruzeiro querem mais tempo para analisar outra proposta superior de um fundo antes de referendar um negócio. Uma reunião em Brasília tratou da questão e há contrariedade de parte dos clubes.

Antes da Copa, a CBF se propôs a intermediar a negociação de direitos internacionais e placas do Brasileiro já que a Globo não adquiriu essas propriedades. Houve uma concorrência e uma comissão de clubes juntamente com a confederação aceitou uma proposta do grupo BR Foot, que faz parte de um grupo com o Riza Capital. Eram R$ 550 milhões por quatro anos de contrato.

As negociações já estavam nos trâmites contratuais com finalização dos documentos para assinatura. Mas, durante o processo, uma proposta de um fundo inglês chegou por meio de um clube e já foi oficializada para a CBF. A proposta é de US$ 220 milhões (R$ 815 milhões), mas tem um formato diferente da primeira. Esse é o valor que pode ser atingindo, dependendo de condições, e seria como luvas descontado dos valores obtidos na revenda. Além disso, outros grupos acenaram com fazer ofertas pela propriedade.

Diante disso, os clubes se reuniram em Brasília nesta terça-feira para discutir a questão. Um grupo composto por Corinthians, Flamengo, Bahia e Cruzeiro votou para que não houvesse uma assinatura agora e se estudasse melhor a questão. Na reunião, estava o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, que informou que outros 11 times já tinham assinado o contrato.

“Confere, não assino tendo proposta melhor”, afirmou o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez sobre a informação.

O vice-presidente executivo do Cruzeiro, Marco Antônio Lage, que conduz as negociações, disse que, de fato, a primeira proposta estava já aprovada, mas que os clubes têm que analisar um possível ganho ecômico maior. A questão é saber se o novo fundo vai dar garantias de pagamento como fez o anterior, pois seu valor oferecido é bem superior. Representaria R$ 10 milhões por ano para cada clube se dividido igualitariamente.

“O que ficou definido é que faremos uma avaliação dessa proposta. Procurar o interessado para que ele oficialize”, disse ele. “Não tem problema quem assinou porque no final vai assinar todo mundo. O formato de revenda internacional é com participação dos clubes, mas temos que analisar o aspecto econômico.”

Há uma outra questão que tem gerado contrariedade em alguns clubes. Dois dirigentes dizem que a CBF levaria comissão no contrato da BR Foot em um percentual de 10%, isto é, ficaria com R$ 55 milhões. Por isso, veem pressão da entidade para assinatura do novo contrato. Questionada sobre o assunto, a confederação não respondeu sobre esse tema.

Dentro da confederação, extraoficialmente, há uma posição de que foram os próprios clubes que aprovaram a proposta da BR Foot. Nesta versão, a entidade não fez pressão por um acordo porque até preferia que uma das grandes empresas de marketing esportivo mundial como a IMG comercializasse o campeonato por uma maior difusão. A CBF já recebeu a nova proposta, mas caberá aos clubes analisá-la mais ao fundo.

 


Fla é mais um que erra ao priorizar Copa do Brasil ao Brasileiro
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Durante a semana, o Flamnego decidiu escalar sua força máxima na quartas de final da Copa do Brasil e poupar três titulares na rodada do Brasileiro (Rever, Léo Duarte e Diego), em duas partidas com o Grêmio. Levou um bom empate fora no mata-mata e perdeu a liderança do Nacional para o São Paulo ao ser derrotado no final de semana em uma atuação ruim e sem intensidade.

É mais um clube que adota a estratégia de priorizar uma Copa em detrimento do campeonato mais importante de pontos corridos. Fizeram o mesmo o Grêmio no ano passado ao abdicar da disputa com o Corinthians, e o Cruzeiro tem optado pela mesma prática, entre outros times.

Trata-se de um equívoco porque as premissas desse plano não se sustentam. Primeiro, há um raciocínio de que é preciso brigar em todas as frentes. Bom, o única time que ganhou a Copa do Brasil e o Brasileiro de pontos corridos na mesma temporada foi o Cruzeiro em 2003. Nenhum venceu uma das competições nacionais e a Libertadores na mesma temporada.

Mesmo na Europa, onde a maratona de jogos é menor, a tríplice coroa é feito dificílimo ocorrido com o Bayern de Munique (2013) e o Barcelona (2015), clubes com elencos bem mais completos e com domínio amplo no seu país (caso dos alemães). Na América do Sul, é quase impossível. É preciso escolher, portanto, ou não se vai a lugar nenhum.

A opção pelo mata-mata costuma ser defendida com o seguinte racicínio: faltam apenas cinco jogos para a taça na Copa do Brasil e é possível recuperar no Brasileiro. O próprio técnico rubro-negro Maurício Barbieri afirmou que seu objetivo é manter o time entre os três primeiros, isto é, não pensava em manter a liderança a qualquer custo. Vê possibilidade de recuperar.

É um raciocínio que a realidade desmente. Os pontos perdidos no Brasileiro não se recuperam, assim como a chance de enfrentar um time reserva de um forte Grêmio fora. E, se o clube poupa nas quartas-de-final, vai também evitar titulares em outras fases e serão outras rodadas meia-boca. Então, poupar no Brasileiro, é, sim, priorizar o mata-mata e deixar de lado o Nacional.

O que não se justifica porque o Brasileiro é o campeonato mais importante do país, e o mais previsível para um time forte como se desenha o Flamengo nesta temporada. É nele que pode se ter certeza de que um futebol mais consistente leva ao título.

Equivoca-se quem pensa que a Copa do Brasil é mais fácil por ser mais curta. Essas cinco partidas têm forte elemento de aleatório, de acaso, porque são decididas em dois confrontos e possivelmente em pênaltis. Veja que o Grêmio foi eliminado por um Cruzeiro inferior em 2017.  O mata-mata, portanto, deveria ser a aposta para times que não tem condição de vencer o principal campeonato.

Mesmo para o Grêmio, que está agora em terceiro lugar no Brasileiro, a opção é bem questionável porque o time tem condições de brigar pelo título caso se interesse por ele. Apresenta melhor futebol, por exemplo, do que o São Paulo. No caso gremista, há o elemento de a torcida gostar de Copas o que pelo menos torna compreensível a escolha de Renato, ainda que não seja o que se espera do planejamento mais lógico para a temporada.

Já no caso rubro-negro a escolha pela Copa do Brasil faz pouquíssimo sentido. O time era líder do campeonato, e a torcida gosta do Brasileiro competição que o clube já venceu seis vezes.  É certo que o calendário da CBF não ajuda os clubes, mas, diante do cenário já posto, cabe a dirigentes e técnicos planejarem de forma inteligente seus recursos sob pena de acreditarem em ilusões e acabarem sem nada na mão.


CBF ignora ‘cliente’ do futebol ao contribuir para piorar nível do futebol
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Quarta-feira, Grêmio e Flamengo realizam um jogo intenso do início ao final, com qualidade de troca de passes, individual e de marcação dos dois times. A partida teve placar definido aos 48min com gol de empate rubro-negro. Um jogo para elevar as avaliações sobre até onde podem ir o futebol do país.

Sábado, Grêmio e Flamengo voltaram a se enfrentar com o time gaúcho vencendo o duelo por 2 a 0, mas escalando reservas para poupar para a Libertadores. Na ponta do campeonato, os rubro-negros tiveram quase todo seu time principal (somente a dupla de zaga e o meia Diego foram poupados), mas não chegaram nem perto da intensidade da partida do mata-mata, rodando a bola inultilmente como um time enfadado.

As duas realidades distintas em duas partidas com os mesmos times são reveladoras do cenário do futebol brasileiro. Um calendário em que as partidas dos principais campeonatos são espremidas em maratonas insanas que impedem que os clubes nacionais se apresentem na sua melhor forma em todas as ocasiões. Escalar times no Brasil para os técnicos é a arte do possível.

Para a temporada de 2019, pouca coisa vai mudar como já demonstram os planos iniciais da CBF. De novo, um Brasileiro rachado pela Copa América e espremido com rodadas de meio de semana, Libertadores e Copa do Brasil encavalados, enquanto os inúteis Estaduais se estendem por três ou quatro meses do ano.

Quando discutimos o abismo que existe entre o futebol brasileiro e o europeu, costumamos nos ater à diferença entre as mega estrelas de lá com as nossas misturas de veteranos com garotos. A balança é, de fato, cruel conosco.

Mas, recentemente, clubes como Flamengo, Palmeiras e Grêmio têm melhorado suas gestões e portanto têm conseguido reter por um pouco mais tempo alguns jogadores, além de repatriar outros de bom nível. Veja que tanto gremistas quanto palmeirenses recusaram propostas por jogadores-chaves. Quando saem, jogadores brasileiros têm sido mais caros do que anteriormente, como mostra a arrecadação recorde do mês de julho. Há, sim, sinais de um mercado mais forte.

A questão é que não adianta melhorar o nível dos jogadores que entram em campo se não lhes é dada uma condição similar à europeia fora dele, com um calendário mais racional, gramados com qualidade melhor, arbitragens de nível mais compatível com o profissionalismo (o VAR chegou aqui com atraso e só na Copa do Brasil).

Neste caso, a culpa é da CBF, mas é também dos clubes. Seria papel deles, de preferência, criar uma entidade para cuidar exclusivamente do seu produto por meio de liga. Na impossibilidade de isso acontecer, pela resistência política da CBF, cabe aos clubes se reunirem e deixarem clara sua contrariedade com o modelo atual.

Sim, há clubes como os paulistas que têm mais vantagem com o Estadual pelas cotas maiores. Essa, no entanto, é uma visão de curto prazo. Um jogo nobre do Brasileiro em final de semana estendido por dez meses e bem trabalhado como produto terá uma valorização suficiente para compensar as perdas com os regionais.

No final das contas, se a pergunta for feita ao cliente final que é o torcedor, dificilmente haverá quem defenda o modelo atual. Será que aquele que está em casa ou no estádio prefere ver um jogo intenso de titulares de bom nível em disputa em estádio cheio ou mistões dos dois lados com a arquibancada meia-boca?


Nova proposta por direitos internacionais do Brasileiro balança clubes
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Uma nova proposta de um fundo inglês pelos direitos internacionais do Brasileiro a partir de 2019 leva os clubes a repensarem o acordo com um grupo nacional que ainda não foi assinado. A nova oferta é de um valor garantido de US$ 220 milhões (R$ 815 milhões), superior aos R$ 110 milhões aceitos anteriormente do banco Riza Capital por quatro anos. Dirigentes de clubes marcaram nova reunião para discutir o caso pois a segunda proposta já foi enviada à CBF.

Com os novos contratos do Brasileiro para 2019, a Globo não comprou os direitos internacionais, nem de placas em volta do campo. Isso deixou em aberto esses direitos e a CBF se ofereceu para negociar em nome dos clubes.

Houve uma concorrência e apresentação de propostas. A melhor delas até então foi do banco de investimentos Riza Capital, que tem entre seus investidores Alexandre Grendene, Patrícia Coelho e Cesar Rocha. A oferta foi de R$ 550 milhões por ambos os direitos, sendo R$ 440 milhões pelas placas e R$ 110 milhões pelos direitos internacionais.

A comissão de clubes aceitou a oferta e o contrato estava pronto para ser assinado. Durante a Copa, no entanto, surgiu uma nova proposta de um fundo inglês cujo nome não foi revelado que a apresentou por meio de um dos clubes. Inicialmente, era uma oferta informal, mas esta foi formalizada nesta semana.

Estão na mesa US$ 220 milhões. Mas esse dinheiro seria como luvas que seriam pagas aos clubes. Enquanto isso, todas as vendas de direitos internacionais ficariam com o fundo até que se atingisse esse valor. A partir daí, os clubes e o fundo passariam a dividir o dinheiro meio a meio.

No caso do Riza Capital, o contrato seria de quatro anos com R$ 110 milhões garantidos pelos direitos internacionais. Clubes e o grupo atuariam de forma conjunta para a venda dessas propriedades.

Foi marcada uma reunião para terça-feira em Brasília com os clubes que fazem parte da comissão para discutir a nova proposta. Entre os times, estão Flamengo, Corinthians, Cruzeiro, Atlético-PR e Coritiba. Também se analisará a possibilidade de criação de uma associação dos clubes para revender os direitos em vez de a CBF atuar como intermediadora.

“Já tinha sido encaminhado o acerto com esse fundo (Riza Capital) então existe uma discussão que os clubes vão ter sobre o timing dessa proposta. Temos que ver quanto teremos de tempo para analisar a nova proposta (do fundo inglês) porque a outra estava para ser assinada”, contou o vice-presidente executivo do Cruzeiro, Marco Antônio Lage, que é parte da comissão.  “Economicamente, existe uma vantagem. Clubes têm que ver se abrem nova negociação.”

Lage ainda ressaltou que entende como importante que os clubes tenham participação na negociação dos direitos internacionais do Brasileiro que são uma propriedade pouco trabalhada no exterior. Quer a valorização desta marca. “Temos que desenvolver um projeto para tornar o produto mais conhecido.”

Para o dirigente do Cruzeiro, a negociação pode se dar por meio da CBF, sem necessidade da criação de uma associação de clubes. Questionada, a confederação não informou se já recebeu, de fato, uma nova proposta.

Há ainda uma demanda de alguns clubes de que a Globo abra mão dos direitos que tem no exterior para o seu canal internacional. É improvável, no entanto, que este pedido seja atendido visto que a emissora tem contratos que lhe garantem isso.

Em relação às placas, é possível que exista uma nova proposta também pelos direitos de placas. Flamengo e Corinthians já se retiraram do acordo relacionado às placas por entenderem que é mais vantajoso negociarem individualmente essas propriedades.


Negociação coletiva de TV domina 90% das ligas do mundo. Brasil é exceção
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A maioria dos campeonatos nacionais do mundo tem negociação coletiva de televisão, e apenas uma minoria dos contratos é fechada individualmente pelos clubes. Uma dessas exceções é o Brasileiro. É o que aponta um estudo da Fifa publicado nesta semana com uma análise da realidade de ligas por todo o planeta. Outro ponto revelador é que o país é um dos poucos na elite que tem um campeonato gerido pela federação nacional, e não por uma liga.

O relatório global de futebol de clube da federação internacional está em sua segunda edição e tratou da temporada de 2017. Seu objetivo é analisar o ambiente esportivo e econômico dos times em cada país e continente. Para isso, compilou dados de cada uma das federações.

Em relação à negociação de televisão, a Fifa obteve dados de 190 países entre os seus filiados. Desse total, 170, ou cerca de 90%, tinham negociação coletiva dos direitos de televisão. Apenas 10% tinham acordos individuais de clubes.

O Brasil está nesta fatia minoritária desde 2011, quando houve a ruptura do Clube dos 13 e as negociações passaram a ser individuais. Isso se manterá pelo menos até 2024, período que contempla contratos assinados entre os clubes e a Globo ou o Esporte Interativo relacionados aos direitos do Brasileiro.

Entre os países mais representativos do futebol mundial, há outros dois campeonatos com negociações individuais: Portugal e México. Além deles, há outras nações menos relevantes no esporte com o mesmo modelo, como Angola, Cabo Verde, Egito, Peru, Ucrânia e Chipre. Nenhuma das cinco principais ligas europeias tem acordos individuais de times.

Além disso, o estudo da Fifa levantou que 59% dos campeonatos são organizados por federações nacionais, enquanto outros 41% são de responsabilidade de ligas. O Brasileiro é organizado pela CBF, que controla arbitragem, tabela e departamento técnico da competição. A confederação tem asfixiado qualquer tentativa de liga ao longo do tempo.

Apesar de a maioria dos campeonatos ter organização de federações, o Brasil é um dos poucos da elite do futebol mundial, seja na tradição ou financeiramente, com este tipo de gestão da competição. Com o mesmo modelo, há países como Chile, Uruguai, Rússia e China.

Entre os países com liga estão EUA, México, Argentina, Colômbia, Inglaterra, Itália, Espanha, França, Alemanha, Holanda, Portugal e Japão. Até em continentes como a África, onde o futebol é menos desenvolvido do que na América do Sul, 40% dos países já possuem ligas organizando seus campeonatos.

Por fim, o Brasil é o único país entre todos com futebol relevante que combina um Brasileiro organizado pela federação nacional (CBF) com negociação individual de direitos de televisão. Ou seja, é onde os clubes têm a menor capacidade de se organizar coletivamente para melhorar o desenvolvimento de seu esporte em toda a elite do esporte mundial.

 

 


Copa América repete Mundial, encurta pré-temporada e vai parar Brasileiro
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A Copa América no Brasil vai paralisar todos as divisões do campeonato nacional e encurtará a pre-temporada de clubes durante o ano de 2019. Não há previsão de redução dos Estaduais. É com esse cenário que a CBF trabalha na elaboração do calendário do futebol para o próximo ano.

O cronograma de jogos do futebol nacionais deve ser concluído até o fim do mês de agosto, embora ainda sem data para ser divulgado. Há ajustes para serem feitos. As linhas gerais, no entanto, já estão traçadas e o aperto será quase igual ao de 2018 com a Copa do Mundo, com a vantagem de que a Copa América ocupará duas semanas a menos. A competição sul-americana ocorrerá durante três semanas de junho.

“Todas as competições vão ser paralisadas para a Copa América, inclusive as séries B e C”, contou Manoel Flores, diretor de competições da CBF. “Está apertado, mas não tanto quanto na Copa do Mundo.”

A tendência é de os Estaduais serem mantidos com 18 datas, como na atual temporada. Assim, a CBF será forçada a invadir o primeiro mês do ano com competições. Atualmente, trabalha-se com meados de janeiro como possível início das atividades. A confederação, no entanto, tenta fazer ajustes para retardar um pouco mais esse data.

O que é certo é que os clubes não terão novamente uma pre-temporada de 30 dias, como é o ideal para preparação física dos jogadores. Em 2018, os Estaduais começaram no meio de janeiro, precisamente na semana do dia 17. Como houve times que acabaram a temporada no meio de dezembro de 2017, como Flamengo e Grêmio, seus times titulares voltaram de férias justamente no início da temporada.

Outra questão é que, de novo, o Brasileiro ficará espremido em seu início e no seu final, com bom número de jogos nos meios de semana. Como a Libertadores e a Copa do Brasil se estendem pelo ano, os clubes voltarão a ter de poupar jogadores para evitar quedas de ritmo. No geral, haverá pouca ou nenhuma evolução em relação à atual temporada.