Blog do Rodrigo Mattos

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CBF tinha em caixa valor suficiente para pagar 12 anos de árbitro de vídeo
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Em seu último relatório financeiro, do final de 2016, a CBF informou que tinha em caixa um valor que seria suficiente para pagar 12 anos do sistema de árbitro de vídeo no Brasileiro da Série A. A entidade alega que não pode investir no projeto por falta de fontes de recursos e por questões de compliance (governança corporativa). A mesma confederação se recusa a informar quanto tem atualmente guardado no banco.

Na segunda-feira, os clubes reprovaram o árbitro de vídeo no Brasileiro da Série A em seu Conselho Técnico. O principal argumento foi o custo que seria de R$ 500 mil por clube para o segundo turno – daria R$ 1 milhão para todo o campeonato.

Segundo a CBF, o árbitro de vídeo custaria entre R$ 40 mil e R$ 50 mil por jogo. Na conta total, isso daria um valor entre R$ 15 milhões e R$ 19 milhões. Arredondando, a confederação estimava em R$ 20 milhões para cobrir tudo.

“A CBF tem uma série de medidas de compliance atualmente. Não dá para simplesmente pegar o dinheiro e pagar”, afirmou o presidente da Comissão de Arbitragem da CBF, Marcos Marinho, ao blog.

Em entrevista à ESPN, o secretário-geral da CBF, Walter Feldman defendeu a decisão: “Não, não acho (que a CBF tem que pagar pelo sistema). Imagino que a ESPN também deve ter. Hoje em dia a CBF tem sistema de governança, de auditoria, de conselho fiscal. Nenhuma despesa pode ser realizada sem a devida fonte de financiamento. Não há fonte de financiamento da CBF para nenhum custo adicional. CBF sem nenhuma participação financeira no Brasileirão já gasta bem mais de R$ 10 milhões sem ter nenhuma contrapartida de receita.”

Pois bem, ao final de 2016, a CBF somava em seu caixa um total de R$ 245,3 milhões. A maior parte estava em aplicações financeiras em bancos. O blog pediu a confederação o número atualizado até o final de 2017, mas sua assessoria informou que não daria o dado. (Lembrança: o diretor-executivo da CBF, Rogério Caboclo, pediu transparência aos clubes também em seus dados financeiros). No ano passado, a CBF já resistia a investir o dinheiro no sistema de árbitro de vídeo apesar das sobras financeiras.

O valor do caixa da CBF tem subido ano a ano. Nos anos de 2015 e 2016, a confederação acumulou R$ 120 milhões extras de caixa. É possível que tenha havido variação de caixa em 2017, mas nada significativo  para abalar as reservas da entidade pois não houve despesas extras. Houve apenas maior custo com comissão técnica da seleção após a contratação de Tite.

Até porque a receita da entidade se mantém acima da casa de R$ 500 milhões, com lucro. Em competições, a confederação investe em torno de 15% do total, sendo o restante destinado a seleções, salários, administração, advogados, etc. Foram apenas R$ 3,8 milhões para a Série A em 2016. No ano passado, o valor não está disponível.

Ao explicar os altos custos do árbitro de vídeo, Marinho contou que o sistema ainda está em seu início de implantação. “São poucas empresas que fazem e cobram mais. Foram ouvidas três empresas”, disse ele sobre o levantamento de orçamento.

Na Europa, esse custo é bem mais baixo, como mostrado pelo UOL, e a justificativa seria a necessidade de maior infraestrutura no Brasil. “Tem que instalar um sistema em cada um dos estádios. A Globo apenas distribui as imagens”, contou Marinho.

 

 


CBF se abre a propostas para saber quanto vale o Brasileirão no exterior
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A CBF realiza uma disputa informal entre agências para avaliar e negociar os direito de transmissão no Brasileiro no exterior a partir de 2019. Os clubes deram à entidade uma autorização para fazer essa negociação já que a Globo desistiu de comercializar o campeonato lá fora.

O problema é que o valor arrecado com o Nacional no exterior costuma ser bem pequeno comparado com o que se ganha no país. A ideia da CBF ao contratar uma agência é justamente fazer um trabalho para avaliar mercados potenciais e formas de comercializar o campeonato com maiores vantagens. O foco é em aumentar a exposição da competição.

Está previsto que cinco ou seis agências de marketing esportivo entreguem propostas de comercialização do Nacional até a próxima sexta-feira. Ou seja, não há critérios definidos como uma licitação em que os concorrentes marcam pontos em cada item. Com todas as propostas na mão, a CBF vai avaliar qual é a melhor de negociar o campeonato.

Dificilmente haverá uma agência que se arrisque a propor um valor garantido alto pelo parco interesse no Brasileiro fora do país. Por isso, a proposta deve envolver uma forma de dar maior visibilidade ao campeonato em outros territórios.

O baixo valor obtido pelo Brasileiro no exterior se deve a vários fatores: falta de uma marca consolidada, promoção pequena da competição, calendário desorganizado, ausência de estrelas internacionais nos times, fuso-horário ruim. Essa é a avaliação de uma fonte envolvida no processo. Além disso, a Globo continuará a deter o direito de exibir os jogos em seu canal internacional.

Por isso, haverá estudos inclusive para saber se o melhor é comercializar por meio de venda do ativo para redes de televisão ou se pode se usar outras plataformas como a internet. Algumas ligas como a NBA e a de beisebol já têm comercialização por assinatura paga na rede. Outra questão é a de construção de marca do Brasileiro lá fora, que é feito de forma fragmentada por isso.

É exatamente por conta dessas dificuldades que a Globo desistiu de renovar os contratos sobre os direitos internacionais do Brasileiro na negociação dos novos contratos em 2016. A emissora ficou com esses direitos e suas vendas apenas até 2018 quando já realiza o processo.

A partir daí, a CBF reuniu todos os clubes no ano passado e se propôs a realizar essa comercialização do Nacional. Os clubes da Série A assinaram, então, uma cessão à confederação dos seus direitos para realizar a negociação. Mas, no caso de haver uma proposta fechada pelos direitos, os clubes terá de aprovar a venda do campeonato em posterior contrato.

 


Com negociação difícil com Globo, clubes podem usar garantia da Turner
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Após dois anos da disputa por direitos de TV do Brasileiro, boa parte dos clubes que assinou com o Esporte Interativo continua com a negociação travada com a Globo em relação à TV Aberta em 2019. Assim, há times que já estudam exercer uma cláusula de garantia do Esporte Interativo de que pagaria por esses direitos caso não houvesse acordo com outra emissora. Essa decisão será tomada até o segundo semestre deste ano.

Em 2016, Globo e Esporte Interativo disputaram os direitos de TV Fechada do Nacional, com luvas e propostas de modelos novos de distribuição de dinheiro. Na tabela do Brasileiro-2018, a Globo tem 13 clubes para a TV Fechada e o Esporte Interativo, sete.

A questão é que ficaram sem definição de direitos de TV Aberta desses times acertados com a Turner, além do São Paulo que se acertou só com o Sportv. A Globo tem conversado com essas equipes. No final do ano, por exemplo, houve encontros com dirigentes do Bahia e Palmeiras durante o sorteio da Libertadores.

A questão é que há clubes como o baiano, o Santos, o Atlético-PR e o Coritiba que não ficaram satisfeitos com a proposta da Globo. O modelo apresentado pela emissora é igual ao para outros clubes, com 40% fixo em partes iguais, 30% por exibição e 30% por premiação por posição.

Dirigentes de times avaliam que esse valor pode ser menor do que o do atual contrato de TV Aberta do Brasileiro. Explica-se: para atingir a proposta do Esporte Interativo, a Globo redistribuiu o total oferecido aos clubes, deslocando parte do dinheiro da Aberta para a Fechada. Resultado: quem fechar só na Aberta terá um bolo menor do que o atual. Outro ponto levantado é que o total que receberiam ficaria nas mãos da emissora que decide quantas vezes exibe cada equipe.

Em contraponto, a Globo argumenta que adotou exatamente o modelo proposto por vários clubes. Mais: alega que o critério de exibição é justo por ser baseado nas aparições na TV. Esse tipo de cláusula por mérito é utilizado em contratos de várias ligas, na versão da emissora.

Com isso, os clubes estudam se é mais vantagem exercerem a cláusula de garantia da Turner. Segundo apurou o blog, há a garantia de que o Esporte Interativo compra os direitos de TV Aberta de cada clube por R$ 18 milhões. Terão de fazer contas para saber qual o negócio mais vantajoso.

Neste caso, a Turner poderia revender os direitos de TV Aberta para uma emissora, ou simplesmente manter a exclusividade sobre esse jogos na TV Fechada. O Esporte Interativo entende que o valor estava previsto no contrato, então, já faz parte da conta estimada para compras de direitos.

Até o segundo semestre, haverá essa queda de braço entre os clubes com a Globo. Do lado da emissora, se não fechar com esses times, terá reduzida a sua disponibilidade para escolher jogos na TV Aberta. Do lado das equipes, terão de estudar qual o melhor negócio financeiro.


Reunião de clubes votará árbitro de vídeo e grama sintética no Brasileiro
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Convocados pela CBF, os clubes terão de votar se aceitam pagar pelo árbitro de vídeo e se será permitido o gramado sintético do Atlético-PR em Conselho Técnico do Brasileiro da Série A. A reunião foi marcada para o próximo 5 de fevereiro, sendo seguidas pelos encontros das Séries B e C. Só depois disso sai o regulamento da competição.

A confederação já terminou o seu projeto de árbitro de vídeo, tendo levantado um custo estimado por meio de empresas. O valor não foi revelado pela entidade, mas sabe-se que ficou acima dos R$ 15 milhões inicialmente propostos.

Na reunião com os clubes, a CBF vai apresentar um vídeo com detalhes de como funcionará o árbitro de vídeo se aprovado, além de dar informações de qual será o impacto do jogo. Os árbitros da confederação já estão treinados e o departamento de arbitragem está pronto para iniciar o projeto.

A questão é que a CBF não quer custear todo os valores. Sua intenção é repassar parte dos gastos para os clubes, ainda sem especificar qual o percentual. Dirigentes de clubes ouvidos pelo blog mostraram contrariedade com o fato e dizem que vão analisar com cuidado qual o custo e como será dividido. Mas, ao mesmo tempo, há dirigentes que defendem há bastante tempo as reformas da arbitragem da confederação.

Outra questão a ser levantada é o uso do gramado sintético no estádio do Atlético-PR, na Arena da Baixada. No ano passado, no Conselho Técnico, o ex-presidente do Vasco Eurico Miranda conseguiu aprovar uma medida para eliminar o gramado, o que foi adiado para 2018. Agora, essa questão voltará a pauta para saber se a decisão será referendada.

Durante o Brasileiro de 2017, o Atlético-PR entrevistou jogadores e técnicos dos times adversários para saber sobre a qualidade de seu gramado. A informação é que ouviu da maioria que não havia interferência na partida, ou favorecimento ao time paranaense.

Assim, o Atlético-PR não tirou seu gramado sintético, já que este tem bem menor custo do que o natural. Dirigentes do clube, portanto, esperam convencer seus pares de outros times de não ratificar a proibição ao sintético, aceitando o que existe hoje. Um dos argumentos é que, ao contrário do que ocorreu em 2016, o time paranaense não teve vantagem significativa em seu desempenho dentro de casa.

 


Como saúde financeira dos clubes melhoraria nível do futebol brasileiro
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A temporada de 2018 começou com boa parte dos clubes brasileiros em crise financeira logo após estes mesmas agremiações terem sido beneficiadas com um programa para pagamento de dívidas e luvas de televisão. Uma novela repetida em que dirigentes preferem investir pesado no futebol a adotar regras básicas empresariais. O que falta de compreensão aos cartolas brasileiros é que, a longo prazo, uma recuperação das contas se refletiria em melhoria técnica em campo.

Para explicar isso, é preciso lembrar que o mercado de futebol do Brasil ainda é pouco regulado em termos de finanças em relação a outras ligas europeias. A CBF instituiu um licenciamento para clubes para 2018 sem que exista nenhum regra de fair play financeiro, isto é, que puna aqueles que gastem sem ter dinheiro. Isso já existe na Europa e na Ásia. No Brasil, só há é a Lei do Profut que prevê exclusão do refinanciamento.

Pois bem, a Alemanha é o país onde há talvez a maior regulação financeira dos clubes. Por isso, é uma liga que gasta bem menos com contratações de jogadores do que as outras, como a Inglesa ou Espanhola. A exceção é o Bayern de Munique, que tem uma receita próxima de Real Madrid e Barcelona. Mesmo assim, gasta menos do que esses.

Outra característica da liga alemã é que seus clubes não podem ser comprados por milionários estrangeiros. O controle acionário tem que ser mantido com associações, isto é, aqueles sócios que fazem parte da fundação do clube. Há exceções apenas para times como o Wolsburg porque a Wolkswagen está há mais de 20 anos controlando o time, com raízes ligadas a sua fundação, mesma situação do Bayen Leverkussen. O Red Bull Leipizig gera polêmica por ter um dono recente.

Se não tem investidores milionários, nem gasta os turbos com contratações, como a liga alemã é uma das de maior nível técnico e atratividade do mundo? Um ponto é o desenvolvimento das divisões de base locais, incentivada pela liga e federação alemãs porque os clubes têm que fazer investimentos obrigatórios nos últimos 15 anos. Ora, com a revelação de atletas, os clubes se tornam muito menos dependentes de contratações.

Não é preciso ser um gênio para constatar que o modelo se encaixaria perfeitamente no Brasil. O país é o maior celeiro de jogadores do futebol mundial. Se os clubes tivessem equilibrados financeiramente, e com pequenas mudanças na legislação, seria possível tornar bem mais difícil tirar jogadores do Brasil. Claro, o jogador do nível de Neymar continuará a ir para Barcelonas e PSGs. Mas atletas de talento com bom nível técnico só sairiam por valores bem mais altos do que os atuais, ou não sairiam.

Cada liga europeia identifica o que tem de ponto mais forte. No caso alemão, revelações e fidelidade do time. No caso espanhol, dois times de repercussão global que puxam a liga inteira. No caso inglês, a força econômica de contratos que atingem valores astronômicos. A liga italiana decaiu, mas ainda acha na cultura tática e na Juventus sua força. Mas precisa se reinventar.

O Brasil precisa achar a sua cara, e isso tem que ser na aposta na manutenção de talentos, não no investimento em veteranos a alto custo. Mas, para isso, tem que se aumentar também o gasto com divisão de base. Os clubes nacionais investem a metade dos alemães neste item, e de forma irregular, segundo dados levantados pelo Ministério das Relações Exteriores do Brasil sobre o tema. Ou seja, um São Paulo gasta muito, e outros bem menos, por exemplo. Não há padrão.

Investir em divisão de base e acertar as contas para manter os atletas não dá Ibope e nem títulos imediatos. Mais do que isso, não permite um monte de transações com comissões astronômicas para agentes (e sabe se lá a que outras pessoas no caminho). Exatamente o ciclo vicioso em que está preso o futebol nacional. Os agentes deveriam focar em ganhar dinheiro com a gestão da carreira de seus atletas, não com transações. E os cartolas em desenvolverem planos a longo prazo, não em holofotes momentâneos.

Dado esse primeiro passo, a liga brasileira poderia então formar uma base forte e melhorar o nível técnico para poder ser vendável no exterior como produto inteiro, como campeonato. Atualmente, há pouquíssimo interesse nos jogos do Brasil porque são de baixo nível técnico. Aí, sim, haveria novo salto de receita. De todo esse roteiro, o primeiro passo é que os clubes equilibrem suas finanças. Sem isso, não será possível dar nenhum dos passos seguintes.


Com Globo e EI, Brasileiro terá premiações totais de até R$ 330 mi em 2019
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Campeão brasileiro em 2017, o Corinthians ganhou uma premiação de R$ 18 milhões pelo título, dinheiro que faz parte do contrato de televisão. Pouco se comparado ao que se ganhará o campeão da Copa do Brasil e até a Libertadores, em 2018. O Nacional só se tornará uma competição forte de distribuição de dinheiro por colocação em 2019 com os novos acordos de televisão.

Com seu novo modelo de cotas, a Globo prevê dar 30% do total do contrato de R$ 1,1 bilhão (TV Aberta e Fechada) por posições no Brasileiro. Ou seja, considerando que tivesse 20 times no campeonato, daria R$ 330 milhões. Atualmente, em 2017, o total de premiação atingiu apenas R$ 63,8 milhões. Haverá um reajuste para 2018 pela inflação.

Em relação aos times com contrato com o Esporte Interativo, também haverá 25% do dinheiro distribuído por posição no campeonato. O canal deve desembolsar R$ 220 milhões se tiver as oito equipes no campeonato (tinha oferecido R$ 550 milhões por 20 clubes). Ou seja, haveria R$ 55 milhões em valores divididos por colocações.

Cada emissora só vai pagar para as equipes com quem tenha contrato, proporcionalmente aos direitos adquiridos. A Globo, por exemplo, vai pagar premiação maior a quem tiver contrato com ela para TV Aberta e Fechada, assim como o Esporte Interativo só pagará aos que tenham vendido seus direitos a eles. Assim, os valores das duas emissoras não se acumulam e é impossível agora saber qual o bolo por premiação.

De qualquer maneira, a previsão é que, a grosso modo, o bolo do dinheiro distribuído por colocação no campeonato seja multiplicado por quatro ou cinco vezes em 2019. Será portanto muito mais importante ficar em posições avançadas na tabela sob o ponto de vista financeiro.

Para se ter ideia, a Globo já fixou o prêmio para o campeão a partir de 2019 e este será de R$ 33 milhões. É mais de 80% superior ao valor destinado ao campeão Corinthians neste ano.

O modelo que incrementa a cota destinada à colocação no campeonato aproxima o Brasileiro do modelo inglês, onde há uma cota fixa, um total por desempenho esportivo e outro com critério de mercado. No caso deste último, a Globo usa o número de exibições na TV e o Esporte Interativo, a audiência.

 


Na Libertadores, Chape vive novo cenário e já tem metade do elenco de 2018
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Classificada para a pré-Libertadores na última rodada, a Chapecoense tem uma grande diferença para a montagem de seu time para 2018: já garantiu a permanência de cerca de metade do elenco. Uma cenário bem diferente do ano passado quando o clube tinha um time do zero após o acidente aéreo que matou a maior parte de seus jogadores. Haverá também um orçamento maior para o próximo ano.

Em dezembro de 2016, caiu o avião com praticamente todo elenco da Chapecoense. Clubes brasileiros se mobilizaram para ajudar com um empréstimos de jogadores e até ofereceram isenção de rebaixamento. O time catarinense recusou o privilégio na tabela, mas aceitou os jogadores.

Passado um ano, a Chape superou a meta de apenas se livrar do rebaixamento à Série B e conquistou uma vaga na pré-Libertadores. Agora, se prepara para montar um novo time com as próprias pernas.

“Foi aprimorado o orçamento. Estamos na Libertadores e isso dá uma maior performance. O presidente já informou que podemos contar com um orçamento melhor embora eu não possa falar em números”, contou o executivo Rui Costa. “Nós tínhamos jogadores emprestados que podíamos comprar e outros que sabíamos que as opções de compra eram inviáveis pelos valores.”

Um exemplo é o lateral-esquerdo Reinaldo, do São Paulo, que a diretoria da Chapecoense já tinha percebido que não poderia contar apesar de ter conversado sobre isso com o clube paulista. Sua volta ao São Paulo já é certa. Mas outros ficarão.

“Já fechamos a permanência de 45% a 48% do elenco (em torno de 15 jogadores). Nosso objetivo é manter 70% do elenco”, contou Costa. A ideia é manter o perfil de jogadores que proporcionem uma defesa forte com pegada, saída rápida de contra-ataque e jogo aéreo eficiente. Foi isso que manteve o estilo de jogo apesar das trocas de técnicos.

Embora não fale abertamente, a diretoria da Chape já espera que a partir de agora terá de encarar condições normais de mercado, sem empréstimos com pagamento de salário de clubes como no ano passado. Considera que isso é normal diante da evolução do time que se tornou um concorrente.

O presidente da Chapecoense, Plínio David Nês Filho, o Maninho, contou que, de fato, não era meta inicial a vaga na Libertadores. O clube queria ficar apenas na primeira parte da tabela, e fugir da Série B. No final do campeonato que vislumbrou que havia brecha para obter uma vaga na competição.

“Com relação ao que aconteceu, sim, houve um projeto que foi acompanhado por estatística. Sabíamos que podíamos atingir a primeira parte da tabela e queríamos fazer 51 pontos. A partir das seis rodadas finais, vendo o desempenho dos outros time e do nosso, vimos a possibilidade da Libertadores”, contou o dirigente da Chape.

 


Palmeiras e Fla têm maiores quedas de desempenho no Brasileiro-2017
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Em comparação com o ano passado, Palmeiras e Flamengo foram os times que tiveram a maior queda de pontuação no Brasileiro-2017. São justamente os clubes com maior investimento na temporada. Quem mais evoluiu, logicamente, foi o campeão Corinthians.

Ressalte-se que essa comparação não trata do desempenho da temporada inteira. Irregular nos pontos corridos, o time rubro-negro, por exemplo, chegou a duas finais em mata-matas, Copa do Brasil e Sul-Americana, embora tenha sido eliminado na primeira fase da Libertadores.

Com campanha excepcional no ano passado, o Palmeiras atingiu 80 pontos, 17 a mais do que os 63 obtidos em 2017. Houve uma queda geral da pontuação de elite, o que permitiu que o time acabasse como vice, uma posição abaixo do ano passado. Mas a equipe palmeirense foi a com maior queda em seu desempenho.

Em seguida, está o Flamengo. Em 2016, o time conquistou 71 pontos, contra apenas 56 na atual temporada. Ou seja, foram 15 pontos a menos, caindo de terceiro para sexto no geral. Não houve impacto prático: o time acabou com a classificação à mesma fase de grupos do ano passado. Mas isso graças a títulos de Cruzeiro e Grêmio que alongaram o grupo de classificados.

Mais um com queda significativa foi a Ponte Preta que ganhou 14 pontos a menos em 2017 em relação ao ano passado. Sua piora teve impacto significativo: o time acabou rebaixado à Série B. Santos e Atlético-MG foram outros que tiveram piora de desempenho relevante.

Do outro lado, o Corinthians teve uma melhora do tamanho da queda palmeirenses. Conquistou 17 pontos a mais neste ano do que no Brasileiro-2016. Saltou assim da 7a posição para o título.

Em seguida, outro que teve melhora foi o Grêmio. Apesar de não ter priorizado o Nacional, o time somou nove pontos a mais do que em 2016. Mais um que incrementou seu desempenho foi o Cruzeiro com seis pontos extras em relação ao ano passado.

Há uma faixa de clubes que se manteve quase estável como Chapecoense, São Paulo, Sport, Vitória, Coritiba, Fluminense. Mas a leve queda de desempenho do Coritiba acabou sendo fatal com o seu rebaixamento. Já Botafogo e Atlético-PR tiveram pioras (de seis pontos) e por isso estão fora da Libertadores. Veja na tabela abaixo a comparação entre a temporada 2016 e a 2017.

Corinthians – + 17 pontos

Grêmio – + 9 pontos

Cruzeiro – + 6 pontos

Chapecoense – + 2 pontos

São Paulo – -2 pontos

Sport – -2 pontos

Vitória – – 2 pontos

Coritiba – -3 pontos

Fluminense – -3 pontos

Botafogo – -6 pontos

Atlético-PR – -6 pontos

Santos – -8 pontos

Atlético-MG – -8 pontos

Ponte Preta – -14 pontos

Flamengo  – -15 pontos

Palmeiras – -17 pontos

PS Não foram incluídos no levantamento os times que disputaram a Série B em 2016 porque seria impossível a comparação entre divisões.


Nunca foi tão fácil se classificar para a Libertadores no Brasil
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O Brasileiro deve ter a vaga na Libertadores mais fácil na história pela tabela atual da competição. Isso se deve ao alto número de vagas dado pela Conmebol ao Brasil e à pontuação baixa das equipes que brigam por um lugar na competição. E essa facilidade pode se tornar ainda maior dependendo dos resultados de Grêmio e Flamengo nos campeonatos sul-americanos.

Ao final do ano passado, a Conmebol decidiu dar duas vagas extras para times brasileiros na Libertadores, somando-se assim seis vagas fixas pelo Nacional e uma pela Copa do Brasil. Isso já valeu na edição 2016. Pela atual tabela de 2017, com o Cruzeiro campeão da Copa do Brasil no grupo da frente, há um G7 que classifica até o sétimo do Brasileiro à Libertadores.

Pois bem, quem ocupa a sétima posição é o Botafogo com 52 pontos. No ano passado, na mesma 36a rodada, o último classificado para a Libertadores, na fase pré, era o mesmo Botafogo com 55 pontos, que então ocupava a sexta colocação. Lembre-se que o Grêmio, então campeão da Copa do Brasil, não estava no grupo da frente.

Ao final, o Atlético-PR ocupou a última vaga na pré-Libertadores em 2016 ao ficar com 57 pontos na sexta posição. É bem improvável que o derradeiro classificado à principal competição sul-americana atinja esse patamar no atual Brasileiro.

Até porque ainda há a possiblidade de títulos de Grêmio (Libertadores) e Flamengo (Sul-Americana). No caso de triunfo duplo, haveria vaga até para o Vasco na pré-Libertadores, já que o time ocupa a nona posição. Com 50 pontos, o time alvinegro carioca sequer tem 50% dos pontos conquistados. Aliás, abaixo do quinto colocado Cruzeiro, as outras equipes não atingiram esse patamar.

Para se ter ideia da diferença, até 2015, nenhum clube tinha conseguido chegar à principal competição sul-americana com menos de 60 pontos. Até então só havia G4. Considerada a 36 rodada, a equipe teria de ter pelo menos 56 pontos para almejar uma vaga, muito acima dos times que brigam atualmente na Libertadores.


Corinthians ganha 30% dos Brasileiros em 20 anos em domínio inédito
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Ao conquistar seu sétimo título, o Corinthians estabeleceu um domínio inédito na história do Brasileiro nos últimos vinte anos: ganhou seis títulos. Triunfou portanto em 30% das edições do Nacional neste período o que nunca tinha ocorrido anteriormente em um período tão longo.

Ressalte-se que aqui está se considerando o Brasileiro a partir de 1971 quando de fato era um campeonato com este nome. Essa competição é caracterizada pelo equilíbrio em que mesmo grandes times têm épocas de glórias seguidas de grande jejum. Após o Nacional de 2015, o blog já mostrava que o Corinthians era a equipe mais vitoriosa na última década no Brasil.

Para se ter ideia, só dois times além do alvinegro estabeleceram um número de títulos considerável em período curto. O Flamengo ganhou o Brasileiro cinco vezes de 1980 a 1992, isto é, em 13 anos. Já o São Paulo obteve cinco conquistas em 23 anos, de 1986 a 2008, garantindo um inédito tricampeonato.

O Corinthians esteve sem Nacional por 20 anos até ganhar sua primeira edição em 1990. Mas foi, a partir de de 1998, que o time passou a ter regularidade na conquista de títulos. Primeiro, foi o esquadrão formado com investimento da Hicks & Muse, de grande qualidade técnica, que levou o clube ao bicampeonato.

Em seguida, de novo, um período de fartura levou à conquista liderada por Carlos Tévez em 2005. Na atual década, o Corinthians levou três títulos em 2011, 2015 e 2017.

No Brasileiro deste ano, o time liderou desde o início abrindo larga vantagem no primeiro turno. Caiu de rendimento e chegou a ser ameaçado no segundo turno, mas voltou a vencer para encerrar o campeonato a três rodadas do final com o triunfo diante do Fluminense. Chegou ao título, portanto, porque foi superior aos outros no campo.