Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Copa do Brasil

Oposição, Atlético-PR vê em Fernando Diniz chance de ser diferente em campo
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Oposição à CBF e crítica da Globo, a diretoria do Atlético-PR vê no técnico Fernando Diniz a chance de ser diferente também em campo, com um estilo de jogo inovador. É o que conta o homem-forte do clube, Mário Celso Petraglia. Ele decidiu contratar o treinador e ao mesmo tempo lhe dar poderes para implantar suas ideias em todas as divisões dos clubes.

“Fernando Diniz trouxe o que nós buscávamos dentro de campo: inovação, excelência. Não podíamos fazer mais do mesmo no futebol. Estamos eternizados como clube que enfrenta esse cartel da Globo, do sistema. Faltava trazer algo de diferente no futebol, que é o coração do clube”, contou Petraglia.

Logo em seus primeiros jogos, o Atlético-PR tem se caracterizado por um sistema moderno de jogo com prioridade para a posse de bola e jogo de triangulações ofensivo. O esquema com três zagueiros que saem com a bola, em geral, no chão, e abre bastante as jogadas com dois alas, além de contar com três atacantes móveis.

Menos importante do que o esquema, é a ideia de ter a bola e dominar o adversário. Isso baseado em um jogo coletivo, não necessariamente em valores individuais extraodinários. “Temos que ser independentes de craques porque não podemos pagar salários de R$ 500 mil”, analisou Petraglia, que vê no tipo de jogo a chance de compensar a desvantagem financeira para times mais ricos.

A questão é que Petraglia não é exatamente um dirigente muito paciente com treinadores. É notório que o Atlético-PR costuma dispensar rápido treinadores por falta de resultados. Desta vez, ele pretende agir diferente.

“Seguimos a cultura (do futebol brasileiro de trocar técnicos). Vai ser diferente nesse caso. Mudamos muito porque outros treinadores não traziam algo. Era sempre mais do mesmo, com exceção da passagem do Paulo (Autuori). A intenção agora é manter. Felizmente, começamos bem”, afirmou.

Animado com o trabalho inicial de Diniz, o dirigente deu a ele poderes para implantar o modelo em todas as divisões de base do clube desde a sub-14. A ideia é ter uma relação entre Fernando Diniz e os outros técnicos, respeitando-se os treinadores da base. Pela segunda vez, tenta-se uma estrutura verticalidade, como foi feito com Autuori.

A diretoria do Atlético-PR vê paralelos entre sua busca por inovação em campo e às reivindicações por mudanças no futebol. Coincidentemente, o clube terá um jogo importante da Copa do Brasil diante do São Paulo após Petraglia se negar a aparecer em eleição do futuro presidente da CBF, Rogério Caboclo. Outros dois opositores foram Flamengo e Corinthians.

Petraglia falou com o dirigente da confederação por telefone para explicar porque não iria, após receber um pedido para comparecer. “Expliquei que a gente não concordou com o que havia sido feito”, disse ele, sobre a manobra de Caboclo e Marco Polo Del Nero por uma chapa única na confederação. O discurso de Caboclo afirmando que estava comprometido “com os que o apoiaram” desagradou o dirigente atleticano.

“Foi um recado que entendi claro. Quem diz que não está comigo está contra mim. Pode não ter sido a intenção, mas dá uma dupla interpretação”, analisou. O dirigente, no entanto, não teme retaliações como em relação à arbitragem, pois entende que isso é uma prática antiga no futebol.


CBF retém e administra 20% do dinheiro da Copa do Brasil
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Na renovação do contrato da Copa do Brasil, a CBF anunciou com estardalhaço que pagaria uma premiação de R$ 50 milhões ao campeão. O que a  entidade não informou é que iria administrar ou reter um valor considerável do contrato assinado com imagem dos clubes. Há um montante que pode chegar a R$ 76,7 milhões que serão geridos pela entidade e seus parceiros, em torno de um quinto do total.

A CBF fechou contrato com a Globo de R$ 325 milhões, de acordo com apuração do blog. É em torno do triplo do valor anterior. Esse acordo só se refere aos direitos de televisão, e não às placas publicitárias em volta do campo que são negociadas pela Klefer.

Pois bem, em ofício no final do ano passado, a confederação explicou que ao final da competição “terá distribuído mais de R$ 300 milhões aos clubes participantes, incluindo toda a logística da competição – reajuste de 200% em relação à edição 2017”. A CBF não especifica o valor do custo, mas é certo que uma fatia ficará em seus cofres.

A soma total de todas as cotas e premiações previstas pela CBF para 2018 é de R$ 278,290 milhões. Isso se consideramos o cenário com maiores gastos com todos os times da Série A e mais bem ranqueados avançando à segunda fase. Explica-se: nas fases iniciais, clubes de elite ganham cotas maiores.

Assim, sobrariam R$ 46 milhões para a CBF e para os custos da competição. Mas os gastos com a Copa do Brasil são basicamente passagens e hospedagens para um time visitante. Para usar todo esse dinheiro, a confederação teria de usar R$ 328 mil para cada um dos 140 jogos da competição. Esse valor é muito superior a passagens para viagens de um elenco e trio de arbitragem.

Mesmo se a logística só custar R$ 22 milhões, atingindo o total de R$ 300 milhões, cada partida sairia por R$ 154 mil. De novo, é um montante bem superior a viagens de um elenco e árbitros.

Quem opera as viagens da CBF costumam ser empresas de Wagner Abrahão, empresário ligado a Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero e acusado de inflar gastos com viagem. Seu nome está envolvido em negócio com Del Nero com quem até trocava e-mails sobre contratos de patrocínio da confederação.

Por fim, as placas da Copa do Brasil são vendidas a parte pela Klefer. Um contrato obtido pelo blog para um cota de placa para 2017 apontava que cada cota era negociada por valores em torno de R$ 6 milhões. E eram cinco cotas. Ou seja, os ganhos podem chegar a R$ 30 milhões se tudo for negociado. Não se sabe qual a fatia para a confederação e qual para a empresa.

Somados todos os valores que não vão diretamente para os clubes devem atingir até R$ 76,7 milhões. Isso não significa que esse dinheiro ficará todo com a CBF. Mas a entidade que administra a quantia junto com seus parceiros, inclusive no pagamento de despesas da competição. Isso representa em torno de 20% dos ganhos da competição.

Em seu último balanço, a confederação não explicitou qual o custo real da organização da Copa do Brasil. O blog questionou a entidade sobre os custos de organização da Copa do Brasil e quanto fica nos seus cofres, mas a entidade se recusou a responder a essas perguntas.

“A CBF informa que os contratos relativos a competições contém cláusulas de confidencialidade que impedem a divulgação de valores. A entidade destaca ainda que é responsável pelo custeio integral da Copa do Brasil”, respondeu a confederação.

Para efeito de comparação, a UEFA detalha que destina 12,5% do dinheiro da Champions League para a organização da competição. Seus custos, no entanto, são bem mais altos, pois conta com funcionários operadores em todos os jogos e veste os estádios com as propriedades de marketing da competição, entre outros pontos. A final é uma megaprodução que não se compara à decisão da Copa do Brasil.

Mais, outros 8% da Liga dos Campeões são destinados a mecanismos de solidariedade, isto é, distribuído para clubes ou entidade mais pobres do continente.

 


Pragmático, Cruzeiro é o campeão da Copa do Brasil porque erra pouco
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O Cruzeiro construído por Mano Menezes é um time que tem obsessão por reduzir seus erros em campo. E, de fato, falha pouquíssimo defensivamente e se aproveita das falhas do adversário. E assim foi que bateu o Flamengo, nos pênaltis, e ganhou seu quinto título da Copa do Brasil.

Na reta final da campanha, bateu Flamengo, Grêmio e Palmeiras. Em todos os mata-matas, fez confrontos bem equilibrados contra essas equipes que, teoricamente, são superiores tecnicamente. Só que o time cruzeirense erra muito menos do que elas.

A decisão entre os times carioca e mineiro foi um retrato desse pragmatismo cruzeirense. No Maracanã, jogou recuado, se aproveitou da insegurança do goleiro rubro-negro e conseguiu um empate, embora fosse pressionado boa parte do tempo.

Em casa, no Mineirão, o técnico Mano Menezes indicou no início do jogo que seu time seria mais ofensivo com marcação mais à frente. Mas, iniciado o jogo, o Flamengo tinha a bola. Só que não tinha espaços na defesa cruzeirense.

Quando Raniel saiu, contundido, o Cruzeiro passou a jogar sem centroavante e achava espaços nas linhas de zaga e de volantes do Flamengo. Ameaçou diante de um time rubro-negrao dispersivo nos lances atrás, embora tenha faltado acertar as jogadas na área para fazer o gol. O time rubro-negro se achou e acertou a marcação, em um primeiro tempo equilibrado.

A volta do intervalo teve um Cruzeiro mais presente na frente, diante de um Flamengo que marcava melhor. Esperava um erro do rival. E quase aconteceu quando Muralha deu a bola na cabeça do Arrascaeta, que mandou para fora.

O time carioca apostava na qualidade de seus jogadores. Mas Diego não aparecia em campo, assim como Berrío. Só Guerrero batalhava na frente e quase conseguiu o gol em duas vezes, em uma falta na trave e no chute para bela defesa de Fábio. Um pequeno espaço que o time rubro-negro teve para seu ataque.

E a disputa ia para os pênaltis. Ali, o Cruzeiro teria vantagem com um goleiro mais seguro Fábio do que Muralha. Nas penalidades, o goleiro rubro-negro saltou todas as bolas para o mesmo lado por estratégia, segundo disse em entrevista à TV Globo. Não costuma dar certo para goleiro, e não deu.

Do outro lado, Fábio, que já tinha ido bem na disputa com Grêmio, voltou a brilhar. Sua defesa no pênalti de Diego foi brilhante, esticando a mão após já ter ultrapassado a sua linha. A cobrança do time rubro-negro foi à meia altura, mas não foi ruim. A defesa revela muito mérito do goleiro.

Um retrato do Cruzeiro mais preciso que ganhou essa Copa do Brasil com méritos dos pouco erram. Um pentacampeonato justo para o time mineiro.


CBF diz que Maracanã não tem condições para seleção, mas permite final
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A diretoria e a comissão técnica da CBF avaliaram que o Maracanã não tinha condições técnicas para receber a seleção nas eliminatórias, alegando problemas estruturais no estádio. Mas a arena foi aprovada pela mesma confederação para realização da final da Copa do Brasil e para jogos do Brasileiro.

Durante entrevista coletiva, o técnico Tite chegou a apontar problemas de manutenção no estádio como justificativa. Disse ter visto uma caixa de som solta. “Quem faz a manutenção disso?” Em seguida, afirmou: “Se dá um problema, é de quem a responsabilidade? Tem que ter um mínimo de segurança.”

Só que a própria CBF autorizou a realização do jogos do Flamengo contra Cruzeiro e Botafogo, na final e semifinal da Copa do Brasileiro. Ambas as partidas tiveram públicos em torno de 60 mil pessoas. E não é possível realizar jogos dessa competição sem aval da confederação.

Após a entrevista, o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, disse que o estádio não está bem para partida. “Foi feita uma avaliação pelo nosso departamento técnico. Ele avaliou que não está bem para ter jogo lá”, disse.

Questionado por que a CBF permitiu jogos na Copa do Brasil, Del Nero foi evasivo: “Vamos jogar lá”.

A concessionária Maracanã rebateu alguns pontos levantados pela CBF em nota que diz que o estádio, sim, em condições para receber jogos:

“A Concessionária Maracanã esclarece que neste ano já foram realizados 27 jogos de futebol no estádio, alguns deles com os maiores públicos do país, o que comprova o perfeito funcionamento de suas instalações. Também é importante registrar que vistoria promovida pela CBF atribuiu recentemente nota 4,75 ao gramado do Maracanã, numa escala em que o máximo é 5, atestando seus altos padrões para a realização de qualquer competição.

Em complemento, a Concessionária Maracanã lembra também que há um ano comunicou oficialmente sua decisão de que houvesse encerramento do contrato de concessão, pois o mesmo se tornou inviável economicamente após ter sido descaracterizado por iniciativas do Governo do Estado. Na ocasião, ainda em 2016, o Governo manifestou publicamente que iria promover uma nova licitação, o que não foi realizado até agora. Em novembro passado, conforme previsão contratual, foi iniciado um processo de arbitragem, conduzido pela FGV, em decorrência de não haver um acordo entre as partes.”


Finalistas, Fla e Cruzeiro perdem milhões em estádios por ‘legado da Copa’
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Finalistas da Copa do Brasil, Flamengo e Cruzeiro perdem milhões no uso dos estádios Maracanã e Mineirão por conta do legado da Copa-2014. Ambos os clubes convivem com condições e taxas que lhes tiram mais da metade de suas rendas, retidas por estádios caros e com gestores com quem têm disputas. E isso se repetirá nas duas decisões, nos dias 7 e 27 de setembro.

No caso do Flamengo, o novo acordo com a Odebrecht prevê uma retenção de 20% da renda para a Odebrecht a título de aluguel, fora as altas despesas do estádio. No caso do Cruzeiro, 25% da renda serão retidos por disputa judicial com a Minas Arena.

Basta ver os borderôs das semifinais para constatar o tamanho dos prejuízos dos clubes. O Flamengo ficou com 37% do total da bilheteria. Já o Cruzeiro teve uma sobra um pouco maior: 40% do total, isto é, R$ 707 mil dos R$ 1,7 milhão arrecadado. Para o número cruzeirense, foram incluídos os valores arrecadados com ingressos dos sócios-torcedores.

“Temos uma discussão judicial e também uma tentativa de negociação (com a Minas Arena). Assim, o dinheiro está sendo depositado judicialmente. A receita é mais alta, retém mais”, contou o diretor comercial do Cruzeiro, Róbson Pires. Foram retidos R$ 482 mil da semi. No ano, já foram retidos R$ 3,4 milhões.

Isso fora os custos de operação do estádio, caro após as reformas para a Copa. “É um estádio grande (Mineirão) e os custos são compatíveis com isso. Quando temos jogos menores, abrimos menos setores para reduzir o custo”, contou Pires, que não acha os gastos excessivos para o tamanho do Mineirão.

A relação do Flamengo com o Maracanã é ainda mais complicada neste ano de 2017. O presidente rubro-negro, Eduardo Bandeira de Mello, chegou a dizer que o clube estava sendo “espoliado” ao comentar os acertos para a Libertadores.

Considerados os jogos decisivos da Libertadores, Copa do Brasil e finais do Estadual, o Flamengo já deixou R$ 12,6 milhões em taxas nos jogos em 2017 – no caso da decisão do Carioca juntamente com o Fluminense. Essas taxas incluem desde a operação do jogo, aos aluguéis da Odebrecht até descontos de Federação do Rio de Janeiro, e outros.

Com a final da Copa do Brasil, é provável que esse número suba consideravelmente com a maior renda do ano. Por isso, o clube só se decidiu por usar o estádio em jogos grandes pensando na torcida, e de resto atuará na Ilha do Urubu.

Além da questão da Odebrecht, dirigentes rubro-negros reclamam que o Maracanã foi reformado sem se pensar no seu uso posterior por clubes, o que o torna muito caro. É uma realidade parecida com o Mineirão onde é complicado setorizar o estádio.

Uma vantagem do estádio mineiro é que não se perde tantas cadeiras quanto o carioca. O Cruzeiro estima ter 54 mil a 55 mil lugares na final, fora os assentos da Minas Arena. Enquanto isso, o Maracanã terá 67 mil lugares, mas com grande carga de gratuidade. A capacidade de 72 mil vista na Copa nunca mais foi atingida por falta de assentos e barreiras de segurança. Lembre-se que o Maracanã sempre foi maior do que o Mineirão.

 


Maracanã ‘menor’ e só para sócio reduz renda de final do Fla
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Para a final da Copa do Brasil de 2017, diante do Cruzeiro, a diretoria do Flamengo vendeu menos ingressos e a preços menores só para sócio em relação à decisão do título de 2013. Com isso, deve ter uma renda menor do que naquela decisão. Há explicações para as mudanças: restrições de lugares no estádio, crise econômica do Rio de Janeiro, ser o primeiro jogo da decisão e o incentivo a associação.

Em 2013, diante do Atlético-PR, o Flamengo conseguiu uma renda total de R$ 9,7 milhões. Havia naquele jogo sócios-torcedores e sem associação. Nesta partida diante do Cruzeiro, só haverá membros do programa sócio-torcedor do clube já que os ingressos estão praticamente egotados.

A carga total será de 67.931 com um número de pagantes de 54.102 previstos. Na última final da Copa do Brasil no Maracanã, a carga total chegou a 71.101 com a utilização efetiva de 68.857. Excluídas as gratuidades, os pagantes foram 57.991. Ou seja, uma diferença de quase 4 mil ingressos vendidos.

Além disso, houve uma redução dos preços dos ingressos para sócios que compraram todos os bilhetes. Em relação aos não associados, os valores se mantiveram estáveis. Naquela final de 2013, o preço médio era R$ 141,00. Ainda será preciso fechar a conta dessa decisão para fazer uma comparação.

Naquela final diante do Atlético-PR, os sócios pagaram R$ 150,00 na Norte. Agora, o preço ficou entre R$ 80,00 e R$ 115,00 dependendo do plano. Na Sul, o valor foi de R$ 150,00 em 2013, e ficou entre R$ 100,00 e R$ 145,00 para esta decisão. E isso se repete nos setores Leste (inferior e superior), Oeste e Maracanã Mais.

Mas é preciso ressaltar que antes os sócios podiam acumular os descontos com meia-entrada de estudante, e agora isso não poderá ocorrer. Em 2013, 13 mil sócios pagaram apenas R$ 75,00 na Norte por conta do desconto acumulado. Além disso, ao reduzir os valores dos ingressos para sócios, a diretoria do Flamengo levou em conta a crise econômica do país e o fato de ser a primeira partida, e a não a decisiva.

E principalmente há uma política da diretoria do Flamengo de incentivar o programa de sócio-torcedor, e uma final como a Copa do Brasil é um momento propício para isso. Portanto, para os sócios, são estabelecidos preços mais baixos. Houve adesão em massa às vésperas da final da competição.

Obviamente, se o clube perde em bilheteria, ganha bastante com as mensalidades do programa de sócio. O orçamento prevê R$ 38,6 milhões de arrecadação com sócio-torcedor em 2017, R$ 11 milhões a mais do que 2016. Ou seja, compensa perdas de bilheteria se cumprir esse número.


Prioridade? Copa do Brasil terá prêmio 150% maior do que Série A em 2018
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O prêmio para o campeão da Copa do Brasil valerá mais do que o dobro do Brasileiro da Série A em 2018. Esse dado pode agravar a decisão de clubes de priorizar a competição de mata-mata em relação a de pontos corridos. A CBF e a Globo já se preocupam com o fato de os times deixarem de lado o Nacional.

A disparidade entre os prêmios da Copa do Brasil e do Brasileiro deve-se a uma política da CBF de valorizar o ganhador do título do mata-mata, e pela diferença de anos de renovação de contratos. O Nacional terá um novo acordo com Globo e Esporte Interativo a partir de 2019, e o da Copa do Brasil valerá em 2018.

A CBF anunciou que o campeão da Copa do Brasil ganhará R$ 50 milhões em 2018, sendo que o vice fica com R$ 20 milhões. Com o atual contrato em vigor, a Globo reajustará dentro da inflação a premiação do Brasileiro: o valor deve saltar para pouco mais de R$ 20 milhões em 2018.

No total, o campeão da Copa do Brasil levará R$ 68,7 milhões, o que daria uma disparidade ainda maior. Mas é preciso ressaltar que os times têm cotas fixas, e por pay-per-view no Nacional que o tornam mais lucrativo. Só que, em 2018, isso não depende de resultados.

Para efeito de comparação, a premiação para o campeão da Copa do Brasil para 2017 é de R$ 6 milhões. Enquanto isso, o campeão do Nacional vai receber em torno de R$ 18 milhões, após a correção da inflação do total pago ao Palmeiras em 2016.

Por aí, dá para perceber a disparidade que se estabelecerá em 2018. Clubes como o Grêmio que priorizaram a Copa do Brasil terão ainda um argumento financeiro para focar na competição de mata-mata.

A partir de 2019, a diferença entre os dois prêmios irá ser reduzida. Com os seus contratos assinados, a Globo prevê pagar R$ 33 milhões ao campeão do Brasileiro se for um dos times com quem tem contrato. A partir daí, há um valor por posição para cada um dos times. Ainda assim, o valor seria bem inferior ao pago pela CBF pela Copa do Brasil.


Surpresa: primeira mudança de Rueda foi tornar Fla mais defensivo
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Quem assistiu ao futebol envolvente do Atlético Nacional poderia acreditar que o Flamengo de Reinaldo Rueda teria características ofensivas extras. Mas a primeira medida do treinador colombiano foi tornar o time mais defensivo, trocando o domínio constante pela segurança. É o que explicam os próprios jogadores do Flamengo.

“Ele me passou que lateral precisa primeiro marcar”, explicou Rodinei. De fato, uma das orientações de Rueda foi recuar os dois laterais. Não por acaso Trauco foi preterido primeiro por Renê Jr, e depois por Pará. Afinal, o peruano comete seguidas falhas defensivas, embora tenha um bom passe ofensivo.

Também houve um recuo dos volantes Cuellar e Arão, que jogam mais postados na frente da zaga. Com isso, o time não sobe mais em bloco para pressionar o adversário. “A gente tem que estar mais fechado atrás”, comentou Cuellar. E o volante Márcio Araújo, que era usado para cobrir subidas por ser veloz, acabou na reserva.

“Não jogamos tão bonito, com tanto posse de bola quanto com Zé Ricardo. Mas o time está mais consistente”, contou Juan. Ele explicou que não houve mudança na sua posição e de Rever, apenas nos que o protegiam. Por exemplo, com laterais recuados, é menos espaço p cobrir. “Estamos sofrendo menos contra-ataques.”

Nas duas partidas diante do Botafogo, o Flamengo sofreu pouquíssimas conclusões a gol. No jogo decisivo, apenas uma cabeçada perigosa de Guilherme, o goleiro Thiago acabou sem fazer defesas. O time de Jair Ventura chegou a ficar sem alternativas para chegar à defesa rubro-negra, como o próprio treinador reconheceu. Em três jogos, o time não sofreu nenhum gol.

Quando tem que atacar, como não sobe mais em bloco, o Flamengo tenta passes verticais para achar seus jogadores de ataque nas linhas do rival. A tática é usar mais velocidade, e menos posse de bola. Guerrero ressaltou ver qualidades tanto em Zé Ricardo quanto em Rueda. A diferença, para ele, é que o time está “mais paciente, mais calmo”.

Claro que essas mudanças de Rueda, até agora, são pontuais e feitas para alguns jogos decisivos pois houve pouco tempo de trabalho. O treinador colombiano só poderá impor de fato sua filosofia a longo prazo quando espera-se o seu estilo preferido de toques e posse de bola. Mas, como um bom técnico brasileiro ou de qualquer lugar do mundo, sua primeira medida foi fechar a casa.

 


Após erros, CBF teme que clima tenso afete arbitragem de Fla x Bota
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O clima de rivalidade exacerbada entre Flamengo e Botafogo causa preocupação na comissão de arbitragem da CBF em relação à pressão sobre a arbitragem na semifinal da Copa do Brasil. Dirigentes dos dois clubes já fizeram reclamações à confederação, e houve decisões questionadas no primeiro jogo.

No sorteio de segunda-feira, saiu o nome de um árbitro experiente Wilton Pereira Sampaio. Ele é considerado o segundo juiz internacional da CBF, atrás de Sandro Meira Ricci. Mas Anderson Daronco, que também é da elite do quadro da confederação, foi bastante questionado no primeiro jogo.

Na ocasião, ele expulsou o zagueiro Carli e o goleiro Muralha em lance de rigor excessivo. A própria comissão da CBF considera que houve um exagero. E avalia que isso ocorreu porque Daronco quis segurar um jogo tenso, tanto que  travou o jogo com faltas. Também admite-se na confederação que o juiz errou ao não expulsar Pimpão que deu entrada no tornozelo de Berrío.

A diretoria do Flamengo reclamou dos dois lances depois do jogo, assim como a diretoria do Botafogo tinha  feito um protesto antes da partida temendo ser prejudicada em favor do rival.

Na avaliação da comissão da CBF, esse clima criado fora de campo se transpõe para o campo e os jogadores passam a pressionar o juiz o tempo inteiro. Isso torna muito difícil a condução da arbitragem durante a partida.

Não haverá recomendação especial para Sampaio porque ele é um árbitro experiente. Para a comissão da CBF, está preparado para lidar com esse tipo de pressão. Mas há o entendimento de que o andamento do jogo depende também dos jogadores em campo.


Brigas, juiz perdido e suspeita de racismo. Engenhão tem noite lamentável
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Antes do início do clássico, a festa da torcida do Botafogo com fumaça, mosaico e cantos indicava uma noite bonita de futebol na semifinal contra o Flamengo. Mas a noite no Estádio Nilton Santos foi marcada por cenas lamentáveis: suspeita de racismo, brigas e confusão, e uma arbitragem que ajudou a estragar o espetáculo.

A primeira confusão foi ainda antes do jogo se iniciar quando a torcida rubro-negra ficou presa fora do estádio porque os portões foram fechados. A diretoria botafoguense alegou que torcedores sem ingresso tentavam entrar e que os outros chegaram em cima da hora. A torcida rubro-negra reclamavam de falta de organização. A PM mandou fechar o acesso. Não era um bom prenúncio para um jogo tenso.

Com a bola rolando, houve até algum futebol com um pitaco de Reinaldo Rueda no início do Flamengo. Sem Márcio Araújo, o time tinha uma saída de bola com passes verticais para encontrar espaço entre as linhas da defesa botafoguense, uma orientação dele. Um cenário diferente da troca de passes excessiva que ocorria com Zé Ricardo. O domínio era rubro-negro.

O Botafogo até reagiu com seu estilo de apostar em contra-ataques, mas apresentava pouco para um time mandante. No geral, o jogo era meia-boca, e a arbitragem o piorava. Travava o ritmo com muitas marcações de faltas, ou cometia erros bobos.

A volta para o segundo tempo foi pior. Na arquibancada, um torcedor botafoguense se dirigiu de forma ofensiva para um camarote de convidados rubro-negros, esfregando a própria pele. Quem viu considerou uma injúria racista à família do jogador Vinicius Jr.. O torcedor foi levado para o juizado local, e corre o risco de ficar preso por racismo.

Em campo, a partida até era mais aberta, com o Botafogo um pouco mais ligado, e o visitante agredindo com um jogo acelerado. Foi assim que teve sua melhor chance em cobrança de falta de Diego na trave. Parecia que o jogo ia engrenar com o time rubro-negro melhor… mas a arbitragem não ajudou.

Pimpão deu uma entrada no meio do tornozelo de Berrío, um lance feio que tirou o colombiano do campo. O árbitro Anderson Daronco deu só amarelo em lance de expulsão clara. Mais adiante, Carli e Muralha se embolaram em um ataque. Cada um poderia ter recebido um amarelo, seria o segundo do botafoguense. Ou o árbitro poderia até contemporizar. Mas expulsou ambos.

O jogo degringolou. O Flamengo perdeu padrão com as mudanças de Rueda, o Botafogo continuou a não jogar nada, nem sequer ameaçar o goleiro rival. Não era o time aguerrido da Libertadores.

Ao final, zero a zero no placar, uma briga de organizadas do Botafogo entre si fora do Engenhão acabou em pancadaria com o PM. Enquanto isso, esperava-se a conclusão da acusação de racismo na delegacia local. Um retrato da noite em que o futebol não foi protagonista.