Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Copa do Brasil

CBF deveria usar dinheiro da Copa do Brasil para prêmio do Brasileiro
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O debate sobre os clubes em segundo plano o Brasileiro voltou durante a semana com a ideia da CBF de restringir o número de inscritos. Clubes rejeitaram a ideia por entenderem que a culpa é do calendário da própria confederação. Como a confederação não vai mudar o seu cronograma da temporada e os times vão barrar o limite de inscritos, uma sugestão (paliativa) seria desviar uma parte da verba da Copa do Brasil para o Brasileiro para aumentar sua atratividade.

Explica-se: a CBF assinou um belo contrato de direitos para a Copa do Brasil com a Globo em um total de R$ 330 milhões. Com isso, aumentou de forma considerável as premiações, inclusive dando R$ 20 milhões para o vice-campeão e R$ 50 milhões para o campeão. Tudo válido ainda neste ano.

A questão é que isso criou uma disparidade com o Brasileiro que tem premiação originária da cota da Globo. Em 2018, o campeão vai levar um prêmio de R$ 20 milhões. Para o próximo ano, com os novos contratos, esse valor vai chegar à R$ 33 milhões, ainda inferior ao da Copa do Brasil.

O fator financeiro não é a única explicação para a prioridade de alguns clubes para a Copa do Brasil. Os jogos decisivos e a perspectiva de eliminação tendem a botar titulares em campo nesta competição. Mas, obviamente, uma semifinal em que a classificação garante pelo menos R$ 20 milhões vai ter um peso na decisão do clube em que competição jogar. Isso pode chegar a 10% do orçamento de certos clubes grandes, mais do que o dobro de um patrocínio.

Ora, se a CBF não vai fazer nada a respeito do calendário, poderia pelo menos equilibrar os recursos em relação à premiação para refletir a maior importância do Brasileiro. Como? a confederação poderia reserva uma parte da verba do contrato, digamos R$ 100 milhões, para um fundo para reforçar a premiação do Brasileiro.

Como hipótese, o prêmio para o campeão da Copa do Brasil poderia cair para R$ 30 milhões, e o campeão do Brasileiro ter o seu bônus turbinado até os R$ 50 milhões. O mesmo poderia ocorrer em outras posições aumentando a importância de se chegar na frente no Nacional, e induzindo os clubes a escalarem mais os titulares. Pode se ter uma discussão sobre o caixa já que o dinheiro é gerado pela Copa do Brasil, mas, com um acordo com os times, isso poderia ser viabilizado.

Não, isso não resolveria a questão principal que é o fato de o calendário ter um excesso de jogos e por isso obrigar os clubes a escalar reservas em jogos importantes. Isso só vai ser tratado quando se enfrentar a questão política das federações e se reduzir a participação dos clubes grandes nos Estaduais. Mas, pelo menos, as recompensas financeiras do Brasileiro e da Copa do Brasil estariam mais de acordo com a importância das duas competições. Seria um passo inicial.


Fla é mais um que erra ao priorizar Copa do Brasil ao Brasileiro
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Durante a semana, o Flamnego decidiu escalar sua força máxima na quartas de final da Copa do Brasil e poupar três titulares na rodada do Brasileiro (Rever, Léo Duarte e Diego), em duas partidas com o Grêmio. Levou um bom empate fora no mata-mata e perdeu a liderança do Nacional para o São Paulo ao ser derrotado no final de semana em uma atuação ruim e sem intensidade.

É mais um clube que adota a estratégia de priorizar uma Copa em detrimento do campeonato mais importante de pontos corridos. Fizeram o mesmo o Grêmio no ano passado ao abdicar da disputa com o Corinthians, e o Cruzeiro tem optado pela mesma prática, entre outros times.

Trata-se de um equívoco porque as premissas desse plano não se sustentam. Primeiro, há um raciocínio de que é preciso brigar em todas as frentes. Bom, o única time que ganhou a Copa do Brasil e o Brasileiro de pontos corridos na mesma temporada foi o Cruzeiro em 2003. Nenhum venceu uma das competições nacionais e a Libertadores na mesma temporada.

Mesmo na Europa, onde a maratona de jogos é menor, a tríplice coroa é feito dificílimo ocorrido com o Bayern de Munique (2013) e o Barcelona (2015), clubes com elencos bem mais completos e com domínio amplo no seu país (caso dos alemães). Na América do Sul, é quase impossível. É preciso escolher, portanto, ou não se vai a lugar nenhum.

A opção pelo mata-mata costuma ser defendida com o seguinte racicínio: faltam apenas cinco jogos para a taça na Copa do Brasil e é possível recuperar no Brasileiro. O próprio técnico rubro-negro Maurício Barbieri afirmou que seu objetivo é manter o time entre os três primeiros, isto é, não pensava em manter a liderança a qualquer custo. Vê possibilidade de recuperar.

É um raciocínio que a realidade desmente. Os pontos perdidos no Brasileiro não se recuperam, assim como a chance de enfrentar um time reserva de um forte Grêmio fora. E, se o clube poupa nas quartas-de-final, vai também evitar titulares em outras fases e serão outras rodadas meia-boca. Então, poupar no Brasileiro, é, sim, priorizar o mata-mata e deixar de lado o Nacional.

O que não se justifica porque o Brasileiro é o campeonato mais importante do país, e o mais previsível para um time forte como se desenha o Flamengo nesta temporada. É nele que pode se ter certeza de que um futebol mais consistente leva ao título.

Equivoca-se quem pensa que a Copa do Brasil é mais fácil por ser mais curta. Essas cinco partidas têm forte elemento de aleatório, de acaso, porque são decididas em dois confrontos e possivelmente em pênaltis. Veja que o Grêmio foi eliminado por um Cruzeiro inferior em 2017.  O mata-mata, portanto, deveria ser a aposta para times que não tem condição de vencer o principal campeonato.

Mesmo para o Grêmio, que está agora em terceiro lugar no Brasileiro, a opção é bem questionável porque o time tem condições de brigar pelo título caso se interesse por ele. Apresenta melhor futebol, por exemplo, do que o São Paulo. No caso gremista, há o elemento de a torcida gostar de Copas o que pelo menos torna compreensível a escolha de Renato, ainda que não seja o que se espera do planejamento mais lógico para a temporada.

Já no caso rubro-negro a escolha pela Copa do Brasil faz pouquíssimo sentido. O time era líder do campeonato, e a torcida gosta do Brasileiro competição que o clube já venceu seis vezes.  É certo que o calendário da CBF não ajuda os clubes, mas, diante do cenário já posto, cabe a dirigentes e técnicos planejarem de forma inteligente seus recursos sob pena de acreditarem em ilusões e acabarem sem nada na mão.


CBF ignora ‘cliente’ do futebol ao contribuir para piorar nível do futebol
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Quarta-feira, Grêmio e Flamengo realizam um jogo intenso do início ao final, com qualidade de troca de passes, individual e de marcação dos dois times. A partida teve placar definido aos 48min com gol de empate rubro-negro. Um jogo para elevar as avaliações sobre até onde podem ir o futebol do país.

Sábado, Grêmio e Flamengo voltaram a se enfrentar com o time gaúcho vencendo o duelo por 2 a 0, mas escalando reservas para poupar para a Libertadores. Na ponta do campeonato, os rubro-negros tiveram quase todo seu time principal (somente a dupla de zaga e o meia Diego foram poupados), mas não chegaram nem perto da intensidade da partida do mata-mata, rodando a bola inultilmente como um time enfadado.

As duas realidades distintas em duas partidas com os mesmos times são reveladoras do cenário do futebol brasileiro. Um calendário em que as partidas dos principais campeonatos são espremidas em maratonas insanas que impedem que os clubes nacionais se apresentem na sua melhor forma em todas as ocasiões. Escalar times no Brasil para os técnicos é a arte do possível.

Para a temporada de 2019, pouca coisa vai mudar como já demonstram os planos iniciais da CBF. De novo, um Brasileiro rachado pela Copa América e espremido com rodadas de meio de semana, Libertadores e Copa do Brasil encavalados, enquanto os inúteis Estaduais se estendem por três ou quatro meses do ano.

Quando discutimos o abismo que existe entre o futebol brasileiro e o europeu, costumamos nos ater à diferença entre as mega estrelas de lá com as nossas misturas de veteranos com garotos. A balança é, de fato, cruel conosco.

Mas, recentemente, clubes como Flamengo, Palmeiras e Grêmio têm melhorado suas gestões e portanto têm conseguido reter por um pouco mais tempo alguns jogadores, além de repatriar outros de bom nível. Veja que tanto gremistas quanto palmeirenses recusaram propostas por jogadores-chaves. Quando saem, jogadores brasileiros têm sido mais caros do que anteriormente, como mostra a arrecadação recorde do mês de julho. Há, sim, sinais de um mercado mais forte.

A questão é que não adianta melhorar o nível dos jogadores que entram em campo se não lhes é dada uma condição similar à europeia fora dele, com um calendário mais racional, gramados com qualidade melhor, arbitragens de nível mais compatível com o profissionalismo (o VAR chegou aqui com atraso e só na Copa do Brasil).

Neste caso, a culpa é da CBF, mas é também dos clubes. Seria papel deles, de preferência, criar uma entidade para cuidar exclusivamente do seu produto por meio de liga. Na impossibilidade de isso acontecer, pela resistência política da CBF, cabe aos clubes se reunirem e deixarem clara sua contrariedade com o modelo atual.

Sim, há clubes como os paulistas que têm mais vantagem com o Estadual pelas cotas maiores. Essa, no entanto, é uma visão de curto prazo. Um jogo nobre do Brasileiro em final de semana estendido por dez meses e bem trabalhado como produto terá uma valorização suficiente para compensar as perdas com os regionais.

No final das contas, se a pergunta for feita ao cliente final que é o torcedor, dificilmente haverá quem defenda o modelo atual. Será que aquele que está em casa ou no estádio prefere ver um jogo intenso de titulares de bom nível em disputa em estádio cheio ou mistões dos dois lados com a arquibancada meia-boca?


VAR estreia em versão reduzida no Brasil e precisa baratear para expandir
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Após dois anos do início do projeto do árbitro de vídeo, a CBF vai estrear a tecnologia na Copa do Brasil em uma versão reduzida, um pouco diferente da que se viu na Copa do Mundo. A questão é financeira, e o projeto se inicia com o desafio de cortar custos e acertar a operação para emplacar o mecanismo em larga escala no país. De início, haverá VAR em 14 partidas na competição de mata-mata, sendo as duas primeiras Grêmio x Flamengo e Corinthians x Chapecoense.  Enquanto isso, o Brasileiro-2019 ainda tem uso da tecnologia incerto, dependendo dos valores e da disposição dos clubes de pagarem por isso.

Na Copa do Brasil, o custo do VAR será de R$ 50 mil por jogo, mesmo valor oferecido aos clubes em proposta para o Brasileiro-2018. Assim, a CBF gastará apenas R$ 700 mil com os 14 jogos, pagos para a empresa Broadcast, que fornecia serviços para a TV Globo como produtora de imagens.

Ela foi escolhida por meio de uma concorrência, mas não foi a que apresentou o menor preço entre as dez companhias que disputaram o serviço. A diretoria da confederação entendeu que era preciso contratar aquela que tivesse a maior capacidade técnica na sua avaliação, pois não poderiam ocorrer erros graves sob o risco de comprometer o projeto.

“O objetivo principal é mitigar riscos, porque previne os erros mais graves do futebol brasileiro. Não é tolerável um erro grave, por isso estamos investindo nesta ferramenta”, afirmou o diretor de VAR da CBF, Ricardo Bretas.

Para o Brasileiro-2019, Bretas vai montar projetos com preços diferentes para tentar convencer os clubes a investir no VAR, até porque, novamente, a CBF não vai aceitar bancar a implantação do mecanismo. A ideia é apresentar projetos mais baratos com concorrência com outras operadoras.

Há questões operacionais que também serão examinadas, na prática, a partir de agora na Copa do Brasil. Para o torcedor que se acostumou com o recurso durante a Copa do Mundo, a versão nacional do VAR será um pouco diferente. Instruções básicas têm de ser iguais às aplicadas pela Fifa na Copa por conta do protocolo internacional, mas alguns detalhes não se repetirão. Veja ponto a ponto como funcionará o árbitro de vídeo no Brasil:

Quando será aplicado

O VAR será para lances capitais de gol, como impedimento, marcação de pênaltis, cartões vermelhos (incluindo ofensas) e identidade equivocada de um jogador que cometeu ato para expulsão. A tecnologia só será usada após o árbitro de campo ter tomado uma decisão. Pelo protocolo, só pode ser utilizado para erros claros, não para lances interpretativos.

Como será o procedimento

A consulta ao VAR pode ser feita de forma silenciosa pelo árbitro de vídeo que manda seguir se não houver irregularidade. Caso o árbitro de vídeo veja um problema, pode indicar a revisão da decisão do juiz de campo que também pode pedir para ver o lance. Neste caso, a revisão será feita em uma tela ao lado do campo, e o árbitro sinalizará para os torcedores. A revisão só pode ser feita se o jogo não tiver sido reiniciado.

Tempo de paralisação

A CBF instruiu seus árbitros a tomar o tempo necessário para fazer a revisão do lance, sendo mais importante acertar do que a demora para ter uma palavra final. Na Copa da Rússia-2018, a Fifa indicou que houve pouco tempo perdido com paralisações. A comissão de arbitragem da CBF estima paradas em 50 segundos e 1 minuto, mas admite que a paralisação pode se estender por mais tempo.

Quais imagens serão utilizadas

Cada jogo terá entre 14 e 16 câmeras disponíveis com imagens captadas pela TV Globo e pela Fox Sports. Pelo protocolo, as imagens têm que ser as mesmas vistas pelos torcedores e as emissoras não podem ter imagens que não sejam mostradas à confederação. A comissão de arbitragem da CBF orientou os juízes de VAR a olhar o máximo de ângulos possíveis, e não se fixar apenas na primeira percepção de uma câmera.

Gravação do VAR

Todas as ações e comunicações na sala do VAR serão gravadas pela CBF. Esse material será usado no caso de ataques a integridade da competição ou para educar árbitros. Mas o material não será disponibilizado para clubes que se sintam prejudicados por decisões do árbitro a não ser em casos excepcionais.

 

 


Após pedir vídeos na Copa, CBF só mostrará gravação do VAR em caso especial
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Durante a Copa do Mundo, a CBF enviou carta requisitando à Fifa as gravações do árbitro de vídeo sobre a decisões do juiz na partida contra a Suíça. Foi negado o pedido. Mas, na Copa do Brasil em que haverá vídeo, a CBF adotará o mesmo procedimento da federação internacional e só mostrará as gravações aos clubes em casos especiais em que a integridade ou transparência do jogo esteja em questionamento.

Assim como faz a Fifa, a CBF vai gravar em vídeo e em áudio todas as interações dentro da sala de VAR para a Copa do Brasil. Isso servirá como prova para fundamentar as decisões. Mas clubes não poderão ter acesso a esse material com pedidos à comissão de arbitragem. Isso só acontecerá em casos excepcionais.

“Isso é protocolar. O item 5.4 diz que as informações serão gravadas, a cabine e gravação de áudio. Clube que se sentir prejudicado, faz sua reivindicação e será respondido por escrito”, contou Sergio Corrêa, que trabalha no projeto de VAR da CBF na Copa do Brasil. “Pelo protocolo, as imagens podem ser usadas para fins educacionais.”

O protocolo do VAR da CBF, de fato, prevê a questão no artigo 5.4: “Pela integridade e transparência, e para fornecer um recurso de formação e desenvolvimento, a VOR e o processo de consulta serão filmados (inclusive com som). Estas imagens não serão disponibilizadas salvo para a formação de árbitros/VARs ou se houver uma questão sobre a transparência/integridade de uma partida/consulta/revisão em particular.”

Dentro da confederação, há o objetivo de evitar que todos os clubes reivindiquem imagens e gravações do VAR a toda hora, para qualquer lance em que ocorra um suposto erro. Quando houver uma reclamação, a própria CBF vai revisar as gravações e vai responder aos clubes por carta, sem disponibilizar as gravações aos clubes.

Se houver um processo na Justiça Desportiva, ou se o caso se tornar um grave questionamento à entidade, a CBF poderá mostrar o vídeo e gravações para justificar sua decisão. Mas isso só ocorrerá em casos excepcionais.

A Fifa recusou o acesso às gravações para a CBF do jogo diante da Suíça, que gerou reclamação da seleção. Mas, em entrevista coletiva posterior, a entidade internacional mostrou os procedimentos de tomada de decisão no caso do lance da Suíça em que a seleção reclamava de falta em Miranda. Foram exibidas as imagens dos árbitros sua consulta silenciosa ao vídeo.


Oposição, Atlético-PR vê em Fernando Diniz chance de ser diferente em campo
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Oposição à CBF e crítica da Globo, a diretoria do Atlético-PR vê no técnico Fernando Diniz a chance de ser diferente também em campo, com um estilo de jogo inovador. É o que conta o homem-forte do clube, Mário Celso Petraglia. Ele decidiu contratar o treinador e ao mesmo tempo lhe dar poderes para implantar suas ideias em todas as divisões dos clubes.

“Fernando Diniz trouxe o que nós buscávamos dentro de campo: inovação, excelência. Não podíamos fazer mais do mesmo no futebol. Estamos eternizados como clube que enfrenta esse cartel da Globo, do sistema. Faltava trazer algo de diferente no futebol, que é o coração do clube”, contou Petraglia.

Logo em seus primeiros jogos, o Atlético-PR tem se caracterizado por um sistema moderno de jogo com prioridade para a posse de bola e jogo de triangulações ofensivo. O esquema com três zagueiros que saem com a bola, em geral, no chão, e abre bastante as jogadas com dois alas, além de contar com três atacantes móveis.

Menos importante do que o esquema, é a ideia de ter a bola e dominar o adversário. Isso baseado em um jogo coletivo, não necessariamente em valores individuais extraodinários. “Temos que ser independentes de craques porque não podemos pagar salários de R$ 500 mil”, analisou Petraglia, que vê no tipo de jogo a chance de compensar a desvantagem financeira para times mais ricos.

A questão é que Petraglia não é exatamente um dirigente muito paciente com treinadores. É notório que o Atlético-PR costuma dispensar rápido treinadores por falta de resultados. Desta vez, ele pretende agir diferente.

“Seguimos a cultura (do futebol brasileiro de trocar técnicos). Vai ser diferente nesse caso. Mudamos muito porque outros treinadores não traziam algo. Era sempre mais do mesmo, com exceção da passagem do Paulo (Autuori). A intenção agora é manter. Felizmente, começamos bem”, afirmou.

Animado com o trabalho inicial de Diniz, o dirigente deu a ele poderes para implantar o modelo em todas as divisões de base do clube desde a sub-14. A ideia é ter uma relação entre Fernando Diniz e os outros técnicos, respeitando-se os treinadores da base. Pela segunda vez, tenta-se uma estrutura verticalidade, como foi feito com Autuori.

A diretoria do Atlético-PR vê paralelos entre sua busca por inovação em campo e às reivindicações por mudanças no futebol. Coincidentemente, o clube terá um jogo importante da Copa do Brasil diante do São Paulo após Petraglia se negar a aparecer em eleição do futuro presidente da CBF, Rogério Caboclo. Outros dois opositores foram Flamengo e Corinthians.

Petraglia falou com o dirigente da confederação por telefone para explicar porque não iria, após receber um pedido para comparecer. “Expliquei que a gente não concordou com o que havia sido feito”, disse ele, sobre a manobra de Caboclo e Marco Polo Del Nero por uma chapa única na confederação. O discurso de Caboclo afirmando que estava comprometido “com os que o apoiaram” desagradou o dirigente atleticano.

“Foi um recado que entendi claro. Quem diz que não está comigo está contra mim. Pode não ter sido a intenção, mas dá uma dupla interpretação”, analisou. O dirigente, no entanto, não teme retaliações como em relação à arbitragem, pois entende que isso é uma prática antiga no futebol.


CBF retém e administra 20% do dinheiro da Copa do Brasil
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Na renovação do contrato da Copa do Brasil, a CBF anunciou com estardalhaço que pagaria uma premiação de R$ 50 milhões ao campeão. O que a  entidade não informou é que iria administrar ou reter um valor considerável do contrato assinado com imagem dos clubes. Há um montante que pode chegar a R$ 76,7 milhões que serão geridos pela entidade e seus parceiros, em torno de um quinto do total.

A CBF fechou contrato com a Globo de R$ 325 milhões, de acordo com apuração do blog. É em torno do triplo do valor anterior. Esse acordo só se refere aos direitos de televisão, e não às placas publicitárias em volta do campo que são negociadas pela Klefer.

Pois bem, em ofício no final do ano passado, a confederação explicou que ao final da competição “terá distribuído mais de R$ 300 milhões aos clubes participantes, incluindo toda a logística da competição – reajuste de 200% em relação à edição 2017”. A CBF não especifica o valor do custo, mas é certo que uma fatia ficará em seus cofres.

A soma total de todas as cotas e premiações previstas pela CBF para 2018 é de R$ 278,290 milhões. Isso se consideramos o cenário com maiores gastos com todos os times da Série A e mais bem ranqueados avançando à segunda fase. Explica-se: nas fases iniciais, clubes de elite ganham cotas maiores.

Assim, sobrariam R$ 46 milhões para a CBF e para os custos da competição. Mas os gastos com a Copa do Brasil são basicamente passagens e hospedagens para um time visitante. Para usar todo esse dinheiro, a confederação teria de usar R$ 328 mil para cada um dos 140 jogos da competição. Esse valor é muito superior a passagens para viagens de um elenco e trio de arbitragem.

Mesmo se a logística só custar R$ 22 milhões, atingindo o total de R$ 300 milhões, cada partida sairia por R$ 154 mil. De novo, é um montante bem superior a viagens de um elenco e árbitros.

Quem opera as viagens da CBF costumam ser empresas de Wagner Abrahão, empresário ligado a Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero e acusado de inflar gastos com viagem. Seu nome está envolvido em negócio com Del Nero com quem até trocava e-mails sobre contratos de patrocínio da confederação.

Por fim, as placas da Copa do Brasil são vendidas a parte pela Klefer. Um contrato obtido pelo blog para um cota de placa para 2017 apontava que cada cota era negociada por valores em torno de R$ 6 milhões. E eram cinco cotas. Ou seja, os ganhos podem chegar a R$ 30 milhões se tudo for negociado. Não se sabe qual a fatia para a confederação e qual para a empresa.

Somados todos os valores que não vão diretamente para os clubes devem atingir até R$ 76,7 milhões. Isso não significa que esse dinheiro ficará todo com a CBF. Mas a entidade que administra a quantia junto com seus parceiros, inclusive no pagamento de despesas da competição. Isso representa em torno de 20% dos ganhos da competição.

Em seu último balanço, a confederação não explicitou qual o custo real da organização da Copa do Brasil. O blog questionou a entidade sobre os custos de organização da Copa do Brasil e quanto fica nos seus cofres, mas a entidade se recusou a responder a essas perguntas.

“A CBF informa que os contratos relativos a competições contém cláusulas de confidencialidade que impedem a divulgação de valores. A entidade destaca ainda que é responsável pelo custeio integral da Copa do Brasil”, respondeu a confederação.

Para efeito de comparação, a UEFA detalha que destina 12,5% do dinheiro da Champions League para a organização da competição. Seus custos, no entanto, são bem mais altos, pois conta com funcionários operadores em todos os jogos e veste os estádios com as propriedades de marketing da competição, entre outros pontos. A final é uma megaprodução que não se compara à decisão da Copa do Brasil.

Mais, outros 8% da Liga dos Campeões são destinados a mecanismos de solidariedade, isto é, distribuído para clubes ou entidade mais pobres do continente.

 


Pragmático, Cruzeiro é o campeão da Copa do Brasil porque erra pouco
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O Cruzeiro construído por Mano Menezes é um time que tem obsessão por reduzir seus erros em campo. E, de fato, falha pouquíssimo defensivamente e se aproveita das falhas do adversário. E assim foi que bateu o Flamengo, nos pênaltis, e ganhou seu quinto título da Copa do Brasil.

Na reta final da campanha, bateu Flamengo, Grêmio e Palmeiras. Em todos os mata-matas, fez confrontos bem equilibrados contra essas equipes que, teoricamente, são superiores tecnicamente. Só que o time cruzeirense erra muito menos do que elas.

A decisão entre os times carioca e mineiro foi um retrato desse pragmatismo cruzeirense. No Maracanã, jogou recuado, se aproveitou da insegurança do goleiro rubro-negro e conseguiu um empate, embora fosse pressionado boa parte do tempo.

Em casa, no Mineirão, o técnico Mano Menezes indicou no início do jogo que seu time seria mais ofensivo com marcação mais à frente. Mas, iniciado o jogo, o Flamengo tinha a bola. Só que não tinha espaços na defesa cruzeirense.

Quando Raniel saiu, contundido, o Cruzeiro passou a jogar sem centroavante e achava espaços nas linhas de zaga e de volantes do Flamengo. Ameaçou diante de um time rubro-negrao dispersivo nos lances atrás, embora tenha faltado acertar as jogadas na área para fazer o gol. O time rubro-negro se achou e acertou a marcação, em um primeiro tempo equilibrado.

A volta do intervalo teve um Cruzeiro mais presente na frente, diante de um Flamengo que marcava melhor. Esperava um erro do rival. E quase aconteceu quando Muralha deu a bola na cabeça do Arrascaeta, que mandou para fora.

O time carioca apostava na qualidade de seus jogadores. Mas Diego não aparecia em campo, assim como Berrío. Só Guerrero batalhava na frente e quase conseguiu o gol em duas vezes, em uma falta na trave e no chute para bela defesa de Fábio. Um pequeno espaço que o time rubro-negro teve para seu ataque.

E a disputa ia para os pênaltis. Ali, o Cruzeiro teria vantagem com um goleiro mais seguro Fábio do que Muralha. Nas penalidades, o goleiro rubro-negro saltou todas as bolas para o mesmo lado por estratégia, segundo disse em entrevista à TV Globo. Não costuma dar certo para goleiro, e não deu.

Do outro lado, Fábio, que já tinha ido bem na disputa com Grêmio, voltou a brilhar. Sua defesa no pênalti de Diego foi brilhante, esticando a mão após já ter ultrapassado a sua linha. A cobrança do time rubro-negro foi à meia altura, mas não foi ruim. A defesa revela muito mérito do goleiro.

Um retrato do Cruzeiro mais preciso que ganhou essa Copa do Brasil com méritos dos pouco erram. Um pentacampeonato justo para o time mineiro.


CBF diz que Maracanã não tem condições para seleção, mas permite final
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A diretoria e a comissão técnica da CBF avaliaram que o Maracanã não tinha condições técnicas para receber a seleção nas eliminatórias, alegando problemas estruturais no estádio. Mas a arena foi aprovada pela mesma confederação para realização da final da Copa do Brasil e para jogos do Brasileiro.

Durante entrevista coletiva, o técnico Tite chegou a apontar problemas de manutenção no estádio como justificativa. Disse ter visto uma caixa de som solta. “Quem faz a manutenção disso?” Em seguida, afirmou: “Se dá um problema, é de quem a responsabilidade? Tem que ter um mínimo de segurança.”

Só que a própria CBF autorizou a realização do jogos do Flamengo contra Cruzeiro e Botafogo, na final e semifinal da Copa do Brasileiro. Ambas as partidas tiveram públicos em torno de 60 mil pessoas. E não é possível realizar jogos dessa competição sem aval da confederação.

Após a entrevista, o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, disse que o estádio não está bem para partida. “Foi feita uma avaliação pelo nosso departamento técnico. Ele avaliou que não está bem para ter jogo lá”, disse.

Questionado por que a CBF permitiu jogos na Copa do Brasil, Del Nero foi evasivo: “Vamos jogar lá”.

A concessionária Maracanã rebateu alguns pontos levantados pela CBF em nota que diz que o estádio, sim, em condições para receber jogos:

“A Concessionária Maracanã esclarece que neste ano já foram realizados 27 jogos de futebol no estádio, alguns deles com os maiores públicos do país, o que comprova o perfeito funcionamento de suas instalações. Também é importante registrar que vistoria promovida pela CBF atribuiu recentemente nota 4,75 ao gramado do Maracanã, numa escala em que o máximo é 5, atestando seus altos padrões para a realização de qualquer competição.

Em complemento, a Concessionária Maracanã lembra também que há um ano comunicou oficialmente sua decisão de que houvesse encerramento do contrato de concessão, pois o mesmo se tornou inviável economicamente após ter sido descaracterizado por iniciativas do Governo do Estado. Na ocasião, ainda em 2016, o Governo manifestou publicamente que iria promover uma nova licitação, o que não foi realizado até agora. Em novembro passado, conforme previsão contratual, foi iniciado um processo de arbitragem, conduzido pela FGV, em decorrência de não haver um acordo entre as partes.”


Finalistas, Fla e Cruzeiro perdem milhões em estádios por ‘legado da Copa’
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Finalistas da Copa do Brasil, Flamengo e Cruzeiro perdem milhões no uso dos estádios Maracanã e Mineirão por conta do legado da Copa-2014. Ambos os clubes convivem com condições e taxas que lhes tiram mais da metade de suas rendas, retidas por estádios caros e com gestores com quem têm disputas. E isso se repetirá nas duas decisões, nos dias 7 e 27 de setembro.

No caso do Flamengo, o novo acordo com a Odebrecht prevê uma retenção de 20% da renda para a Odebrecht a título de aluguel, fora as altas despesas do estádio. No caso do Cruzeiro, 25% da renda serão retidos por disputa judicial com a Minas Arena.

Basta ver os borderôs das semifinais para constatar o tamanho dos prejuízos dos clubes. O Flamengo ficou com 37% do total da bilheteria. Já o Cruzeiro teve uma sobra um pouco maior: 40% do total, isto é, R$ 707 mil dos R$ 1,7 milhão arrecadado. Para o número cruzeirense, foram incluídos os valores arrecadados com ingressos dos sócios-torcedores.

“Temos uma discussão judicial e também uma tentativa de negociação (com a Minas Arena). Assim, o dinheiro está sendo depositado judicialmente. A receita é mais alta, retém mais”, contou o diretor comercial do Cruzeiro, Róbson Pires. Foram retidos R$ 482 mil da semi. No ano, já foram retidos R$ 3,4 milhões.

Isso fora os custos de operação do estádio, caro após as reformas para a Copa. “É um estádio grande (Mineirão) e os custos são compatíveis com isso. Quando temos jogos menores, abrimos menos setores para reduzir o custo”, contou Pires, que não acha os gastos excessivos para o tamanho do Mineirão.

A relação do Flamengo com o Maracanã é ainda mais complicada neste ano de 2017. O presidente rubro-negro, Eduardo Bandeira de Mello, chegou a dizer que o clube estava sendo “espoliado” ao comentar os acertos para a Libertadores.

Considerados os jogos decisivos da Libertadores, Copa do Brasil e finais do Estadual, o Flamengo já deixou R$ 12,6 milhões em taxas nos jogos em 2017 – no caso da decisão do Carioca juntamente com o Fluminense. Essas taxas incluem desde a operação do jogo, aos aluguéis da Odebrecht até descontos de Federação do Rio de Janeiro, e outros.

Com a final da Copa do Brasil, é provável que esse número suba consideravelmente com a maior renda do ano. Por isso, o clube só se decidiu por usar o estádio em jogos grandes pensando na torcida, e de resto atuará na Ilha do Urubu.

Além da questão da Odebrecht, dirigentes rubro-negros reclamam que o Maracanã foi reformado sem se pensar no seu uso posterior por clubes, o que o torna muito caro. É uma realidade parecida com o Mineirão onde é complicado setorizar o estádio.

Uma vantagem do estádio mineiro é que não se perde tantas cadeiras quanto o carioca. O Cruzeiro estima ter 54 mil a 55 mil lugares na final, fora os assentos da Minas Arena. Enquanto isso, o Maracanã terá 67 mil lugares, mas com grande carga de gratuidade. A capacidade de 72 mil vista na Copa nunca mais foi atingida por falta de assentos e barreiras de segurança. Lembre-se que o Maracanã sempre foi maior do que o Mineirão.