Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Estadual do Rio

Calendário e contrato de TV limitam mudança na fórmula do Estadual do Rio
Comentários Comente

rodrigomattos

Em crise de público, o Estadual do Rio tem restrições no calendário da CBF e no contrato com a Globo para que sejam feitas alterações na fórmula de disputa para o próximo ano. Há dentro da federação discussões sobre mudança no formato, e a própria emissora vê como positiva essa discussão. A questão é que modificações têm que ser feitas mantendo 18 datas sem possibilidade de ficar sem jogos em determinados dias.

O Estadual do Rio-2018 tem enfrentado uma crise de público e de atratividade, com uma média de pagantes em torno de 3 mil pessoas. A Globo já demonstrou preocupação com a baixa presença de torcedores no estádio. E a própria Ferj reconheceu o problema quando questionada pelo blog:

“Obviamente que não (está satisfeita). E já vem se reunindo para melhorar o produto e fazer diferente em 2019. O campeonato carioca desperta interesse. Isso é fato. Não temos os números de 2018. Se todas as partidas do Campeonato Carioca de 2017, sem exceção, fossem jogadas com o Maracanã lotado, não atingiria 1/9 das pessoas que assistiram pela TV.  Porém, nosso desafio é levar o público ao estádio, em conjunto com os clubes, através de ações”, afirmou a Ferj por meio da assessoria.

Há diversos motivos para essa queda na atratividade do Carioca, entre elas, a violência do Rio de Janeiro, o baixo nível técnico dos jogos, problemas enfrentados pelos grandes clubes no início do ano, falta do Maracanã. Entre os questionamentos à Ferj (Federação do Estado do Rio de Janeiro), está a fórmula do Estadual do Rio.

Pelo formato atual, há dois turnos com semifinais e finais que contam pouco para a fase decisiva, de fato, da competição. Triunfos da Taça Rio e da Taça Guanabara só garantem vaga nas semifinais da competição, a não ser que o time vença ambos. O formato é complexo para ser entendido pelo torcedor e deixa vários jogos com pouco valor esportivo.

Para mudar a fórmula, no entanto, a Ferj e os clubes enfrentam restrições por compromissos assinados por eles mesmos. Por pressão das federações, o calendário da CBF estabelece 18 datas para os Estaduais.

Baseado nisso, a Ferj assinou um contrato com a Globo que prevê que todas essas datas têm que ser ocupadas por partidas. Assim, caso a federação optasse por uma redução do número de times e jogos, não poderia fazê-lo a não ser que reduzisse o valor recebido pelo contrato com consequência para as cotas dos clubes. O contrato tem valor de R$ 120 milhões, e se estende até 2024.

Não é possível também usar a antiga fórmula do Carioca que tinha dois turnos e, se um time vencesse os dois, levaria o título sem final. Isso deixaria duas datas em aberto sem jogo do Estadual, o que é vetado pelo contrato.

Não há resistência dentro da Globo a uma redução do número de datas do Estadual em favor do Brasileiro, mas isso implicaria em uma queda do valor. Dentro do calendário proposto, a emissora apoiaria uma mudança de formato desde que dentro das condições contratuais.

Já, na Ferj, há discussões para melhoria do Estadual. Já foi feita uma consulta ao Conselho Nacional do Esporte que referendou que a legislação não impede mudanças na fórmula para o próximo ano. Pode ser proposta nova fórmula que seria votada no arbitral dos clubes.

A federação não respondeu a perguntas sobre o contrato, alegando que respeita a confidencialidade do acordo. Mas disse que há efeito dos horários dos jogos na presença de público, e de aspectos comerciais que têm de ser respeitados. Abaixo a posição:

°A Federação de Futebol do Rio de Janeiro não se opõe ao debate sobre qualquer aspecto que venha a contribuir para o crescimento do Campeonato. Mas fica o registro que, seja qual for o formato ou adequação dele, não há chance de os aspectos comerciais deixarem de ser considerados como fator preponderante. Assim não fosse, bastaria que os clubes abdicassem do contrato de TV, colocassem as partidas nos horários e locais que melhor lhes conviesse cobrassem preço de ingresso bem barato.  A fórmula não é a única variável que  influencia.”

O contrato é válido por oito anos até 2024 para o caso dos três grandes clubes, Fluminense, Vasco e Botafogo, e da Ferj. O Flamengo, que assinou um contrato em separado com a mesma cota, tem compromisso até 2018.


Globo está preocupada com falta de público do Estadual do Rio
Comentários Comente

rodrigomattos

Detentora dos direitos de televisão da competição, a TV Globo está preocupada com o esvaziamento do Estadual do Rio. Até agora o campeonato teve como maior público 20.862 pagantes no clássico entre Flamengo e Vasco, longe de Estaduais como Paulista e Mineiro. Na visão da emissora, há fatores como falta do Maracanã, segurança e fórmula que estão afetado a competição.

A Globo paga R$ 120 milhões pelo Estadual do Rio, um valor inferior apenas ao do Paulista. As audiências da competição se mantêm em bons patamares, não sendo essa preocupação da emissora. O problema é que o baixo público e atratividade afetam a qualidade do produto.

“Avaliamos constantemente os produtos e eventos cujos direitos adquirimos, jogos que transmitimos. Cabe aprofundar a análise das atuais médias de público no futebol do Rio de Janeiro, abordando todos os aspectos: estádios, segurança pública, momento econômico. Por exemplo, o povo carioca ama o Maracanã e temos tido poucos jogos, mesmo os clássicos, em tal estádio”, analisou o diretor de direitos esportivos do Grupo Globo, Fernando Manuel.

O executivo ainda destacou que há um excesso de jogos no Brasil, o que pode impactar no público das atuais fases do Estadual. Por isso, entende que o torcedor pode estar “se poupando para os clássicos”. Defendeu promoções para aumentar a presença em outros jogos.

A questão é que nem nos clássicos o torcedor carioca tem ido. Fora esse Flamengo e Vasco, nenhum outro jogo entre grandes atingiu a marca de 20 mil. Sem clássicos, o cenário é ainda pior. Na última rodada, a média de público foi de 3.077, com uma partida com apenas 194 pagantes (Portuguesa e Cabofriense).

Ao mesmo tempo, Manuel reconheceu que a baixa presença também pode ter relação com o calendário de jogos do Brasil. “O futebol é feito para seu público, então vale a máxima “a voz do Povo é a voz de Deus”. Cabe termos isso sempre em mente, estarmos atentos à resposta popular e trabalhar no aprimoramento do calendário e seu produto final”, avaliou o executivo.

O Estadual do Rio tem 18 datas por determinação do calendário da CBF. Baseado nesse cronograma, a Globo assinou um contrato com previsão desse número de datas. A emissora não fala sobre condições de contrato.

Dentro da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, há a consciência de que o Estadual tem tido baixo público. Internamente, há a intenção de pensar em algumas medidas, inclusive repensar a fórmula do campeonato. Mas, na Ferj, também se leva em conta a ausência do Maracanã em várias partidas e problemas de segurança.

Atualmente, jogos da Taça Rio não tem valor esportivo quase nenhum para, por exemplo, o Flamengo que ganhou a Taça Guanabara e já se classificou às semifinais. Equipes que tenham garantido a vaga por pontuação também não precisam de vitórias no turno.

A decadência do Estadual do Rio vem se agravando ano a ano com fórmulas difíceis de compreender e desinteresse dos próprios times, que priorizam outras competições. O eterno problema do Maracanã, ainda no impasse Odebrecht/governo do Rio, e a crise financeira de três dos quatro grandes, Botafogo, Vasco e Fluminense, pioram o cenário.

Já os clubes pequenos, embora com cotas muito boas em relação ao patamar brasileiro, estão longe de exibir a força de outras praças onde fazem frente aos maiores rivais pelo menos em alguns jogos. Sim, houve resultado adversos das equipes tradicionais, mas em um início de temporada no meio de janeiro.

 


Estadual do Rio é emoção (ou é enrolação)?
Comentários Comente

rodrigomattos

Henrique Dourado comemora gol do Flamengo na semifinal (André Mourão/FotoFC)

Ao se ligar a televisão em canal esportivo, entra a propaganda: “Estadual é emoção”, seguido de imagens de histórias emblemáticas da competição. A Globo e a SporTV exercem o seu justo direito de promover os eventos pelos quais pagaram caro. Duro é convencer o público carioca de que o atual Estadual é de fato emocionante.

Após 47 jogos, o maior público pagante foi de cerca de 20 mil pessoas em um Flamengo e Vasco. O clássico mais importante desta Taça Guanabara foi disputado em Volta Redonda com um público abaixo de 10 mil pessoas.

A Ferj (Federação do Rio de Janeiro de Futebol) certamente divulgará uma média de público fictícia pois tem uma regra que contabiliza 20% da capacidade do estádio presente não importa quem apareça por lá. A renda é igualmente inchada por cotas de TV para parecer que é significativa.

A parte desses truques, o que se vê no gramado é pobre, paupérrimo. Os grandes clubes nem tiveram um tempo que se possa chamar de pré-temporada. Mal voltaram aos treinos e já estavam em campo para jogar no dia 16. Sim, no meio de janeiro, porque é necessário arrastar o Estadual do Rio por 18 longas datas.

E para quê? A fórmula do campeonato é tão esdrúxula quanto à do ano passado. A vitória na Taça Guanabara que será decidida entre Flamengo e Boavista não vale uma vaga na final, na realidade, não vale quase nada. O time classifica-se para as semifinais do campeonato, assim como no caso da Taça Rio.

Uma equipe garante um lugar na decisão só se ganhar os dois turnos. Ou seja, supera todo mundo, bate a todos e aí… tem que enfrentar outro pelo título. De resto, obtém-se vagas por pontuação geral.

Some-se a isso à crise financeira que enfrentam três dos times grandes, Vasco, Fluminense e Botafogo, e temos um cenário desolador. O Flamengo, que só parou de jogar em 2017 em 13 de dezembro, botou reservas e juniores em boa parte do turno, com absoluta razão.

Aliás, os quatro grandes já começam a encarar o Estadual como deve ser: uma competição de pré-temporada, um título menor. Basta ver que as eliminações de Vasco e Fluminense nem fizeram cosquinha em seus técnicos, mais uma vez, com toda razão para as diretorias dos dois. O Botafogo entrou em crise pela eliminação na Copa do Brasil, e demitiu seu técnico Felipe Conceição mais pela derrota para a Aparecidense do que a para o Flamengo.

A propaganda da Globo, de fato, lembra momentos significativos da história dos clubes nos Estaduais. O problema é que quase todos estão em um passado, distante. A competição nunca mais será o que era.

Necessita-se de uma reformulação urgente (máximo de oito, dez datas, mais racional) para sobreviver um mínimo interesse do torcedor em um torneio de tiro curto que não atrapalhe o que interessa. Do jeito que está, salvo uma final um pouco mais interessante, só serve à Ferj e como fundo de tela da TV após o almoço do final de semana, enquanto as pessoas prestam atenção em outra coisa.

Leia também:


Após 22 anos, um Fla-Flu para reerguer o Maracanã
Comentários Comente

rodrigomattos

Após o final de semana, o Estadual do Rio ganhou em atração ao ter um Fla-Flu decidindo título após 22 anos do gol de barriga de Renato Gaúcho que deu o título emblemático ao tricolor. O confronto de 1995 foi, porém, parte de um octogonal final. A última final entre as duas equipes foi em 1991.

O clássico é um sopro de esperança para um campeonato desgastado por uma fórmula esdrúxula feita pela Ferj e pelo excesso de jogos da competição. É também uma chance de os clubes se entenderam sobre um futuro para o Maracanã.

Não dá para dizer que o Estadual de 2017 foi empolgante. A fórmula escolhida criou jogos inúteis como as semifinais e finais dos dois turnos, houve longas 18 datas enquanto os times se preocupavam mais com outras competições e para completar houve pouco público e violência.

As duas semifinais reuniram menos de 50 mil pessoas. O público, o mesmo que tem lotado partidas de Libertadores e de Sul-Americana, não é bobo e tem dado seguidas demonstrações de reprovação ao modelo atual do Estadual, longo e sem sentido.

Em campo, os resultados foram os óbvios. No sábado, o Fluminense de Abel Braga usou sua velocidade e garotos para vencer com sobras um perdido Vasco, mostrando como é grande a diferença entre os dois times. E o Flamengo com seu time encorpado teve domínio sobre o Botafogo em que sobra garra e disciplina tática, mas falta elenco para brigar em duas frentes – melhor priorizar a Libertadores.

A repetição da final depois de duas décadas ocorre em um momento emblemático em que se discute o futuro do Maracanã para muito tempo. E a dupla Flamengo e Fluminense, principais interessados no estádio, demonstrou discursos opostos e sinais de colisão sobre a rota desse patrimônio carioca.

A diretoria rubro-negra briga por uma nova licitação. É um pleito justo diante dos sérios indícios de fraudes na concessão dada à Odebrecht. Não pode, no entanto, o Flamengo esperar uma concorrência que dê o estádio só para si. No discurso, o presidente Eduardo Bandeira de Mello afirma que quer o Fluminense como sócio e prevê abrir o Maracanã a todos.

Mas há o temor expresso pelo presidente tricolor, Pedro Abad, em entrevista no sábado. Como expresso ali, é seu direito pedir acesso igual ao estádio já que seria injusto privilegiar o Flamengo. Discordo dele quando insiste na atual concessão e na venda do estádio à Lagardère pelos problemas já expressos na licitação, não por conta da empresa. Mas seu discurso é de defesa dos interesses do clube.

Flamengo e Fluminense deveriam aproveitar a final para sentar juntos e pensar em um modelo para o Maracanã. A diretoria rubro-negra terá de ceder pois não vai cuidar de tudo sozinha. E a diretoria tricolor terá de ceder porque seu contrato feito com a Odebrecht é impraticável no novo cenário em que todos têm que pagar contas. Nem com a Lagardère o clube ficará imune de pagar despesas.

Para jogar no Maracanã, cada clube terá direitos e ônus, não há outro jeito pois não se deve tirar dinheiro público para isso. Um caminho do meio é bem possível se conversado com o governo do Estado, com participação também de Vasco e Botafogo apesar de ambos terem outros estádios para jogar.

A dupla Flamengo e Fluminense não tem motivo para alimentar suas rivalidades fora de campo, visto que foram bons os resultados para ambos quando se uniram fora dele – um exemplo foi a questão de torcida única. Que reservem todo o seu antagonismo para o jogo da final do Estadual quando poderão viver a sua face de irmãos Karamazov como descrito por Nelson Rodrigues.

 

 


Saia justa: Eurico reclama com herdeiro da Globo e recebe resposta
Comentários Comente

rodrigomattos

Em encontro recente da Globo com dirigentes de clubes, houve uma saia justa entre o presidente do Vasco, Eurico Miranda, e o herdeiro da família dona da Globo, Roberto Marinho Neto, que é o principal executivo da área de esportes da emissora. O dirigente vascaíno interpelou o executivo sobre o tratamento dado ao Estadual do Rio, e recebeu uma resposta dura.

A Globo decidiu promover uma reunião institucional com os dirigentes de 21 clubes que assinaram o novo contrato do Brasileiro para a partir de 2019. A ideia era apresentar formalmente a nova divisão de cotas de tv, mais igualitária para a TV Aberta e a TV Fechada. Agora, serão 40% igualmente, 30% por posição, e 30% por audiência.

No evento, Roberto Marinho Neto dava uma palestra sobre as estratégias da emissora quando foi interrompido por Eurico Miranda. O presidente do Vasco reclamou de críticas feitas em canais da emissora a campeonatos comprados pela própria Globo. Sua referência era especificamente ao tratamento dado ao Estadual do Rio. Em sua intervenção, o vascaíno disse que toda hora que liga os canais ouve comentários negativos.

Em sua resposta, Roberto Marinho Neto primeiro perguntou a Eurico se ele estava sugerindo que se censurasse os jornalistas da Globo. Depois, o executivo afirmou que não haveria censura porque a origem da empresa é em um jornal, e que não abriria mão dos princípios jornalísticos da emissora. Marinho Neto ainda argumentou que a Globo valoriza, sim, os campeonatos que compra e transmite.

De novo com a palava, Eurico disse que, sob o ponto de vista do Vasco, a emissora continuava pagando as cotas então o clube não era prejudicado por denegrirem o campeonato. Ao blog, o dirigente contou ainda que o executivo da Globo perguntou o que ele faria caso um jogador criticasse o clube. “Se o jogador do Vasco faz isso, vai embora na hora”, retrucou Eurico.

O executivo da Globo ratificou então o que dissera anteriormente. A cena foi vista como constrangedora por dirigentes presentes, mas o embate não teve tom agressivo.

Roberto Marinho Neto foi alçado ao comando da área de esportes da Globo em outubro do ano passado. Na ocasião, uma reformulação estabeleceu que os departamentos de compra de direitos de competições esportivas e o jornalismo esportivo ficariam sob o mesmo guarda-chuvas. Assim, o conteúdo de esporte deixou de fazer parte do setor de jornalismo em geral da empresa.

Eurico tem um histórico de embates com a Globo. Em janeiro de 2001, colocou o símbolo do SBT na camisa do Vasco na final do Campeonato Brasileiro do ano anterior. Era uma retaliação a programas jornalísticos que revelavam irregularidades na gestão do dirigente no Vasco – várias dessas denúncias foram incluídas na CPI do Futebol, no Senado.

O blog ouviu Eurico Miranda que confirmou o episódio e deu algumas explicações sobre sua posição. “Só queria que me explicassem por que eu entendo pouco de marketing. Queria saber como se compra um produto e vão vender ele esculhambando. Me explicaram e está tudo certo”, afirmou o dirigente vascaíno. E acrescentou com ironia: “Queria entender essa técnica de marketing nova de vender o produto dizendo que é uma merda.”

O blog observou ao dirigente vascaíno que havia uma diferença entre o departamento de marketing e de jornalismo em uma empresa de comunicação. Eurico disse que não questionava a liberdade de imprensa, e que respeitava o direito de crítica.

“Você, por exemplo, não pode criticar a instituição Vasco que não entra no clube. Eu represento a instituição Vasco”, disse ele. O blog perguntou então se não tinha direito de critica-lo. “Você pode me criticar quanto quiser porque estou nisso há muito tempo e dou pouca importância. Só não pode me chamar de homossexual, ladrão ou corno. Porque aí vai ter problemas.”

Por fim, Eurico observou que entende que os resultados ruins de público do Estadual no final de semana (semifinais da Taça Rio) foram por conta da forma como foi conduzida a promoção dos jogos.

 


Após jogo do Fla, Maracanã poderá receber finais de Estadual e Libertadores
Comentários Comente

rodrigomattos

A marcação da estreia do Flamengo na Libertadores para o Maracanã abriu brecha para realização de outras partidas no estádio enquanto não se define o seu novo gestor. A Odebrecht informou estar aberta a requisições para finais de Estaduais, e outras partidas dos grandes do Rio pela Libertadores neste período provisório enquanto define a quem repassar a arena.

A princípio, o novo dono do Maracanã seria conhecido rapidamente já que a construtura pretendia acelerar o processo. Mas o cenário atual é de que pode se prolongar mais do que o esperado a disputa entre a Lagardère e a GL Events, que chegou a desistir da concorrência e voltou atrás depois disso.

A Odebrecht prometeu informar para o governo estadual em 9 de março o andamento de negociações, mas não há garantias de que até lá estará concluído. Além disso, há um período de transição para analisar obras necessárias que somam pelo menos R$ 20 milhões. Ou seja, o estádio pode abrigar jogos, mas está longe de estar pronto 100%.

Com isso, a Odebrecht aceita negociar acordos pontuais com clubes que desejarem utilizar o estádio. Mas para isso teria de haver acordo como no caso do Flamengo que se comprometeu a tratar de vários itens do estádio. A Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) deve requisitar o Maracanã para as finais do Estaduais. É possível que formalize o pedido na próxima semana.

Já o Flamengo não tem certeza sobre o que fará na sua segunda partida na Libertadores, no dia 12 de abril, contra o Atlético-PR. Até lá, a Arena da Ilha estará pronta com 20 mil lugares, segundo a diretoria. E o Maracanã pode ter sido cedido à Lagardère – o clube afirma que não joga no estádio com a empresa.

“O acordo por enquanto é só para este primeiro jogo. Depois vamos ver”, afirmou o presidente rubro-negro, Eduardo Bandeira de Mello. Em resumo, o Maracanã ainda vive um incógnita sobre seu futuro, mas pelo menos pode voltar a ter futebol com frequência.


Disputa entre Globo e Esporte Interativo já aumenta em 70% valor do Carioca
Comentários Comente

rodrigomattos

A disputa entre Esporte Interativo e Globo pelo Estadual do Rio vai quase dobrar o valor dos seus direitos de transmissão. O canal da Turner ofereceu pouco mais de R$ 100 milhões pela competição, como revelado pela “Folha de S. Paulo”. Agora, a Globo terá de igualar essa proposta. O contrato atual é de R$ 60 milhões, isto é, o aumento seria em torno de 70%.

A Globo já negociava a renovação do contrato e estava perto de fechar com clubes e com a Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro). Até que o Esporte Interativo decidiu fazer sua proposta.

Dentro da Ferj e entre os clubes, há a informação de que a Globo tem a preferência na negociação. O blog não conseguiu confirmar se há cláusula contratual neste sentido, ou seja, um mecanismo usado em acordos para beneficiar o dono dos direitos. Fato é que esse tipo de cláusula é proibida pelo Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica).

Ainda assim, entre os cartolas, há um consenso de que se a Globo igualar a proposta do Esporte Interativo levaria a renovação. Os direitos de transmissão pertencem aos clubes. Assim, os quatro grandes Flamengo, Fluminense, Vasco e Botafogo que darão a palavra final. Mas a Ferj atua como intermediadora para receber as propostas, embora sua autorização para negociar em nome deles tenha acabado em 2016.

A proposta do Esporte Interativo vai aproximar os valores pagos pelo Carioca em relação ao Paulista em meio à crise do futebol do Rio. Em São Paulo, a renovação do Estadual gerou R$ 160 milhões por ano para os clubes após concorrência do Esporte Interativo.

O canal da Turner entende que pode lucrar também com as plataformas de tv aberta. Por isso, fez propostas para todas as mídias. Sua ideia é fazer permutas e concessões com outras televisões abertas. Foi a forma de conseguir combater a estratégia da Globo de oferecer um pacote por todos os direitos.

 


Bicampeão, Vasco de 2016 é mais forte do que no ano passado
Comentários Comente

rodrigomattos

Assim como no ano passado, o Vasco foi campeão do Estadual do Rio ao bater o Botafogo na final, após deixar pelo caminho o mais rico Flamengo. De novo, a força defensiva é sua principal armar. Mas a equipe vascaína que triunfou neste ano é superior a de 2015.

Foi um time amadurecido pela briga contra o rebaixamento no ano passado que chegou no Carioca. Assim como Doriva, Jorginho achou na consistência defensiva sua forma de jogar. A diferença é que há mais segurança atrás, e algumas armas novas à frente.

Além da zaga formada por Luan e Rodrigo, uma estabilidade, o Vasco tem uma formação com duas linhas de quatro na marcação que é difícil de penetrar. Não é à toa que está invicto há 25 jogos.

Ofensivamente, houve ganho com Nenê, que deu qualidade às bolas paradas e alguma inteligência ao ataque. Não é nenhum primor: o Vasco certamente terá dificuldade quando tiver que atacar o rival e não puder apostar só em contra-ataques. Deve ser o suficiente para a Série B, mas não seria para brigar em cima na elite do Brasileiro.

Para o Estadual, foi mais do que suficiente. O Vasco sobrou diante do Flamengo na semifinal, com um time arrumado diante de um rival bagunçado.

Diante de um Botafogo também apostando no futebol coletivo, teve menos posse de bola, mas foi mais seguro. No primeiro jogo da final, dominado, aproveitou-se dos erros do rival, como a saída em falso de Jefferson e a expulsão de Sassá.

Na decisão, de novo, teve menos a bola nos pés, mas foi pouco ameaçado. Se tem domínio do jogo, o Botafogo não tem recursos para ameaçar de fato um rival bem armado defensivamente. Foram raras as chances de gol.

Foi preciso que Diego acertasse um cruzamento precioso para Leandrinho fazer o gol. Isso tirava o Vasco da zona de conforto, de se defender e contra-atacar. Mas essa formação vascaína é capaz de ser eficiente quando necessário: empatou com Rafael Vaz de cabeçada.

O título é uma forma de recuperação parcial para o rebaixamento de 2015. É preciso voltar para a Primeira Divisão no restante do ano para que o Vasco comece a se reencontrar com seu caminho. É bom que saiba que tem mais força do que em 2015, mas que não pode se iludir com o Estadual e terá de fazer ainda mais no restante do ano.

 


Futebol solidário de Bota e Vasco derrota salários milionários de Fla-Flu
Comentários Comente

rodrigomattos

Repete-se o enredo de 2015 no futebol carioca. De novo, Flamengo e Fluminense se apresentam como os times com mais recursos, conseguem contratações caras, se tornam mais badalados. Mais uma vez, fracassam diante de elencos modestos e de um futebol solidário de Botafogo e Vasco que chegam à final do Estadual do Rio deste ano.

Pense no tricolor Fred e no rubro-negro Guerrero. São, possivelmente, os dois maiores salários do futebol brasileiro, ambos acima de R$ 500 mil. O que fizeram os dois neste Estadual? Pouco. E na Primeira Liga? Guerrero teve uma ou outra boa atuação, enquanto Fred esteve fora da maior parte da vitoriosa campanha do Fluminense, preocupado se era escalado ou não, se tinha aumento ou não.

Enquanto isso, com parcos recursos por conta de erros de seus dirigentes passados (e no caso vascaíno também do atual), Botafogo e Vasco apostaram em um elenco recheado de garotos ou na manutenção da base de 2015. Entre os dois grupos, Nenê é o maior salário cruzmaltino, e Jefferson, o botafoguense, ambos bem abaixo de Fred e Guerrero. No restante dos dois elencos, a disparidade é ainda maior.

Pois bem, o técnico Jorginho montou um time assumidamente defensivo diante de rivais grandes. Arma sua equipe com duas linhas de marcação difíceis de serem penetradas. E faz do contra-ataque, principalmente pela direita, sua arma. Sem brilhantismo, o time é consistente, uma nota seis ou sete. Mas sempre vence uma equipe nota quatro ou cinco.

E o Flamengo de Muricy Ramalho é um time de altos e baixos que tende mais para a reprovação do que para a média para passar. Apesar de vários bons jogadores, não encontrou ainda uma forma de jogar. Uma prova disso foi a mudança do esquema na semifinal, preferindo os três atacantes aos quatro jogadores no meio de campo que vinham funcionando.

Não deu certo. O Flamengo não tinha aproximação, e insistia nas bolas longas. Não ameaçava de fato o Vasco – ainda mais porque seu centroavante e estrela Guerrero tinha atuação lamentável. A volta ao sistema anterior, com quatro no meio, de pouco adiantou. O time rubro-negro era inseguro, e o Vasco sabia o que queria e levou a vaga.

Há similaridades com a semifinal de arquibancada esvaziada entre Fluminense e Botafogo. O time de Ricardo Gomes tinha um propósito desde o início do jogo. Pressionar o rival, ter posse de bola, não dar espaços na retomada tricolor.

Do lado da equipe de Levir Culpi, a velocidade vista na Primeira Liga se perdeu em uma saída de bola deficiente com excesso de erros. Não havia troca de passes no meio de campo, nem no ataque. Fred estava lá na frente, milionário e pouco participativo.

Após o segundo tempo, houve disposição tricolor, mas não o suficiente para mudar a superioridade tática botafoguense. A lição do dia é que não há salários altos que batam um time melhor organizado. O talento faz diferença se houver uma organização que o ressalte.

Claro, isso não significa que Flamengo e Fluminense irão pior do que os rivais no Brasileiro, campeonato mais importante. O Estadual não é parâmetro para o Nacional. Aliás, a dupla acabou à frente dos outros dois em 2015 (o Botafogo estava na Série B), embora longe do topo.

Fato é que, após quatro meses do ano, independentemente da importância do Carioca, é certo que o dinheiro da dupla Fla-Flu não foi suficiente para exibir um futebol convincente. Enquanto isso, Vasco e Botafogo, de poucos recursos, já tem um caminho do que pretendem na temporada.


Palmeiras e Flu têm piores inícios de temporada entre os grandes
Comentários Comente

rodrigomattos

Impossível fazer julgamentos definitivos sobre o que será a temporada 2016 pelos desempenhos no início de Estaduais, além de poucos jogos da Primeira Liga e da Libertadores. É possível, sim, ter uma ideia de quem está mais avançado na montagem do time, e quem capenga para encontrar uma ideia de jogo. Neste último caso estão Palmeiras e Fluminense: os piores entre os grandes até agora.

Em um levantamento sobre os 12 times mais tradicionais do Brasil, dez deles têm um aproveitamento acima de 50%. As únicas exceções foram o tricolor carioca e o alviverde paulista que conseguiram 41,6% dos pontos. Cada um ganhou 10 pontos em oito jogos, percentual que os deixaria disputando para não cair no Brasileiro.

Isso se deve às péssimas campanhas no Paulista e no Carioca de ambos. No caso palmeirense, após a derrota para Ferroviária no domingo, o time está no segundo lugar de seu grupo e tem apenas o 10o melhor desempenho no campeonato. O Fluminense é quarto em seu grupo, com apenas 38% dos pontos.

Pela facilidade dos Estaduais, as duas equipes têm boas chances de se classificar às próximas fases. A questão é a dificuldade enfrentada contra adversários, em geral, mais fracos do que no Brasileiro. A diretoria do Fluminense demitiu o técnico Eduardo Baptista, embora não desse importância ao Estadual no discurso.

Ao se analisar a outra ponta, os melhores times até agora, é cedo para se empolgar. Recém-promovido da Série B, o Botafogo tem o melhor aproveitamento com 90,5%, mas só jogou Estadual até agora. O futebol alvinegro está longe de ser vistoso, e o elenco modesto gera temores sobre o futuro na Série A.

Vasco, Corinthians e Flamengo vêm a seguir com desempenhos acima de 80%. Mas também terão de provar que se firmarão na temporada por diferentes razões: o primeiro porque tenta se recuperar de um rebaixamento e os outros dois porque estão em remontagem com vários jogadores novos. No caso vascaíno, o time só disputa o Estadual, e teve apenas dois jogos contra grandes.

Repita-se: é cedo para chegar a conclusões quando os times disputaram pouco mais de 10% dos jogos da temporada. Estaduais, muitas vezes, são enganosos no início, servindo mais como preparação para outras competições. Mas o desempenho bem abaixo das médias dos outros justifica uma preocupação entre palmeirenses e tricolores.