Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Rússia

Desempenho saudita é argumento contra aumento da Copa
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Em reuniões anteriores à Copa-2018, cartolas da Fifa enchiam a boca para dizer como o aumento da Copa para 48 times não afetaria o nível técnico porque há muitos times bons fora. Pois o jogo de abertura entre Rússia e Arábia Saudita apontou na direção oposta. O time saudita se revelou incapaz de dar sequer um chute de fato no gol.

Obviamente, não é inédita a presença de times fracos na Copa. É incomum, no entanto, ver um time tão frágil quanto o saudita a ponto de a Rússia sequer fazer esforço para ganhar o jogo. Conseguiu dois belos gols com Cheryshev, um com drible na área e outro em belo chute.

A Arábia Saudita terminou com apenas três finalizações, nenhuma delas no gol. Por incrível que pareça, a equipe tinha mais posse de bola, em torno de 60%, mas era estéril, muitas vezes na defesa.

Para se ter ideia, a Associação Asiática de Futebol, na qual a Arábia Saudita se classificou nas elimininatórias, passará de quatro para oito vagas na Copa. Ou seja, teríamos quatro times piores do que o saudita se esse sistema já estivesse implantado.

O time russo pode se dar ao luxo até de jogar em ritmo lento, e só atacar incisivamente quando necessitava. Os cinco gols foram resultado de sete conclusões. Lembremos que antes da Copa a Rússia era o time pior ranqueado na competição. É verdade que houve os dois belos gols de Cheryshev.

Feitas as contas, a Fifa vai ter dificuldade para justificar tecnicamente o aumento da Copa para 48 times já aprovado para o Mundial de 2026, marco para EUA, Canadá e México. Imagine quatro times piores do que o saudita na Copa.

 

 


Árbitro de vídeo da Copa terá cinco vezes mais câmeras do que ‘projeto CBF’
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O árbitro de vídeo da Copa-2018 terá o quíntuplo das câmeras previstas para o projeto da CBF para o Brasileiro e para a Copa do Brasil. Serão até 35 câmeras contra um mínimo de sete equipamentos previstos pela confederação. A confederação nacional entende que essa quantidade é mais do que suficiente para avaliar os lances.

Desde o início, há discordâncias entre a concepção da Fifa e da CBF para o árbitro de vídeo. A entidade internacional defende um uso mais amplo do mecanismo, enquanto a nacional entende que deve ser bem restrito a alguns lances.

Às vésperas do Mundial na Rússia, o uso do árbitro de vídeo dominou as atenções da cúpula da arbitragem da Fifa durante sua última entrevista da competição. Na ocasião, o diretor da federação internacional, Massimo Busacca. ressaltou como a presença de um maior número de câmeras vai pegar o máximo de itens possíveis e defendeu as paradas do jogo com esse objetivo. Serão 33 equipamentos como padrão, e 35 para jogos mais importantes.

“É muito difícil que algo escape a 35 câmeras. Todo mundo está preocupado com um minuto de atraso. O tempo médio de jogo no Brasil foi de 57 minutos. Ou seja: em 33 minutos, não jogamos futebol. Temos paradas por escanteios, um minuto e meio para uma falta. E aceitamos isso. Eu sei que o VAR é uma coisa nova. Mas temos que pensar o que isso vai fazer parte do jogo”, analisou Busacca.

Um dos responsáveis pelo projeto de árbitro de vídeo da CBF, Manoel Serapião explica que ainda não tinha se fechado o número de câmeras, mas entende que com sete câmeras estaria tudo resolvido. A confederação trabalhava com ter até 16 ou 20 câmeras se houvesse imagens disponíveis.

“Não há uma definição de número, pois meu projeto é para contemplar o futebol rico e pobre. Se só houver apenas 1 câmera transmitindo um jogo, será essa câmera que registrará o erro. Logo, poderá ser usada. Todavia, acho que com sete microcâmeras nos gols tudo se resolver até porque se o VAR é para corrigir erros claros, óbvio, essas câmeras corrigirão tudo. Mas podem ser colocadas mais, embora eu ache que ficarão quase que sem função. A Copa provará isso”, completou.

Árbitro da CBF na Copa, Sandro Meira Ricci contou que o sistema que trabalhará na Fifa é similar ao que já utiliza na Conmebol durante a Libertadores. “Tem os mesmos recursos”, contou.

 


Fifa aprova uso do árbitro de vídeo na Copa da Rússia
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O Conselho da Fifa aprovou o uso do árbitro de vídeo na Copa da Rússia-2018, em reunião em Bogotá. É a confirmação oficial de que haverá tecnologia pela primeira vez no Mundial nesta edição.

No início de março, a IFAB (International Board) tinha determinado todas as regulações do árbitro de vídeo para uso no futebol, abrindo caminho para utilização na Copa. Faltava a aprovação final da Fifa, que era dada como certa dentro do Conselho, e ocorreu nesta sexta-feira (16).

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, é entusiasta do árbitro de vídeo. O mecanismo vem sendo testado nas principais competições da entidade, Copa das Confederações e Mundial de Clubes. O objetivo era justamente que estivesse afinado para a Copa-2018.

“A Fifa, quando tomou essa decisão, foi unânime. O Conselho já havia tomado essa decisão. Hoje também foi unanimidade.
Importante dizer mais uma vez: não tomamos essa decisão acordando hoje. Estamos realmente estudando. Talvez eu tenha sido o mais cético de todos. Mas não temos como saber enquanto não provar”, justificou Infantino em entrevista concedida após a reunião do Conselho da Fifa, na Colômbia.

“Sem o VAR, um árbitro comete um erro importante a cada três jogos. Com o VAR, ele comete um erro importante a cada 19 jogos. Isso é um fato. A porcentagem de acerto dos árbitros sem o VAR é de 93%, o que é excelente. Com o VAR, é de 99%”, analisou o presidente da Fifa. “Não é possível que, em 2018, todos no estádio ou em casa, saibam em alguns segundos se o árbitro cometeu um erro ou não. O único que não sabe é o próprio árbitro”, completou o dirigente.

O sistema criado pela Fifa para o árbitro de vídeo prevê que a tecnologia só seja usada em lances que não tenham subjetividade, isto é, interpretação. O sistema deve ser acionado para lances capitais como pênaltis, impedimentos resultantes em gol ou agressões não vistas pelo juiz de campo.

Pelo modelo adotado, o árbitro que está à frente do vídeo poderá indicar para aquele no gramado um equívoco cometido. Há ainda a possibilidade de o juiz no campo requisitar para analisar as imagens quando tiver dúvida. Times não podem reivindicar revisão de jogadas. De qualquer maneira, será o árbitro que controla o jogo quem tomará a decisão final sobre o lance.

Oito maneiras em que o árbitro de vídeo pode mudar o futebol


Sorteio indica futuros perrengues da Copa da Rússia
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Com Pedro Lopes

Tal qual ocorreu no Brasil o sorteio da Copa-2018 serviu para mostrar as dificuldades que delegações e torcedores enfrentarão na Rússia. E não tem nada a ver com a temperatura abaixo de zero em Moscou que não será a mesma no período do Mundial. Tratam-se de questões ligadas à língua, aos serviços, à burocracia aos grandes deslocamentos, e até a certa paranoia com segurança.

Primeiro, é preciso que se diga que a Rússia tem, como o Brasil, muito a oferecer: um país culturalmente rico, com marcos históricos, uma cultura de futebol consolidada e um povo hospitaleiro.

Mas há uma barreira na interação com os turistas: a língua. A maioria das pessoas em Moscou não fala inglês. Era um problema comum no Brasil. Mas este se agrava na Rússia porque quase todas as sinalizações são escritas no alfabeto cirílico, o que torna bem complicado, por exemplo, andar de metrô em Moscou. O mesmo vale para achar endereços na cidade.

Serviços de táxis estão longe do ideal em Moscou, com preços altos, e muitas vezes negociações abusivas com os taxistas. Mais uma vez, um ponto em comum com certas cidades brasileiras, mas, na Rússia, o problema é disseminado.

Outra questão é em relação aos serviços do Comitê Organizador da Copa. No sorteio, a internet se mostrou falha em boa parte do tempo, o que é incomum nos eventos da Fifa. Houve sérios problemas de credenciamento por conta de burocracia. Alguns participantes do evento demoraram 24 horas para receber suas identificações por simples problemas nos nomes.

Para o torcedor, haverá uma facilidade para identificação com a criação da Fan ID para quem comprar ingresso – é identidade da Fifa. Mas, ao mesmo tempo, ainda será obrigatório o registro de dados em hotéis pelos turistas como de hábito na Rússia.

Em meio a isso, mais um obstáculo é gerado pelo excesso de zelo do governo russo com as questões de segurança. Ressalte-se que a Rússia sofre bem mais ameaçadas do que o Brasil, pois tem relações conflituosas com grupos extremistas. Por isso, foram colocados detectores de metais em estações de trem e metrô e nas portas de hotéis, além de lugares habituais como aeroporto. Para se entrar no Kremlin, local do sorteio, uma pessoa credenciada podia ser checada quatro ou cinco vezes.

Um outro ponto são os grandes deslocamentos entre cidades. Esses chegam a até 2500 km, levemente menores do que no Brasil. Assim como no país da Copa-2014, nem sempre haverá voos diretos, e o torcedor que quiser acompanhar seu time terá de fazer um planeamento extra. Houve reformas de 13 aeroportos para facilitar a vida do vianjante.

Em relação às construções de estádio, um problema no Brasil, há menor preocupação. Ainda há um estádio em Samara por entregar, o que deve ocorrer até abril segundo o governo. Mas as obras estão mais adiantadas do que no caso brasileiro.

“Desde o começo, a Rússia tem levado isso bem responsabilidade. A preparação da Copa tem o nível mais alto do governo. Milhões de pessoas participaram do trabalho em relação à Copa, municipalidades, governos e outros têm trabalhado. Temos garantido de que tudo isso vai funcionar”, afirmou o ministro do Esporte, Vitaly Mutko, durante esta semana de sorteio.

Ressalte-se que, no Brasil, o sorteio da Copa feito em Salvador também indicou vários problemas na organização, como os estádios atrasados, o calor… Pois bem, as operações de Copa foram bem sucedidas no país, com exceções da invasão de chilenos no Maracanã. Mas, para isso, foi preciso solucionar questões na véspera do Mundial.

PS Esse texto tratou de questões de logísticas e operação, sem entrar em outras preocupações em relação à Rússia como homofobia e racismo.


Eleição da Copa tem presente de R$ 5 mil, festa de luxo e emprego de favor
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Um relatório do Comitê de Adjudicação da Fifa mostrou os bastidores das escolhas das sedes da Copa de 2018 e 2022. Estão lá descritos presentes de R$ 5 mil, festa de gala gratuita, empregos de favor e pagamentos vultosos para cartolas poderosos da federação internacional pelos países-cadidatos. Poderia se esperar um escândalo. Mas a entidade declarou que a eleição não fora comprometida, não prevê punição a ninguém e manteve as vitórias da Rússia e do Qatar.

O relatório divulgado pela Fifa sequer é completo visto que o chefe do comitê de ética, Micheal Garcia, que conduziu a investigação, questionou o publicamente. Ele afirmou que o documento publicado é incompleto e contém erros. Recorreu da decisão do Comitê de Adjudicação.

Do que foi revelada, sua investigação mostrou um mundo de lobby, troca de favores, pagamentos suspeitos e delações na busca pelo Mundial, votação feita em 2010. A tal ponto que mimos de valores altos são vistos com indiferença pela entidade.

Um exemplo foram os presentes dados pelo comitê de candidatura do Japão aos membros do Comitê Executivo da Fifa, que foram os votantes nesta eleição, e suas mulheres. Os japoneses deram bolsas e câmeras, entre outros brindes, em valores entre R$ 1.500 e R$ 5 mil. Não há informação de devolução.

Um favor ainda maior foi feito pela candidatura do Qatar sobre quem recai a maior suspeita de compra de votos. O comitê de candidatura do país pagou por um congresso e um jantar de gala da Confederação Africana de Futebol no valor to US$ 1,8 milhão (R$ 4,6 milhões). A investigação diz que o valor pode ser ainda maior. Em troca, só o país árabe podia fazer campanha no evento.

Ligado a candidatura, o qatari Mohammed bin Hammam, ex-membro da Fifa, fez uma série de pagamentos comprovados para cartolas da entidade. Originalmente, esse dinheiro seria para comprar votos na eleição para presidente, quando enfrentaria Joseph Blatter. Mas o relatório apontou possível ligação do dinheiro a Reynald Temarii, da Oceania, com votos da Copa.

Outra questão do Qatar foi um amistoso entre Brasil e a Argentina, em Doha, bancado por um conglomerado do país. O contrato com a AFA (Associação de Futebol Argentina) gerava questões sobre relação com a escolha da Copa.

Pedidos de favor para a candidatura inglesa, feitos por poderosos da Fifa, também foram identificados. O documento diz que Jack Warner, ex-vice da Fifa, requisitou que arrumassem emprego no Reino Unido para um conhecido. E os ingleses estavam dispostos a atendê-lo. Isso fora outros três pedidos de benefícios de cartolas da federação relatados por Lord Triesman, ex-chefe da candidatura inglesa.

À parte esses benefício, os bastidores da escolha tem pelo menos dois delatores usados pela Fifa, e descartados por falta de credibilidade, computadores destruídos e sumidos do comitê de candidatura da Rússia, e promessas de projetos de desenvolvimento em altos valores para países dos cartolas da Fifa.

A tudo isso, a federação internacional reagiu com otimismo por considerar o processo de eleição das Copas 2018 e 2022 livre de comprometimento. O relatório do comitê de adjudicação afirmou que não há provas de corrupção, nem compra de votos. Em resumo, encerrou a questão.

 


Como no Brasil, Fifa já enfrenta ameaças políticas na Rússia-2018
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No Brasil, a Fifa viveu sob a constante ameaça de manifestações desde a Copa das Confederações, além de sofrer críticas da população. O Mundial foi tranquilo apesar das preocupações. Mas, a quatro anos da Copa-2018, a federação internacional já enfrenta sérios problemas políticos na Rússia.

Durante a semana, a federação internacional teve que soltar uma nota para reafirmar que não tira o torneio do país apesar dos confrontos na região da Ucrânia, que resultaram no abate de um avião. A entidade defendeu que o Mundial pode ser uma “força para o bem”.

E outra grave ameaça é a questão do combate à discriminação na Rússia. O país tem uma lei que proíbe manifestações de “relações sexuais não tradicionais”, o que serve para punir homossexuais. A força-tarefa da Fifa contra discriminação está bastante preocupada com essa legislação, e seus efeitos.

“A Rússia será muito mais desafiadora. A Rússia, sozinha, merece uma força-tarefa”, explicou Jeffrey Webb, presidente da força tarefa da Fifa e membro do Comitê Executivo, ao blog durante o Mundial do Brasil.

“Nós vamos ter que conversar. Para nós, se trata de revisar a legislação e ver o que se encaixa na legislação da Fifa. Claramente, a Fifa tem um ponto muito forte contra discriminação, contra o que podem sofrer indivíduos. Vamos ver quais linhas se cruzam entre a legislação da Fifa e a deles (russos).”

O presidente da federação internacional, Joseph Blatter, já teve uma conversa inicial com o presidente Vladimir Putin sobre o assunto, segundo Webb. Fato: quem achava que os cartolas da Fifa teriam vida fácil após o Brasil, enganou-se.


Fifa reprime protesto de convidados com faixa no Maracanã
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A Fifa reprimiu um protesto nas arquibancadas do Maracanã no jogo entre Bélgica e Rússia, mas seus seguranças e policiais foram incapazes de impedir a exibição de uma faixa com mensagem política.

Pelas regras da Copa-2014, é proibido esse tipo de manifestação. Irônico é que os dois manifestantes eram convidados de um patrocinador do Mundial, o Itaú.

O engenheiro Maurício Dantas e o professor João Carlos Rodrigues levaram uma faixa de cerca de quatro por dois metros para dentro do estádio. Estava escrito: “A festa nos estádios não vale as lágrimas nas favelas”. De um lado, a frase estava em português, do outro em inglês.

No meio do jogo, eles abriram a faixa, e policiais militares os detiveram e os levaram para averiguação. A PM queria que eles entregassem a faixa, mas eles se recusaram alegando que não desrespeitavam nenhuma lei. Foram liberados.

Mais tarde, ao final do jogo, voltaram a exibir o protesto e seguranças particulares da Fifa mandaram que fechassem a faixa. Ainda queriam impedir os jornalistas de tirar fotos. Mas os manifestantes mantiveram a exibição das faixas. Até que um chefe pediu que eles se retirassem do estádio – foram acompanhados pelos agentes.

“Somos de um movimento social contra a violência policial dentro das favelas. Durante essa Copa, só aumentou a repressão e a retirada de pessoas dessas comunidades, como a da Mangueira, aqui próximo do Maracanã, que tentam transformar em uma região de elite”, contou Dantas.

Ele ganhou os ingressos para o jogo do Banco Itaú, do qual é cliente, e que é patrocinador do Mundial. Chamou o amigo Rodrigues para fazer o protesto. “Entramos com a faixa dentro da mochila. Ninguém viu”, contou Rodrigues.


Governo muda segurança da Copa porque até arma burlou revista no Maracanã
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Além da invasão de 100 chilenos no Maracanã, o governo federal mudou a segurança de estádios da Copa-2014 após um relatório feito por setores de inteligência que mostrou um cenário caótico no estádio. Autoridades públicas descobriram que o sistema era tão falho que permitia até a entrada de arma não autorizada dentro da arena, o que ocorreu em um dos dois jogos.

A crise de segurança da Copa foi detonada antes do jogo entre Espanha e Chile quando torcedores invadiram o estádio e a sala de imprensa, destruindo paredes e subindo para arquibancadas. A maioria foi detida.

Mas a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) já preparara um relatório dos dias iniciais de operação do estádio carioca. Também foram feitas análises pela secretaria de segurança do Rio de Janeiro. Os dados relatados deixaram assustadas às autoridades públicas de segurança.

O blog apurou que um policial entrou com uma arma dentro do estádio para fazer um teste. Passou pelo raio-x, e pelo portão de detector  de metal, sem que a arma fosse notada. Ele incluiu isso em um relatório.

A Abin ainda constatou que vários seguranças de empresas contratadas pelo COL (Comitê Organizador Local) não têm ido aos jogos. Resultado: o número tem sido sempre menor do que o estimado pelos organizadores. O blog flagrou uma das empresas oferecendo prêmios em sorteio para quem aparecesse nas partidas.

Isso se estende a outros estádios, e desenhou um quadro preocupante. Por isso, foi tomada a medida de aumentar o número de seguranças privados, e incluir a possibilidade de policiais atuarem de forma mais ostensiva dentro das arenas. Assim, decidiu-se pela revisão das vistorias nos estádios com atuação de forças públicas.

Outro problema grave foi a mudança total de instalações temporárias feitas pela Fifa no Maracanã para a Copa em relação à Copa das Confederações, e à configuração normal do estádio. Foi o que deixou claro Roberto Alzir, delegado da polícia federal e subsecretário de grandes eventos do Rio de Janeiro, que ainda reclamou do atraso para a implantação. “A polícia não está acostumada a lidar com essa configuração.”

A Fifa até tentou botar a culpa no governo do Estado por não excluir torcedores das redondezas do Maracanã, como, de fato, tem ocorrido em outras arenas. Em reunião tensa na tarde de sexta-feira com autoridades públicas, o chefe de segurança da Fifa, Ralf Mutschke, cobrou, de forma dura, que o governo do Estado estabelecesse um perímetro para impedir quem não tivesse ingresso de se aproximar do estádio.

Mas sua proposta foi rejeitada, taxada como impossível de ser praticada por conta das redondezas densamente povoadas do estádio. Na verdade, ele teve que aceitar a entrada de forças públicas dentro do estádio.

Questionado pelo blog se estava satisfeito com os novos planos de segurança, Mutschke fez um sinal de impaciência e não quis falar do assunto. O secretário-geral da Fifa, Jérôme Valcke, também tinha cara de poucos amigos ao ouvir o novo programa traçado pelo ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo. A verdade é que, diante de tantas falhas, a Fifa e o COL tiveram que aceitar as medidas desenhadas pelo governo.


Rússia corta gastos de estádios e de estrutura da Copa-2018
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( Para seguir o blog no Twitter: @_rodrigomattos)

Após anunciar a Copa mais cara da história, a Rússia tem cortado despesas das construções para o evento, principalmente em estádios. Ressalte-se que essa contenção ocorre após o orçamento do Mundial dobrar depois de a candidatura do país sair vitoriosa.

Inicialmente, os russos previam gastar US$ 10 bilhões (R$ 21,6 bilhões) com o evento, valor que saltou para US$ 20 bilhões (R$ 43 bilhões). Assim, o custo da competição russa ficou maior do que o da Copa-2014 no Brasil, que está em R$ 28 bilhões até agora. Ambos os países farão o evento com 12 sedes.

Mas a Rússia começou a rever seus projetos. Neste mês, o Ministério da Economia e Desenvolvimento anunciou projeto para cortar R$ 115 milhões de despesas de cada um de uma lista de sete estádios. Assim, as arenas teriam o seu custo máximo reduzido para R$ 844 milhões.

Para obter a economia, está prevista a exclusão de salas comerciais que fariam parte da exploração comercial posterior dos locais. Isso gerou críticas dentro do governo russo.

Em agosto, houve uma redução na capacidade da sede da final do Mundial: o Estádio Luzhniki, em Moscou. Agora, ele abrigará 81 mil pessoas, oito mil a menos do que a previsão inicial, e não precisará ser demolido. A Fifa aprovou.

Além disso, o governo federal russo baixou uma decisão de que não contribuirá para nenhum dos projetos de transporte internos das cidades-sedes. Só dará dinheiro para as reformas dos aeroportos e das vias que dão acesso aos estádios, além das próprias arenas.

Em comparação, o Brasil tinha uma previsão inicial de uma Copa mais barata e com mais projetos de infraestrutura. Mas, a cada revisão da matriz de responsabilidades, há aumento dos valores delas e cortes de obras de transportes internos que não ficarão prontas e seriam o principal legado da competição.

Ressalte-se ainda que o evento brasileiro sairá bem mais caro do que o realizado na África do Sul, que girava em torno de R$ 8 bilhões. Esse valor, no entanto, envolvia menos sedes, nove, e excluía gastos com aeroportos.


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