Blog do Rodrigo Mattos

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Árbitro de vídeo da Copa terá cinco vezes mais câmeras do que ‘projeto CBF’
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O árbitro de vídeo da Copa-2018 terá o quíntuplo das câmeras previstas para o projeto da CBF para o Brasileiro e para a Copa do Brasil. Serão até 35 câmeras contra um mínimo de sete equipamentos previstos pela confederação. A confederação nacional entende que essa quantidade é mais do que suficiente para avaliar os lances.

Desde o início, há discordâncias entre a concepção da Fifa e da CBF para o árbitro de vídeo. A entidade internacional defende um uso mais amplo do mecanismo, enquanto a nacional entende que deve ser bem restrito a alguns lances.

Às vésperas do Mundial na Rússia, o uso do árbitro de vídeo dominou as atenções da cúpula da arbitragem da Fifa durante sua última entrevista da competição. Na ocasião, o diretor da federação internacional, Massimo Busacca. ressaltou como a presença de um maior número de câmeras vai pegar o máximo de itens possíveis e defendeu as paradas do jogo com esse objetivo. Serão 33 equipamentos como padrão, e 35 para jogos mais importantes.

“É muito difícil que algo escape a 35 câmeras. Todo mundo está preocupado com um minuto de atraso. O tempo médio de jogo no Brasil foi de 57 minutos. Ou seja: em 33 minutos, não jogamos futebol. Temos paradas por escanteios, um minuto e meio para uma falta. E aceitamos isso. Eu sei que o VAR é uma coisa nova. Mas temos que pensar o que isso vai fazer parte do jogo”, analisou Busacca.

Um dos responsáveis pelo projeto de árbitro de vídeo da CBF, Manoel Serapião explica que ainda não tinha se fechado o número de câmeras, mas entende que com sete câmeras estaria tudo resolvido. A confederação trabalhava com ter até 16 ou 20 câmeras se houvesse imagens disponíveis.

“Não há uma definição de número, pois meu projeto é para contemplar o futebol rico e pobre. Se só houver apenas 1 câmera transmitindo um jogo, será essa câmera que registrará o erro. Logo, poderá ser usada. Todavia, acho que com sete microcâmeras nos gols tudo se resolver até porque se o VAR é para corrigir erros claros, óbvio, essas câmeras corrigirão tudo. Mas podem ser colocadas mais, embora eu ache que ficarão quase que sem função. A Copa provará isso”, completou.

Árbitro da CBF na Copa, Sandro Meira Ricci contou que o sistema que trabalhará na Fifa é similar ao que já utiliza na Conmebol durante a Libertadores. “Tem os mesmos recursos”, contou.

 


Com fórmula difícil de entender, novo ranking da Fifa dá maior peso à Copa
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O Conselho da Fifa mudou o ranking da entidade com objetivo de dar mais peso a jogos oficiais, como os de Copa do Mundo, em relação a amistosos. A nova fórmula, no entanto, continua tão complexa quanto a anterior. Até cartolas que aprovaram o novo modelo admitiram nos bastidores dificuldade de entende-lo.

A mudança do ranking da Fifa foi uma consequência de críticas generalizadas ao atual sistema que vai durar até o final da Copa. Federações nacionais apontavam falta de sentido no sistema que valorizava excessivamente amistosos que pouco valiam contra adversários fracos. A pressão surtiu efeito nesta reunião do Conselho pouco antes do Mundial da Rússia. A nova pontuação valerá após a Copa.

A importância do ranking crescerá para os próximos ciclos de Copa. Além de cabeças-de-chave nos grupos, ajudará a definir vagas nas eliminatórias.

A questão é que o ranking incluiu como peso de jogo uma competição que sequer existe no momento: a Liga das Nações. É um campeonato que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, tenta a aprovação por conta de uma proposta milionária de um grupo financeiro. Veja as principais diferenças entre os dois modelos:

Peso por jogo

Atual – Atualmente, um jogo amistoso tem peso 1 para o ranking, e um jogo de Copa do Mundo, 4, com gradaçoes entre. Não há distinção entre partidas amistosas oficiais, nem entre jogos de grupo e de mata-mata das competições.

Novo – haverá uma tabela complexa para peso de jogos. São os seguintes pesos: 5 para amistosos fora de datas oficiais; 10 para amistosos em datas oficiais; 10 para Liga das Nações fase de grupo; 25 para Liga das Nações fase mata-mata; 25 para eliminatórias; 35 para Copa América (ou Euro) até quartas; 40 para Copa América (ou Euro) a partir das quartas; 50 para Copa do Mundo até as quartas; 60 para Copa a partir das quartas. O detalhe é que agora um jogo de Copa pode valer até 12 vezes um amistoso sem importância. E a Liga das Nações já tem peso apesar de não existir ainda: só sua versão europeia.

Força do oponente

Atual – Leva em conta a força do adversário do time de acordo com seu ranking, e também leva em conta a confederação. A Conmebol é a mais valorizada, próxima da UEFA, ambas com maior peso. O ranking dá 3 pontos por vitória, e um por empate.

Novo – O ranking dá um ponto por vitória e 0,5 por empate. Só que da pontuação é subtraído o “resultado esperado para o jogo”. Esse item é calculado em fórmula complexa levando em conta os rankings dos times. Resumindo, se um time forte pega outro fraco, sua expectativa de vitória será alta. Então, a seleção forte somará um percentual menor do ponto.

Ganho e perda de pontos

Atual – O ranking final era determinado pela média dos últimos 12 meses do time. Com menor peso, eram contabilizadas as partidas de antes desse um ano, que se depreciavam conforme o tempo.

Novo – Acabou a média atual. Foi implantado o sistema Elo pelo qual são subtraídos e adicionados pontos conforme o período e os resultados.


Copa terá VAR para identificar concussão como do goleiro do Liverpool
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A Fifa usará o árbitro de vídeo para identificar lances que possam gerar concussões como a sofrida pelo goleiro do Liverpool Loris Karius na final da Liga dos Campeões. Foi uma decisão diante da preocupação da entidade em relação a esse tipo de contusão e pela dificuldade de diagnóstico. No caso de Karius, um médico poderia ter verificado o choque com Sergio Ramos e ajudado a tomar a decisão de tira-lo de campo, que era necessária pela regra. Fora o aspecto de saúde, ele cometeu duas falhas na decisão.

Atualmente, pelo protocolo da Fifa, o jogo pode ser paralisado por três minutos para que seja feito um rápido protocolo de teste chamado CRT. Neste, basicamente, verifica-se se houve perda de consciência do jogador, isto é, se está tonto, andando como bêbado. O problema é que o exame nem sempre é conclusivo.

“Um médico pode examinar e não perceber que houve concussão o que ocorre em 80% dos casos. Dá para perceber se tem perda de consciência”, contou o médico da CBF, Jorge Pagura. “O ideia era fazer um teste SCAT, teste cognitivo em que se verifica se há dor na cabeça, cervical, além de perguntas sobre o placar do jogo, quem fez o último gol, onde você está jogando. Isso demoraria 10 minutos.”

Um exemplo dado por Pagura foi do zagueiro Miranda que sofreu uma concussão em choque em partida das eliminatórias da Copa. Como era intervalo, foi possível entrevista-lo e verificar o problema. Miranda achava que já estava jogando na Copa da Rússia.

Para poder realizar o SCAT, a CBF quer testar uma substituição provisória por 10 minutos em campeonatos sub-20 para depois levar a sugestão à Fifa. Neste caso, os diagnósticos passariam a ter acerto de 70% a 80%, segundo Pagura. Mas, como isso não será possível ainda na Copa, a ideia é usar o árbitro de vídeo para identificar o choque entre jogadores que provoque concussões.

“Dá para ver no lance que ele (Karius) levou uma cotovelada. Com um árbitro de vídeo, o médico pode indicar que tem que verificar se o goleiro está bem, sofreu algum traumatismo”, explicou Pagura, que exime completamente os médicos do Liverpool no caso de Karius. Afirmou que não havia tempo suficiente para fazer o diagnóstico corretamente e tirar o jogador do campo.

No caso da Copa, uma pesquisa dos médicos Astrid Junge e Jiri Dvorak, publicada no “British Journal of Medicine”, apontou que houve 12 concussões em jogadores nas últimas cinco edições. É considerado um evento raro, mas de grande gravidade. A principal preocupação é a saúde dos atletas, mas também afeta suas performances.

“Diminui o tempo de reação, visão periférica, entendimento e orientação espacial, atenção para tomada de escolhas”, detalhou Pagura. Kairus cometeu dois erros graves no jogo depois do choque com Sergio Ramos. Deu uma bola nos pés de Benzema que fez o gol, e depois não conseguiu agarrar um chute de longe. Foram dois gols decisivos para a vitória do Real Madrid. “Se houvesse uma substituição, teriam 10 minutos com outro goleiro para poder analisar sua situação. Mas imagina tirar um goleiro titular em um jogo desse sem ter certeza?”

No Brasil, o Nacional tem tido um aumento de casos de concussão nas edições de 2016 e 2017. Pagura ressalta que o protocolo da CBF melhorou bastante, e tem ocorrido de forma correta. Citou inclusive identificação do jogador João Pedro, do Botafogo, após um choque que causou concussão. Agora, ele está se recuperando com supervisão da CBF.

 


Tite só chamou atletas com chances de ir à Copa e manteve média de idade
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Não é apenas discurso a afirmação de Tite de que todos os jogadores convocados para o amistoso contra a Colômbia têm chance de continuar na seleção se forem bem. A lista foi elaborada depois de uma análise da idade e condição dos atletas para saber se têm condições de ir à Copa-2018. Tanto que a relação tem jogadores com praticamente a mesma média de idade do elenco formado para as eliminatórias, nem muito jovens, nem muito veteranos.

Do grupo atual chamado por Tite, apenas cinco estiveram entre os 24 convocados para os últimos compromissos das eliminatórias, diante de Peru e Argentina. São Weverton, Alex Muralha, Fagner, Rodrigo Caio e Lucas Lima. Havia outros chamados anteriormente pelo treinador como Fábio Santos e Luan.

Esse grupo tem uma média de idade de 26,8 anos, praticamente igual a da principal 26,9 anos. O mais velho é Robinho que tem 32 anos e terá 34 na Copa da Rússia, isto é, será mais novo do que possíveis titulares como Daniel Alves. O mais novo é o lateral-esquerdo Jorge que tem 20 anos, mais velho do que o já titular Gabriel Jesus.

“Cada jogador foi convocado com uma intenção. Fábio Santos, por exemplo, tinha sido convocado para um jogo pontual (contra a Argentina). Mas, se analisarmos, ele pode chegar a uma Copa (Rússia), duas teria que ver. O Jorge, por exemplo, tem outra intenção já que é novo e vai se desenvolver”, contou o coordenador de seleções, Edu Gaspar. Ele ressaltou que todos têm chance de seguir no grupo.

Com isso, o elenco do amistoso está longe de ser um apanhado de jovens como já ocorreu no passado, ou um grupo sem chances de continuar no time. É óbvio, no entanto, que a maioria não conseguirá uma vaga visto que Tite tem uma base vitoriosa montada.

Em relação às ausências notadas, a comissão técnica da seleção sabia que seria percebido que Moisés não fora chamado. Até porque ele foi eleito o craque do Brasileiro em 2016. Ele não está em plenas condições físicas em sua volta das férias no Palmeiras, embora a comissão não explique exatamente qual o motivo para ficar fora.

“Analisamos todas as informações que os clubes nos mandaram e a partir daí tomamos uma decisão. Não houve nenhuma indicação do clube de que não deveríamos chamar algum atleta”, contou Edu Gaspar.


Cartel de empreiteiras em estádios da Copa pode gerar multa bilionária
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O processo no Cade (Conselho Administrativo de Direito Econômico) que investiga cartel de empreiteiras atuando em estádios da Copa-2014 pode gerar um multa bilionária para as empresas. Essa ação já conta com a delação de executivos da Andrade Gutierrez que denunciaram que um grupo de construtoras combinou o resultado de licitações nas arenas.

Pelo relatos dos executivos da AG, revelados nesta semana, houve acerto entre as empreiteiras Andrade Gutierrez, Odebrecht, Camargo Corrêa, Carioca, OAS, Queiroz Galvão. Em conversas iniciadas em 2008, pouco após o Brasil se tornar sede do Mundial, os executivos combinavam quem ficaria com cada obra, e os outros respeitavam e ajudavam a fraudar as licitações com propostas mais altas.

Na versão da delação, o cartel atingiu potencialmente oito dos 12 estádios da Copa. São o Maracanã, Mineirão, Arena Pernambuco, Arena Fonte Nova, Arena das Dunas, Castelão, Arena Amazônia e Mané Garrincha. Em alguns, o acerto foi bem sucedido na versão da Andrade Gutierrez, e em outros, não.

Pois bem, processos no Cade implicam em multas por cartel se houver condenação. A investigação levará a uma denúncia e decisão em duas instâncias. As multas variam entre 1% e 20% do valor de faturamento das empreiteiras no ano anterior ao início da ação.

Levantamento do blog mostra que as seis empreiteiras tiveram receita de R$ 78,5 bilhões no ano de 2015, sendo a Odebrecht a maior com R$ 58 bilhões. Uma multa mínima de 1% seria de R$ 785 milhões. Esse valor poderia subir a R$ 15,7 bilhões. Mas o cálculo leva em conta o dano ao dinheiro público.

Executivos da Odebrecht também estão colaborando com o processo por cartel do Cade nas obras da Copa. Mas ainda não há um acordo fechado como no caso da Andrade Gutierrez.

E, extraoficialmente, eles entranharam e questionaram informações da construtora rival como a suposta troca de obras entre Mineirão e Maracanã. Alegam que a Odebrecht não recebeu nada já que o estádio mineiro ficou com outra construtora. As duas empreiteiras são o centro do cartel, na versão da Andrade Gutierrez. Oficialmente, a Odebrecht não se pronuncia sobre o assunto.

É certo que todas as construtoras querem negociar as multas a pagar para incluí-las em um grande pacote de leniência a ser acertado com todos os órgãos de fiscalização: TCU, Ministério Público, Federal, Cade, etc. Seu argumento nos bastidores é que não querem ter que pagar multa duas vezes pela mesma irregularidade. Já existem empreiteiras que tentam um acordo, mas não avançaram neste sentido.

O caso dos estádios da Copa é emblemático porque envolveu um cartel bastante complexo na versão da Andrade Gutierrez. Foram mais de 20 encontros relatados, e uma divisão de obras entre os grupos de acordo com seus interesses.

Ao final, os 12 estádios da Copa triplicaram de preço em relação ao orçamento inicial feito pela CBF para a Fifa em 2007. O país pagou R$ 8,4 bilhões pelas arenas, e muito deste custo foi inflacionado pela atuação das empreiteiras. Ex-governadores como Sério Cabral, do Rio, entre outros, são acusados de levar propina por essas obras, aumentando ainda mais o custo.

Mais do que isso, o gasto com essas arenas continua já que algumas se transformaram em elefantes brancos como a Arena Amazônia e o Mané Garrincha. Revelador sobre isso é um trecho da delação da Andrade Gutierrez em que conta que não tinha interesse em PPP para administrar estádios.

“Os Signatários esclarecem que, à época da realização dos processos lieitatórios, seu entendimento foi o de que a exploração dos estádios de futebol após a Copa do Mundo, conforme está previsto no regime de PPP, não geraria lucros à empresa”, contaram os executivos. A Odebrecht, que assumiu estádio, já abandonou um em Pernambuco e fará o mesmo no Maracanã. A OAS quer sair da Arena Fonte Nova e das Dunas.

Como a conta do cartel e gastança dos estádio ficou toda com a população, o Cade terá de determinar como as empreiteiras vão ressarcir o público. Irá se basear, também no valor das obras executadas.


Exército garantirá segurança de transmissão de TV da Copa
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  • Renato Araújo/Agência BrasilGeneral Jamil Megid, responsável pela segurança na Copa e Olimpíada.

( Para seguir o blog no Twitter: @_rodrigomattos_)

As forças armadas serão as responsáveis por garantir a segurança das transmissões de televisão e da energia da Copa-2014. Esses serão um dos poucos casos em que os militares atuarão diretamente, e não apenas como grupo de reserva. Haverá 57 mil homens das forças na proteção do evento.

As transmissões de televisão são estratégicas para a Fifa no Mundial. A maior receita da entidade é recebida de redes de televisão, além disso patrocinadores pagam por terem suas marcas exibidas para o mundo inteiro. Uma queda no sinal durante o jogo é vista pela federação internacional como uma catástrofe.

A preocupação com o tema é tão grande que a Fifa decidiu até pagar R$ 47 milhões pelos estruturas de geradores para broadcast, redes de televisão. Esses gastos, inicialmente, seriam pagos pelo governo federal, mas a federação internacional decidiu banca-los para não correr riscos. No caso do Exército, a proteção às redes de telecomunicações são justificadas por ser uma área estratégica.

“Vamos aumentar a proteção a infraestruturas críticas junto às concessionárias. São os casos de energia e telecomunicações”, afirmou general Jamil Megid Junior, responsável do Ministério da Defesa para a Copa-2014.

A aeronáutica ainda garantirá o fechamento do espaço aéreo nos estádios durante os jogos. Outra função das forças armadas será fazer inspeções em estádios e centros de treinamento antes da chegada dos times. “Faremos varreduras para identificar possíveis atos de terrorismo”, contou Megid.

Em relação à contenção dos protestos, o exército só atuará se as forças de segurança públicas se mostrarem impotentes diante de manifestantes e os Estados requisitarem ajuda. De resto, ficarão como força de reserva. O total do investimento do Ministério da Defesa na segurança da Copa é de R$ 700 milhões.

 


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