Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : seleção brasileira

Lista final de Tite mostrará seu plano B para a Copa
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É costume às vésperas de convocações para a Copa uma discussão em torno de nomes, quem vive o melhor momento, quem é mais talentoso, etc. Mas a lista de Tite também mostrará qual a sua aposta como plano B para o Mundial, isto é, se seu time favorito tiver dificuldades. O plano A do treinador está bem desenhado com algumas variações aqui e acolá.

O atual time titular de Tite é previsível com Alisson, (Fagner ou Danilo), Miranda, Thiago Silva, Marcelo, Casemiro, Fernandinho, Paulinho, Philipe Coutinho, Gabriel Jesus e Neymar. Estão ali como quase titulares Marquinhos e William, este atuando pela direita e deslocando Coutinho para o meio.

A questão são as brechas da lista. Será que Tite levará um pivô como estudou e testou? As opções não são tão atrativas como Willian José, pouco testado e um nível abaixo dos outros dois centroavantes da seleção. Mas, sem essa opção, o treinador não terá a chance de bola aérea quando enfrentar linha de cinco jogadores na defesa.

Ao abrir mão do gremista Luan, o mais provável, Tite se afasta do jogo com falso nove. Terá em Firmino, sim, um centroavante que sabe armar como tem provado no Liverpool. Mas, ainda assim, alguém que não deixa de ser um nove.

Outra discussão é em relação a um jogador que dê ritmo ao time, ou seja, uma espécie de articulador que gire a bola quando o time não achar caminhos na defesa rival. O Brasil não tem esse jogador de primeiro nível, como são um Kroos, um Iniesta ou Modric. Mas Tite busca esse atleta.

Um candidato era Diego, mas sua queda de rendimento no Flamengo indica que deve ficar fora da lista. Outros que disputam essa posição são Fred e Giuliano, mas ambos não têm exatamente a característica de ditar o ritmo do time inteiro. Renato Augusto, que já foi esse jogador para Tite no Corinthians, está mais lento, o que dificulta sua variação de ritmo. Talvez o único jogador como potencial para essa posição seja Arthur: a questão é se o técnico apostará em sua juventude.

Sem o atleta ideal, Tite talvez opte por um jogador mais incisivo como o corintiano Rodriguinho. Seria mais um meia com característica de entrar na área para finalizar no elenco. A saída de bola estaria entregue a Casemiro e Fernandinho, juntamente com os dois laterais, figuras centrais na articulação do time.

Essa é outra questão. Sem Daniel Alves, Tite perde mais do que um lateral, perde um armador pelo lado do campo. Bom jogador, Fagner sabe defender e articular jogadas, mas está longe do nível do titular. Tite buscará em Danilo e em uma eventual surpresa de Rafinha uma forma de fechar essa brecha? É outra pergunta que será respondida na convocação.

Fora titulares indiscutíveis, o técnico da seleção é conhecido por priorizar não necessariamente o jogador mais talentoso, e, sim, o mais capaz de executar determinada função com eficiência. A definição da lista de Tite passará, portanto, por montar esse quebra-cabeça de características atletas dentro de seu elenco, buscando maiores alternativas de jogo. Exceção a isso, talvez, apenas na escolha do terceiro goleiro.


Pesquisa: Brasileiros colocam Neymar como destaque da Copa e CR7 como rival
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Os brasileiros preveem que Neymar será o maior destaque da Copa do Mundo da Rússia-2018, e que o português Cristiano Ronaldo será seu maior rival ao posto. É o que aponta uma pesquisa do instituto Paraná Pesquisas sobre a percepção da população do país para o Mundial. Realizado em abril, o levantamento ainda indica que a seleção é vista como favorita ao título e há um desinteresse da maior fatia dos cidadãos pela competição.

A “Pesquisa Nacional Copa do Mundo” foi realizada pelo instituto paranaense em 24 e 25 de abril, com um total de 2.948 pessoas acima de 16 anos, por meio de questionários online. O grau de confiabilidade dos dados é de 95%, com margem de erro de 2%.

Uma das perguntas foi qual desses três jogadores se destacará mais na Copa-2018, citando Neymar, Messi e Cristiano Ronaldo. O resultado foi que 35,2% das pessoas apontaram Neymar como o que será melhor, seguido de Cristiano Ronaldo com 30,2%. A liderança do brasileiro, portanto, está acima da margem de erro. Eleito melhor da última Copa, Messi teve a preferência de 16,9% para ser o destaque da competição.

Não foram incluídos jogadores que têm tido bom desempenho antes do Mundial como Mohamed Salah, egípcio que tem o maior número de gols na atual temporada europeia e jogará na Rússia. Neymar, no momento, se recupera de contusão e tem previsão de voltar aos campos em maio.

Se há confiança em Neymar, a população brasileira demonstra ainda mais otimismo em relação ao hexacampeonato. Uma fatia de 63,7% das pessoas enxerga a seleção brasileira como favorita a ganhar a Copa, enquanto 25,8% não veem o Brasil como principal candidato ao título. O restante não soube ou não quis opinar.

Essa confiança tem relação com a alta aprovação do técnico Tite. Questionada se ele é o técnico ideal para a seleção, 75,9% da população respondeu que sim. Outros 7,3% indicaram que ele não deveria ser o treinador, sendo que o restante não soube ou não quis opinar.

 

Nem esse otimismo no resultado, no entanto, foi capaz de empolgar a população brasileira com a Copa-2018. Questionados sobre qual o grau de interesse no torneio, apenas 33,2% dos brasileiros apontaram estarem interessados ou muito interessados do Mundial. Em contrapartida, 65,8% dos entrevistados indicaram que estão pouco ou nada interessados na competição.

E não é uma questão de falta de conhecimento sobre a Copa. Na pesquisa, 84,4% dos brasileiros apontaram que sabem que a competição ocorrerá na Rússia.


Brasil não costuma dar azar em sorteio, mas grupo forte ajuda campanha
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A semana do sorteio da Copa-2018 faz ressurgir a expectativa: quem vai cair no grupo da morte? Essa tensão aumenta com a Espanha no segundo pote podendo cruzar com favoritos. Bem, a seleção brasileira não costuma dar azar com as bolinhas. Mas o histórico do Mundial mostra que pegar adversários fortes logo de cara pode ser favorável à campanha.

O sorteio está marcado para a capital russa Moscou, na sexta-feira. Os cabeças-de-chave são Rússia (país-sede), Alemanha, Brasil, Portugal, Argentina, Bélgica, Polônia e França. Por conta do ranking da Fifa de outubro, a Espanha ficou no segundo pote, pois ocupava a oitava posição – agora já subiu para a sexta.

Um levantamento da Fifa mostrou os grupos mais fortes do Mundial em cada edição desde 1994, a primeira que contava com o ranking. Baseou-se na posição média dos times no ranking, isto é, quanto mais baixa a pontuação, mais forte o grupo.

O Brasil não ficou no grupo mais forte de acordo com o ranking em nenhuma das seis edições desde então. A Itália e Inglaterra pegaram duas vezes os adversários mais fortes, a Argentina, Espanha e Alemanha, uma. Entre os campeões mundiais, França e Uruguai também escaparam.

Teoricamente, isso significa uma sorte para time brasileiro. Mas, nas últimas três Copas do Mundo, o campeão saiu justamente do grupo considerado mais forte pelo ranking. Em 2006, a Itália pegou República Checa, Estados Unidos e Gana, antes de abrir caminho para o título.

Quatro anos depois, a Espanha enfrentou Suíça, Chile e Honduras, tendo, na média, o melhor ranking. Há até uma discussão se este era um grupo mais forte do que o brasileiro, que tinha Costa do Marfim e Portugal, além da fraca Coréia do Norte. Mas, pelo ranking, era o primeiro.

Em relação à Copa-2014, o ranking colocava como grupo mais difícil o da Alemanha, com Gana, Portugal e Estados Unidos. Mas, naquela edição, havia um outro com três campeões mundiais, Inglaterra, Itália e Uruguai, que foi considerado o mais difícil pela mídia.

De qualquer forma, o Brasil só pegou um grupo realmente difícil na primeira fase em 1994, quando teve Rússia, Suécia e Camarões. A média do ranking desses times era parecido com o considerado mais forte pela Fifa que reunia Itália, Irlanda, Noruega e México. E, naquele Mundial, a seleção foi campeã.

Para o sorteio de sexta-feira, talvez a pior combinação para o Brasil seria ter de enfrentar a Espanha, Dinamarca e Nigéria, uma possibilidade diante dos potes. Mas, pelo história da Copa, ter azar no sorteio não é necessariamente uma má notícia para o restante do Mundial.

Além dos adversários, a delegação do Brasil está considerando a logística e tempo de treino, ao analisar as melhores possibilidades para o sorteio.


CBF desfalcará times em nove rodadas do Brasileiro até a Copa-2018
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Por conta do calendário da CBF, os times nacionais terão desfalques resultantes de convocações de seleções em até nove rodadas do Brasileiro até a Copa da Rússia, considerando as edições de 2017 e 2018. São três jogos agora neste campeonato e outros seis no próximo ano, representando 42% das partidas da Série A até o Mundial.

Nesta sexta-feira, o técnico Tite convocou três jogadores de times nacionais, Cássio, do Corinthians, Diego, do Flamengo, e Diego Souza, do Sport. Somados a eles, o Peru chamou Guerrero e Trauco, do Flamengo, e Cueva, do São Paulo.

Todos ficarão fora por três rodadas, da 33a a 35a do atual Brasileiro, pelo menos. Se os peruanos se apresentarem mais cedo para partidas eliminatórias, como pede o técnico Ricardo Gareca, deve haver mais uma rodada perdida por seus times.

Em 2018, o calendário da CBF não parou o Brasileiro para o período de descanso e preparação determinado pela Fifa. Isso porque a entidade nacional fez um cronograma apertado com excesso de jogos com Estaduais inflados.

Pela determinação da Fifa, em circular deste ano, o último jogo de clubes deveria ocorrer no dia 20 de maio, iniciando-se aí o período de descanso dos jogadores convocados. Ou seja, a partir daí, estão proibidos de atuar por clubes os que estiverem nas listas. Só é aberta exceção para a final da Liga dos Campeões.

Pois bem, depois do dia 20, a CBF marcou seis rodadas do Brasileiro até quase a véspera da Copa do Mundo. Há ainda um jogo de Libertadores e oitavas-de-final da Copa do Brasil incluídos no período. Assim, todos os jogadores convocados por Tite ou por outras seleções estão fora de seus clubes em um total de nove das próximas 21 rodadas do Brasileiro.

O treinador da seleção disse que não quer prejudicar os times, mas que a prioridade tem que ser a seleção. É o mesmo pensamento da diretoria da CBF que só paralisa o Nacional em alguns jogos de eliminatórias.

 


SporTV pôs jogos da seleção que não tinha direito em pacote a anunciantes
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O canal SporTV, do grupo Globo, incluiu em seu pacote publicitário de Copa-2018 amistosos da seleção brasileira sobre os quais não tinha obtido direitos da CBF. A informação consta no documento feito pela emissora para agências para vender cotas de publicidade. Esses jogos são objeto de uma concorrência feita pela confederação que ainda não foi concluída.

O pacote publicitário da SporTV para anunciantes foi feito após a Olimpíada do Rio de Janeiro: o período de abrangência é de março de 2017 a outubro de 2018. A emissora incluiu sete partidas amistosas da seleção como um dos produtos. Mas o contrato da Globo e do canal a cabo com a CBF por amistosos só ia até o fim de 2016.

“A Seleção Brasileira vem mostrando aos torcedores uma versão renovada do seu futebol, e seguirá se preparando para jogar o seu melhor no caminho para a Copa do Mundo FIFA Rússia 2018”, afirmou o texto do pacote aos anunciantes.

Esse posição ocorreu porque a Globo entendia até o início de 2017 que renovaria com facilidade com a CBF os direitos de amistosos da seleção. Só que as negociações se complicaram entre as partes. A confederação pediu US$ 2 milhões por dois jogos avulsos em junho e não houve acordo, o que levou a entidade a realizar sua própria transmissão em outra rede e fechar parcerias. Em agosto, a CBF abriu concorrência para 37 jogos entre amistosos e eliminatórias de 2018 a 2022.

Segundo a revista Meio & Mensagem, o SporTV fechou cinco patrocínios no pacote publicitário: Ambev, Caixa, Claro, McDonald’s e Renault. Cada cota era vendida no pacote por R$ 108 milhões. O plano do canal a cabo previa ajustes no caso de necessidade de substituição de conteúdo, e é o que foi feito com as empresas.

“O SporTV se reserva o direito de proceder alterações na estrutura do conteúdo patrocinado, e, eventualmente, substituições nos formatos originalmente previstos no plano de inserções. Em nenhum caso haverá prejuízo na entrega comercial para o anunciante.”

O blog mandou perguntas para a assessoria do SporTV, que não havia respondido até o fim da tarde de quinta-feira.


Preso, ex-cartola do Barça tem contrato de R$ 80 mi com empresa da Copa
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O ex-presidente do Barcelona Sandro Rosell (Crédito: Manu Fernandez/AP)

Preso na Espanha acusado de corrupção, o ex-presidente do Barcelona Sandro Rosell mantém contrato com uma empresa que faz parte da organização da Copa-2022. É o que mostram documentos da Justiça espanhola. Rosell é o cartola que contratou Neymar para o clube espanhol e que tem relação estreita com o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira.

Rosell foi preso em maio na Espanha acusado de desviar dinheiro de jogos da seleção brasileira em parceria com Teixeira. Há uma ordem de prisão internacional contra o dirigente brasileiro, em processo que já chegou ao Brasil.

Neste período, o cartola do Barcelona tem entrado com diversos recursos para tentar ser solto. Houve novo pedido feito por ele rejeitado no final de julho pela corte espanhola. No recurso, os advogados de Rosell alegaram que ele só mantinha negócios na Espanha.

Mas uma investigação espanhola posterior mostrou que ele é diretor de uma empresa chamada “One of Ours Limited”, em Hong Kong. Essa empresa foi criada em oito de janeiro de 2017, e oito dias depois firmou um contrato milionário com a Aspire Foudation Zone, empresa do Qatar. E o que é essa fundação do país da Copa?

A Aspire Zone Foudation é a entidade do Qatar com participação fundamental no Comitê de Candidatura do Qatar-2022 e que atua agora na organização da Copa. Foi investigada pela Fifa por supostos favorecimentos com projetos em países de membros da cúpula da federação internacional com o objetivo de obter votos para a escolha do Mundial-2022. Isso é apontado no relatório de Michael Garcia, contratado pela Fifa para apurar irregularidades nas escolhas das sedes de 2018 e 2022. O documento foi inconclusivo sobre provas.

Rosell já fora contratado da Aspire em 2009 e 2010, assim como tinha relação com o Comitê do Qatar. Por isso, sua amizade e negócios com Teixeira foram investigados por Garcia em seu relatório. Foram apontadas suspeitas no documento sem concluir que votos foram comprados.

Pois bem, os documentos da Justiça espanhola mostram que a empresa de Rosell (One of Ours Limited) assinou um contrato de cinco anos com a Aspire Zone Foudation. Por cada ano, ele receberá € 3,5 milhões (R$ 13,4 milhões), sendo a duração de 2017 a 2022. Ou seja, por seis anos, o contrato lhe renderá R$ 80 milhões até justamente o ano do Mundial. O dinheiro é para administrar o projeto Aspire, o que gerou polêmica na escolha da sede da Copa.

Trecho de decisão da Justiça espanhola relata como Rosell (codinome Feliciano) assinou acordo com empresa da Copa por meio de empresa em Hong Kong

Essa foi uma das justificativas da juíza Carmem Lamela para negar a liberdade a Rosell em 28 de julho. E mostra que o cartola ainda tem influência na organização da Copa do Qatar-2022, embora apareça como investigado pelo comitê de ética da Fifa e preso na Espanha.

A Apire Zone Foudantion é uma parceria do Comitê Organizador da Copa-2022. Foi ela a responsável por terminar a construção do estádio Khalifa International, em maio de 2017, uma das sedes do Mundial. E participa da viabilização de outra arena, além de gramas.

Questionado pelo blog, o Comitê do Qatar não quis fazer comentário sobre Rosell, alegando que ele não tem contrato com a organização. Enviou a seguinte nota:

“O Comitê Organizador pode comentar apenas sobre assuntos relacionados com nossas relações contratuais, e o senhor Rosell não é um contratado da nossa organização. Aspire Zone Foudation é uma das nossas parceiras no Qatar, e completou a construção do Khalifa International Stadium em maio de 2017, enquanto nós ainda estamos trabalhando com eles no Al Bayt Stadium e no projeto no Turf Nursery Project. Nossas preparações para a organização da primeira Copa do Mundo no Oriente Médio estão avançando pelo Qatar.”

Não foi possível encontrar representantes da Aspire Zone Foudation. Em suas petições na Justiça espanhola, os advogados de Rosell alegam que ele é inocente das acusações porque não há crime nas comissões que recebeu pelo contrato de venda de jogos da seleção brasileira. Argumentam que a própria CBF alegou não ter tido prejuízos com o negócio, já que enviou uma carta para a Espanha neste sentido.


CBF abre concorrência por 37 jogos da seleção e gera disputa de TVs
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A CBF iniciou no meio de agosto o processo de concorrência para os direitos de jogos da seleção para os próximos quatro anos com consultas às TVs e empresas de mídia. E há interesse de outras emissoras de TV aberta além da Globo, e também das de TV fechada. São 37 partidas dentro do pacote de 2017 a 2022, número que ainda pode aumentar um pouco. A Globo considera prioritário esse pacote para a sua grade.

O processo de concorrência é tocado pela Synergy Football, contratada pela CBF. Em seus quadros está Patrick Murphy, que organizava o mesmo tipo de disputa para a Uefa em relação à Liga dos Campeões. Na sexta-feira, a confederação fará um anúncio com o edital da disputa pelos direitos, ou seja, oficializa o processo.

O conteúdo oferecido é de 37 partidas, sendo nove jogos das eliminatórias da Copa-2022 e 28 amistosos. Há possibilidade desse número subir para 41 até o formato final. Ainda não está definido o formato da classisficação sul-americana para o Mundial com o aumento do número de vagas. Mas o pacote montado pela CBF indica que haverá os mesmos nove jogos em casa para oferecer – no campeonato da Conmebol, o mandante tem os direitos sobre seus jogos.

Para se ter idea do valor, a CBF cobrava da Globo em torno de US$ 2 milhões em média por jogo da seleção em seu contrato antigo. Isso significaria que, mantido o preço, essas partidas valeriam R$ 227 milhões. Mas, com uma inédita concorrência, a tendência é de aumento significativo desse montante ainda mais que a seleção é prioritária para a emissora global.

As consultas da Synergy com empresas tiveram como objetivo estabelecer um empacotamento dos direitos dos jogos da seleção. Foram ouvidas empresas de TV aberta, fechada, operadoras de telefonia, e empresas digitais como o Facebook. É possível que seja feito um fatiamento com direitos separados, ou há a possibilidade de negociar tudo em conjunto para que sejam estabelecidos consórcios para dar os lances.

A Synergy e a CBF estabeleceram que o modelo utilizado será o que puder render mais dinheiro para a entidade. A fórmula final será definida nos próximos dias.

Certo é que houve demonstrações de interesse de outras emissoras de TV aberta além da Globo que, obviamente, é a favorita para ficar com a Aberta. Há também concorrência pelos direitos de TV fechada já que a maioria dos canais a cabo manifestou interesse nos jogos da seleção. Lembre-se que três deles têm multinacionais por trás, Fox Sports, Esporte Interativo e ESPN, e o outro pertence à Globo, Sportv.

A expectativa é de que a concorrência seja concluída até o final de setembro, embora não tenha uma data fechada. Com isso, neste mês, o torcedor brasileiro saberá onde assistir aos jogos do time a partir de 2017 quando haverá mais dois amistosos. A CBF não quis comentar a concorrência.


Teixeira vai para lista de procurados da Interpol e será acionado no Brasil
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Ao confirmar pedido de prisão da Justiça da Espanha contra o ex-cartola, a PGR (Procuradoria Geral da República) já prepara pedido de documentos para processar o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, no Brasil. A informação é de que ele entrará na lista de procurados da Interpol nos próximos dias.

A PGR pediu informações à Justiça Espanhola sobre a investigação em torno do ex-presidente do Barcelona, Sandro Rosell, e Teixeira. Os dois ex-dirigentes são acusados de lavagem de dinheiro por desvio de dinheiro de amistosos da seleção brasileira. O cartola barcelonista está preso.

A Justiça da Espanha informou à procuradoria nacional que há um pedido de prisão contra Teixeira desde de 12 de junho. A ordem foi emitida pela juíza da audiência nacional, Carmem Lamela, que requisitou que ele fosse capturado.

Sua decisão diz que Teixeira foi beneficiado por boa parte dos recursos da empresa Uptrend, dos EUA, montada por Rosell para receber dinheiro de amistosos da seleção brasileira. Essa empresa era paga pela ISE (International Sports Events) que detém contrato com a CBF por todos os direitos de jogos internacionais do time brasileiro. O acordo foi assinado por Teixeira. Em paralelo, a ISE fechou contrato para remunerar a Uptrend.

A informação da PGR é de que nos próximos dias a ordem de prisão contra Teixeira será incluída no sistema da Interpol, polícia internacional. Isso significa que o cartola passaria a ser procurado em 190 países cujas polícias têm acordo com a Interpol.

Mas, como é brasileiro, ele não poderia ser preso e extraditado do Brasil, país onde vive no Rio de Janeiro. Por isso, a PGR pedirá envio das documentações do processo para o país para poder abrir um processo no Brasil. A papelada neste sentido já está sendo preparada. No país, ele pode ser acionado pelo mesmo crime de que é acusado na Espanha: lavagem de dinheiro.

As informações serão repassadas à procuradoria do Rio de Janeiro. Caberá a um procurador designado analisar se já existem provas suficientes no processo espanhol que justifiquem um pedido de prisão no Brasil. Não há prazo para isso. Já existem duas investigações contra ele na Polícia Federal que não andaram até agora.

“Não muda nada. O que a defesa espera é que depois ocorrer uma intimação formal nos atos para poder exercer sua defesa. Só podemos defender das acusações quando soubermos do teor das acusações”, afirmou o advogado de Ricardo Teixeira, Michel Asseff Filho.

Ele ressalta que até agora não foi apresentado a Teixeira nenhum dos atos do processo além do que saiu na mídia. “Só vimos aquele documento que saiu na mídia da Espanha que dizia de forma equivocada que a CBF trabalha com recursos públicos”, comentou.

Asseff Filho já conseguiu barrar a cooperação entre procuradores brasileiros e dos EUA no caso Fifa por meio de ação em tribunais superiores brasileiros. Depois, a decisão foi revertida.


Globo terá impacto em seus ganhos caso não recupere seleção para 2018
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Sem direitos sobre três amistosos da seleção em 2017, a Globo terá um impacto financeiro restrito para este ano pela falta das partidas. Mas, caso não consiga um novo contrato para 2018, a emissora passará a sofrer um duro golpe na sua arrecadação. Explica-se: os jogos do time nacional são um dos produtos mais valorizados dentro do pacote anual negociado pela Globo a seus anunciantes.

A emissora carioca vende a exposição em um grupo de 95 partidas no ano que inclui Brasileiro, Copa do Brasil, Libertadores, Estaduais, Sul-Americana e jogos da seleção. Por isso, ganhará R$ 1,8 bilhão neste ano. As partidas da seleção têm peso para completar o número total e principalmente por renderam altas audiências, tendo importância estratégica para a emissora.

Uma análise do calendário da CBF mostra que jogos do Brasileiro, Copa do Brasil e Estaduais garantem 79 datas para a Globo. Há várias datas coincidentes com a Libertadores que, em geral, tem preferência sobre a Copa do Brasil. Há mais nove jogos das competições sul-americanas que não são junto com os campeonatos do Brasil, mas não há garantia de presença de brasileiros. De qualquer maneira, os 88 jogos seriam insuficientes.

Para 2017, a Globo já tem as eliminatórias da Copa, isto é, a presença da seleção nos jogos mais importantes dentro do seu pacote. Por isso, a emissora não quis pagar o preço pedido pela CBF que queria em jogos avulsos valores similares aos do pacote. Até porque seu pacote publicitário já está vendido e empresa será pouco afetada nesta ano.

Para 2018, no entanto, a Globo deixaria de ter até 10 datas nobres em ano da seleção na Copa do Mundo. A emissora entende que até poderia substituir as datas por outros campeonatos em um rearranjo. Mas não seriam jogos do mesmo valor, o que afetaria o total pedido às empresas. Ou seja, a emissora teria de renegociar o pacote pelo qual tem incrementado valores.

Por isso, a Globo já se prepara para entrar forte na concorrência por bid que a CBF prepara para venda de seus jogos no ciclo de 2018 a 2022. Outras redes de televisão também avaliam que um pacote completo será bem mais valorizado porque poderá ser comercializado a longo prazo.

Questionada pelo blog, a Globo informou que não faria comentários sobre impacto financeiro de não ter renovado o contrato da seleção.


Tite só chamou atletas com chances de ir à Copa e manteve média de idade
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Não é apenas discurso a afirmação de Tite de que todos os jogadores convocados para o amistoso contra a Colômbia têm chance de continuar na seleção se forem bem. A lista foi elaborada depois de uma análise da idade e condição dos atletas para saber se têm condições de ir à Copa-2018. Tanto que a relação tem jogadores com praticamente a mesma média de idade do elenco formado para as eliminatórias, nem muito jovens, nem muito veteranos.

Do grupo atual chamado por Tite, apenas cinco estiveram entre os 24 convocados para os últimos compromissos das eliminatórias, diante de Peru e Argentina. São Weverton, Alex Muralha, Fagner, Rodrigo Caio e Lucas Lima. Havia outros chamados anteriormente pelo treinador como Fábio Santos e Luan.

Esse grupo tem uma média de idade de 26,8 anos, praticamente igual a da principal 26,9 anos. O mais velho é Robinho que tem 32 anos e terá 34 na Copa da Rússia, isto é, será mais novo do que possíveis titulares como Daniel Alves. O mais novo é o lateral-esquerdo Jorge que tem 20 anos, mais velho do que o já titular Gabriel Jesus.

“Cada jogador foi convocado com uma intenção. Fábio Santos, por exemplo, tinha sido convocado para um jogo pontual (contra a Argentina). Mas, se analisarmos, ele pode chegar a uma Copa (Rússia), duas teria que ver. O Jorge, por exemplo, tem outra intenção já que é novo e vai se desenvolver”, contou o coordenador de seleções, Edu Gaspar. Ele ressaltou que todos têm chance de seguir no grupo.

Com isso, o elenco do amistoso está longe de ser um apanhado de jovens como já ocorreu no passado, ou um grupo sem chances de continuar no time. É óbvio, no entanto, que a maioria não conseguirá uma vaga visto que Tite tem uma base vitoriosa montada.

Em relação às ausências notadas, a comissão técnica da seleção sabia que seria percebido que Moisés não fora chamado. Até porque ele foi eleito o craque do Brasileiro em 2016. Ele não está em plenas condições físicas em sua volta das férias no Palmeiras, embora a comissão não explique exatamente qual o motivo para ficar fora.

“Analisamos todas as informações que os clubes nos mandaram e a partir daí tomamos uma decisão. Não houve nenhuma indicação do clube de que não deveríamos chamar algum atleta”, contou Edu Gaspar.