Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Federação Paulista de Futebol

Após caso Palmeiras, Paulista veta uso de vídeo não oficial na Justiça
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Após a disputa judicial com o Palmeiras pela final de 2018, a FPF (Federação Paulista de Futebol) incluiu no regulamento do Estadual de 2019 um item que proíbe o uso de imagens não oficiais em processos por impugnação de partidas. O clube alviverde usou imagens paralelas em sua ação para tentar anular a decisão contra o Corinthians. A FPF diz que o texto tem só como finalidade regular o uso do VAR.

Na decisão de 2018, o Palmeiras entendeu que foi prejudicado na anulação de marcação de pênalti sobre Dudu, em final contra o Corinthians. Pediu a impugnação do jogo com a alegação de ter havido interferência externa. Para isso, usou vídeos para embasar sua tese na Justiça Desportiva.

A ação palmeirense no TJD não foi bem sucedida. Em compensação, a FPF decidiu investir para adotar o VAR no próximo Paulista, em 2019. Por isso, teve que fazer a previsão do uso da tecnologia no regulamento da competição. No texto do artigo 45, está dito que só serão usadas imagens oficiais. Mas o parágrafo 4º que é mais detalhado:

“A eventual existência de outros vídeos com outros ângulos obtidos em partidas com transmissão direta são oficiosas e não afetarão as decisões da arbitragem, seja para impugnação do resultado, seja para obter qualquer espécie de reparação pelos clubes disputastes ou por terceiros”

A FPF alega que o artigo “se limita a tratar da aplicação do Árbitro de Vídeo no campeonato. Todo seu conteúdo diz respeito ao protocolo do VAR, que segue rigorosamente as normas da International Football Association Board.” E ressaltou que o protocolo da IFAB (Internacional Board) estabelece que a arbitragem só pode usar imagens das transmissões oficiais, como diz o parágrafo 4o.

A questão é a proibição do uso de imagens não oficiais inclusive para processos de reparação ou impugnação, o que impediria o Palmeiras de repetir uma ação como a de 2018. Um fonte do Palmeiras entende que é claro que o texto do regulamento foi assim escrito após a disputa judicial com a federação.

O entendimento da diretoria alviverde é de que o clube saiu vitorioso com sua reação àquela final já que a FPF se sentiu pressionada a implantar o VAR e a mudar o regulamento. Oficialmente, o clube não quis se pronunciar sobre o assunto.

Há um artigo similar ao do Paulista no regulamento da Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) na regulação do VAR. Mas a redação tem uma variação. Há outra diferença: a Ferj pretende disponibilizar as imagens da sala do VAR para os clubes, enquanto a FPF não fez menção a dar esse acesso. A Fifa não costuma permitir que times tenham acesso às imagens da sala de tecnologia.


FPF fará concorrência para árbitro de vídeo e discutirá custo com clubes
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Pressionada pelo Palmeiras, a FPF (Federação Paulista de Futebol) pretende fazer uma concorrência para um árbitro de vídeo e depois levará os custos para discutir com os clubes que decidirão pela implementação da ideia no Paulista. A ideia é realizar uma reunião com todos os times bem antes do arbitral para ter tempo para eventual treinamento dos juízes.

Após a final do Paulista, a diretoria do Palmeiras protestou de forma veemente contra a FPF por conta do recuo da marcação de um pênalti para o time no jogo contra o Corinthians. No dia seguinte, o clube alviverde soltou nota cobrando árbitro de vídeo no Paulista ou seguirá rompido com a entidade.

Em nota, a federação prometeu que submeterá aos clubes a decisão sobre o uso do árbitro de vídeo para o Paulista-2019. A ideia é abrir uma concorrência e juntar pelo menos três empresas com orçamentos para implantar o mecanismo. Pelas regras internas da FPF, esse é o mínimo de concorrentes para uma contratação.

Com os valores da mão, a federação vai marcar uma reunião para apresentar os custos para os clubes. Nesse encontro, será votado se haverá a implantação do mecanismo e quem pagará por isso.

Em relação ao Brasileiro-2018, a CBF levantou os custos do árbitro de vídeo e informou aos clubes que eles teriam de pagar. Não houve concorrência aberta no caso da confederação. O preço foi bem superior ao estimado pela Fifa, por federações estaduais e até em relação à produção de televisões. No arbitral da Série A, os clubes reprovaram o árbitro de vídeo que não será usado neste ano.


Cotas de TV dos Estaduais para times se desvalorizam em relação ao mercado
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Quando questionados sobre a validade de jogar Estaduais, dirigentes de clubes grandes costumam responder que as competições valem por conta das altas cotas de TV em proporção ao número de jogos. Só que essa realidade mudou com o aumento do valor pago por outras competições. Agora, os regionais são menos vantajosos do que a maioria das outras competições disputadas durante o ano considerado valor por partida. E devem se tornar quem pior paga no próximo ano.

Essa nova realidade ocorre porque houve novos contratos da Copa do Brasil (2018), Brasileiro (a partir de 2019) e Libertadores (reajuste de cotas e novo contrato em 2019) e Sul-Americana (novo contrato em 2019). A tendência é cada vez mais um aumento da vantagem financeira nesses campeonatos mais relevantes em relação aos Estaduais.

Vamos considerar as cotas dos grandes clubes nos quatro Estaduais de maior relevância no Brasil: Paulista, Carioca, Gaúchão e o Mineiro. O valor dessas cotas por jogo se compara ao confronto básico (1a fase) das outras competições, perdendo feio para as fases seguintes.

No Paulista, cada grande leva em torno de R$ 17 milhões, o que dá R$ 940 mil por jogo. No Rio, são R$ 15 milhões para cada um dos grandes, resultando em R$ 830 mil. Valor similar por jogo ao Mineiro que paga R$ 12,3 milhões a Cruzeiro e Atlético-MG, mas tem menos jogos (R$ 820 mil por partida). Por fim, o Gaúchão paga R$ 12,5 milhões à dupla Grenal, o que dá R$ 735 mil por jogo.

Em comparação, a cota do primeiro jogo da primeira fase da Copa do Brasil passou a valer R$ 1 milhão neste ano para os clubes da Série A. Ou seja, já supera todos os Estaduais. Na terceira fase, com dois jogos, ficaria R$ 700 mil por jogo. Mas, nas fases seguintes, isso já aumenta para R$ 900 mil por partida e segue crescendo.

Na Libertadores, na primeira fase, ganha-se US$ 300 mil por jogo, ou R$ 978 mil. De novo, cada fase seguinte aumenta esse valor. E a tendência é de reajuste considerável em 2019 com o novo contrato de Tv que vai quase triplicar de valor.

Na Sul-Americana, a cota básica é de Us$ 250 mil (R$ 815 mil) na primeira fase, o que daria metade por jogo. Aí, sim, seria uma competição que no início é menos rentável do que o Estadual. Mas, além das cotas subirem mais à frente, há previsão de reajuste para 2019 com novo contrato de televisão.

O Brasileiro já supera com vantagem os Estaduais em valor por jogo. Considerado o contrato de 2019, a Globo e Esporte Interativo devem pagar juntos em torno de R$ 1,1 bilhão por Tvs Aberta e Fechada. Com o ppv, chega a R$ 1,750 bilhão. Isso dá R$ 2,3 milhões por time em cada jogo em média.

Contratos dos Estaduais de Rio, São Paulo, Minhas e Rio Grande do Sul foram renovados recentemente, isto é, essas cotas vão vigorar até 2022 dependendo do campeonato. E não há perspectivas de valorização com as competições com menor prestígio. Assim, a última justificativa para manutenção de Estaduais grandes já cai por terra pouco a pouco.


Adiamento do Brasileiro pode atrasar inícios de Paulista e Carioca
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O adiamento da rodada final do Brasileiro pode atrasar os inícios do Paulista e Carioca. A Federação Paulista de Futebol levou à CBF um pleito de retardar em uma semana o Paulista de 2017, e a Federação do Rio de Janeiro analisa se será necessária a mesma alteração  Isso porque, com o final do Nacional apenas no dia 11 de dezembro, os clubes terão de cumprir de dar um mês de férias aos jogadores.

A rodada do final de semana mudou de data em luto por conta do acidente com o avião da Chapecoense. Com isso, os jogadores só poderiam voltar a treinar depois de 11 de janeiro para terem férias de 30 dias. Isso reduziria a pré-temporada a menos de 20 dias.

Com isso, a FPF levou à CBF o pedido de adiar em uma semana seu início A informação foi publicada inicialmente no Globo.com e confirmada pelo blog. A ideia é que  A questão é que não poderia ser alterado o final do campeonato previsto para maio já que o Brasileiro começa em seguida.  Então, teria de ser feito um ajuste com datas entre Copa do Brasil e Libertadores. Não se sabe se isso é possível.

“Isso precisa ser conversado e ajustado com a CBF. Caso a entidade jogue para a frente todo o bloco
do calendário, talvez possa ser feito. Embora essa alteração possa gerar maiores conflitos de datas com a Libertadores da América”, explicou o presidente da Ferj, Rubens Lopes, por meio de sua assessoria de imprensa.

Caso não ocorra, a pré-temporada pode ser reduzida em 2017. É o que será conversado entre a FPF e a CBF. No caso das outras federações, o blog apurou que a Federação Mineira de Futebol não tem intenção de modificar o início de seu campeonato, marcado para o dia 29. A Federação Gaúcha pediu mais tempo para analisar a questão.

A CBF ainda não quer tomar nenhuma decisão sobre essas questões de operação de competições enquanto está concentrada na ajuda à Chapecoense no transporte e identificação dos corpos. “É um momento muito emocional”, afirmou o secretário-geral da CBF, Walter Feldman.


Veto a troca de técnicos no Paulista é ameaçada por lei trabalhista
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A inclusão no regulameto do Paulista de restrição da contratação de treinadores dentro da primeira divisão fere a legislação trabalhista. É a opinião de advogados ouvidos pelo blog. A FPF (Federação do Paulista de Futebol) estuda a lei para saber se poderá implantar a medida. A associação de treinadores apoia a medida.

A FPF consultou técnicos como Tite, Dorival Jr e outros sobre a criação de uma regra para limitar o troca a troca no comando dos clubes. No Conselho Técnico, propôs aos clubes que fosse implatada uma medida neste sentido. O presidente do Palmeiras, Paulo Nobre, sugeriu que os times fossem impedidos de contratar treinadores que saíssem de outras equipes da mesma divisão, o que foi aceito por todos.

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“Acaba violando o direito do cara trabalhar. Digamos que ele dirige o Corinthians por três jogos e é demitido, e não teve culpa de ser mandado embora, vai ficar sem poder trabalhar no campeonato. Acho plausível se o técnico pedir para ir embora”, contou o advogado João Chiminazzo, que trabalha defendendo jogadores.

“Não vale nada esse regulamento. A relação trabalhista não é regida por outra parte, e regulamento nenhum pode ferir. Está errado. Vai ser um regulamento inglório”, contou a advogada Gislaine Nunes, que afirmou que a Justiça trabalhista provavelmente invalidaria as regras. Outro advogado ouvido pelo blog, que não quis se identificar, teve o mesmo entendimento dos dois.

Ambos os advogados afirmaram temer que os clubes firmem um acordo para não contratar os treinadores mesmo se a regra for ilegal. Para Chiminazzo, isso poderia configurar um conluio dos times contra os técnicos.

A Federação Brasileira de Treinadores de Futebol, no entanto, apoia a restrição para contratação de técnico como forma de reduzir o rodízio. “É um avanço, um ponto de partida de quem quer valorizar o trabalho do treinador. A federação paulista toma medidas corretas neste e em outros sentidos”, contou o vice-presidente da federação, Vagner Mancini, que recoheceu que a FPF terá de estudar os aspectos jurídicos da medida.

“O Paulista é um campeonato curto: não deve ter muita troca. No Brasileiro, deveria ter só uma troca de time permitida. Ou tem que pagar o contrato até o final, seja o treinador se sair, seja o clube se demitir.”

O regulameto do Paulista deverá ser concluído e publicado até o final do mês. Até lá, a FPF terá de decidir se a restrição aos técnicos fere ou não a legislação trabalhista.


CPI do Futebol mira federações e pede quebra de sigilo de Marin
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A investigação da CPI do Futebol amplia-se para as federações estaduais filiadas à CBF, principalmente a FPF  (Federação Paulista de Futebol), nicho de Marco Polo Del Nero. Além disso, já há um pedido para quebra de sigilo bancário e fiscal do vice-presidente da confederação José Maria Marin, preso na Suíça.

A apuração da comissão ainda está no início e por isso o objetivo é coletar o máximo de informações possíveis. Com esse intuito, o presidente da CPI, senador Romário (PSB), requisitou dados sobre processos nas Justiças Estaduais contra todas as federações.

No caso da Paulista, que era presidida por Del Nero, os requerimentos foram mais amplos. Além dos processo, foi pedido o contrato da Chevrolet com a FPF. A intenção é verificar a coincidência entre o fato de a GM, após a ascensão de Del Nero e Marin, ter se tornado parceira também da CBF. Há uma especial atenção aos intermediários do negócio.

Outro contrato de patrocínio da CBF que foi requisitado é com a Marfrig, fechado na época de Ricardo Teixeira e já rescindido em disputa que gerou processo judicial e que já foi tratado neste blog. Esses requerimentos serão apreciados na reunião desta quinta-feira da CPI.

Ao mesmo tempo, o senador Paulo Bauer (PSDB-SC), vice-presidente da CPI, requereu a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Marin. Esse pedido só deve ser apreciado na próxima semana porque há um prazo regimental para analisar sigilos.

Ao justificar o pedido, Bauer afirmou: “A presente medida se torna imprescindível para verificar o recebimento de recursos de origem ilegal e averiguar crimes de fraude e lavagem de dinheiro, entre outros crimes que possam ter ocorrido durante o mandato como presidente da CBF.” Del Nero já teve seu sigilo bancário quebrado na semana passada pela CPI do Futebol.


Fifa faz vista grossa a patrocínio irregular a árbitros na Libertadores
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Apesar de vetar o patrocínio da Crefisa a árbitros no Paulista, a Fifa lavou as mãos em relação a anúncios em camisas de juízes na Libertadores que também desrespeitam seu regulamento. Como órgão continental, a Conmebol é filiada diretamente à federação internacional, enquanto a Federação Paulista de Futebol tem uma ligação indireta pela CBF.

O regulamento da Fifa para árbitros estabelece algumas restrições aos patrocínios no uniforme de árbitros. Não podem anúncios de empresas que estampem as camisas dos clubes, como foi o caso do Palmeiras e da Crefisa no Paulista. E são vetados patrocinadores nas costas do uniforme como ocorre na Libertadores – só é permitido o uso da manga.

A empresa brasileira “Centauro”, que foi parceira da Fifa na Copa-2014, tem um anúncio nas costas da camisa dos árbitros da Libertadores-2015, na quarta edição seguida em que isso ocorre. Há outra empresa na manga, Wurth, bem maior do que a de costume no Brasil. O limite da regra é 200 cm2.

Para advogados advogados esportivo ouvidos pelo blog, a legislação é válida para competições da Conmebol pela sua ligação direta com a Fifa. Apesar disso, a federação indicou que nada fará: “Em relação à pergunta sobre a Copa Libertadores, nós sugerimos que você contate a Conmebol”, afirmou a Fifa ao blog. A confederação sul-americana foi procurada durante a tarde, mas seu assessor não estava presente.

Em relação à FPF, a postura foi bem diferente. A entidade recomendou que o patrocínio fosse retirado da camisa dos árbitros, apesar de se negar a comentar a situação depois do veto.

Lembre-se: o presidente da Fifa, Joseph Blatter, está em campanha pela reeleição em pleito que terá três concorrentes. Recentemente, foi à Conmebol para pedir votos.


Após polêmicas, metade dos jogos dos Estaduais Rio-SP tem erros de árbitros
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Depois de umas semana de discussão sobre arbitragem, metade dos jogos de mata-matas dos Estaduais do Rio de Janeiro e São Paulo teve erros crassos dos juízes. Foram três partidas (Flamengo x Vasco, Corinthians x Ponte Preta, e Palmeiras x Botafogo-SP) com falhas com potencial para influenciar no placar, em uma repetição do que já ocorria nas fases de classificação.

Durante a semana, houve questionamento ao fato de a Crefisa, patrocinadora do Palmeiras, anunciar na camisa dos juízes do Paulista. Antes disso, o Fluminense botou em dúvida à atuação de árbitros no Rio por suposto favorecimento ao Vasco, aliado da Ferj (Federação do Rio). Como já dito aqui, as insinuações mancham os Estaduais, mesmo que seja improvável uma armação, e põem juízes sob pressão.

Não houve nenhuma manobra em favor de um time. Pelo contrário, os times que supostamente seriam favorecidos, Palmeiras e Vasco, foram prejudicados na rodada. A constatação é de que os árbitros são despreparados e erram em todas as direções, e as pressões políticas só pioram isso ao lhes botar uma carga extra.

Vamos aos fatos. No sábado, a Ponte Preta teve um gol legítimo anulado contra o Corinthians pela marcação de um impedimento inexistente pelo auxiliar Vicente Romano Neto. A falha foi crucial já que o time corintiano venceu por apenas um gol.

Na casa palmeirense, no domingo pela manhã,  o árbitro Marcelo Rogério deixou de dar um pênalti claro sobre Dudu em empurrão. Depois, o trio permitiu a sequência de lance impedido de Zé Roberto, do Botafogo-SP, que perdeu de frente goleiro. Esses foram apenas os erros mais graves contra o Palmeiras, prejudicado sabe se lá se com influência da discussão da semana ou não.

O clássico entre Flamengo e Vasco foi marcado pela violência, e omissão do árbitro João Batista Arruda. No primeiro tempo, o volante Jonas acertou um chute na cara de Gilberto: foi poupado e levou um amarelo. Mais tarde, Marcelo Cirino deu solada em Guiñazu que também merecia expulsão. De novo, só advertência.

Com os jogadores conscientes da covardia do árbitro, a pancadaria imperou: Dagoberto empurrou Bressan. Foi uma agressão. Livrou-se e as jogadas violentas e pitis de jogadores se acumularam até o final.

Pior até do que o que se viu na fase de classificação. Erros crassos ocorreram nos clássicos, Fla-Flu e Flu x Vasco, no Rio. Em São Paulo, o árbitro de Palmeiras e São Paulo também teve decisões bastante questionadas, sem influenciar no placar. Em resumo, as polêmicas pioraram a arbitragem que já acumulava falhas. E teremos quatro clássicos por ai no próximo final de semana.


Patrocínio de parceira do Palmeiras a árbitros é ilegal? Advogados divergem
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Há controvérsia entre advogados esportivos sobre se é ilegal ou não o patrocínio a árbitros do Paulista pela Crefisa, parceira do Palmeiras. Boa parte dos especialistas ouvidos entende que a norma da Fifa que veta esse tipo de ação não vale para o Estadual. Outros entendem que é, sim, válida. A Fifa não se pronunciou sobre o assunto.

Nesta quinta-feira, a Federação Paulista de Futebol anunciou que a instituição financeira apareceria nos uniformes dos árbitros para os mata-mata dos Estaduais. A ESPN mostrou que há uma norma da Fifa sobre árbitros que veta que uma empresa anuncie em um time e em camisas de juízes ao mesmo tempo. A questão é a abrangência da legislação para o Paulista.

A regulação de organização de árbitros da Fifa tem como escopo as associações nacionais, e as regulações são “em nível nacional”. A FPF faz parte do sistema da federação internacional, mas não é filiada diretamente à entidade.

“Isso não se aplica aos Estaduais. No Brasileiro, não poderia ter. Mas as federações não têm filiação à Fifa”, afirmou o advogado Luiz Roberto Leven Siano. “Isso não quer dizer que não seja errado sob o ponto de vista moral.”

“Para a Fifa, pela jurisprudência, os jogos que valem são os do campeoanto nacional. Em outras decisões, relativos a assuntos diversos, a Fifa demonstrou não considerar partidas de Estadual por exemplo para contagem de número de clubes em que um jogador atuou”, afirmou o advogado Marcos Motta, que milita em tribunais internacionais e na Fifa.

O presidente da Associação Nacional de Arbitros, Marco Antônio Martins, tem entendimento similar: “A Fifa entende que suas regras valem para as confederações. Para as federações, sempre foi aberto. Tanto que não permite patrocínio no calção no Brasileiro, mas permite no Estadual. A mesma coisa patrocinador master. A CBF deu uma liberação tácita aos Estaduais”, contou.

Só que outros dois advogados ouvidos pelo blog, que não quiseram se identificar, tiveram entendimento diverso. Para eles, a FPF faz parte do sistema Fifa e portanto a regra de arbitragem tem que valer para todos os campeonatos dentro do âmbito da CBF, que é filiada à federação internacional. Na opinião desses advogados, não faria sentido fazer uma regra só para os campeonatos nacionais.

Como a Fifa não se pronunciou, a legalidade do patrocínio dos árbitros fica em aberto sendo que a federação paulista já decidiu que não vai recuar no acordo feito com a Crefisa.

PS: Aqui, ressalte-se, discutiu-se apenas a interpretação legal. O blog já afirmou em post anterior que considera que o patrocínio aos árbitros pela Crefisa mancha a credibilidade do Paulista.


Repetindo Ferj, Federação Paulista danifica credibilidade do Estadual
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Há alguns anos os Estaduais têm perdido interesse do público pelo baixo nível técnico dos jogos. Em vez de tentar recuperá-los, as federações executam manobras que geram suspeitas sobre sua lisura. Depois da Ferj (Federação de Futebol do Rio de Janeiro), foi a vez de a FPF (Federação Paulista de Futebol) manchar a credibilidade do seu campeonato.

Primeiro, a entidade flexibiliza o seu regulamento para permitir que todos os grandes possam jogar na capital, ao contrário do que previa a regra. Segundo, anuncia o patrocinador do Palmeiras como parceiro da arbitragem do campeonato, sim, pagará as taxas dos juízes. Tudo nesta quinta-feira, pouco antes da fase final do Estadual.

Vamos aos fatos. O regulamento diz que os dois melhores grandes têm direito a jogar na capital, e que os outro deve atuar fora do município. A ideia era de que não poderia haver duas partidas do trio de ferro no mesmo dia porque isso representaria um problema de segurança. Mas o verbo usado foi “dever”, o que possibilita ignorar esse artigo e fazer acomodações.

Foi o que fez a FPF (Federação Paulista de Futebol): marcou jogos de São Paulo e Corinthians para sábado, em horários diferentes. Assim acomodou o Palmeiras no horário das 11 horas da manhã de domingo.

Nada contra os palmeirenses jogarem em seu estádio (entendo que é correto que tenham esse direito). Mas para que foram feitas regras em sentido contrário? Ou existe um problema de segurança para dois grandes atuarem no mesmo dia, e o regulamento tem que ser seguido, ou não há conflito nenhum e o texto não vale nada. O que não dá é para ignorá-lo no meio do Paulista por conveniência.

Na questão da arbitragem, é óbvio o conflito de interesse de a Crefisa patrocinar os juízes e o Palmeiras ao mesmo tempo.  Como patrocinadora do time alviverde, a empresa financeira certamente quer quer o time conquiste títulos, se transforme em um caso de sucesso, e aumente a exibição da sua marca. Um troféu no início da parceria viria bem a calhar.

Ora, os árbitros do Paulistas, nem precisa explicar muito, têm influência no sucesso do Palmeiras no campeonato. Não se diz aqui que haverá uma manipulação dos juízes, que parece bem improvável. Mas a simples suspeita de que isso possa acontecer já mancha o campeonato. Qualquer falha do árbitro em favor do Palmeiras será vista como manobra da federação.

É um caso similar ao que ocorre no Rio de Janeiro em relação ao Vasco e o presidente Rubens Lopes. A série de pênaltis em favor do time vascaíno é vista como parte de um complô por boa parte dos torcedores rivais. Uma campeonato não tem que simplesmente ser sério, ele tem que parecer sério aos olhos do público. Foi disso que a FPF abriu mão nesta quinta-feira.