Blog do Rodrigo Mattos

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Libertadores-2018 não terá controle a time caloteiro como Champions da Ásia
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A Confederação da Ásia de Futebol impediu o clube saudita Al Nassr de disputar a Champions League do continente por um calote dado no Flamengo, em decisão nesta semana. Esse cenário será impossível na Libertadores porque a Conmebol fez um regulamento de licenciamento sem grandes exigências para 2018, excluindo o fair play financeiro.

A Champions League da Ásia está longe de ser milionária: suas premiações são levemente inferiores às da Libertadores (o campeão ganha os mesmos US$ 3 milhões, e os outros times, menos). A diferença está no avanço de cada confederação em relação aos regulamentos.

A Conmebol colocará em prática seu licenciamento de clubes em 2018. Não haverá nenhuma exigência financeira. A mera apresentação de balanços, já obrigatória no Brasil desde 2003, será válida apenas em 2019. Não há nenhuma previsão de implantação de um fair play financeiro de fato no cronograma da confederação que obrigue os clubes a pagar seus débitos. O licenciamento da CBF segue caminho similar.

Já a Confederação Asiática de Futebol tem um regulamento de licenças robusto. Pelos critérios F03 e F04, o clube tem que provar que não tem débitos com outros clubes, com jogadores ou em impostos com o governo como critério A (obrigatório). Há outros dois critérios (B, que pode ser perdoado), e C (recomendação).

Em relação a outros clubes, as dívidas têm que ser resolvidas até 31 de agosto antes da Champions League. Como o Al Nassr não pagou o Flamengo, não ganhou a licença como anunciado neste semana. E ficou fora da principal competição continental para a qual estava qualificado.

“O Al Nassr teria de fazer o acordo ou pagamento antes. Agora que a licença não foi dada, só pode regularizar para o próximo ano”, explicou o advogado especialista em direito esportivo, Eduardo Carlezzo. “As duas confederações que já têm o mecanismo são a europeia e a asiática.”

A dívida do Al Nassr com o Flamengo surgiu em 2014 quando o time contratou o centroavante Hernanes por € 3,5 milhões. O clube saudita não pagou, e a equipe carioca ganhou em todas as instâncias na Fifa a cobrança. Entre, os pedidos, estava a exclusão da Champions League Asiática. Ainda assim os árabes não quitaram nada do débito após três anos.

Na semana passada, advogados do Flamengo foram avisados pela confederação asiática que o Al Nassr teria a licença negada. Em paralelo, pressionado, o Al Nassr procurou advogados do time carioca para negociar um acordo de pagamento. Não faltaram chances ao time saudita já que a Confederação Asiática de Futebol avisou a todos os clubes no final de julho que cumpriria os requisitos, e pediu os documentos.

Houve outros clubes eliminados da Champions League por conta de calote. Pela legislação, inclusive dívidas com clubes nacionais poderiam gerar punição. “Não importa o país. Transação interna também poderia gerar exclusão”, contou Carlezzo.

Lembre-se que, no Brasil, é comum clubes deverem a outros por transferências de jogadores por longos anos. Caso houvesse um fair play financeiro na Conmebol em vigor, teriam de pagar outros times, jogadores e impostos ou seriam excluídos da Libertadores.


Conmebol deve aumentar cota de clubes após dobrar valor da Libertadores
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A Conmebol tem a intenção de distribuir para os clubes boa parte do aumento do contrato da Libertadores que obterá a partir de 2019. Após concorrência entre agências, a entidade garantiu um mínimo de US$ 350 milhões por ano pelos direitos de televisão e marketing de suas competições de clubes, incluindo também a Sul-Americana.

Há uma reclamação constante de clubes brasileiros, argentinos e uruguaios pelas baixas cotas da Libertadores pela importância da competição. Atualmente, cada time ganha US$ 1,8 milhão pela primeira fase, e pode atingir US$ 8 milhões no total se for campeão.

Após o escândalo de corrupção na Conmebol, que afetava a Libertadores, clubes chegaram a montar uma liga sul-americana para pressionar a confederação para obter mais dinheiro. Para amenizar a situação, a Conmebol criou uma comissão de clubes e trouxe os times para dar sugestões sobre as decisões da Libertadores.

A confederação sul-americana encarregou o presidente da Federação Paulista de Futebol, Reinaldo Carneiro Bastos, membro do conselho da Conmebol, de informar aos clubes brasileiros sobre o novo contrato. A subcomissão de clubes inclui todos os 16 que se classificaram para o mata-mata dessa Libertadores.

O aumento da cota dos clubes ainda dependerá do valor final a ser obtido pelos direitos de marketing e televisão. Isso porque a IMG tem a possibilidade de obter um valor acima de US$ 350 milhões por ano com as concorrências pelos direitos da Libertadores. Entre os participantes da licitação, o valor foi considerado alto e benéfico para a Conmebol.


Após licitação, Libertadores dobra valor por direitos e supera R$ 1 bi
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Após concorrência entre agências, a Conmebol garantiu US$ 350 milhões (R$ 1,1 bilhão) por ano a partir de 2019 pelos direitos de televisão e marketing de suas competições de clubes: Libertadores, Copa Sul-Americana e Recopa. O valor é o dobro do atual obtido com esses campeonatos.

A concorrência foi vencida pela agência IMG & Perform, gigante que atua na área esportiva. Pelo acordo, a empresa garante um mínimo de US$ 1,4 bilhão para a Conmebol pelo período de 2019-2022, conforme anúncio da Conmebol.

A partir daí, a IMG terá que realizar concorrências pelos direitos de televisão da Libertadores e Sul-Americana para 2019, além dos direitos de marketing. Seu objetivo será aumentar o mínimo garantido. Segundo apurou o blog, tudo que exceder esse valor vai para a confederação sul-americana, com um percentual para agência.

Por isso, foi estratégia da Conmebol incluir um mínimo garantido, o que obrigará a agência a trabalhar por maiores valores em concorrências. Outro critério foi a capacidade técnica da empresa, tanto que quatro delas apenas chegaram ao final do processo. A tendência é que sejam feitos pacotes de direitos de televisão divididos por regiões ou países, como Brasil, México e outro para América Latina.

Pelos atuais termos de contratos, a Conmebol recebia em torno de US$ 170 milhões por ano por todas as suas competições de clubes, compradas pela Fox e por empresas de marketing. No último ano, pelos balanços financeiros da confederação, foram US$ 121 milhões obtidos com a Libertadores.

Só que esse contrato tinha sido feito sem concorrência. Até porque os acordos por direitos da Libertadores até 2015 estavam incluídos na investigação do FBI por pagamentos de subornos a dirigentes pelas agências de marketing. Após estourar o escândalo, a Fox e a Conmebol renegociaram o contrato com um aumento até 2018.

A partir de 2019, todos os direitos serão negociados pela IMG. A tendência é que a concorrência para televisões do Brasil só seja concluída no próximo ano.

Ao site da Conmebol, o presidente da entidade, Alejandro Dominguez, afirmou: “Este contrato representa um enorme avanço no nosso objetivo estratégico de gerar mais valor para o desenvolvimento e crescimento do futebol sul-americano.”


Dinheiro encheu Libertadores de brasileiros, bola só deixou Grêmio avançar
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Por razões econômicas, a Conmebol encheu a Libertadores-2017 de brasileiros com um total de oito times. Mas, no funil da bola, só sobrou o Grêmio na semifinal, exatamente como foi no ano passado como o São Paulo. O time gaúcho sobreviveu no limite diante do Botafogo, e o Santos caiu diante do letal Barcelona de Guayaquil.

Finda a fase pré-Libertadores, o Brasil tinha oito times na Libertadores dos 32 da fase de grupos. Eram 25%, e eram os de orçamentos mais recheados em relação ao continente como de hábito. E o maior rival Argentina vivia uma crise de pré-temporada, além de ter menos equipes e dinheiro.

Na primeira fase, ficou o milionário Flamengo e a Chapecoense envolvida em questões de jogador irregular. Dos seis que foram à frente, o Atlético-PR perdeu para um brasileiro, o Santos. Mas tanto Palmeiras quanto Atlético-MG foram eliminados com justiça para Barcelona de Guayaquil, e Jorge Wilsterman.

Agora, nas quartas, cai o Santos que é terceiro no Brasileiro, mas baseia seu jogo mais na defesa do que no ataque. E, com vários desfalques como Lucas Lima, o time santista tentou tirar o Barcelona com cautela, e pouco risco. O time equatoriano tem uma defesa bem posta, velocidade e um ataque rápido.

Já o sobrevivente Grêmio mostrou, de fato, o melhor futebol entre os brasileiros na Libertadores. Sobrou na primeira fase, não teve dificuldades nas oitavas-de-final. Mas caiu de rendimento depois disso, perdendo Pedro Rocha (transferido) e Luan (contundido) – Geromel ainda voltou fora de ritmo.

E a equipe teve enorme dificuldade diante do lutador Botafogo. Durante o primeiro tempo, o time carioca marcou mais avançado, colocou a defesa gremista sobre pressão e teve mais chances de gol, mais do que teve em todos os seus jogos decisivos. E teve três ou quatro boas chances de gol, mas não se aproveitou da defesa perdida do Grêmio nesta etapa.

No segundo tempo, o time de Renato Gaúcho reagiu, mais na pressão do que na qualidade de passe que apresentou durante o ano. E foi na pressão que Barrios ganhou pelo alto um cruzamento e fez o gol. Em desvantagem, o Botafogo perdeu o sentido do seu jogo, pois não consegue se achar quando tem que atacar o rival.

No dinheiro, a Conmebol encheu a Libertadores de brasileiros. Na bola, só deu para o Grêmio ir às semis.

 


Conmebol divulgará datas da Libertadores-18 com incógnita sobre final única
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A Conmebol divulgará até a próxima segunda-feira seu calendário anual de competições para 2018, incluindo a Libertadores e a Copa Sul-Americana. Mas a entidade ainda deixará em aberto se a final da principal competição de continentes do clube será em jogo único ou em duas partidas. Essa decisão só será tomada em reuniões nos próximos meses.

O calendário da Conmebol vai reservar duas datas para a decisão da Libertadores-2018. Assim, haverá a possibilidade de fazer a final em dois jogos ou em apenas um.

O presidente da confederação, Alejandro Dominguez, já declarou ser favorável à decisão em jogo único, e faz lobby pela ideia. Mas a decisão não será tomada antes de se ouvir outros dirigentes e os clubes.

Há uma subcomissão de times formada para dar sugestões de formato ao torneio. O grupo conta com os dirigentes dos 16 clubes classificados ao mata-mata das oitavas de final da Libertadores que já estiveram reunidos em Assunção, sede da Conmebol. Um novo encontro será marcado para que eles opinem sobre o assunto. Em seguida, o Conselho da Conmebol tomará uma decisão.

Já existem cidades candidatas a sediar a primeira final única da Libertadores, entre elas Rio de Janeiro e Lima. A ideia da Conmebol é fazer um grande evento que aumente os ganhos econômicos da competição. Mas há questões logísticas já que, na América do Sul, há maior dificuldade para viajar.

Assim que o calendário da Conmebol for divulgado, a CBF vai anunciar a organização da sua temporada 2018 na próxima semana. O documento já está praticamente pronto, dependendo das definições da confederação sul-americana. Por conta da Copa-2018, os Estaduais começarão mais cedo e o Brasileiro só será interrompido pelo Mundial.


Um empate gremista no Rio. Será que o Botafogo chegou no seu limite?
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O cenário não poderia ser mais favorável ao Botafogo antes do primeiro jogo das quartas da Libertadores: o Grêmio tinha dois desfalques importantes, era um jogo em casa e o time vinha animado por vitória em um clássico. Mas a equipe gaúcha controlou, na maior parte do tempo, o jogo e saiu com o empate que lhe favorece. E leva um favoritismo para o Sul.

De início, esperava-se um Grêmio com mais posse de bola do que o Botafogo pelas características das duas equipes. E assim foi.

Mas também seria esperado que o time carioca se aproveitasse da ausência de Geromel para achar espaços nos contra-ataques de bolas longas que são o seu forte. Ainda mais com um Bressan, longe da segurança do titular, na zaga gaúcha. E assim não foi.

Ao final do jogo, foram quatro conclusões, sendo apenas uma no gol. Levou perigo em bolas alçadas como quando Bruno Silva ganhou da defesa gremista, ou quando Roger chutou em cima da zaga. Mas foi pouco para um mandante.

Verdade seja dita que o Grêmio teve mais conclusões, mas não foram lá tão claras. O seu jogador mais efetivo era o meio-campista Arthur. Meio-campista, sim, porque domina todas as funções que se executa nesta faixa do gramado. Toma a bola, sai com ela com qualidade, ocupa os espaços como se deve para apoiar, e aparece na frente para chutar. Destaque absoluto do jogo.

Faltava a presença de Luan para haver o mesmo pensamento lúcido mais à frente. O Grêmio ainda se ressente do recém-saído Pedro Rocha que somava inteligência à velocidade, enquanto Fernadinho tem apenas a segunda qualidade.

Houve um lance duvidoso de entrada de Edílson em Gilson na área gremista. Após ver o replay três vezes, não cheguei a uma conclusão se houve ou não a falta. Ao final, de saldo, o Grêmio teve 10 conclusões, contra quatro do Botafogo, além de 54% de posse de bola e mais passes certos.

E, como o Grêmio deve ter seu craque no segundo jogo, e também seu estádio, se torna naturalmente o mais forte candidato à vaga brasileira nas semifinais. Ao trabalho muito bem feito pelo técnico Jair Ventura tem faltado recursos ofensivos nos momentos decisivos. Mas ressalte-se que o Botafogo já superou momentos difíceis nesta Libertadores: resta saber se agora chegou ao seu limite ou vai além.

 

 


Conmebol estuda fatiar direitos de TV da Libertadores no Brasil
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A Conmebol está próxima de iniciar o processo de licitação dos direitos de TV da Libertadores para 2019 com o anúncio da agência responsável. E a confederação sul-americana está aberta a qualquer modelo de negociação desde que aumente o valor do contrato. Não descarta a possibilidade de fatiar os direitos no Brasil, entre TV Aberta, fechada e internet.

Atualmente, a Fox detém todos os direitos da Libertadores para todas as propriedades e países, em contrato renovado até 2018. A emissora que renegocia, por exemplo, os direitos para a Globo na TV Aberta.

Agora, a ordem da Conmebol para a agência a ser escolhida será encontrar a fórmula que possibilite maior ganho financeiro com a venda dos direitos da competição sul-americana. A empresa vai buscar informações no mercado, estabelecer um formato e levar para a aprovação do Conselho da entidade. Nesta sexta, a confederação anunciou que 10 agências estão habilitadas. Ou seja, nas próximas semanas será anunciada a vencedora.

Uma das primeiras decisões será estabelecer os pacotes de direitos por regiões ou países. Isso já estava definido previamente com o fim da negociação de todas as propriedades para uma empresa. Assim, poderá haver uma concorrência para o México, outra para o Brasil, uma terceira para um conjunto de países e por aí vai. O mercado que determinará.

E, dentro dos países, a Conmebol pode ainda fazer concorrências por direitos fatiados quando houver um país de forte valor econômico. É o caso do Brasil que representa em torno de um terço do mercado da confederação sul-americana. O México é outro mercado forte se os seus times voltarem à Libertadores.

Não há prazo para concluir o processo de licitação. Mas há a consciência na Conmebol de que tem de se buscar o momento certo para aumentar os valores. Há um temor de que as negociações dos direitos da Liga dos Campeões e até o Francês no Brasil possam concorrer com o torneio. Ou seja, se a Libertadores vier depois deles, as televisões brasileiras já terão gastado dinheiro com os outros torneios, podendo fazer ofertas menores.

O Campeonato Francês é um novo elemento já que tornou-se uma vitrine após a contratação de Neymar pelo Paris Saint-Germain. Os direitos pertencem à Globo, Sportv e Espn, mas só duram mais um ano. Portanto, devem ser vendidos agora. Também será no segundo semestre a negociação da Liga dos Campeões. A previsão é que ocorram após a Libertadores.

Essa posição da confederação sul-americana faz sentido. Emissoras brasileiras preparam seus orçamentos para saber em que competições irão investir já que não sobra dinheiro para todos os projetos.

Um decisão já tomada é que não haverá mais contratos longos como os feitos na gestão de Nicolás Leoz, Eugenio Figueredo e Juan Angel Napout. A ideia é que os contratos sejam limitados aos mandatos dos presidentes. Essa regra só será flexibilizada agora porque o mandato de Alejandro Dominguez se encerra em 2019 e não faria sentido fazer um contrato curto. Portanto, o novo acordo da Libertadores deve ser até 2022, invadindo o próximo mandato.


Bota avança na Libertadores com segundo menor gasto entre brasileiros
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Com Bernardo Gentile

Classificado às quartas-de-final da Libertadores, o Botafogo tem o segundo menor investimento em futebol entre os times brasileiros na competição sul-americana, só à frente da Chapecoense. Eliminados, Flamengo e Palmeiras devem gastar entre três e quatro vezes mais com futebol do que os alvinegros em 2017. Para compensar, o clube aposta em manutenção de técnico e futebol solidário.

O levantamento do blog foi feito em cima de orçamentos e demonstrações contábeis das oito equipes brasileiras na Libertadores. O orçamento do Botafogo prevê uma receita de R$ 190 milhões, com despesas com o futebol em torno em R$ 99 milhões. Só pode investir metade por conta do excesso de dívidas já que tem o maior débito do país entre os grandes.

“Continuamos em situação de vulnerabilidade. A situação fiscal e trabalhista estão equacionadas. Mas as cíveis continuam a ter penhoras. É muito mais fácil ter queda de orçamento pelas penhora do que aumento de receita”, contou o presidente do clube, Carlos Eduardo Pereira. “A gestão do futebol do clube é com muita austeridade. Não há folga.”

Em comparação, o orçamento do Flamengo foi revisto para R$ 600 milhões em 2017, com a venda de Vinicius Jr. Pela arrecadação do primeiro trimestre, o Palmeiras poderia chegar a esse valor também. A projeção do gasto com futebol não é precisa, mas pelo ritmo atual poderia atingir até R$ 400 milhões nos dois casos. Ressalte-se que ambos gastam dentro do que podem.

Classificados às quartas, Santos e Grêmio também têm mais receitas e gastos do que os botafoguenses. O Atlético-PR tem um patamar de receita parecido com o Botafogo, mas menos dívidas e, por isso, maior capacidade de investir. Eliminado, o Galo tinha um orçamento com previsão de mais de R$ 300 milhões em receitas.

“Não adianta ficar chateado. Não somos favoritos. Temos o 12o orçamento do Brasil. Compensamos com trabalho”, afirmou o técnico Jair Ventura.

Um dos méritos para compensar é trocar pouco de técnico. Na atual gestão, em dois anos e meio, houve duas mudanças. Só René Simões foi demitido, já que Ricardo Gomes quis sair para o São Paulo, na ocasião em que Jair assumiu o time.

Em relação ao elenco, não há a mesma estabilidade até pelos problemas financeiros. Da temporada 2016, saíram Sidão, Diogo Barbosa e Neílton, que eram titulares. Neste ano, as duas estrelas do time, Camilo e Montillo, também já não estão mais no elenco, nem o centroavante Sassá. Perguntado como fazer para compensar a desvantagem financeira, Pereira é sucinto:

“Qualidade do trabalho. Alguns jogadores estão conosco desde 2015. É um futebol solidário sem estrelas e com a competência do técnico”, analisou. “Tem que ter um Norte. Não dá para ir ficando para leste e oeste, trocando tudo. É um caminho traçado.”


Como o Flamengo perdeu o Brasileiro e o técnico em um turno
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Ao montar seu elenco para o Brasileiro, o Flamengo se posicionava como um dos principais candidatos ao título, com vários jogadores acima da média nacional. Após um turno, com a derrota para o Vitória em casa, o clube está virtualmente fora da disputa pela taça como se constata com qualquer conta simples. E demitiu o técnico Zé Ricardo que mantivera durante mais de um ano, inclusive após a queda na Libertadores.

Concluído o primeiro turno, o Flamengo soma 29 pontos, a 18 do líder disparado Corinthians. Como empatou muito, na prática, precisaria de sete rodadas para ultrapassar o ponteiro, restando 19 jogos. Não há nenhum precedente no Brasileiro, nem na lógica, ainda que o líder não fosse uma equipe que pouco falha como a corintiana.

Dito isso, tentemos entender como o time de Zé Ricardo passou de favorito a no máximo postulante ao G4. E isso começa pela eliminação na Libertadores, logo após a primeira rodada do Nacional. Naquela campanha, o time já exibia as qualidades e principalmente os defeitos que o levaram a capengar no Brasileiro.

É um time de boa precisão de passe e que controla a bola, muitas vezes dominando o adversário. É dos times com maior acerto no quesito no Nacional, segundo o site Footstats. Por isso, aumenta suas chances de chegar ao gol adversário, ainda que apelasse demais a cruzamentos quando pegava equipes fechadas.

Ao mesmo tempo, comete erros primários nas zonas decisivas do campo. Na Libertadores, dominou jogos que perdeu fora, Universidad Católica e Atlético-PR. No Brasileiro, perdeu gols incríveis contra Corinthians (Diego), Santos (Viseu), Palmeiras (Diego pênalti perdido), Vitória (Viseu), todas partidas em que acabou derrotado ou com empates.

É um problema coletivo, não de um centroavante ou só do ataque. O time não tem a concentração necessária, ou está excessivamente nervoso. Difícil saber. Fato é que o problema existe há meses e Zé Ricardo não o resolveu: concentração é, sim, treinada. Não levo muito fé em expressões como “DNA perdedor”, mas em equipes que são seguras na execução dos aspectos técnicos. Essas ganham como é o caso corintiano.

E o mesmo ocorreu na defesa. Jogadores cometeram erros em lances fáceis (como o de Arão neste domingo), em posicionamento equivocado para marcar (veja os sete gols sofridos contra o Santos), em bolas altas. A lista é grande e envolve do goleiro a todos os jogadores do sistema defensivo. De novo, uma defesa bem treinada não comete esse tipo de erros em tal quantidade.

Se compararmos com o Brasileiro-2016, o Flamengo atual tem um média de gols feitos um pouco melhor (1,42 a 1,36), e uma média de gols tomados pior (1 contra 0,92). Em resumo, desde que encontrou um padrão para o time no meio do Nacional do ano passado, Zé Ricardo não conseguiu fazê-lo evoluir nos aspectos que faltavam. Teve mais opções, melhores jogadores, e entrega menos do que no ano passado.

E isso se explica também pelos seus equívocos nas escolhas de jogadores. Insistiu por muito tempo com jogadores que erravam muito (não eram só eles) como Márcio Araújo, Vaz, Muralha. Ainda fez outras opções difíceis de compreender como preferir em geral Geuvânio, recém-contratado e sem ritmo, a um Berrío em boa fase.

Quando caiu na Libertadores, o Flamengo precisava de uma mudança, e a diretoria do clube decidiu que esta deveria ocorrer com o mesmo Zé Ricardo. Isso teve a ver com o presidente Eduardo Bandeira de Mello entender que a rotatividade de técnicos é prejudicial, e que errou quando trocou muito técnico. Naquele momento, entendi que a decisão era correta. Mas o resultado não foi positivo.

Realizados 20 jogos após aquela queda, o time rubro-negro comete erros parecidos e não evoluiu nada. A saída de Zé Ricardo, portanto, é justificada. Não adiantava lhe dar mais tempo se havia uma estagnação. Caberá ao Flamengo agora na escolha do novo técnico buscar alguém que dê um perfil ao seu departamento de futebol, uma cara.

É algo que a diretoria rubro-negra ainda não conseguiu em seus quatro anos e meio de gestão no futebol. Acertou nas áreas administrativa e financeira o que proporcionou o bom elenco atual, mas não nas escolhas de como conduzi-lo tecnicamente para poder triunfar.


Conmebol quer mudar cara da Libertadores na tela, e afetará TVs brasileiras
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A Conmebol planeja mudar a forma como são filmadas e transmitidas a Libertadores, a Copa América-2019 e outras competições, adotando modelo similar ao da Liga dos Campeões e da Copa do Mundo. Isso faz parte do processo de concorrência pelos direitos desses campeonatos iniciado no final de junho. As emissoras brasileiras serão afetadas porque terão menos poder sobre as imagens.

A Confederação Sul-Americana de Futebol iniciou nesta segunda-feira a licitação para a contratação de uma agência para cuidar de seus direitos comerciais e televisivos. Essa agência organizará a concorrência de televisões pela Libertadores a partir de 2019 e para a edição brasileira da Copa América.

Uma reunião do Conselho da Conmebol determinou que a agência vai tratar de diversos pontos: avaliar fórmulas das competições, estratégia de empacotamento audiovisual e de patrocínio, comercialização de direitos e assessorar a produção audiovisual das competições. A cúpula da confederação continua a ter a palavra final sobre quem fica com os contratos.

A intenção da Conmebol é a de produzir sua própria filmagem dos jogos da Libertadores, da Copa América e da Sul-Americana, segundo apurou o blog. Ainda não há data para isso ocorrer porque a confederação terá de entender qual o tamanho da estrutura a ser montada. Justamente por isso terá uma consultoria.

Mas, quando isso se tornar realidade, a produtora da Conmebol será a única a poder gerar imagens das competições. Em seguida, repassará um feed para as emissoras detentoras de direitos como são os casos atualmente da Fox Sports e da Globo. Hoje, são as redes que fazem sua própria filmagem.

Esse é o modelo adotado na Liga dos Campeões e na Copa do Mundo. Então, a UEFA e a Fifa podem determinar gráficos e a inserção de nomes de patrocinadores em placares, entre outros pontos. Por isso, a agência também será responsável pelo “empacotamento” audiovisual e patrocínio. Controlar a imagem significa dominar o que vai entrar na tela e dar um padrão às competições.

Isso não ocorre no Brasil nem na Libertadores, nem no Brasileiro. A Globo tem, por contrato, o domínio sobre as imagens do Nacional, assim como a Fox da Libertadores. Com o modelo da Fifa e da UEFA, há chance de aumentar as receitas das competições sul-americanas. A Globo, por exemplo, não poderia mais esconder nomes de parceiros dos campeonatos.

A Conmebol tem prometido que, com o crescimento das receitas, vai incrementar os ganhos dos clubes na Libertadores. Atualmente, as cotas recebidas pelos times atingem um máximo de US$ 8 milhões para o campeão, sendo que a competição gera um total de US$ 122 milhões.

A licitação para agência da Conmebol está aberta e vai durar um mês, prazo permitido para consultas. A confederação sul-americana ainda não tem uma data definida para a concorrência de tvs para a Libertadores. Mas a promessa é de que todo o processo seja público. Quem define o vencedor será a cúpula da confederação sul-americana.