Blog do Rodrigo Mattos

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Conmebol quer mudar cara da Libertadores na tela, e afetará TVs brasileiras
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A Conmebol planeja mudar a forma como são filmadas e transmitidas a Libertadores, a Copa América-2019 e outras competições, adotando modelo similar ao da Liga dos Campeões e da Copa do Mundo. Isso faz parte do processo de concorrência pelos direitos desses campeonatos iniciado no final de junho. As emissoras brasileiras serão afetadas porque terão menos poder sobre as imagens.

A Confederação Sul-Americana de Futebol iniciou nesta segunda-feira a licitação para a contratação de uma agência para cuidar de seus direitos comerciais e televisivos. Essa agência organizará a concorrência de televisões pela Libertadores a partir de 2019 e para a edição brasileira da Copa América.

Uma reunião do Conselho da Conmebol determinou que a agência vai tratar de diversos pontos: avaliar fórmulas das competições, estratégia de empacotamento audiovisual e de patrocínio, comercialização de direitos e assessorar a produção audiovisual das competições. A cúpula da confederação continua a ter a palavra final sobre quem fica com os contratos.

A intenção da Conmebol é a de produzir sua própria filmagem dos jogos da Libertadores, da Copa América e da Sul-Americana, segundo apurou o blog. Ainda não há data para isso ocorrer porque a confederação terá de entender qual o tamanho da estrutura a ser montada. Justamente por isso terá uma consultoria.

Mas, quando isso se tornar realidade, a produtora da Conmebol será a única a poder gerar imagens das competições. Em seguida, repassará um feed para as emissoras detentoras de direitos como são os casos atualmente da Fox Sports e da Globo. Hoje, são as redes que fazem sua própria filmagem.

Esse é o modelo adotado na Liga dos Campeões e na Copa do Mundo. Então, a UEFA e a Fifa podem determinar gráficos e a inserção de nomes de patrocinadores em placares, entre outros pontos. Por isso, a agência também será responsável pelo “empacotamento” audiovisual e patrocínio. Controlar a imagem significa dominar o que vai entrar na tela e dar um padrão às competições.

Isso não ocorre no Brasil nem na Libertadores, nem no Brasileiro. A Globo tem, por contrato, o domínio sobre as imagens do Nacional, assim como a Fox da Libertadores. Com o modelo da Fifa e da UEFA, há chance de aumentar as receitas das competições sul-americanas. A Globo, por exemplo, não poderia mais esconder nomes de parceiros dos campeonatos.

A Conmebol tem prometido que, com o crescimento das receitas, vai incrementar os ganhos dos clubes na Libertadores. Atualmente, as cotas recebidas pelos times atingem um máximo de US$ 8 milhões para o campeão, sendo que a competição gera um total de US$ 122 milhões.

A licitação para agência da Conmebol está aberta e vai durar um mês, prazo permitido para consultas. A confederação sul-americana ainda não tem uma data definida para a concorrência de tvs para a Libertadores. Mas a promessa é de que todo o processo seja público. Quem define o vencedor será a cúpula da confederação sul-americana.

 


Clubes brasileiros mostram maturidade na reunião da Libertadores
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Não faltaram críticas neste espaço a atitudes de dirigentes brasileiros sobre a organização de campeonatos. Mas há de se ressaltar a postura positiva e produtiva dos clubes nacionais que estiveram na reunião da Conmebol para decidir os rumos da Libertadores. Da forma como atuaram, terão impacto na competição.

Foi a primeira vez que a confederação sul-americana abriu espaço para os clubes classificados às oitavas de final opinarem sobre a Libertadores por meio da sua subcomissão. A reunião se deu após o sorteio dos mata-matas em um clima aberto de troca de ideias

Estiveram presentes pelo Brasil representantes de Santos, Grêmio, Atlético-PR, Botafogo, Palmeiras e Atlético-MG. No dia anterior, dirigentes desses clubes se reuniram com os que estavam por lá pela Copa Sul-Americana, como Sport, Corinthians e Fluminense. E estabeleceram uma lista de 12 pontos que os incomodavam ou que precisavam de modificação na competição.

A relação era bem coerente: pedia para os árbitros terem critérios uniformes em relação a práticas do campo do jogo, mudanças no regulamento em relação à inscrição e ao banco, maior transparência do tribunal, entre outros. As regras da competição já devem ser mudadas para o próximo em relação às inscrições e bancos de reservas e a própria Conmebol já começa a reconhecer que seu tribunal terá de ser revisto.

Não houve bate-boca, não houve discussões de picuinhas clubistas, e os clubes brasileiros foram capazes de atuar em bloco. Isso não significa que todo mundo concorde em tudo. Mas é possível encontrar caminhos comuns e a atuação em bloco certamente teve um efeito bem maior do que reclamações isoladas.

Talvez, os times brasileiros tenham achado uma fórmula de como se relacionar no âmbito internacional na reunião no Paraguai. Se isso se confirmar, é ótima notícia para o futebol brasileiro.

Errata: O texto informou inicialmente que o Atlético-MG não estava presente na reunião, mas ele mandou um advogado para representa-lo.


Final da Libertadores em jogo único ganha força na Conmebol
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O presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, aumentou a pressão por uma final única para a Libertadores a partir de 2018 e agora conta com o apoio de boa parte dos clubes. O Rio de Janeiro com o Maracanã já apresentou candidatura para sediar a partida, outro postulante seria Lima, no Peru.

Desde o ano passado, Dominguez tem defendido a final em um jogo, repetindo o que faz a Liga dos Campeões. Mas há resistências dentro da Conmebol e, no primeiro ano, isso não ocorreu. Mas ele não desistiu da ideia.

“É o meu desejo e a maioria dos clubes aprovou”, afirmou o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, logo após deixar a reunião da subcomissão de clubes. Ele admitiu, no entanto, que houve uma parte dos times que não apoiaram a ideia. O projeto seria para 2018 ou poderia ser adiado para 2019, mas a Conmebol faz estudos para ter certeza da viabilidade econômica deste jogo único.

Entre os candidatos, está o Rio de Janeiro e Lima para 2018. O prefeito do Rio, Marcelo Crivella, apresentou uma candidatura à final por meio do presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, que esteve na Conmebol neste primeiro semestre. Na ocasião, Dominguez demonstrou simpatia à ideia de realizar a primeira final em jogo único no icônico Maracanã.

Há uma necessidade, no entanto, de o restante do Conselho da Conmebol e a subcomissão de clubes aprovarem em maioria a ideia da cúpula da entidade. Essa decisão só vai ocorrer em definitivo no final deste ano para se definir a fórmula da Libertadores-2018. E a ideia seria que a sede da final já fosse decidida no início da competição.


De veto a meião a elenco limitado. O que irrita brasileiros na Libertadores
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(Atualizado após a reunião às 14 horas)

Em reunião nesta quinta-feira, os clubes brasileiros levaram uma série de reclamações e reivindicações à Conmebol relacionadas a Libertadores. Os itens listados pelos cartolas nacionais foram desde proibições de certos tipos de meiões até um pedido formal para mudanças no regulamento na inscrição de jogadores. Além disso, há os já conhecidos questionamentos ao tribunal da confederação e à segurança.

Foi o primeiro encontro da subcomissão de clubes da confederação sul-americana em que os times puderam oficialmente expressar suas opiniões sobre a competição. Participaram os 16 times das oitavas de final da Libertadores, sendo seis deles brasileiros, Botafogo, Santos, Atlético-MG, Palmeiras, Atlético-PR e Grêmio.

Por isso, os dirigentes brasileiros desses times, além de representantes daqueles na Copa Sul-Americana, se reuniram previamente para levar uma pauta de reivindicações. Da pauta, ficou definido um pedido de mudança de regulamento da Libertadores que se transformou em anual em 2017.

“Defendemos que deve aumentar a possibilidade de troca de jogadores inscritos após a primeira fase. Com a janela, o time pode perder jogadores e não tem como repor na lista”, contou o presidente santista, Modesto Roma Jr. Atualmente, são 25 inscritos, e pode-se acrescentar outros cinco a partir das oitavas de final.

Outro ponto importante levantado é a falta de critério da Conmebol ao definir o que pode e o que não pode no campo e no estádio. Com delegados ou árbitros diferentes, são alterados esses parâmetros, sem um padrão. Um exemplo é dado pelo diretor de futebol do Grêmio, André Zanotta, em jogo em Calama, agora em 2017:

“Os jogadores agora têm o hábito de trocar o pé da meia por outro especial para não escorregar. Nosso fabricante entrega para nós costurados. Quando chegamos em Calama, o quarto árbitro disse que não permitiria. Tivemos que comprar meias brancas no local”, descreveu Zanotta. “Pouco antes do jogo, insisti com o árbitro que permitiu.”

Outra observação é que a Conmebol só permite 18 jogadores no banco ao contrário de outras competições. Zanotta procurou o diretor técnico da Conmebol, Hugo Figueredo, para que aumentasse o número de jogadores para o banco pois pode se perder gente pouco antes do jogo.

Mais uma questão levantada é sobre a Conmebol tomar o estádio e cobri-lo todo para os jogos da Libertadores. Marcas e placas têm que ser só de patrocinadores da entidade. O telão de estádios, por exemplo, não pode passar marcas que têm acordos com os clubes.

“Gostaríamos que eles contratasse uma empresa para cuidar da imagem da competição, e da segurança. Deveriam terceirizar essas questões”, contou o vice-presidente do Palmeiras, Genaro Marino.

O padrão usado pela Conmebol é igual da UEFA na Liga dos Campeões, mas os clubes reclamam que a remuneração é muito menor. Portanto, não dá para impor os mesmos padrões.

A reclamação mais recorrente talvez seja em relação ao tribunal da Conmebol e à falta de critério. No caso do Palmeiras, o clube tem um recurso que deve ser julgado semana que vem sobre as punições na confusão contra o Peñarol. No caso da Chapecoense, o time foi eliminado por jogador irregular, mas o problema é que detalhes da decisão só foram enviados no dia do sorteio da Libertadores, 15 dias após o julgamento.

“Neste episódio, nos achamos com toda a razão e vamos continuar com esse encaminhamento até a última instância”, disse o presidente da Chapecoense, Plínio Nês David FilhoA Chapecoense não foi ao sorteio da Sul-Americana.


Clubes brasileiros articulam lista de reclamações sobre Libertadores
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Em Assunção para o sorteio da Libertadores, o dirigentes de clubes brasileiros articulam para fazer uma lista de demandas para a Conmebol em relação. Essas reclamações serão apresentadas no dia 15 em reunião da subcomissão dos clubes com a cúpula da confederação sul-americana.

A Conmebol criou o grupo de clubes para dar opiniões sobre o formato da Libertadores. Quem vai estar incluído neste grupo por um ano são os 16 times classificados às oitavas de final da competição, sendo seis brasileiros Atlético-PR, Botafogo, Atlético-MG, Grêmio, Palmeiras e Santos.

“Vamos nos reunir entre nós para alinhar a posição”, explicou o presidente do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira. Ele não quis adiantar quais as demandas do seu time.

O presidente do Santos, Modesto Roma Jr, também afirmou que haverá pedidos à Conmebol durante a reunião do dia 15. Em encontro no Rio, ele mesmo já tinha se manifestado ao presidente da confederação sul-americana, Alejandro Dominguez, contrariedade em relação às decisões do tribunal da entidade.

Além dos clubes dentro da Libertadores, dirigentes dos brasileiros na Sul-Americana devem ser chamados para a reunião prévia à comissão da Conmebol, como é o caso do Corinthians e Sport que já têm representantes no local. O Fluminense também virá ao Paraguai.

Entre as prováveis itens de discussão dos clubes, estão a falta de transparência e critérios do tribunal da Conmebol, discussão sobre cotas e condições de segurança nos estádios em outros países.

Já houve várias iniciativas de clubes brasileiros para buscar mudanças nas Libertadores. Até agora, os resultados têm sido tímidos.


Dinheiro da Libertadores foi desviado para conta de empresa de adoçante
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Denunciado pela atual diretoria da Conmebol à Justiça Paraguaia, o esquema de desvios de dinheiro da confederação sul-americana envolveu pagamentos para uma empresa produtora de adoçantes de propriedade do ex-presidente Nicolas Leóz. A maior parte dos recursos da Conmebol foi arrecadado com a Libertadores e a Copa América, competições mais rentáveis da entidade.

A denúncia feita por advogados da Conmebol ao Ministério Público do Paraguai mostrou indícios de desvio de US$ 129 milhões (equivalente hoje a R$ 425 milhões) entre o período de 2000 a 2015. Para se ter ideia do que isso representa, a entidade arrecadou US$ 252 milhões no ano passado, sendo que a Libertadores representou praticamente metade desse valor.

Os recursos foram desviados de quatro formas diferentes como mostra o documento de denúncia da Conmebol: depósitos diretos para contas de Leóz e de uma empresa dele (US$ 28 milhões); transferências para contas não identifacadas em paraísos fiscais (US$ 33,3 milhões); pagamentos a empresas sem comprovação de serviço (US$ 58 milhões) e outros pagamentos a empresas suspeitas no esquema do “Fifa Gate” (US$ 10,4 milhões).

“Funcionários antigos da Conmebol nos informaram que não havia documentos na sede da entidade porque todos ficavam nos escritórios de Leóz. Seu escritório era de onde era gerida a Conmebol. Não existe nenhum documento para comprovar os serviços e transações”, contou o advogado da Conmebol Oswaldo Granada ao blog.

Do dinheiro dado diretamente a Leóz, uma parte foi direto para sua conta e outro para a empresa NL Stevia, de propriedade dele e de Maria Celeste Leóz e Nora Cecilia Leóz, de sua família. A empresa NL Stevia é uma fazenda e produtora do adoçante Stevia, fundada por ele no Paraguai. Com o ex-dirigente preso, a empresa continua em funcionamento. Em seu site, há exaltação ao pioneirismo de Nicolás Leoz ao criar a empresa. Esses pagamentos a Stevia e ao ex-cartola ocorreram de 2000 a 2009, em 69 transações bancárias.

No caso das contas não identificadas, o dinheiro foi operado por meio do Banco do Brasil do Paraguai e de seus subsidiários no Panamá e nas Ilhas Cayman, como revelou o site “Globo.com”. Só o Brazilian American Merchant, com sede no paraíso fiscal, recebeu US$ 28 milhões. Por isso, os advogados da Conmebol acusam o banco de acorbertar as operações. O BB negou ter descumprido qualquer regra bancária.

“Leóz era muito mimado pelo Banco do Brasil. Seu escritório ficava no mesmo prédio do banco”, contou Oswaldo Granada.

Uma terceira parte do dinheiro foi para empresas sem que houvesse nenhum documento de comprovação. A denúncia descreve: “transferências bancárias internacionais e direta em favor de terceiros sem adequado respaldo documento por supostos serviços”.

Neste caso, chamam a atenção as transferências de um total de US$ 22,2 milhões para a empresa Alhec durante o período de 2002 e 2013. Há uma agência financeira argentina Alhec que é suspeita de ter participado de diversas negociações irregulares de vendas de jogadores do futebol argentino de uma série de times. Há uma investigação na Argentina que envolve operações desta empresa em vendas de atletas como Aguero, Lavezzi e Pastore. Falecido, o ex-presidente da AFA Julio Grondona, um dos dirigentes mais poderosos da Conmebol em sua época, também supostamente utilizava a agência.

Por fim, há pagamentos para empresas suspeitas de participar do esquema de desvios investigado na Justiça dos EUA. Desse total, há dinheiro pago para a Somerton Limited, do brasileiro José Margulies, um dos indiciados no caso Fifa, no total de US$ 1,1 milhão. Investigação do UOL no caso do Panama Pappers mostrou que essa empresa tinha um contrato de direitos da Libertadores pelo qual tinha direito a US$ 1 milhão por ano durante sete anos. Não fica claro por que recebia o dinheiro.

Outra empresa que aparece no Panama Pappers ligada aos direitos da Libertadores que receberam pagamentos da Conmebol é a Arco Bussiness Developments, com sede em uma paraíso fiscal no Caribe. Essa empresa recebeu US$ 1,5 milhão. Segundo a planilha da denúncia, ela tem ligação com a T & T, empresa nas Ilhas Cayman que detinha todos os direitos da Libertadores de 2008 a 2015, quando foi rompido e refeito com a Fox.

É importante dizer que o dinheiro da Libertadores, no final da linha, pertence aos clubes brasileiros e sul-americanos. A Conmebol é a administradora da competição, mas a maior parte dos recursos deveria ser dado aos times.

Não foi possível encontrar a defesa do ex-presidente da Conmebol Nicolas Leóz que está em prisão domiciliar em sua casa no Paraguai.

 


Tribunal da Conmebol nega efeito suspensivo à pena da Chape na Libertadores
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O tribunal da Conmebol negou o efeito suspensivo pedido pela Chapecoense pela punição com a perda dos três pontos em seu jogo na Libertadores por escalação do jogador Luiz Otávio. O clube terá um prazo apertado para ser julgada novamente na segunda instância enquanto é válida a pena que elimina o time da competição. É possível que o novo julgamento ocorra às vésperas do sorteio para as oitavas-de-final.

O jogador estava suspenso e foi escalado irregularmente diante do Lanús na fase de grupos da Libertadores. A Chapecoense alega que não foi avisada pelos canais legais, embora sua diretoria admita um erro.

No primeiro julgamento, o tribunal da Conmebol tirou os pontos da Chapecoense e deu ao Lanús com vitória por 3 x 0. Não foram apresentadas as razões na ocasião. O resultado eliminaria o time catarinense. A Chape entrou com recurso e com um pedido de efeito suspensivo até o novo julgamento.

Nesta tarde de quarta-feira, o tribunal da confederação sul-americana notificou a Chapecoense que o pedido de suspensão foi negado em um comunicado de uma linha. No mesmo documentou, a Conmebol avisou que enviaria as razões da decisão do tribunal até o final da semana. Ou seja, fará essa comunicação dez dias após o julgamento em primeira instância.

A partir daí, a Chapecoense terá sete dias corridos para apresentar sua defesa na segunda instância em que pretende acrescentar novos elementos. Assim, teria até o dia 9 de junho. Isso deixaria apenas cinco dias para a Conmebol marcar o julgamento antes do sorteio das oitavas-de-final, marco para o dia 14 de junho.

É provável que o time catarinense mande sua defensa anteriormente, e alegue que houve várias confusões no comunicado da Conmebol.


Conmebol promete inflar cota na Libertadores para acalmar times brasileiros
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Em reunião com os clubes brasileiros, a Conmebol prometeu reduzir seus custos e aumentar as cotas para os times para 2018. Esse compromisso ocorreu na segunda-feira quando o presidente da confederação sul-americana, Alejandro Dominguez, foi à CBF. A sua posição deixou cartolas brasileiros satisfeitos.

No encontro, Dominguez expôs aos presidentes dos principais clubes brasileiros os números financeiros da entidade e especialmente da Libertadores. O balanço divulgado pela Conmebol mostrou um faturamento de US$ 121 milhões (R$ 385 milhões) com a Libertadores, entre direitos de TV e comerciais.

Desse total, R$ 84 milhões ficaram como lucro para a entidade, o que torna o torneio o mais rentável para a Conmebol. Outra parte do montante é gasto com despesas operacionais da competição, incluindo arbitragem, sorteios, organização de jogos.

Sobram para os clubes cotas de US$ 1,8 milhão por todos os jogos da fase de grupos, e bônus que podem atingir o máximo de US$ 8 milhões em caso de título. Esses valores são incomparáveis com competições europeias e bem abaixo do que a maioria dos campeonatos do Brasil. Por isso, há reclamação constante com a confederação sul-americana.

Alejandro Dominguez prometeu aos clubes que haverá um processo transparente da venda dos direitos de TV da Libertadores, o que está previsto para o segundo semestre deste ano. Será negociado o contrato a partir de 2019 e o compromisso é de que haverá uma concorrência entre televisões para diferentes áreas.

A tendência é a oferta de um pacote para o Brasil, outro para a América do Sul, um possivelmente para o México se os times voltarem à competição. A questão é que a Conmebol ainda estuda o modelo de concorrência, ouvindo as emissoras de televisão para determinar as regras.

Certo é que, antes desse novo contrato, a Conmebol promete distribuir uma fatia maior do que paga a Fox Sports para os clubes para conter a insatisfação. É um segundo movimento da confederação que tinha reajustado cotas no início de 2016, e aberto mão de percentual de desconto sobre rendas.


Casos de Palmeiras e Chape mostram que falta mudar muito na Libertadores
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Desde o ano passado a nova diretoria da Conmebol comandada por Alejandro Dominguez propagandeia que mudará a organização da Libertadores, modernizando a de acordo com padrões europeus. Houve nova fórmula anual, mais brasileiros, consultorias de marketing. Alguma evolução, outras medidas equivocadas.

Fato é que não se mexeu no essencial que é a garantir organização da competição, segurança do público e critérios justos como se constata nos casos controversos de Palmeiras e Chapecoense. Ainda há espaço para aquela frase cretina “Isso é Libertadores” que permite que o clube mandante faça quase qualquer coisa para intimidar o rival. E há quem exalte, diga que é uma característica de nós sul-americanos. A glorificação da selvageria.

Vamos aos fatos. Não é preciso ser nenhum gênio para constatar que torcedores e jogadores palmeirenses foram emboscados no estádio do Peñarol. Por circunstâncias – um delas a bravura dos alviverdes torcedores e jogadores -, não foram massacrados pelos uruguaios diante das falhas do clube local em garantir sua segurança (com intenção ou não).

O que fez o tribunal da Conmebol diante desse cenário de caos? Pune o Peñarol com um jogo sem torcida, e uma multinha de US$ 150 mil. Na cabeça do membros do comitê disciplinar da entidade, colocar vidas em risco rende uma mísera partida de portões fechados. Aos palmeirenses, uma Libertadores inteira sem torcida visitante.

Em relação aos jogadores, Felipe Mello, que tinha que ser punido pelo soco, toma seis jogos, mais do que os uruguaios que o perseguiram. Em resumo, vale a pena intimidar rivais na Libertadores.

A revolta e indignação dos palmeirenses são justas. Em meio aos gritos, ouço os alviverdes reclamarem que o Brasil é fraco nos bastidores da Conmebol. É fato já que o presidente da CBF Marco Polo Del Nero não viaja com medo da polícia internacional, e o representante da entidade Reinaldo Carneiro Bastos, da FPF, pouco faz. Lembremos que é aliado do presidente palmeirense, Maurício Galiotte.

Mas, se analisarmos fatos recentes, o Peñarol está longe de ser um amigo da Conmebol. Seus dirigentes lideraram um movimento contra a entidade com Liga Sul-Americana de clubes que questionava a falta de transparência da Libertadores.

A questão é outra: não deveria sequer de haver necessidade de ser forte nos bastidores na Libertadores. Em uma competição bem organizada, a Conmebol e seu tribunal iriam adotar critérios transparentes de punição, com explicações plausíveis para o que foi decidido. Atualmente, não há nem publicidade das decisões da confederações justificando seus atos.

Torcedores nos questionam, com razão, por não cobrar a Conmebol. Sinceramente, o que mais gostaria era de ter um canal em que a Conmebol respondesse e explicasse suas decisões. Cansamos de cobrar como jornalistas e sermos ignorados. Na confederação sul-americano, o Brasil só paga a conta.

O mesmo vale para o caso da Chapecoense e a suposta escalação irregular de Luis Otávio. É possível que os dirigentes do time catarinense tenham falhado e não tenham visto comunicado da entidade. Mas, como mostrou o blog da Gabriel Moreira, sequer há certeza de que o aviso da Conmebol foi mandado pelos canais certos.

Não dá para uma competição que vale mais de US$ 100 milhões (e deveria valer bem mais) estar sujeita a esse tipo de amadorismo. Não há um site onde as decisões do tribunal são expostas de forma clara, nem um canal onde os clubes possam consultar a regularidade de seus atletas. Um estágio de atraso inferior até ao padrão da CBF e do STJD.

O que os cartolas da confederação brasileira deveriam exigir da Conmebol não é mais peso político dentro da Libertadores e, sim, uma competição justa e equilibrada, com critérios iguais para todos. Ou ficaremos eternamente assistindo a visitas inúteis de cartolas brasileiros à sede da entidade no Paraguai, sem que isso tenha nenhum efeito benéfico para seus clubes. Para depois exaltarmos com a baba na boca “Isso é Libertadores” enquanto tomamos pedras e socos na cara.


Diretoria do Fla quer descobrir razões por trás da queda na Libertadores
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Com Vinicius Castro

A cúpula do Flamengo busca descobrir as razões que levaram à eliminação do time ainda na fase de grupos da Libertadores, após derrota para o San Lorenzo. Não há intenção de caçar bruxas e o técnico Zé Ricardo será mantido. A questão é entender quais erros causaram o desempenho ruim no jogo final, decisivo para a queda.

A intenção dos dirigentes rubro-negros é que toda a avaliação seja feita sem divulgação pública. Isso explica porque o presidente Eduardo Bandeira de Mello tem evitado qualquer crítica ao time ou ao treinador diante dos microfones. A ideia é, ao descobrir os motivos para a queda, estabelecer medidas para corrigi-los sem alarde.

Entre os pontos de atenção, está o recuo excessivo do time nesta partida diante do San Lorenzo, principalmente no segundo tempo. O Flamengo praticamente abriu mão de atacar: teve apenas quatro finalizações no jogo todo, sendo nenhuma delas em chance clara – o gol de Rodinei foi de longe. Em comparação, houve 13 e 18 conclusões nos outros dois jogos fora na fase de grupo da Libertadores, diante da Universidad Católica e do Atlético-PR.

A falta de eficiência nas divididas foi outro problema. Pelos números da Conmebol, foram seis recuperações de bola rubro-negras contra nove do time argentino.

Outra questão apontada internamente pela cúpula rubro-negra foi uma arbitragem desfavorável. Na opinião dos dirigentes do Flamengo, o árbitro marcou mais faltas para o San Lorenzo, sem assinalar a favor do time carioca. Foram 23 contra o time rubro-negro e apenas cinco a favor. Ressalte-se aí, no entanto, que a equipe carioca se defendeu mais o que explica em parte a diferença.

Há ainda uma sensação de que nem todos os reforços contratados já renderam o esperado, embora alguns tenham resultado positivo. A avaliação é de que há jogadores que ainda podem engrenar no futuro durante o Brasileiro. A diretoria evita citar nomes.

Certo é que a derrota foi bastante sentida na diretoria rubro-negra e portanto o objetivo é encontrar as falhas para ter subsídios para realizar eventuais medidas corretivas no futebol.