Blog do Rodrigo Mattos

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Final épica não apaga erros da Conmebol que precisa de autocrítica
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A Libertadores-2018 foi marcada por vexames fora de campo e por uma decisão épica entre Boca e River, surpreendentemente em Madri. A Conmebol não pode se deslumbrar com o espetáculo de dramaticidade que foi o jogo e ignorar os erros crassos que cometeu durante a competição. É preciso autocrítica da entidade o que não vimos até agora.

O título do River Plate, embora justo dentro de campo, foi marcado por irregularidades cometidas pelo clube durante a campanha. O clube escalou um jogador irregular, Zucculini, o técnico Gallardo interferiu em semifinal embora suspenso e como episódio final houve as agressões a jogadores do Boca.

Pior, as punições ao River foram ridículas. Em relação à irregularidade de atleta, nada sofreu. O treinador tomou outra punição branda. Por fim, o clube teve dois jogos de portões fechados por agressões a rivais, isto é, quase impunidade. Não dá para admitir um parâmetro desse no tribunal de disciplina da entidade.

Em entrevista ao “El Pais”, o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, colocou culpa nas autoridades de segurança argentinas, na cultura de torcedores, etc. Não houve nenhuma autocrítica. Algo do tipo: “É, precisamos ser mais duros nas punições para evitar novos casos.” Lembremos que este mesmo tribunal da Conmebol deu um perdão ao Boca Juniors depois do episódio de os jogadores do River serem agredidos na Bombonera.

Em resumo, a Conmebol evoluiu em áreas como a comercialização da Libertadores com contratos melhores. Não dá, no entanto, para vender um produto mais caro e não produzir um produto melhor.

As imagens do jogo em Madri mostram um espetáculo que vale a pena ser assistido e pode empolgar o mundo. Agora o que acontece nos escritórios da Conmebol ainda é digno de torneios de várzea que não sabem nem inscrever um simples ficha de jogadores.

 


Uma final com o drama sul-americano na Europa premia o River
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O cenário era o Santiago Bernabéu, casa do time mais poderoso da Europa. Mas a cara da decisão era sul-americana: as duas torcidas cantavam muito mais do que fazem os espanhóis, havia a rivalidade histórica argentina maior do que as europeias e uma carga de dramaticidade típica do continente. Neste cenário, venceu o melhor time, o River Plate, com direito a um gol sem goleiro no final.

Lembremos antes todo o cenário que levou à final em Madri. As agressões de torcedores do River a jogadores do Boca Juniors impediram o jogo no Monumental de Nuñez em uma vergonha para o continente. Antes disso, o clube campeão protagonizou irregularidade com jogador que não podia estar em campo, Zucullini, e seu técnico Galhardo desrespeitou sua suspensão no jogo com o Grêmio.

Sim, isso mancha a conquista do River. Mas não nos tira a constatação de que venceu o melhor time do continente. Portanto, dentro de campo, o resultado refletiu quem tinha mais bola.

Não foi o que se viu, no entanto, no início do jogo. O River não conseguia impor seu jogo de posse de bola e triangulações, efetivo no primeiro jogo. Errava muitos passes.

Em compensação, o Boca era agressivo na marcação e na recuperação de bola, e veloz nos contra-ataques. Era melhor e podia ter aberto o placar já quando Nandez enfiou um passe longo, reto, em profundidade, para Benedetto. Com um corte seco, ele deixou só o zagueiro e tocou no canto.

Após o intervalo, o River Plate mudou. Sem Galhardo, suspenso, seu auxiliar colocou o colombiano Quintero em campo, enquanto do outro lado o Boca abria mão de Benedetto por Ábila. Foram movimentos decisivos para o resultado final.

Com o habilidoso meia em campo, no lugar do pouco produtivo Ponzio, o River passou a dominar as ações e encaixou o seu jogo. Foi uma tabela com participação de Quintero e Nacho Fernandez que resultou em conclusão de Pratto. O jogo era todo do River, o que se acentuou com a expulsão de Barrios.

A partir daí, já na prorrogação, era um bombardeio do River. Justo que o gol tenha saído pelos pés de Quintero, mais uma pintura. Após a tabela, ele enfiou a bola na gaveta para virar o jogo. Depois disso, restou o desespero ao Boca Juniors que até conseguiu meter uma bola na trave.

Mas, com seu goleiro Andrada jogando de atacante, sobrou a bola livre para Pity Martínez encerrar a Libertadores mais longa da história diante do gol vazio. Foi uma final que a organização da Conmebol não merecia, mas que o continente esperava que ocorresse quando os dois times chegaram à final.


Clubes brasileiros reclamam de pena da Conmebol ao River: ridícula e branda
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Clubes brasileiros que disputarão a Libertadores reclamaram da punição imposta pelo tribunal da Conmebol ao River Plate pelos incidentes da final da competição. O clube argentino foi sancionado com dois jogos de portões fechados e uma multa de US$ 400 mil. Dirigentes de times nacionais classificaram a pena como “branda”, “ridícula” e que faltou “atuação firme” da entidade.

Para recapitular, no segundo jogo da final, torcedores do River Plate arremessaram objetos no ônibus de jogadores do Boca Juniors que se feriram. Por isso, a partida no Monumental de Nuñez, estádio do River, foi suspensa e depois remarcada para Madri.

Na quinta-feira, o tribunal da Conmebol definiu a pena que foi levemente mais dura do que a sofrida pelo Flamengo pelas confusões no Maracanã na final da Sul-Americana. Na ocasião, o estádio foi invadido por torcedores e houve ameaças a torcedores argentinos, além de violência generalizada. Na avaliação dos cartolas brasileiros, o River merecia pena mais dura.

“Achei extremamente branda, extremamente branda. Espero que não precise acontecer uma tragédia como aconteceu em Bruxelas na Bélgica, como no jogo entre Juventus e Liverpool, para que a Conmebol e o futebol argentino tenham uma mudança mais contundente”, afirmou o presidente do Internacional, Marcelo Medeiros, em referência à final da Copa dos Campeões da Europa, em 1985.

Na ocasião, 39 torcedores morreram como resultado dos confrontos entre as torcidas. Os ingleses foram banidos de competições europeias por cinco anos já que a torcida do Liverpool foi a principal responsável pela tragédia.

Medeiros disse que, na reunião entre clubes brasileiros na CBF, chegou-se a discutir a questão de segurança na Libertadores, mas a pauta principal foi de cotas de Libertadores. O presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Jr, que já tinha pedido a exclusão do River de futuras Libertadores, usou só uma palavra para definir a pena: “Ridícula.”

Já o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, comparou a pena com a sofrida por seu clube. “Branda, se compararmos com a punição do Flamengo pelos acontecimentos da final da Sul-Americana do ano passado.”

Por fim, o vice-presidente do Atlético-MG, Lasaro Cunha, que é advogado esportivo, disse que até houve uma melhora recente da Conmebol em relação à transparência e regulamentos. Mas entende que o sistema disciplinar continua “bastante frágil” e que falta clareza nas regras. E lembrou que o River já tinha contado com a condescendência da Conmebol.

“No caso da Libertadores deste ano, no específico do River, ele teve um antecedente com o Grêmio, um antecedente gravíssimo, e recebeu em relação às faltas que cometeu, penas fracas, tímidas”, analisou em referência ao técnico do River Gallardo que deu instruções ao time na semifinal com o Grêmio mesmo suspenso pela Conmebol.

“E agora resultou em um problema muito mais grave (na final) que requereria uma atuação bem mais firme da instituição. Processo começou com falhas e resultou nessas consequências do capítulo final que tem demonstrado que não foi adequado. Tem que privilegiar menos as penas pecuniárias e privilegiar as penas pedagógicas, que tem efeito pedagógico”, disse ele, em referência a punições por portões fechados em vez de multas.

 


Globo fecha contrato da Libertadores e clubes querem fatia de mercado
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A Globo, enfim, acertou o contrato de transmissão da Libertadores-2019 na semana passada depois de negociação que durou cerca de seis meses. Outros veículos como Fox Sports, Sports e Facebook que têm direitos sobre jogos no Brasil também fecharam detalhes de seus acordos. Em paralelo, clubes brasileiros já fecharam plano para reivindicar mais dinheiro pela competição justamente baseados nos contratos polpudos gerados pelo mercado brasileiro.

A concorrência pelos direitos dos jogos da Libertadores para o Brasil foi iniciada em fevereiro e finalizada em maio de 2018: a Globo venceu para a TV Aberta, Fox Sports e SporTV para pacotes da TV Fechada, e o Facebook com jogos de quinta-feira. O processo foi tocado pela FC Diez Media, empresa criada pela Perform e pela IMG para negociar os direitos da competição que tinham adquirido da Conmebol.

A questão é que, depois disso, iniciou-se uma longa negociação sobre detalhes dos contratos. Até porque foram estabelecidas mudanças nas condições de transmissão: a Conmebol assumiu poder sobre a tabela, horários e a produção das imagens.

Pelo que o blog apurou, foi mantido o horário de 21h30 para jogos nas quartas-feiras, isto é, 15 minutos antes do atual, como previsto na concorrência. Não foi possível obter outros detalhes dos acordos que agora serão assinados.

Em paralelo, nesta semana, clubes brasileiros se reuniram com a CBF e fecharam que farão uma reivindicação à Conmebol de que parte do dinheiro da emissora seja distribuído por critério de mercado. O modelo é inspirado na Liga dos Campeões que separa 40% do total do dinheiro da TV para ser dividido de acordo com o que cada país gera de renda em direitos de transmissão.

O sistema funciona assim: determina-se a renda obtida com televisão de um país e esse percentual é dividido entre os clubes daquela nação. Times ingleses, por exemplo, levam mais do que os outros na Liga dos Campeões. Dentro da CBF, há o entendimento de que será difícil obter todo esse ganho para os clubes brasileiros, mas poderia se negociar pelo menos uma fatia para ser aprovada no Conselho da Conmebol.

A reunião que vai estabelecer as novas cotas para clubes da Libertadores deve ocorrer na véspera do sorteio da Libertadores, marcado para o dia 18 de dezembro, em Assunção.


Como a final da Libertadores foi parar fora da América do Sul em Madri
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A primeira decisão da Libertadores fora do continente sul-americano, de uma certa forma, vem sendo desenhada desde o final de 2016 quando a Conmebol contratou uma consultoria internacional para reformular a competição. Desde então, a entidade conduz a competição para se inspirar na Liga dos Campeões. Até que, por conta de um episódio de violência, a confederação vai levar de fato o jogo decisivo para uma sede de jogo final europeu: o Santiago Bernabéu, em Madri, no dia 9 de dezembro.

Ao assumir a Conmebol, após escândalo de corrupção na entidade, o novo presidente, Alejandro Dominguez, decidiu que teria de reformular a Libertadores. Contratou a mesma consultoria que atuava na Liga dos Campeões. Aumentou o número de times do Brasil, fez a competição se estender pela temporada inteira e promoveu concorrências para os contratos de direitos de televisão (o que quase triplicou o valor para 2019).

Em paralelo, havia o plano de reduzir os episódios de violência em estádios. Mas o tribunal disciplinar da Conmebol continuou a impor penas pequenas para incidentes com torcida. A única sanção mais dura foi na final da Sul-Americana, quando a torcida do Flamengo promoveu o caos no Maracanã e o clube foi punido com dois jogos de portões fechados.

Com a falta de punição e a cultura agressiva da torcida sul-americana, o segundo jogo da final de 2018 teve agressões da torcida do River Plate contra jogadores do Boca Juniors, repetindo episódio de violência de 2015 na Bombonera, de maneira de inversa. A diretoria da Conmebol, de início, queria manter a realização do jogo. Adiou, tentou forçar o Boca a jogar, mas capitulou e aceitou o adiamento.

Até segunda-feira, a ideia da Conmebol era manter o jogo no Monumental de Nuñez e permitir ao River atuar como mandante, dando igualdade em relação ao Boca. Mas o time de Carlos Tévez não topava voltar ao estádio, além de ter levado o caso para os tribunais.

Restava à confederação sul-americana achar outro lugar para realizar o jogo e aceitar que não havia condições de segurança em Buenos Aires. Aí, o aspecto comercial contou. Havia duas opções Miami, sede da Fox Sports que transmite a Libertadores, e Doha, sede da Qatar Airways que patrocina a competição. Assunção era o primo pobre na lista, uma alternativa se não houvesse vantagem financeira.

O jogo no Oriente Médio, no entanto, tinha problemas logísticos por ser complicado o deslocamento de um mínimo de torcedores argentinos. Então surgiram as candidaturas de duas cidades europeias, Paris e Madri, com o aval do presidente da Fifa, Gianni Infantino. A primeira era defendida pela Qatar Airways pela sua ligação com o Paris Saint-Germain, que é controlada por fundações do governo qatariano.

A segunda era opção da Conmebol pelo melhor acesso da América do Sul e pela colônia argentina. Além disso, houve um acerto com o presidente do Real Madri, Florentino Perez, e aval do governo espanhol para a questão da segurança. Desta forma, a final da Libertadores foi deslocada para o Santiago Bernabéu, exatamente na mesma cidade onde se decidirá a Liga dos Campeões no próximo ano.


Conmebol define final da Libertadores em Madri no dia 9
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Após longas negociações, a Conmebol decidiu que a final da Libertadores entre Boca Juniors e River Plate para Madri, no estádio do Santiago Bernabéu, em nove de dezembro. O jogo foi tirado da Argentina depois de os jogadores do Boca Juniors terem sido agredidos pelos torcedores rivais na chegada da segunda partida, no Monumental de Nuñez, no último sábado. Com a impossibilidade de realizar a partida no país, foram candidatas Doha, Assunção, Paris e finalmente Madri.

A informação foi dada primeiro pelo “La Nación” e confirmada pelo blog. A Conmebol pretende divulgar o local oficialmente ainda na quinta-feira.

Pesou na decisão da Conmebol em favor de Madri a maior quantidade de voos da América do Sul para a capital espanhola e a colônia argentina na cidade, além da ligação do país com a Espanha. Patrocinadora da Libertadores, a Qatar Airways, depois de tentar levar o jogo para sua sede em Doha, ainda fez um lobby para que a partida fosse em Paris. Mas a posição da confederação foi decisiva em favor da capital espanhola.

A Conmebol ainda tem uma garantia do Boca Juniors de que atuará na final, apesar do procedimento disciplinar em que pede os pontos da partida e o título da Libertadores. Assim, se encerra o risco de a final não ocorrer como temia a Conmebol. A decisão será anunciada provavelmente ainda nesta quinta-feira.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, foi consultado sobre o caso e deu seu aval para o jogo na Europa. Ele estará novamente na final depois de ter sido hostilizado no jogo que não ocorreu em Buenos Aires. Outro que apoio foi o presidente do Real Madrid, Florentino Perez.

A Qatar Airways deve bancar todos os custos da partida, segundo apurou o blog. Por isso, a empresa insistia na realização da partida em Paris com quem o governo qatariano tem ligações óbvias por ser o controlador do PSG. A empresa também é patrocinadora do Boca Juniors. No final, pesou a posição da Conmebol em favor de Madrid por conta das ligações entre Espanha e Argentina.


Vexame da Libertadores deve impactar candidatura argentina à Copa-2030
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O episódio de violência na final da Libertadores deve ter impacto na candidatura da Argentina, Uruguai e Paraguai a ser sede da Copa-2030. Essa é a avaliação de dirigentes da Conmebol que entendem que agora será preciso mudar a imagem do continente até a data da escolha. É provável que os países tenham concorrentes europeus.

Antes do segundo jogo da decisão, próximo do estádio Monumental, torcedores do River Plate quebraram vidros do ônibus do Boca Juniors com arremessos de objetos, o que causou ferimentos em jogadores. Por isso, Boca recusou-se a jogar e a final foi adiada. Foi remarcada para o dia 8 ou 9 de dezembro, e é possível que ocorra em Doha, longe do continente sul-americano.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, estava presente ao estádio Monumental de Nuñez para assistir à final entre Boca Juniors e River Plate. Ele também passou por momentos complicados ao andar de um estacionamento para dentro do estádio: torcedores próximos arremessaram objetos sobre dirigentes. Ao chegar ao seu hotel, ele estava furioso.

Não foi o único afetado. Dirigentes e patrocinadores, que estavam em um setor de convidados, viram torcedores invadirem seu local e foram hostilizados por estes. Diante de todos os fatos, o ministro da segurança da Argentina, Martin Ocampo, pediu demissão, reconhecendo falhas no sistema para proteger o time do Boca.

Dirigentes da confederação sul-americana admitem que isso vai abalar a candidatura do continente à Copa-2030, um deles classificou como “tiro na testa”. Isso porque a imagem de que a Argentina é capaz de organizar um evento como a Copa com segurança será questionada por cartolas do mundo. Imagens do episódios foram exibidas em televisões pelo mundo.

O único trunfo para sul-americanos é que a escolha da sede do Mundial ocorre, em geral, sete anos antes do Mundial. Ou seja, poderia ser em 2023 a não ser que a Fifa decida dar mais tempo ao país-sede para construir estádio. Assim, a Conmebol teria tempo para recuperar a imagem do país e do continente ao realizar partidas de grande relevo sem episódios de violência.

Nas Copas do Mundo recentes, a falha mais grave de segurança também foi na América do Sul. Houve uma invasão do Maracanã por torcedores chilenos, em jogo da edição de 2014. Não há casos de agressão a jogadores em Mundiais da era moderna.

A Conmebol lançou sua candidatura à Copa-2030 em outubro de 2017, com a presença de Infantino e presidentes dos três países em Buenos Aires. A ideia era uma celebração pelos 100 anos da competição que teve sua primeira edição no Uruguai em 1930. Ao mesmo tempo, a confederação vendia a imagem de uma nova gestão e até instalou uma casa que promovia a entidade no Mundial da Rússia-2018.

Está prevista uma forte concorrência de países europeus. O Reino Unido estuda o lançamento de uma candidatura, com Inglaterra e Escócia. Ao mesmo tempo, Portugal, Espanha e Marrocos articulam outra chapa. E a Europa central, berço do futebol, não recebe a Copa desde 2006 com a Alemanha, já que a última sede foi na Rússia que é do leste europeu.

Além disso, dirigentes sul-americanos reconhecem que a Fifa tem procurado lugares onde possa obter mais receitas, como se demonstrou pela escolha da candidatura dos EUA, México e Canadá na última eleição. Neste contexto, o pleito de Argentina, Uruguai e Paraguai se torna ainda mais complicado após um vexame no principal jogo de clubes do continente.

 

 


Decisões da Conmebol sobre final são guiadas por acordos de tv e patrocínio
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Quando houve agressões a jogadores do Boca Juniors a poucas horas da final da Libertadores, a diretoria da Conmebol sabia que a imagem de sua competição poderia ser manchada pelo episódio. Desde aquele momento, a entidade tem tomado decisões para lidar com a crise levando em conta de forma prioritária seus acordos comerciais com televisões e patrocinadores.

Por exemplo, com a decisão de tirar o segundo jogo de Buenos Aires, a Conmebol passou a analisar opções de cidades para realizar a partida. Entre as duas alternativas fortes, estão Doha, no Qatar, e Assunção, no Paraguai – Miami foi cogitada e depois descartada. Doha é favorita. Pois bem, o Qatar se explica pelo patrocínio fechado entre a Conmebol e a Qatar Airways.

A empresa do Oriente Médio fechou seu acordo comercial para apoiar as competições de clubes sul-americanas em outubro. Isso resultou de uma negociação política entre dirigentes da Conmebol e cartolas ligados à organização da Copa do Mundo, no âmbito da Fifa. Os dirigentes sul-americanos têm apoiado os qatarianos desde sua candidatura a ser sede da Fifa, sendo responsáveis por votos decisivos para sua eleição. Com a nova gestão de Alejandro Dominguez, isso não se modificou e a relação até se estreitou.

Em outra ponta, há as televisões. Primeiro, a Conmebol insistiu na realização do jogo no próprio sábado, adiando-o por algumas horas apesar da recusa do Boca de entrar em campo. Uma das suas preocupações era não afetar as emissoras que têm os direitos de transmissão. Por isso, desde então, a entidade tem rechaçado qualquer alternativa que não seja a realização de novo jogo em campo.

A Fox Sports, por sinal, tem sua sede nos EUA, com uma importante base em Miami. Por isso, a cidade era uma das cotadas para a realização da final da Libertadores. Assunção aparecia como opção para se nenhuma das ofertas comerciais desse resultado.

A atual gestão da Conmebol tem dado prioridade aos aspectos comerciais em suas decisões sobre a Libertadores desde que assumiu. Aumentou a participação de times brasileiros (maior mercado e que gera mais dinheiro), alongou a competição pelo ano inteiro para estender sua visibilidade e criou a final única para 2019 quando poderá comercializar um grande evento.

Deu certo sob o ponto de vista de aumento de receitas da competição. O grupo FC Media Diez, formado pela Perform e a IMG, adquiriu os direitos da Libertadores por US$ 350 milhões por ano em contrato válido de 2019 a 2022. É quase o triplo do valor anterior, mas só vai se manter e aumentar se as empresas conseguirem vender propriedades da competição, recuperando o investimento. Assim, a gestão da Conmebol tenta resolver a crise da final da Libertadores prestando bastante atenção em seus parceiros.

 


Caos na Libertadores incluiu hostilidade até a cúpula da Fifa
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O caos na final da Libertadores no Estádio Monumetal de Nuñez não causou impacto só em jogadores: cartolas e patrocinadores passaram por situações de aperto dentro e fora da arena. Até o presidente da Fifa, Gianni Infantino, atravessou uma área onde foram arremessados objetos por torcedores do River Plate. Esse incidentes aumentam o impacto do vexame da suspensão do jogo em quem decide investimentos na competição.

Se os jogadores do Boca Juniors foram agredidos com pedradas em seu ônibus, cartolas da cúpula do futebol chegavam em um estacionamento próximo do estádio. A partir daí, havia um caminho para entrar no estádio que passava como um corredor polonês de torcedores.

Neste momento, torcedores do River identificaram Claudio Tapia, presidente da AFA, que é considerado próximo do Boca. Começaram a hostiliza-lo com arremessos de objetos, como cervejas e garrafas, além de xingamentos. O presidente da Fifa Infantino estava com ele, assim como dirigentes da CBF. Ninguém saiu ferido. Dentro do estádio, Tapia teve que ficar em um canto para não ser visto.

Apesar deste incidente, Intanfino foi um dos que insistiram com o Boca Juniors para realizar a partida. Ele apoio a decisão da Conmebol. Só foi convencido de que o jogo não deveria acontecer com a posição de apoio do River ao rival. Além disso, o vice-secretário-geral da Fifa, o ex-jogador Boban, defendeu que, naquelas condições, era melhor não ter a final.

Em outro setor, de convidados como patrocinadores e dirigentes, o problema foi ainda maior. Torcedores do River achavam que havia rivais do Boca Juniors e chegaram a derrubar grades para invadir o setor, segundo relatos. A área estava superlotada. Um dos afetados foi um dirigente brasileiro que estava usando um blazer azul e por isso foi identificado como torcedor do Boca.

Relatados por mais de um presente, os casos mostram que o caos se estendeu para dentro do estádio como ocorreu na final da Sul-Americana no Maracanã, em jogo entre Flamengo e Independiente quando o estádio foi invadido por torcedores. Por esse episódio, o clube rubro-negro foi punido com dois jogos com portões fechados. Na ocasião, jogadores argentinos não foram agredidos como ocorreu no Monumental.

Mas, desta vez, causou impacto mundial. Ao chegar a seu hotel, Infantino estava furioso de acordo com relatos de presentes. Entrou correndo para mudar a data de seu voo que estava marcado para 11 horas com cara de poucos amigos.

Nesta terça-feira, a Conmebol realiza reunião com Boca Juniors e River Plate para decidir sobre a realização da segunda final. A intenção da confederação é realizar o jogo no Monumental, mas o Boca pode resistir a esse plano.


Intenção da Conmebol é remarcar final da Libertadores para Monumental
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A intenção da Conmebol é remarcar a final da Libertadores entre Boca Juniors e River Plate para o Estádio Monumental, provavelmente na outra semana. Essa posição deve ser a expressada na reunião da entidade com os clubes nesta terça-feira, restando saber se o Boca Juniors a aceitará. Enquanto isso, o processo disciplinar aberto pelo clube azul e amarelo pedindo os pontos e o título correria em paralelo e poderia mudar o resultado do jogo depois deste realizado.

No sábado, o ônibus do time de Carlos Tévez recebeu pedradas perto da chegada ao Monumental para a segunda final e jogadores como Pablo Perez foram atingidos. A Conmebol tentou forçar a realização da partida, enquanto o time do bairro da Boca se negava a jogar. O jogo acabou adiado para domingo e depois suspenso.

A posição do presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, é de que a segunda final tem que acontecer, segundo duas fontes da entidade. E, para preservar a igualdade de condições pedidas pelo Boca, a ideia é manter o Monumental de Nuñez com público, já que o Boca jogou diante da sua partida a final.

Na visão da confederação sul-americana, faltaria apenas definir a data que teria de ser na próxima semana para não coincidir com o G20, encontro de líderes mundiais que ocorre em Buenos Aires nesta semana. Não se pensou em outro local para o jogo.

Mas há uma barreira para esse plano: não se sabe se o Boca Juniors aceitará jogar no estádio do rival. O clube entrou com pedido de punição ao River na unidade disciplinar que poderia lhe dar o título. Segundo informação da Conmebol, o procedimento deve seguir o curso normal e não deve ter uma decisão antes da remarcação do jogo. Nesta segunda, Pablo Perez disse que não poderia jogar em um local onde, se der uma volta olímpica, podem mata-lo.

Um fonte ligada ao processo jurídico diz que não haveria problema na questão disciplinar correr em paralelo a um novo jogo. Eventualmente, se o Boca ganhasse sua ação e os pontos sobre o River, poderia ser anulado o resultado de campo. A intenção do time da Boca é usar o precedente da partida na Bombonera em que seus jogadores foram agredidos para ficar com o título.