Blog do Rodrigo Mattos

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Clubes e Turner negociam aumento de renda em meio à divergência contratual
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Em meio a discordâncias contratuais, alguns clubes (Bahia, Atlético-PR, Coritiba e Santos) e o Esporte Interativo negociam aumentos de valores além do acordo de TV Fechada para o Brasileiro-2019. Mas não falam a mesma língua. Dirigentes de times esperam um incremento no acordo original para compensar o fato de o Palmeiras ter recebido, na sua versão, luvas superiores aos demais. A Turner, que não aceita alterar o contrato, conversa sobre estender parcerias para melhorar rendas das agremiações.

Como pano de fundo, há uma ameaça desses clubes de levar o caso a um tribunal arbitral. Isso não significaria um rompimento, mas, sim, uma forma de dirimir dúvidas sobre o acordo. Um prazo até 10 de junho foi dado para tentar resolver a questão entre a emissora e os times.

O Esporte Interativo assinou com 16 clubes pelos direitos de transmissão de TV Fechada do Brasileiro, de 2019 a 2020. Entre os times, estão Palmeiras, Santos, Internacional, Bahia, Atlético-PR e Coritiba. Foi pago um valor de R$ 40 milhões para cada um deles como um sinal, em valor que era igual para todos.

A questão é que, recentemente, dirigentes de alguns desses clubes descobriram um contrato extra com o Palmeiras. Esse acordo é relacionado à exploração da base de dados de sócios-torcedores do clube e de amistoso internacionais, em um total de R$ 60 milhões. Na visão dos clubes, eram luvas disfarçadas.

A reivindicação dos clubes como Coritiba, Bahia, Santos e Atlético-PR é que o valor inicial, que funcionava como uma antecipação, não seja descontado do contrato. Assim, haveria um aumento do montante como compensação que seria de R$ 6,5 milhões por ano para cada clube.

O Esporte Interativo não vai revisar nenhum contrato, já que, na sua versão, estes são claros e estão sendo cumpridos pelas partes. Há, no entanto, um negociação com os clubes para novas parcerias para explorar outras propriedades. Entre elas, estão programas de sócios-torcedores, plataformas digitais, amistosos, o que poderia criar acordos extras como os do Palmeiras.

Assim, a emissora poderia fechar novos acordos com os clubes insatisfeitos desde que entenda que essas propriedades possam gerar mais dinheiro. O esforço é para alavancar as receitas dos clubes até porque é interesse da Turner que esses times com os quais têm contrato fiquem na Série A do Brasileiro, ou seus acordos não terão validade. Bahia e Atlético-PR estão lutando na parte de baixo da tabela. Mesma lógica vale para o Fortaleza, atualmente líder da Série B.

Essas divergências contratuais entre o Esporte Interativo e os clubes parceiros são mais um capítulo da novela do Brasileiro-2019. Há também uma discussão entre Atlético-PR, Bahia e Palmeiras com a Globo relacionada aos contratos de TV Aberta e pay-per-view. Nenhum deles fechou acordo com a emissora.


Brasileiro já tem série de times mistos com impacto na briga na frente
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O calendário com excesso de jogos já leva alguns clubes a usar times mistos ainda no início do Brasileiro. Isso causa impacto na briga com a liderança do Brasileiro. É um cenário similar ao do ano passado, mas que, desta vez, começou cedo.

Na rodada do final de semana, o Cruzeiro enfrentou o Atlético-MG no clássico com uma formação reserva, de olho na última rodada da primeira fase da Libertadores. Foi derrotado e viu o rival mineiro se apoderar da ponta.

Enquanto isso, Corinthians e Grêmio jogaram com times mistos em suas partidas também por conta de compromissos pela competição sul-americana. Tinham alguns titulares. Ambos apenas empataram diante de Sport e Paraná.

Foi a segunda vez que os gremistas não tiveram a formação principal em seis jogos e estão em 8o no Nacional. Corintianos também já tinham atuado sem a força principal diante do Ceará e perderam pontos naquele jogo.

Ao mesmo tempo, o Flamengo teve seus titulares no clássico contra o Vasco. Mas tinha poupado boa parte do time na derrota para a Chapecoense quando deixou adversários se aproximarem da ponta, perdida agora nesta 6a rodada. Segurou o time principal justamente pelo jogo decisivo diante do Emelec, embora tivesse atletas como Diego e Guerrero em campo.

O Palmeiras não chegou a escalar reservas no Nacional: rodou alguns jogadores na partida contra a Chapecoense. Líder, o Atlético-MG preferiu escalar reservas na Copa Sul-Americana, quando foi eliminado pelo San Lorenzo.

Todos esses movimentos dos clubes têm relação com um calendário bastante apertado feito pela CBF. Por conta de Estaduais de três a quatro meses, serão 12 rodadas do Brasileiro espremidas até Copa: haverá jogos até às vésperas do Mundial na Rússia. Em paralelo, ocorrem a primeira fase da Libertadores e as oitavas da Copa do Brasil que tornam o cronograma ainda mais embolado.


Com rotação, Facebook terá pacote da Libertadores incluindo brasileiros
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Na concorrência feita pela Conmebol, o Facebook adquiriu um pacote de direitos de transmissão da Libertadores-2019 que inclui todas as partidas da quinta-feira. Isso significa algo entre 20 e 30 jogos, entre compromissos de fase de grupo e alguns eliminatórios. Como haverá rotação de times na tabela, é certo que haverá jogos de times brasileiros que só passarão na plataforma digital, um fato inédito para campeonatos nacionais e internacionais no país.

A concorrência da Conmebol para o Brasil foi dividida em quatro pacotes, TV Aberta, TV Fechada A, TV Fechada B e todas as partidas de quinta-feira. A Globo levou a primeira propriedade, a Fox Sports, a segunda, e o Sportv, a terceira, como revelou o blog do Flávio Ricco. O Facebook ficou com essa quarta fatia.

No total, são 155 jogos da Libertadores-2019 a serem divididos pelos pacotes. A Globo tem direito a dois por rodada, incluindo a final da competição. Fora isso, todos os jogos são divididos entre os outros três pacotes.

O pacote número 1 de TV fechada tem em torno de 60 partidas, com a decisão da Libertadores. O pacote número 2 de TV Fechada tem em torno de 60 jogos, sem a final e com transmissão até a semifinal. No caso do Facebook, serão entre 20 e 30 partidas a que a plataforma terá direito com compromissos até as quartas-de-final.

A questão é que, pelas regras da concorrência, a Conmebol não dá mais às emissoras poder sobre a tabela. Agora, será a confederação sul-americana quem decidirá quais jogos serão em cada dia. E foi colocado nas regras que haveria uma rotação entre os grandes times.

Diante dessas regras, a Conmebol já dá como certo que clubes relevantes do continente com os brasileiros e argentinos terão jogos também nas quinta-feiras, ainda que em menor número do que nos outros pacotes. Ou seja, neste cenário, será a primeira vez que clubes nacionais terão jogos de seus times principais transmitidos exclusivamente no Facebook em competições nacionais ou internacionais.

Após longas conversas com a Conmebol, a plataforma de mídias sociais entrou forte na concorrência da Libertadores. Está disputando direitos de TV Aberta no pacote de outros países, fora o Brasil, e também apresentou interesse nos direitos internacionais para fora da América do Sul. Ainda não estão claros os resultados dessas concorrências, separadas da brasileira, mas é certo que o Facebook fez propostas relevantes.

Até recentemente, o Facebook negava que fosse investir na compra de direitos de competições. No Brasil, tinha apenas adquirido um campeonato brasileiro de aspirantes juntamente com o Esporte Interativo. Ainda não está claro como a plataforma digital vai explorar comercialmente as transmissões. Certo é que tem uma base de anunciantes considerável em seus negócios.


Sem times da Turner, todos os clubes podem ter queda de renda de TV
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Se os três clubes parceiros do Esporte Interativo (Atlético-PR, Bahia e Palmeiras) não assinarem com a Globo, todos os outros times podem ter perda de receita de televisão pelo Brasileiro em 2019. Explica-se: haverá impacto na venda do pacote do pay-per-view do Nacional e deixa de valer a garantia mínima da emissora de pagamento para os clubes.  Assim, a receita de TV destinada às outras 17 equipes pode cair no próximo ano.

Até agora, a Globo assinou com 17 times para TV Aberta e pay-per-view, mesmo alguns times que já tem contrato com o Esporte Interativo como Santos, Internacional e Coritiba. A questão é que esses aceitaram um acordo com fatores de redução por terem fechado parceria com a Turner. Atlético-PR, Bahia e Palmeiras não aceitam essa queda de valores.

O Esporte Interativo deu uma garantia a esses times de cobrir parte dos valores ganhos com a Globo na TV Aberta. Essa garantia foi prorrogada e os clubes podem estender a negociação até março de 2019.

A questão é esses três times bloqueiam praticamente 30% dos jogos da Série A para o pay-per-view e Aberta caso não assinem. Isso significa que o pacote a ser vendido pela Globo seria de 70% do atual. O assinante do ppv não necessariamente vai aceitar pagar o mesmo valor por um produto que não tem todos os jogos. Isso pode representar uma queda na arrecadação dos valores com o programa.

A Globo deu uma garantia mínima de R$ 750 milhões para os clubes caso as vendas não atinjam o valor esperado. Caso superem as expectativas, os times ficam com 38% do total do pay–per-view, sendo que o restante fica com a Globo. A questão é que, pelo contrato, se não houver adesão plena dos clubes, a garantia mínima não vale mais. A distribuição de receita será feita por fatia da torcida.

Para se ter ideia, clubes como Corinthians e Flamengo devem arrecadar mais de R$ 100 milhões em pay-per-view em 2019, o que representaria quase metade de suas receitas de televisão do Brasileiro. Proporcionalmente, outros clubes que têm forte presença no ppv como Atlético-MG e Cruzeiro também seriam afetados. A participação dos clubes nos ganhos do ppv é um outro questionamento feito pelo Atlético-PR em relação ao contrato: não concorda com a distribuição de receita que é feita por declaração de torcida.

Enquanto negocia com os clubes do Esporte Interativo, a Globo pensa em estratégias para evitar uma queda na receita do ppv no caso de um pacote incompleto. Entre outros pontos, há a possibilidade de se lançar novos produtos por internet para tentar maximizar receitas.

Outro ponto em que a Globo pode ser afetado é na venda de publicidade do seu pacote futebol para 2019. Isso costuma ser feito até o final do terceiro trimestre do ano anterior, mas a emissora agora não sabe o tamanho do que tem a oferecer. Mais um prejuízo lateral é no game Cartola FC, como revelou a “Folha de S. Paulo”. Bahia e Atlético-PR já avisaram que não aceitarão nomes de seus times incluídos no programa se não tiverem assinado contrato.


Venda de quase R$ 1 bi em jogadores ajuda clubes a conter dívidas
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A negociação de jogadores de um valor próximo de R$ 1 bilhão ajudou as contas dos clubes e manteve estável a dívidas total deles. É o que mostra um levantamento feito pela consultoria Sports Value nos balanços dos 20 times de maior arrecadação no país. Esse movimento não foi uniforme e metade dos times teve superávit e a outra metade, déficit.

Foram R$ 966 milhões em vendas de jogadores executadas pelos maiores times brasileiros. O líder no quesito foi o São Paulo, seguido de perto pelo Flamengo. No total, isso representou a segunda maior receita dos times, atrás apenas da televisão. O percentual é de 19% do total – o último ano em que houve proporção maior foi em 2013.

“Em 2015, o Profut ajudou as contas dos clubes. Em 2016, foram as luvas de televisão. Esse ano foram as vendas de jogador”, explicou Amir Somoggi, consultor da Sports Value.

Com a alta na receita de jogadores, a dívida total dos clubes teve um crescimento abaixo da inflação, na casa de 2%. Em 2016, o número era de R$ 6,63 bilhões. Agora, está em R$ 6,76 bilhões. O aumento de receita foi de 4%. Isso reduziu a relação entre receita anual e dívida para 1,3, o que mostra, teoricamente, contas mais saudáveis dos clubes.

Esse, no entanto, é um quadro geral. Do ponto de vista específico, o Flamengo teve uma redução brutal de sua dívida que caiu para R$ 335 milhões, queda de 27%. Do total de 20 clubes analisados, 11 tiveram redução da dívida ou crescimento no máximo no nível da inflação. Outros nove tiveram aumentos dos débitos líquidos acima da inflação.

Foram seis os clubes, Fluminense, Vasco, Palmeiras, Atlético-PR, Vitória e Sport que tiveram crescimento de débito acima de 10%. Veja no gráfico da Sports Value a evolução dos débitos de cada um. Botafogo e Internacional estão no topo da lista.

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Com renda alta, Palmeiras tem aumento de dívida de R$ 67 mi em 2017
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Apesar da alta receita, o Palmeiras teve um crescimento de R$ 67 milhões na sua dívida líquida em 2017, atingindo um total de R$ 462 milhões em 2017. Esse valor subirá mais no início de 2018 com a inclusão de novos débitos com a Crefisa por mudanças contratuais. A situação financeira ainda está equilibrada por causa da forte receita e superávit.

A gestão de Maurício Galiotte tem se caracterizado por um crescimento das rendas, ligadas a patrocínio e bilheteria. E tem reduzido o débito total com o ex-presidente Paulo Nobre. A questão é que outras dívidas relacionadas à Crefisa tiveram incrementos.

A receita palmeirense em 2017 foi de R$ 504 milhões, maior do Estado de São Paulo e abaixo apenas do Flamengo após a venda de Vinicius Jr. Com isso, a dívida palmeirense que tem uma relação de 0,9 em relação a um ano de receita, o que é um indicador de que há capacidade de pagar as pendências. Houve superávit de R$ 57 milhões no ano.

Um levantamento da consultoria BDO mostra que o débito palmeirense foi o que mais cresceu entre os times paulistas nos últimos cinco anos, embora a receita tenha crescido também em ritmo forte. E há de se ressaltar que esse realidade desconsidera o débito do estádio do Corinthians. Considerada a arena, a dívida corintiana cresceu mais e é maior.

O débito alviverde cresceu principalmente por conta dos itens antecipação de contratos de publicidade e valores a pagar por negociações de jogadores. Neste primeiro item, houve um aumento de R$ 18,1 milhões para R$ 103 milhões em adiamentos de patrocínios.

O departamento de comunicação do Palmeiras esclareceu que esse aumento nas antecipações deve-se ao registro de investimentos feitos pela Crefisa em jogadores, e o clube considera que era apenas um débito contábil. Funciona assim: a empresa comprava propriedades de marketing do clube para que fossem contratados jogadores.

As operações são registradas como antecipação de receita de forma diluída pelo tempo de contrato, explicou o clube.  Como aumentou o gasto com contratações, cresceram as antecipações e portanto o débito no balanço. Até o final de 2017, o Palmeiras não precisava devolver esses valores e por isso entedia que esse débito não pesava sobre o clube. A relação entre as partes se alterou neste ano.

Segundo o balanço, o efeito das mudanças contratuais entre Palmeiras e Crefisa só ocorreu no início de 2018. No final do documento, o clube conta que em janeiro houve a autuação da empresa pela Receita Federal por conta dos contratos com o clube relacionados a investimento em jogador.

“Por meio de aditivos contratuais celebrados, as partes passaram a reconhecer que os valores, tanto já recebidos quanto a receber, possuem características de empréstimos e, portanto, os saldos dessas obrigações deverão ser atualizados, bem como ser integralmente restituídos à Crefisa nas condições e prazos contidos nos correspondentes aditivos”, explicou o balanço alviverde ao tratar de “eventos subsequentes” a 2017.

Um balancete de janeiro de 2018 a que o blog teve acesso mostra que a dívida salta até R$ 540 milhões com os novos valores da pendências com a Crefisa. Só no item de empréstimo a longo prazo houve um crescimento de cerca de 100 milhões neste mês – é o item onde se contabiliza a nova relação com a Crefisa.

Essas alterações de contratos têm sido questionadas no COF (Conselho de Orientação Fiscal) que não quer aceita-las. Portanto, há ainda discussão sobre o tema, embora a diretoria já tenha assinado aditivos dos contratos.

A Crefisa torna-se ainda mais forte no clube com o aumento da receita de publicidade e patrocínio. O clube arrecadou R$ 131 milhões com publicidade e patrocínio em 2017, quase o mesmo valor obtido com televisão.

Se a empresa ganha força, reduziu-se o endividamento com o ex-presidente Paulo Nobre. Em 2016, o total devido ao ex-dirigente era de R$ 124,7 milhões, o que caiu para apenas R$ 44,4 milhões ao final de 2017. Isso porque Galiotte transformou a quitação dos débitos em uma prioridade e pretende encerra-los neste ano. Atualmente, os dois estão em campos opostos na política do clube.

Como conclusão, o Palmeiras tem a renda operacional mais forte do futebol brasileiro, excluídas vendas de jogadores. Mas seu endividamento que, antes era baixo, subiu bastante com o investimento no futebol, incluindo o valor gasto com dinheiro da Crefisa.


Clubes pedem aumento a Esporte Interativo por contrato extra do Palmeiras
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Os clubes que têm contrato com Esporte Interativo para o Brasileiro-2019 pedem uma revisão do acordo com um aumento do valor. Há uma insatisfação por conta de um contrato à parte do Palmeiras que dá mais dinheiro garantido ao clube alviverde. Ao mesmo tempo, alguns times questionam que as luvas não deveriam ser descontadas do total. A insatisfação de alguns clubes foi revelada pelo jornal paranaense “Gazeta do Povo”.

Em 2016, 16 clubes assinaram com o Esporte Interativo para o Nacional-2019. O acordo envolveria um total de R$ 550 milhões se fossem 20 times na Série A, e seria em torno de R$ 192 milhões com as sete equipes atuais. Entre os times na Série A, estão Atlético-PR, Bahia, Palmeiras, Santos, Internacional, Ceará e Paraná.

O Esporte Interativo pagou luvas de R$ 40 milhões para cada um dos principais clubes como Santos, Atlético-PR, Coritiba, Bahia, Internacional e Palmeiras. Pelo acordo, esse valor será descontado do total, como uma espécie de antecipação.

Agora, clubes reivindicam que não ocorra mais o desconto das luvas. Isso faria uma diferença de cerca de R$ 6,5 milhões por ano por clube em média, dependendo de medições de audiência e colocação no campeonato. Neste caso, os times receberiam em média R$ 27,5 milhões cada um, em vez de R$ 21 milhões cada.

Uma das alegações dos clubes para pedir a revisão é um contrato desconhecido com pagamento extra para o Palmeiras. Explica-se: todos os clubes assinaram que receberiam luvas iguais de R$ 40 milhões. E o time palmeirense tem um contrato, de luvas, de fato de R$ 40 milhões.

Só que, recentemente, os times descobriram um outro contrato do Palmeiras negociando outros direitos. O blog apurou que tratam de amistosos internacionais e base de dados de sócios. Esse acordo previa outros R$ 60 milhões extras para o Palmeiras.

A diretoria palmeirense, de fato, informou ao COF (Conselho de Orientação Fiscal) que o valor a ser recebido do Esporte Interativo seria de R$ 100 milhões. Não disse como estava divido por contratos e direitos. A todos os clubes, sempre foi informado que o Palmeiras ganharia R$ 40 milhões.

Assim, os outros times alegam que esse acordo extra é uma forma de remunerar por fora o Palmeiras, e assim descumpriria a norma que prevê que todos têm que ter luvas iguais. Argumentam com o Esporte Interativo que, como compensação, deveria se abrir mão da devolução das luvas.

Há ainda dirigentes de clubes que assumiram neste ano seus clubes e não estavam na assinatura do contrato. Esses também argumentam que o combinado de boca seria que as luvas eram um extra e não antecipações. Só que essa versão é contestada por pelo menos dois dirigentes que estavam quando o acordo foi firmado e dizem que o que está no papel foi o negociado.

O Esporte Interativo não fala sobre o assuntos contratuais por conta da confidencialidade.


Neymar pai omite da CBF comissão ganha com Lucas Lima do Palmeiras
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Com Danilo Lavieri

O agente Neymar da Silva Santos, pai do jogador Neymar Jr, omitiu da CBF boa parte ou até a totalidade dos seus ganhos com a comissão da contratação do jogador Lucas Lima pelo Palmeiras. É o que mostra o cruzamento de dados de relatório da confederação com o contrato da transação. Isso descumpre o regulamento da Fifa para agentes de jogador. O empresário nega qualquer irregularidade.

O blog mostrou que a maior parte dos empresários esconde da CBF os seus ganhos com comissões em transferências. Pelo regulamento de intermediários da confederação e da Fifa, é obrigatório para os agentes declarar valores obtidos com as transações. Os clubes só tem que informar o empresário que realizou a operação.

Pois bem, o relatório de intermediários da CBF mostra que o Palmeiras indicou que Neymar pai foi o agente responsável pela contratação de Lucas Lima. Consta da lista de cerca de 700 transferências divulgada pela confederação relacionada ao período de abril de 2017 a março de 2018.

Relatório da CBF mostra que Neymar pai foi indicado como agente da operação de Lucas Lima


Registro no BID do contrato de Lucas Lima dia 10 de janeiro


 

O UOL Esporte teve acesso ao contrato da operação que mostra que a comissão ganha por Neymar pai foi de R$ 4 milhões. A informação foi confirmada por fontes do Palmeiras.

O regulamento de intermediários da CBF prevê que os agentes têm até 30 dias a partir do registro do contrato para informar suas comissões. Mas, no relatório da confederação, consta apenas como R$ 1,2 milhão de valores declarados pagos pelo Palmeiras a empresários. Ou seja, um montante bem inferior ao recebido por Neymar pai.

Relatório da CBF mostra que só foi declarado por agentes R$ 1,2 milhão em comissões pagas pelo Palmeiras

Pelo relatório da CBF, não é possível descobrir o empresário ou empresários que fizeram a declaração do R$ 1,2 milhão. Porém, mesmo que tenha sido Neymar pai quem declarou este montante, ele ainda estaria omitindo R$ 2,8 milhões recebidos pelo Palmeiras na transação.

O diretor de departamento de registros da CBF, Reinaldo Buzzoni, disse que não tinha conhecimento da situação do caso de Neymar pai. Mas reafirmou que, se houve comissão e não houve declaração, ele será notificado pela confederação. Segundo Buzzoni, o valor integral da comissão tem que ser declarado no prazo previsto pelas regras.

Neste caso, Neymar pai tem que informar o dinheiro ganho ou pode enfrentar um processo na Câmara de Resolução de Disputas que trata das questões da transferência. Pode sofrer sanções que vão da advertência ao descredenciamento. Ressalte-se que não houve nenhum descumprimento de regras por parte do Palmeiras que só tem que informar o empresário que atuou. O clube só pode receber um notificação para revelar valores.

Questionada, a assessoria da empresa N&N, de Neymar pai, respondeu que não há nenhuma irregularidade nas declarações de valores sobre o contrato de Lucas Lima: “Todos os contratos respeitam as regras e normas da Confederação Brasileira de Futebol e foi o exatamente o que ocorreu nesta transação.” A empresa não respondeu, no entanto, se informou seus ganhos à CBF.

 


Agentes escondem ganhos com comissões da CBF e desrespeitam regra da Fifa
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Com Vinícius Castro

Empresários de jogadores não estão informando seus ganhos com comissões em transferências e contratos de jogadores, descumprindo o regulamento de intermediários da CBF. É possível constatar a omissão com um cruzamento de dados do relatório da CBF para agentes, além de documentos financeiros de clubes. A confederação admite o problema e vai notificar agentes para regularizar a situação. Na lista oficial, quem paga mais é o Corinthians.

No fim de março, em cumprimento à regra da Fifa, a CBF publicou o relatório de intermediários de 2018, que inclui o prazo entre abril de 2017 e março deste ano. O documento tem a relação de cada empresário que participou das 732 transações do período.

Na lista dos clubes aparece um total de R$ 35,333 milhões pagos em comissões. Neste cenário, seriam R$ 48 mil de pagamento aos empresários por cada transação, um número bem abaixo do valor no mercado.

“Sempre falo isso [que a maioria dos empresários não informa seus ganhos]. De 300 ou 400 transações, 50 ou 100 declaram os valores. Por que não declaram?”, questiona o diretor do departamento de registros da CBF, Reinaldo Buzzoni. “Clubes não estão descumprindo nada porque só têm de dizer que há o intermediário.”

Os balanços comprovam a afirmação, já que os clubes declararam o quanto pagaram aos agentes. O Flamengo, por exemplo, relatou em seu balanço pagamento de R$ 17,7 milhões em comissões em 2017. Na lista da CBF, que deveria ser preenchida pelos empresários, não aparece nenhum valor pago pelo clube. No caso do Palmeiras, o clube fez 33 transferências registradas com participação de agentes. No entanto, os intermediários só informaram ter recebido R$ 1,2 milhão do clube alviverde.

Quem pagou o maior número de comissões declaradas foi o Corinthians, com um total de R$ 12,9 milhões pagos aos agentes – o clube alvinegro é responsável por mais de um terço do total declarado. O blog apurou que isso tem relação com a Elenko, do empresário Fernando Garcia, estar informando suas comissões depois de várias notificações. A empresa tem número considerável de operações do clube.

A CBF está cruzando dados do registro de comissões com balanços financeiros dos clubes que foram repassados pelas agremiações. Notícias de imprensa também serão utilizadas nesse processo. A partir daí, a confederação vai notificar o empresário para informar os valores e perguntar se ele recebeu. Caso o empresário esconda os dados, enfrentará processo na Câmara de Resolução de Disputas da CBF, que decide questões sobre transferências.

“Já existem vários processos relacionados a isso. Está evoluindo. Em 2015 ninguém declarava, em 2016, aumentou, em 2017, também”, contou Buzzoni. “Vamos cruzar as informações. Se o clube diz que participou, ele não recebeu nada? Trabalhou de graça?”

O regulamento dos intermediários da CBF prevê que os empresários têm até 30 dias para notificar o valor que receberam de comissões a partir do registro da transação. Ele tem de preencher um formulário nesse sentido. Posteriormente, se a confederação tiver dúvida, também pode perguntar para os clubes o valor que pagaram para cruzar os dados. Um processo na CNRD (Câmara de Disputas) pode até levar ao descredenciamento do agente.

A atividade financeira de empresários de futebol já está na mira da Receita Federal, que também prepara uma legislação específica para regulá-los. A intenção é justamente coibir sonegação. Veja abaixo quem pagou mais comissões declaradas:

Corinthians – R$ 12,9 milhões

São Paulo – R$ 4,5 milhões

Santos – R$ 4 milhões

Internacional – R$ 3,7 milhões

Palmeiras – R$ 1,2 milhão

Cruzeiro – R$ 1,2 milhão


FPF fará concorrência para árbitro de vídeo e discutirá custo com clubes
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Pressionada pelo Palmeiras, a FPF (Federação Paulista de Futebol) pretende fazer uma concorrência para um árbitro de vídeo e depois levará os custos para discutir com os clubes que decidirão pela implementação da ideia no Paulista. A ideia é realizar uma reunião com todos os times bem antes do arbitral para ter tempo para eventual treinamento dos juízes.

Após a final do Paulista, a diretoria do Palmeiras protestou de forma veemente contra a FPF por conta do recuo da marcação de um pênalti para o time no jogo contra o Corinthians. No dia seguinte, o clube alviverde soltou nota cobrando árbitro de vídeo no Paulista ou seguirá rompido com a entidade.

Em nota, a federação prometeu que submeterá aos clubes a decisão sobre o uso do árbitro de vídeo para o Paulista-2019. A ideia é abrir uma concorrência e juntar pelo menos três empresas com orçamentos para implantar o mecanismo. Pelas regras internas da FPF, esse é o mínimo de concorrentes para uma contratação.

Com os valores da mão, a federação vai marcar uma reunião para apresentar os custos para os clubes. Nesse encontro, será votado se haverá a implantação do mecanismo e quem pagará por isso.

Em relação ao Brasileiro-2018, a CBF levantou os custos do árbitro de vídeo e informou aos clubes que eles teriam de pagar. Não houve concorrência aberta no caso da confederação. O preço foi bem superior ao estimado pela Fifa, por federações estaduais e até em relação à produção de televisões. No arbitral da Série A, os clubes reprovaram o árbitro de vídeo que não será usado neste ano.