Blog do Rodrigo Mattos

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Rei da TV Aberta em 18, Palmeiras ganharia maior cota por exibição na Globo
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O Brasileiro-2019 terá uma nova divisão de cotas de televisão e uma parte do bolo será dividida de acordo com o número de exibições em TV Aberta e TV Fechada. Pelos números de jogos na Globo durante o Nacional-2018, o Palmeiras seria o clube que teria direito a maior fatia pois se tornou o time mais exibido na emissora. A agremiação alviverde ainda negocia um contrato com a Globo para o próximo ano, e por enquanto só vendeu seus direitos da TV Fechada para a Turner.

Do bolo da Globo de R$ 1,1 bilhão destinados à TV Aberta e à Fechada, há previsão de distribuir 40% de forma igualitária, 30% por posição e 30% por exibição em cada plataforma. No caso da TV Aberta, serão R$ 180 milhões destinados à divisão por meio de exposição na Globo.

A divisão se dá da seguinte forma: somam-se todas as aparições dos times na TV Aberta independentemente se apenas para alguns Estados ou para o Brasil inteiro. A partir daí, do total, estabelece-se qual percentual cada um dos clubes tem direito. Quanto mais aparecer na TV Aberta, mais ganha. A mesma regra vale para a fatia da TV Fechada.

Até 2017 Corinthians e Flamengo eram os que mais apareciam na TV Aberta. Mas, nesta temporada, houve dois fatores que mudaram isso. Primeiro, a emissora alterou sua estratégia e colocou mais jogos dos dois times no pay-per-view para aumentar o número de assinantes. Além disso, o Palmeiras fez a melhor campanha do Nacional, tornando-se campeão. Por isso, atraiu mais atenção.

O time alviverde acabou o campeonato com 17 partidas exibidas na Globo, quase metade de seus jogos. Foi seguido pelo Cruzeiro. Depois, vieram juntos vários clubes, Flamengo, São Paulo, Corinthians, Fluminense e Vitória com 13 jogos. O Palmeiras também teria a melhor premiação por posição, ficando com a maior cota desses contratos.

Ressalte-se que um estudo indica que Flamengo e Corinthians devem ganhar mais dinheiro com os novos contratos de televisão por conta da divisão do bolo do PPV.

O clube alviverde está em uma longa negociação com a Globo para contratos de TV Aberta e PPV. Isso porque a emissora quer estabelecer um desconto no contrato palmeirense por conta de ter assinado com a Turner, enquanto o clube não aceita. Mas ainda há tempo para fechar e as negociações avançam. Campeão e com mais exibições na TV Aberta, a agremiação reforça seu pleito de ser valorizada.

O blog não levantou a divisão da TV Fechada porque pelo menos sete clubes têm contrato com a Turner e portanto as condições seriam diferentes. Nas transmissões fechadas, o SporTV terá de usar jogos apenas dos 13 clubes com os quais têm direito. Veja abaixo quantos jogos exibidos e qual o valor estimado cada um dos clubes ganharia em 2019 só na fatia referente à exibição em TV Aberta:

Palmeiras* – 17 jogos – R$ 15,480 milhões

Cruzeiro – 16 jogos – R$ 14,500 milhões

Flamengo, Corinthians, São Paulo, Atlético-MG, Fluminense e Vitória – 13 jogos – R$ 11,9 milhões

Grêmio e Internacional – 12 jogos – R$ 11 milhões

Botafogo, Vasco e Sport – 10 jogos – R$ 9,1 milhões

Bahia* e Atlético-PR* – 6 jogos – R$ 5,5 milhões

Santos e Paraná – 5 jogos – R$ 4,6 milhões

América-MG e Ceará – 4 jogos – R$ 3,7 milhões

Chapecoense – 2 jogos – R$ 1,8 milhão

*Ainda não têm contrato com a Globo para TV Aberta e pay-per-view

 

 


Clubes brasileiros reclamam de pena da Conmebol ao River: ridícula e branda
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Clubes brasileiros que disputarão a Libertadores reclamaram da punição imposta pelo tribunal da Conmebol ao River Plate pelos incidentes da final da competição. O clube argentino foi sancionado com dois jogos de portões fechados e uma multa de US$ 400 mil. Dirigentes de times nacionais classificaram a pena como “branda”, “ridícula” e que faltou “atuação firme” da entidade.

Para recapitular, no segundo jogo da final, torcedores do River Plate arremessaram objetos no ônibus de jogadores do Boca Juniors que se feriram. Por isso, a partida no Monumental de Nuñez, estádio do River, foi suspensa e depois remarcada para Madri.

Na quinta-feira, o tribunal da Conmebol definiu a pena que foi levemente mais dura do que a sofrida pelo Flamengo pelas confusões no Maracanã na final da Sul-Americana. Na ocasião, o estádio foi invadido por torcedores e houve ameaças a torcedores argentinos, além de violência generalizada. Na avaliação dos cartolas brasileiros, o River merecia pena mais dura.

“Achei extremamente branda, extremamente branda. Espero que não precise acontecer uma tragédia como aconteceu em Bruxelas na Bélgica, como no jogo entre Juventus e Liverpool, para que a Conmebol e o futebol argentino tenham uma mudança mais contundente”, afirmou o presidente do Internacional, Marcelo Medeiros, em referência à final da Copa dos Campeões da Europa, em 1985.

Na ocasião, 39 torcedores morreram como resultado dos confrontos entre as torcidas. Os ingleses foram banidos de competições europeias por cinco anos já que a torcida do Liverpool foi a principal responsável pela tragédia.

Medeiros disse que, na reunião entre clubes brasileiros na CBF, chegou-se a discutir a questão de segurança na Libertadores, mas a pauta principal foi de cotas de Libertadores. O presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Jr, que já tinha pedido a exclusão do River de futuras Libertadores, usou só uma palavra para definir a pena: “Ridícula.”

Já o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, comparou a pena com a sofrida por seu clube. “Branda, se compararmos com a punição do Flamengo pelos acontecimentos da final da Sul-Americana do ano passado.”

Por fim, o vice-presidente do Atlético-MG, Lasaro Cunha, que é advogado esportivo, disse que até houve uma melhora recente da Conmebol em relação à transparência e regulamentos. Mas entende que o sistema disciplinar continua “bastante frágil” e que falta clareza nas regras. E lembrou que o River já tinha contado com a condescendência da Conmebol.

“No caso da Libertadores deste ano, no específico do River, ele teve um antecedente com o Grêmio, um antecedente gravíssimo, e recebeu em relação às faltas que cometeu, penas fracas, tímidas”, analisou em referência ao técnico do River Gallardo que deu instruções ao time na semifinal com o Grêmio mesmo suspenso pela Conmebol.

“E agora resultou em um problema muito mais grave (na final) que requereria uma atuação bem mais firme da instituição. Processo começou com falhas e resultou nessas consequências do capítulo final que tem demonstrado que não foi adequado. Tem que privilegiar menos as penas pecuniárias e privilegiar as penas pedagógicas, que tem efeito pedagógico”, disse ele, em referência a punições por portões fechados em vez de multas.

 


Bolsonaro já foi capitão, mas não do Palmeiras
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Eduardo Carmim/Photo Premium/Folhapress

Palmeirense, o presidente eleito Jair Bolsonaro foi ao Allianz Parque para assistir ao último jogo de seu time no Brasileiro, diante do Vitória, a convite da diretoria do clube. Ao final da partida, a CBF o convidou para a cerimônia de premiação e ele desceu para entregar a taça com a camisa do time. Acabou levantando o troféu, posando para fotos e festejando com os jogadores.

Organizadora do Brasileiro, a CBF escolheu uma foto para ilustrar a premiação do título palmeirense em seu site: Felipe Melo, Felipão e Jair Bolsonaro seguram o troféu de campeão ao centro, cercados por outros jogadores e membros da comissão do clube. Em outras imagens, o presidente eleito aparece erguendo a taça só, com atletas em volta.

Não é incomum que presidentes da República frequentem estádios de futebol. Boa parte deles gosta do esporte e a aproximação com times atrai popularidade. O próprio Bolsonaro já foi a partidas com camisas de outros times, a maioria deles carioca.

Há uma diferença, no entanto, entre estar em um camarote a convite do clube e ir para o gramado entregar taças e participar da festa. Bolsonaro não fez gol, nem defesas, não armou sistemas táticos ou preparou atletas fisicamente, enfim, não participou da campanha vitoriosa palmeirense.

Imagine uma cena: o presidente eleito vai tomar posse e o Felipe Melo pega a faixa presidencial e sai festejando na rampa do palácio. Ou um medalhista olímpico vai subir ao pódio e o chefe de estado do seu país vai junto para tirar uma selfie. A cada um que seja dado o título que lhe foi merecido.

Não por acaso há um liturgia na Copa do Mundo que para tocar a taça é preciso ganha-la. Chefes de Estado, o que será o caso de Bolsonaro a partir de janeiro, podem encostar no troféu apenas o tempo suficiente para repassa-los aos jogadores campeões. Não há na Copa casos de presidentes que tenham saído pulando com o troféu em meio a jogadores.

Houve, sim, um chefe de Estado que misturava futebol e seu time com seu cargo político. Era o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Recebeu o Corinthians no Palácio do Planalto, ganhou uma faixa e taça de campeão. Mais tarde, fazia visitas para ver a construção da Arena Corinthians. Depois, soube-se por delações da Odebrecht que Lula tinha influenciado a empreiteira para participar do projeto do estádio.

Lula, que pregava a fiscalização de cartolas antes de ser presidente, tornou-se aliado do ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira quando os dois organizaram um jogo beneficente da seleção no Haiti. Em todo o governo de Lula, não houve uma investigação séria da confederação feita pela Polícia Federal ou com apoio do governo.

Se a boa relação contou, não se sabe. Fato é que todas as tentativas do Ministério Público Federal de investigar o cartola foram para gaveta. Também não houve apuração no Congresso sobre a CBF no período Lula. Quando o Departamento de Estado dos EUA indiciou três ex-presidentes da confederação, o então ministro da Justiça José Eduardo Cardozo se revelou surpreso. No governo anterior, de Fernando Henrique Cardoso, Teixeira quase caiu com uma CPI do Senado.

Para a CBF, é sempre interessante se aproximar de presidentes eleitos. Seus últimos três presidentes foram afastados por corrupção, um deles está preso. Ao lado de Bolsonaro no palco de festa, estava o futuro presidente da CBF, Rogério Caboclo, cuja eleição é questionada na Justiça por uma manobra para tirar poder dos clubes. A discussão na Justiça é se a mudança no estatuto desrespeitou a lei.

Bolsonaro nada disse em seu programa de governo sobre o esporte. Foi eleito com um discurso de erradicar a corrupção no país. Qual será a sua visão sobre a CBF e a forma como gere o futebol brasileiro? Será que, ao aceitar esse convite, o presidente eleito sinaliza que pretende se aproximar da entidade?

É cedo para responder essas perguntas. A única certeza que fica deste domingo é que, na regra não escrita do futebol, só deveria levantar a taça quem se esforçou para ganha-la. Bolsonaro já foi capitão, mas não do Palmeiras.


Felipão é 1o técnico campeão em nove anos que assumiu no meio do Brasileiro
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Na maior parte de suas edições, o Brasileiro de pontos corridos costuma premiar os clubes mais estáveis que mantêm seus treinadores durante todo o campeonato. Foi assim nos últimos oito anos. Luiz Felipe Scolari quebra esse paradigma ao ser campeão após assumir o Palmeiras durante o campeonato.

A última vez que isso ocorreu foi com o Flamengo em 2009. Naquele Nacional, o clube carioca demitiu Cuca e contratou Andrade que assumiu na 14a rodada. O time rubro-negro, que chegou a ficar perto da zona de rebaixamento, se recuperou do início ruim e arrancou no final para o título.

Felipão chegou ao Palmeiras ainda depois do que o então técnico rubro-negro em relação a estágio do campeonato. A diretoria alviverde demitiu o técnico Roger que tinha iniciado a temporada após derrota para o Fluminense. Assim, Scolari estreou diante do América-MG, na 17a rodada, com um empate.

Desde então, ele manteve o time invicto por 21 rodadas até a vitória decisiva sobre o Vasco em São Januário – no total, 22 jogos sem perder contando o anterior a ele. Desta forma, levou um time que estava na 6a posição quando chegou ao título com uma rodada de antecipação por ter cinco pontos a mais do que o vice-líder Flamengo. Naquela distante 16a rodada, antes de Felipão, o time rubro-negro era o líder com oito pontos a mais do que o alviverde.

Durante seu trabalho, Felipão deu padrão à defesa palmeirense que antes era falha, e se tornou a menos vazada do campeonato, protegida por Felipe Melo e Bruno Henrique. O ataque também se tornou o mais eficiente com o crescimento de jogadores como Dudu e Deyverson.

Campanhas de recuperação como esta não são a tônica do Nacional. Em boa parte das edições, o time campeão do primeiro turno acaba levando o campeonato. E o técnico campeão, em geral, é o mesmo que iniciou no banco do time que fica com a taça.

Foi assim com Muricy Ramalho que assumiu o Fluminense pouco antes do Brasileiro-2010. Dois anos depois, Abel Braga também estava no tricolor antes do campeonato para preparar a campanha do título. No caso corintiano, os três títulos, dois com Tite e um com Fábio Carille, foram obtidos por treinadores que estavam desde o início do ano no banco alvinegro.

No bicampeonato do Cruzeiro, Marcelo Oliveira foi o técnico nas duas ocasiões, iniciando a temporada. Também no Palmeiras de 2016,  Cuca chegou ao time antes do Nacional. O título de Felipão é, portanto, uma exceção à regra.


Brasileiro tem G4 restrito a clubes mais ricos nos últimos cinco anos
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A duas rodadas do final, o Brasileiro-2018 tem um G4 (vaga direta na Libertadores) desenhado com Palmeiras e Flamengo garantidos, com Internacional, Grêmio e São Paulo disputando outras duas vagas. São times que estão entre aqueles com as dez maiores receitas do Nacional, sendo os dois primeiros os mais ricos. É uma tônica do Nacional nos últimos cinco anos onde azarões foram praticamente excluídos da elite, e principalmente da disputa pelo título.

Um levantamento do blog mostra que, desde de 2014, todos os times que acabaram no G4 estavam entre as oito maiores receitas daquele ano. Na atual temporada, o cenário deve se repetir, embora as receitas ainda não tenham sido fechadas. Palmeiras e Flamengo ocupam as primeiras posições neste ranking, o que deve se repetir. São Paulo costuma obter a terceira ou quarta maior renda, e Grêmio e Inter variam entre a 4ª posição e a 10ª posição desta lista.

Em relação aos títulos, nesses cinco anos, o campeão sempre foi um dos dos cinco primeiros em receita a partir do título do Cruzeiro de 2014. O Corinthians ganhou três Nacionais nos últimos dez anos, justamente o período quando teve uma explosão de receitas. Quando o dinheiro corintiano acabou, o Palmeiras assumiu seu posto no domínio, enquanto o Flamengo ainda luta para transformar receita em taça.

Embora o dinheiro sempre tenha tido peso no Nacional, especialmente nos pontos corridos, o topo da tabela nunca foi tão concentrado entre times de elite. Em 2013, Atlético-PR, 13ª receita, e Botafogo, 9ª renda do ano, estavam no G4. Houve ainda o caso do Fluminense, de receita mais modesta, que ocupou espaço constante na elite, de 2010 a 2012, mas contava com ajuda por fora da Unimed, não contabilizada em seu balanço. Mas Atlético-PR e Goiás foram outros que já ocuparam espaço no G4 nos pontos corridos.

“A partir dos novos contratos de televisão, em 2012, começa a haver uma diferenciação. Em 2013 e 2014, os clubes passam a se estruturar nesta realidade”, analisou o consultor financeiro César Grafietti, que faz estudos sobre finanças de clubes. Ele refere-se ao rompimento do Clube dos 13 quando os clubes passaram a assinar contratos individuais de televisão do Brasileiro, o que gerou ganhos extras para Corinthians e Flamengo.

Um levantamento de Grafietti sobre resultados aponta no mesmo sentido: domínio dos times mais ricos nos primeiros lugares. Segundo ele, os três com receitas maiores sempre estiveram nas sete primeiras posições nos últimos cinco anos. “Antes, as receitas eram mais próximas. Em um ano, podia-se montar um time bom”, explicou. “Agora dificilmente vai ter uma Chapecoense. Pode ter ali no topo um Cruzeiro, Atlético-MG, Inter”.

E o cenário tende a se aprofundar. Estudo do próprio Grafietti com a Ernest & Young mostra que a nova divisão de receitas de televisão deve dar maior vantagem do Flamengo e Corinthians graças ao pay-per-view. Sem contrato com a Globo, o Palmeiras recebeu luvas de R$ 100 milhões da Turner, conta com a Crefisa e seu rentável estádio. Times do grupo do meio devem sofrer perdas em relação aos que mais ganham.

Grafietti contou que, na Europa, a concentração de poder em poucos clubes começou com a Lei Bosman. Em paralelo, teve a formação da Liga dos Campeões no atual formato o que aumentou a exposição e receitas de alguns clubes. Atualmente, foram formados superclubes dentro das ligas domésticas como Real Madrid, Barcelona, Juventus, Bayern de Munique, contra quem as outras equipes têm dificuldade para competir em igualdade pela diferença financeira.

 


Brasileiro repete rotina com Palmeiras com líder folgado no final
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Finalizada a 35ª rodada, o Palmeiras manteve a diferença de cinco pontos na liderança do Brasileiro para o segundo colocado apesar do tropeço diante do Paraná. O Internacional perdeu do Botafogo e cedeu o segundo lugar ao Flamengo que bateu o Sport. Repete-se assim uma rotina dos últimos seis Nacionais: o ponteiro sempre chega com folga de mais de três pontos neste ponto do campeonato. E nunca houve virada nesta circunstância.

O último Brasileiro com disputa até o final foi o de 2011 em que Vasco e Corinthians chegaram com apenas dois pontos de diferença ao jogo derradeiro. Quando faltavam três jogos, essa vantagem corintiana era igual e se manteve até a conclusão com título do alvinegro paulista.

Desde então, os líderes do Brasileiro têm aberto distância mais cedo e nunca precisaram do último jogo para decidir. Para se ter ideia, faltando três rodadas, a menor diferença nesses últimos seis anos foi do próprio Palmeiras em 2016. O time tinha quatro pontos de vantagem sobre o vice-líder Santos.

Aliás, uma coincidência: Flamengo e Palmeiras chegaram a este estágio com exatamente a mesma pontuação atual. Os alviverdes tinham 71 pontos, e os rubro-negros, 66. A diferença é que havia os santistas entre eles – acabaram como vice-campeões.

De resto, o Brasileiro, equilibrado durante sua disputa, já costuma chegar a este estágio com o título decidido, ou quase. No ano passado, o Corinthians garantiu o campeonato justamente na 35ª rodada ao abrir 10 pontos para o Grêmio e se tornar inalcançável.

Dois anos antes, o Corinthians de Tite também já era campeão neste estágio pois tinha 12 pontos sobre o Atlético-MG. Em 2014, o Cruzeiro tinha sete pontos de vantagem sobre o São Paulo quando faltavam três jogos: foi campeão na rodada seguinte. E o mesmo time celeste já era campeão a três jogos do final.

Antes, em 2012, o Fluminense foi campeão em jogo contra o Palmeiras justamente na 35ª rodada, ao abrir 10 pontos sobre o rival Atlético-MG.

Em resumo, o histórico recente do Brasileiro não é de um equilíbrio e disputa até o final. É o que se ensaia também em 2018 ainda mais se considerarmos que, além da vantagem, o Palmeiras tem um tabela bem mais fácil diante do América-MG, Vasco e Vitória, times da parte debaixo da tabela. Enquanto isso, o Flamengo enfrenta Grêmio, Cruzeiro e Atlético-PR. Será portanto uma enorme surpresa se houver uma reviravolta e se fugirá da rotina dos últimos anos.


Negociação entre Globo e Turner trava após oferta por fatia do Brasileiro
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A Globo aposta em comprar a fatia dos direitos do Brasileiro que pertencem à Turner, seja diretamente seja por meio dos clubes se houver um rompimento. Mas essa possibilidade, no momento, está parada e não deve acontecer pelo menos na edição do Nacional de 2019. A negociação entre as emissoras travou e qualquer ação dos times vai demorar a fazer efeito mesmo se bem-sucedida.

A Turner terá contrato de direitos com seis ou sete clubes para o Nacional-2019, Palmeiras, Internacional, Santos, Atlético-PR, Fortaleza, Bahia e Ceará, sendo que os dois últimos ainda lutam para ficar na Série A. Mas, desde o final do canal Esporte Interativo, surgiu uma incerteza em relação à continuidade do projeto, embora a empresa reafirme que dará seguimento a ele.

Neste contexto, há conversas em curso com a Globo. A emissora carioca chegou a sondar com a Turner a possibilidade de comprar todos os direitos do Brasileiro pertencentes à empresa norte-americana.

A ideia seria assumir todos os custos e, em troca, ceder um pacote de jogos da Copa do Brasil. A oferta, não formalizada, foi rechaçada. Isso tornou mais frias as conversas entre as partes que avançavam para tentar um acordo de divisão de jogos.

Em paralelo, a Globo observa a movimentação dos clubes em disputa com a Turner. Foi formado um grupo com Bahia, Internacional, Santos e Coritiba, com a possível participação do Ceará. Em reunião, decidiram pressionar a Turner por, entre outros motivos, as luvas supostamente maiores pagas para o Palmeiras. Todos receberam R$ 40 milhões, e o clube alviverde, R$ 100 milhões por dois contratos – a Turner alega que um deles nada tem a ver com as luvas. A intenção dos clubes é conseguir indenizações ou a rescisão.

O grupo de clubes enviou uma notificação extrajudicial à Turner questionando o que alegam ser um descumprimento do contrato: todos deveriam receber igual e os palmeirenses ganharam mais pelas luvas. A empresa já respondeu que o contrato refere-se a direitos sobre cadastros de sócios e amistosos internacionais, não tendo, na sua versão, relação com luvas.

Agora, os clubes vão se reunir para decidir se levam o caso para o tribunal de arbitragem onde exigiriam indenizações ou o rompimento do contrato. Um dirigente ouvido pelo blog apontou que já foram reunidas provas de que o Palmeiras ganhou por luvas. Mas, ainda que optem pelo litígio, os próprios clubes sabem ser difícil uma resolução antes do Brasileiro-2019. A expectativa é de que o tribunal demore um ano.

Assim, o cenário mais provável é que a Turner transmita os jogos desses seis ou sete clubes do Brasileiro-2019 em seus canais TNT e Space. Está em aberto se haverá um acordo com a Globo para troca de direitos de partidas, o que evitaria que alguns jogos entre times das duas emissoras fiquem fora da tela.

Perguntada pelo blog, a Turner não falou sobre negociações, mas reafirmou sua intenção de exercer seus direitos sobre o Brasileiro e transmitir os jogos. Veja a nota:

“A Turner reafirma sua estratégia de investir em propriedades de primeira linha do futebol, como a Liga dos Campeões e a Série A do Campeonato Brasileiro e continua firmemente comprometida em valorizar e fortalecer sua relação com os clubes com os quais têm contratos. A presença da Turner no esporte é positiva para todos os players do mercado, estimula a concorrência saudável, valoriza o espetáculo e, principalmente, beneficia os clubes e os fãs do futebol. A Turner entra em campo a partir de 2019 com a Série A do Campeonato Brasileiro, criando uma experiência única e ainda mais emocionante para o consumidor brasileiro.”


Santos e Atlético-PR veem contrato com Turner válido após fim de canal
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Após o fim do canal Esporte Interativo, houve uma insegurança de clubes em relação à manutenção do contrato com a Turner para transmissão do Brasileiro. Depois de análises jurídicas e conversas, Santos e Atlético-PR concluíram que os termos do acordo seguem válidos e não veem motivo para rompimento. O Palmeiras ainda estuda o caso.

Logo após o anúncio do fim do canal, executivos da Turner passaram a procurar os clubes para expressar a intenção de manter o compromissos de direitos do Brasileiro. Era uma forma de garantir que os pagamentos seriam feitos e explicar como seria feita a transmissão dos jogos do Nacional.

De início, a reação pública mais dura em relação a um possível rompimento foi do presidente do Bahia, Guilherme Bellintani. Internamente, o presidente do Santos, José Carlos Peres, também manifestou contrariedade e a possibilidade de romper o acordo.

Só que o departamento jurídico do Santos analisou o contrato e não entendeu que a Turner tenha descumprido nenhum dos termos do acordo. Explica-se: o contrato é com a Turner, e não com o Esporte Interativo. Há permissão para passar os jogos em outros canais do grupo.

Advogados do Atlético-PR fizeram um estudo similar a respeito do acordo com a empresa norte-americana e chegaram a mesma conclusão. Embora exista um contexto de transmissão em canal esportivo, isso não é obrigatório em nenhum parte do acordo. Ou seja, a Turner tem direito de passar seus jogos no TNT e no Space como pretende pelo seu novo projeto.

No Palmeiras, o acordo ainda está em estudo e o clube não tem nenhuma posição sobre o assunto. O clube foi quem recebeu o maior pagamento da Turner, em um total de R$ 100 milhões em contratos de luvas e outros direitos de amistosos e exploração de sócio-torcedor. As outras agremiações receberam R$ 40 milhões de luvas.


Contrato da Turner do Brasileiro gera dúvida se clubes podem rescindir
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Os contratos da Turner com os clubes para a compra dos direitos do Brasileiro a partir de 2019 preveem que a empresa pode transmitir em outros canais diferentes do Esporte Interativo. Ao mesmo tempo, o acordo não trata da possibilidade do final do canal e tem um contexto de transmissões em um canal esportivo. Será a análise dessas cláusulas que vai determinar o futuro da transmissão dos jogos do Nacional após o encerramento do canal Esporte Interativo.

A Turner tem contratos com 15 clubes para direitos do Brasileiro da Série A na TV fechada, sendo que pouco menos da metade desses está, de fato, na elite. Entre eles, estão Palmeiras, Santos, Internacional, Bahia, Atlético-PR e Ceará.

O anúncio do final do canal do Esporte Interativo na TV a cabo pegou os clubes de surpresa na quinta-feira: nenhum deles tinha sido avisado anteriormente. Depois disso, executivos da Turner ligaram para os clubes para dizer que tinham a intenção de manter o compromisso, e transmitir os jogos no canal Space e TNT como anunciado.

Mas já estava instalado um cenário de desconfiança entre os clubes. O presidente do Bahia, Guilherme Bellintani, fala claramente em partir para a briga e levar o caso para o rompimento. “Não há outro caminho. Já havia problemas na relação por conta da questão da luvas superiores para o Palmeiras”, afirmou o dirigente.

Clubes como Santos e Atlético-PR são mais cautelosos, preferindo esperar uma avaliação do contrato para saber quais os próximos passos. “O jurídico ainda está analisando”, afirmou Marcelo Frazão, diretor de marketing do Santos.

A questão é a leitura do contrato que tem dados que podem levar a conclusões diferentes sobre as consequências com o final do canal. Primeiro, o compromisso é assinado com a Turner que continua a existir, e não com o Esporte Interativo. Segundo, o documento tem um cláusula em que permite que a empresa transmita os jogos em outros canais diferentes do Esporte Interativo.

Mas o problema é que não há nenhuma previsão do final do canal. E, segundo o blog apurou, todo o contrato é feito em um contexto de exibição das partidas em um canal exclusivo de esportes. E também não se especifica nem se é permitido que não se transmita jogos no Esporte Interativo nem o que ocorreria no caso de final do canal.

Neste contexto, os clubes veem um prejuízo porque a exibição de marcas de seus patrocinadores pode ser inferior à prevista. E há a argumentação de que, se não houvesse o Esporte Interativo, a negociação teria sido feita de forma completamente diferente.

Do outro lado, a Turner tem a cláusula a seu favor e pode exigir a execução do contrato. Além disso, houve uma antecipação de R$ 40 milhões para cada um dos clubes, dinheiro que é como um misto de antecipação/luvas. Ou seja, se tentarem romper, os clubes poderiam ter de devolver os recursos e possivelmente ter de pagar indenizações.

Caso os clubes de fato partam para a briga, a questão será decidida por uma corte de arbitragem da FGV (Fundação Getúlio Vargas). Um grande empecilho é o tempo visto que o caso teria de ser decidido antes do início do Brasileiro-2019.


Caso Scarpa: juíza apreende bens do Palmeiras baseada em decisão sem efeito
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Com Leo Burlá

A decisão da Justiça trabalhista de apreender bens de Gustavo Scarpa e Palmeiras em favor do Fluminense baseou-se em jurisprudência do caso de Leandro Damião com o Santos. A questão é a que a medida judicial na ação de Damião citada teve uma reviravolta no TST (Tribunal Superior do Trabalho) e, na prática, não teve efeito nenhum no final. O clube da Baixada santista não ganhou nada pela saída do atacante porque houve um acordo entre as partes.

A juíza do TRT do Rio Dalva de Macedo estabeleceu o arresto de R$ 200 milhões em contas ou bens de Scarpa e Palmeiras, valor este referente à multa rescisória do contrato do jogador com o Fluminense. Em sua decisão, ela afirmou que “a jurisprudência desta especializada vem entendendo, nos casos em que se encontra sub judice a manutenção do contrato de trabalho do jogador com o seu antigo clube, a possibilidade de se proceder o arresto de valor suficiente para garantir o pagamento da multa rescisória formalizada com a antiga agremiação”.

Como base, citou uma decisão sobre a disputa entre Damião e Santos. Na determinação do ministro do TST Ives Gandra Martins, de janeiro de 2016, estabeleceu-se o arresto de R$ 65 milhões do jogador em favor do Santos, valor que o clube alegava ter de prejuízo.

A questão é que esta decisão foi alterada em posterior acordo entre o clube o jogador, em negociação com o ministro do TST. “Gandra deu essa decisão, mas fui falar com ele para explicar que ninguém pagaria para ter o Damião naquela época”, contou o advogado de Damião, Roberto Siegmann, que foi vice-presidente do Internacional. “Essa decisão não teve efeito porque foi feito um acordo com o Santos e tudo foi pacificado.”

Pelo acordo firmado com o Santos, Damião não teve de pagar nada para o clube. O que ficou combinado é que, se houvesse verbas de uma futura transferência, o clube santista ficaria com uma parte. Mas o arresto dos bens do jogador foi suspenso e ele pôde se transferir por empréstimo para o Bétis e depois Flamengo. Agora, está no Internacional.

“A decisão da juíza leva em conta o princípio de que tem que respeitar o direito do jogador atuar e estabelece a garantia do arresto”, comentou Siegmann.

As ações de Scarpa e Damião tinham ambas como objetivo se desvincular dos clubes com alegação de falta de pagamento de verbas trabalhistas. A diferença é de que o meia imediatamente se vinculou ao Palmeiras o que levou o time alviverde para o polo passivo do processo, enquanto não havia um outro time com contrato com o ex-centroavante santista.

Como reação à decisão da juíza, o Palmeiras alegou que não é parte e que a medida era abusiva. Já o Fluminense não se pronunciou. Não foi possível ter contato com a juíza Dalva Macedo.