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CBF é obrigada a depositar R$ 106 mi em impostos não pagos de patrocínios
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Em 2016, a CBF foi obrigada a depositar R$ 106 milhões em impostos cobrados pela Receita Federal sobre seus contratos de patrocínio e televisões. Isso ocorreu porque a entidade vem perdendo judicialmente as ações de cobranças feitas pelo governo de Cofins (Contribuição para financiamento da Seguridade Social).

A discussão entre a confederação e a Receita Federal já ocorre há alguns anos relacionado ao Cofins sobre contratos de patrocínio e de direitos de televisão. A CBF arrecadou R$ 530 milhões com patrocínios como (Nike, Ambev, Itaú) e direitos de tv (Globo) em 2016. Isso representa mais de 80% das receitas da entidade.

Na Justiça, a CBF alega que tem isenção fiscal dessas receitas porque não são na sua atividade fim. E o governo argumenta que a entidade tem que ser taxada em sua receita bruta como outras empresas. O dinheiro do Cofins vai para a previdência social (onde há um rombo atualmente), para assistência social e para saúde pública.

A questão é que, em 2015 e 2016, a Justiça Federal do Rio deu algumas decisões favoráveis à Receita Federal. Negou pedido de liminares na primeira e na segunda instância da CBF para reconhecer que o imposto não era pertinente e cessar a cobrança. A última decisão saiu em fevereiro de 2017.

Diante das derrotas, a CBF estava sem certidão negativa de débito com efeito positivo. Em um dos recursos, a entidade chegou a alegar que era seriamente prejudicada. Argumentou sérios prejuízos como “estar ujeita a autuações e imposições de penalidades por parte da autoridade fiscal, com vários efeitos constrangedores, tais como a sua inscrição dos débitos na dívida ativa da União e consequente execução fiscal, inscrição nos registros nacionais de devedores de tributos como o CADIN (cadastro de devedores).”

Sua argumentação foi rechaçada pelos magistrados. Com isso, no meio 2016, a CBF depositou em juízo um total de R$ 94 milhões, referentes ao período de dezembro de 2013 a julho de 2016. Foi reconhecido pela Receita que houve um excesso de 580 mil que serão usados para abater os débitos. Agora, a disputa judicial vai continuar para discutir o mérito e deve ir a esferas superiores.

Há outros três processos administrativos da Receita contra a CBF relacionados à cobrança de Cofins, dois deles iniciados só em 2016. Ou seja, ainda deve haver discussão na Justiça onde a confederação tem perdido suas ações. Por isso, o total dos depósitos judiciais da confederação para o governo foi elevado em R$ 106 milhões durante o ano de 2016.

Isso representa em torno de um sexto do total da receita da CBF no ano. Mas a cobrança constante de Cofins sobre todos os patrocínios e direitos de televisão terá um impacto significativo nas contas da entidade. Afinal, essas receitas representam a maior parte da renda da entidade. O passivo da confederação já teve um aumento de quase R$ 100 milhões embora o ativo da entidade ainda supere com folgas as dívidas.

O blog fez perguntas para a CBF sobre as perdas com os depósitos judiciais, e as disputas relacionadas ao Cofins, mas não obteve resposta.

 


Com renda recorde, CBF gasta mais com seleção e federações em 2016
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A CBF aumentou seus gastos com a seleção e repasses às federações em 2016, o que reduziu o seu superávit apesar de receita recorde. A informação é de dirigentes das entidades estaduais que aprovaram o balanço da confederação em assembleia nesta terça-feira. A diretoria da CBF ainda diz que o câmbio teve impacto no resultado final.

A receita total da CBF foi de R$ 647 milhões no ano passado, diante de R$ 519 milhões em 2015. Apesar disso, o superávit caiu de R$ 72 milhões para R$ 44 milhões. Como promotora do futebol nacional, a confederação deve ter mesmo o propósito de investir dinheiro no esporte, e não guarda-lo no cofre. A questão é se o gasto é eficiente.

No geral, o investimento com o item que a CBF chama de futebol saltou de R$ 226 milhões para R$ 288 milhões. São 27,4% a mais, bem superior à inflação. E o que está incluído nesses itens? seleções, campeonatos brasileiros das quatro divisões e dinheiro para federações.

O balanço com números detalhados ainda não foi divulgado, então, ainda é não possível saber quanto aumentou cada item do futebol. É importante ressaltar que o investimento em futebol ainda representa menos da metade da receita total.

“Achei que houve um aumento na realidade no faturamento com queda no superávit por maiores despesas com o futebol. Teve um maior investimento no futebol”, contou o presidente da Federação Bahiana, Ednaldo Rodrigues, um dos que esteve na assembleia de aprovação de contas. Ele lembrou a troca da comissão técnica da seleção.

De fato, houve um aumento no gasto com o time brasileiro com a contratação de Tite e seu staff, saindo Dunga e seus auxiliares no meio de 2016. Ainda não havia um detalhamento de qual o tamanho do crescimento desse item. Até 2015, o gasto só com a seleção principal era de R$ 61 milhões, bem similar ao do ano anterior.

Em outro ponto, houve um aumento em torno de 50% dos repasses para as federações estaduais, justamente a base de aliados da CBF. Até 2015, as entidades ganhavam R$ 50 mil por mês e passaram a R$ 75 mil no ano passado. O gasto era de R$ 19,5 milhões, e deve saltar para um valor entre R$ 25 milhões e R$ 30 milhões, com cada federação recebendo pouco menos de R$ 1 milhão por ano.

“Se não fosse o repasse para as federações, não teria um desenvolvimento do futebol. Pernambuco não teria campeonatos de sub-15 e sub-17. O Sport está revelando muitos jogadores. Temos aqui o campeonato Central Única de Favelas”, defendeu o presidente da Federação Pernambucana, Evandro Carvalho.

Outro item em que houve aumentou foi no investimento no Brasileiro da Série D. “Houve um crescimento de 28 times na competição”, comentou Ednaldo Rodrigues. Saltou de 40 para 68 equipes.

O dirigente baiano ainda apontou que cursos de gestão e técnicos também incharam os custos da CBF pois eram pagos translados, hospedagens, etc, além de mecanismos de controle. De fato, a entidade organizou seminários e comitês de reformas para um processo que chamou de modernização. No final, só os votos das federações foi levado em conta para o novo estatuto.

Com o resultado financeiro, Carvalho mostrou entusiasmo com a gestão do presidente Marco Polo Del Nero à frente da CBF. “Queria o Brasil ter um crescimento de receita como a CBF. A CBF é a economia que deu certo. Empresa que dá lição de gestão. É extraordinário”, analisou o dirigente pernambucano, afastando críticas ao mandatário da confederação.

Em meio aos investimentos da CBF no futebol, não tem sobrado dinheiro para os R$ 15 milhões necessários para a implantação do árbitro de vídeo para o Brasileiro da Série A. O valor representa 2,31% da receita total da entidade em 2016. A entidade diz que só vai implantar o item em 2018.

O secretário-geral da confederação Walter Feldman atribuiu a queda no superávit a questões cambiais e disse não estar preocupado.


Acusado de propina na Arena Corinthians é homem forte na CBF de Del Nero
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Acusado de receber propina em negócio da Arena Corinthians, o deputado Vicente Cândido (PT-SP) é homem forte do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, desde o início de sua gestão. Participou da articulação que o levou ao poder, ganhou um cargo de diretor, remuneração e afastou ameaças ao poder do dirigente. De tão próximo, já foi até seu sócio em escritório de advocacia.

O ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Edson Fachin pediu a abertura de inquérito contra Vicente Cândido por supostamente receber R$ 50 mil  da Odebrecht “que teria interesse no apoio do parlamentar na busca de solução para o financiamento do Estádio do Corinthians”. O fato foi revelado pelo “Estado de S. Paulo” e teria ocorrido em 2010.

A informação vem de delações de Alexandrino Alencar, homem da Odebrecht que articulou o estádio corintiano juntamente com Andrés Sanchez, Carlos Armando Paschoal, engenheiro da obra, e Benedicto Barbosa Junior, executivo de alto escalão da construtora.

O financiamento da Arena Corinthians foi feito pelo BNDES por meio de uma intermediação da Caixa Econômica Federal, em contrato com a participação da Odebrecht e do Corinthians. Demorou a sair mais do que todas as outras arenas após uma negociação fracassada com o Banco do Brasil para exercer o papel de intermediadora que só resolveu em 2013. Em 2010, a Arena Corinthians tinha acabado de se tornar estádio da Copa e teria direito ao dinheiro do BNDES:

Pois bem, Vicente Cândido entrou no mundo da cartolagem pelas mãos de Del Nero ainda na FPF (Federação Paulista de Futebol) na década passada. Isso porque os dois eram sócios no escritório de advocacia Marco Polo Del Nero e Vicente Cândido Advocacia, sociedade desfeita só mais recentemente. Ele tinha R$ 1 mil em cotas do escritório do presidente da CBF em 2010.

Quando Ricardo Teixeira estava prestes a renunciar, acossado por denúncias na Fifa e no Brasil, Vicente Cândido esteve junto com Del Nero nas reuniões para articular a substituição do antigo presidente pelo atual no poder. A transição seria feita com José Maria Marin. Antes, Cândido não tinha presença forte na entidade.

Quando Del Nero se tornou presidente, ele ganhou o cargo de diretor de relações de assuntos internacionais na CBF. Como admitiu em 2016, ele tinha remuneração no cargo e considerava legítimo defender a entidade no Congresso. Não por acaso foi um dos principais responsáveis por articular contra investigação da CPI do Futebol sobre a CBF. O relatório do senador Romário não foi aprovado por conta da bancada da bola, com grande participação de Cândido.

Vicente Cândido era visto frequentemente em ambientes ligados ao futebol, seja distribuindo camisas da seleção na Arena do Corinthians, seja no camarote da FPF (Federação Paulista de Futebol) no estádio. Tinha boa relação com o deputado Andrés Sanchez (PT-SP). Assim, atuava como elo entre o parlamentar e Del Nero. É a primeira vez que se encontra relação entre um dirigente da CBF e acusações relacionadas à Arena Corinthians.

A CBF ainda não se pronunciou sobre o envolvimento de seu diretor na Lava-Jato. O próprio Del Nero é acusado de levar propina por contratos da CBF em investigação nos EUA do “caso Fifa”.


Grupo de clubes quer liberar jogos fora do Estado no Brasileiro
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Um movimento de alguns clubes tenta derrubar o veto a jogos fora do Estado (cujo objetivo é coibir vendas de mando) e em grama sintética no Brasileiro. A CBF já tem ciência dessa reivindicação de alguns, mas diz que não é nada oficial. Dependeria de os próprios times mudarem sua votação anterior. A informação foi publicada primeiro pelo Globo.com, e confirmada pelo blog.

No Conselho Técnico da CBF, clubes da Série A do Brasileiro votaram pela proibição de que times jogassem fora do Estado para coibir vendas de mandos. Ainda proibiram o gramado sintético para 2018 porque traria prejuízos técnicos.

Os maiores prejudicados foram o Flamengo, no primeiro caso, e o Atlético-PR, no segundo caso. Agora um grupo de clubes que inclui tenta derrubar essas proibições, mas para isso tentam convencer os outros a voltar atrás da medida. No caso dos jogos fora do Estado, ficariam proibidas só situações que configurassem venda de mando.

“Temos ciência de um movimento de alguns clubes neste sentido. Nada ainda aprofundado ou oficial. Caso avance esse movimento, o jurídico poderá nos orientar o que precisa ser feito. Mas reitero que não há nada oficial”, afirmou o diretor de competições da CBF, Manoel Flores.

Na prática, primeiro, a maioria dos clubes precisará concordar em mudar a decisão inicial. Segundo, a CBF terá de analisar se é juridicamente viável uma modificação no regulamento.


Clubes vão ao Congresso por eleição na CBF, mas paulistas não participam
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Em reunião em São Paulo, seis grandes clubes (Bahia, Atlético-PR, Coritiba, Atlético-MG, Flamengo e Fluminense) decidiram levar a parlamentares no Congresso a discussão da eleição na CBF. Eles querem que seja esclarecida a Lei Profut para determinar se têm direito de participar da aprovação de mudanças no estatuto, o que tornaria ilegal a alteração feita pela confederação. Os clubes paulistas decidiram não participar do encontro apesar de convidados.

A CBF e as federações estaduais votaram por modificação no estatuto da entidade para concentrar mais poder. As entidades estaduais passaram a ter peso três no voto, os clubes da Série A tiveram peso dois, e os da Série B, peso um. Times não foram avisados.

No entendimento dos clubes, a Lei Profut obriga que as agremiações participem da assembleia geral administrativa para aprovar esse tipo de mudança. Por isso, os dirigentes irão falar com deputados.

“Buscamos o melhor caminho. Não queremos confronto com ninguém. Ficou combinado que cada clube vai consultar parlamentares próximos para saber se o espírito da lei acabou não sendo cumprido. Os próprios parlamentares podem esclarecer. É possível um regulamento também para a lei. Vamos conversar”, afirmou o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello.

A ideia é que seja feita uma audiência com os parlamentares para eles determinarem qual a interpretação correta da lei. O relator da lei Profut, Otávio Leite, (PSDB-RJ) já afirmou que entende que a lei foi desrespeitada pela CBF e entrou com ação junto ao Ministério Público do Rio de Janeiro para anular a eleição. Ex-presidente do Corinthians, o deputado federal Andrés Sanchez (PT-SP) também deve ser procurado pelo grupo pois ele entende o direito dos clubes.

A reunião foi marcada em São Paulo justamente para atrair os grandes clubes paulistas. Mas nenhum deles apareceu no encontro embora tenham tido contato telefônico com os presentes. Alguns tinham problema de agenda como os presidentes do Grêmio e Santos que não estavam no Brasil. Mas não mandaram representantes.

Desde que Marco Polo Del Nero assumiu a presidência da CBF, os clubes paulistas têm se posicionado a favor dele e se recusaram a participar de qualquer movimento para discutir questões da confederações, mesmo quando perdem poder como ocorreu no caso das regras da eleição. Ressalte-se que o presidente santista, Modesto Roma Jr, tem feito críticas pontuais à confederação, inclusive sobre a mudança de regra na eleição. Ele não está no Brasil nesta sexta-feira.


Clubes se encontram em São Paulo para debater mudança na eleição na CBF
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Um grupo de grandes clubes brasileiros se reúne nesta sexta-feira em São Paulo para discutir se serão tomadas medidas em relação às mudanças de estatuto da CBF que tiraram poder das agremiações. A reunião vem sendo articulada desde a semana passada em sigilo para não causar reações antes de os times saberem exatamente o que querem fazer.

As federações estaduais e a CBF votaram uma alteração no estatuto da entidade para alterar o peso dos votos na eleição para presidente. Com a nova regra, as federações passaram a ter peso três na votação, os clubes da Série A, dois, e os da B, um. Assim, as entidades estaduais têm mais votos (81) do que as agremiações (60). O movimento foi feito sem consulta ou aviso aos clubes.

Dirigentes de times ficaram irritados com a atitude da CBF e reclamaram da perda de poder sem discussão. Ainda mais porque a confederação tinha convocado todos os cartolas para opinar sobre as mudanças de estatuto, mas, no final, decidiu fazer uma versão sozinha só ouvindo federações.

Entre os clubes articulados, estão Atlético-MG, Flamengo, Fluminense, Grêmio, Atlético-PR, Coritiba, Bahia, e provavelmente os grandes de São Paulo (Palmeiras, São Paulo, Corinthians e Santos), e o Cruzeiro. Não há certeza sobre a presença de todos, nem se haverá mais times no movimento justamente pelo sigilo mantido em relação ao encontro. A sede de um dos times paulistas da capital deve ser usada como local da reunião.

A pauta da reunião não está completamente definida, embora a reunião tenha sido motivada pela irritação com a atitude da CBF em mudar o sistema eleitoral para manter o poder. Dificilmente, no entanto, haverá uma revolta geral com a confederação pelo que o blog ouviu dos dirigentes que vão participar.

Mas há a intenção de tomar alguma medida já que os dirigentes de clubes perceberam que foram vistos como fracos diante da confederação por não reagirem às mudanças no estatuto. Há entre alguns cartolas que vão à reunião uma descrença em relação aos resultados já que as agremiações nunca conseguiram se unir de fato para reivindicar suas demandas. É imprevisível o que sairá da reunião.


Globo tenta comprar amistosos da seleção, e CBF estuda fazer concorrência
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Com a boa fase da seleção de Tite, a CBF estuda a melhor forma de negociar os direitos de amistosos da seleção que estão em aberto ainda neste semestre. Já houve conversas com a Globo. Mas a intenção da entidade, no momento, é preparar uma concorrência entre as televisões.

Esse contrato vai determinar, por exemplo, quem vai transmitir o amistoso entre Brasil e Alemanha, em março de 2018, primeiro encontro dos times após o 7 a 1. O próximo jogo é em junho contra a Austrália. Após o final das eliminatórias, será a TV que comprar os amistosos que terá as imagens do time de Tite até a Copa.

Até o ano de 2016 a Globo tinha os direitos dos amistosos da seleção. Já houve conversas com interesse da emissora em novo acordo já que o produto é visto como extremamente valorizado.

Ao ser consultada, a CBF indicou a emissora que deveria fazer uma concorrência para o assunto. Não estabeleceu exatamente qual o modelo. Questionado pelo blog na semana passada, o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, admitiu que está em estudo se haveria concorrência, sem definição ainda.

“Isso é uma outra coisa que estamos começando a discutir (concorrências de TVs)”, contou o dirigente. “Já houve uma experiência Brasil e Colômbia que abrimos o sinal. E foi uma experiência fantástica em termos de visibilidade internacional. Foi positiva”.

A “Folha de S. Paulo” tinha revelado que havia a possibilidade de a entidade até fatiar os direitos de televisão em TV aberta, fechada e internet. Esse modelo não agrada a Globo que gosta de comprar todos os direitos.

CBF e a emissora não chegaram a um acordo sobre o amistoso entre Brasil x Colômbia, em janeiro, o que levou a confederação a abrir o sinal do jogo. A Globo continuou em negociações constantes com a entidade depois disso já que o time de Tite tem despertado ainda mais interesse por contas das vitórias seguidas.


Estaduais têm erros bizarros de árbitros, mas federações só pensam no poder
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Na semana em que as federações estaduais aumentaram seu poder, os Estaduais organizados por elas exibiram erros bizarros de arbitragem. As competições ainda tiveram desfalques importantes por jogadores estarem com as seleções e horário esdrúxulo para um clássico. Ou seja, a CBF e a federações fortaleceram um sistema que se mostra decadente.

No clássico carioca, disputado em Brasília, o árbitro Luis Antônio Silva Santos, o Índio, marcou um pênalti para o Vasco após suposta mão do lateral René. O problema é que a bola bateu claramente em parte de sua barriga. De frente para o lance, o meia Nenê disse ter visto pênalti e bateu para empatar.

Antes, o mesmo juiz protagonizou cena de cinema ao se desequilibrar após tomar uma barrigada de Luis Fabiano. É absurdo achar que um jogador pode encostar e tentar intimidar um árbitro e continuar em campo, ou seja, o vermelho foi correto. Mas a sua reação ao lance ao cair para trás pareceu exagerada. A anulação de um gol do Fla por impedimento, segundo o analista Salvio Espínola, da ESPN, foi correta já que Damião tentou disputar a bola.

No Morumbi, o árbitro Vinicius Furlan ignorou um entrada dura de Wellington Nem em Arana que deveria ter resultado em cartão vermelho. Quase no final do jogo, ele expulsou o mesmo jogador por supostamente atingir um rival sendo que seu braço não tem nenhuma ação violenta contra o corintiano. Houve ainda questionamento são-paulino sobre uma expulsão de Pablo que fez falta para amarelo e foi perdoado.

Foram atuações horrorosas dos dois árbitros nos clássicos, mas estão longe de ser exceção. Para lembrar os casos mais graves, o corintiano Gabriel foi expulso no clássico com o Palmeiras porque o juiz Thiago Peixoto o confundiu ele com Maycon. No Sul, um árbitro deu um pênalti contra o Inter após a bola bater no corpo do colorado Junio.

Esses são só os exemplos mais clamorosos de erros de arbitragem em competições que literalmente se arrastam neste primeiro semestre em uma maioria de jogos desinteressantes. No Rio, por exemplo, Flamengo e Fluminense, já classificados às semifinais, estão jogando só para cumprir tabela.

Quando há clássicos, além dos erros, ainda há desfalques já que os Estaduais continuam em datas Fifa. O Flamengo jogou sem Guerrero, Diego e Trauco, o Vasco sem Martín Silva. O São Paulo não tinha Cueva e Pratto, o Corinthians, Romero.

Pior, a Ferj (Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro) ainda marcou um clássico entre Fluminense e Botafogo na quinta-feira que começou enquanto ainda havia bola rolando na partida das eliminatórias entre Brasil e Uruguai. Sim, um Engenhão esvaziado tinha um jogo simultâneo, por alguns minutos, ao da seleção.

É neste cenário que a CBF e as federações articularam a manobra que lhes deu mais poder na eleição na entidade e tirou peso do votos dos clubes. Os dois fatos estão associados. Ao manter as federações poderosas, a confederação descarta qualquer mudança no calendário que dá 18 datas para os Estaduais e essas bizarrices vistas em 2017.

Ao mesmo tempo, a confederação posterga a implantação do árbitro eletrônico que poderia minimizar esses erros, alegando falta de dinheiro. Nada de profissionalização também, medida já largamente adotada na Europa. Limitam-se a afastar um árbitro atrás do outro, como já ocorreu com Índio, como quem enxuga gelo.

Ora, se a CBF e as federações não querem investir em arbitragem, por que não deixar que os clubes o façam organizando os próprios campeonatos? Porque desta forma iriam abrir mão de poder. Não, o objetivo é perpetuar um sistema que impõe jogos desinteressantes, falhas gritantes na organização dos campeonatos, tudo sob a mão firme de quem pouco se importa com isso.

 


Clubes não enfrentaram a CBF e agora são feitos de ‘otários’
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Na quinta-feira, a CBF passou um pacote de mudança de estatuto tirando peso do votos dos clubes na sua eleição e dando poder às federações. Na sexta-feira, o técnico do Atlético-PR, Paulo Autuori, um dos poucos a ter coragem de tratar do assunto, resumiu seu sentimento em relação à medida da CBF e seu discurso posterior: “Eles pensam que nós somos otários.”

Foi uma análise precisa. A atitude da CBF é uma demonstração de que pouco se importa com o que pensam seus times filiados. Aprovou as medidas sem ouvi-los e fez um discurso de que era para democratizar a entidade. Tratou os clubes como bobos a ponto de os integrar a um comitê de reformas que não teve peso no novo estatuto da confederação.

A posição da confederação de ignorar as agremiações tem relação com seu fortalecimento recente. Com a investigação sobre ele travada, o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, se sente cada vez menos ameaçado. Se afasta cada vez mais o momento em que havia um tormenta sobre seu cargo.

A nau da confederação passou a viver maus bocados em maio de 2015 com a prisão do então vice-presidente da CBF, José Maria Marin, por corrupção em contratos da entidade. Del Nero saiu correndo da Suíça e passou a ser suspeito no caso. Seis meses depois, ele ficaria ainda mais fragilizado ao ser exposto como um dos indiciados pela polícia norte-americana.

Os clubes formaram uma liga e ameaçavam tomar da CBF o Brasileiro. Na parede, Del Nero acenava com promessas de que a confederação pertencia às agremiações e que eles sempre seriam ouvidos. Levou os todos para a sede da entidade para mostrar que tinha apoio nos setores do futebol brasileiro.

E os clubes brasileiros acreditaram. Compraram o discurso de que Del Nero era apenas um suspeito, compraram a ideia de que a CBF ia lhes dar espaços aos poucos, confiaram de que podiam fazer mudanças dentro do sistema. Houve ainda clubes, como os paulistas, que não exigiam alterações profundas na estrutura do futebol brasileiro.

A CBF ainda construiu um projeto para teoricamente mordeniza-la que incluiria a reforma de estatuto, código de ética, licenciamento de clubes, tudo com os clubes participando das dicussões de ideias. E, durante o ano de 2016, não foram poucos os dirigentes de clubes que me fizeram avaliações de que a confederação estava evoluindo, avançando.

Aos poucos, a liga montada pelos clubes foi se enfraquecendo pela sua própria desunião, e também pela mão silenciosa da CBF. Sem avisar ninguém, a confederação se encarregou de dar a pá de cal no movimento de fortalecimento dos clubes com sua mudança de estatuto. Houve críticas pontuais de dirigentes de times, mas nenhum até agora ameaçou se insurgir contra a medida. Fica a posição de Autuori que aqui vai na íntegra reproduzida do Globo.com:

“Estou muito mais preocupado com o Del Nero (presidente da CBF) e a possibilidade de ficar até 2027. Certamente vocês sabiam que eu não ia perder a oportunidade de falar disso, né? É acintosa a maneira como a CBF faz as coisas. E, uma vez mais, vamos separar o brilhante trabalho que o Tite e sua equipe têm feito com o futebol brasileiro. Fez as coisas no dia do jogo. A vulgarização do futebol está nisso. No dia do jogo da Seleção brasileira, tivemos jogos do Campeonato Paulista, Fluminense e Botafogo, ou seja, com públicos pequenos. Não avisou a imprensa que teria a situação na CBF, deu mais poder às federações do que já tinham e vêm falar em democracia? Pô, eles pensam que nós somos otários”

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Após promessas, CBF dá drible e reduz poder dos clubes sem avisá-los
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Ao reformar seu estatuto, a CBF tinha o discurso de que pretendia democratizar a entidade. Contratou uma consultoria (Ernest & Young), ouviu advogados e representantes de clubes. E, no final, aprovou uma mudança que reduz o poder de votos dos clubes sem nenhuma comunicação ou participação deles na decisão.

Em sua gestão, o presidente da confederação, Marco Polo Del Nero, prometeu aumentar a participação dos clubes na CBF, principalmente quando estava fragilizado por investigações do FBI. Até lhes deu prerrogativas de mandar nas regras do Brasileiro. Mas os excluiu do centro de poder da entidade.

Um exemplo é que eles foram ignorados na mudança do estatuto. Havia dois representantes dos clubes no Comitê de Reforma da CBF que discutia o novo estatuto, os presidentes do São Paulo, Carlos Augusto de Barros e Silva, e do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira. O primeiro desconhecia a mudança no estatuto.

“Não participei. Não tenho notícia. Precisarei me inteirar antes de dar qualquer opinião”, contou o presidente são paulino, Leco. Não foi o único. Nesta quinta-feira, assessores de clubes começavam a repassar as informações aos presidentes. “Ainda não li, mas somos a favor de pesos iguais para todos”, disse o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello.

A surpresa se explica porque, depois de meses na geladeira, a proposta de mudança de estatuto foi feita exclusivamente pela CBF. Foi levada à assembleia administrativa composta pelas federações e aprovada a mudança que dá peso três aos votos de federações, dois aos clubes da Série A, e um dos times da Série B. Antes, todos tinham peso igual. Agora, federações têm maioria na eleição.

Clubes da Primeira Liga pediram participação nesta assembleia alegando que está previsto na Lei do Profut. Foram ignorados pela CBF que tem entendimento diverso da lei: a entidade defende que nenhuma lei pode interferir no seu estatuto.

O secretário-geral da CBF, Walter Feldman, disse que não cabia avisar os clubes, pois não é previsto pelas regras. A confederação também não alertou jornalistas, ou informou em seu site a realização da assembleia surpresa. Só cumpriu a lei ao publicar em jornais que o encontro ocorreria, coincidentemente marcado para o dia de jogo da seleção. Feldman defendeu as mudanças.

“Com essa nova estruturação, que dá peso 2 a Série A, inclusão da Série B, com 1. Mantém-se a proporcionalidade de 42,5%”, contou o secretário-geral da CBF, Walter Feldman. “A presença de 42,5% é muito expressiva em um sistema federativo.”

Haverá um novo conselho de administração da CBF com oito vices-presidentes, o que teoricamente reduziria o poder do presidente. Mas serão todos da mesma chapa eleita pelo presidente ao contrário do que ocorre na Fifa. Comissões de finanças e ética também terão indicados pelo mandatário.

 

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