Blog do Rodrigo Mattos

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Após promessas, CBF dá drible e reduz poder dos clubes sem avisá-los
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Ao reformar seu estatuto, a CBF tinha o discurso de que pretendia democratizar a entidade. Contratou uma consultoria (Ernest & Young), ouviu advogados e representantes de clubes. E, no final, aprovou uma mudança que reduz o poder de votos dos clubes sem nenhuma comunicação ou participação deles na decisão.

Em sua gestão, o presidente da confederação, Marco Polo Del Nero, prometeu aumentar a participação dos clubes na CBF, principalmente quando estava fragilizado por investigações do FBI. Até lhes deu prerrogativas de mandar nas regras do Brasileiro. Mas os excluiu do centro de poder da entidade.

Um exemplo é que eles foram ignorados na mudança do estatuto. Havia dois representantes dos clubes no Comitê de Reforma da CBF que discutia o novo estatuto, os presidentes do São Paulo, Carlos Augusto de Barros e Silva, e do Botafogo, Carlos Eduardo Pereira. O primeiro desconhecia a mudança no estatuto.

“Não participei. Não tenho notícia. Precisarei me inteirar antes de dar qualquer opinião”, contou o presidente são paulino, Leco. Não foi o único. Nesta quinta-feira, assessores de clubes começavam a repassar as informações aos presidentes. “Ainda não li, mas somos a favor de pesos iguais para todos”, disse o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello.

A surpresa se explica porque, depois de meses na geladeira, a proposta de mudança de estatuto foi feita exclusivamente pela CBF. Foi levada à assembleia administrativa composta pelas federações e aprovada a mudança que dá peso três aos votos de federações, dois aos clubes da Série A, e um dos times da Série B. Antes, todos tinham peso igual. Agora, federações têm maioria na eleição.

Clubes da Primeira Liga pediram participação nesta assembleia alegando que está previsto na Lei do Profut. Foram ignorados pela CBF que tem entendimento diverso da lei: a entidade defende que nenhuma lei pode interferir no seu estatuto.

O secretário-geral da CBF, Walter Feldman, disse que não cabia avisar os clubes, pois não é previsto pelas regras. A confederação também não alertou jornalistas, ou informou em seu site a realização da assembleia surpresa. Só cumpriu a lei ao publicar em jornais que o encontro ocorreria, coincidentemente marcado para o dia de jogo da seleção. Feldman defendeu as mudanças.

“Com essa nova estruturação, que dá peso 2 a Série A, inclusão da Série B, com 1. Mantém-se a proporcionalidade de 42,5%”, contou o secretário-geral da CBF, Walter Feldman. “A presença de 42,5% é muito expressiva em um sistema federativo.”

Haverá um novo conselho de administração da CBF com oito vices-presidentes, o que teoricamente reduziria o poder do presidente. Mas serão todos da mesma chapa eleita pelo presidente ao contrário do que ocorre na Fifa. Comissões de finanças e ética também terão indicados pelo mandatário.

 

Tags : CBF clubes


CBF muda código de ética e derruba veto a filho de Tite na seleção
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A CBF modificou o texto do seu código de ética para derrubar a proibição à contratação do filho de Tite. O texto inicial do código impedia a contratação de qualquer parente por funcionários ou cartolas de clubes e da confederação. A nova redação exclui o departamento de futebol desse veto.

O texto base do código de ética da confederação foi feito em junho de 2016. Publicado no site da entidade, a redação proibia a contratação de parente até 3o grau por qualquer funcionários da CBF, de federações ou clubes. Afinal, sua abrangência era para todo o sistema de futebol. Assim o texto foi aprovado.

Mas, logo em seguida, o técnico Tite anunciou a formação de sua comissão técnica com o seu filho como auxiliar. Então, o blog de Gabriela Moreira publicou a informação de que havia um veto a ele. A partir daí, a CBF passou a estudar uma forma de modificar o texto.

A versão final foi aprovada nesta quinta-feira pela assembleia geral da CBF, composta pelas federações. E excluiu todo o departamento de futebol da regra, o que passa a valer para a confederação e para os clubes.

“Há uma diferença: os dirigentes estão mantidos isso (veto) até 3o grau. Para o sistema do futebol, comissão técnica, a nossa avaliação é de que não se justifica”, afirmou o secretário-geral da CBF, Walter Feldman. “Não tem sentido.”

Questionado se a medida tinha sido tomada por conta do filho de Tite, o dirigente afirmou que ele já não deveria ter sido afetado, mas que o texto era duvidoso. Segundo ele, o objetivo da CBF foi adaptar a redação para deixar claro que o veto não se aplicaria a comissões técnicas.

“Quando fomos tratar do filho do Tite, não houve nenhuma dúvida, qualificação indiscutível, inquestionável. Quando foi discutido aquilo, a gente achava que não deveria mudar, mas que deveria ficar bem claro que no sistema futebol isso não deveria ser aplicado”, concluiu Feldman.


Em novo estatuto, CBF reduz votos dos clubes e dá mais poder a federações
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A CBF aprovou um novo estatuto que dá mais peso ao voto das federações estaduais e reduz dos clubes na eleição da entidade. A mudança foi feita em assembleia justamente com as federações, sem os times. A manobra foi articulada para minimizar a entrada dos clubes da Série B no colégio eleitoral que os deixaria em vantagem.

Pela lei, a CBF era obrigada a incluir os times da Segundona na eleição. Tanto que na eleição do vice, Coronel Nunes, já houve participação desses clubes no final de 2015. Assim, seriam 40 clubes diante de 27 federações.

Mas, agora, as federações terão voto peso três na eleição, enquanto os clubes da Série A têm peso dois, e os da Série B têm peso 1. Com isso, as 27 federações passam a controlar 81 votos. Os times das duas séries juntas ficam com apenas 60 votos.

O secretário-geral da CBF, Walter Feldman, defendeu a medida afirmando que a entidade dá uma demonstração de democratização. Segundo ele, só a CBF entre as confederações dá voto aos clubes. Alegou que as federações têm que ter maior peso porque representam vários clubes, não só os das duas divisões.

“Quando você olha o estudo, vê que os clubes representam 42,5% do colégio eleitoral .É muito expressivo”; argumentou. “A formação do colégio eleitoral foi muito sensata. Incorporou democraticamente os clubes da Série B, e deu peso dois para os clubes da Série A, muito parecido com as federações.”

“Foi feito um estudo técnico da CBF. Assim, aumentou o número de votos de todos”, alegou o presidente da Federação do Amapá, Roberto Góes, que alegou que isso favoreceu os clubes. “Dando poder às federações, dão mais poder aos clubes. Clubes têm participação pela federação que elegem e também têm seu voto”, defendeu o presidente da Federação do Rio Grande do Norte, José Vanildo.

Os clubes continuam fora da assembleia que toma as decisões sobre o poder da entidade. É essa assembleia, por exemplo, que aprova as mudanças no estatuto. Clubes da Primeira Liga alegavam que, pela lei, era obrigatória a presença deles neste organismo. A CBF entende que não pode haver interferência.

Foi mantida também a regra da cláusula de barreira em que um candidato à presidência da CBF precisa do apoio de pelo menos oito federações. Isso impede de os clubes terem candidato próprio à entidade.

Houve ainda modificação na regra para substituição do presidente no caso vacância do cargo. Antes, o vice mais velho assumia o que obrigou a manobra para elevar o Coronel Nunes ao cargo de primeiro substituto de Marco Polo Del Nero. Agora, o mais velho assume apenas por um mês e convoca novas eleições.

No novo pleito, só podem ser eleitos os oito vices-presidentes que serão empossados juntamente com o presidente, isto é, que fazem parte de sua chapa. Esses vices vão compor um Conselho Administrativo da CBF juntamente com o presidente. Teoricamente, é para dividir o poder, mas todos serão aliados do mandatário ao contrário do que ocorre na Fifa.


CBF, é hora de coçar o bolso e pagar o árbitro de vídeo
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A falha do árbitro Thiago Ribeiro ao confundir os jogadores do Corinthians e expulsar Gabriel equivocadamente é só o momento mais bizarro do apito nacional, longe de ser exceção. A cada Estadual, a cada Brasileiro, os nossos árbitros não enxergam ou ignoram seguidos lances. São culpados só em parte, sendo os maiores responsáveis a CBF e a federação que não lhes dão nem suporte, nem o profissionalismo já difundido na Europa.

É neste contexto que a confederação tem postergado o momento de introduzir o árbitro de vídeo nos campos nacionais. Após sugerir a medida à Fifa, a CBF reluta em aplica-la porque não quer desembolsar os R$ 15 milhões ou R$ 20 milhões necessários por ano para o Brasileiro. Há outras desculpas, como discussões com a Fifa, mas o motivo financeiro é o real entrave.

Não se trata de uma entidade pobre como se sabe. A receita da CBF girava em torno de R$ 500 milhões considerado o último número conhecido, de 2015. Pode ser que caia a renda pelo abandono de seus patrocinadores após o escândalo de corrupção em que se mateu, mas fato é que sobra dinheiro em caixa.

Ainda assim, a confederação não quer profissionalizar os árbitros e joga o árbitro de vídeo talvez para o Brasileiro-2018 por economia. Nos Estaduais, então, a aplicação deles parece ainda mais remota se não impossível a curto prazo. Mas que pelo menos tenhamos o recurso no campeonato mais nobre do país onde também se verificou outra bizarrice quando Sandro Meira Ricci deixou um Fla-Flu suspenso por 12 minutos para tomar uma decisão.

Se a CBF não quer gastar com arbitragem, muito bem. Que libere os clubes para organizarem suas ligas e deixe que eles usem os recursos do campeonato para bancar uma arbitragem decente. Ou a confederação coça o bolso para gastar com o que realmente importa – o futebol brasileiro em campos brasileiros – ou que largue o osso.

O que não dá mais é para clássicos regionais ficarem submetidos a erros grosseiros como os cometidos pelo árbitro do Derbi. Um juiz que demonstrou o mesmo tipo de miopia do que…a CBF.


Demissão expõe racha entre base e seleção profissional na CBF
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A demissão do coordenador da base da seleção Erasmo Damiani expôs um racha que acontece entre o departamento de base e a diretoria da equipe principal, pelo menos desde a Olimpíada Rio-2016 até agora. É o que fica claro pelas declarações de Damiani ao blog. Ele afirmou que não teve as reivindicações atendidas pelo diretor de seleções, Edu Gaspar, e que entende que o dirigente teve influência decisiva em sua saída.

Damiani foi contratado quando Gilmar Rinaldi era o coordenador de seleções da CBF. Foi demitido nesta semana pelo presidente da confederação, Marco Polo Del Nero, após o fracasso da seleção sub-20 no Sul-Americano: ficou em quinto no hexagonal final e fora do Mundial. Há o risco de demissão do técnico Rogério Micale, campeão olímpico. Edu Gaspar ganhou poder na confederação.

“A justificativa que ele (Del Nero) apresentou foi o resultado que tinha que ter uma mudança. Na verdade, foi subjetivo (o argumento técnico) porque o presidente não tem conhecimento técnico. Alguém passou para ele a justificativa. Até isento o presidente. Não dá para discutir metodologia com ele que não é um técnico”, analisou Damiani.

Questionado se os resultados justificavam a queda, o ex-coordenador discordou. “O time sub-20 foi vice-mundial, ficou em terceiro no Pan com time alternativo e ganhou a Olimpíada. Em quatro campeonatos, foi ao pódio em três. Foi mal agora no Sul-Americano. E têm as outras seleções, sub-17, sub-15”, disse.

Perguntado se Edu Gaspar tinha relação com a sua saída, emendou: “Está muito claro. Não preciso nem falar.” Segundo Damiani, só estavam esperando “o momento propício para fazer a mudança de interesse.”

O UOL revelou que Alessandro, diretor do Corinthians ligado a Gaspar, é candidato ao cargo de Damini, e o treinador do sub-20 do time Osmar Loss ao de Micale.

Segundo o coordenador da base, após a chegada de Tite e Edu Gaspar, a divisão de base perdeu dois observadores. Havia a necessidade de repor e contratar um supervisor para estruturar a base que tinha começado a ser montada anteriormente. Isso foi avisado à diretoria de seleções.

“Tenho que levar a ele (Edu Gaspar) que nunca deu aval para contratar. Explicamos várias vezes o que precisava. Não podemos ficar insistindo com o superior. Falei uma vez, duas vezes, três vezes”, informou.

Sobre a interação da comissão técnica principal com a base, durante a Olimpíada, Damiani minimizou a participação de Tite em ajuda ao treinador Rogério Micale na campanha do título.

“Não teve nenhuma (influência). Tite e o Edu iam almoçar com a gente nos dias dos jogos e depois iam assistir ao jogo do camarote lá de cima. Foram em três treinos, e depois um em Salvador. Não entendo por que fazem essa associação. Se perdessem ia ter essa associação?”, comentou. Ressaltou que pode ter havido comunicações entre Micale e Tite que ele desconhece.

Damiani ainda lembrou que o esquema de Micale com 4-2-4, usado na seleção olímpica, era diferente do tradicional de Tite com 4-2-3-1. De fato, um lançava quatro homens à frente para pressionar o adversário, enquanto o outro faz uma linha de três apoiadores atrás do atacante principal.

A principal reclamação do ex-coordenador da seleção é por ter montado uma estrutura com banco de dados para base, e uma comissão técnica, e o trabalho não ter sido reconhecido. Segundo ele, a divisão de base do Brasil anteriormente não tinha nada.

O blog tentou contato com Edu Gaspar que informou que o assunto estava com a CBF. A assessoria da confederação disse que não iria comentar as declarações de Damiani.


Entenda o que clubes terão de fazer para não ficar fora do Brasileiro
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A CBF divulgou nesta semana o seu regulamento de licenciamento de clubes que inclui uma série de exigências para os times. Essas regras serão aplicadas de forma gradual a partir de 2018: algumas já valerão para os times do Brasileiro da Série A. O processo pode demorar de sete a dez anos. Fato é que os clubes serão obrigados a mudar bastante durante esse período.

São regras para as agremiações nas áreas jurídicas, infraestrutura, de finanças e esportiva. A CBF ainda vai estabelecer um cronograma para a implantação do regulamento.

“Será escalonado. Não vamos proibir de jogar de uma hora para a outra. Podemos demorar 10 anos para implantar tudo. Sabemos das dificuldades dos clubes”, analisou o diretor de registros da CBF, Reynaldo Buzzoni, que rechaçou que as normas não sejam cumpridas. “Sim, lógico que vamos (punir em caso de descumprimento). É para todo mundo. O regulamento vale para time grande ou qualquer outro.”

A CBF pretende estabelecer o cronograma de aplicação das regras até o meio do ano. Antes disso, faz um diagnóstico dos clubes, principalmente na parte de infraestrutura, para estabelecer o calendário real. Certo é que as exigências comuns à Conmebol, pré-requisito para a Libertadores, já valem para 2018.

Pelo sistema, quando um time não cumprir um item, a comissão nomeada pela CBF vai instituir uma advertência. Em casos de insistência do descumprimento, o clube poderá perder direito de transferências, sofrer bloqueios de cotas de tv e até ser impedido de jogar.

Esse tipo de sistema já funciona na Europa. “Esse é o mundo ideal. Vamos fazer um estudo pra saber que parte que já dá para a aplicar. A UEFA demorou sete anos”, contou Buzzoni. Exigências jurídicas e algumas esportivas devem ser as primeiras da lista. As obrigações de infraestrutura, CTs e estádios terão maior tolerância porque a CBF entende que os clubes terão de gastar dinheiro. Aí vão a lista das exigências.

1) Divisão de base – Clubes terão de ter dois times até 20 anos.

2) Técnico – Terão de ter curso da CBF ou da Conmebol, ou de mesmo nível da Europa.

3) Estádio – Clubes terão de ter um estádio próprio, ou um com quem mantenham aluguel com o proprietário. Haverá regras com padrões mínimos para as arenas.

4) CT – Todos os clubes terão de ter CT. E haverá especificações feitas pela CBF.

5) Finanças – Publicação de balanços com informações detalhadas para dívidas, investidores e demonstrações de resultados, entre outros pontos. Haverá também necessita de orçamentos.

6) Administrativas – Necessidade de contratações de diretores financeiro, de marketing e de futebol profissionais que respondam por seus departamentos.

7) Manutenção de times femininos – Isso já valerá para a Libertadores de 2019.

8) Estatutos – Apresentações das regras jurídicas de cada clube para a CBF.


CBF terá poder de bloquear cota de tv e prêmio de clube que burlar regra
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A CBF poderá bloquear as cotas de televisão e prêmios da Copa do Brasil de clubes que descumprirem o regulamento de licenciamento da entidade. O documento foi publicado nesta quinta-feira pela confederação e será válido a partir de 2018.

O licenciamento de clubes já é uma realidade há anos na Europa e na Ásia. Suas regras incluem obrigações esportivas, de infraestrutura, administrativas e de finanças. A CBF e a Conmebol preparam o sistema para ser implantado no próximo ano para clubes da Libertadores e da Série A do Brasileiro.

Como punição para o descumprimento, estão previstas penas que começam com uma advertência até a negação da licença do clube. Neste caso, o time não poderia disputar o Brasileiro da Série A, o que seria a pena mais grave.

Como punições intermediárias, estão a proibição de contratar jogadores ou de registrar novos contratos. E há a possibilidade de “retenções de quaisquer cotas, premiações ou créditos detidos pelo clube requerente ou clube licenciado junto à CBF”.

A confederação que controla as cotas de televisão e as premiações da Copa do Brasil. Ou seja, a entidade poderá bloquear essas cotas da Globo como pena ao clube. Os valores dos prêmios terão aumento significativo com novo contrato em 2018: o campeão ganhará R$ 50 milhões pelo título.

Quem decide a punição é uma comissão indicada e mantida pela CBF. Inicialmente, haverá um aviso ao clube sobre o descumprimento da regra para que seja sanado. Em seguida, a comissão pode aplicar a punição. Há a possibilidade de recurso a um tribunal de segunda instância em caso de discordância da primeira decisão.

E quais são as obrigações que os clubes têm que cumprir para evitar esse tipo de punição? Entre as principais regras descritas no documento estão obrigações de times da divisão de base, manter um estádio próprio ou alugado, centro de treinamento dentro das regras da CBF, técnico com cursos oficiais da CBF ou Conmebol, diretores profissionais, e apresentar balanços dentro de critérios da confederação.

Em sua resolução, a confederação informou que a aplicação de cada critério será aplicado gradualmente pela entidade. O cronograma ainda será determinado pela entidade.

 


Código de ética e reforma do estatuto estão parados há oito meses na CBF
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Em fevereiro de 2016, a CBF anunciava com alarde uma série de reformas para teoricamente modernizar e moralizar a entidade. Em fevereiro de 2017, boa parte das medidas estudadas está parada na confederação. São os casos do código de ética e da reforma do estatuto.

Há um ano foi criado um comitê para analisar uma série de mudanças na CBF. Entre elas, estavam o licenciamento de clubes, o desenvolvimento do futebol feminino, o calendário e o código de ética e reforma do estatuto citados acima. Houve uma divisão por grupos para cada tema.

Em junho de 2016, a CBF anunciou que estava concluída a redação do código de ética da entidade. No entanto, depois disso, não houve convocação de assembleia para aprová-lo, nem nenhuma medida para torna-lo válido. Membros de comitês ouvidos pelo blog disseram que não há mais nada a fazer no texto e que agora depende dos órgãos da confederação.

“Está parado com eles. Pelo que sei, está com o Carlos Eugênio Lopes (diretor jurídico da CBF) para ele ver se adapta às leis e normas”, contou o presidente da Federação Bahiana de Futebol, Ednaldo Rodrigues. “Brinquei com o Walter Feldman (secretário geral da CBF) que passou a Olimpíada e nada andou. Falei: ‘Será que vamos ter que esperar o próximo Pan?'”

A reforma do estatuto da CBF também travou. Essa mudança tem uma polêmica: a inclusão ou não dos clubes na Assembleia de natureza administrativa, que toma a maior das decisões da entidade.

No meio de 2016, essa alteração foi reivindicada por clubes da Primeira Liga que alegavam que a lei prevê esse direito a todos os times das Séries A e B. A CBF ignorou e nem respondeu. Sem isso, as agremiações continuarão alijadas de discussões como a reforma do próprio estatuto. Havia outras medidas no estatuto, inclusive adaptações a novas regras da Fifa, discutidas nesta reforma.

“Para se implantar, a legalidade tem que ser vista. Não pode conflitar com leis porque são normas administrativas. Ou a norma será nula”, disse o presidente da Federação Pernambucana, Evandro Carvalho , que é advogado e defende que os clubes não sejam incluídos na assembleia administrativa. “Falei para eles (CBF) que precisava de um ano de maturação.”

Haverá assembleia ordinária de federações estaduais neste primeiro semestre para aprovação de contas. É possível que a CBF leve os textos para votação na ocasião. Questionada pelo blog, a entidade não respondeu, no entanto, em que estágio estão essas reformas.

Outras medidas do pacote da confederação têm andando como o licenciamento de clubes que prevê regras financeiras e de estrutura para que esses possam participar dos campeonatos Brasileiro, e Libertadores. A entidade está implantando o sistema esse ano para tornar alguns de seus pontos válidos na próxima temporada.

O desenvolvimento do futebol feminino também caminhou: haverá obrigatoriedade de times da modalidade para todos aqueles clubes que quiserem estar na Libertadores em 2019. Ou seja, isso exigirá uma adaptação dos times nacionais.

Em relação ao calendário, o novo cronograma de jogos pra 2017 trouxe algumas mudanças em relação a 2016 para se adaptar à Libertadores anual. A Copa do Brasil será realizada em período menor, e houve folga em todas as datas de eliminatórias da Copa. Mas praticamente não se mexeu nos Estaduais que continuam a ocupar 18 datas no calendário.


Fifa quer liberar replays polêmicos em estádios junto com árbitro de vídeo
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A Fifa quer liberar replays de lances polêmicos em estádios juntamente com o árbitro de vídeo. O modelo ainda não está finalizado, mas a ideia é mostrar para o torcedor por que o árbitro tomou determinada decisão. Esse sempre foi um tabu para a federação internacional que proíbe a exibição de lances de marcação difícil para o árbitro.

O modelo de árbitro de vídeo ainda está em discussão dentro da Fifa e da International Board. Houve o primeiro teste no Mundial de Clubes no Japão. Mas entidades como a CBF ainda questionam o projeto da federação internacional e haverá outros ajustes em teste.

Entre os pontos controversos, está o uso de vídeo pelo árbitro que está em campo. A Fifa defende essa ideia, a CBF é contra e pretende argumentar para impedir isso. Outra questão é sobre o uso do árbitro de vídeo em lances de interpretação. De novo, a Fifa é a favor, e a confederação é contra. A confederação vai insistir na sua tese em encontros com a International Board em fevereiro.

Mas há um ponto em comum: ambas as entidades preveem liberar o replay de lances controversos nos estádios. No caso da Fifa, a ideia é até mais avançada: ter uma câmera acompanhando o árbitro enquanto ele toma a decisão. É supreendente para uma entidade que proibia que países-sede de Copa do Mundo exibissem replays de lances controversos no estádio. Queria evitar reações adversas da torcida contra o juiz, temente protestos.

A CBF simplesmente pretende liberar o replay para o torcedor poder constatar o mesmo que o juiz de vídeo analisou. No Brasileiro, também se evita a exibição de lances polêmicos em telões, ou câmeras que revelem impedimento.

Mas ainda não é certa a implantação do árbitro de vídeo no Brasileiro-2017. O principal empecilho continua a ser a alegação da entidade de que faltam recursos porque o sistema é caro. Os gastos são estimados em R$ 15 milhões, e a CBF tem receita estimada em R$ 500 milhões nos últimos anos. Já há quem fale dentro da entidade em adiar o árbitro de vídeo para 2018.


CBF dará prazo para times melhorarem CTs e estádios para jogar Brasileiro
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A CBF já finalizou um rol de exigências para CTs e estádios dos times das Séries A e B do Brasileiro. Essa lista fará parte do licenciamento de clubes que será obrigatório para disputar o Nacional e a Libertadores. Uma parte das regras passa a valer em 2018 e outra será implementada gradativamente nos anos seguintes.

O regulamento da CBF para licenciamento de clubes já está pronto e inclui regras sobre estrutura, técnica e financeira, entre outras. Falta determinar o prazo para cumprimento das obrigações. Foi realizado um seminário com clubes nesta quinta-feira para detalhar o passo a passo.

“Não tem prazo ainda para cada item ser cumprido. Só vamos ter isso depois de termos um diagnóstico de como estão os clubes”, contou Reynaldo Buzzoni, do departamento de registros da CBF, que cuidará do licenciamento.

Por isso, a CBF vai fazer vistorias em estádios para verificar uma lista de 87 itens -entre público, imprensa, segurança, doping – para ver quais são atendidos pelos clubes. Outros 71 exigências serão feitas para CTs, além da análise das contas.

“Você sabe quantos clubes da Série A tem CT? Eu não sei. Mas sei que há no Inter, no Grêmio, no Atlético-MG, no Cruzeiro, São Paulo, Corinthians, os do Paraná. Mas alguns no Rio não têm. Se 13 ou 15 têm, os outros podem ter”, contou Buzzoni. “Agora entendemos a adaptação. Tem que ter dinheiro para construir: pode demorar uns anos. Mas tem que cumprir.”

O mesmo vale para estádios de futebol. “O Sport por exemplo tem um bom CT, mas seu estádio tem problemas com assentos. Talvez tenha que jogar na Arena Pernambuco no futuro ou resolver. Pode dar mais conforto ao torcedor”, exemplificou.

Até maio a CBF pretende ter pronto o diagnóstico da estrutura dos clubes, assim como de suas contas. A partir daí, vai estabelecer prazos para a adaptação. Isso ocorrerá em nível continental também com a Conmebol. A Libertadores e a Copa Sul-Americana já terão exigências de licenciamento para 2018, mas há itens que ficarão para os anos seguintes.

“Acredito que pontos sensíveis (no licenciamento) podem ser a estrutura, CTs, estádios, e financeiros”, contou Mariano Zavala, representante da Conmebol para licenciamento. “As confederações que vão nos dizer quais clubes estão habilitados a jogar.”

A CBF terá de entregar os dados do licenciamento dos clubes para a Libertadores até novembro de 2017. A Conmebol, no entanto, tem direito de auditar o trabalho da confederação brasileira.