Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : CBF

Delator acusa Del Nero de saber de esquema de propina na Conmebol
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Em depoimento na Justiça de Nova York, o ex-executivo da Torneos Y Competencias Alejandro Buzarco afirmou que o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, sabia do esquema de propinas em pagamentos por contratos da Conmebol. A informação foi publicado primeiramente no Globo.com, e confirmada pelo UOL. Em nota da CBF, o dirigente negou a acusação.

O depoimento do executivo ocorreu no processo do caso Fifa que tem como acusados os ex-presidente da CBF José Maria Marin e da Conmebol, Juan Angel Napout, além do peruano Manuel Burga. Réu confesso de pagar propinas, Buzarco fechou acordo com a Justiça para denunciar outros acusados.

Como já informado pelo Buzzfed, Buzarco acusou seis redes de televisão de pagamento de subornos a dirigentes, entre elas a TV Globo. A emissora nega.

A Torneos Y Competencia era responsável por comprar e revender direitos de competições da Conmebol, como a Copa América e a Libertadores. O processo do caso Fifa investiga pagamento de propinas justamente por essas competições, entre outras.

Em seu relato, Buzarco afirmou que o ex-presidente da AFA Julio Grondona, já morto e ex-vice-presidente da Fifa, gerenciava o esquema de propina da Conmebol. Em seguida, disse que após a sua morte, as pessoas que conheciam todo o esquema eram Marco Polo Del Nero e Juan Angelo Napout, que tornou-se presidente da confederação sul-americana. É a primeira vez em que um depoimento no julgamento há uma acusação contra o dirigente.

Essa acusação reforça os indícios contra Del Nero. Ele já foi indicado pelo Departamento de Estado dos EUA por supostamente receber subornos por contratos da Conmebol e da CBF. É enquadrado nos crimes de fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e conspiração. Não responde ao processo porque não está nos EUA.

Por meio de nota, a CBF apresentou a defesa de Del Nero. Alega que Del Nero não recebeu vantagem econômica enquanto dirigente, não ocupava cargo no Comitê Executivo, nem assinou contratos sob suspeita. Não foi possível falar com representantes da Conmebol sobre o caso. O advogado de Del Nero, José Roberto Batochio, esteve nos EUA para acompanhar o processo e disse que se manifestaria pela nota. Veja abaixo:

“Com referência à citação feita à sua pessoa pelo delator premiado ALEJANDRO BUZARCO na Corte de Justiça do Brooklin, New York, EUA, o presidente da CBF, MARCO POLO DEL NERO, vem a público esclarecer que nega, com indignação, que tivesse conhecimento de qualquer esquema de corrupção supostamente existente no âmbito das entidades do futebol a que se referiu. As investigações levadas a efeito naquele país não apontaram qualquer indício de recebimento de vantagens econômicas ou de qualquer outra natureza por parte do atual presidente da CBF. Igualmente, o que ali ficou apurado foi que os contratos sob suspeita não foram por ele assinados nem correspondem ao período de sua gestão na presidência da CBF. Esclarece, ainda, que jamais foi membro do Comitê Executivo da Conmebol, mostrando-se também falsa essa informação. Por fim, reafirma que nunca participou, direta ou indiretamente, de qualquer irregularidade ao longo de todas atividades de representação que exerce ou tenha exercido.”


Na Justiça, CBF ganha posse provisória de marca do Brasileirão
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A CBF conseguiu em ação na Justiça a posse provisória da marca “Brasileirão” com referência ao campeonato da Série A. A decisão foi por meio de uma liminar, e é mais um passo da disputa da entidade pela marca. Até agora, administrativamente, seus pedidos de registros tinham sido negados.

A entidade já explora a marca em álbuns de figurinha e alguns itens, mas sua intenção era expandir o licenciamento. Isso ainda não ocorrerá porque a entidade espera ter uma posse definitiva do nome “Brasileirão”. Por enquanto, conseguiu barrar que outras empresas utilizem o nome.

Em 2010, em meio à onda da Copa-2014, a CBF fez uma série de pedidos de registros de marca no INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial). Entre elas, estavam cinco pedidos de registro do “Brasileirão”, embora não tivessem nenhuma relação com o Mundial.

Pois bem, o INPI negou todos os pedidos de registro da marca feitos pela CBF para diversos tipos de produtos. Havia vários pedidos porque cada um se refere a um campo de produtos, indo desde calcinhas, calçados e pijamas até serviços de rádio, televisão e transmissão esportiva. A entidade recorreu administrativamente, e perdeu.

Em agosto de 2017, a CBF entrou com uma ação na Justiça contra o INPI. Basicamente, pedia a suspensão das decisões do INPI que lhe negavam o registro do Brasileirão e que reivindicações similares de outras empresas fossem negados. Liminarmente, o juiz Celso Araújo Santos suspendeu as decisões do INPI pelo menos até a conclusão da ação, tornando as sub judice.

Houve dois motivos para essa decisão: 1) a CBF demonstrou já ter feito licenciamentos da marca “Brasileirão” 2) a possibilidade de outras empresas registrarem a marca do campeonato.

“No entanto, verifico risco concreto de dano à Autora caso não concedida a tutela requerida. Isso porque, sem uma decisão judicial, os quatro pedidos de registro acima serão definitivamente arquivados pelo INPI, o que trará duas consequências graves e de difícil reversão: a perda dos direitos garantidos ao depositante pelo art. 130 da LPI e a possibilidade de prosseguimento de pedidos de registro de terceiros colidentes com os pedidos da Autora (CBF).”, afirmou o magistrado.

Em outubro, há cerca de um mês, o INPI registrou a decisão judicial que suspende suas ações administrativas. Consultada, a CBF informou que agora usará a liminar para tentar que o INPI registre, em definitivo, a marca do Brasileirão como sua. Mas não mudou a sua estratégia de marketing porque a decisão é provisória.


CBF e Globo encaminham acordo por direitos de TV da seleção até 2022
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Com Pedro Ivo de Almeida

A CBF e a Globo estão próximas de fechar o acordo por todos os direitos de transmissão de TV da seleção brasileira até 2022. O fracasso da licitação da TV Aberta e Fechada para venda dos jogos do time brasileiro levou a uma negociação direta entre as partes. Falta pouco para a assinatura de contrato.

Desde o ano passado, com o fim do contrato antigo, a CBF e a Globo têm tido uma queda-de-braço em que a primeira reivindica mais dinheiro, e a segunda tenta conter seus investimentos. Jogos amistosos da seleção neste ano não tiveram transmissão da emissora.

Em agosto, a CBF lançou uma concorrência para transmissão de 37 jogos da seleção de 2017 a 2022, sendo dois pacotes, um para TV e outra para internet. Nenhuma emissora topou pagar o valor mínimo de US$ 3,5 milhões, e a Globo comprou só os direitos de internet.

Havia a expectativa de uma nova licitação, mas iniciou-se uma negociação direta entre as duas partes. Pelo que apurou o UOL Esporte, o acordo entre a emissora e a CBF já tem os principais termos alinhavados. Tanto que já está em confecção o contrato.

Inicialmente, poderia ser feito um acordo pontual apenas para os amistosos para o final do ano. Mas a Globo mais uma vez descartou contratos desse tipo por entender que há dificuldade para comercializar. Então, partiu-se para a discussão do acordo de longo prazo abrangendo os 37 jogos.

Há a possibilidade de o contrato ser fechado ainda nesta semana com otimismo das duas partes, segundo apurou o blog. Não foi possível obter valores. O acordo anterior tinha valor de US$ 2 milhões por jogo.

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Pressão sobre árbitro na consulta ao vídeo renderá amarelo e até expulsão
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A comissão de arbitragem da CBF já decidiu que jogadores e técnicos que tentarem pressionar os árbitros quando consultarem o vídeo em campo serão punidos com cartão amarelo e até expulsão. Ainda não há data definida para a implantação do sistema de árbitro de vídeo no Brasileiro que estava previsto para a 29a rodada. Há entraves técnicos que atrasam a novidade.

É uma preocupação da confederação o excesso de reclamações de jogadores e treinadores em cima dos juízes. E, por isso, a CBF nem queria que houvesse uma televisão no gramado para consulta do árbitro, além do que ficará em uma sala separada. Mas o protocolo da Fifa estabelece que o juiz de campo tem que ter a possibilidade de tirar dúvida em uma tela.

A ideia é posicionar uma tela no meio do campo, entre os dois bancos de reservas. Tradicionalmente, há ali um foco de pressão das comissões técnicas dos dois times sobre o juiz naquele ponto. Por isso, haverá uma linha em volta da tela onde será proibido o acesso de jogadores e treinadores.

“A área ali é restrita ao árbitro. Haverá essa linha demarcatória proibindo o acesso. Se chegar um jogador nesta área, levará o amarelo. Se um técnico entrar, será excluído. Não tem nem discussão”, afirmou Sergio Correa, membro da comissão de arbitragem responsável pelo projeto do árbitro de vídeo.

A intenção da tela no campo é para caso o árbitro de campo tenha dúvida ou necessidade de interpretar um lance. O outro juiz ficará em uma sala como um bunker, isolada, sem acesso para ninguém. E estará proibido de interpretar, por exemplo, se foi pênalti. Isso só poderá ser feito pelo árbitro no gramado.

“Quando houver um lance, ele (árbitro em campo) pode fazer interpretação na tela. Ele pode pedir essa revisão”, contou Corrêa. A intenção da CBF é deixar a atuação do árbitro de vídeo restrita a lances claros, mas, obviamente, haverá uma subjetividade em decidir quais são esses casos. Então, o árbitro de campo que decidirá.

Instrutores da CBF já treinaram 64 árbitros para atuar com vídeo no CT de Águas de Lindóia. Outros 50 passarão pelo mesmo procedimento. Há ainda ajustes e testes a fazer no sistema, inclusive em relação às condições técnicas de certos estádios.


Justiça dos EUA inclui provas que complicam Del Nero em julgamento de Marin
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A Justiça dos EUA aceitou incluir no julgamento de acusados do caso Fifa provas que complicam o atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero. Ele não será julgado porque não se apresentou ao judiciário norte-americano, mas tem seu nome incluído na acusação. Há três réus que serão submetidos ao juri, entre eles o ex-presidente da confederação José Maria Marin.

Os supostos participantes dos esquemas de corrupção no caso Fifa estão divididos em três: réus confessos colaboradores, acusados que alegam inocência (caso de Marin) e aqueles que nunca apareceram nos EUA para responder (caso de Del Nero e Ricardo Teixeira). Por isso, o Departamento de Justiça apresentará uma acusação contra os três detidos que alegam inocência: Marin, Juan Angel Napout (ex-presidente da Conmebol) e Manuel Burga (da Federação Peruana).

Mas, para provar que eles participaram de conspiração mafiosa (RICO, na expressão americana), os procuradores requisitaram à Justiça que pudessem apresentar evidências contra outros participantes do esquema. A juíza Pamela K Chen admitiu o uso das provas em decisão no dia 13 de setembro.

No documento liberado pela Justiça, estão descritos os esquemas mafiosos, com citação de Del Nero e Ricardo Teixeira. O site Globo.com já tinha antecipado que eles eram citados na acusação. Mas, para isso, seria necessário que fossem aceitas as provas organização mafiosa que eles teriam criado junto com Marin. São listados cinco supostos esquemas no total, entre eles um envolvendo contratos da Copa do Brasil.

“A obtenção e compra de certos direitos de mídia e de marketing organizado pela CBF para várias competições, incluindo a Copa do Brasil. Como nas provas dos esquemas da Copa América e da Libertadores, em provando o esquema da Copa do Brasil, o governo vai provar que em adição a Marin, outros dirigentes de futebol – incluindo (os alegados conspiradores Ricardo Teixeira, longo tempo presidente da CBF) e (Marco Polo Del Nero, dirigente da CBF) – receberam propinas em conexão com a obtenção e a venda dos direitos de mídia e marketing da Copa do Brasil”, descreve o documento do Departamento de Justiça dos EUA.

Os procuradores vão apresentar as provas no julgamento e não as antecipam no documento, mas eles indicam alguns dos elementos a serem mostrados. Em relação a torneios internacionais, Copa América e Libertadores, são listados como evidências “contemporâneos planos de negócios da Full Play e da Torneos” que detalham as propinas pagas a cada um dos réus. Tanto Marin quanto Del Nero e Teixeira são acusados de receber subornos pela Libertadores e Copa América.

Em seguida, a procuradoria diz que esses documentos indicam pagamentos de propina para outros torneios, alguns dos quais não é possível provar com absoluta convicção a corrupção. Entre esses, estão citados “jogos amistosos das seleções da Argentina, Brasil, Bolívia, Equador, Colômbia e Chile, além de outras propinas”.

É a primeira vez que a Justiça norte-americana cita jogos amistosos da seleção brasileira. Há uma colaboração entre as Justiça dos EUA e da Espanha que determinou a prisão de Ricardo Teixeira por levar comissões ilegais por amistoso do Brasil. Por estar no Brasil, ele está em liberdade. O esquema envolve o ex-presidente do Barcelona Sandro Rosell.

Em relação aos esquemas da Copa América, Copa do Brasil e Libertadores, o Departamento de Justiça afirma ter outras evidências que os sustentem como mais documentos e testemunhas. “Outros documentos e/ou testemunhas que pagaram ou aceitaram propinas e que vão testemunhar sobre a participação direta dos réus nos esquemas da Copa América, Copa Libertadores e Copa do Brasil”, dizem os procuradores.

Resumo: a procuradoria dos EUA afirma ter registros financeiros e testemunhas para provar que houve subornos recebido por dirigentes pelos contratos da Copa do Brasil, da Copa América e da Libertadores. E, entre os beneficiados de acordo com a versão, está Del Nero.

O presidente da CBF já afirmou que não existirá nenhuma prova que o incrimine, e alega inocência. Mais recentemente, o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, disse que Del Nero não se defendia por desconhecer provas que o implicassem em qualquer esquema.

Já o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira nunca falou claramente sobre essas acusações. Mas, em entrevista à “Folha de S.Paulo”, disse que algumas das coisas de que é acusado “não são crime no Brasil”.

Por fim, Marin, que está em prisão domiciliar, diz ser inocente das acusações. Seus advogados tentaram derrubar a acusação de máfia, sem sucesso, assim como tentaram separar seu julgamento de outros acusados, o que também foi negado.


Árbitro de vídeo não atuará em lances interpretativos como gol do São Paulo
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A comissão de arbitragem da CBF tem orientado os árbitros de vídeo (AV) que não poderão opinar ou interferir em lances passíveis de interpretação nos jogos do Brasileiro. Um exemplo é a marcação de falta de Pratto em Cássio que levou à anulação do gol do São Paulo diante do Corinthians. A intervenção do vídeo será só para jogadas claras, de acordo com as instruções da confederação.

O instrutor de árbitro de vídeo, Manoel Serapião Filho, afirmou que será seguido o protocolo da Fifa que não abre possibilidade para o juiz na frente do monitor atuar em jogadas subjetivas, com mais de um julgamento. Isso só poderá ser feito pelo que estiver em campo.

“Se tiver que interpretar, o árbitro de vídeo está fora. Só vai julgar o que for preto no branco, não entrará em zonas cinzentas”, explicou Serapião. “Ele não é um clínico geral. É como se fosse um médico cirurgião. Só salva vida na UTI.”

Como exemplo, o instrutor do AV explica que o homem à frente do monitor não poderia interferir nem no gol anulado de Eder Militão, nem no pênalti marcado de Edílson sobre Allione no Grêmio e Bahia. Houve reclamação dura de são-paulinos e gremistas em relação às duas decisões do juiz.

“Nenhum dos dois (árbitro de vídeo pode atuar). Não tem imagem clara da televisão. Um não dá para ver se há o toque (pênalti para o Bahia) e no outro está um bolo de jogadores no meio (falta de Pratto)”, explicou Serapião Filho. “Vai servir para lance como a mão do Jô que é claro. Impedimento que interferiu, pênalti e gols (claros).”

Apesar de Serapião citar o protocolo da Fifa, a entidade liberou que o árbitro de vídeo pudesse chamar o juiz de campo para citar lances que possam ser subjetivos. A CBF, no entanto, é contra esse tipo de atuação porque entende que pode aumentar erros. “Com esse limite, vai melhorar 80%. Ser ou não ser. A faixa de equívoco será mínima”, completou ele.

O instrutor da CBF, no entanto, admite que há uma interpretação na própria decisão do árbitro de vídeo de qual lance é ou não subjetivo. Neste caso, ele será treinado para que procure a melhor definição de acordo com os parâmetros estabelecidos pela confederação. E haverá uma vigilância sobre os juízes para que não extrapolem sua função no vídeo.

O treinamento da CBF envolve 64 árbitros que atuam na primeira divisão e vai durar até 11 de outubro. Aliado a isso, chegarão os equipamentos da Bélgica para serem utilizados no sistema. A imagens usadas serão da Globo, com a possibilidade de botar câmeras extras na linha do gol. Por isso, a previsão é de implantação do sistema até o meio de outubro no Brasileiro.

“A CBF sempre teve treinamento para árbitro de vídeo. Não está queimando etapas, está antecipando etapas. Já estava previsto e todos terão o curso”, finalizou Serapião, que estava ministrando um dos cursos.

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Dirigentes temem que uso de árbitro de vídeo às pressas seja fracasso


CBF deve reduzir preço da seleção para TVs ou mudar pacote
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Sem receber proposta pelos direitos de TV dos jogos da seleção, a CBF deve ter de reduzir o preço mínimo proposto de US$ 3,5 milhões, ou reformar o pacote de concorrência. Há interesse de emissoras no time brasileiro, mas o preço ficou acima do almejado por estas.

A diretoria da confederação tinha expectativa de atingir o valor mínimo por todos os jogos da seleção, o que dobraria seus ganhos atuais por partida. No total, havia previsão de um ganho de R$ 465 milhões em um contrato por 37 partidas.

No anúncio da concorrência, o diretor da TEAM, Patrick Murphy, que coordena a concorrência, afirmou que os preços foram estabelecido por critérios científicos. E se dizia confiante que o valor mínimo seria atingido.

Mas, ao final do processo, não houve entrega de propostas com a oferta inicial. Apenas a parte digital não exclusiva foi comprada pela Globo por valor menor – o mínimo era Us$ 500 mil.

A Globo e a Turner manifestaram interesse na licitação de TV Aberta, segundo apurou o blog. Mas acabaram não fazendo propostas. O interesse continua só que dependerá de valores a serem pedidos pela CBF. A confederação tem dois caminhos: reduzir o preço ou reformar o pacote mudando seu fatiamento.

O pacote de seleção é considerado especialmente estratégico pela Globo. A emissora entende que ainda não é possível explorar amplamente os direitos de eventos esportivos apenas no ambiente digital. Antes, pagava US$ 2 milhões por jogo até o final do ano passado. Mas iniciou uma queda-de-braço com a CBF neste ano que complicou a renovação e levou à concorrência.

Ainda não há uma data para o lançamento de uma nova licitação pela seleção.

 

 


Clube da 2ª divisão em SP enfrenta CBF na Justiça para rebaixar caloteiros
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O Rio Preto Esporte Clube, clube que disputou a segunda divisão do Paulista em 2017, decidiu enfrentar a CBF na Justiça para tentar fazer valer a regra da Lei do Profut que rebaixa times caloteiros. Uma liminar do STF derrubou parte da legislação que obrigava times a estar em dia com dívidas fiscais e salários sob pena de cair de divisão. Agora, a questão vai para o plenário do tribunal.

A ação que pede a inconstitucionalidade de partes do Profut (programa de refinanciamento de dívidas dos clubes) foi patrocinada pelo PHS, partido do diretor da CBF, Marcelo Aro, com um sindicato de associações de futebol. A CBF entrou como parte interessada. A intenção era derrubar boa parte das imposições da legislação, depois de os clubes terem obtido pelo menos R$ 579 milhões em descontos de dívidas.

Na segunda-feira, o ministro do STF Alexandre de Moraes derrubou o artigo 40 do Profut que exigia a apresentação de certidões negativas de débito, comprovantes de pagamento de salários e FGTS para disputar competições. A CBF já tinha excluído essas medidas de austeridade do seu licenciamento de clubes. Assim, o calote passou a não ter punição esportiva.

Pois bem, em julho, antes da decisão, o Rio Preto entrou no STF com um pedido de ser parte na ação no STF. Sua petição é para poder apresentar razões em favor da manutenções da obrigação de austeridade para as competições. Sua petição ainda não foi julgada pelo ministro Moraes.

“O clube vai discutir a estratégia agora. Mas, quando for aceito como parte, o clube não descarta entrar com um mandado de segurança para tentar cassar essa liminar. Pretendemos ainda pleitear que a lei seja aplicada na data anterior à liminar já que estava válida”, contou o advogado do Rio Preto, Marcelo Fadul ao blog.

Em sua petição ao STF para ser parte na ação, o clube paulista alega ter sido prejudicado na disputa da Série A2 do Paulista (na prática, segunda divisão) porque era um dos poucos que pagava imposto. Assim, sobrava menos dinheiro para investir no time que acabou rebaixado para a Série A3.

“O Rio Preto Esporte Clube já é um clube que tem resguardado o seu equilíbrio financeiro e fiscal por um trabalho árduo, profissional e honesto. E vem sendo amplamente prejudicado assim como os demais que também são adimplentes em comparação com os demais devedores contumazes”, diz a petição, datada de 10 de julho.

Em seguida, explica que, nos últimos 14 meses, pagou R$ 600 mil em impostos. “Participando de divisões com clubes que não recolheram sequer R$ 1,00 (um real) e injetaram estes mesmos 600 mil reais em seu aproveitamento dentro de campo, turbinando seus orçamentos com os frutos de sua continuada inadimplência”, contou o documento do Rio Preto.

Levantamento do Rio Preto mostra que, dos 20 participantes da Série A2, apenas seis estavam com a situação fiscal regular.  “Ao fim do torneio, o óbvio aconteceu, 4 (quatro) destes 6 foram rebaixados e nenhum adimplente subiu a Série A1 do Campeonato Paulista, premiando, por fim, os inadimplentes”, informou o clube à Justiça. O Rio Preto ficou na 18ª posição entre 20 times.

E o Rio Preto conclui em sua defesa: “Iremos atrelar mera coincidência a estes números? Ou observar a realidade daqueles inadimplentes que concentram suas arrecadações unicamente para obtenção de resultados desportivos, alheios as responsabilidades sociais perante este Estado.”

“O clube paga impostos há cinco anos. Não é à toa que é chamado de imposto, não é voluntário. A maioria dos clubes não paga, o que eles deixam de recolher é INSS, FGTS. Imagina como turbinam seus orçamentos”, analisou Fadul.

Em sua petição, o Rio Preto ainda aponta a contradição da CBF que colocou em seu regulamento geral de competições um artigo que previa regras de fair play financeiro, e ao mesmo tempo entrou com ação contra o Profut. Na prática, a CBF retirou de seu regulamento de licenciamento de clubes todas as medidas de austeridade previstas na versão original.

Antes da liminar do STF, a Federação Paulista de Futebol tinha enviado um ofício a todos os clubes exigindo a apresentação das certidões negativas de débitos para participarem dos conselhos técnicos dos campeonatos. Agora, isso não será necessário.

Após a decisão de Alexandre de Moraes, a diretoria da CBF festejou por meio do diretor executivo Rogégio Caboclo: “Decisão justa e fundamentada que protege a Constituição Federal e respeita o futebol, os clubes e o torcedor brasileiro que têm o direito de ver as competições resolvidas exclusivamente dentro do campo de jogo.”

Tags : CBF Profut


Árbitro de vídeo gera saia justa entre CBF e Globo
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Com Pedro Ivo de Almeida

A implantação do árbitro de vídeo causa uma saia justa entre a CBF e a Globo por conta do uso das imagens da emissora para tomar decisões sobre os erros. A confederação tenta acelerar o processo, enquanto a emissora quer garantir que sua participação não vai interferir no sistema esportivo.

As discussões entre as partes ocorrem enquanto a CBF tentar contratar uma empresa para ter todos os monitores para árbitros, e montar um sistema até o final de semana. E isso tem de casar com o sistema da Globo de transmissões que é usado no Brasileiro. É provável que não se conclua até o final da semana.

Uma primeira questão é que a emissora tem mais câmeras em alguns jogos do que em outros pela própria lógica de transmissão. Assim, haveria mais câmeras em um jogo de domingo à tarde transmitido para toda a rede em TV aberta do quem em outro do pay-per-view de times de menor expressão. Isso poderia causar desequilíbrio.

Diante dessa situação, a comissão de arbitragem da CBF vai utilizar um número de câmeras padrão disponíveis em todos os jogos. Mas aí terá de ver como não usar as outras extras de jogos grandes.

“Existe um mínimo de câmeras, algo como sete. Mas ainda estamos conversando. Se precisarmos colocar mais câmeras para viabilizar, vamos conversar. Tudo será ajustado aos poucos. Em um jogo com 20 câmeras, ok”, afirmou o presidente da comissão de arbitragem da CBF, coronel Marcos Marinho.

A confederação queria que a Globo emprestasse os operadores de replay com know-how para serem usados nas cabines de árbitros de vídeo. Só que a emissora não gostou da ideia. Entende que não tem que colocar seus funcionários para atuar na parte esportiva, da arbitragem.

Há um temor da Globo de ela seja vista como interferindo na arbitragem. Por isso, a intenção é ajudar, sim, a CBF, mas apenas fornecendo as imagens solicitadas. Não haverá participação no sistema de monitoramento do árbitro.

E aí surge uma terceira questão: as câmeras da Globo são posicionadas para melhor transmissão ao telespectador, e não para atender critérios técnicos de arbitragem. Ou seja, não haverá como garantir que haverá uma câmera para pegar um impedimento na linha da defesa.

Todos esses itens emperram as discussões entre as partes e tornam o cenário complicado para utilizar árbitro de vídeo já na próxima rodada do Brasileiro. A ordem do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, era acelerar o processo, mas ele mesmo que protelou a ideia em pelo menos um ano por economia.


Saiba como funcionará o árbitro de vídeo no Brasileiro
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Com Pedro Ivo de Almeida

Após gol de mão de Jô contra o Vasco, a diretoria da CBF decidiu acelerar a implantação do árbitro de vídeo no Brasileiro: a ideia é ter na próxima rodada. O sistema terá de respeitar o protocolo determinado pela Fifa, único permitido pela International Football Board Association. É o mesmo que será utilizado pela Conmebol nas semifinais da Libertadores

A CBF vinha protelando a instalação do árbitro de vídeo por economia já que o custo estimado é de R$ 15 milhões por ano. Por isso, foram feitos testes apenas em dois jogos da final do Campeonato Pernambucano, além de experiências offline. Mais: a confederação tinha discordâncias com a Fifa sobre a abrangência da atuação do juiz no monitor, mas só poderá usar o sistema da federação internacional.

E a Fifa já estabeleceu umas série de regras básicas para atuação do árbitro de vídeo. A intenção geral é que sejam poucas revisões em lances capitais, sem parar o jogo inteiro. Veja nesta série de perguntas como irá funcionar o sistema:

Como funciona?

Um árbitro ou ex-árbitro ficará em frente a um monitor com imagens dos jogos. O árbitro de campo pode consulta-lo no caso de dúvida ou o juiz à frente da televisão pode interferir se identificar um erro não visto pelo colega no campo. Eles se falam por intercomunicação. A decisão final é de quem está em campo. A CBF ainda vai decidir exatamente em que locais ficarão os juízes à frente do monitor, dependendo da infraestrutura do estádio.

Quando o árbitro poderá atuar?

1) Lances de gol para ver se houve irregularidade em impedimento ou se a bola entrou. Não será possível voltar atrás se for marcado impedimento inexistente porque o lance para.

2) Pênaltis para saber se houve, de fato, a falta na área.

3) Cartões vermelhos para verificar se ocorreram agressões fora do lance não vistas pelo árbitro.

4) Identificação de jogadores em confrontos em massa em campo.

Quais imagens serão usadas?

No caso brasileiro, serão usadas as imagens da Globo, detentora dos direitos do Brasileiro. A CBF entende que tem de ser utilizadas as mesmas imagens vistas pelo torcedor para não gerar dúvida. Em Pernambuco, houve testes com produção própria e com imagem da emissora oficial. Ainda não está descartado o uso de transmissão própria que seria mais cara também. Fato é que a imagem não terá som.

O sistema brasileiro de árbitro de vídeo já está maduro para ser usado?

Fifa e Conmebol contrataram empresas para implantar o árbitro de vídeo, sendo no caso da federação internacional o Hawk-eye que já era usado em outras competições esportivas. Ambas fizeram treinamentos com os árbitros que utilizarão o sistema. No Brasil, foram treinados pela Conmebol três árbitros: Anderson Daronco, Wilton Pereira Sampaio, e Sandro Meira Ricci, além de Péricles Bassols, internamente. Não foi contratada nenhuma empresa pela CBF para controlar o sistema, pois não havia previsão de implantação. A entidade vai se basear no que pegou com a Conmebol, e vai treinar de forma intensiva outros 11 árbitros, em um total de 14.

Há um problema de usar no meio do campeonato?

A CBF já tinha previsto em seu regulamento de competições de 2017 que poderia implantar o sistema de árbitro de vídeo durante qualquer das suas competições, independente da fase. Está no artigo 77. Ou seja, tem respaldo jurídico. O regulamento, inclusive, prevê que não é necessário fazer em todas as partidas, podendo a confederação utilizar só em algumas. A própria comissão de arbitragem admite que pode ter o árbitro de vídeo em alguns jogos e outros, não, dependendo da infraestrutura. A Conmebol também decidiu pelo uso do árbitro de vídeo no meio da Libertadores, a partir das semifinais.

O sistema de árbitro de vídeo já tem regras definitivas?

A International Board ainda não decidiu as regras definitivas do árbitro de vídeo que está em aprimoramento. Há um protocolo provisório feito pela Fifa que tem de ser usado em todos os países. A expectativa é de que o padrão ganhe contornos definitivos no final do ano, ou início de 2018, para chegar à Copa da Rússia consolidado.