Blog do Rodrigo Mattos

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CBF deveria usar dinheiro da Copa do Brasil para prêmio do Brasileiro
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O debate sobre os clubes em segundo plano o Brasileiro voltou durante a semana com a ideia da CBF de restringir o número de inscritos. Clubes rejeitaram a ideia por entenderem que a culpa é do calendário da própria confederação. Como a confederação não vai mudar o seu cronograma da temporada e os times vão barrar o limite de inscritos, uma sugestão (paliativa) seria desviar uma parte da verba da Copa do Brasil para o Brasileiro para aumentar sua atratividade.

Explica-se: a CBF assinou um belo contrato de direitos para a Copa do Brasil com a Globo em um total de R$ 330 milhões. Com isso, aumentou de forma considerável as premiações, inclusive dando R$ 20 milhões para o vice-campeão e R$ 50 milhões para o campeão. Tudo válido ainda neste ano.

A questão é que isso criou uma disparidade com o Brasileiro que tem premiação originária da cota da Globo. Em 2018, o campeão vai levar um prêmio de R$ 20 milhões. Para o próximo ano, com os novos contratos, esse valor vai chegar à R$ 33 milhões, ainda inferior ao da Copa do Brasil.

O fator financeiro não é a única explicação para a prioridade de alguns clubes para a Copa do Brasil. Os jogos decisivos e a perspectiva de eliminação tendem a botar titulares em campo nesta competição. Mas, obviamente, uma semifinal em que a classificação garante pelo menos R$ 20 milhões vai ter um peso na decisão do clube em que competição jogar. Isso pode chegar a 10% do orçamento de certos clubes grandes, mais do que o dobro de um patrocínio.

Ora, se a CBF não vai fazer nada a respeito do calendário, poderia pelo menos equilibrar os recursos em relação à premiação para refletir a maior importância do Brasileiro. Como? a confederação poderia reserva uma parte da verba do contrato, digamos R$ 100 milhões, para um fundo para reforçar a premiação do Brasileiro.

Como hipótese, o prêmio para o campeão da Copa do Brasil poderia cair para R$ 30 milhões, e o campeão do Brasileiro ter o seu bônus turbinado até os R$ 50 milhões. O mesmo poderia ocorrer em outras posições aumentando a importância de se chegar na frente no Nacional, e induzindo os clubes a escalarem mais os titulares. Pode se ter uma discussão sobre o caixa já que o dinheiro é gerado pela Copa do Brasil, mas, com um acordo com os times, isso poderia ser viabilizado.

Não, isso não resolveria a questão principal que é o fato de o calendário ter um excesso de jogos e por isso obrigar os clubes a escalar reservas em jogos importantes. Isso só vai ser tratado quando se enfrentar a questão política das federações e se reduzir a participação dos clubes grandes nos Estaduais. Mas, pelo menos, as recompensas financeiras do Brasileiro e da Copa do Brasil estariam mais de acordo com a importância das duas competições. Seria um passo inicial.


Clubes rejeitam limite a elenco e culpam CBF por time misto no Brasileiro
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O plano da CBF para induzir os clubes a usarem titulares no Brasileiro não foi bem recebido por boa parte dos times que tem poupado suas equipes no campeonato. A diretoria da confederação pensa em criar limite de jogadores inscritos na competição para evitar reservas, como revelou o blog do Marcel Rizzo. Dirigentes de clubes, no entanto, rejeitam a ideia e culpam o calendário feito pela CBF pela escalação de times mistos no Nacional.

Com a extensão de Libertadores e Sul-Americana no ano inteiro, os clubes que disputam três competições têm poupado jogadores no Brasileiro desde 2017. Isso se deve a um calendário apertado com excesso de jogos importantes já que não há redução dos Estaduais. A diretoria da CBF tem se incomodado com a principal competição ser deixada de lado.

A restrição de uso de jogadores inscritos é utilizada em campeonatos pelo mundo, entre eles a Libertadores e a Liga dos Campeões além de algumas ligas nacionais europeias. No Brasil, precisaria passar pelo Conselho Técnico da Série A composto pelos clubes para ser aprovada.

Entre os clubes que mais têm sofrido com o calendário, a medida é rejeitada. “Sou contra. Não sou eu quem faz o calendário que obriga a poupar. Se levar para votação, vou me posicionar contra”, afirmou o presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Jr.

Seu time tem poupado sistematicamente no Brasileiro para privilegiar a Copa do Brasil e a Libertadores. A estratégia é sempre priorizar a competição em que o time pode ser eliminado no próximo jogo.

“Estendeu-se a Libertadores pelo ano inteiro e fica essa superposição. Às vezes, o time pode estar disputando simultâneo pre-Libertadores ou Copa do Brasil e Estaduais. Depois, é Libertadores, Copa do Brasil e Brasileiro”, analisou o presidente gremista. “Isso implica em ter elencos maiores. Tem que ter elenco para atender à qualidade que a torcida espera. É a racionalidade.”

Mesmo tom de discurso foi adotado pelo presidente do Corinthians, Andrés Sanchez, cujo time também disputa as três competições. “Sou contra isso totalmente. Eles (CBF) que melhorem o calendário”, disse ele, que entende que a CBF joga para cima dos clubes um problema criado pela própria entidade. “Lógico, isso eles têm que ver na Conmebol, a Libertadores o ano todo, mais Copa do Brasil, mais Brasileiro. Quem se destaca é prejudicado”.

Outro que aponta o problema do calendário é o presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello, que é mais uma equipe que joga as três competições ao mesmo tempo. “Sou contra (a restrição a elenco). Se o calendário fosse mais racional, nenhum clube teria necessidade de escalar times alternativos no Brasileirão”, definiu.

O calendário da CBF para o próximo ano não vai mudar muito o cenário em relação a 2018. Em linhas gerais, serão mantidos os Estaduais com 18 datas, Brasileiro espremido antes e depois da Copa América, e uma pré-temporada reduzida. A vantagem é que a Copa América é menor do que a Copa do Mundo da Rússia, com três semanas contra cinco.


Após traição na Copa, Coronel Nunes evita ir à primeira reunião na Conmebol
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Depois de protagonizar uma traição em votação na Fifa, o presidente da CBF, Antônio Carlos Nunes, decidiu não ir à primeira reunião da Executiva da Conmebol após a Copa-2018 que ocorrerá na próxima semana em Assunção. Ele mandou uma carta para que o futuro presidente da CBF Rogério Caboclo o represente no encontro. Apesar disso, segue como membro do comitê executivo em cargo que é remunerado.

O episódio que queimou o Coronel Nunes na Conmebol foi na votação para sede da Copa-2026 no Congresso da Fifa, às vésperas da competição. A confederação sul-americana tinha fechado um acordo para apoiar a candidatura de EUA, Canadá e México. Na hora do pleito, Nunes, como presidente da CBF, votou no Marrocos e depois confessou que não sabia que o voto era secreto.

Isso causou um enorme desgaste com a cúpula da Conmebol, que acusou a confederação de traição. Durante o Mundial, Nunes já tinha ficado de fora de eventos da entidade continental. A confederação sul-americana até estudava um movimento para afastá-lo, mas é o próprio Nunes que teria de abrir mão da vaga o que não ocorreu.

Como solução provisória, Nunes ficou de fora desta primeira reunião embora continue a ter o cargo no Comitê Executivo. O mesmo ocorreu na CBF onde ele ficou afastado da negociação para renovação do técnico Tite, tocada por Caboclo com o aval do afastado presidente da confederação Marco Polo Del Nero.

A principal tarefa da Conmebol nos próximos meses é a organização da Copa América-2019 no Brasil. A confederação sul-americana e a CBF atuarão juntas na organização dentro do comitê organizador. É necessário, portanto, ter harmonia nas relações o que seria mais difícil com Nunes por perto. Outra discussão até o final do é a distribuição de cotas da Libertadores para os clubes já que haverá um crescimento de do contrato de TV em 2019.

Há uma autocrítica entre dirigentes da CBF de que a confusão em torno de quem de fato mandava na entidade deixou a comissão técnica da seleção muito livre para tomar decisões sozinha. Caboclo estava na Rússia como chefe de delegação e acompanhou o time de perto, mas ainda não tem o cargo de presidente para ter autonomia plena. Neste cenário, o desgaste do Coronel Nunes ajuda a mantê-lo afastado das questões da seleção.


Clubes e CBF racham sobre venda de direitos internacionais do Brasileiro
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Os clubes racharam na negociação por direitos internacionais do Brasileiro. De um lado, 11 times já assinaram um acordo com a empresa BR para venda das propriedades com o apoio da CBF. Do outro, agremiações como Flamengo, Corinthians, Atlético-PR, Bahia e Cruzeiro querem mais tempo para analisar outra proposta superior de um fundo antes de referendar um negócio. Uma reunião em Brasília tratou da questão e há contrariedade de parte dos clubes.

Antes da Copa, a CBF se propôs a intermediar a negociação de direitos internacionais e placas do Brasileiro já que a Globo não adquiriu essas propriedades. Houve uma concorrência e uma comissão de clubes juntamente com a confederação aceitou uma proposta do grupo BR Foot, que faz parte de um grupo com o Riza Capital. Eram R$ 550 milhões por quatro anos de contrato.

As negociações já estavam nos trâmites contratuais com finalização dos documentos para assinatura. Mas, durante o processo, uma proposta de um fundo inglês chegou por meio de um clube e já foi oficializada para a CBF. A proposta é de US$ 220 milhões (R$ 815 milhões), mas tem um formato diferente da primeira. Esse é o valor que pode ser atingindo, dependendo de condições, e seria como luvas descontado dos valores obtidos na revenda. Além disso, outros grupos acenaram com fazer ofertas pela propriedade.

Diante disso, os clubes se reuniram em Brasília nesta terça-feira para discutir a questão. Um grupo composto por Corinthians, Flamengo, Bahia e Cruzeiro votou para que não houvesse uma assinatura agora e se estudasse melhor a questão. Na reunião, estava o secretário-geral da CBF, Walter Feldman, que informou que outros 11 times já tinham assinado o contrato.

“Confere, não assino tendo proposta melhor”, afirmou o presidente do Corinthians, Andrés Sanchez sobre a informação.

O vice-presidente executivo do Cruzeiro, Marco Antônio Lage, que conduz as negociações, disse que, de fato, a primeira proposta estava já aprovada, mas que os clubes têm que analisar um possível ganho ecômico maior. A questão é saber se o novo fundo vai dar garantias de pagamento como fez o anterior, pois seu valor oferecido é bem superior. Representaria R$ 10 milhões por ano para cada clube se dividido igualitariamente.

“O que ficou definido é que faremos uma avaliação dessa proposta. Procurar o interessado para que ele oficialize”, disse ele. “Não tem problema quem assinou porque no final vai assinar todo mundo. O formato de revenda internacional é com participação dos clubes, mas temos que analisar o aspecto econômico.”

Há uma outra questão que tem gerado contrariedade em alguns clubes. Dois dirigentes dizem que a CBF levaria comissão no contrato da BR Foot em um percentual de 10%, isto é, ficaria com R$ 55 milhões. Por isso, veem pressão da entidade para assinatura do novo contrato. Questionada sobre o assunto, a confederação não respondeu sobre esse tema.

Dentro da confederação, extraoficialmente, há uma posição de que foram os próprios clubes que aprovaram a proposta da BR Foot. Nesta versão, a entidade não fez pressão por um acordo porque até preferia que uma das grandes empresas de marketing esportivo mundial como a IMG comercializasse o campeonato por uma maior difusão. A CBF já recebeu a nova proposta, mas caberá aos clubes analisá-la mais ao fundo.

 


Nova proposta por direitos internacionais do Brasileiro balança clubes
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Uma nova proposta de um fundo inglês pelos direitos internacionais do Brasileiro a partir de 2019 leva os clubes a repensarem o acordo com um grupo nacional que ainda não foi assinado. A nova oferta é de um valor garantido de US$ 220 milhões (R$ 815 milhões), superior aos R$ 110 milhões aceitos anteriormente do banco Riza Capital por quatro anos. Dirigentes de clubes marcaram nova reunião para discutir o caso pois a segunda proposta já foi enviada à CBF.

Com os novos contratos do Brasileiro para 2019, a Globo não comprou os direitos internacionais, nem de placas em volta do campo. Isso deixou em aberto esses direitos e a CBF se ofereceu para negociar em nome dos clubes.

Houve uma concorrência e apresentação de propostas. A melhor delas até então foi do banco de investimentos Riza Capital, que tem entre seus investidores Alexandre Grendene, Patrícia Coelho e Cesar Rocha. A oferta foi de R$ 550 milhões por ambos os direitos, sendo R$ 440 milhões pelas placas e R$ 110 milhões pelos direitos internacionais.

A comissão de clubes aceitou a oferta e o contrato estava pronto para ser assinado. Durante a Copa, no entanto, surgiu uma nova proposta de um fundo inglês cujo nome não foi revelado que a apresentou por meio de um dos clubes. Inicialmente, era uma oferta informal, mas esta foi formalizada nesta semana.

Estão na mesa US$ 220 milhões. Mas esse dinheiro seria como luvas que seriam pagas aos clubes. Enquanto isso, todas as vendas de direitos internacionais ficariam com o fundo até que se atingisse esse valor. A partir daí, os clubes e o fundo passariam a dividir o dinheiro meio a meio.

No caso do Riza Capital, o contrato seria de quatro anos com R$ 110 milhões garantidos pelos direitos internacionais. Clubes e o grupo atuariam de forma conjunta para a venda dessas propriedades.

Foi marcada uma reunião para terça-feira em Brasília com os clubes que fazem parte da comissão para discutir a nova proposta. Entre os times, estão Flamengo, Corinthians, Cruzeiro, Atlético-PR e Coritiba. Também se analisará a possibilidade de criação de uma associação dos clubes para revender os direitos em vez de a CBF atuar como intermediadora.

“Já tinha sido encaminhado o acerto com esse fundo (Riza Capital) então existe uma discussão que os clubes vão ter sobre o timing dessa proposta. Temos que ver quanto teremos de tempo para analisar a nova proposta (do fundo inglês) porque a outra estava para ser assinada”, contou o vice-presidente executivo do Cruzeiro, Marco Antônio Lage, que é parte da comissão.  “Economicamente, existe uma vantagem. Clubes têm que ver se abrem nova negociação.”

Lage ainda ressaltou que entende como importante que os clubes tenham participação na negociação dos direitos internacionais do Brasileiro que são uma propriedade pouco trabalhada no exterior. Quer a valorização desta marca. “Temos que desenvolver um projeto para tornar o produto mais conhecido.”

Para o dirigente do Cruzeiro, a negociação pode se dar por meio da CBF, sem necessidade da criação de uma associação de clubes. Questionada, a confederação não informou se já recebeu, de fato, uma nova proposta.

Há ainda uma demanda de alguns clubes de que a Globo abra mão dos direitos que tem no exterior para o seu canal internacional. É improvável, no entanto, que este pedido seja atendido visto que a emissora tem contratos que lhe garantem isso.

Em relação às placas, é possível que exista uma nova proposta também pelos direitos de placas. Flamengo e Corinthians já se retiraram do acordo relacionado às placas por entenderem que é mais vantajoso negociarem individualmente essas propriedades.


Negociação coletiva de TV domina 90% das ligas do mundo. Brasil é exceção
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A maioria dos campeonatos nacionais do mundo tem negociação coletiva de televisão, e apenas uma minoria dos contratos é fechada individualmente pelos clubes. Uma dessas exceções é o Brasileiro. É o que aponta um estudo da Fifa publicado nesta semana com uma análise da realidade de ligas por todo o planeta. Outro ponto revelador é que o país é um dos poucos na elite que tem um campeonato gerido pela federação nacional, e não por uma liga.

O relatório global de futebol de clube da federação internacional está em sua segunda edição e tratou da temporada de 2017. Seu objetivo é analisar o ambiente esportivo e econômico dos times em cada país e continente. Para isso, compilou dados de cada uma das federações.

Em relação à negociação de televisão, a Fifa obteve dados de 190 países entre os seus filiados. Desse total, 170, ou cerca de 90%, tinham negociação coletiva dos direitos de televisão. Apenas 10% tinham acordos individuais de clubes.

O Brasil está nesta fatia minoritária desde 2011, quando houve a ruptura do Clube dos 13 e as negociações passaram a ser individuais. Isso se manterá pelo menos até 2024, período que contempla contratos assinados entre os clubes e a Globo ou o Esporte Interativo relacionados aos direitos do Brasileiro.

Entre os países mais representativos do futebol mundial, há outros dois campeonatos com negociações individuais: Portugal e México. Além deles, há outras nações menos relevantes no esporte com o mesmo modelo, como Angola, Cabo Verde, Egito, Peru, Ucrânia e Chipre. Nenhuma das cinco principais ligas europeias tem acordos individuais de times.

Além disso, o estudo da Fifa levantou que 59% dos campeonatos são organizados por federações nacionais, enquanto outros 41% são de responsabilidade de ligas. O Brasileiro é organizado pela CBF, que controla arbitragem, tabela e departamento técnico da competição. A confederação tem asfixiado qualquer tentativa de liga ao longo do tempo.

Apesar de a maioria dos campeonatos ter organização de federações, o Brasil é um dos poucos da elite do futebol mundial, seja na tradição ou financeiramente, com este tipo de gestão da competição. Com o mesmo modelo, há países como Chile, Uruguai, Rússia e China.

Entre os países com liga estão EUA, México, Argentina, Colômbia, Inglaterra, Itália, Espanha, França, Alemanha, Holanda, Portugal e Japão. Até em continentes como a África, onde o futebol é menos desenvolvido do que na América do Sul, 40% dos países já possuem ligas organizando seus campeonatos.

Por fim, o Brasil é o único país entre todos com futebol relevante que combina um Brasileiro organizado pela federação nacional (CBF) com negociação individual de direitos de televisão. Ou seja, é onde os clubes têm a menor capacidade de se organizar coletivamente para melhorar o desenvolvimento de seu esporte em toda a elite do esporte mundial.

 

 


Após pedir vídeos na Copa, CBF só mostrará gravação do VAR em caso especial
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Durante a Copa do Mundo, a CBF enviou carta requisitando à Fifa as gravações do árbitro de vídeo sobre a decisões do juiz na partida contra a Suíça. Foi negado o pedido. Mas, na Copa do Brasil em que haverá vídeo, a CBF adotará o mesmo procedimento da federação internacional e só mostrará as gravações aos clubes em casos especiais em que a integridade ou transparência do jogo esteja em questionamento.

Assim como faz a Fifa, a CBF vai gravar em vídeo e em áudio todas as interações dentro da sala de VAR para a Copa do Brasil. Isso servirá como prova para fundamentar as decisões. Mas clubes não poderão ter acesso a esse material com pedidos à comissão de arbitragem. Isso só acontecerá em casos excepcionais.

“Isso é protocolar. O item 5.4 diz que as informações serão gravadas, a cabine e gravação de áudio. Clube que se sentir prejudicado, faz sua reivindicação e será respondido por escrito”, contou Sergio Corrêa, que trabalha no projeto de VAR da CBF na Copa do Brasil. “Pelo protocolo, as imagens podem ser usadas para fins educacionais.”

O protocolo do VAR da CBF, de fato, prevê a questão no artigo 5.4: “Pela integridade e transparência, e para fornecer um recurso de formação e desenvolvimento, a VOR e o processo de consulta serão filmados (inclusive com som). Estas imagens não serão disponibilizadas salvo para a formação de árbitros/VARs ou se houver uma questão sobre a transparência/integridade de uma partida/consulta/revisão em particular.”

Dentro da confederação, há o objetivo de evitar que todos os clubes reivindiquem imagens e gravações do VAR a toda hora, para qualquer lance em que ocorra um suposto erro. Quando houver uma reclamação, a própria CBF vai revisar as gravações e vai responder aos clubes por carta, sem disponibilizar as gravações aos clubes.

Se houver um processo na Justiça Desportiva, ou se o caso se tornar um grave questionamento à entidade, a CBF poderá mostrar o vídeo e gravações para justificar sua decisão. Mas isso só ocorrerá em casos excepcionais.

A Fifa recusou o acesso às gravações para a CBF do jogo diante da Suíça, que gerou reclamação da seleção. Mas, em entrevista coletiva posterior, a entidade internacional mostrou os procedimentos de tomada de decisão no caso do lance da Suíça em que a seleção reclamava de falta em Miranda. Foram exibidas as imagens dos árbitros sua consulta silenciosa ao vídeo.


Processos apontam desvio de R$ 208 milhões de patrocínio da Nike à CBF
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Nova revelação na Justiça da Espanha de que Sandro Rosell recebeu comissão pelo acordo da Nike com a CBF aumenta a quantidade de desvios do dinheiro da parceria. Somada essa denúncia a feita na Justiça dos EUA, um total de US$ 56 milhões (R$ 208 milhões) foram pagos em comissões sem registro na confederação referentes aos contratos com a multinacional.

A parceria entre CBF e Nike foi acertada em Nova York, em 1996. Pela CBF, negociava o ex-presidente Ricardo Teixeira sem a presença de outros dirigentes da entidade. Ao lado do seu então parceiro José Hawilla, executivo da Traffic morto recentemente, que intermediava negócios da federação nacional.

Foi acertado um contrato de US$ 160 milhões por dez anos. Em depoimento à Justiça dos EUA, Hawilla contou que a Traffic receberia US$ 40 milhões de comissões. Mais tarde, a parceria entre CBF e Traffic foi desfeita, o que reduziu o valor final.

À Justiça norte-americana, Hawilla mostrou documentos que indicavam que recebeu US$ 30 milhões da Nike pelo acordo em um banco na Suíça. Desse total, afirmou ter pago metade para Ricardo Teixeira: US$ 15 milhões. Era a primeira mordida no contrato da parceria.

Questionado, o advogado de Teixeira, Michel Asseff Filho, disse que não são verdadeiras as acusações de Hawilla, reafirmando que seu cliente se diz inocente de todas as acusações nos EUA. “Vamos fazer uma declaração dele com sua defesa, que será traduzida no consulado norte-americano, e enviada à Justiça dos EUA”, concluiu. A Justiça dos EUA só costuma aceitar defesa de acusados que se apresentem no país.

Com Hawilla fora, Teixeira se tornou muito próximo de Sandro Rosell que no final da década de 90 e início dos anos 2000 era o presidente da Nike para Espanha e depois para o Brasil.

Em 2006, concluiu-se o primeiro contrato entre CBF e Nike. Houve uma renovação feita sem concorrência, em que não foi ouvida nenhuma outra empresa fornecedora de material esportivo. O novo valor foi para US$ 12 milhões porque houve um desconto referentes a amistosos da seleção que antes estavam incluídos no pacote, e, a partir de então, não estariam mais.

Nesta terça-feira, o jornal espanhol “El Confidencial” revelou que há um novo processo na Justiça Espanhola para apurar uma comissão ilegal recebida por Rosell de US$ 26 milhões pelo contrato entre CBF/Nike. O acordo que lhe permitiu receber pagamentos da Nike ocorreu de 2008 a 2011. Ou seja, é referente ao segundo contrato da empresa com a CBF.

A Justiça Espanhola apura se Rosell deu US$ 5 milhões desse total para o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira. Assef Filho afirmou que houve um pagamento neste montante do espanhol para o dirigente brasileiro em 2012 referente a um empréstimo. “O empréstimo foi dado por Teixeira a Sandro em 2009. Foi pago em janeiro de 2012, anos depois do contrato”, explicou, negando qualquer relação dessas transações com a parceria da Nike.

Há outras movimentações financeiras entre Rosell e Teixeira, inclusive com depósitos em favor da filha do dirigente brasileiro, como mostrou o blog do Juca Kfouri, em 2012.

Do contrato da Nike, após 22 anos de parceria, as duas investigações espanhola e norte-americana apontam que foram pagos US$ 56 milhões em comissões nunca conhecidas de outros membros da CBF, com acusações de que Ricardo Teixeira se beneficiou. Assef Filho, advogado do dirigente, afirmou desconhecer os pagamentos de comissões.

Nem a CBF, nem a Nike comentam o caso. Apesar dos processos em curso e das acusações, a confederação brasileira nunca se apresentou como vítima de nenhum dos esquemas investigados na Espanha ou nos EUA, nem apurou condições dos acordos com a multinacional. Assim, não tem como pedir ressarcimento por valores que deixaram de entrar em seus cofres como fazem a Fifa e Conmebol. No caso espanhol, a entidade chegou a mandar uma carta que favorecia a defesa de Teixeira.

 

 

Tags : CBF Nike


CBF avisa clubes que poderão perder ponto mais rápido por calote
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Após uma determinação da Fifa, a CBF informou os clubes brasileiros que estarão sujeitos a perda de ponto imediata em campeonatos por calotes em transferências internacionais de jogadores ou por pagamento de salários que envolvam estrangeiros. Essa nova regra faz parte de medidas da federação internacional para tornar mais efetivas as punições a times que não paguem seus débitos. Pela decisão da federação, assim que um tribunal da Fifa estabelecer a punição, a CBF já tem que aplica-la se não houver o pagamento. Isso vale para casos em andamento.

O sistema da Fifa para obrigar clubes a pagarem débitos com outras agremiações é considerado falho pela maioria dos advogados já que os processos se estendem por anos sem punição. Isso levou a Fifa a mudar seu regulamento de transferências, criando regras que permitam ao Comitê de Status de Jogador estabelecer punições logo na primeira instância.

Em maio de 2018, a Fifa ampliou a extensão dessa resolução para todos os tipos de débito, e incluiu entre as possíveis penas imediatas a perda de pontos ou rebaixamento, como mostrou o blog do Marcel Rizzo. Isso foi feito por meio de uma mudança no seu regulamento disciplinar que estabeleceu que já seria válido para todos os casos, e não só para aqueles a partir de 1º de junho.

Pelos termos da circular, qualquer clube ou pessoa que falhar em pagar um débito como ordenado por órgão da Fifa estará sujeito a punição imediata a ser determinada pelo comitê da Fifa. Entre as penas citadas, no caso da falta de pagamento no prazo, “pontos serão deduzidos ou um rebaixamento para uma divisão mais baixa. Um veto a transferências também pode ser anunciado”. Isso acontecerá independentemente de pedido do clube que entrou com um processo, e a federação nacional será obrigada a implementar.

A perda de pontos seria aplicada na competição em curso, ou na seguinte se aquela tiver acabado. Não foi especificado se é o campeonato nacional. Outra questão é que o clube será automaticamente bloqueado do sistema de transferências internacionais (TMS) na próxima janela de transferências caso não quite os valores em aberto.

Pelo formato atual, clubes até poderiam perder pontos, mas apenas no final de um processo bem mais longo. Depois de o Comitê da Fifa ou CAS estabelecerem possível punição, o caso ia para a federação nacional e depois voltava para a Fifa. Só aí o Comitê Disciplinar decidia novamente se punia, de novo, ou não o time.

A CBF recebeu a circular da Fifa. Há duas semanas, a entidade enviou uma circular a todos os clubes brasileiros, explicando o novo procedimento. No documento, a confederação diz que, seguindo os novos procedimentos, vai aplicar as perdas de pontos ou rebaixamento se houver determinação da federação internacional.

Assim, a decisão sobre punição esportiva a times brasileiros sai da CBF e passa ao tribunal da Fifa pelo menos em relação a transações internacionais. Até porque a confederação está ameaçada de sanção pela federação internacional se não cumprir a medida.

A medida foi bem recebida por advogados. Isso porque todos lembram de seguidos casos de clubes que protelam o pagamento enquanto o processo enrola-se nos trâmites da Fifa. Há casos que já duram mais de dois anos sem nenhuma punição para a agremiação devedora como foi o calote do do Al Nassr no Flamengo na compra do atacante Hernane.

 


Na Copa, CBF é a federação que mais desfalca times no ‘período Fifa’
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A CBF ameaça desfalcar clubes na próxima rodada do Brasileiro porque os jogadores incluídos na lista de 35 da seleção podem não jogar. Essa confusão ocorrida por erro da confederação chama a atenção para um dado: a seleção é a que mais desfalca times em sua liga nacionais entre todas as 32 da Copa. Isso porque o calendário brasileiro espremeu uma série de jogos do campeonato às vésperas da competição.

Pela norma da Fifa, todos os 35 jogadores convocados pelas seleções entram em período de descanso de 21 a 27 de maio. A partir daí, ficam impedidos de atuar em campeonatos de clubes pelos menos até serem excluídos da lista final. As exceções são a Libertadores e a Liga dos Campeões, para os quais a Conmebol e a Uefa pediram exceções à regra e a Fifa concedeu.

A CBF perdeu o prazo para pedir exceção para o Brasileiro e agora tenta uma medida desesperada com a Fifa para liberar os jogadores. Se a resposta for negativa, terá de retirar jogadores que nem estão com Tite da rodada. Se a reposta for positiva, terá deixado de qualquer maneira jogadores brasileiros e estrangeiros que estão na lista de 23 de fora das rodadas do Brasileiro, exemplos dos corintianos Fagner e Cássio, do gremista Geromel, do rubro-negro Cuellar e do palmeirense Borja, entre outros.

E não são poucas. Serão seis jogos pelo Nacional desde que começou o período de descanso dos jogadores para a Copa. Para efeito de comparação, apenas cinco outros países têm partidas de sua liga depois do dia 20, Suécia, Peru, Islândia, Uruguai e Nigéria, em levantamento feito pelo blog. Todos os outros já terminaram seus campeonatos, talvez, um jogo de Copa ou mata-mata de rebaixamento ainda foi disputado posteriormente.

Desses seis países, incluindo o Brasil, Suécia, Islândia e Nigéria vão terminar seus campeonatos em maio. O Uruguai vai estender a sua liga até o dia 6 de junho, e o Peru vai mais longe: 10 de junho. O Brasil é o único país participante da Copa que terá seu campeonato nacional com jogos até a véspera da abertura, 13 de junho. Ou seja, só no país ocorrerão seis jogos da liga nacionais, mais Copa do Brasil, no período de descanso.

Para completar esse quadro, a CBF sabia desde o dia da convocação feita por Tite, em 14 de maio, que a Conmebol tinha pedido uma exceção à Fifa para que pudessem disputar a Libertadores. Ou seja, a entidade já sabia da necessidade de pedir à federação nacional para que os jogadores atuassem. No entanto, só avisou na quarta-feira para o Palmeiras que Dudu não poderia jogar pela Copa do Brasil, e só agora tenta com a Fifa a liberação deles.