Blog do Rodrigo Mattos

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CBF começa a testar árbitro de vídeo com imagem da Globo
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A CBF fará o primeiro teste de árbitro de vídeo com imagens da TV Globo na final do Campeonato Pernambucano entre Sport e Salguero, nesta quarta-feira. Assim, a intenção é melhorar a qualidade da imagem em relação à primeira experiência, também no Estadual, e atender uma exigência da Fifa. O procedimento a ser usado será o mesmo previsto pela Conmebol para as quartas-de-final da Libertadores.

O teste de estreia foi na primeira partida da decisão com imagens de uma produtora independente contratada pela FPF (Federação Pernambucana de Futebol). A cúpula da arbitragem da CBF entendeu que a qualidade da imagem foi ruim o que prejudicou a análise de um lance polêmico de pênalti no final da primeira partida – demorou seis minutos. A FPF entende que era uma boa transmissão, mas era preciso mudar.

“A imagem será a da Globo. Nós tínhamos uma produção boa, com HD. Mas entendo que tem que ser a mesma imagem que recebe o público como manda a Fifa”, contou o presidente da Federação Pernamucana de Futebol, Evandro Carvalho.

A ideia de ter a mesma imagem do público é para não gerar controvérsia sobre a decisão dos árbitros. Serão julgados lances de pênalti, gols ou erros crassos como dar cartão para um jogador errado, ou ignorar uma agressão.

A equipe de árbitro de vídeo será composta por Pericles Bassols e Alicio Pena Jr, coordenador por Manoel Serapião (instrutor da CBF). Eles vão avisar o árbitro de campo que será Wilton Pereira Sampaio sobre erros. Mas a ideia é que o árbitro de vídeo não seja usado para interpretações. Ou seja, só serão comunicados os erros claros, ou quando o juiz de campo ficar em dúvida e pedir um auxílio.

A imagem da Globo será sem nenhum som para não influenciar os juízes de vídeo. O acordo para uso das imagens é apenas para esse jogo. Há uma negociação mais ampla relacionado ao Brasileiro de 2018 para o qual ainda não é certa utilização do vídeo. O valor estimado de investimento da CBF é de R$ 15 milhões. O custo do primeiro jogo foi de R$ 140 mil, segundo a federação pernambucana. Com a Globo, isso deve se reduzir.

Oito maneiras em que o árbitro de vídeo pode mudar o futebol

 


Até herdeiro da Globo se reuniu com Del Nero para melhorar relação com CBF
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Durante a disputa por contrato da seleção, a Globo apelou até a Roberto Marinho Neto, novo chefe do departamento de esporte, para melhorar a relação com a CBF. O herdeiro da família Marinho esteve na sede da entidade para um almoço com o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero. Na ocasião, a confederação já tinha se decidido por transmitir o jogo com outros parceiros.

A visita de Marinho Neto à sede da entidade ocorreu há cerca de um mês. Ele foi acompanhado de todos os diretores da Globo Esporte e foi recebido pela cúpula da CBF. A ida de executivos da Globo à confederação é comum, mas o chefe não costuma participar diretamente da negociação de contratos.

A ida do principal executivo da emissora no esporte teve como objetivo aparar arestas surgidas durante a negociação fracassada dos amistosos da seleção com a Argentina e com a Austrália. Ali, as duas partes saíram contrariadas com o resultado, entendendo não terem obtido as condições desejadas na negociação. Lembre-se: a CBF pedia o mesmo valor que a Globo pagava no ano passado, e a emissora queria dar menos.

Depois disso, o ex-executivo da Globo Marcelo Campos Pinto, que ocupava justamente cargo similar a Marinho Neto, passou a atuar na confederação. Ele ajudou na comercialização dos amistosos e também tem projetos para que uma produtora faça a transmissão da Copa América-2019, além de estar interessado em itens do Brasileiro como a venda dos direitos internacionais. Isso contrariou mais a Globo.

Apesar do desentendimento, a seleção continua a ser um produto prioritário para a emissora carioca. Por isso, além de aparar arestas, Marinho foi apresentar à CBF a nova estrutura de esportes da Globo que agora é separada do jornalismo. O almoço foi seguido por uma vista ao museu da CBF.

Para a Copa de 2018, a confederação prepara uma concorrência para os amistosos da seleção. Um candidato a tocar o projeto é Patrick Murphy, que foi executivo da Uefa para negociar direitos da Liga dos Campeões durante mais de 10 anos. Ele já comercializa alguns direitos da Copa Sul-Americana e está interessado no mercado brasileiro. A Globo considera o pacote de jogos da seleção de 2018 a 2022 uma prioridade para sua grade.


Denúncia dos EUA só contra Marin não livra Del Nero de risco de prisão
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A Procuradoria dos EUA decidiu separar os cartolas acusados no processo do “Fifagate”, escândalo de desvio de dinheiro do futebol. Foi feita uma nova denúncia contra o ex-presidente da CBF José Maria Marin e dois outros dirigentes, retirando os outros réus desse processo inicial. Mas os procuradores ressaltaram que os casos do presidente da confederação, Marco Polo Del Nero, e do ex-presidente Ricardo Teixeira continuam pendentes e serão levados adiante se eles aparecerem no país.

A reformulação da acusação do Departamento do Estado ocorreu para simplificar o julgamento no caso Fifagate. Só ficaram os três dirigentes que alegam inocência e serão julgados: Marin, o ex-presidente da Conmebol Juan Angel Napout e o ex-presidente da federação peruana Manuel Burga.

Esses três ex-cartolas respondem às acusações de máfia (Rico), fraude eletrônica e lavagem de dinheiro. Isso por supostamente terem recebido propina para conceder contratos da Copa América e da Libertadores, além da Copa do Brasil no caso de Marin. Serão julgados em 6 de novembro deste ano na corte de Nova York.

Outros 28 dirigentes são listados na acusação, mas não serão julgados. A maioria deles confessou crimes dos quais eram acusados. Portanto, o juiz vai dar uma sentença para cada um dos réus em lista que inclui o ex-executivo da Traffic José Hawila, e José Margulies, da Somerton, ambos brasileiros, além de ex-dirigentes de federações nacionais. Eles também já pagaram multas e fianças.

São listados ainda os dirigentes e ex-cartolas que são acusados de corrupção, mas não se apresentaram para responder o processo nos EUA, nem foram detidos. São os casos de Del Nero (seis citações) e Teixeira (28 citações). Mas eles não estão mais denunciados nesta ação. Detalhe: Del Nero é o único entre todos os acusados que continua no poder no futebol.

Em carta à Justiça, a procuradora Bridget Rohde explicou a separação. “S-2 (Denúncia número 2) remove os acusados que confessaram culpa e efetivamente separa aqueles acusados que até agora não foram trazidos à jurisdição da corte por prisão ou extradição de país estrangeiro. Importante, S-1 (primeira acusação que incluía Del Nero e Teixeira) se mantém um instrumento de acusação operativo para os acusados que não apareceram no caso, e as acusações no S-1 contra esses acusados permanecem pendentes.”

Em resumo, se Del Nero for aos EUA ou a um país que tenha acordo com os norte-americanos, deve ser detido e levado para responder a processo em separado do que ocorre com Marin. O mesmo ocorreria com Ricardo Teixeira. Eles são acusados de receber propina por contratos da Copa América e Copa do Brasil. No caso de Teixeira, isso também vale para o contrato da Nike.

A defesa de Marin já pretendia a separação do processo de seu cliente, assim como pretendia retirar a acusação de máfia. Na visão dos advogados do ex-presidente da CBF, a reformulação de denúncia contra ele não afeta o andamento do seu processo e facilita sua defesa. Oficialmente, advogados não se pronunciaram.


Investigação da PF sobre Caixa 2 da CBF pode complicar Del Nero e Marin
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A investigação da Polícia Federal sobre dinheiro de Caixa 2 da CBF em campanha eleitoral pode complicar o presidente da entidade, Marco Polo Del Nero, e seu antecessor José Maria Marin. O foco principal do inquérito é o vice da confederação Gustavo Feijó que recebeu os recursos para sua candidatura em Alagoas. Mas todos os advogados ouvidos pelo blog indicaram que os responsáveis por fazer a doação respondem igualmente no caso de ser configurado ilícito eleitoral.

A apuração se iniciou com a CPI do Senado que revelou e-mails de Del Nero negociando com Feijó a doação eleitoral para sua campanha a prefeito em Boca da Mata, em Alagoas. O valor total supostamente foi de R$ 600 mil. Não houve contribuição oficial da CBF porque entidades esportivas já eram vetadas pela lei eleitoral.

O ex-presidente Ricardo Teixeira pagou R$ 350 mil, e Feijó mandou e-mail pedindo mais R$ 250 mil. Nos documentos, obtidos em quebra de sigilo eletrônico de Del Nero, o dirigente afirma que iria pagar os outros R$ 250 mil em parcelas de R$ 50 mil.

Esses dados foram repassados à Polícia Federal do Alagoas. Nesta sexta-feira, a PF fez operação de busca e apressão na casa de Feijó e na sede da federação alagoana. Em entrevista, o delegado da PF Bernado Gonçalves confirmou a investigação sobre a doação, inclusive a desconfiança de que pode ter sido utilizada a federação alagoana de futebol. Questionada pelo blog, a assessoria da PF não soube dizer se Del Nero e Marin também eram investigados.

Os três juristas especializados em direito eleitoral entendem que, se houver enquadramento no artigo 350 do código eleitoral, os doadores também têm que se responsabilizados juntamente com o candidato. No caso, seriam os responsáveis pela gestão da CBF. O artigo 350 prevê reclusão de até 5 anos por falsificação de documento à Justiça eleitoral.

“Mesma coisa para o doador. É a teoria munista: todo mundo responde”, afirmou o promotor eleitoral, Tales Cerqueira, que atua em Minas Gerais e já escreveu livros sobre a legislação eleitora. “Nunca houve condenação por isso porque era difícil saber das doações. É como falou o ministro Herman (Benjamim – TSE) que sem a lava-jato essa discussão não aconteceria.”

Para Cerqueira, Feijó e os dirigentes da CBF ainda podem responder por lavagem de dinheiro. E ressaltou que a CBF estava proibida de doar desde 2009 quando a lei eleitoral vetou entidades esportivas. Haveria outro ilícito punível com multa por conta disso, mas está prescrito.

O advogado Ricardo Penteado, também especialista em direito eleitoral, diz que há uma discussão em relação a quem pode se aplicar o artigo 350 da lei eleitoral por ser falsificação de documentos público. “Quem faz a declaração é o candidato. Por outro lado, ninguém pode ignorar o cumprimento da lei. Tem que saber se a doação foi por dentro e receber o recibo se sabe que está doando. Se você sabe que está doando para campanha e não declara, está participando de um ilícito.”

Já o advogado Daniel Falcão, do Instituto Brasiliense de Direito Público, contou que há uma controvérsia em relação à aplicação do artigo 350 para o Caixa 2, discussão que já teve na Câmara. Segundo ele, há uma dúvida se seria necessária uma nova lei para enquadrar as doações ilegais. Não há jurisprudência no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre o assunto. Mas, em se aplicando a lei,  os doadores devem ser enquadrados também.

“Na minha opinião, se aplica aos dois. O doador tem que declarar a doação no imposto de renda. Por que não vai colocar na sua prestação? Ele pode até responder por falsidade ideológica no seu imposto de renda”, analisou Falcão.

O blog enviou perguntas à CBF sobre a participação de Del Nero no pagamento das doações ilegais, e na possibilidade de ser processado. Não obteve resposta. A entidade apenas soltou uma nota:

“A CBF informa que não foi cientificada do teor das acusações que pesam contra um de seus vice-presidentes, Gustavo Feijó. Esclarece ainda que tem a confiança de que ele prestará todas as informações pertinentes de forma satisfatória.”

 


Denúncia de desvios na Conmebol implica Del Nero e Teixeira
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A denúncia da Conmebol à Justiça do Paraguai de que houve desvios das contas da entidade implica o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, e os ex-presidentes Ricardo Teixeira e José Maria Marin. Isso porque a acusação aponta conivência dos membros do comitê executivo da entidade durante o período de 16 anos de supostas irregularidades, de 2000 a 2015. Eles também devem, portanto, responder criminalmente na Justiça do Paraguai.

A denúncia da Conmebol ao Ministério Público Paraguaio feita em 6 de junho aponta supostos desvios de US$ 129,9 milhões (R$ 425 milhões) das contas da entidade. O documento de acusação foi obtido primeiro pela “Globo.com”, e depois pelo UOL. O principal beneficiário foi o ex-presidente da Conmebol Nicolas Leóz, de acordo com o documento. O esquema se manteve com o sucessor Eugenio Figueredo. Há acusações de menor porte contra o último presidente Juan Angel Napout.

Há transferências diretas feitas da conta da Conmebol para as de Nicolas Leóz no valor de US$ 28 milhões. Outras operações para contas desconhecidas em paraísos fiscais supostamente ligadas ao ex-dirigente no total de US$ 33,2 milhões. O restante foi de recursos pagos a empresas suspeitas no caso do “Fifa Gate” nos EUA, e outras firmas para as quais não se comprovou a razão do pagamento. Todos os dados foram obtidos em auditoria feita nas contas da Conmebol pela Ernest & Young.

Parte da denúncia da Conmebol aponta transferências diretas da conta da entidade para de seu ex-presidente Leóz

Por conta desses desvios, a denúncia aponta que os dirigentes da Conmebol supostamente cometeram os crimes de lesão de confiança, apropriação, lavagem de dinheiro, produção de documentos falsos e associação criminal. Caberá ao Ministério Público do Paraguai definir os responsáveis.

Pois bem, o Comitê Executivo e o Congresso da Conmebol eram os órgãos responsáveis por controlar a gestão da entidade. Portanto, seus membros no período de 2000 a 2015 podem ser igualmente responsabilizados pelos crimes, como conta o advogado da confederação sul-americana.

“Absolutamente (podem ser acusados). Todos os que figuraram no Comitê Executivo e Congresso participavam de informes a cada dois anos com os relatórios financeiros da Conmebol. Por isso, todas essas pessoas têm participação na gestão”, contou o advogado da Conmebol, Oswaldo Granada Sallaberry, ao blog. Ele assina a denúncia. “Eles participavam do corpo colegiado. Não podiam ignorar isso (os desvios)”

O advogado ressaltou que o próprio estatuto da Conmebol estabelecia que os organismos de poder eram o Comitê Executivo e o Congresso, e que o presidente precisava de autorização para seus atos.

A denúncia feita ao Ministério Público do Paraguai deixa clara a implicação dos dirigentes brasileiros que estiveram na Conmebol:

“Sobra dizer que os órgãos de controle para Conmebol eram pessoas que nunca alertaram para as graves irregularidades identificadas. Os elementos de evidência disponíveis fazem supor seriamente que as principais autoridades da Conmebol atuaram durante anos em conluio completo para implementação e encobrimento das infracções agora reportáveis”, afirma a denúncia. Em seguida, cita os como órgãos o Congress e o Comité Executivo.

Ricardo Teixeira foi membro do Comitê Executivo da Conmebol durante 12 anos do período citado na denúncia, de 2000 a 2012 quando renunciou a todos os cargos no futebol. Era um dos maiores aliados de Leóz. Ele já responde a processos por acusações de suborno em três outros países, EUA, Suíça e Espanha.

Del Nero se tornou membro do Comitê Executivo da Fifa em sua substituição em 2012, e logo em seguida assumiu o mesmo cargo na Conmebol. Ficou no cargo até renunciar ao posto da Fifa, juntamente com o da Conmebol, no final de 2015. Ou seja, esteve no poder da entidade enquanto ocorriam os supostos desvios de milhões dos cofres. O mesmo ocorreu com José Maria Marin como presidente da CBF.

Os três são denunciados na Justiça dos EUA por desvios de dinheiro da Conmebol nos contratos da Copa América, em supostos pagamentos de propina da empresa Datisa par obter direitos da competição. São acusados juntamente com todos os outros membros do Comitê Executivo.

A intenção dos advogados da Conmebol é que todos os ex-membros do comitê respondam ao processo e sejam intimados pela Justiça Paraguai.

“O Brasil tem bastante cooperação com a Justiça Paraguai por conta da nossa fronteira em comum em que temos de discutir crimes na fronteira”, explicou o advogado Oswaldo Granada, que disse desconhecer quais brasileiros estariam envolvidos.

Vale ressaltar que o atual presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, também integrou o comitê a partir de 2014.

A expectativa dele é que em 10 dias o Ministério Público do Paraguai já decida um procurador para cuidar do caso da Conmebol, dando sequência à investigação.

Procurada, a CBF informou que não se pronunciaria sobre o envolvimento de Del Nero. O blog tentou sem sucesso contato com a defesa de Ricardo Teixeira. Advogados de Marin não quiseram se pronunciar sobre o assunto por desconhecer o processo.

Reunião do Comitê Executivo da Conmebol em 2013 com Del Nero entre Figueredo (ex-presidente da Conmebol) e Marin


Domínio da Globo no futebol está ameaçado além de jogos da seleção
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A falta de contrato entre a Globo e a CBF para amistosos da seleção de 2017 não é a única ameaça ao poderio da emissora no futebol. Há iniciativas entre clubes e dentro da CBF que podem levar a ocupação de outras áreas em que atualmente atua a emissora carioca. Isso envolve direitos da Copa América e do Brasileiro.

Como mostrou o jornal “Folha de S.Paulo”, a confederação e a Globo não se acertaram no valor para compra de dois amistosos da seleção de junho, assim como ocorreu em janeiro com o jogo diante da Chapecoense. Assim, a CBF vai comercializar as partidas no Facebook e na TV Brasil. A emissora global mantém bom diálogo na confederação e investirá forte para recuperar esses direitos em 2018.

Um grupo com participação de ex-executivos da Globo, Marcelo Campos Pinto e João Pedro Paes Leme, tem atuado na comercialização do negócio em ajuda da CBF, como revelou Juca Kfouri. Eles montaram uma empresa após saírem da emissora, no caso de Campo Pinto após o escândalo do “Fifa Gate” estourar nos EUA ele não teve o contrato renovado.

Mas não se limitam a isso. A empresa tem um projeto de viabilizar a produção própria de imagens para a Copa América-2019. Seria um modelo similar ao da Fifa com a HBS, que produz todas as transmissões e apenas repassa para as televisões que compram os direitos. Atualmente, a Globo costuma ter suas próprias câmeras em competições nacionais e, às vezes, atua na captação em campeonatos internacionais sediados no país.

Na segunda-feira passada, Campos Pinto participou de apresentação de ideias sobre internacionalização do Brasileiro aos clubes da Série A. O blog apurou que ele tem conversado com os dirigentes de times sobre comercializações de direitos do campeonato. Também esteve presente um executivo de agência da Conmebol que atuou em comercialização de direitos da Uefa.

A princípio, o foco é em direitos que não estão sob o poder da Globo e Esporte Interativo. A partir de 2019, os direitos internacionais e as placas do Brasileiro estarão fora do acordo com as emissoras. Qualquer agência que queira atuar nesta área teria de convencer os clubes a se unir na negociação.

Além disso, há clubes que não fecharam com a Globo para a TV Aberta. Essa é outra possível área de atuação. A emissora e o Esporte Interativo garantiram os direitos do Brasileiro de 2019 até 2024.

Campos Pinto tem relacionamento próximo com o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira, assim como com alguns clubes com quem negociou durante anos. Em abril, Teixeira já tinha sido cicerone do milionário indiano Lalit Modi, que tem interesse nos direitos internacionais do Brasileiro, como mostrou a “Folha de S.Paulo”. O milionário esteve na CBF e foi recebido pelo presidente da entidade, Marco Polo Del Nero.

A saída de Campos Pinto da Globo não foi tão amigável quanto divulgado pelos dois lados. Ao blog do Perrone, o ex-executivo da emissora negou estar atuando em qualquer operação de venda de direitos. Este blog tentou falar com ele durante a terça-feira (30), sem sucesso.

Do lado da Globo, há um respeito ao direito do ex-funcionário de atuar no mercado como já ocorreu com antecessores. Mas, ao mesmo tempo, a empresa está cautelosa em relação aos direitos de televisão que são estratégicos para ela, como os jogos da seleção a partir de 2018 e nacos do Brasileiro.

A emissora sempre atuou sozinha no mercado, agindo inclusive como agente revendedora dos direitos nos casos da placa. Primeiro, houve a entrada do Esporte Interativo quebrando seu monopólio no Brasileiro. Depois, clubes paranaenses, Atlético-PR e Coritiba, recusaram oferta global e usaram outras plataformas para transmitir jogos. E, agora, uma agência começa a se interessar por pedaços do mercado.


Globo terá impacto em seus ganhos caso não recupere seleção para 2018
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Sem direitos sobre três amistosos da seleção em 2017, a Globo terá um impacto financeiro restrito para este ano pela falta das partidas. Mas, caso não consiga um novo contrato para 2018, a emissora passará a sofrer um duro golpe na sua arrecadação. Explica-se: os jogos do time nacional são um dos produtos mais valorizados dentro do pacote anual negociado pela Globo a seus anunciantes.

A emissora carioca vende a exposição em um grupo de 95 partidas no ano que inclui Brasileiro, Copa do Brasil, Libertadores, Estaduais, Sul-Americana e jogos da seleção. Por isso, ganhará R$ 1,8 bilhão neste ano. As partidas da seleção têm peso para completar o número total e principalmente por renderam altas audiências, tendo importância estratégica para a emissora.

Uma análise do calendário da CBF mostra que jogos do Brasileiro, Copa do Brasil e Estaduais garantem 79 datas para a Globo. Há várias datas coincidentes com a Libertadores que, em geral, tem preferência sobre a Copa do Brasil. Há mais nove jogos das competições sul-americanas que não são junto com os campeonatos do Brasil, mas não há garantia de presença de brasileiros. De qualquer maneira, os 88 jogos seriam insuficientes.

Para 2017, a Globo já tem as eliminatórias da Copa, isto é, a presença da seleção nos jogos mais importantes dentro do seu pacote. Por isso, a emissora não quis pagar o preço pedido pela CBF que queria em jogos avulsos valores similares aos do pacote. Até porque seu pacote publicitário já está vendido e empresa será pouco afetada nesta ano.

Para 2018, no entanto, a Globo deixaria de ter até 10 datas nobres em ano da seleção na Copa do Mundo. A emissora entende que até poderia substituir as datas por outros campeonatos em um rearranjo. Mas não seriam jogos do mesmo valor, o que afetaria o total pedido às empresas. Ou seja, a emissora teria de renegociar o pacote pelo qual tem incrementado valores.

Por isso, a Globo já se prepara para entrar forte na concorrência por bid que a CBF prepara para venda de seus jogos no ciclo de 2018 a 2022. Outras redes de televisão também avaliam que um pacote completo será bem mais valorizado porque poderá ser comercializado a longo prazo.

Questionada pelo blog, a Globo informou que não faria comentários sobre impacto financeiro de não ter renovado o contrato da seleção.


CBF protege Teixeira em investigações sobre desvio da entidade
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Assim que saem acusações contra Ricardo Teixeira no exterior, a CBF se apressa em soltar notas para inocentar seu presidente Marco Polo Del Nero e se desvincular das denúncias. Mas, na verdade, a entidade tem atuado para proteger o ex-dirigente nas investigações e evita cobra-lo por prejuízos aos cofres da confederação.

Um exemplo é a acusação contra Teixeira de levar subornos no formato de comissões ilegais por contratos de amistosos da seleção junto com Sandro Rosell, ex-presidente do Barcelona. A investigação é da procuradoria da Espanha. Os ganhos irregulares dos dois foram em cima de contratos da CBF com a empresa ISE (International Sports Events), com sede em paraíso fiscal.

Em paralelo, a ISE pagava à empresa Uptrend, nos EUA, para jorrar dinheiro para contas de Teixeira e Rosell. No final, eles ganhavam uma fatia gorda da arrecadação que deveria ir para a CBF.

Pois bem, durante a CPI do Futebol, a diretoria da CBF e seus parlamentares aliados atuaram para barrar a investigação de contratos da ISE e da Uptrend. Quando a CPI reivindicou contratos comerciais da confederação, incluindo os da ISE, advogados da confederação foram ao STF (Supremo Tribunal Federal) para impedir o pedido e conseguiram.

Depois, houve um requerimento da CPI de movimentação de dinheiro no país da Uptrend, Kentaro e ISE, as três envolvidas na investigação espanhola. O blog apurou que o requerimento nunca foi apreciado porque parlamentares da bancada da bola, liderados pelo senador Romero Jucá, o barraram. Também obstruíram a tentativa de convocar Teixeira para depor que tinha como um dos objetivos tratar da relação com Rosell. Esses parlamentares são ligados à CBF.

Não é só isso. A CBF nada fez em relação às acusações contra Teixeira na Justiça dos EUA. Ele é acusado de lesar a entidade em US$ 15 milhões só no contrato da Nike. A Fifa e a Conmebol se apresentaram como vítimas no processo pois isso pode garantir que a multa paga por acusados à Justiça seja destinada a seus cofres.

Passados dois anos e meio do estouro do caso, a CBF não se apresentou no processo apesar de ser uma das entidades mais prejudicadas, segundo o relato de autoridades norte-americanas. Igualmente, em relação ao processo na Espanha, não há nenhuma movimentação da diretoria de Del Nero para tentar recuperar fundos desviados da entidade.

O atual presidente da CBF ascendeu ao poder na entidade juntamente com Marin em articulação feita por Teixeira. A saída dele diante de série de acusações foi feita de foram que a dupla o preservasse. Desde então, há uma relação de altos e baixos entre Del Nero e Teixeira, mas que nunca foi rompida.

O blog perguntou a CBF por que não tomou nenhuma atitude em relação às acusações de Teixeira lesar a entidade, e por que atuou para barrar investigações sobre contratos da seleção. Não obteve resposta. Quando estourou o escândalo do Fifa Gate, o blog levantou a mesma questão para confederação e também não houve nenhuma resposta ou atitude da confederação.

As duas notas da entidade sobre o caso foram para dizer que não havia participação de Sandro Rosell em contratos da entidade, e para negar acusações contra Del Nero que constam no processo espanhol.


MPF vai pedir à Espanha provas de investigação contra Teixeira
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A Procuradoria Geral da República vai requisitar às autoridades espanholas o compartilhamento de provas da investigação de que o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira recebeu recursos ilegais por contratos da seleção. A informação foi publicada primeiro no “Globo.com” e confirmada pelo blog.

Nesta terça-feira, o ex-presidente do Barcelona Sandro Rosell foi preso pela acusação de lavagem de dinheiro feita pela procuradoria da Espanha. O esquema envolvia o pagamento de propina em forma de comissões ilegais por amistosos da seleção brasileira. Eram beneficiados Rosell e Teixeira, que têm longa relação de amizade e de troca de dinheiro.

Segundo a investigação, Teixeira teria recebido 8,4 milhões de euros (R$ 30 milhões) em pagamentos ilegais da ISE (Internacional Sports Events), empresa que detém os direitos de amistosos da seleção no exterior até 2022. Esse dinheiro correu por países como EUA, Panamá e Andorra para beneficiar os dois ex-cartolas.

O ex-presidente da CBF é alvo de um inquérito na Polícia Federal do Rio por conta de movimentação anormal de dinheiro em suas contas. Entre os valores que abasteceram sua conta, estão pagamentos de Rosell que somaram R$ 13 milhões só em uma depósito, como revelou a CPI do Futebol.

Agora, a procuradoria requisitará que as provas da Espanha venham para o Brasil para alimentar essa investigação. Há um acordo de cooperação entre os dois países para troca de informações nesse tipo de caso.

A questão é que também houve pedido da procuradoria para compartilhamento de informações com a Justiça dos EUA, onde há acusações de suborno contra Teixeira, e advogados dos cartolas conseguiram barrar na Justiça. A cooperação ficou travada por dois anos por conta de decisão de juiz federal do Rio, e depois liberada. Mas os advogados de Teixeira ainda tentam bloquear a cooperação.

Advogados de Teixeira têm sido procurados constantemente pelo blog para falar sobre as acusações, mas ainda não se pronunciaram sobre o caso.


Na Justiça, Teixeira é acusado de receber R$ 122 mi em propina na CBF
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Com o novo escândalo na Justiça Espanhola, o ex-presidente da CBF Ricardo Teixeira já é acusado de receber pelo menos R$ 122,6 milhões em propinas durante sua gestão na confederação e por cargos na Fifa. Esse é apenas o valor apontado em casos em três esferas judiciais, na Espanha, na Suíça e nos EUA. Há outros pagamentos e esquemas suspeitos que não entraram nesta conta porque não há processo ou investigação em curso.

A acusação mais recente contra o cartola que foi o mais poderosos do futebol brasileiro é relacionada a venda de amistosos da seleção brasileira. A Procuradoria da Espanha aponta que ele mantinha um esquema com o ex-presidente do Barcelona Sandro Rosell para receber pagamentos por fora por amistosos do time brasileiro.

Em 2006, a CBF assinou um contrato com a empresa ISE (International Sports Events), com sede nas Ilhas Cayman, para vender todos os direitos sobre 24 amistosos da seleção brasileira. Pelo documento do MP Espanhol, foram assinados acordos paralelos que davam 8,4 milões de euros (R$ 30,9 milhões) para Teixeira, fora o dinheiro de Sandro Rosell.

É importante lembrar que o presidente da CBF renovou o contrato até 2022 pouco antes de sair da entidade. E logo depois Rosell fez depósito de R$ 13 milhões em favor do dirigente. Mas esse dinheiro não entra na conta do blog porque não haver processo que aponte que é propina. Há, sim, um inquérito na Polícia Federal para verificar a movimentação financeira do cartola.

Antes do caso dos amistosos da seleção, Teixeira foi indiciado no processo do Fifa Gate, nos EUA. O documento da Justiça norte-americana aponta o envolvimento dele em três casos de suborno, pelo contrato da Copa do Brasil, pela Copa América e pelo contrato da CBF e Nike, assinado em 1996.

A procuradoria dos EUA apontou que, em relação a esse contrato com a Nike, foi paga uma comissão por fora para a Traffic de US$ 30 milhões. Em delação feita à Justiça, José Hawilla, dono da Traffic, afirmou que metade desse dinheiro foi dado para Ricardo Teixeira. Ou seja, ele teria ficado com R$ 49 milhões em valores de hoje. (nem foi levada em conta a inflação).

Não é possível avaliar quanto Teixeira teria recebido por contratos relacionados à Copa do Brasil segundo a acusação. São mecionados pagamentos de R$ 2 milhões, mas para serem divididos com outros cartolas.

Outro escândalo em que se envolveu Teixeira foi o caso ISL, empresa parceira da Fifa que pagava suborno para dirigentes. Documentos da Justiça Suíça, que foram revelados pela Fifa, apontaram que o dirigente brasileiro recebeu US$ 13 milhões (R$ 42,7 milhões) em pagamentos ilegais por este esquema. Os valores foram calculados segundo o câmbio do final do dia de quinta-feira. Por isso, somam R$ 122 milhões.

Essas são as acusações formais, na Justiça, contra Teixeiras. Três CPIs nos Congressos, matérias investigativas e um processo judicial relacionado ao amistoso Brasil x Portal têm indícios de outros pagamentos relacionados à CBF e à seleção brasileira recebidos por ele. São impossíveis de calcular com precisão. Em todos os casos citados, a Justiça aponta como lesados a Fifa e a CBF. Até hoje a confederação nada fez para tentar recuperar recursos.

Advogados de Ricardo Teixeira ainda não analisaram as novas acusações na Justiça na Espanha. O dirigente cogita se defender na Justiça dos EUA, e negou ter recebido propinas pelos contratos da Copa do Brasil. Não comentou o caso Nike. Na Justiça da Suíça, o cartola confessou que recebeu dinheiro da ISL e fez um acordo para devolver parte do dinheiro.