Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Copa-2018

Lista final de Tite mostrará seu plano B para a Copa
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É costume às vésperas de convocações para a Copa uma discussão em torno de nomes, quem vive o melhor momento, quem é mais talentoso, etc. Mas a lista de Tite também mostrará qual a sua aposta como plano B para o Mundial, isto é, se seu time favorito tiver dificuldades. O plano A do treinador está bem desenhado com algumas variações aqui e acolá.

O atual time titular de Tite é previsível com Alisson, (Fagner ou Danilo), Miranda, Thiago Silva, Marcelo, Casemiro, Fernandinho, Paulinho, Philipe Coutinho, Gabriel Jesus e Neymar. Estão ali como quase titulares Marquinhos e William, este atuando pela direita e deslocando Coutinho para o meio.

A questão são as brechas da lista. Será que Tite levará um pivô como estudou e testou? As opções não são tão atrativas como Willian José, pouco testado e um nível abaixo dos outros dois centroavantes da seleção. Mas, sem essa opção, o treinador não terá a chance de bola aérea quando enfrentar linha de cinco jogadores na defesa.

Ao abrir mão do gremista Luan, o mais provável, Tite se afasta do jogo com falso nove. Terá em Firmino, sim, um centroavante que sabe armar como tem provado no Liverpool. Mas, ainda assim, alguém que não deixa de ser um nove.

Outra discussão é em relação a um jogador que dê ritmo ao time, ou seja, uma espécie de articulador que gire a bola quando o time não achar caminhos na defesa rival. O Brasil não tem esse jogador de primeiro nível, como são um Kroos, um Iniesta ou Modric. Mas Tite busca esse atleta.

Um candidato era Diego, mas sua queda de rendimento no Flamengo indica que deve ficar fora da lista. Outros que disputam essa posição são Fred e Giuliano, mas ambos não têm exatamente a característica de ditar o ritmo do time inteiro. Renato Augusto, que já foi esse jogador para Tite no Corinthians, está mais lento, o que dificulta sua variação de ritmo. Talvez o único jogador como potencial para essa posição seja Arthur: a questão é se o técnico apostará em sua juventude.

Sem o atleta ideal, Tite talvez opte por um jogador mais incisivo como o corintiano Rodriguinho. Seria mais um meia com característica de entrar na área para finalizar no elenco. A saída de bola estaria entregue a Casemiro e Fernandinho, juntamente com os dois laterais, figuras centrais na articulação do time.

Essa é outra questão. Sem Daniel Alves, Tite perde mais do que um lateral, perde um armador pelo lado do campo. Bom jogador, Fagner sabe defender e articular jogadas, mas está longe do nível do titular. Tite buscará em Danilo e em uma eventual surpresa de Rafinha uma forma de fechar essa brecha? É outra pergunta que será respondida na convocação.

Fora titulares indiscutíveis, o técnico da seleção é conhecido por priorizar não necessariamente o jogador mais talentoso, e, sim, o mais capaz de executar determinada função com eficiência. A definição da lista de Tite passará, portanto, por montar esse quebra-cabeça de características atletas dentro de seu elenco, buscando maiores alternativas de jogo. Exceção a isso, talvez, apenas na escolha do terceiro goleiro.


Pesquisa: Brasileiros colocam Neymar como destaque da Copa e CR7 como rival
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Os brasileiros preveem que Neymar será o maior destaque da Copa do Mundo da Rússia-2018, e que o português Cristiano Ronaldo será seu maior rival ao posto. É o que aponta uma pesquisa do instituto Paraná Pesquisas sobre a percepção da população do país para o Mundial. Realizado em abril, o levantamento ainda indica que a seleção é vista como favorita ao título e há um desinteresse da maior fatia dos cidadãos pela competição.

A “Pesquisa Nacional Copa do Mundo” foi realizada pelo instituto paranaense em 24 e 25 de abril, com um total de 2.948 pessoas acima de 16 anos, por meio de questionários online. O grau de confiabilidade dos dados é de 95%, com margem de erro de 2%.

Uma das perguntas foi qual desses três jogadores se destacará mais na Copa-2018, citando Neymar, Messi e Cristiano Ronaldo. O resultado foi que 35,2% das pessoas apontaram Neymar como o que será melhor, seguido de Cristiano Ronaldo com 30,2%. A liderança do brasileiro, portanto, está acima da margem de erro. Eleito melhor da última Copa, Messi teve a preferência de 16,9% para ser o destaque da competição.

Não foram incluídos jogadores que têm tido bom desempenho antes do Mundial como Mohamed Salah, egípcio que tem o maior número de gols na atual temporada europeia e jogará na Rússia. Neymar, no momento, se recupera de contusão e tem previsão de voltar aos campos em maio.

Se há confiança em Neymar, a população brasileira demonstra ainda mais otimismo em relação ao hexacampeonato. Uma fatia de 63,7% das pessoas enxerga a seleção brasileira como favorita a ganhar a Copa, enquanto 25,8% não veem o Brasil como principal candidato ao título. O restante não soube ou não quis opinar.

Essa confiança tem relação com a alta aprovação do técnico Tite. Questionada se ele é o técnico ideal para a seleção, 75,9% da população respondeu que sim. Outros 7,3% indicaram que ele não deveria ser o treinador, sendo que o restante não soube ou não quis opinar.

 

Nem esse otimismo no resultado, no entanto, foi capaz de empolgar a população brasileira com a Copa-2018. Questionados sobre qual o grau de interesse no torneio, apenas 33,2% dos brasileiros apontaram estarem interessados ou muito interessados do Mundial. Em contrapartida, 65,8% dos entrevistados indicaram que estão pouco ou nada interessados na competição.

E não é uma questão de falta de conhecimento sobre a Copa. Na pesquisa, 84,4% dos brasileiros apontaram que sabem que a competição ocorrerá na Rússia.


Fifa aprova uso do árbitro de vídeo na Copa da Rússia
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O Conselho da Fifa aprovou o uso do árbitro de vídeo na Copa da Rússia-2018, em reunião em Bogotá. É a confirmação oficial de que haverá tecnologia pela primeira vez no Mundial nesta edição.

No início de março, a IFAB (International Board) tinha determinado todas as regulações do árbitro de vídeo para uso no futebol, abrindo caminho para utilização na Copa. Faltava a aprovação final da Fifa, que era dada como certa dentro do Conselho, e ocorreu nesta sexta-feira (16).

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, é entusiasta do árbitro de vídeo. O mecanismo vem sendo testado nas principais competições da entidade, Copa das Confederações e Mundial de Clubes. O objetivo era justamente que estivesse afinado para a Copa-2018.

“A Fifa, quando tomou essa decisão, foi unânime. O Conselho já havia tomado essa decisão. Hoje também foi unanimidade.
Importante dizer mais uma vez: não tomamos essa decisão acordando hoje. Estamos realmente estudando. Talvez eu tenha sido o mais cético de todos. Mas não temos como saber enquanto não provar”, justificou Infantino em entrevista concedida após a reunião do Conselho da Fifa, na Colômbia.

“Sem o VAR, um árbitro comete um erro importante a cada três jogos. Com o VAR, ele comete um erro importante a cada 19 jogos. Isso é um fato. A porcentagem de acerto dos árbitros sem o VAR é de 93%, o que é excelente. Com o VAR, é de 99%”, analisou o presidente da Fifa. “Não é possível que, em 2018, todos no estádio ou em casa, saibam em alguns segundos se o árbitro cometeu um erro ou não. O único que não sabe é o próprio árbitro”, completou o dirigente.

O sistema criado pela Fifa para o árbitro de vídeo prevê que a tecnologia só seja usada em lances que não tenham subjetividade, isto é, interpretação. O sistema deve ser acionado para lances capitais como pênaltis, impedimentos resultantes em gol ou agressões não vistas pelo juiz de campo.

Pelo modelo adotado, o árbitro que está à frente do vídeo poderá indicar para aquele no gramado um equívoco cometido. Há ainda a possibilidade de o juiz no campo requisitar para analisar as imagens quando tiver dúvida. Times não podem reivindicar revisão de jogadas. De qualquer maneira, será o árbitro que controla o jogo quem tomará a decisão final sobre o lance.

Oito maneiras em que o árbitro de vídeo pode mudar o futebol


Sorteio indica futuros perrengues da Copa da Rússia
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Com Pedro Lopes

Tal qual ocorreu no Brasil o sorteio da Copa-2018 serviu para mostrar as dificuldades que delegações e torcedores enfrentarão na Rússia. E não tem nada a ver com a temperatura abaixo de zero em Moscou que não será a mesma no período do Mundial. Tratam-se de questões ligadas à língua, aos serviços, à burocracia aos grandes deslocamentos, e até a certa paranoia com segurança.

Primeiro, é preciso que se diga que a Rússia tem, como o Brasil, muito a oferecer: um país culturalmente rico, com marcos históricos, uma cultura de futebol consolidada e um povo hospitaleiro.

Mas há uma barreira na interação com os turistas: a língua. A maioria das pessoas em Moscou não fala inglês. Era um problema comum no Brasil. Mas este se agrava na Rússia porque quase todas as sinalizações são escritas no alfabeto cirílico, o que torna bem complicado, por exemplo, andar de metrô em Moscou. O mesmo vale para achar endereços na cidade.

Serviços de táxis estão longe do ideal em Moscou, com preços altos, e muitas vezes negociações abusivas com os taxistas. Mais uma vez, um ponto em comum com certas cidades brasileiras, mas, na Rússia, o problema é disseminado.

Outra questão é em relação aos serviços do Comitê Organizador da Copa. No sorteio, a internet se mostrou falha em boa parte do tempo, o que é incomum nos eventos da Fifa. Houve sérios problemas de credenciamento por conta de burocracia. Alguns participantes do evento demoraram 24 horas para receber suas identificações por simples problemas nos nomes.

Para o torcedor, haverá uma facilidade para identificação com a criação da Fan ID para quem comprar ingresso – é identidade da Fifa. Mas, ao mesmo tempo, ainda será obrigatório o registro de dados em hotéis pelos turistas como de hábito na Rússia.

Em meio a isso, mais um obstáculo é gerado pelo excesso de zelo do governo russo com as questões de segurança. Ressalte-se que a Rússia sofre bem mais ameaçadas do que o Brasil, pois tem relações conflituosas com grupos extremistas. Por isso, foram colocados detectores de metais em estações de trem e metrô e nas portas de hotéis, além de lugares habituais como aeroporto. Para se entrar no Kremlin, local do sorteio, uma pessoa credenciada podia ser checada quatro ou cinco vezes.

Um outro ponto são os grandes deslocamentos entre cidades. Esses chegam a até 2500 km, levemente menores do que no Brasil. Assim como no país da Copa-2014, nem sempre haverá voos diretos, e o torcedor que quiser acompanhar seu time terá de fazer um planeamento extra. Houve reformas de 13 aeroportos para facilitar a vida do vianjante.

Em relação às construções de estádio, um problema no Brasil, há menor preocupação. Ainda há um estádio em Samara por entregar, o que deve ocorrer até abril segundo o governo. Mas as obras estão mais adiantadas do que no caso brasileiro.

“Desde o começo, a Rússia tem levado isso bem responsabilidade. A preparação da Copa tem o nível mais alto do governo. Milhões de pessoas participaram do trabalho em relação à Copa, municipalidades, governos e outros têm trabalhado. Temos garantido de que tudo isso vai funcionar”, afirmou o ministro do Esporte, Vitaly Mutko, durante esta semana de sorteio.

Ressalte-se que, no Brasil, o sorteio da Copa feito em Salvador também indicou vários problemas na organização, como os estádios atrasados, o calor… Pois bem, as operações de Copa foram bem sucedidas no país, com exceções da invasão de chilenos no Maracanã. Mas, para isso, foi preciso solucionar questões na véspera do Mundial.

PS Esse texto tratou de questões de logísticas e operação, sem entrar em outras preocupações em relação à Rússia como homofobia e racismo.


Eleição da Copa tem presente de R$ 5 mil, festa de luxo e emprego de favor
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Um relatório do Comitê de Adjudicação da Fifa mostrou os bastidores das escolhas das sedes da Copa de 2018 e 2022. Estão lá descritos presentes de R$ 5 mil, festa de gala gratuita, empregos de favor e pagamentos vultosos para cartolas poderosos da federação internacional pelos países-cadidatos. Poderia se esperar um escândalo. Mas a entidade declarou que a eleição não fora comprometida, não prevê punição a ninguém e manteve as vitórias da Rússia e do Qatar.

O relatório divulgado pela Fifa sequer é completo visto que o chefe do comitê de ética, Micheal Garcia, que conduziu a investigação, questionou o publicamente. Ele afirmou que o documento publicado é incompleto e contém erros. Recorreu da decisão do Comitê de Adjudicação.

Do que foi revelada, sua investigação mostrou um mundo de lobby, troca de favores, pagamentos suspeitos e delações na busca pelo Mundial, votação feita em 2010. A tal ponto que mimos de valores altos são vistos com indiferença pela entidade.

Um exemplo foram os presentes dados pelo comitê de candidatura do Japão aos membros do Comitê Executivo da Fifa, que foram os votantes nesta eleição, e suas mulheres. Os japoneses deram bolsas e câmeras, entre outros brindes, em valores entre R$ 1.500 e R$ 5 mil. Não há informação de devolução.

Um favor ainda maior foi feito pela candidatura do Qatar sobre quem recai a maior suspeita de compra de votos. O comitê de candidatura do país pagou por um congresso e um jantar de gala da Confederação Africana de Futebol no valor to US$ 1,8 milhão (R$ 4,6 milhões). A investigação diz que o valor pode ser ainda maior. Em troca, só o país árabe podia fazer campanha no evento.

Ligado a candidatura, o qatari Mohammed bin Hammam, ex-membro da Fifa, fez uma série de pagamentos comprovados para cartolas da entidade. Originalmente, esse dinheiro seria para comprar votos na eleição para presidente, quando enfrentaria Joseph Blatter. Mas o relatório apontou possível ligação do dinheiro a Reynald Temarii, da Oceania, com votos da Copa.

Outra questão do Qatar foi um amistoso entre Brasil e a Argentina, em Doha, bancado por um conglomerado do país. O contrato com a AFA (Associação de Futebol Argentina) gerava questões sobre relação com a escolha da Copa.

Pedidos de favor para a candidatura inglesa, feitos por poderosos da Fifa, também foram identificados. O documento diz que Jack Warner, ex-vice da Fifa, requisitou que arrumassem emprego no Reino Unido para um conhecido. E os ingleses estavam dispostos a atendê-lo. Isso fora outros três pedidos de benefícios de cartolas da federação relatados por Lord Triesman, ex-chefe da candidatura inglesa.

À parte esses benefício, os bastidores da escolha tem pelo menos dois delatores usados pela Fifa, e descartados por falta de credibilidade, computadores destruídos e sumidos do comitê de candidatura da Rússia, e promessas de projetos de desenvolvimento em altos valores para países dos cartolas da Fifa.

A tudo isso, a federação internacional reagiu com otimismo por considerar o processo de eleição das Copas 2018 e 2022 livre de comprometimento. O relatório do comitê de adjudicação afirmou que não há provas de corrupção, nem compra de votos. Em resumo, encerrou a questão.

 


Como no Brasil, Fifa já enfrenta ameaças políticas na Rússia-2018
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No Brasil, a Fifa viveu sob a constante ameaça de manifestações desde a Copa das Confederações, além de sofrer críticas da população. O Mundial foi tranquilo apesar das preocupações. Mas, a quatro anos da Copa-2018, a federação internacional já enfrenta sérios problemas políticos na Rússia.

Durante a semana, a federação internacional teve que soltar uma nota para reafirmar que não tira o torneio do país apesar dos confrontos na região da Ucrânia, que resultaram no abate de um avião. A entidade defendeu que o Mundial pode ser uma “força para o bem”.

E outra grave ameaça é a questão do combate à discriminação na Rússia. O país tem uma lei que proíbe manifestações de “relações sexuais não tradicionais”, o que serve para punir homossexuais. A força-tarefa da Fifa contra discriminação está bastante preocupada com essa legislação, e seus efeitos.

“A Rússia será muito mais desafiadora. A Rússia, sozinha, merece uma força-tarefa”, explicou Jeffrey Webb, presidente da força tarefa da Fifa e membro do Comitê Executivo, ao blog durante o Mundial do Brasil.

“Nós vamos ter que conversar. Para nós, se trata de revisar a legislação e ver o que se encaixa na legislação da Fifa. Claramente, a Fifa tem um ponto muito forte contra discriminação, contra o que podem sofrer indivíduos. Vamos ver quais linhas se cruzam entre a legislação da Fifa e a deles (russos).”

O presidente da federação internacional, Joseph Blatter, já teve uma conversa inicial com o presidente Vladimir Putin sobre o assunto, segundo Webb. Fato: quem achava que os cartolas da Fifa teriam vida fácil após o Brasil, enganou-se.


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