Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Copa-2018

Alvo de discussão, simulação foi infração menos punida na Copa
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A simulação de faltas tornou-se centro da discussão da Copa da Rússia-2018, mas foi a infração com menor punição com cartão amarelo no Mundial. É o que mostra um levantamento da Fifa em cima da atuação da arbitragem sobre a parte disciplinar da competição. Só uma advertência foi dada por conta de fingimento de um total de 223 cartões.

O atacante Neymar foi o pivô do debate mais acalorado em relação à simulação, com críticas e defesa dos seus exageros em campo. Mas é um erro achar que foi o único. O fingimento de faltas foi marcante no Mundial como se viu, de forma mais notória, no confronto Inglaterra x Colômbia.

Jogadores campeões do mundo como os franceses como Mpappé e o próprio Griezmann também são apontados como simuladores de falta. A falta que resultou em um dos gols na final ocorreu quando o atacante do Atlético de Madri retardou a passada para receber uma suposta falta do defensor croata.

O único jogador punido por fingir receber uma falta foi o sul-coreano Heungmin Son em jogo contra a Alemanha, ainda na primeira fase da competição. Neymar, por exemplo, recebeu um amarelo por arremessar uma bola no chão, o que pode ser classificado como “comportamento antidesportivo”. Houve sete advertências por esse motivo.

No total, a Fifa listou 13 motivos para dar cartões amarelos na Copa. O maior número de advertências foi por faltas duras em um total de 119, sendo subdivididas em disputas e uso ilegal dos braços. Na sequência, estão 57 faltas táticas, entre agarrões, parar um ataque e mão na bola.

Por fim, há os cartões por questões disciplinares que somaram um total de 47. Neste item, as discussões geraram o maior número de amarelos com um total de 18. Houve ainda oito cartões por cera, oito por agarrar e até dois por excesso de celebração de gol. E apenas a solitária advertência por simulação.

Ao evitar a punição por fingimento, a arbitragem da Fifa parece ter um objetivo claro de não deixar as principais estrelas do Mundial de fora de jogos importantes. Afinal, em geral, são os atacantes que recebem advertências deste tipo. O problema é que, sem punição, esse tipo de lance tenda a ser cada vez mais utilizado pelos jogadores.


Apesar do bom trabalho, Tite errou e não deveria ser imune a críticas
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Ao assumir a seleção brasileira há quase dois anos, o técnico Tite transformou um caos em um time organizado. A ponto de chegar à Copa com ares de favorito o que se intensificou com a queda de rivais. Sua eliminação nas quartas-de-final para a Bélgica tem um quê do acaso do futebol, mas tem, sim, erros cometidos na campanha.

É melhor o Brasil aprender com erros do que simplesmente atribuir a derrota ao aleatório. Então, vamos tentar traçar aqui alguns pontos que este blog viu como equívocos. Até porque os elogios a Tite, a maioria justos, já foram em abundância.

Em relação à escalação da partida contra a Bélgica, está claro que a ideia de Roberto Martínez prevaleceu sobre a Tite no início do jogo. A formação mais defensiva da Bélgica – com Fellaini e Chadli nos lugares de Mertens e Carrasco – ofereceu uma resistência maior para a seleção do que se via em jogos anteriores do time europeu.

Mas foi ofensivamente que a postura belga desorganizou o Brasil. Com dois na frente e um meia encostado, a Bélgica estabeleceu uma rotação de posições em que os volantes brasileiros Fernandinho e Paulinho, em jogos ruins, simplesmente não achavam os rivais. Lukaku recuou para armar o contra-ataque do segundo gol de De Bruyne. Hazard estava em todos os lados, da esquerda para o meio.

E aí há uma erro crasso: Fernandinho é mesmo que estava perdido no 7 a 1 para a Alemanha. “Ah, mas faz muito tempo – Naquela vez, ele tinha o Luiz Gustavo como primeiro volante – o Guardiola adora ele”. Bom, fato é que o mesmo volante fracassou de forma retumbante em duas eliminações brasileiras em Copa. Será que foi uma boa ideia apostar nele como único reserva de Casemiro na posição?

Tite acertou na substituição com as entradas de Renato Augusto e Douglas Costa – que foram bem – no lugar de Paulinho e Jesus. A seleção voltou a ser um time da metade do segundo tempo para o final. Antes disso, era na base da tentativa e erros, com lances individuais.

Outro equívoco foi a manutenção por tanto tempo de Gabriel Jesus como titular. Está claro que não vive boa fase. Além de não marcar em cinco jogos, não estava ajudando a fluidez do ataque. Destaca-se sua capacidade de marcação, mas foi ele que permitiu uma conclusão de Kompany no primeiro pau por marcar mal o escanteio.

É verdade que se saísse um gol de empate e o Brasil tivesse virado não seria nenhum absurdo. Mas é irreal achar que a seleção fez um grande jogo. Na maior parte do tempo, foi mal coletivamente e mostrou claros sinais de nervosismo quando em desvantagem. É só ver quantas conclusões tecnicamente fáceis errou. Se chutou tanto a gol, e tão mal, há algo errado aí.

Outro aspecto a se destacar é a gestão de elenco, tão elogiada em Tite. Bom, o Brasil tem em Neymar seu melhor jogador e ele não rendeu o esperado. Durante a maior parte do tempo, esteve envolto em uma controrvérsia sobre seu cai-cai. Tite o protegeu publicamente.

Houve uma chamada do técnico no atacante que até melhorou sua postura após os dois jogos iniciais. Mas, nas quartas, de novo, ele insistia em quedas, sendo que o próprio técnico foi pedir árbitro de vídeo para um lance em que Neymar… se jogou. Ora, isso não é referendar a simulação? No final, ele tem jogado menos do que pode em diversas ocasiões por isso, e cabe ao treinador mostrar essa realidade já que seu entorno limita-se a bajula-lo. Hazard, por exemplo, estava difícil de derrubar em contraste.

Há questionamentos pertinentes e justos também sobre a montangem de elenco, e a questão das contusões. Por exemplo, Tite morreu na Copa com Taisson no banco. Com a convocação questionada, o jogador nunca parece ter sido uma opção real quando houve problemas. Estava ali por que se podia haver alternativas reais em seu lugar?

Fred ficou a Copa inteira com problemas físicos. Não foi cortado para dar lugar a outro e nunca jogou. O próprio Renato Augusto perdeu jogos. Será que não era o caso de ter menos jogadores em estado físico complicado para a fase final?

Obviamente, esses questionamentos aqui expostos não são verdades absolutas, nem explicam a eliminação do Brasil como tábua de regras. Mas é importante, sim, criticar por que é só assim que se evolui, como ocorreu após 2014. Não dá para só botar na conta de um pé torto na conclusão.

PS A continuidade do trabalho de Tite, que é a preferência da diretoria da CBF, é a melhor escolha para atual conjuntura do futebol brasileiro. Ele é o treinador mais preparado para dirigir a seleção, especialmente com mais quatro anos. Terá, assim, a oportunidade de aprender com a Rússia-2018.

 


Bélgica tem produção ofensiva quase igual ao Brasil. Diferença é a defesa
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Uma análise dos números ofensivos de Brasil e Bélgica, rivais nas quartas de final, mostra times com produção praticamente igual na frente, embora os adversários tenham mais gols. Há uma diferença em relação à defesa dos times, bem mais eficiente no caso brasileiro. Diante da seleção, a ofensividade belga deve se repetir, mas com ajustes.

O sistema tático da Bélgica não é igual ao nacional, especialmente em relação à defesa. Enquanto Tite usa seu 4-1-4-1, o treinador Roberto Martínez prefere jogar com três zagueiros com um 3-4-3 que explora a velocidade de seus ponteiros (Mertens e Hazard) e a qualidade de seus armadores (De Bruyne e Witsel).

Com ideias diferente de como ganhar o jogo, a Bélgica chutou tanto a gol quanto o Brasil: foram 77 conclusões para cada um dos dois times. O número de oportunidades de gol é também similar com 73 para os brasileiros e 71 para os belgas. O time europeu, no entanto, tem 12 gols contra sete da seleção.

As duas equipes ainda se igualam na intenção de ter a bola: ambas tiveram mais posse do que os rivais com percentuais quase iguais, 55% a 56%. Deram uma quantidade parecida de passes: Brasil 2282, e Bélgica, 2189. A precisão nos passes também é similar.

Martinez indica que não vai abrir mão deste estilo diante do Brasil . “Você tem que ser taticamente flexível, mas isso não significa escolher um sistema diferente para cada corrida (jogo). Tem que haver uma continuidade, e você tem que se ajustar a cada corrida”, observou o treinador, em entrevista ao “Sporza” no dia seguinte a se classificar às quartas-de-final.

Os ajustes necessários parecem ser mais na forma como conter o Brasil. Por que se os times se igualam na frente, o Brasil mostra muito mais eficiência na recuperação da bola por ter um posicionamento bem mais consistente na defesa.

A seleção brasileira conseguiu 183 recuperações de bola, e a Bélgica, 145 durante a Copa. O time nacional também supera em número em chegadas junto (carrinhos ou divididas) para retomar a posse.

Uma consequência de o Brasil ter volantes típicos como Casemiro e às vezes Fernandinho, enquanto a Bélgica tem Witsel e De Bruyne que mais ocupam espaços do que apertam na marcação. Há bastante liberdade para jogar à frente do trio de zagueiros belgas.

Não por acaso o Brasil sofreu apenas um gol na Copa, aquele lance de Zuber diante da Suíça. Enquanto isso, a Bélgica já foi buscar a bola na rede por quatro vezes, uma vez por partida em média. Sofreu dois gols em duas ocasiões, diante de Japão e Tunísia.

 


Ataques a Neymar lembram campanha contra Suárez na Copa-2014
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Sim, Neymar exagera na reação às faltas sofridas e isso não é correto por tentar criar uma vantagem indevida no jogo. Dito isso, há um exagero nas críticas ao atacante brasileiro especialmente em parte da mídia estrangeira ao se maximizar os seus erros e se minimizar suas qualidades. Algo parecido com o que ocorreu com o uruguaio Luis Suárez durante a Copa-2014 pela sua agressão a jogador italiano – os dois atos não são comparáveis, as campanhas, sim.

Como já dito neste blog, e virtualmente em todos os lugares, Neymar promoveu um excesso de quedas com giros nos dois primeiros jogos do Brasil. Isso criou uma antipatia entre estrangeiros até compreensível no início da Copa. Mas, a partir daí, a postura do jogador mudou.

Diante do México, ele rodopiou no chão quando sofreu um pisão de Layun, um teatro descenessário. Mas o pisão existiu e não foi punido com cartão como merecia. E, depois disso, começou a onda com Osório dizendo que “futebol para homem”, seguido por outros jogadores mexicanos atacando o e esquecendo que foram superados na bola.

Um jornal inglês chamou o de falso. O ex-jogador Lineker, um dos mais lúcidos comentaristas do futebol atual, ironizou ao dizer que ele tinha um baixa capacidade de suportar a dor. No centro de imprensa de estádio de Moscou, onde eu estava, havia exclamações de indignação de jornalistas estrangeiros como se Neymar tivesse agredido alguém.

Lembra bastante o ataque de fúria contra Luis Suárez após ele morder Chielini na Copa-2014.  Não, não estou comparando os dois fatos, são bem diferentes. Suárez agrediu, errou feio e mereceu sua punição ao ser excluído da Copa. Mas, a partir daí, houve uma gritaria como se ele fosse um animal que não soubesse se comportar entres seres-humanos. Houve quem defendesse que fosse banido do futebol.

Peraí, onde estava essa cobrança toda por comportamentos éticos e postura quando ingleses e belgas botaram times reservas quando uma derrota os dava uma chave mais fácil? Onde estava a gritaria toda quando japoneses “jogaram para perder”? Neymar é o único jogador do futebol mundial que simula? O que fez Cristiano Ronaldo em seus saltos contra o Marrocos para cavar pênaltis (muito mais discretos do que os de Neymar, diga-se)?

A transformação de um jogador em vilão da Copa não faz nenhum sentido. Neymar trouxe para si mesmo essa onda ao se jogar demais no início da Copa, mas os ataques que sofre são exagerados e ofuscam a ótima Copa que faz. E só enxerga-se defeitos em um jogador que tem muitas qualidades. O ser-humano é complexo: reduzir sua descrição a apenas uma faceta não é correto.

Entres as maiores estrelas Mundiais, incluídos aí Messei e Cristiano Ronaldo, Neymar e Mbappé foram os únicos capazes de atuações brilhates nas eliminatórias da Copa. Considerado todo o Mundial, o atacante brasileiro tem tido um desempenho de ótimo nível, com alto número de dribles, passes decisivos e conclusões a gol. Resumir um jogador desse só ao seu defeito é uma injustiça.


Fifa tem um dilema: sombra de manipulação crescerá com a Copa com 48 times
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A fase de grupos da Copa da Rússia-2018 acabou com questionamentos em relação a armações em certos jogos, seja para ter um adversário mais fraco, seja para se classificar com um empate ou uma derrota. O time não joga de fato para vencer, embora não seja uma manipulação clara de resultado. A Fifa não se diz preocupada. Mas essa sombra sobre a competitividade dos jogos vai crescer ainda mais quando a Copa tiver 48 times.

Lembremos os questionamentos aos comportamentos das seleções nesta Copa. Primeiro, Dinamarca e França jogaram uma partida extremamente fria, com reservas, e empataram, resultado que dava a um a classificação e a outro, o primeiro lugar. Segundo, Japão acabou seu jogo com a Polônia sob vaias por não atacar: os cartões amarelos (critério fair play) lhe davam uma vaga sobre Senegal.

Terceiro, Bélgica e Inglaterra não armaram nada, mas botaram reservas em campo em jogo que definia o primeiro lugar do grupo, que deve pegar um lado mais forte na chave da Copa do Mundo (foi a Bélgica). Todas essas são situações que tiraram a competitividade das partidas para dizer o mínimo.

Pois bem, a partir de 2026, nos EUA, México e Canadá, a Copa terá 48 seleções, com grupos de três times e dois classificados. Isso significa que aumentará consideravelmente a chance de duas equipes jogarem a última partida com a possibilidade de armarem um resultado para obterem a vaga.

É o que mostrou em um artigo recente no “New York Times” o matemático francês Julien Guyon. Sua tese aponta que há três situações em que os dois times que jogarem por último podem armar um resultado específico que classificaria a ambos. Claramente, a equipe que jogasse as duas partidas primeiro seria prejudicada, pois poderia sofrer uma manipulação na última rodada.

Nos cálculos de Guyon, um grupo com um time bem mais forte sendo o primeiro a atuar duas vezes teria uma chance de menor de armação, em torno de 15%. Se a tabela não fosse assim, as chances seriam de 50%. No geral, com 16 grupos disponíveis, a abertura para a manipulação seria bastante provável.

A Fifa já cogitou pênaltis para não ter empates já na fase de grupos, o que não eliminaria completamente a possibilidade de armação.

A verdade é que as implicações da Copa com 48 times ou não foram consideradas ou foram minimizadas. Se há questionamentos sobre armação com o regular grupo de quatro, imagine com três equipes e todas suas variações. O que a Fifa poderia enfrentar seria uma nova situação como a da Copa de 1982 em que houve claros sinais de armação entre Alemanha e Áustria, em uma vitória alemã que eliminou a Algéria e classificou ambos.

Em um mundo que reputações são destruídas rapidamente, teria um efeito devastador sobre a Copa que uma partida da fase de grupos acabasse de novo com um empate sem ninguém atacando, ou uma vitória em que o time perdedor parecesse pouco se importar. Poderia levar um descrédito à competição difícil de recuperar. Será que os bilhões a mais que a Fifa vai ganhar com o Mundial de 48 times valem esse risco?

Tags : Copa-2018


Futebol ultraofensivo da Bélgica é um refresco na Copa das retrancas
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Estava sol no Estádio do Spartak, a festa das torcidas belga e tunisiana ao lado de fora era animada, tudo pronto para uma tarde de futebol. Futebol bem jogado, para fazer gols, para encantar. Foi o que a Bélgica apresentou com seu esquema ultraofensivo que destoa na Copa das retrancas.

Não por acaso já que conta com uma linha de ataque composta por Mertens e Hazard nas pontas, com o centroavante Lukaku. Servidos pela classe de De Bruyne, e pelo toque de bola de Witsel. Neste 3-4-3, ainda há um ala esquerdo que mais ataca do que defende em Carrasco.

O ritmo alucinante levou a dois gols em menos de 20min. É certo que atrás o time se expõe bastante, e por isso a Tunísia aproveitava o espaço no meio-campo. Mas dava gosto de ver.

A recuperação de bola era seguida por passes verticais dos meias e corridas alucinantes dos ponteiros Mertens e Hazard, este o melhor do jogo, com sua condução de bola grudada no pé. Com a vantagem, a Bélgica continuava a ter às vezes oito jogadores à frente.

Contra um time de qualidade ofensiva limitada, dava para correr riscos, ainda que tenha tomado dois gols. O dilema belga será quando enfrentar equipes mais fortes como Brasil, Alemanha ou França. Jogadores desses times serão capazes de explorar esse latifúndio no meio-campo. Até porque, ao se defender, forma-se uma linha de cinco (com a volta de Carrasco e Meunier) que está muito atrás, com pouca proteção de De Bruyne e Witsel, lhes falta cacoete de volante típico.

Isso é uma questão para ser respondida mais à frente. De certo, a Bélgica apresentou o futebol mais interessante do Mundial até agora, com seus passes verticais, posse de bola objetiva e qualidade e inteligência nas conclusões das jogadas.

 


Neymar tem atraído antipatia estrangeira pelo excesso de quedas
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A cena ocorreu no centro de mídia do Estádio do Spartak, em Moscou: a queda de Neymar no suposto pênalti contra a Costa Rica causa um grunhido de indignação entre jornalistas neutros de outros países. Quando o árbitro Bjorn Kuipers anulou a marcação, houve alguns aplausos.

Não é um fenômeno isolado. Tem sido comum jornalistas estrangeiros pedirem cartões amarelos ou punições pelas simulações ou reclamações constantes do craque brasileiro. Imagens da partida diante da Costa Rica mostram Neymar caindo, ofendendo o árbitro em mais de uma vez e sendo grosseiro ao pedir que este não o toque.

A irritação de Kuipers é evidente nos lances em que manda o brasileiro se levantar. A mesma irritação é vista em outros jornalistas, especialmente europeus, que veem como desrespeitosa as atitudes do jogador brasileiro.

Como bicho papão de Copas do Mundo, o Brasil não é exatamente querido na mídia estrangeira e entre torcedores de outros países com tradição no Mundial. É um pouco o time a ser batido em determinadas circunstâncias.

Mas jogadores de alto quilate como Cristiano Ronaldo, Messi e Neymar (não, ele não está no mesmo patamar técnicos dos outros) costumam causar admiração pelo que são capazes dentro de campo. O adorador de futebol se ajoelha diante do craque quando ele brilha intensamente. É só ver nossa admiração com o português e o argentino.

No caso de Neymar, no entanto, essa admiração cada vez mais se transforma em repulsa. Porque as atitudes do craque brasileiro são vistas como antidesportivas. Parece que está sempre querendo levar vantagem ao torcer as regras do jogo, ao pressionar por decisões favoráveis.

Essa percepção geral, além de aumentar uma já grande pressão sobre ele, espirra para o campo. O departamento de arbitragem da Fifa costuma marcar jogadores com tendência a se jogar demais, e será mais difícil que estes consigam faltas marcadas, mesmo quando forem. No final, não há nada que Neymar tenha a ganhar com o tipo de comportamento que tem exibido nesta Copa.


Com árbitro de vídeo, Copa tem explosão de pênaltis na primeira rodada
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A Copa da Rússia teve um aumento considerável no número de pênaltis marcados por conta do árbitro de vídeo. Foram marcadas nove penalidades na primeira rodada, composta por 16 jogos. Para efeito de comparação, foram dez pênaltis em toda a primeira fase do Mundial do Brasil-2014.

Do total de nove penais marcados até agora, foram três deles assinalados por meio do árbitro de vídeo. Foi o caso da marcação em favor da Suécia diante Coréia do Sul, para o Peru contra a Dinamarca, e para a França em confronto com a Austrália. Ou seja, sem essas penalidades, seriam apenas seis.

A seguir neste ritmo, a Copa da Rússia vai se tornar a de maior número de pênaltis. Em 2014, no Brasil, foi um total de 13 marcações dentro da área. Na África do Sul, em 2010, foram 15 pênaltis.  Na Alemanha, houve 17, e no Japão/Coréia do Sul-2002, 18 penalidades. Por fim, na França, em 1998, foram 18 pênaltis.

O número podia ser ainda maior se tivesse sido marcados pênaltis reclamados por alguns times. É o caso de dois agarrões no atacante Harry Kane na partida diante da Tunísia. Houve também a reclamação brasileira e argentina em seus jogos, em lances em cima de Gabriel Jesus e Pavón. Esses não foram marcados.

Normalmente, em relatório sobre erros de arbitragem, o maior número de falhas apontado é de pênaltis não marcados. É assim, por exemplo, no caso do Brasileiro em que a CBF faz um levantamento de erros dos árbitros. Assim, o VAR, na realidade, passa a permitir a marcação de penalidades que antes eram ignoradas. Por isso, o aumento.

 

 


Neymar fará bem se entender arbitragem: contorcer-se não expulsará rivais
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Neymar sofreu um número excessivo de faltas por parte do time suíço? Fato, foram 10, um número dos mais altos na história da Copa do Mundo. E qual foi o efeito para o time brasileiro neste caso? Dois cartões amarelos para os jogadores adversários, apenas uma falta perigosa, um desgaste desnecessário sobre o principal atleta nacional.

O excesso de faltas teve relação direta com Neymar segurar muito a bola. Sem toca-la com mais rapidez, ficou exposto a um rodízio dos jogadores suíços. Cada vez um cometia falta sobre ele.

Tite reclamou desse método. Mas, embora sua ponderação tenha sido ouvida na Fifa, o departamento de arbitragem da entidade não entendeu que houve qualquer erro do árbitro Carlos Ramos. Marcou todas as faltas, deu os amarelos. Não entendeu que houve nenhuma falta que merecesse um cartão vermelho. E não houve de fato.

Em diversos lances, Neymar ainda exigiu cartões com gestos, ou se contorceu no chão exagerando o efeito da falta sofrida. Isso não teve nenhum efeito sobre Carlos Ramons, nem impressiona o comando da arbitragem da Fifa. A avaliação final é de que ele foi protegido como deveria pelo árbitro.

Ora, Neymar pode no próximo jogo tentar tudo de novo ao tentar com outro juiz. Mas a realidade é que ficou claro o padrão adotado pela Fifa: não adianta que sofra várias faltas de nível médio para arrumar uma expulsão. Isso só ocorrerá com lances mais duros de fato.

O atacante brasileiro sempre foi um jogador inteligente. Cabe a ele interpretar essa realidade do jogo e se adaptar a ela. Ou seja, soltar mais a bola para evitar pancadas constantes, e deixar de lado as reclamações excessivas. Talvez caso se concentre mais em desenvolver o excepcional jogo de que é capaz em vez de se preocupar com o árbitro.


Copa gera uma dúvida para o árbitro de vídeo: o que é um pênalti claro?
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Os jogos de sábado da Copa do Mundo levantaram uma questão sobre o uso do árbitro de vídeo: o que é um pênalti claro e um interpretativo? Só no primeiro caso o vídeo pode ser usado, enquanto lances duvidosos não devem ser decididos na telinha. A questão é que definir se um possível pênalti é uma interpretação ou claro continua a ser uma decisão subjetiva da cabeça do juiz de plantão.

De manhã, o árbitro Andres Cunha apelou ao vídeo para marcar o pênalti sobre Griezmann em favor da França. Houve quem achasse que não foi, uma minoria diga-se. Mas, sendo assim, não seria um caso de interpretação? Na realidade, Cunha entendeu que era tão claro que apelou ao auxílio tecnológico.

Na sequência, uma atitude bem diferente do árbitro polonês Szymon Marciniak durante a partida de Argentina e Islândia. Ele preferiu não consultar o árbitro de vídeo em nenhuma situação. Seu único pênalti marcado foi no argentino Mezza, sem consulta.

Ora, o argentino Pavón entrou na área quase no final do jogo e se chocou com um defensor islandês. Os argentinos reclamaram de ser uma penalidade clara. O árbitro se recusou a olhar no vídeo. Eu estava na frente do lance na arquibancada e, ao vivo, não pareceu falta. No replay, com câmera lenta, a ideia pode mudar. Pela regra do uso do VAR, a câmera lenta só deveria ser usada para identificar o ponto da falta, não se houve a falta. Certo é que a câmera lenta complica ainda mais as coisas.

E houve outro lance, uma mão de um zagueiro islandês. Estava longe do corpo, mas a bola resvala em seu corpo antes. Assim, não deveria ser pênalti. Mas, de novo, é uma questão de interpretação.

Por fim, na última partida do dia, Peru e Dinamarca, o árbitro Baraky Gassama não apelou imediatamente ao árbitro de vídeo quando Cueva foi derrubado na área. Haverá discussão de uma minoria, mas ali, sim, o lance parece claro para a maioria, uma rasteira. Ele demorou, mas finalmente olhou a televisão… e deu o pênalti. Até na mesma cabeça há duas interpretações.

Assim, o árbitro de vídeo é, sim, um avanço enorme por acabar com erros bizarros no futebol. Não dá para aceitar que falhas inacreditáveis da arbitragem decidam jogos. Isso não acabará, no entanto, com a subjetividade das decisões dos árbitros que continuarão a existir como a Copa já provou.

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