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Retorno de Copa Intercontinental avança, e Mundial da Fifa vive incerteza
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A Conmebol e a UEFA avançam na discussão da volta da Copa Intercontinetal, conhecida como Mundial interclubes. Ao mesmo tempo, o Mundial de clubes da Fifa está em questionamento e a tendência é que ou mude bastante seu formato ou acabe. Isso vai se definir nos próximos dois anos.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, entende que o modelo atual para o Mundial de clubes não é bem-sucedido. Sua intenção é fazer uma modificação. Mas há contrato até 2018 para a realização da competição nos Emirados Árabes. Depois, é um incógnita.

Em paralelo, a Conmebol e a Uefa avançam na discussão da volta da Copa Intercontinental em jogo entre os campeões dos dois continentes. Seria o mesmo formato da competição disputada por 43 edições que terminou em 2004.

É importante lembrar que o Intercontinental sempre foi organizado pela UEFA e pela Conmebol, sem participação da Fifa o que já gerou disputas políticas. Foi de fato o Mundial de clubes por mais de quatro décadas até as duas entidades fazerem um acordo para substitui-lo pelo Mundial da Fifa.

As duas competições só foram disputadas simultâneas em 2000. Por isso, há uma discussão se a volta da Intercontinental implicará no final do Mundial de Clubes. Não é certo qual será o formato final, mas é certeza de que o destino de uma competição está atrelado ao outro. E o futuro será definido nos próximos dois anos.


Como a política agressiva de Trump pode afetar a Copa
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Donald Trump, presidente dos Estados Unidos (Crédito: NICHOLAS KAMM/AFP)

Um grupo de seis países do Oriente Médio anunciou um boicote ao Qatar por supostas ligações com terrorismo o que gerou uma série de problemas logísticos à nação. A medida atinge a sede da Copa-2022 escolhida pela Fifa e já cercada de controvérsia. E tem o dedo do presidente Donald Trump cuja política externa agressiva já ameaça afetar edições futuras do Mundial.

O boicote da Arábia Saudita, Bahrein, Egito, Emirados Árabes, Iêmen e Líbia tem como suposto motivo o financiamento a movimentos islâmicos radicais. “Durante minha recente viagem ao Oriente Médio, eu disse que não pode mais haver financiamento de redes ideológicas”, afirmou Trump no Twitter, nesta terça-feira. “Os líderes apontaram o Qatar.”

A medida é controversa visto que a própria Arábia Saudita é acusada de ligações com movimentos radicais e parece ter o objetivo de atingir o Irã, mais próximo do Qatar. Mas há, sim, dados que apontam ligações do reino qatariano com grupos radicais como Hamas, exércitos na Síria, além de partido político no Egito.

De qualquer maneira, o boicote gerou uma reação em cadeia que vai afetar voos regulares, o abastecimento de alimentos e o livre fluxo de trabalhadores para o Qatar que tem um pequeno território. Dados do “Financial Times” apontam que isso pode impactar na capacidade do país de organizar a Copa-2022 se o fechamento das fronteiras com esses países for mantido por longo prazo.

Questionada pelo blog sobre o boicote, a Fifa informou apenas que “está em contato regular com o Comitê Organizador do Qatar-2022 e o Supremo Comitê de Entrega e legado ligando com assuntos sobre a Copa-2022”. E não respondeu as perguntas sobre os problemas logísticos.

Já é a segunda vez este ano que a política de Trump afeta a Copa do Mundo. Em abril, EUA, México e Canadá anunciaram uma candidatura conjunta para serem sede da Copa-2026. Essa postulação tem diversas implicações com a administração Trump que manifestou apoio à tentativa de receber o Mundial.

Primeiro, o presidente da federação norte-americana de futebol, Sunil Gulati, disse que a candidatura considerava o cenário internacional, demonstrando união entre os países. “Levando em conta o que tem acontecido no mundo, especialmente nos EUA, os assuntos que estamos enfrentando, uma candidatura com o México e Canadá é um grande plus”, contou ele à “Sports Illustrated”.

Trump promete construir um muro na fronteira com o México, mas seu departamento de Estado manifestou apoio à candidatura. Há, no entanto, questionamentos sobre como funcionará a política de vistos para delegações e torcedores visto que o presidente americano quer impor restrições a cidadãos de países como Irã.

A Copa não será em sua administração, mas será negociada nela e votada até 2020. E a Fifa só aceitará dar o Mundial se tiver garantias de visto a países participantes. Gulati disse que isso será negociado no futuro com a administração Trump.

O jornalista Grant Wahl, da “Sports Illustrated”, indicou que a inclusão do México e Canadá serviria justamente como alternativa de abrigar jogos de países que possam ter problemas com visto nos EUA. Mas, se esses países avançarem no Mundial, os norte-americanos serão obrigados a dar garantias de que vão recebe-los.

Outra questão é que, com Trump na Casa Branca, aumenta a antipatia com os EUA, o que pode gerar travas à candidatura na votação na assembleia da Fifa. Isso será minimizado porque a tendência é de uma candidatura única, apenas com possibilidade de um adversário da África, que seria mais fraco. Como de hábito, a Fifa se mantém em silêncio até agora sobre os potenciais problemas.


Fifa estuda criar disputa entre campeões da Copa América e da Euro em 2020
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A cúpula da Fifa estuda criar uma disputa intercontinental entre os campeões da Copa América e da Euro em 2020. Essa ideia surgiu na federação internacional em meio à negociação que determinou que o torneio americano será disputado agora sempre no mesmo ano do europeu.

O Conselho da Conmebol já decidiu que a Copa América do Brasil, em 2019, será a última em anos ímpares. Com isso, no ano seguinte, seria disputado um novo torneio nos EUA e, a partir daí, se fixaria a competição nos anos pares em que não ocorra Copa do Mundo. Na sequência, 2020, 2024, 2028, etc.

Essa informação foi publicada primeiro pelo “Globo.com” e confirmada pelo blog. Ressalte-se que ainda falta oficializar a decisão em reunião do conselho da Conmebol, mas ela já conta com apoio dos membros.

O presidente da Fifa, Giani Infantino, apoiou a ideia e foi além: já manifestou intenção de realizar uma final entre os campeões dos dois continentes, aproveitando que as competições ocorrem no mesmo período. Seria mais um projeto do mandatário para aumentar a arrecadação já que o jogo atrairia bastante atenção no período sem Copa.

A Copa América a ser realizada de novo nos EUA tem como objetivo o crescimento de receitas. Para se ter ideia, a edição de 2016 também em terras norte-americanas gerou US$ 300 milhões em vendas de direitos de televisão e marketing. Cada seleção ficou com US$ 7 milhões, o dobro do valor obtido para cada time na competição de 2015 no Chile.

A informação da Fifa é de que a Euro e a Copa América simultâneas, juntas, atraíram tanta atenção pelo planeta quanto Copas do Mundo. Por isso, não se descarta que a Conmebol realize mais edições nos EUA. Neste cenário, a ideia de Infantino de uma final entre campeões continentais pode ganhar força, embora ainda não tenha sido discutida a fundo na Conmebol e na UEFA.

A realidade é que, após a expansão da Copa do Mundo para 48 seleções, a Fifa está revendo todas as competições. Quer maximizar receitas e atrair mais tempo de atenção mundial.


Jogador brasileiro recupera valor após tragédia da Copa, e clubes faturam
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Números do mercado de transferência de 2016 mostram que o jogador brasileiro recuperou o valor de mercado após o desastre da Copa-2014 que o tinha desvalorizado. Com isso, aumentaram os ganhos com vendas dos clubes nacionais. O país é tradicionalmente o maior exportador e importador de atletas do mundo em números, a questão é o valor pago.

Pelo relatório do TMS da Fifa relativo a 2016, divulgado na semana passada, o Brasil arrecadou US$ 263,6 milhões (R$ 824,28 milhões) com transferências de jogadores no ano passado. Tornou-se assim o sétimo país com maior receita com saída de atletas, atrás das cinco principais ligas europeias e Portugal.

Para efeito de comparação, o Brasil ganhou US$ 203,9 milhões em 2015. Isso já representava uma queda em 2014 com US$ 221 milhões. Naquele ano, o Brasil perdeu de 7 a 1 para a Alemanha na semifinal do Mundial e os efeitos foram sentido no meio do ano. Logo após o Mundial, cartolas de clubes indicaram que havia tido um queda no interesse em atletas brasileiros e que vinham recebendo menos ligações de europeus.

De novo, como comparação, em 2013, antes do desastre da Copa, o Brasil ganhou Us$ 312 milhões com transferências, valor superior ao do atual ano. Naquela temporada, o país chegou a ser o quarto maior vendedor na frente da Inglaterra. Em 2012, o número foi de US$ 230 milhões, em um período em que o mercado tinha bem menos dinheiro que atualmente.

Os atletas nacionais representam o maior volume de transações considerado todo o mundo, não apenas os que saíram do país. Foram US$ 593,9 milhões no total. O país, no entanto, já liderava essa lista em 2015 com US$ 567 milhões. A diferença é que, em 2015 e 2014, os times europeus priorizavam investir em brasileiros que já estavam na Europa, e agora voltaram a olhar para o país.

Em relação à compra de atletas, o Brasil também aumentou seu poder, como já mostrado pelo blog. Foram US$ 85 milhões no ano passado, um aumento de 140% segundo a Fifa. O número é diferente do divulgado pela CBF que também indica crescimento significativo. Certo é que o Brasil voltou a entrar no top 10 dos compradores do mercado de transferência de jogadores. Neste caso, os novos contratos de televisão e luvas deram poder financeiro aos times nacionais.

O maior crescimento, no entanto, é da China. No ano passado, o país asiático tornou-se o quinto maior comprador do mundo com um total US$ 451 milhões, quase o triplo do ano anterior. Chega a ameaçar países como Espanha, Itália e Alemanha em gastos.


Fifa quer liberar replays polêmicos em estádios junto com árbitro de vídeo
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A Fifa quer liberar replays de lances polêmicos em estádios juntamente com o árbitro de vídeo. O modelo ainda não está finalizado, mas a ideia é mostrar para o torcedor por que o árbitro tomou determinada decisão. Esse sempre foi um tabu para a federação internacional que proíbe a exibição de lances de marcação difícil para o árbitro.

O modelo de árbitro de vídeo ainda está em discussão dentro da Fifa e da International Board. Houve o primeiro teste no Mundial de Clubes no Japão. Mas entidades como a CBF ainda questionam o projeto da federação internacional e haverá outros ajustes em teste.

Entre os pontos controversos, está o uso de vídeo pelo árbitro que está em campo. A Fifa defende essa ideia, a CBF é contra e pretende argumentar para impedir isso. Outra questão é sobre o uso do árbitro de vídeo em lances de interpretação. De novo, a Fifa é a favor, e a confederação é contra. A confederação vai insistir na sua tese em encontros com a International Board em fevereiro.

Mas há um ponto em comum: ambas as entidades preveem liberar o replay de lances controversos nos estádios. No caso da Fifa, a ideia é até mais avançada: ter uma câmera acompanhando o árbitro enquanto ele toma a decisão. É supreendente para uma entidade que proibia que países-sede de Copa do Mundo exibissem replays de lances controversos no estádio. Queria evitar reações adversas da torcida contra o juiz, temente protestos.

A CBF simplesmente pretende liberar o replay para o torcedor poder constatar o mesmo que o juiz de vídeo analisou. No Brasileiro, também se evita a exibição de lances polêmicos em telões, ou câmeras que revelem impedimento.

Mas ainda não é certa a implantação do árbitro de vídeo no Brasileiro-2017. O principal empecilho continua a ser a alegação da entidade de que faltam recursos porque o sistema é caro. Os gastos são estimados em R$ 15 milhões, e a CBF tem receita estimada em R$ 500 milhões nos últimos anos. Já há quem fale dentro da entidade em adiar o árbitro de vídeo para 2018.


Fifa pressiona por inchaço de Copa para ter ganho extra de até US$ 1 bilhão
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O presidente da Fifa, Gianni Infantino, pressiona membros do conselho da entidade para inchar a Copa do Mundo com o objetivo de aumentar os ganhos comerciais em até US$ 1 bilhão. Na próxima semana, estarão em discussão na federação internacional fórmulas para inflar o evento para 40 ou 48 times, acima dos 32 atuais.

Desde o ano passado, Infatino lançou sua campanha para o aumento da Copa a partir de 2026. Formatou uma proposta com 48 times, com variações de fórmulas. Esse tamanho é o seu preferido. Há uma corrente na Fifa que defende o formato com 40 times, o que apenas aumentaria o número de equipes em cada grupo.

As duas fórmulas com suas variações foram enviadas para análise dos membros do Conselho da Fifa em dezembro. A ideia é que cada um apresente ideias novas, o que deve acontecer no caso da Conmebol. A questão é que há um sentimento no conselho de que Infantino pressiona pelo número de 48 times e por impor sua vontade.

E há duas explicações: 1) a estimativa da Fifa é de que o crescimento da Copa proporcionará um aumento entre US$ 750 milhões e US$ 1 bilhão nos contratos de televisão do Mundial. 2) Incrementar o número de vagas por continente agrada mais países e portanto membros do Congresso da Fifa, que elegeu Infantino ao cargo e que decidirá se ele continua.

No caso do aumento de renda de televisão, isso significaria que a Fifa subiria em 20% as suas receitas por ciclo de Mundial, que atualmente giram em torno de US$ 5 bilhões. Em relação a agrados políticos, a Conmebol, por exemplo, passaria a ter 6,5 vagas, isto é, classificaria quase o continente inteiro já que são dez países na região.

Com 48 times, Infantino prefere um formato que tem 16 já pré-classificados para o grupo de 32 equipes. Outros 32 países disputariam mais 16 vagas em uma espécie de torneio eliminatório. A partir daí, se manteria a fórmula da Copa do mundo atual. Outra possibilidade são 16 grupos de três times, com dois primeiros classificados para o mata-mata.

A ideia é que nas reuniões do dia 9 e 10 em Zurique se discuta o aumento da Copa do Mundo, mas não se feche questão. Mas membros do conselho dizem que não ficarão surpresos se Infantino pressionar por uma aprovação imediata.


Como governo Cabral inflou reforma do Maracanã em 165%
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O ex-governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral foi preso nesta quinta-feira acusado de levar propinas de empreiteiras em projetos do Estado, entre eles as reformas do Maracanã. Durante suas duas gestões, o político influiu decisivamente para aumentar os custos das obras do estádio. Após ida e vindas, a arena custou pelo menos 165% a mais do que o prometido na remodelagem para a Copa-2014, beneficiando as construtoras.

Primeiro, quando Cabral assumiu, o Maracanã já estava em obras para o Pan-2007. Essa reforma foi iniciada na gestão da sua antecessora Rosinha Garotinho. Acabou no governo Cabral com um custo final de R$ 272,3 milhões para todo o complexo, segundo o TCE (Tribunal de Contas do Estado). A denúncia do Ministério Público Federal diz que o ex-governador já recebeu mesada da Andrade Gutierrez por essa obra.

Findo o Pan, o Brasil era candidato único a sediar a Copa-2014 no mesmo ano, em 2007. A Fifa anunciou o país como vencedor e Cabral divulgou sua intenção de realizar uma PPP (Parceria Público-Privada) para economizar nas obras e fazer uma concessão do estádio. Em outubro de 2009, ele desistiu e anunciou que faria as obras com recursos do Estado.

O projeto inicial previa uma reforma com custo de R$ 430 milhões. Para isso, não seria necessário realizar a reforma radical que se levou a cabo: as arquibancadas superiores não seriam demolidas, nem a cobertura. Haveria adaptações em todas as instalações, mas sem mexer nas infraestruturas.

Mas a Fifa começou a pressionar e dizer que não era o suficiente durante os anos de 2009 e 2010. Queria o estádio para a final e portanto exigia sua total modernização. Entre abril e maio de 2010, houve uma total modificação no projeto para a arena.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, feita pelo dono deste blog ao final de 2010, o então responsável do Estado pela obra, Icaro Moreno Junior, informou que tudo foi imposto pela Fifa, modelo arquitetônico, derrubada de partes das arquibancadas superiores, inclinação dos assentos por conta de placas publicitárias, uma nova cobertura de teflon.

O então governador Sergio Cabral deu a ordem para “atender a todas as exigências da Fifa”, gastando o mínimo possível. Mas, na verdade, não havia restrição orçamentária.

Resultado: o preço subiu para R$ 705,6 milhões na licitação vencida pelo consórcio composto pela Odebrecht, Delta e Andrade Gutierrez. A entrada da Delta foi imposta pelo ex-governador, por ter seu aliado Fernando Cavendish, e a Andrade Gutierrez pediu uma participação no naco e foi atendida. É o que está descrito nas delações dos executivos da empreiteira na denúncia do Ministério Público Federal contra Cabral.

Iniciada a obra, o projeto continuou a ser modificado. Afinal, como relator o TCU (Tribunal de Contas da União) em 2011, o orçamento era “mera peça de ficção”. Houve 16 aditivos no contrato para rever quantidades e preços, para prorrogar prazos, para incluir isenções tributárias (nunca obtidas).

Em 2011, no 3o aditivo, a obra subiu R$ 79,3 milhões, saltando para R$ 785 milhões. Em 2012, os sextos e oitavos aditivos fizeram mais dois acréscimos que elevaram a conta a R$ 859 milhões. A justificativa era similar: alteração de “planilha de quantidades e preços”. Por fim, em 2013, o orçamento subiu mais R$ 190,6 milhões, atingindo o patamar final de R$ 1,142 bilhão. Houve ainda reajustes anuais contratuais, que não foram considerados nesta conta por serem pela inflação.

Todos os números constam do relatório do TCE.  O mesmo relatório informa que foram feitos diversos pagamentos indevidos e itens com custo acima do que deveria. Assim, o TCE mandou congelar R$ 198 milhões em pagamentos para as empreiteiras, em decisão de 2016. Teoricamente, esse é o valor cobrado indevidamente.

Neste momento, Sergio Cabral já não era mais governador, mas durante sua gestão tinha recebido 5% do total da obra, segundo informações de executivos da Andrade Gutierrez. Isso daria R$ 57 milhões, feita uma conta bruta.

No texto final de seu relatório, o TCE informa que “a megalomania estatal amparada por gastos equivocados fizeram com que o Estado brasileiro se curvasse diante das exigências da FIFA, para, sem qualquer objetivo republicano, refazer e construir verdadeiros “elefantes brancos”, que não propiciaram qualquer legado ao povo brasileiro. São inúmeros os exemplos pelo Brasil afora.

O objetivo, como se vê, não era, apenas, a realização de um evento futebolístico, mas propiciar o farto desperdício de dinheiro público, o que, certamente, contribuiu em muito para as dificuldades que hoje atravessam os Estados que sediaram estes eventos desportivos.”

O Estado do Rio está falido, Cabral, na cadeia, o ex-presidente da Fifa Joseph Blatter e seu braço direito Jérôme Valcke, afastados por corrupção, e o Maracanã, sem futuro definido.


Câmeras da Globo, paralisação e tv em campo: discussões do árbitro de vídeo
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A CBF só prevê a implantação do árbitro de vídeo no Brasileiro em agosto de 2017. Isso porque há uma série de procedimentos a serem padronizados em modelo discutido com a Fifa e com a Globo. Entre os debates, estão as câmeras da emissora oficial da competição a serem usadas, a preocupação com paralisações excessivas em campo e a presença de uma tv em campo.

Uma dúvida da confederação quando se decidiu pelo árbitro de vídeo era saber que imagens seriam utilizadas: haveria câmeras próprias ou seriam usadas as imagens da Globo? Decidiu-se pela segunda opção ou poderia ocorrer de os vídeos serem contraditórios. E havia um custo maior com sistema próprio.

Com isso, foram iniciadas conversas com a emissora oficial do Brasileiro sobre o sistema para o árbitro de vídeo. Como a emissora tem um número diferente de câmeras em cada jogo, só poderão ser usadas as básicas que existem em todas as partidas da Série A. São 10 que serão ligadas diretamente no sistema da CBF. Há jogos em que a Globo tem 23 câmeras, mas isso estabeleceria uma desigualdade em partidas do mesmo campeonato.

Outra preocupação é em relação a onde os árbitros terão acesso ao vídeo. Neste caso, há uma discordância entre a CBF e a Fifa. A confederação quer que apenas um juiz analise as imagens e repasse as informações para o que estiver em campo. Já a Fifa defende que o árbitro de campo deve poder requisitar ver as imagens por conta própria.

De um lado, a Fifa quer quer o juiz tenha acesso em primeira mão ao vídeo. Do outro, a CBF se preocupa com o tempo de paralisação de jogo que isso pode proporcionar, além da confusão no gramado. Por exemplo, em um lance polêmico como o do Fla-Flu, o árbitro poderia consultar o vídeo pressionado pelos dois times.

Outra questão é em relação a onde ficará o árbitro de vídeo. Na Holanda, foi utilizado um sistema em que o juiz fica fora do estádio em um caminhão de transmissão. A CBF entende que terá de ter um sistema móvel, mas ao mesmo tempo pretende instalar equipamentos fixos nos estádios.

Até por conta dessas discussões a confederação ainda não tem a estimativa exata para o custo do árbitro de vídeo. O número inicial é de R$ 15 milhões, mas a entidade entende que pode chegar a R$ 20 milhões por ano com cursos e workshops para ensinar os juízes.

 


Homenagem a Havelange na Olimpíada é como se Brasil honrasse Eduardo Cunha
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A homenagem que o Comitê Rio-2016 faz ao ex-presidente da Fifa João Havelange com bandeira brasileira a meio pau por sua morte nesta terça-feira envergonha o movimento olímpico e os seus supostos altos valores. Seu legado como dirigente é de politicagem com o futebol e apropriação de recursos do esporte por cartolas. Seria algo parecido com se o governo brasileiro, agora, decidisse dar uma honraria ao ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha, envolvido em escândalos sem fim.

Para chegar a esta constatação, basta se analisar os fatos. Havelange ganhou a presidência Fifa em 1974 alçado ao cargo por promessas de benesses a eleitores e por um apoio do então presidente da Adidas Horst Dassler, principal patrocinadora da entidade. Ao assumir, montou uma máquina poderosa de fazer dinheiro que beneficiou principalmente cartolas e a própria corporação.

Na década de 1990, quando o dinheiro realmente entrou forte no futebol, montou-se um esquema corrupto com a ISL, gigante de marketing esportivo. A empresa comprava todos os direitos da Copa, lucrava milhões e repassava parte para os cartolas. A falência trouxe à tona os segredos.

Um processo judicial na Suíça comprovou que Havelange levou 1,5 milhão de francos suíços no esquema, fora os tantos outros milhões recebidos pelo seu então genro Ricardo Teixeira. O ex-presidente da Fifa teve até de se retirar do COI (Comitê Olímpico Internacional) para não ser expulso. O COI não quis cumprir honras com bandeira olímpica a meio pau.

E essa prática de subornos disseminou-se por todo mundo do futebol como se comprovou no caso Fifa revelado pelo Departamento de Justiça dos EUA já em 2015. Isso está tão entranhado no mundo do futebol que Joseph Blatter considerava normal levar US$ 12 milhões de bônus em uma Copa, Marco Polo Del Nero nem se abala de dirigir a CBF mesmo acusado de corrupção nos EUA.

Não é só. Havelange fez sua carreira usando a gestão da Fifa para interesses políticos. Expandiu a Copa para conseguir mais votos (sem analisar o aspecto técnico), entregou um Mundial para uma ditadura sanguinária como a argentina e sempre deixou os interesses de jogadores e atletas no último lugar. A falência do futebol brasileiro é um legado deixado por suas práticas.

Dito isso, a homenagem ao cartola ocorre em um momento em que o Brasil tenta combater a corrupção e mudar como país. É ofensivo que um cartola reconhecidamente corrupto seja honrado nos Jogos do Rio-2016, evento simbólico para o país. A mensagem que o Comitê Rio-2016 passa para o povo brasileiro é: pode tomar o dinheiro dos outros que um dia você acabará homenageado nos Jogos Olímpicos.


Blatter e Valcke enriqueceram R$ 80 mi com Copa-2014, revelam documentos
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A antiga cúpula da Fifa – o ex-presidente Joseph Blatter e o ex-secretário-geral Jérôme Valcke – levou R$ 80 milhões em bônus pela realização da Copa-2014. É o que revelam documentos liberados pela própria federação internacional e repassados a órgãos investigatórios da Suíça e dos EUA. Os contratos supostamente quebram leis locais, pois não foram autorizados pelo comitê da entidade.

A organização da Copa no Brasil foi bancada, em sua maior parte, pelo dinheiro público, de governos federais e estaduais. A Fifa gozou de isenção fiscal e saiu com uma receita próxima de R$ 10 bilhões. Em nome da federação internacional, Valcke fez diversas exigências que encareceram todos os 12 estádios brasileiros, e ficou famoso por dizer que o Brasil deveria levar um chute na bunda pelos atrasos em obras.

Pois bem, em outubro de 2011, antes mesmo de a Copa se configurar como sucesso financeiro, foram feitas emendas nos contratos de Blatter, Valcke e do então diretor financeiro Markus Kattner. Pelos aditivos nos acordos, foram dados bônus a eles pela Copa das Confederações e pela Copa do Mundo.

Para Blatter, foram 12 milhões de francos suíços (R$ 43,6 milhões); para Valcke, 10 milhões de francos suíços (R$ 36,3 milhões) e para Kattner, 4 milhões de francos suíços (R$ 14,53 milhões). A soma dos bônus dos três dá R$ 94 milhões.

Os pagamentos foram feitos parcelados em dezembro de 2013 (35%) e em dezembro de 2014 (65%). Os dirigentes receberam bônus igualmente altos pelas Copas da Africa do Sul e ganhariam pela Rússia.

Esses bônus só foram aprovados por eles mesmos e pelo então vice-presidente da Fifa Julio Grondona, que já morreu. Não houve autorização do colegiado, isto é, do comitê executivo da entidade. Os valores eram camuflados nos balanços da Fifa.

“Eles tinham a autoridade que precisavam, e eles simplesmente incluíam na folha de pagamento, e diziam para o departamento encarregado dos contratos de empregados da Fifa que reportava para o senhor Kattner quanto tinha que ser pago e a quem”, contou o advogado Quinn Emmanuel, um dos contratados pela Fifa para investigar a gestão anterior.

No total, os três dirigentes receberam 79 milhões de francos suíços (R$ 286 milhões) em bônus, que, teoricamente, são indevidos porque não fora autorizados pelo comitê executivo, segundo documentos da Fifa.

Blatter e Valcke foram afastados da Fifa desde o ano passado pelo Comitê de Ética da entidade, após a constatação de outros desvios na entidade. A partir daí, um grupo de advogados contratado pela federação internacional investiga seus ganhos e contratos.

O advogado de Blatter, Richard Cullen, soltou um comunicado em que afirma: “Nós esperamos mostrar a Fifa que os pagamentos de compensação para Blatter foram apropriados, justos e em linha com os chefes das principais ligas profissionais de esporte pelo mundo.”