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Fifa decide que Galo estará vetado de contratar se não quitar dívida
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Com Thiago Fernandes

O Comitê de status de jogadores da Fifa determinou que o Atlético-MG estará proibido de contratar jogadores na próxima janela de transferências se o clube não quitar uma dívida de R$ 2,7 milhões com o chileno Huachipato pelo jogador Otero. O time mineiro tem até 30 dias para pagar o débito e evitar a sanção. A diretoria atleticana ainda vai analisar e informou que pode recorrer.

O Atlético-MG contratou Otero em abril de 2017 com a promessa de pagar 800 mil euros. Desse total, apenas 200 mil euros forma quitados de fato, tendo o time mineiro atrasado as outras parcelas no total de 600 mil euros (R$ 2,7 milhões) que venceram em agosto de 2017, e em janeiro de 2018.

Em março, o Huachipato entrou com uma ação no comitê da Fifa para exigir o pagamento pelo jogador, pedindo punição para os mineiros. Detalhe: no final de maio, o Galo emprestou Otero para o Al Wehda por US$ 5 milhões (R$ 21 milhões), dinheiro que daria com folga para quitar a dívida. Mas não pagou.

Em 11 de junho, o Comitê de status de jogadores tomou uma decisão sobre o caso com a sanção para o Atlético-MG em caso de não falta de pagamento. Pelo prazo, o time mineiro tem até 11 de agosto para quitar a dívida, mais custos do processo de 20 mil francos suíços.

Na decisão, o Comitê da Fifa afirma que, em sua defesa, o Galo informou que reconhecia a dívida, mas que não havia motivo para impor sanções disciplinares ao clube. A alegação era que estava em contato com o credor e que havia o “compromisso incontestável de pagar a alta quantia assim que fosse possível”.

A Fifa não se convenceu e soltou a seguinte decisão:  “Assim levando em conta as considerações sob os números II/16 e II/17 abaixo, o escritório decide que no evento de que o reclamado (Atlético-MG) não pague a quantia devida ao reclamante (Huachipato) em 30 dias seguintes à notificação da presente decisão, uma sanção de registrar novos jogadores, nacionalmente ou internacionalmente, pela próxima janela de transferências inteira seguinte à notificação da presente decisão vai se tornar efetiva em cima do reclamado de acordo com os artigos 12bis, par4 dos regulamentos.”

Na prática, isso pode significar que o Atlético-MG já poderia ficar proibido de registrar jogadores na próxima janela de transferências brasileira que começa agora no dia 16 de julho e depois vai até o meio de agosto. A questão é que, neste prazo, ainda não terá acabado o prazo final para o pagamento do Galo. Ou seja, a punição pode ficar para a próxima janela da virada do ano.

Questionado pelo UOL Esporte, o Atlético-MG informou já ter sido notificado da decisão, mas ainda não tomou uma decisão do que fazer: “O caso está sob análise, tomaremos decisões cabíveis. Um valor não muito alto. Não é nada alarmante. Ainda podemos recorrer desta decisão. Estamos estudando a melhor solução para o caso”, advogado do Galo, Breno Tannuri.


Com árbitro de vídeo, Copa tem explosão de pênaltis na primeira rodada
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A Copa da Rússia teve um aumento considerável no número de pênaltis marcados por conta do árbitro de vídeo. Foram marcadas nove penalidades na primeira rodada, composta por 16 jogos. Para efeito de comparação, foram dez pênaltis em toda a primeira fase do Mundial do Brasil-2014.

Do total de nove penais marcados até agora, foram três deles assinalados por meio do árbitro de vídeo. Foi o caso da marcação em favor da Suécia diante Coréia do Sul, para o Peru contra a Dinamarca, e para a França em confronto com a Austrália. Ou seja, sem essas penalidades, seriam apenas seis.

A seguir neste ritmo, a Copa da Rússia vai se tornar a de maior número de pênaltis. Em 2014, no Brasil, foi um total de 13 marcações dentro da área. Na África do Sul, em 2010, foram 15 pênaltis.  Na Alemanha, houve 17, e no Japão/Coréia do Sul-2002, 18 penalidades. Por fim, na França, em 1998, foram 18 pênaltis.

O número podia ser ainda maior se tivesse sido marcados pênaltis reclamados por alguns times. É o caso de dois agarrões no atacante Harry Kane na partida diante da Tunísia. Houve também a reclamação brasileira e argentina em seus jogos, em lances em cima de Gabriel Jesus e Pavón. Esses não foram marcados.

Normalmente, em relatório sobre erros de arbitragem, o maior número de falhas apontado é de pênaltis não marcados. É assim, por exemplo, no caso do Brasileiro em que a CBF faz um levantamento de erros dos árbitros. Assim, o VAR, na realidade, passa a permitir a marcação de penalidades que antes eram ignoradas. Por isso, o aumento.

 

 


Fifa vê replay inconveniente no telão que gerou reclamação do Brasil
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A Fifa entendeu que houve um erro no estádio de Rostov ao exibir o replay do lance do gol da suíça em que há uma discussão sobre falta em Miranda. Após o replay, aumentou a pressão de reclamação de jogadores brasileiros. Oficialmente, a federação internacional não fala do assunto.

O gol ocorreu em um cruzamento em que Zuber completou de cabeça após apoiar os braços em Miranda, teoricamente, empurrando. Logo após o lance, o goleiro Alisson reclamou.

Em seguida, o lance apareceu no telão duas vezes. Isso foi um erro porque lances polêmicos não deveriam aparece em replay no telão do estádio. Logo após, a reclamação aumenta e Neymar tenta mostrar ao árbitro Cesar Ramos para ele ver a imagem no telão.

A questão é que não há um funcionário do departamento de arbitragem da Fifa para decidir se o lance vai ou não ao ar. Não é a primeira vez em Copa do Mundo que um replay é exibido de forma inconveniente no telão quando não deveria acontecer, e gera reclamação local.

Neste momento, o árbitro de vídeo já tinha sido consultado de forma silenciosa e tinha dito que não houve nenhuma falta. O entendimento da Fifa é que o jogo não deve ser parado constantemente, e que só lances claros devem ser analisados.

 


Com fórmula difícil de entender, novo ranking da Fifa dá maior peso à Copa
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O Conselho da Fifa mudou o ranking da entidade com objetivo de dar mais peso a jogos oficiais, como os de Copa do Mundo, em relação a amistosos. A nova fórmula, no entanto, continua tão complexa quanto a anterior. Até cartolas que aprovaram o novo modelo admitiram nos bastidores dificuldade de entende-lo.

A mudança do ranking da Fifa foi uma consequência de críticas generalizadas ao atual sistema que vai durar até o final da Copa. Federações nacionais apontavam falta de sentido no sistema que valorizava excessivamente amistosos que pouco valiam contra adversários fracos. A pressão surtiu efeito nesta reunião do Conselho pouco antes do Mundial da Rússia. A nova pontuação valerá após a Copa.

A importância do ranking crescerá para os próximos ciclos de Copa. Além de cabeças-de-chave nos grupos, ajudará a definir vagas nas eliminatórias.

A questão é que o ranking incluiu como peso de jogo uma competição que sequer existe no momento: a Liga das Nações. É um campeonato que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, tenta a aprovação por conta de uma proposta milionária de um grupo financeiro. Veja as principais diferenças entre os dois modelos:

Peso por jogo

Atual – Atualmente, um jogo amistoso tem peso 1 para o ranking, e um jogo de Copa do Mundo, 4, com gradaçoes entre. Não há distinção entre partidas amistosas oficiais, nem entre jogos de grupo e de mata-mata das competições.

Novo – haverá uma tabela complexa para peso de jogos. São os seguintes pesos: 5 para amistosos fora de datas oficiais; 10 para amistosos em datas oficiais; 10 para Liga das Nações fase de grupo; 25 para Liga das Nações fase mata-mata; 25 para eliminatórias; 35 para Copa América (ou Euro) até quartas; 40 para Copa América (ou Euro) a partir das quartas; 50 para Copa do Mundo até as quartas; 60 para Copa a partir das quartas. O detalhe é que agora um jogo de Copa pode valer até 12 vezes um amistoso sem importância. E a Liga das Nações já tem peso apesar de não existir ainda: só sua versão europeia.

Força do oponente

Atual – Leva em conta a força do adversário do time de acordo com seu ranking, e também leva em conta a confederação. A Conmebol é a mais valorizada, próxima da UEFA, ambas com maior peso. O ranking dá 3 pontos por vitória, e um por empate.

Novo – O ranking dá um ponto por vitória e 0,5 por empate. Só que da pontuação é subtraído o “resultado esperado para o jogo”. Esse item é calculado em fórmula complexa levando em conta os rankings dos times. Resumindo, se um time forte pega outro fraco, sua expectativa de vitória será alta. Então, a seleção forte somará um percentual menor do ponto.

Ganho e perda de pontos

Atual – O ranking final era determinado pela média dos últimos 12 meses do time. Com menor peso, eram contabilizadas as partidas de antes desse um ano, que se depreciavam conforme o tempo.

Novo – Acabou a média atual. Foi implantado o sistema Elo pelo qual são subtraídos e adicionados pontos conforme o período e os resultados.


Copa inchada e Mundial de Clubes viram chaves na disputa de poder da Fifa
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O aumento da Copa do Mundo para 48 times já na próxima edição e a criação do novo Mundial de Clubes viraram chaves em uma briga por poder e dinheiro dentro da Fifa. Ambos os temas vão permear a agenda da reunião da cúpula da Fifa em Moscou, neste domingo. Não deve haver nenhuma decisão sobre os dois pontos até porque a falta de consenso adiará os tópicos para depois da Rússia.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, é patrono das duas iniciativas: vender um novo Mundial de Clubes para uma proposta bilionária de um grupo financeiro e aumentar a Copa já no Qatar-2022. Seu objetivo não declarado é usar esses projetos como trunfos políticos para se reeleger à presidência no próximo ano.

No caso da Copa, foi a Conmebol quem apresentou a proposta de elevar para 48 times a Copa do Mundo já em 2022 – para 2026, isto está aprovado. A reunião teve a presença de Infantino. Nos bastidores, a ideia não saiu dos cartolas sul-americanos. A própria federação do Qatar, que estava presente, deu aval para o aumento, segundo apurou o blog.

Infantino já classificou a ideia como positiva e a levou adiante para ser discutida no Congresso da Fifa, nesta quarta-feira. Em paralelo, analisa-se a viabilidade logística de realizar o aumento de times. Oficialmente, no entanto, ele se mostra cauteloso: reafirmou que só haveria a mudança se o Qatar aceitasse por conta do contrato. Mas o país arábe já deu um ok extra-oficial.

Se conseguir aprovar a ideia, Infantino, de cara, consegue oferecer 16 vagas a mais na Copa na próxima edição. Esses postos vão beneficiar mais confederações como a africana, a asiática e as das Américas. Juntas, elas ficariam com 13 das vagas. A Europa será a que percentualmente menos crescerá com o aumento do Mundial.

Ora, Infantino tem atualmente como maior opositor a UEFA, do presidente Aleksander Ceferin. É este dirigente, por exemplo, quem criticou de forma mais dura a ideia do presidente da Fifa de vender o novo Mundial de Clubes e a Liga das Nações para um grupo financeiro por US$ 25 bilhões.

Foi a pressão da UEFA que barrou a tentativa de Infantino de aprovar às pressas o Mundial de Clubes ainda antes da Copa. O assunto está na agenda do Conselho, mas membros da cúpula entendem que não haverá nenhuma medida definitiva sobre o caso. Isso justamente porque a posição firme da federação europeia impediu o dirigente da Fifa de acelerar o seu projeto.

A pressa de Infantino em aprovar o novo Mundial de Clubes é por conta da possibilidade de um grande volume de dinheiro na entidade. Assim, poderia distribuir esses recursos para federações nacionais, confederações continentais e clubes. Isso obviamente aumentaria seu capital político para a futura eleição como presidente.

Na América do Sul, há entusiasmo com o projeto por parte de dirigentes da Conmebol. Isso porque, além da Conmebol aumentar suas receitas, os clubes teriam uma receita extra e aumentariam sua força para tentar minimamente segurar seus jogadores para reduzir o abismo para os europeus.

Diante deste cenário, a reunião do Conselho da Fifa em Moscou promete não ter decisões definitivas, mas uma disputa quente nos bastidores para saber quem dominará os próximos passos. O aumento da Copa-2022 e o novo Mundial de Clubes devem ter uma definição no segundo semestre deste ano.

 


Fifa veta propaganda até no fone de ouvido e celulares de jogadores na Copa
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As regras de marketing da Fifa tornaram-se bastante restritas para a Copa-2018 enfocando até itens como os fones de ouvidos de jogadores. A entidade já vinha proibindo iniciativas de atletas, federações nacionais ou torcedores de fazer marketing de emboscada no Mundial. Mas, para a edição russa, há um nível de detalhismo não visto anteriormente.

O regulamento da Copa-2018 é similar ao de 2014 em relação à questão do equipamentos. Ambos proíbem genericamente qualquer marca que não seja a das parceiras da Fifa em equipamentos. Mas, no Brasil, não havia sido divulgado um regulamento de marketing detalhado. Para a Rússia, a entidade internacional especificou regras de mídia e marketing que tratam do que pode ou não pode nos estádios, seja nos dias dos jogos, seja na véspera.

Em uma das proibições, está dito que não pode usar marcas das empresas nos fones de ouvidos, bolsas (esportivas ou não), aparelhos de comunicação (celulares e laptos). É permitido no máximo uma marca pequena do fabricante. Quem tentar dar um enganada com uma logo maior pode se enrolar com o regulamento. Diz o texto da Fifa: “limitada (o nome da empresa) ao tamanho e à forma de representação, na opinião razoável da Fifa, prevenindo o reconhecimento dos produtos”.

Outro item que não pode ter nenhuma marca são os ternos usados pelos jogadores. Só é permitido ter o emblema da federação.

O atacante Neymar, por exemplo, tem um patrocinador produtor de fone de ouvido. Na Copa-2014, a Fifa chegou a investigar um possível marketing de emboscada do jogador ao exibir uma sunga em jogo da seleção, sendo que era feita por empresa que não era a que produzia o uniforme da seleção. A entidade concluiu que foi involuntário e apenas advertiu a CBF a tomar cuidado com a questão.

Além de marcas comerciais, também são proibidas mensagens políticas, religiosas e pessoais nos equipamentos esportivos. Levado ao extremo, o regulamento proibiria a mensagem escrita por Cafu em seu uniforme na Copa-2002 quando levantou a taça: estava escrito “100% Jardim Irene” em referência ao seu bairro de infância. Manifestações religiosas já vêm sendo reprimidas pela Fifa.

Essas proibições já foram explicitadas em reunião com as delegações, o que inclui vetos a postagens em redes sociais dentro do estádio, como mostrou o blog do Marcel Rizzo. As mensagens em vídeo ou em foto em redes sociais são, atualmente, um grande meio de receita para os jogadores. Uma postagem de Cristiano Ronaldo, por exemplo, pode valer milhões de euros.

Há proibição também que qualquer membro da delegação do país faça vídeos ou imagens em movimento nas áreas de controle, isto é, em estádios. Ou seja, nenhum deles pode filmar imagens nessas áreas e depois veicula-las em qualquer tipo de mídia. A CBF também está proibida de distribuir brindes de patrocinadores ou exibir as marcas desses nas áreas oficiais, estádios e locais de treinamento.

Caso a Fifa entenda que houve um descumprimento do regulamento de marketing, os casos serão levados para o Comitê Disciplinar da entidade que vai investigar e depois julgar a eventual quebra da regra.

Esse aumento nas restrições se deve ao entendimento da Fifa de que, cada vez mais, o ganho de dinheiro com marketing está nas mãos de jogadores por meio de mídias sociais ou por meio do uso de marcas. A intenção da entidade, portanto, é restringir isso para que sejam apenas seus patrocinadores que usufruam da exploração associada à Copa do Mundo. As receitas de marketing da federação internacional vinham caindo após os escândalos de corrupção com a perda de parceiros.


Fifa tem reduzido seu investimento na organização da Copa
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A Fifa tem reduzido seus gastos para organizar a Copa do Mundo nas recentes edições. Houve queda do Brasil-2014 para Rússia-2018, e haverá nova redução para o Qatar-2022. O impacto é mais nas despesas com organização: indica que ou a entidade está repassando a conta ao país ou diminuiu aspectos do Mundial.

Ressalte-se que a Fifa teve um efeito nas suas receitas também depois dos escândalos de corrupção protagonizados por seus dirigentes. A previsão é de que a receita total no ciclo russo seja inferior ao do brasileiro, embora próximos. Mas, para o Qatar, há otimismo de novo crescimento de receita.

Para a Copa do Brasil, a Fifa relatou ter feito um investimento total de US$ 2,224 bilhões no Mundial. Desse total, boa parte não fica no país. Um total de US$ 476 milhões foram para contribuições de seleções que participaram dos Mundiais ou de clubes.

Para a Rússia, a previsão inicial da entidade internacional era investir US$ 2,153 bilhão. Só que o orçamento atual estima um número abaixo disso.

O relatório financeiro da Fifa de 2017 indica que foram serão gastos pouco menos de US$ 2 bilhões, com US$ 400 milhões para premiações. Para o Qatar-2022, a redução deve ser ainda maior: a estimativa é de um investimento total US$ 300 milhões menor do que com os russos. A federação internacional prevê gastar US$ 1,6 bilhão.

“Despesas para a Copa-2022 foram cuidadosamente orçadas e customizadas para as necessidades locais. Comparando com o ciclo 2015-2018, a reestruturação da gestão, o número relativamente menor de sedes e a redução de viagens necessárias estão ajudando a conter custos.”

É certo que se houver uma decisão de aumentar a Copa de 32 seleções para 48, como será discutido no Congresso da Fifa, essa realidade pode mudar. Ao mesmo tempo, uma Copa nos EUA, México e Canadá em 2026 também representará mais gastos pelas viagens mais longas.

Em compensação, a Fifa já terá superado sua crise financeira decorrente de escândalo de corrupção e poderá ter receitas maiores. Tanto que, nos quatro anos do ciclo da Copa Rússia, a receita prevista é levemente menor do que a do Brasil. Em compensação, no Qatar, há expectativa de crescimento.

 


CBF avisa clubes que poderão perder ponto mais rápido por calote
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Após uma determinação da Fifa, a CBF informou os clubes brasileiros que estarão sujeitos a perda de ponto imediata em campeonatos por calotes em transferências internacionais de jogadores ou por pagamento de salários que envolvam estrangeiros. Essa nova regra faz parte de medidas da federação internacional para tornar mais efetivas as punições a times que não paguem seus débitos. Pela decisão da federação, assim que um tribunal da Fifa estabelecer a punição, a CBF já tem que aplica-la se não houver o pagamento. Isso vale para casos em andamento.

O sistema da Fifa para obrigar clubes a pagarem débitos com outras agremiações é considerado falho pela maioria dos advogados já que os processos se estendem por anos sem punição. Isso levou a Fifa a mudar seu regulamento de transferências, criando regras que permitam ao Comitê de Status de Jogador estabelecer punições logo na primeira instância.

Em maio de 2018, a Fifa ampliou a extensão dessa resolução para todos os tipos de débito, e incluiu entre as possíveis penas imediatas a perda de pontos ou rebaixamento, como mostrou o blog do Marcel Rizzo. Isso foi feito por meio de uma mudança no seu regulamento disciplinar que estabeleceu que já seria válido para todos os casos, e não só para aqueles a partir de 1º de junho.

Pelos termos da circular, qualquer clube ou pessoa que falhar em pagar um débito como ordenado por órgão da Fifa estará sujeito a punição imediata a ser determinada pelo comitê da Fifa. Entre as penas citadas, no caso da falta de pagamento no prazo, “pontos serão deduzidos ou um rebaixamento para uma divisão mais baixa. Um veto a transferências também pode ser anunciado”. Isso acontecerá independentemente de pedido do clube que entrou com um processo, e a federação nacional será obrigada a implementar.

A perda de pontos seria aplicada na competição em curso, ou na seguinte se aquela tiver acabado. Não foi especificado se é o campeonato nacional. Outra questão é que o clube será automaticamente bloqueado do sistema de transferências internacionais (TMS) na próxima janela de transferências caso não quite os valores em aberto.

Pelo formato atual, clubes até poderiam perder pontos, mas apenas no final de um processo bem mais longo. Depois de o Comitê da Fifa ou CAS estabelecerem possível punição, o caso ia para a federação nacional e depois voltava para a Fifa. Só aí o Comitê Disciplinar decidia novamente se punia, de novo, ou não o time.

A CBF recebeu a circular da Fifa. Há duas semanas, a entidade enviou uma circular a todos os clubes brasileiros, explicando o novo procedimento. No documento, a confederação diz que, seguindo os novos procedimentos, vai aplicar as perdas de pontos ou rebaixamento se houver determinação da federação internacional.

Assim, a decisão sobre punição esportiva a times brasileiros sai da CBF e passa ao tribunal da Fifa pelo menos em relação a transações internacionais. Até porque a confederação está ameaçada de sanção pela federação internacional se não cumprir a medida.

A medida foi bem recebida por advogados. Isso porque todos lembram de seguidos casos de clubes que protelam o pagamento enquanto o processo enrola-se nos trâmites da Fifa. Há casos que já duram mais de dois anos sem nenhuma punição para a agremiação devedora como foi o calote do do Al Nassr no Flamengo na compra do atacante Hernane.

 


Em reunião, Fifa diz a Guerrero que pena é do CAS e lava as mãos
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Em encontro com o atacante Paolo Guerrero, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, informou que a punição imposta a ele foi dada pelo CAS (tribunal do esporte), indicando que nada fará para mudar a decisão. Assim, praticamente acabam as esperanças do jogador de disputar o Mundial. A reunião foi marcada a pedido da federação peruana.

“Infantino expressou seu profundo entendimento do desapontamento de Guerrero por não poder jogar com o time do Peru na Copa-2018. Entretanto, o presidente da Fifa ressaltou o fato de a sanção ter sido imposta pelo CAS, depois de um apelação contra a decisão de um tribunal independente da Fifa”, informou um porta-voz da Fifa.

A questão é que, no CAS (tribunal esportivo), a mesma Fifa tomou medidas que dificultaram a presença do atacante peruano na competição, segundo apurou o blog. Durante o julgamento no CAS, seriam avaliados dois pedidos: um era o da defesa do atacante que pedia sua absolvição, o outro era da Wada (Agência antidoping) que reivindicava o aumento da pena para dois anos.

Nos tribunais da Fifa, a punição ficou em seis meses, o que o liberava para atuar a partir de maio. A pena foi estabelecida por conta de um metabolito da cocaína encontrado na urina do jogador em partida da eliminatória da Copa que disputou pelo Peru.

A defesa de Guerrero se surpreendeu durante o julgamento porque representantes da Fifa colocaram que a pena deveria subir para um ano, em vez dos seis meses iniciais. Isso chegou a ser informado por um auxiliar jurídico peruano do atacante em entrevista no país, embora não confirmado oficialmente.

Em um segundo momento, houve uma questão sobre se a decisão do julgamento seria publicada junto com os argumentos do tribunal ou seria divulgada e tornada efetiva de imediato. Advogados de Guerrero pediram que tudo ocorresse junto, o que poderia ocorrer apenas depois da Copa. Assim, ele poderia jogar o Mundial e cumprir o restante da pena depois. A Wada até ensaiou concordar com a defesa do jogador.

Mas a Fifa não deu aval: entendeu que havia um problema se a decisão não se tornasse efetiva de imediato. Assim, a defesa do atacante ainda não tem todos os argumentos da decisão do CAS e, sem isso, não consegue recorrer ao tribunal federal suíço. Só poderia pedir um habeas corpus, o que é considerado improvável que seja concedido.

Depois disso, a federação peruana enviou um pedido para Infantino para que Guerrero fosse recebido em audiência, o que o presidente da Fifa aceitou e marcou para esta terça-feira, segundo jornais peruanos. Há ainda uma reivindicação da Fifpro (sindicato mundial de jogadores) para que a pena seja anulada e ele possa jogar a Copa. Essa movimentação conta com apoio dos capitães das seleções que enfrentarão o Peru na primeira fase da Copa.

O problema é que qualquer tipo de indulto da Fifa iria ferir a ordem jurídica esportiva, pois seria medida inédita e deixaria sob questionamento todas as decisões do CAS relacionadas à Copa. A ida de Guerrero à Suíça é considerada uma medida desesperada por advogados. Se tiver efeito, certamente causará um conflito da Fifa com a Wada e o CAS.

O blog questionou a Fifa que enviou a seguinte posição reproduzida na íntegra:

“Por requisição da Federação peruana, o presidente Gianni Infantino encontrou com Edwin Oviedo e o jogador internacional Paolo Guerrero na sede da Fifa. Durante o encontro, Oviedo e Guerrero expressaram suas visões sobre a sanção imposta ao jogador por violar as regras anti-doping. Infantino expressou seu profundo entendimento do desapontamento de Guerrero por não poder jogar com o time do Peru na Copa-2018. Entretanto, o presidente da Fifa ressaltou o fato de a sanção ter sido imposta pelo CAS, depois de um apelação contra a decisão de um tribunal independente da Fifa.”

Fifa tenta aprovar às pressas novo Mundial de Clubes com oposição da Uefa
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O presidente da Fifa, Gianni Infantino, tenta marcar uma reunião às pressas no final de maio para aprovar um novo Mundial de Clubes que renderia um valor bilionário a entidade e a times. Mas há oposição forte por parte da Uefa que não concorda com acelerar o processo sem que todos os detalhes sejam conhecidos.

A polêmica começou quando Infantino apresentou uma proposta de US$ 25 bilhões pelos direitos de um Mundial de Clubes e uma Liga das Nações. Quem fez a oferta foi um grupo de investidores liderados pelo japonês Soft Bank, conglomerado que exigia uma resposta rápida.

Infantino já desenhou um projeto em que a Fifa ficava com 51% das ações da empresa que controlaria as competições, e dividiria os recursos entre clubes e federações para atrair seu apoio. A ideia era ter 24 times, mas até há abertura para discutir o formato em caso de oposição dos clubes. A questão é a resistência da Uefa.

Nesta quarta-feira, a cúpula da entidade europeia se reuniu e expressou “sérias reservas sobre o processo”, citando o timing e a falta de informações. Houve críticas de dirigentes europeus a falta de transparência e que Infantino estaria vendendo o futuro do futebol sem pensar em seu desenvolvimento.

Ao mesmo tempo, o presidente da Fifa manobra para ignorar a Uefa. Ele avisou membros do Conselho da Fifa que pretendia realizar uma reunião de urgência em Zurique até o final de maio para já aprovar o Mundial, segundo informações obtidas pelo blog. O encontro ainda não foi marcado oficialmente porque precisa de concordância dos outros integrantes do Conselho, o que não aconteceu.

Se na Europa existe resistência por parte de ligas e da Uefa, cartolas da América do Sul concordam com a pressa de Infantino em acelerar o processo. Entende que a proposta é bastante substanciosa e representaria um ganho para todos em termos de receitas.

Uma questão é que Infantino tenta convencer os grandes times europeus a participar do torneio, lhes dando a oportunidade até de opinar sobre o formato, em reunião que esteve com os gigantes do continente. Em compensação, não se preocupou em se reunir com clubes de outras regiões como a América do Sul, Ásia e África.