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Além da CBF, Del Nero corre risco no Palmeiras se banido pela Fifa
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Suspenso pela Fifa por suspeita de corrupção, Marco Polo Del Nero corre o risco de ser banido de todas as atividades no futebol em julgamento no Comitê de Ética da entidade. Além da perda da presidência da CBF, uma punição pode afetar seu cargo de conselheiro vitalício do Palmeiras. O Conselho Deliberativo alviverde prevê abrir um procedimento para analisar a situação se houver condenação. Dois de três advogados consultados entenderam que ele não poderia seguir no clube se afastado em definitivo.

Del Nero foi indiciado pelo Departamento de Justiça dos EUA por conta da acusação de que recebeu propinas por contratos da CBF e da Conmebol. As provas contra ele foram reveladas durante julgamento do ex-presidente da confederação José Maria Marin. Com isso, o Comitê de Ética da Fifa o suspendeu por 90 dias.

Até agora não foi enviada a defesa de Del Nero, nem o processo tem data para julgamento. Ele nega qualquer ato irregular e promete ir até as últimas instâncias para tentar provar inocência. Mas o cenário não é positivo para o presidente da CBF já que, em geral, cartolas suspensos acabam afastados definitivamente.

O banimento é para qualquer atividade relacionada ao futebol. “Perante o Conselho, se houver uma condenação da Fifa, que é do meio do esporte, dependendo dos termos, o Conselho vai abrir procedimento para analisar a situação”, contou o presidente do Conselho Deliberativo do Palmeiras, Seraphim Del Grande.

A questão levantada é o quando um conselheiro vitalício, cargo ocupado por Del Nero no Palmeiras, atua no futebol. Se houver influência, ele não pode exercer o cargo já que o Palmeiras está submetido às regras da Fifa. “Essa é uma questão jurídica”, disse Del Grande, sem emitir opinião.

Pelo estatuto palmeirense, o conselheiro vota o orçamento e os balanços financeiros do clube, o que afeta o andamento do futebol. Também elege o COF (Conselho de Orientação Fiscal) que avalia medidas da gestão da diretoria.

Dos três advogados ouvidos pelo blog, dois entenderam que o cargo tem influencia no futebol e portanto não seria permitido continuar nele. Um terceiro analisou que seria uma interferência indevida da Fifa no Palmeiras determinar o afastamento do dirigente.

Especialista em casos na Fifa, um advogado que pediu anonimato afirmou que não dá nem para cogitar que Del Nero fosse banido da CBF e ainda pudesse continuar a exercer uma função em um clube. Para ele, a atuação de conselheiros no futebol é clara pois o futebol é o carro-chefe palmeirense, e decisões sobre a gestão do clube afetam seu andamento. Um colega que também pediu para não ter o nome publicado concordou com a tese.

Já o advogado Leonardo Andreotti, também especialista na legislação de Fifa, tem entendimento diferente. “O cargo de conselheiro de uma associação civil não tem nada a ver com essa situação. Se atingir essa esfera (Palmeiras), estaria extrapolando a decisão da Fifa. O clube não é só futebol e ele não estaria em um cargo de diretor”, analisou ele, que ainda lembrou da autonomia às entidades garantidas pela lei.

O julgamento de Del Nero na Fifa deve ocorrer em um prazo de até noventa dias depois da suspensão, o que significa dizer que até meados de março. Questionado durante o sorteio da Libertadores, o presidente do Palmeiras, Maurício Galiotte, não quis opinar sobre a situação do dirigente.

 


Suspensão de Del Nero gera constrangimento em sorteio da Libertadores
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Afastado pela Fifa por corrupção, o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero Nero, gerou constrangimento durante o sorteio da Libertadores. Dirigentes brasileiros, de clubes ou de federações, evitaram tratar da sua situação. Nos bastidores da Conmebol, ele é tratado como carta fora do baralho e sua existência é ignorada em cerimônia.

Del Nero foi suspenso na última sexta-feira pela Fifa. Seu afastamento baseou-se em documentos e delações em processo na Justiça dos EUA em que é acusado de levar propina por contratos da Conmebol e da CBF. Não pode viajar.

Representante brasileiro na cúpula da Conmbeol, o presidente da FPF (Federação Paulista de Futebol), Reinaldo Carneiro Bastos, foi econômico em tratar da situação de Del Nero. E tratou como um incógnita o futuro da CBF.

Questionado se a situação era difícil, respondeu: “Não só do Marco Polo, mas do futebol. Ele é o mais interessado em que as coisas se resolvam. Que as coisas se definam rapidamente”, contou.  “Qualquer coisa que se fale é especulação. Nem eleição pode fazer agora.”

A eleição pode ser marcada a partir de abril de 2018, e até lá já deve estar definido se o afastamento de Del Nero é definitivo. Na Conmebol, há o indicativo de que ele dificilmente volta ao cargo. Enquanto isso, o nome do dirigente é evitado como qualquer coisa ligada à entidade cuja gestão anterior esteve envolvida no escândalo da Fifa. A confederação se coloca como vítima.

Entre os clubes, a tônica é evitar o assunto Del Nero. “Entendo que nós não temos elementos suficientes para fazer qualquer tipo de análise”, afirmou o presidente do Palmeiras, Maurício Galiotte, que disse que esperaria informações da Justiça. “A gente acredita no Dr. Marco, e até então não temos outra informação.” Del Nero é conselheiro vitalício do Palmeiras.

O mesmo tom cauteloso foi adotado pelo presidente do Grêmio, Romildo Bolzan Jr.. Afirmou que não queria comentar porque não tinha acesso aos dados sobre o por quê da suspensão.

Enquanto isso, na cerimônia do sorteio para a Libertadores, houve um momento de constrangimento quando foram reveladas as estátuas de Pelé e Maradona. Para tirar o pano da imagem do craque argentino, foi anunciado o presidente da AFA, Claudio Tapia. Para Pelé, Carneiro Bastos, anunciado como “representante brasileiro”, já que Del Nero não estava no local.


E-mails, cartão de viagem e reuniões: provas que Fifa usa contra Del Nero
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Lista de provas da Justiça dos EUA inclui registros de voos e cartão de milhagem de Del Nero

Registros de cruzamento de fronteira de Del Nero listados por procuradores como evidência

Aos aliados, o presidente afastado da CBF, Marco Polo Del Nero, tem dito que a suspensão que a Fifa lhe impôs foi só baseada em delações e que não há prova de corrupção contra ele. Mas a comissão da entidade anexou documentos obtidos com a Justiça dos EUA como e-mails, cartão de milhagem, monitoramento de viagens, bilhete e atas de reuniões para embasar as acusações contra o dirigente, segundo o blog apurou.

No processo do caso Fifa, Del Nero foi acusado de receber US$ 6,5 milhões em propinas por contratos da CBF e Conmebol na versão de três delatores que trabalhavam para empresas de marketing esportivo. Não foi julgado porque não foi aos EUA.

A Justiça norte-americana tornou pública a lista de 1.300 documentos ou fotos usados como prova nos processos contra cartolas. Em relação ao presidente afastado da CBF, está como evidência dados de “border crossing” (cruzamento de fronteiras), cartão de milhagem da American Airlines e registro de voos da empresas. Ou seja, o FBI monitorou as viagens do cartola retroativamente para perceber onde ele estava.

Essa informação demonstra que Del Nero tem razão de não viajar com medo de ser detido. Afinal, seus passos vinham sendo seguidos pela polícia norte-americana. Além disso, serve para saber se ele esteve nos lugares mencionados nas delações.

Por exemplo, o ex-executivo da Torneos Alejandro Burzaco alega ter combinado de pagar propina a Del Nero em Assunção, em reunião da Conmebol. Além do monitoramento das viagens, há listadas como provas diversas minutas e atas de encontros da confederação sul-americana, sendo que consta o nome do dirigente neles como participante.

Para confirmar sua presença nos eventos, o FBI ainda obteve e-mails de Eladio Rodriguez, ex-executivo da Torneos, em que ele trata da presença de Del Nero nos encontros. Rodriguez era ainda responsável pelos pagamentos da Conmebol e há diversos dos e-mails listados como evidências contra José Maria Marin, que teria recebido juntamente com Del Nero. Há ainda e-mails de Alexandre Silveira, ex-funcionário da CBF, que aparece como intermediador de uma conversa com Ricardo Teixeira.

Lista de atas de reuniões da Conmebol que mostram quem tomava decisões sobre contratos

Esses documentos teoricamente derrubam a tese da defesa de Del Nero de que não tinham nenhuma atuação no poder da Conmebol antes de 2015. Assim, reforça-se a suspeita de ele levou propina pelo contrato da Copa América, como revelaram os ex-executivos Burzaco e J. Hawilla em suas delações. Há ainda um bilhete do dirigente da Klefer, Kléber Leite, que supostamente relata propinas.

Na lista das evidências da Justiça dos EUA, há também contratos da CBF relacionados à Copa do Brasil e até a amistosos da seleção, que teoricamente não entraram nas acusações.

Foram essas as bases do Comitê Ética da Fifa para defender que Del Nero quebrou o código da entidade ao levar comissões indevidas. Assim, o suspendeu provisoriamente por 90 dias.

A defesa do cartola entende que não há evidências de que o dirigente recebeu dinheiro porque não ficou demonstrada uma transferência em seu favor. Em nota, mencionou o fato de o FBI não ter encontrado essas provas, e chamou as acusações de graciosas especulações.

Advogados de Del Nero devem recorrer à suspensão provisória assim que receberem o teor da decisão, o que não ocorreu. É possível que isso só acontecerá em 2018. Além disso, vão responder o teor dos documentos obtidos pela Fifa com a Justiça dos EUA.


Fifa lida com disparidade técnica e oposição para mudar Mundial de clubes
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Desde o meio do ano, o presidente da Fifa, Giannni Infantino, vem insistindo na ideia de um novo formato do Mundial de Clubes, diante do fracasso financeiro da fórmula atual. O modelo pensado seria uma competição quadrienal com 24 clubes, uma espécie de Copa do Mundo de times. Só que esta ideia não é unanimidade entre dirigentes e não resolve a questão da disparidade técnica entre times.

Infantino tem falado de seu projeto na maioria dos encontros do Conselho da Fifa. Inicialmente, tinha pensado em um formato que teria até 13 equipes europeias. Recentemente, já mudou o modelo para oito times do velho continente, como disse aos seus pares no sorteio da Copa-2018, em Moscou.  A competição seria no lugar da Copa das Confederações.

Só que o presidente da UEFA, Aleksander Seferin, não mostrou entusiasmo com a ideia. Esse seria uma apoio importante já que são justamente os times europeus que representariam a maior atração do torneio. A associação de clubes da Europa ainda não se posicionou.

Na América do Sul, o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, está claramente mais animado com o projeto de volta da Copa Intercontinental, com o confronto entre um europeu e um sul-americano. É verdade que não haveria conflito entre as duas competições. Isso porque a Intercontinental poderia ser disputada nos três anos em que não haveria o Mundial.

Dentro da Confederação sul-americana, entende-se que haverá apoio dos europeus à volta da Intercontinental. Houve inclusive avanços comerciais em torno da negociação do torneio, que poderia voltar em 2019.

De qualquer maneira, todos os modelos estão em discussão também por conta do enorme abismo técnico entre os gigantes europeus e os times sul-americanos. As equipes do velho continente, turbinadas por muito mais dinheiro, ganharam nove das últimas dez edições.

Com oito times europeus em um Mundial, dependendo da fórmula, a competição poderia ser decidida só pelos clubes do velho continente, deixando os outros apenas como coadjuvantes. A Intercontinental continuaria a ter uma equipe sul-americana jogando por milagre diante do rival europeu mais forte, e o atual Mundial já se mostrou um fracasso.

É essa discussão que vai se desenrolar durante o ano de 2018 que será provavelmente o último do atual formato.


Suspensão gera guerra entre Del Nero e Fifa que irá para tribunal externo
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Suspenso de forma provisória pela Fifa, por acusação de corrupção, o presidente afastado da CBF, Marco Polo Del Nero, abriu guerra contra a entidade e pretende lutar para voltar ao cargo. Com isso, a disputa entre o cartola e a federação internacional deve ir para cortes externas, como o CAS e o tribunal suíço. A Fifa dificilmente voltará atrás de sua suspensão, e Del Nero vê a decisão como política.

O Comitê de Ética da Fifa decidiu por suspender Del Nero por 90 dias enquanto não o julga. Baseou-se nos depoimentos de testemunhas na Justiça dos EUA que apontaram o dirigente como beneficiário de propinas por contratos. A intenção é julga-lo neste período, ou pode ser estendido a suspensão.

Advogados de Del Nero preparam um recurso à corte de apelação da Fifa para tentar derrubar essa punição provisória. Ao mesmo tempo, vão entrar também com um recurso para acelerar o julgamento do mérito. O objetivo é levar o caso o mais rápido possível para o CAS (tribunal desportivo).

Explica-se: há entre aliados do dirigente da CBF a certeza de que na Fifa tem poucas chances de obter uma reversão da punição. Entendem que foi Infantino por decisão política que determinou que Del Nero deveria ser punido para melhorar a imagem da entidade.

Ao mesmo tempo, o cartola da Fifa daria uma resposta à Justiça dos EUA de que tomou uma medida. Depois do CAS, a outra instância que Del Nero pretende recorrer é o tribunal da Suíça.

A defesa de Del Nero avalia que não há evidências de que o dirigente levou propina porque não foi apresentado um documento de depósito ou transferência em favor do dirigente. Essa é o principal embasamento para tentar derrubar a punição.

A questão é que pelo menos dois ex-dirigentes de empresas de televisão, Alejandro Burzaco e José Hawilla, afirmaram ter pago propinas a Del Nero. O total relatado é de US$ 6,5 milhões para o cartola em troca de obtenção de contratos da Conmebol e da Copa América. Há ainda anotações de Kléber Leite, ex-presidente do Flamengo e dono da Klefer, com dados de supostas propinas.

 


Fifa junta provas e cobra explicações de Del Nero por denúncias nos EUA
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Após os depoimentos com acusações contra ele na corte em Nova York, a comissão disciplinar na Fifa cobrou do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, explicações sobre as denúncias de que recebeu propina. Foram anexadas provas do processo ao procedimento no âmbito esportivo. Isso significa que o inquérito contra o dirigente descongelou, mas não necessariamente que ele será punido.

Durante as últimas semanas, ex-executivos da Traffic e Torneos, que tinham direitos de competições, acusaram Del Nero de receber subornos por contratos. No total, é apontado que o dirigente ganhou US$ 6,5 milhões em propinas por acordos da Libertadores e da Copa América. Ele nega as acusações.

A partir daí, a comissão disciplinar da Fifa deu andamento ao inquérito como informou o “Globo.com”, e confirmou o blog. Foi feito um pedido de informações e documentos para Del Nero, inclusive dados pessoais.

O dirigente já respondeu às requisições, enviando as informações solicitadas pela Fifa. Aliados de Del Nero alegam estar tranquilos porque o tribunal de Nova York não mostrou nenhum documento de depósito de propina em favor dele. Assim, na versão de seus defensores, haveria indícios, mas não provas.

A questão é que o julgamento de José Maria Marin e outros dois dirigentes revelou documentos e detalhes das acusações que estavam sigilosos. Há por exemplo um bilhete do ex-presidente do Flamengo Kléber Leite, dono da empresa Klefer, que segundo procuradores indica valores das propinas a Del Nero. E há também detalhes dados pelos ex-executivos de quanto cada cartolas recebeu ilegalmente e quando.

Sem o sigilo, todos esses dados foram anexados ao procedimento disciplinar da Fifa contra Del Nero, o que torna bem mais robusto o inquérito. A Fifa aparece como vítima no processo em Nova York e por isso tem acesso aos documentos. A Conmebol também é parte e tem o mesmo acesso. Ambas têm advogados acompanhando o caso de perto.

Não foi o primeiro pedido de documentos e explicações ao presidente da CBF: já foram feitos alguns neste período desde o final de 2015. Oficialmente, a comissão disciplinar da federação internacional não comenta o caso Del Nero por “estar em andamento”. Em entrevista, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, alegou que seria necessária condenação para punir cartolas.

Agora, resta saber o que a comissão fará com as novas provas e as explicações do cartola pois o procedimento já tem duração de dois anos sem conclusão. A comissão tem poder de afastar o presidente da CBF do futebol destituindo o do cargo no Brasil.


Sorteio indica futuros perrengues da Copa da Rússia
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Com Pedro Lopes

Tal qual ocorreu no Brasil o sorteio da Copa-2018 serviu para mostrar as dificuldades que delegações e torcedores enfrentarão na Rússia. E não tem nada a ver com a temperatura abaixo de zero em Moscou que não será a mesma no período do Mundial. Tratam-se de questões ligadas à língua, aos serviços, à burocracia aos grandes deslocamentos, e até a certa paranoia com segurança.

Primeiro, é preciso que se diga que a Rússia tem, como o Brasil, muito a oferecer: um país culturalmente rico, com marcos históricos, uma cultura de futebol consolidada e um povo hospitaleiro.

Mas há uma barreira na interação com os turistas: a língua. A maioria das pessoas em Moscou não fala inglês. Era um problema comum no Brasil. Mas este se agrava na Rússia porque quase todas as sinalizações são escritas no alfabeto cirílico, o que torna bem complicado, por exemplo, andar de metrô em Moscou. O mesmo vale para achar endereços na cidade.

Serviços de táxis estão longe do ideal em Moscou, com preços altos, e muitas vezes negociações abusivas com os taxistas. Mais uma vez, um ponto em comum com certas cidades brasileiras, mas, na Rússia, o problema é disseminado.

Outra questão é em relação aos serviços do Comitê Organizador da Copa. No sorteio, a internet se mostrou falha em boa parte do tempo, o que é incomum nos eventos da Fifa. Houve sérios problemas de credenciamento por conta de burocracia. Alguns participantes do evento demoraram 24 horas para receber suas identificações por simples problemas nos nomes.

Para o torcedor, haverá uma facilidade para identificação com a criação da Fan ID para quem comprar ingresso – é identidade da Fifa. Mas, ao mesmo tempo, ainda será obrigatório o registro de dados em hotéis pelos turistas como de hábito na Rússia.

Em meio a isso, mais um obstáculo é gerado pelo excesso de zelo do governo russo com as questões de segurança. Ressalte-se que a Rússia sofre bem mais ameaçadas do que o Brasil, pois tem relações conflituosas com grupos extremistas. Por isso, foram colocados detectores de metais em estações de trem e metrô e nas portas de hotéis, além de lugares habituais como aeroporto. Para se entrar no Kremlin, local do sorteio, uma pessoa credenciada podia ser checada quatro ou cinco vezes.

Um outro ponto são os grandes deslocamentos entre cidades. Esses chegam a até 2500 km, levemente menores do que no Brasil. Assim como no país da Copa-2014, nem sempre haverá voos diretos, e o torcedor que quiser acompanhar seu time terá de fazer um planeamento extra. Houve reformas de 13 aeroportos para facilitar a vida do vianjante.

Em relação às construções de estádio, um problema no Brasil, há menor preocupação. Ainda há um estádio em Samara por entregar, o que deve ocorrer até abril segundo o governo. Mas as obras estão mais adiantadas do que no caso brasileiro.

“Desde o começo, a Rússia tem levado isso bem responsabilidade. A preparação da Copa tem o nível mais alto do governo. Milhões de pessoas participaram do trabalho em relação à Copa, municipalidades, governos e outros têm trabalhado. Temos garantido de que tudo isso vai funcionar”, afirmou o ministro do Esporte, Vitaly Mutko, durante esta semana de sorteio.

Ressalte-se que, no Brasil, o sorteio da Copa feito em Salvador também indicou vários problemas na organização, como os estádios atrasados, o calor… Pois bem, as operações de Copa foram bem sucedidas no país, com exceções da invasão de chilenos no Maracanã. Mas, para isso, foi preciso solucionar questões na véspera do Mundial.

PS Esse texto tratou de questões de logísticas e operação, sem entrar em outras preocupações em relação à Rússia como homofobia e racismo.


Resultado de julgamento de Guerrero sairá na próxima semana
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O resultado do julgamento do caso de doping de Paolo Guerrero sairá na próxima semana. A informação foi apurada pelo blog junto a fontes da comissão disciplinar da Fifa que promete uma decisão.

A audiência de julgamento de Guerrero foi na quinta-feira, dia 30, em Zurique. Logo depois, alguns membros do comitê tiveram que viajar para Moscou para sorteio da Copa-2018, e retornam aos trabalhos na segunda-feira. O presidente do grupo é o ganês Anin Yeboah.

A defesa de Guerrero entende que foi descartado o uso de cocaína com apresentação da tese de que ele ingeriu chá de coca, como informou “O Globo”. A informação da defesa é de que havia chá de coca no hotel da seleção do Peru.

Resta saber se a comissão ficará convencida por essa tese. O blog apurou que os advogados de Guerrero causaram boa impressão na audiência. Mas isso não significa que conseguirão absolver o jogadores: a sentença ainda é um incógnita. A suspensão preventiva de Guerrero ainda está válida.


Abalada por escândalo, Fifa oferece patrocínio em promoção para Copa
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O escândalo de corrupção revelado por investigadores norte-americanos abalou não só os cartolas como a imagem e as finanças da Fifa. Na véspera do sorteio da Copa, marcado para esta sexta-feira, a entidade tem um número de patrocinadores bem menor do que na edição no Brasil. Para minimizar a perda, criou uma categoria promocional para atrair parceiros com valores bem mais baixos do os cobrados anteriormente.

Na gestão de Joseph Blatter, a Fifa viveu uma série de escândalos de corrupção, sendo o pior deles a descoberta de pagamentos de propinas em escala para cartolas em 2015. A crise resultou em outras revelações e na queda de toda a cúpula do futebol, incluindo Blatter, Jeróme Valcke, e Michel Platini.

Grandes patrocinadores da Fifa tiveram um papel no processo ao cobrar mudanças após as revelações. As alterações na cúpula, no entanto, não foram suficiente para mudar a imagem da entidade e evitar abalos na Copa. Nesta semana, o “New York Times” já publicou uma matéria mostrando a baixa procura da Copa por grandes empresas.

De fato, o Mundial da Rússia tem até agora 12 parceiros fechados, em três categorias. No Brasil, havia 20 parceiros e todos já tinham sido fechados a pouco mais de seis meses da Copa. Empresas brasileiras entraram pesado na competição, como Itaú, Oi e Wise Up. Na Rússia, foram apenas duas.

O patrocínio representa em torno de um quarto da receita total da Fifa, o que mostra o impacto nas finanças da entidade. Em 2016, foram US$ 115 milhões neste item, quase tudo de parceiros da Fifa, maiores patrocinadores que estão com organização por tempo mais longo, com exceção da petrolífera russa Gazprom. São sete empresas.

Diante da crise, neste ano, a Fifa criou uma nova categoria de patrocinadores locais, por região. O mundo foi dividido em cinco regiões, onde poderia se fechar contratos menores. O blog apurou que os valores oferecidos giram em US$ 12 milhões dependendo da região. E há margem para negociação e redução, algo antes inconcebível na Fifa. Há procura por empresas na China, nos EUA e no Brasil.

Mas até agora só foi fechado um patrocínio com o Alfa Bank, da Rússia, de um total de 20 vagas oferecidas. Até o ano passado, a Fifa tinha negociado só na Rússia e tinha levado apenas US$ 4 milhões com esses patrocínio, isto é, tudo vindo do Alfa Bank. A decisão de botar esse pacote para vender tão perto do Mundial tem impacto significativo na sua atratividade, já que as empresas têm menos tempo para se planejar.

Mas o preço é bem menor do que o da Copa no Brasil. Em 2014, a Centauro anunciou que investiu R$ 100 milhões em seu patrocínio local da Copa, incluindo ativação e promoções. Ainda que o valor não tenha ido todo para a Fifa, certamente a maior parte foi para seus cofres. E é um valor bem superior ao de agora.

E o pacote de patrocinador local da Fifa está longe de ser pouco atraente. Inclui exibições em placas publicitárias em volta do campo, por tempo menor do que os outros, backdrops, ingressos, possibilidades de uso da marca da Copa em propaganda.

Conjuntamente com a crise de imagem, há também uma necessidade de a Fifa diversificar suas formas de obter receitas já que o mundo da propaganda está mudando com o acesso digital. Mas é certo que foi o FBI o principal responsável pela mudanças radical de estratégias e as pechinchas da Fifa por patrocínio da Copa, que antes eram disputados a tapas.

 


Fifa vai pedir indenização se ficar provada propina de Globo por Copa
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A Fifa vai pedir indenização a responsáveis caso fique provado que houve pagamento de propina pela Globo para obtenção de contratos de direitos de televisão da Copa-2022 e 2030. Em corte de Justiça dos EUA, o ex-executivo da Torneo Y Competencias Alejandro Burzaco afirmou que a emissora brasileira pagou subornos ao ex-presidente da Fifa Julio Grondona para obter esses direitos. A Globo nega ter dado suborno a dirigentes.

O blog perguntou à Fifa o que seria feito em relação ao contrato da emissora brasileira pela Copa após a denúncia. Como tem feito neste processo, a federação internacional afirmou ser vítima de irregularidades denunciadas na corte de Nova York, como já reconhecido na própria Justiça. Em seguida, ressaltou que ainda espera o final do processo para tomar medidas.

“Como o Departamento de Justiça já reconheceu, a Fifa é vítima de alegadas irregularidades que estão sob questão no julgamento. A Fifa fortemente apoia e encoraja as autoridades norte-americanas pelos esforços de responsabilidade os indivíduos que abusaram das suas posições para corromper o futebol internacional para seu benefício próprio. No caso de o juri constatar que os acusados são culpados dos crimes que são acusados, a Fifa vai tomar medidas necessárias para procurar restituição e recuperar qualquer perda causada pelas suas más condutas”, afirmou a entidade em resposta ao blog.

Em relação à conduta do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, a Fifa não quis dar mais informações. O depoimento de Burzaco deu mais detalhes sobre supostas propinas recebidas pelo dirigente da confederação, reafirmando que ele sabia do esquema de subornos da Conmebol. Del Nero já enfrenta um processo disciplinar na Fifa desde o final de 2015, mas não houve conclusão.

Por meio da assessoria, o Comitê de Ética da Fifa afirmou que não comentará casos em curso.

Veja a nota da Globo sobre o tema:

“Sobre depoimento ocorrido em Nova York, no julgamento do caso Fifa pela Justiça dos Estados Unidos, o Grupo Globo afirma veementemente que não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina. Esclarece que após mais de dois anos de investigação não é parte nos processos que correm na Justiça americana. Em suas amplas investigações internas, apurou que jamais realizou pagamentos que não os previstos nos contratos. Por outro lado, o Grupo Globo se colocará plenamente à disposição das autoridades americanas para que tudo seja esclarecido. Para a Globo, isso é uma questão de honra. Não seria diferente, mas é fundamental garantir aos leitores, ouvintes e espectadores do Grupo Globo que o noticiário a respeito será divulgado com a transparência que o jornalismo exige.”