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Fifa faz acordo com CBF e vai liberar R$ 300 mi retidos do legado da Copa
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A Fifa fez um acordo com a CBF e vai liberar os quase US$ 100 milhões (R$ 300 milhões) do fundo de legado da Copa-2014 que estavam retidos por conta das suspeitas de corrupção na conferação. O acerto ocorreu em reunião entre as duas partes em Zurique nesta quinta-feira, e foi confirmado pelas duas entidades. Para superar os problemas, a Fifa vai repassar o dinheiro a uma empresa a ser criada para administrar os recursos, sem passar pelos cofres da entidade brasileira. Assim, poderá fiscalizá-lo.

O fundo de legado foi uma promessa do ex-presidente da Fifa Joseph Blatter durante a Copa-2014. Sua promessa era de que seriam usados US$ 100 milhões para a construção de centros de treinamento de futebol pelo país com foco na formação de jogadores. O dinheiro será usado para projetos de infraestrutura, divisão de base, futebol feminino e comunidades carentes.

Mas houve apenas um investimento em um centro no Pará. Depois disso, estourou o caso Fifa em 2015 nos Estados Unidos com o envolvimento de ex-presidentes e presidente da CBF, José Maria Marin, Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero. Todos acusados de corrupção por levar dinheiro da confederação. Assim, a federação internacional decidiu reter o dinheiro e não repassa-lo. Também foram retidos pagamentos regulares à confederação que são devidos a todas as entidades nacionais como prêmios por Copa.

Isso teoricamente fazia parte da tentativa do novo presidente Gianni Infantino de começar a limpar a Fifa. Mas Infantino, recentemente, tomou medidas em outra direção, demitindo funcionários de órgãos de controle da Fifa que tentavam punições a dirigentes. Del Nero continua como presidente da CBF e ao mesmo tempo indiciado no “caso Fifa” por supostamente levar dinheiro de contratos da entidade, além de investigado pelo comité de ética da Fifa.

Assim, dirigentes da confederação têm tentado um acordo para a liberação do dinheiro. Nesta quinta-feira, a CBF soltou uma nota dizendo que chegou a novo marco sobre o projeto. Houve, de fato um acordo para criação de uma empresa que estará sob fiscalização da Fifa e a ideia é tentar tocar o projeto ainda neste ano, segundo apurou o blog.

Haverá uma reestruturação do programa para decidir onde serão os centros de treinamento onde haverá investimento. Ao mesmo tempo, terá de ser constituída uma nova empresa. Em outro acordo, a CBF aceitará submeter dinheiro recebido pela Fifa à fiscalização para voltar a receber repasses como outras entidades.

Em sua nota, a confederação afirmou: “A FIFA reconhece o excelente trabalho que a CBF vem realizando na área de Governança e Conformidade”. Assim, por esta nota, teriam caído as restrições da federação internacional à gestão Del Nero. A Fifa confirmou o acordo em nota ao blog.

“Nos últimos meses, as administrações da FIFA e da CBF estabeleceram uma discussão colaborativa sobre a implementação do Programa de Legado da Copa do Mundo da FIFA 2014 da maneira mais eficaz e de acordo com as políticas, processos e regulamentos estabelecidos pela área de desenvolvimento da FIFA.

Após uma reunião realizada hoje (14.09) em Zurique, a FIFA aceitou as garantias de conformidade apresentadas pela CBF para a implementação do Programa de Legado. Ambas as entidades agora trabalharão em uma nova estrutura para a efetiva entrega do projeto, previsto para ser  retomado antes do fim deste ano.

Com os mecanismos de coordenação e monitoramento necessários, a FIFA e a CBF estão confiantes de que o Programa de Legado da Copa do Mundo de 2014 terá um impacto significativo no futebol brasileiro, com foco em infraestrutura, futebol feminino, desenvolvimento das categorias de base e programas médicos em comunidades carentes, conforme acordado em 2014.”

Tags : CBF Fifa


Puxado por Neymar, mercado de transferências bate recorde: R$ 14,5 bi
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As transferências internacionais de jogadores atingiram o valor recorde de US$ 4,670 (R$ 14,5 bilhões) na janela de verão na Europa de 2017. Os números foram apresentados pela primeira vez pela diretora da Fifa, Kimberly Morris, em seminário na Escócia, nesta quinta-feira. A saída de Neymar para o PSG puxou esse valor para cima representando 5,7% de todo o mercado.

A janela de transferências dos principais mercados europeus fechou essa semana com contratações em valores elevados. Além de Neymar, Dembelé, contratado pelo Barcelona, também gerou cifras acima de € 100 milhões.

O gráfico apontado por Kimberly Morris, que é diretora de transparência e compliance da Fifa, mostrou que houve um aumento de 24% no dinheiro gasto com contratações neste verão em relação à temporada de 2016. No ano passado, o total foi de US$ 3,760 bilhões, em torno de US$ 1 bilhão a menos do que na atual temporada. O blog confirmou que os números são já com a janela fechada na quarta-feira.

Em cinco anos, o crescimento foi de mais de 50%. Em 2013, o montante gasto com contratações internacionais foi de US$ 3 bilhões.

Para atingir o patamar recorde em 2017, foram necessárias 1.454 transferências internacionais. Na comparação com cinco anos atrás, foram 400 contratações de jogadores do exterior a mais.


Ordem da Fifa encareceu Mané Garrincha em R$ 20 mi e não teve efeito nenhum
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O estádio Mané Garrincha, em foto de junho de 2013 (Crédito: Jefferson Bernardes/AFP)

Uma exigência da Fifa para antecipar o fim das obras encareceu o Mané Garrincha em R$ 20 milhões e não teve efeito prático nenhum. É o que mostra o relatório do Tribunal de Contas dos Distrito Federal que apura irregularidades no estádio. O projeto é cercado de tantas suspeitas que já levou à prisão dois ex-governadores do Distrito Federal, Agnelo Queiroz e José Roberto Arruda.

Desde 2010, o tribunal de contas fiscaliza a obra do Mané Garrincha, arena mais cara da Copa-2014, com custo de R$ 1,9 bilhão. O tamanho do prejuízo para os cofres públicos varia em cada avaliação: a Polícia Federal já falou em mais de R$ 900 milhões, a corte fiscal mencionou R$ 366 milhões e há processos em apuração sobre quanto será cobrado do consórcio de empreiteiras (Andrade Gutierrez e Via Engenharia) e de gestores públicos.

Em um dos processos no tribunal de contas, de junho de 2016, os auditores determinaram a tomada de contas especial após relatório apontar superfaturamento de R$ 67,8 milhões em itens de construção. Dentro desse documento, que tornou-se público, é possível constatar o papel da Fifa em aumentar o custo da obra, ainda que este valor não esteja sendo cobrado.

O relatório aponta que o cronograma inicial da obra era para que o Mané Garrincha fosse finalizado em julho de 2013. “No entanto, compromisso assumido posteriormente pelo GDF (Governo do Distrito Federal) com o governo federal e com a Fifa antecipou a conclusão para dezembro de 2012. Para isso, foi assinado o termo aditivo “H” e foram acrescidos gastos de aproximadamente R$ 20 milhões com serviços noturnos”, contou o documento.

De fato, durante o ano de 2012, a Fifa pressionou para que os estádios estivessem prontos com seis meses de antecedência para a Copa das Confederações – era o prazo de compromisso inicial. Pressionados, governadores começaram a assinar aditivos com empreiteiras para turnos extras para cumprir a data. Isso porque era uma competição teste, e não a própria Copa do Mundo.

Pois bem, após o aditivo, a obra terminou no mesmo prazo previsto anteriormente, meio de 2013. Segundo o relatório do tribunal, uma análise de documentos “permitiu concluir que o Consórcio recebeu recursos para antecipar o prazo de entrega da obra, mas não cumpriu com esse acordo.” Havia preparativos finais do Mané nas vésperas da Copa das Confederações.

Em sua defesa, as duas empreiteiras (Andrade Gutierrez e Via Engenharia) e Novacap, empresa do governo, afirmaram que o aditivo não era para antecipar o projeto, mas para incluir alterações exigidas pela Fifa e garantir o cronograma do contrato. Ou seja, na versão deles, pagaria-se mais para cumprir a data já prevista no contrato.

Ainda assim, o consórcio alega que a antecipação da obra teve impacto no aproveitamento de materiais de obras, o que aumentou o total final. Neste ponto, o tribunal aponta R$ 23 milhões de superfaturamento nos materiais por entender que a argumentação não procede. Só após a tomada de contas vai ser apurado o prejuízo.

Até agora, a investigação da Polícia Federal apontou que Agnelo Queiroz e José Roberto Arruda favoreceram a Andrade Gutierrez e Via Engenharia com a fraude da licitação e por medidas tomadas na realização da obra. A apuração se iniciou em delação de ex-executivos da Andrade Gutierrez que revelaram um cartel de empreiteiras na maioria dos estádios da Copa-2014.


Retorno de Copa Intercontinental avança, e Mundial da Fifa vive incerteza
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A Conmebol e a UEFA avançam na discussão da volta da Copa Intercontinetal, conhecida como Mundial interclubes. Ao mesmo tempo, o Mundial de clubes da Fifa está em questionamento e a tendência é que ou mude bastante seu formato ou acabe. Isso vai se definir nos próximos dois anos.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, entende que o modelo atual para o Mundial de clubes não é bem-sucedido. Sua intenção é fazer uma modificação. Mas há contrato até 2018 para a realização da competição nos Emirados Árabes. Depois, é um incógnita.

Em paralelo, a Conmebol e a Uefa avançam na discussão da volta da Copa Intercontinental em jogo entre os campeões dos dois continentes. Seria o mesmo formato da competição disputada por 43 edições que terminou em 2004.

É importante lembrar que o Intercontinental sempre foi organizado pela UEFA e pela Conmebol, sem participação da Fifa o que já gerou disputas políticas. Foi de fato o Mundial de clubes por mais de quatro décadas até as duas entidades fazerem um acordo para substitui-lo pelo Mundial da Fifa.

As duas competições só foram disputadas simultâneas em 2000. Por isso, há uma discussão se a volta da Intercontinental implicará no final do Mundial de Clubes. Não é certo qual será o formato final, mas é certeza de que o destino de uma competição está atrelado ao outro. E o futuro será definido nos próximos dois anos.


Como a política agressiva de Trump pode afetar a Copa
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Donald Trump, presidente dos Estados Unidos (Crédito: NICHOLAS KAMM/AFP)

Um grupo de seis países do Oriente Médio anunciou um boicote ao Qatar por supostas ligações com terrorismo o que gerou uma série de problemas logísticos à nação. A medida atinge a sede da Copa-2022 escolhida pela Fifa e já cercada de controvérsia. E tem o dedo do presidente Donald Trump cuja política externa agressiva já ameaça afetar edições futuras do Mundial.

O boicote da Arábia Saudita, Bahrein, Egito, Emirados Árabes, Iêmen e Líbia tem como suposto motivo o financiamento a movimentos islâmicos radicais. “Durante minha recente viagem ao Oriente Médio, eu disse que não pode mais haver financiamento de redes ideológicas”, afirmou Trump no Twitter, nesta terça-feira. “Os líderes apontaram o Qatar.”

A medida é controversa visto que a própria Arábia Saudita é acusada de ligações com movimentos radicais e parece ter o objetivo de atingir o Irã, mais próximo do Qatar. Mas há, sim, dados que apontam ligações do reino qatariano com grupos radicais como Hamas, exércitos na Síria, além de partido político no Egito.

De qualquer maneira, o boicote gerou uma reação em cadeia que vai afetar voos regulares, o abastecimento de alimentos e o livre fluxo de trabalhadores para o Qatar que tem um pequeno território. Dados do “Financial Times” apontam que isso pode impactar na capacidade do país de organizar a Copa-2022 se o fechamento das fronteiras com esses países for mantido por longo prazo.

Questionada pelo blog sobre o boicote, a Fifa informou apenas que “está em contato regular com o Comitê Organizador do Qatar-2022 e o Supremo Comitê de Entrega e legado ligando com assuntos sobre a Copa-2022”. E não respondeu as perguntas sobre os problemas logísticos.

Já é a segunda vez este ano que a política de Trump afeta a Copa do Mundo. Em abril, EUA, México e Canadá anunciaram uma candidatura conjunta para serem sede da Copa-2026. Essa postulação tem diversas implicações com a administração Trump que manifestou apoio à tentativa de receber o Mundial.

Primeiro, o presidente da federação norte-americana de futebol, Sunil Gulati, disse que a candidatura considerava o cenário internacional, demonstrando união entre os países. “Levando em conta o que tem acontecido no mundo, especialmente nos EUA, os assuntos que estamos enfrentando, uma candidatura com o México e Canadá é um grande plus”, contou ele à “Sports Illustrated”.

Trump promete construir um muro na fronteira com o México, mas seu departamento de Estado manifestou apoio à candidatura. Há, no entanto, questionamentos sobre como funcionará a política de vistos para delegações e torcedores visto que o presidente americano quer impor restrições a cidadãos de países como Irã.

A Copa não será em sua administração, mas será negociada nela e votada até 2020. E a Fifa só aceitará dar o Mundial se tiver garantias de visto a países participantes. Gulati disse que isso será negociado no futuro com a administração Trump.

O jornalista Grant Wahl, da “Sports Illustrated”, indicou que a inclusão do México e Canadá serviria justamente como alternativa de abrigar jogos de países que possam ter problemas com visto nos EUA. Mas, se esses países avançarem no Mundial, os norte-americanos serão obrigados a dar garantias de que vão recebe-los.

Outra questão é que, com Trump na Casa Branca, aumenta a antipatia com os EUA, o que pode gerar travas à candidatura na votação na assembleia da Fifa. Isso será minimizado porque a tendência é de uma candidatura única, apenas com possibilidade de um adversário da África, que seria mais fraco. Como de hábito, a Fifa se mantém em silêncio até agora sobre os potenciais problemas.


Fifa estuda criar disputa entre campeões da Copa América e da Euro em 2020
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A cúpula da Fifa estuda criar uma disputa intercontinental entre os campeões da Copa América e da Euro em 2020. Essa ideia surgiu na federação internacional em meio à negociação que determinou que o torneio americano será disputado agora sempre no mesmo ano do europeu.

O Conselho da Conmebol já decidiu que a Copa América do Brasil, em 2019, será a última em anos ímpares. Com isso, no ano seguinte, seria disputado um novo torneio nos EUA e, a partir daí, se fixaria a competição nos anos pares em que não ocorra Copa do Mundo. Na sequência, 2020, 2024, 2028, etc.

Essa informação foi publicada primeiro pelo “Globo.com” e confirmada pelo blog. Ressalte-se que ainda falta oficializar a decisão em reunião do conselho da Conmebol, mas ela já conta com apoio dos membros.

O presidente da Fifa, Giani Infantino, apoiou a ideia e foi além: já manifestou intenção de realizar uma final entre os campeões dos dois continentes, aproveitando que as competições ocorrem no mesmo período. Seria mais um projeto do mandatário para aumentar a arrecadação já que o jogo atrairia bastante atenção no período sem Copa.

A Copa América a ser realizada de novo nos EUA tem como objetivo o crescimento de receitas. Para se ter ideia, a edição de 2016 também em terras norte-americanas gerou US$ 300 milhões em vendas de direitos de televisão e marketing. Cada seleção ficou com US$ 7 milhões, o dobro do valor obtido para cada time na competição de 2015 no Chile.

A informação da Fifa é de que a Euro e a Copa América simultâneas, juntas, atraíram tanta atenção pelo planeta quanto Copas do Mundo. Por isso, não se descarta que a Conmebol realize mais edições nos EUA. Neste cenário, a ideia de Infantino de uma final entre campeões continentais pode ganhar força, embora ainda não tenha sido discutida a fundo na Conmebol e na UEFA.

A realidade é que, após a expansão da Copa do Mundo para 48 seleções, a Fifa está revendo todas as competições. Quer maximizar receitas e atrair mais tempo de atenção mundial.


Jogador brasileiro recupera valor após tragédia da Copa, e clubes faturam
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Números do mercado de transferência de 2016 mostram que o jogador brasileiro recuperou o valor de mercado após o desastre da Copa-2014 que o tinha desvalorizado. Com isso, aumentaram os ganhos com vendas dos clubes nacionais. O país é tradicionalmente o maior exportador e importador de atletas do mundo em números, a questão é o valor pago.

Pelo relatório do TMS da Fifa relativo a 2016, divulgado na semana passada, o Brasil arrecadou US$ 263,6 milhões (R$ 824,28 milhões) com transferências de jogadores no ano passado. Tornou-se assim o sétimo país com maior receita com saída de atletas, atrás das cinco principais ligas europeias e Portugal.

Para efeito de comparação, o Brasil ganhou US$ 203,9 milhões em 2015. Isso já representava uma queda em 2014 com US$ 221 milhões. Naquele ano, o Brasil perdeu de 7 a 1 para a Alemanha na semifinal do Mundial e os efeitos foram sentido no meio do ano. Logo após o Mundial, cartolas de clubes indicaram que havia tido um queda no interesse em atletas brasileiros e que vinham recebendo menos ligações de europeus.

De novo, como comparação, em 2013, antes do desastre da Copa, o Brasil ganhou Us$ 312 milhões com transferências, valor superior ao do atual ano. Naquela temporada, o país chegou a ser o quarto maior vendedor na frente da Inglaterra. Em 2012, o número foi de US$ 230 milhões, em um período em que o mercado tinha bem menos dinheiro que atualmente.

Os atletas nacionais representam o maior volume de transações considerado todo o mundo, não apenas os que saíram do país. Foram US$ 593,9 milhões no total. O país, no entanto, já liderava essa lista em 2015 com US$ 567 milhões. A diferença é que, em 2015 e 2014, os times europeus priorizavam investir em brasileiros que já estavam na Europa, e agora voltaram a olhar para o país.

Em relação à compra de atletas, o Brasil também aumentou seu poder, como já mostrado pelo blog. Foram US$ 85 milhões no ano passado, um aumento de 140% segundo a Fifa. O número é diferente do divulgado pela CBF que também indica crescimento significativo. Certo é que o Brasil voltou a entrar no top 10 dos compradores do mercado de transferência de jogadores. Neste caso, os novos contratos de televisão e luvas deram poder financeiro aos times nacionais.

O maior crescimento, no entanto, é da China. No ano passado, o país asiático tornou-se o quinto maior comprador do mundo com um total US$ 451 milhões, quase o triplo do ano anterior. Chega a ameaçar países como Espanha, Itália e Alemanha em gastos.


Fifa quer liberar replays polêmicos em estádios junto com árbitro de vídeo
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A Fifa quer liberar replays de lances polêmicos em estádios juntamente com o árbitro de vídeo. O modelo ainda não está finalizado, mas a ideia é mostrar para o torcedor por que o árbitro tomou determinada decisão. Esse sempre foi um tabu para a federação internacional que proíbe a exibição de lances de marcação difícil para o árbitro.

O modelo de árbitro de vídeo ainda está em discussão dentro da Fifa e da International Board. Houve o primeiro teste no Mundial de Clubes no Japão. Mas entidades como a CBF ainda questionam o projeto da federação internacional e haverá outros ajustes em teste.

Entre os pontos controversos, está o uso de vídeo pelo árbitro que está em campo. A Fifa defende essa ideia, a CBF é contra e pretende argumentar para impedir isso. Outra questão é sobre o uso do árbitro de vídeo em lances de interpretação. De novo, a Fifa é a favor, e a confederação é contra. A confederação vai insistir na sua tese em encontros com a International Board em fevereiro.

Mas há um ponto em comum: ambas as entidades preveem liberar o replay de lances controversos nos estádios. No caso da Fifa, a ideia é até mais avançada: ter uma câmera acompanhando o árbitro enquanto ele toma a decisão. É supreendente para uma entidade que proibia que países-sede de Copa do Mundo exibissem replays de lances controversos no estádio. Queria evitar reações adversas da torcida contra o juiz, temente protestos.

A CBF simplesmente pretende liberar o replay para o torcedor poder constatar o mesmo que o juiz de vídeo analisou. No Brasileiro, também se evita a exibição de lances polêmicos em telões, ou câmeras que revelem impedimento.

Mas ainda não é certa a implantação do árbitro de vídeo no Brasileiro-2017. O principal empecilho continua a ser a alegação da entidade de que faltam recursos porque o sistema é caro. Os gastos são estimados em R$ 15 milhões, e a CBF tem receita estimada em R$ 500 milhões nos últimos anos. Já há quem fale dentro da entidade em adiar o árbitro de vídeo para 2018.


Fifa pressiona por inchaço de Copa para ter ganho extra de até US$ 1 bilhão
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O presidente da Fifa, Gianni Infantino, pressiona membros do conselho da entidade para inchar a Copa do Mundo com o objetivo de aumentar os ganhos comerciais em até US$ 1 bilhão. Na próxima semana, estarão em discussão na federação internacional fórmulas para inflar o evento para 40 ou 48 times, acima dos 32 atuais.

Desde o ano passado, Infatino lançou sua campanha para o aumento da Copa a partir de 2026. Formatou uma proposta com 48 times, com variações de fórmulas. Esse tamanho é o seu preferido. Há uma corrente na Fifa que defende o formato com 40 times, o que apenas aumentaria o número de equipes em cada grupo.

As duas fórmulas com suas variações foram enviadas para análise dos membros do Conselho da Fifa em dezembro. A ideia é que cada um apresente ideias novas, o que deve acontecer no caso da Conmebol. A questão é que há um sentimento no conselho de que Infantino pressiona pelo número de 48 times e por impor sua vontade.

E há duas explicações: 1) a estimativa da Fifa é de que o crescimento da Copa proporcionará um aumento entre US$ 750 milhões e US$ 1 bilhão nos contratos de televisão do Mundial. 2) Incrementar o número de vagas por continente agrada mais países e portanto membros do Congresso da Fifa, que elegeu Infantino ao cargo e que decidirá se ele continua.

No caso do aumento de renda de televisão, isso significaria que a Fifa subiria em 20% as suas receitas por ciclo de Mundial, que atualmente giram em torno de US$ 5 bilhões. Em relação a agrados políticos, a Conmebol, por exemplo, passaria a ter 6,5 vagas, isto é, classificaria quase o continente inteiro já que são dez países na região.

Com 48 times, Infantino prefere um formato que tem 16 já pré-classificados para o grupo de 32 equipes. Outros 32 países disputariam mais 16 vagas em uma espécie de torneio eliminatório. A partir daí, se manteria a fórmula da Copa do mundo atual. Outra possibilidade são 16 grupos de três times, com dois primeiros classificados para o mata-mata.

A ideia é que nas reuniões do dia 9 e 10 em Zurique se discuta o aumento da Copa do Mundo, mas não se feche questão. Mas membros do conselho dizem que não ficarão surpresos se Infantino pressionar por uma aprovação imediata.


Como governo Cabral inflou reforma do Maracanã em 165%
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O ex-governador do Rio de Janeiro Sergio Cabral foi preso nesta quinta-feira acusado de levar propinas de empreiteiras em projetos do Estado, entre eles as reformas do Maracanã. Durante suas duas gestões, o político influiu decisivamente para aumentar os custos das obras do estádio. Após ida e vindas, a arena custou pelo menos 165% a mais do que o prometido na remodelagem para a Copa-2014, beneficiando as construtoras.

Primeiro, quando Cabral assumiu, o Maracanã já estava em obras para o Pan-2007. Essa reforma foi iniciada na gestão da sua antecessora Rosinha Garotinho. Acabou no governo Cabral com um custo final de R$ 272,3 milhões para todo o complexo, segundo o TCE (Tribunal de Contas do Estado). A denúncia do Ministério Público Federal diz que o ex-governador já recebeu mesada da Andrade Gutierrez por essa obra.

Findo o Pan, o Brasil era candidato único a sediar a Copa-2014 no mesmo ano, em 2007. A Fifa anunciou o país como vencedor e Cabral divulgou sua intenção de realizar uma PPP (Parceria Público-Privada) para economizar nas obras e fazer uma concessão do estádio. Em outubro de 2009, ele desistiu e anunciou que faria as obras com recursos do Estado.

O projeto inicial previa uma reforma com custo de R$ 430 milhões. Para isso, não seria necessário realizar a reforma radical que se levou a cabo: as arquibancadas superiores não seriam demolidas, nem a cobertura. Haveria adaptações em todas as instalações, mas sem mexer nas infraestruturas.

Mas a Fifa começou a pressionar e dizer que não era o suficiente durante os anos de 2009 e 2010. Queria o estádio para a final e portanto exigia sua total modernização. Entre abril e maio de 2010, houve uma total modificação no projeto para a arena.

Em entrevista à Folha de S. Paulo, feita pelo dono deste blog ao final de 2010, o então responsável do Estado pela obra, Icaro Moreno Junior, informou que tudo foi imposto pela Fifa, modelo arquitetônico, derrubada de partes das arquibancadas superiores, inclinação dos assentos por conta de placas publicitárias, uma nova cobertura de teflon.

O então governador Sergio Cabral deu a ordem para “atender a todas as exigências da Fifa”, gastando o mínimo possível. Mas, na verdade, não havia restrição orçamentária.

Resultado: o preço subiu para R$ 705,6 milhões na licitação vencida pelo consórcio composto pela Odebrecht, Delta e Andrade Gutierrez. A entrada da Delta foi imposta pelo ex-governador, por ter seu aliado Fernando Cavendish, e a Andrade Gutierrez pediu uma participação no naco e foi atendida. É o que está descrito nas delações dos executivos da empreiteira na denúncia do Ministério Público Federal contra Cabral.

Iniciada a obra, o projeto continuou a ser modificado. Afinal, como relator o TCU (Tribunal de Contas da União) em 2011, o orçamento era “mera peça de ficção”. Houve 16 aditivos no contrato para rever quantidades e preços, para prorrogar prazos, para incluir isenções tributárias (nunca obtidas).

Em 2011, no 3o aditivo, a obra subiu R$ 79,3 milhões, saltando para R$ 785 milhões. Em 2012, os sextos e oitavos aditivos fizeram mais dois acréscimos que elevaram a conta a R$ 859 milhões. A justificativa era similar: alteração de “planilha de quantidades e preços”. Por fim, em 2013, o orçamento subiu mais R$ 190,6 milhões, atingindo o patamar final de R$ 1,142 bilhão. Houve ainda reajustes anuais contratuais, que não foram considerados nesta conta por serem pela inflação.

Todos os números constam do relatório do TCE.  O mesmo relatório informa que foram feitos diversos pagamentos indevidos e itens com custo acima do que deveria. Assim, o TCE mandou congelar R$ 198 milhões em pagamentos para as empreiteiras, em decisão de 2016. Teoricamente, esse é o valor cobrado indevidamente.

Neste momento, Sergio Cabral já não era mais governador, mas durante sua gestão tinha recebido 5% do total da obra, segundo informações de executivos da Andrade Gutierrez. Isso daria R$ 57 milhões, feita uma conta bruta.

No texto final de seu relatório, o TCE informa que “a megalomania estatal amparada por gastos equivocados fizeram com que o Estado brasileiro se curvasse diante das exigências da FIFA, para, sem qualquer objetivo republicano, refazer e construir verdadeiros “elefantes brancos”, que não propiciaram qualquer legado ao povo brasileiro. São inúmeros os exemplos pelo Brasil afora.

O objetivo, como se vê, não era, apenas, a realização de um evento futebolístico, mas propiciar o farto desperdício de dinheiro público, o que, certamente, contribuiu em muito para as dificuldades que hoje atravessam os Estados que sediaram estes eventos desportivos.”

O Estado do Rio está falido, Cabral, na cadeia, o ex-presidente da Fifa Joseph Blatter e seu braço direito Jérôme Valcke, afastados por corrupção, e o Maracanã, sem futuro definido.