Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Fifa

Fifa tenta aprovar às pressas novo Mundial de Clubes com oposição da Uefa
Comentários Comente

rodrigomattos

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, tenta marcar uma reunião às pressas no final de maio para aprovar um novo Mundial de Clubes que renderia um valor bilionário a entidade e a times. Mas há oposição forte por parte da Uefa que não concorda com acelerar o processo sem que todos os detalhes sejam conhecidos.

A polêmica começou quando Infantino apresentou uma proposta de US$ 25 bilhões pelos direitos de um Mundial de Clubes e uma Liga das Nações. Quem fez a oferta foi um grupo de investidores liderados pelo japonês Soft Bank, conglomerado que exigia uma resposta rápida.

Infantino já desenhou um projeto em que a Fifa ficava com 51% das ações da empresa que controlaria as competições, e dividiria os recursos entre clubes e federações para atrair seu apoio. A ideia era ter 24 times, mas até há abertura para discutir o formato em caso de oposição dos clubes. A questão é a resistência da Uefa.

Nesta quarta-feira, a cúpula da entidade europeia se reuniu e expressou “sérias reservas sobre o processo”, citando o timing e a falta de informações. Houve críticas de dirigentes europeus a falta de transparência e que Infantino estaria vendendo o futuro do futebol sem pensar em seu desenvolvimento.

Ao mesmo tempo, o presidente da Fifa manobra para ignorar a Uefa. Ele avisou membros do Conselho da Fifa que pretendia realizar uma reunião de urgência em Zurique até o final de maio para já aprovar o Mundial, segundo informações obtidas pelo blog. O encontro ainda não foi marcado oficialmente porque precisa de concordância dos outros integrantes do Conselho, o que não aconteceu.

Se na Europa existe resistência por parte de ligas e da Uefa, cartolas da América do Sul concordam com a pressa de Infantino em acelerar o processo. Entende que a proposta é bastante substanciosa e representaria um ganho para todos em termos de receitas.

Uma questão é que Infantino tenta convencer os grandes times europeus a participar do torneio, lhes dando a oportunidade até de opinar sobre o formato, em reunião que esteve com os gigantes do continente. Em compensação, não se preocupou em se reunir com clubes de outras regiões como a América do Sul, Ásia e África.


Fifa consulta clubes para definir tamanho de novo Mundial
Comentários Comente

rodrigomattos

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, decidiu ouvir times para definir o formato e o tamanho do novo Mundial de clubes. Foi o que ele afirmou em reunião da Conmebol nesta quinta-feira, no Paraguai, quando voltou a tratar mais sobre a proposta bilionária pela competição. O torneio pode ter de 16 a 32 equipes.

O cartola da federação internacional já começou a conversar com dirigentes de supertimes europeus, como revelou o “New York Times”. Foi uma reunião com Real Madrid, Barcelona, Juventus, Bayern de Munique, entre outros em que Infatino buscou apoio para o Mundial, segundo o jornal norte-americano.

Pois bem, já na América do Sul, Infantino voltou a falar sobre detalhes da proposta de US$ 25 bilhões pelos direitos do Mundial de Clubes e da Copa das Nações. Ele afirmou que não voltará atrás da decisão de acabar com a Copa das Confederações e substitui-la pela competição de times.

O presidente da Fifa, no entanto, já não se mostrou tão certo sobre o tamanho do Mundial que em seu projeto inicial tinha 24 times. Em certo momento, ele afirmou que o campeonato poderia ter 16, 24 ou 32 clubes. E completou dizendo que seria do jeito que os clubes quiserem.

É uma estratégia para atrair o apoio dos supertimes já que a Uefa tem tido uma posição crítica em relação ao Mundial. Representantes de ligas e de grandes clubes europeus também já manifestaram preocupação com a competição.

Infantino não mencionou em nenhum momento, porém, intenção de consultar os clubes sul-americanos e de outros continentes sobre o Mundial de Clubes. Até agora a Conmebol tem participado de forma lateral da discussão, tendo sido mais incisiva na defesa da volta da disputa do Mundial Interclubes anual, entre campeões da Europa e América do Sul.


Clube chileno pede punição ao Atlético-MG na Fifa por dívida de Otero
Comentários Comente

rodrigomattos

O chileno Huachipato entrou com uma ação na Fifa de cobrança contra o Atlético-MG por uma dívida de € 600 mil (R$ 2,5 milhões) pela transferência do meia Otero. Há um pedido dos chilenos para que o Galo seja proibido de realizar transferências de jogadores em duas janelas. Agora, o time mineiro terá de se defender na Fifa.

Após um empréstimo inicial, o Galo exerceu os direitos de compra do meia Otero com a obrigação de pagar € 800 mil por 50% dos seus direitos econômicos. Isso foi fechado em março de 2017. O valor seria dividido em duas parcelas iguais em agosto de 2017 e janeiro de 2018.

A primeira parcela não foi quitada pelo Atlético-MG. A partir daí, o Huachipato passou a mandar seguidos e-mails de cobranças ao Galo até o final do ano. O time mineiro não dava um prazo para pagamento ou sequer respondia, segundo a ação do clube chileno.

Em janeiro, o Huachipato ameaçou de ir à Fifa, o que levou o Galo a pagar € 200 mil, um quarto da dívida. Depois, o Atlético-MG não fez mais pagamento e o clube chileno deu um ultimato, sem resultado.

Então, o Huachipato perdeu a paciência e entrou com a ação na Fifa em março de 2018, por meio do advogado chileno Javier Gasman. Cobrou o pagamento dos valores com juros de 5% e pena ao Atlético-MG. Baseou-se no artigo 12bis do Regulamento de Status e Transferências de Jogadores da Fifa. Pelo artigo, há previsão de punição para clubes que tenha dívidas vencidas com o outro time.

O Comitê de Status de Jogadores da Fifa notificou o Galo em 2018: exigiu que fizesse o pagamento do valor devido ao time chileno ou que apresentasse defesa até final de maio. Se pagar, encerra-se a ação. Caso seja apresentada a defesa, o caso será julgado no Comitê.

Procurado pelo blog, o Atlético-MG informou que “os casos FIFA estão sendo objeto de contestação jurídica e algumas composições em curso”.

 


Ameaça de Trump tem relação com medo de EUA perder Copa. E não ajuda nada
Comentários Comente

rodrigomattos

Na quinta-feira à noite, o presidente Donald Trump publicou um tweet em que fazia uma ameaça implícita de retaliação a países parceiros que não apoiassem a candidatura dos EUA/Canadá/México para a Copa do Mundo de 2026. Essa declaração ocorreu em um momento em que seu país tem um temor pela concorrência do Marrocos na eleição. E houve grande repercussão no Conselho da Fifa até porque as regras ferem regras da entidade.

A cúpula da Concacaf (Confederação da América Central e do Norte) está temerosa de que a declaração de Trump seja prejudicial à campanha. Oficialmente, dirigentes norte-americanos agradecem seu apoio. Mas há certo constrangimento com sua fala.

Trump disse no twitter: “Os EUA colocaram uma forte candidatura com Canadá e México para a Copa-2026. Seria uma vergonha se países que nós sempre apoiamos fizessem lobby contra a candidatura dos EUA. Por que deveríamos apoiar esses países se eles não nos apoiam (inclusive nas Nações Unidas)?”.

No livro de regras de candidatura da Fifa, não são permitidas atividades de governo que “possam adversamente afetar a integridade da candidatura e criar uma influência indevida à candidatura”.

O contexto dessa declaração é de que os EUA têm um temor em relação à concorrência com o Marrocos. Isso porque os norte-americanos garantiram os votos da América inteira, que somam 41. Já os marroquinos têm os países africanos, 55.

A Europa está mais dividida, embora com mais força dos EUA. O presidente da Fifa Gianni Infantino, nos bastidores, apoia os EUA. Mas a França, por exemplo, já se declarou em favor do Marrocos. Também a Oceania é tida como meio a meio. A Ásia, neste cenário, pode ter grande peso no resultado.

O tweet de Trump foi comentado em grupos do Conselho da Fifa. Chamou a atenção até de dirigentes que jâ definiram seus votos. A Fifa não é exatamente refratária à influência de governos: acontece com frequência em campanhas. Mas nunca se viu uma ameaça para tentar intimidar os cartolas: o que pode gerar uma reação contrária entre os dirigentes, na visão de quem tem influência na entidade.

 


Nova lei da Fifa aperta time caloteiro e facilita saída por atraso salarial
Comentários Comente

rodrigomattos

A Fifa já aprovou mudanças em seu regulamento de transferência de jogadores que vão apertar os clubes caloteiros e facilitar a liberação de jogadores com salários atrasados. O documento com as novas regras já está pronto e com aval dentro dos comitês internos: deve entrar em vigor ainda em 2018. Outras modificações mais profundas na norma estão em debate, mas não têm data por falta de consenso.

O regulamento para status e transferências de jogadores da Fifa controla todo o funcionamento do mercado do futebol, ao definir como se dão as relações contratuais entre clube e atleta. Há uma avaliação dentro da Fifa de que o atual conjunto de regras está defasado e necessita de alterações.

Entre as mudanças já aprovadas, está novo tratamento para clubes devedores. Um dos itens que foi incluído é que os jogadores poderão obter rescisão do contrato após dois meses de salários atrasados. E isso será calculado em um média em relação a tudo que é devido ao atleta em um ano, incluindo bônus. Deve valer para casos internacionais.

“Isso terá um efeito para transferências internacionais porque cada regulação do país vale internamente. A Fifa não tem como mudar a Lei Pelé (a Lei Pelé estabelece três meses de atraso para a rescisão)”, contou o advogado Marcos Motta, que participa de painéis para discussão do tema. “A norma da Fifa não falava em número de meses em atraso até hoje. Havia uma jurisprudência de três meses por conta de uma decisão do CAS em caso de 2001, baseada na Lei Pelé.”

Neste caso, um jogador brasileiro que queira sair de um clube com atraso de salários teria o prazo menor de dois meses caso fosse se transferir para o exterior, e para o Brasil seguiria de três meses. Falta confirmar que de fato esse item só valerá para transações para o exterior porque às vezes a Fifa estabelece exceções válidas dentro do país.

Outra modificação é que a Fifa dará mais poder ao juiz de primeira instância de suas câmaras para estabelecer punições a clubes caloteiros em transferências. Pela regra atual, o árbitro da primeira corte só pode mandar o clube pagar e na segunda instância que são determinadas as penas. Agora, as sanções serão muito mais rápidas do que atualmente quando ficam anos em tribunais da federação.

Pelo texto, se o clube não pagar em 45 dias, o juiz já poderá banir o clube de registrar novos jogadores por até três janelas de transferências. “Isso reflete um pleito de vários anos dos advogados que foi absorvido pela Fifa. Veja o caso de Hernane que até hoje o Flamengo não recebeu”, contou Motta, que é o advogado do time rubro-negro neste procedimento, venceu em todas as instâncias, mas o clube Al Nassr não pagou e só foi punido após dois anos.

Clubes brasileiros como o Cruzeiro têm R$ 50 milhões em dívidas por transferências internacionais não pagas, mas os processos ainda correm. No novo cenário, não haverá como protelar e o acordo terá de ser feito mais rápido sob o risco de punição imediata.

Mais uma novidade foi a introdução de punições a clubes por eventuais assédios esportivos aos jogadores. Quando se fala em assédio, não se trata de tentar contratar time de outro time, e, sim, de tratar injustamente o atleta. São casos que se enquadram nisso mandar o atleta treinar em separado de forma humilhante, ou em condições que lhe são lesivas, por exemplo. Neste caso, ele poderá pedir rescisão.

Outra mudança na legislação da Fifa será relacionada a métodos para calcular compensação por rompimento de contrato. No caso do clube romper, tem que ser pago o restante do contrato. Uma compensação adicional de três meses pode ser determinada dependendo das condições do rompimento.

A outra parte das mudanças da legislação de transferência da Fifa são ideais do presidente da entidade, Gianni Infantino, de tentar reduzir o poder de superclubes e de agentes poderosos de atletas. Sua proposta com 11 pontos prevê tetos salariais e de comissões para empresários, limitação de empréstimos de atletas, fim de uma das janelas de transferências, regras financeiras mais duras.

Só que essa ideia causa resistência entre clubes e agentes de futebol. Por isso, a discussão vai continuar entre os participantes do mercado até se chegar a algo próximo de um consenso.


Proposta por Mundial de Clubes prevê R$ 12 bi para Conmebol e times
Comentários Comente

rodrigomattos

A proposta de um grupo de investimento à Fifa para comprar os direitos do Mundial de Clubes e da Liga das Nações prevê US$ 3,5 bilhões (R$ 11,9 bilhões) para a Conmebol por 12 anos. Esse dinheiro certamente teria de ser distribuído com associações nacionais e clubes de futebol que participassem da competição. Europeus ficariam com uma fatia ainda maior.

Durante reunião de cúpula da Fifa, no mês passado, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, apresentou a proposta do fundo de US$ 25 bilhões (R$ 80 bilhões) por 12 anos dos direitos do Mundial de Clubes e da Liga das Nações. A informação foi revelada pelo “New York Times”.

Infantino não quis dizer durante a reunião quem seria o responsável pela proposta. Mas, posteriormente, o “Financial Times” revelou que o líder do consórcio é o Soft Bank, do Japão, que reuniria investidores da China, Arábia Saudita, EUA e Emirados Árabes.

A proposta envolve todos os direitos de televisão e marketing por quatro campeonatos Mundiais de clubes e quatro Liga das Nações, competições que seriam criadas envolvendo todas as seleções do mundo. Essa foi informação obtida pelo blog já que o acordo até 2032. Há outra informação de que a oferta poderia incluir só três campeonatos.

O novo Mundial de Clubes pensado por Infantino seria realizado de quatro em quatro anos, a partir de 2021, com 24 times, no espaço antes destinado à Copa das Confederações. A “Reuters” informou que seriam quatro vagas e meia para América do Sul, o que incluiria os quatro campeões da Libertadores do quadriênio e mais uma vaga a ser disputada com Oceania. Outras 12 vagas iriam para a Europa.

Pelo que apurou o blog, a promessa é de que seria distribuído US$ 8,5 bilhões do total das receitas para a UEFA e seus times. Outros US$ 3,5 bilhões seriam dados para a Conmebol.

Obviamente, as confederações continentais teriam de decidir para onde iria o dinheiro. Isso representaria quase US$ 300 milhões por ano para serem dividido na confederação sul-americana, quase o valor que a entidade ganhará por toda a Libertadores em 2019. Os clubes campeões certamente teriam um incremento significativo de receita ao disputar o Mundial que hoje dá menos de US$ 10 milhões. Há a informação de que, das receitas do Mundial, 75% iriam para os times.

Todo o negócio seria controlado por uma joint-venture com a Fifa com 51% das ações e o investidor com 49%. Esse dado, além do investidor ser mantido de forma anônima, gerou controvérsia entre dirigentes do Conselho da Fifa que ouviram a proposta de Infatino. Afinal, a Fifa se tornaria sócia de bancos, o que poderia gerar consequência inimagináveis.

Outra questão é que os clubes europeus já ofereceram resistência ao novo formato do Mundial de Clubes proposto por Infantino. Uma carta da associação de times europeus, também revelada pelo “New York Times”, questionou o plano do presidente da Fifa, assim como outra manifestação da Premier League.

Portanto, não será de fácil implantação a ideia de Infatino, embora a proposta oferecida, se oficializada, seja um trunfo ao seu favor. Ainda não há data para o presidente da Fifa apresentar novamente a oferta ao Conselho da Fifa para que seja votada, mas é certo que o assunto voltará a pauta.


Após Brasil-2014, Fifa cria regra contra elefantes brancos na Copa
Comentários Comente

rodrigomattos

Após exigir estádios que se tornavam ociosos, a Fifa criou uma regra para impedir que países-sede usem arenas que vão se transformar em elefantes brancos após a Copa do Mundo. O exemplo mais recente foi do Brasil-2014 que produziu quatro estádios para o evento que hoje têm pouquíssima utilização, fora outros com problemas. Agora, um país-sede pode perder a chance de receber a Copa se seus planos indicarem arenas que futuramente estarão vazias.

Sempre foi prática da diretoria da Fifa exigir de países estádios dentro de seu alto padrão sem se importar como o que aconteceria depois. Foi assim na África do Sul-2010, no Brasil-2014 e ocorre o mesmo na Rússia-2018. Possivelmente, o Qatar-2022 terá arenas ociosas se não as desmontar.

Para a escolha da sede de 2026 – os candidatos são EUA/México/Canadá e Marrocos -, a federação internacional criou um critério técnico para a avaliação dos candidatos. As diretrizes das regras foram aprovadas pelo Conselho da Fifa em outubro de 2017. A divulgação de seus detalhes só aconteceu agora em março de 2018.

Pois bem, pelas regras, a infraestrutura conta 70% na avaliação, sendo 35% apenas relacionado a estádios. Cada projeto de estádio apresentado ganhará uma nota de 0 a 5, tendo de atingir a nota mínima de 2. Sem a nota mínima, será eliminado antes da votação na assembleia da Fifa. E um dos pontos mais relevantes é a possibilidade de subutilização da arena após o Mundial.

“Mais do que isso, a Fifa deseja evitar a ocorrência dos estádios “elefantes brancos” – referindo-se a projetos de estádios custosos (em termos de construção e manutenção) considerados desproporcionais para sua frequência e uso e valor de legado”, explica o documento da Fifa.

Há uma fórmula para calcular a possibilidade de um estádio virar elefante branco. A Fifa contratou um estudo do instituto CIES que fez um levantamento na média de público em estádios europeus e fora da Europa. A pesquisa incluiu o Brasileiro da Série A, além de outros cinco campeonatos não europeus.

Com esse estudo, foi constatado que o tamanho da população de uma cidade tem relação com a média de público. Fora da Europa, um estádio só tem média de público de 19 mil se tiver mais de 5 milhões de pessoas na cidade. Cidades com até 1 milhão de habitantes têm arenas com média de público em torno de 10 mil pessoas.

Diante desses números, se o estádio for 50% maior do que a média de público prevista pelo estudo, a autoridade da arena tem que explicar como vai gerar público. E, sem justificativa plausível, a Fifa classificará aquele estádio como de alto risco para se tornar elefante branco e ele terá nota abaixo de 2, tendo grande chance de desclassificação.

Arena Amazônia, Arena Pantanal, Arena das Dunas e Mané Garrincha todos não passariam pelo novo critério da Fifa. Na realidade, mesmo estádios como Arena Pernambuco, Fonte Nova, Mineirão e Maracanã  também não atenderiam o critério, embora tivessem justificativas por conta de ter times importantes em suas sedes. Pelo novo critério da Fifa, um terço dos estádios da Copa-2014 seria provavelmente excluído da competição, não teria sido construído e não iria gerar o prejuízo para o Estado.

Na época, o então secretário-geral da Fifa Jérôme Valcke pressionou o Brasil a realizar rápido os estádios no padrão da Fifa, embora a decisão por mais sedes tenha sido do país. Valcke e o ex-presidente Joseph Blatter foram excluídos da entidade por receber pagamentos indevidos. Na eleição, ganhou Gianni Infantino, que criou as novas regras.

Agora, não há também obrigação de garantia do governo, nem de isenção total de impostos como fez o Brasil. Mas a Fifa recomenda que seja dado desconto nas taxas, o que vai melhorar a candidatura aos olhos dos eleitores da entidade. Na prática, um alto nível de perdão de impostos deve ocorrer, embora talvez não de forma absoluta.

Neste novo critério da Fifa, os EUA, México e Canadá levam enorme vantagem sobre Marrocos. Já têm estádios prontos (o que conta a favor) e têm atividade esportiva constante para suas arenas. Há reclamações do país africano de ter sido prejudicado com as regras, segundo o site “Inside World Football”.

Fato é que, no novo processo, o Brasil teria de passar por um escrutínio técnico para ter sua candidatura referendada, mesmo sendo única. Em 2007, a CBF apresentou uma candidatura com dados errados, incompletos e com projeções completamente equivocadas (todos os estádios teriam investimento privado e seria gasto pouco mais de US$ 1 bilhão nas construções). Mesmo assim, a Fifa aprovou sem questionar, com elogios.

 

 


Por manter Del Nero, Brasil é um dos lanternas em investimento da Fifa
Comentários Comente

rodrigomattos

Sob a administração de Marco Polo Del Nero, a CBF se tornou uma das federações nacionais lanternas em repasses recebidos da Fifa para projetos de desenvolvimento do futebol, deixando de receber R$ 7,5 milhões que seriam destinados ao país. Na América do Sul, só supera a Venezuela em dinheiro dado pela entidade mundial. A Fifa interrompeu o envio de recursos ao Brasil porque o dirigente máximo do país está envolvido em acusações de corrupção, e atualmente suspenso de forma provisória até seu julgamento.

O chamado “caso Fifa” estourou em 2015 com a prisão de José Maria Marin, antecessor e aliado de Del Nero na CBF. No final do ano, o Departamento de Justiça dos EUA informou que Del Nero também era acusado de receber propinas em contratos da CBF e da Conmebol. A partir daí, o Comitê de Ética da Fifa abriu procedimento contra o presidente da confederação que renunciou ao cargo no Comitê Executivo da entidade.

Outra medida da Fifa foi bloquear recursos para CBF seja do programa de legado da Copa (US$ 100 milhões), seja do programa de Fundos de Avanço para o Futebol. Um relatório financeiro da Fifa divulgado nos últimos dias mostrou quais federações nacionais foram beneficiadas com esse programa. E o Brasil está entre os lanternas.

Pelo documento, a CBF recebeu US$ 200 mil (R$ 658 mil) de fundos nos anos de 2016 e 2017, 8% do previsto no total que era de US$ 2,5 milhões (R$ 8,3 milhões). Ou seja, o Brasil perdeu cerca de R$ 7,5 milhões em investimentos em projetos de futebol só para manter Del Nero na cadeira de presidente. Em seu documento, a Fifa explica: “Aquelas associações membros sob sanção ou suspensão não são elegíveis para receber fundos do programa de avanço.”

Na América do Sul, apenas a Venezuela, país que atravessa crise econômica e institucional, ficou atrás. O país recebeu 4% da renda prevista, em um total de US$ 100 mil. No continente, a média é de que os países tenham recebido 52% da verba prevista. Até federações nacionais que atravessaram crise política como a AFA (Associação de Futebol Argentina) conseguiram receber repasses de US$ 1 milhão no período.

Comparada com o mundo, a CBF também está entre os lanternas. Em média, a Fifa distribuiu 51% dos investimentos previstos em um total de US$ 297 milhões nesses dois anos. Ficaram atrás do Brasil por conta de problemas de organização ou suspensão os seguintes países: Sudão do Sul, Sudão, Nigéria, Líbia, Iêmen, Síria, Arábia Saudita, Paquistão, Kuait, Coreia do Norte e Guatemala. Algumas dessas nações passavam por conflitos sérios que impediam o desenvolvimento de programas esportivos. No caso do Brasil, a questão foi manter um presidente acusado de corrupção.

Em sua campanha pela chapa única, o diretor-executivo da CBF, Rogério Caboclo, prometeu a federações estaduais que o Brasil voltaria a receber recursos da Fifa, pois sua eleição facilitaria principalmente a liberação do dinheiro do legado. Teoricamente, esses recursos serão destinados a Estados que não receberam a Copa do Mundo, sendo usados na construção de centros de treinamento para desenvolvimento do futebol.

O blog não encontrou em nenhuma parte do orçamento da Fifa para 2019-2022 a previsão desse investimento de forma clara. Foi uma promessa do ex-presidente da Fifa Joseph Blatter durante a Copa-2014. Mas, com o congelamento do dinheiro pelo caso Del Nero, só um centro de treinamento foi feito no Pará.

Atualmente, a Fifa tenta se recuperar de problemas financeiros causados pelo escândalo de corrupção. Ainda fechou com déficit de US$ 189 milhões no ano de 2017, o terceiro seguido no vermelho. Só que, como 2018 é ano de Copa do Mundo e o de maior ganho para a entidade, a previsão é de que encerre o ciclo de quatro anos com superavit de US$ 100 milhões. A vantagem da Fifa é que tem reservas em torno de US$ 1 bilhão, o que amenizou a fase difícil.

Leia também:


Novo Mundial de clubes só fará sentido com limites para gigantes europeus
Comentários Comente

rodrigomattos

Há duas discussões paralelas dentro da Fifa que têm uma grande relação entre elas: mudanças no Mundial de Clubes e nas regras de transferências para jogadores. A renovação da competição de times da entidade só fará sentido se houver uma reforma no mercado de transações que limite o poderio dos gigantes europeus. Por enquanto, a cúpula da Fifa teve de recuar em relação ao novo Mundial justamente por pressão dos times do velho continente.

As duas discussão estão na mesa da Fifa, mas não tiveram nenhum avanço na reunião do Conselho da entidade em Bogotá. O “New York Times” revelou que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, teve de desistir de definir seu novo Mundial agora após cartas da associação de clubes europeus e da Premier League, que o criticaram por tomar decisões sem ouvi-los.  Também há resistência europeia a certas mudanças nas transferências.

É bem provável que os dois pontos fiquem para depois da Copa da Rússia-2018. Certo é que há urgência, e que não adianta resolver uma questão sem tratar da outra.

Primeiro, a Fifa percebeu que o Mundial de Clubes é pouco atrativo e gera déficit financeiro em seu formato atual. Neste modelo, deve acabar em 2018. A proposta é substitui-lo por um competição quadrienal com 24 equipes, boa parte delas europeia e sul-americana.

Neste cenário, haverá até competição entre equipes em vez da previsibilidade do Mundial atual. O problema é que domínio europeu permanecerá, com seus orçamentos gigantescos perto dos sul-americanos, e mais ainda dos outros continentes.

Uma busca de um maior equilíbrio – ainda que os europeus se mantenham favoritos – passa justamente pela discussão da janela de transferências. Infantino tem uma proposta de limitar o poderio financeiro dos gigantes europeus.

São três ideias principais: impedi-los de contratar grandes números de jogadores e reemprestá-los pelo mundo como uma reserva de mercado; criar tetos salariais com limitação percentual à receita ganha; e acabar com uma janela de transferências. Em paralelo, a Uefa também tem medidas para obrigar o uso da base e limitar o elenco a ser usado em competições.

Na outra ponta, a Fifa pensa em aumentar o ganho de clubes formadores nas transferências, o que incrementaria as receitas de times principalmente da América do Sul e da África. Assim, tiraria dinheiro que fica na Europa para dar a outros continentes. Isso poderia ser até feito de forma mais radical do que pensa a Fifa, dando 10% aos formadores (a entidade pensa em 7%) porque são eles que trabalham os atletas em seus inícios de carreira.

Obviamente essas medidas não seriam suficientes para igualar a disputa entre um time brasileiro e um Barcelona, por exemplo. E sofrerão bastante resistência dos supertimes europeus. Mas, associadas ao potencial de crescimento da Libertadores, poderiam ser eficientes para reduzir significativamente o abismo atual.

Lembre-se que há cerca de dez ou 15 anos era bem possível (ainda que fosse uma zebra) para um time sul-americano bater o campeão europeu. Agora, isso é tratado quase como um milagre. A Fifa não deve reprimir o livre mercado, mas tem obrigação de regulá-lo.

Se a Fifa de fato quer ter um Mundial de Clubes atrativo, precisa considerar essa questão do equilíbrio. Ou então é melhor acabar de vez com a competição e aceitar que os times europeus viraram uma espécie de NBA do futebol. Só que isso não é positivo para o desenvolvimento do futebol mundial.

 


Fifa aprova uso do árbitro de vídeo na Copa da Rússia
Comentários Comente

rodrigomattos

O Conselho da Fifa aprovou o uso do árbitro de vídeo na Copa da Rússia-2018, em reunião em Bogotá. É a confirmação oficial de que haverá tecnologia pela primeira vez no Mundial nesta edição.

No início de março, a IFAB (International Board) tinha determinado todas as regulações do árbitro de vídeo para uso no futebol, abrindo caminho para utilização na Copa. Faltava a aprovação final da Fifa, que era dada como certa dentro do Conselho, e ocorreu nesta sexta-feira (16).

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, é entusiasta do árbitro de vídeo. O mecanismo vem sendo testado nas principais competições da entidade, Copa das Confederações e Mundial de Clubes. O objetivo era justamente que estivesse afinado para a Copa-2018.

“A Fifa, quando tomou essa decisão, foi unânime. O Conselho já havia tomado essa decisão. Hoje também foi unanimidade.
Importante dizer mais uma vez: não tomamos essa decisão acordando hoje. Estamos realmente estudando. Talvez eu tenha sido o mais cético de todos. Mas não temos como saber enquanto não provar”, justificou Infantino em entrevista concedida após a reunião do Conselho da Fifa, na Colômbia.

“Sem o VAR, um árbitro comete um erro importante a cada três jogos. Com o VAR, ele comete um erro importante a cada 19 jogos. Isso é um fato. A porcentagem de acerto dos árbitros sem o VAR é de 93%, o que é excelente. Com o VAR, é de 99%”, analisou o presidente da Fifa. “Não é possível que, em 2018, todos no estádio ou em casa, saibam em alguns segundos se o árbitro cometeu um erro ou não. O único que não sabe é o próprio árbitro”, completou o dirigente.

O sistema criado pela Fifa para o árbitro de vídeo prevê que a tecnologia só seja usada em lances que não tenham subjetividade, isto é, interpretação. O sistema deve ser acionado para lances capitais como pênaltis, impedimentos resultantes em gol ou agressões não vistas pelo juiz de campo.

Pelo modelo adotado, o árbitro que está à frente do vídeo poderá indicar para aquele no gramado um equívoco cometido. Há ainda a possibilidade de o juiz no campo requisitar para analisar as imagens quando tiver dúvida. Times não podem reivindicar revisão de jogadas. De qualquer maneira, será o árbitro que controla o jogo quem tomará a decisão final sobre o lance.

Oito maneiras em que o árbitro de vídeo pode mudar o futebol