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CBF cobra por árbitro de vídeo valor maior do que transmissão top da Globo
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Teste de árbitro de vídeo (Divulgação/CBF)

O preço cobrado pelo CBF pelo árbitro de vídeo da Série A é superior à mais cara transmissão da Globo feita com produtores independentes. Não houve concorrência aberta no mercado, mas uma tomada de preço com empresas especializadas.

A confederação ressalta que o projeto inclui diversos custos como adaptações de estádios, importação de equipamentos e operadores. Produtores de televisão que não foram procuradores pela CBF dizem que seria possível fazer bem mais barato.

Durante o Conselho Técnico da Série A, a CBF apresentou uma conta entre R$ 40 mil e R$ 50 mil por jogo pelo árbitro de vídeo. No total, cobrou R$ 500 mil por clube por um turno, valor correspondente aos R$ 50 mil por partida. No total, avaliou por R$ 20 milhões o pacote anual para todos. O custo foi o principal motivo apontado por clubes para recusarem o item.

O chefe de arbitragem da confederação, Marcos Marinho, contou ter feito levantamento com três empresas. Não houve concorrência, como acontecerá na Copa do Brasil. As imagens usadas seriam na maior parte da TV Globo porque têm de ser as imagens da transmissora oficial.

O blog obteve a tabela da Globo para produtores independentes na transmissão de jogos. Sem necessidade de deslocamentos, os preços variam de R$ 22 mil a R$ 42,3 mil por jogo, sem necessidade de áudio (o árbitro de vídeo não precisa). São quatro tipos de pacotes, variando número de câmeras e equipamentos.

No premium, há 13 câmeras de HD, e outros 11 itens de recuperação de slow, caminhão de unidade móvel, etc. Tudo isso seria usado no árbitro de vídeo.

Donos de duas produtoras ouvidos pelo blog, que não quiseram se identificar por medo represálias, disseram que o VAR pode ter especificidades, mas, basicamente, necessita de aparelhos similares aos das TVs. Na avaliação inicial de um dos produtores, seria possível baratear a operação a até pelo menos R$ 25 mil, metade do preço da CBF, sendo necessário analisar os dados.

Nenhum dos dois produtores, que trabalham para a Globo e para o Esporte Interativo em praças no Sudeste, Nordeste e Sul, foi procurado pela CBF. No mercado, a informação é de que apenas a produtora Broadcast TV, que é de fato uma das mais qualificadas do país, foi abordada pela entidade para cotar preços. É também uma das mais caras.

A Globo ainda é no Brasil a emissora conhecida por pagar mais aos produtores independentes. A Esporte Interativo chega a fazer jogos com custo de R$ 20 mil.

A confederação diz ter feito “uma tomada de preço com empresas especializadas e atuantes do mercado, que realizaram seus orçamentos baseados no escopo completo do projeto, operação e logística para a quantidade de jogos estabelecida, levando em conta especialmente as dimensões continentais do Brasil e as viagens decorrentes!”

Ao explicar o tamanho do projeto, a confederação ressalta que foram avaliadas pelas empresas as “intervenções necessárias em todos os estádios da Série A, a montagem das estruturas jogo a jogo, a capacidade de investimento em equipamentos próprios, a importação do material, desembaraços e questões aduaneiras, o sistema para recepção das imagens, o valor da mão de obra especializada para operar estes equipamentos, bem como seguros e manutenção.”

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Vasco tem maior parte de cota da Globo em 2018 já antecipada por Eurico
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A nova diretoria do Vasco terá de lidar com uma situação financeira delicada: a maior parte ou toda a cota da Globo por direitos de transmissão de 2018 foi recebida de forma antecipada pelo ex-presidente Eurico Miranda. Há ainda comprometimento de receitas de TV de 2019 do novo contrato. Esse novo acordo só pode ser obtido com a Globo porque não estava no clube.

A informação sobre a antecipação das cotas de TV do Vasco foi confirmada pelo presidente Alexandre Campello. “Tem um valor significativo antecipado de TV de 2018 e 2019. Um comprometimento importante. Não dá para precisar quanto porque é dividido por parcelas”, revelou o dirigente.

O contrato de televisão é a principal fonte de renda vascaína, representando cerca de 80% do total ou R$ 165 milhões, segundo o último balanço de 2016. No último documento financeiro do Vasco, o registro de antecipações da Globo era de R$ 14,3 milhões. Mas está claro que esse valor subiu bastante em 2017.

“Sei que tem antecipação. O grosso do dinheiro já foi antecipado. Junto à Globo, soubemos que quase tudo de 2018 já foi recebido. Tem uma nova folga no novo contrato (válido até 2019)”, contou o vice-presidente de Finanças vascaíno, Orlando Marques. “Queremos validar todos essas dados com documentos para ter confiabilidade. Mas é verídico.”

Há ainda outra questão: o clube ainda tem problemas com as cotas de 2019. “Pelo que sabemos, já tinha sido assinado (contrato de 2019). Foi assinado. Não temos o contrato ainda. Eurico fazia uma gestão muito individualizada. Estamos buscando.” Após a publicação do post, a Globo informou já ter entregue ao presidente Campello todos os contratos de TV do clube a partir de 2019.

Isso não significa que o Vasco não vá receber nada da Globo em 2018. Há cotas variáveis como as de Pay-per-view que são pagas só depois das vendas, e por isso, a emissora não costuma antecipar.

Não é a única receita comprometida vascaína. Orlando Marques informou que o clube já recebeu os pagamentos pelas transferências de Mateus Vital e Madson, que giravam em torno de R$ 10 milhões. Segundo o dirigente, a informação é de que o dinheiro foi usado para pagar despesas e dívidas.

Campello ressalta que caberá ao Vasco buscar receitas novas. Acertado por Eurico Miranda, o contrato com a Lasa, empresa do ramo famacêutico, está ainda em análise pela nova diretoria. A intenção é verificar se há condições ou cláusulas que podem prejudicar futuramente o clube. Por isso, o jurídico analisa antes de confirmar o compromisso.

Retificação: o texto informou inicialmente que o Vasco ainda não tinha acesso aos contratos da Globo de 2019, mas posteriormente a Globo informou já ter entregue os documentos que não estavam no clube.


CBF se abre a propostas para saber quanto vale o Brasileirão no exterior
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A CBF realiza uma disputa informal entre agências para avaliar e negociar os direito de transmissão no Brasileiro no exterior a partir de 2019. Os clubes deram à entidade uma autorização para fazer essa negociação já que a Globo desistiu de comercializar o campeonato lá fora.

O problema é que o valor arrecado com o Nacional no exterior costuma ser bem pequeno comparado com o que se ganha no país. A ideia da CBF ao contratar uma agência é justamente fazer um trabalho para avaliar mercados potenciais e formas de comercializar o campeonato com maiores vantagens. O foco é em aumentar a exposição da competição.

Está previsto que cinco ou seis agências de marketing esportivo entreguem propostas de comercialização do Nacional até a próxima sexta-feira. Ou seja, não há critérios definidos como uma licitação em que os concorrentes marcam pontos em cada item. Com todas as propostas na mão, a CBF vai avaliar qual é a melhor de negociar o campeonato.

Dificilmente haverá uma agência que se arrisque a propor um valor garantido alto pelo parco interesse no Brasileiro fora do país. Por isso, a proposta deve envolver uma forma de dar maior visibilidade ao campeonato em outros territórios.

O baixo valor obtido pelo Brasileiro no exterior se deve a vários fatores: falta de uma marca consolidada, promoção pequena da competição, calendário desorganizado, ausência de estrelas internacionais nos times, fuso-horário ruim. Essa é a avaliação de uma fonte envolvida no processo. Além disso, a Globo continuará a deter o direito de exibir os jogos em seu canal internacional.

Por isso, haverá estudos inclusive para saber se o melhor é comercializar por meio de venda do ativo para redes de televisão ou se pode se usar outras plataformas como a internet. Algumas ligas como a NBA e a de beisebol já têm comercialização por assinatura paga na rede. Outra questão é a de construção de marca do Brasileiro lá fora, que é feito de forma fragmentada por isso.

É exatamente por conta dessas dificuldades que a Globo desistiu de renovar os contratos sobre os direitos internacionais do Brasileiro na negociação dos novos contratos em 2016. A emissora ficou com esses direitos e suas vendas apenas até 2018 quando já realiza o processo.

A partir daí, a CBF reuniu todos os clubes no ano passado e se propôs a realizar essa comercialização do Nacional. Os clubes da Série A assinaram, então, uma cessão à confederação dos seus direitos para realizar a negociação. Mas, no caso de haver uma proposta fechada pelos direitos, os clubes terá de aprovar a venda do campeonato em posterior contrato.

 


Com negociação difícil com Globo, clubes podem usar garantia da Turner
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Após dois anos da disputa por direitos de TV do Brasileiro, boa parte dos clubes que assinou com o Esporte Interativo continua com a negociação travada com a Globo em relação à TV Aberta em 2019. Assim, há times que já estudam exercer uma cláusula de garantia do Esporte Interativo de que pagaria por esses direitos caso não houvesse acordo com outra emissora. Essa decisão será tomada até o segundo semestre deste ano.

Em 2016, Globo e Esporte Interativo disputaram os direitos de TV Fechada do Nacional, com luvas e propostas de modelos novos de distribuição de dinheiro. Na tabela do Brasileiro-2018, a Globo tem 13 clubes para a TV Fechada e o Esporte Interativo, sete.

A questão é que ficaram sem definição de direitos de TV Aberta desses times acertados com a Turner, além do São Paulo que se acertou só com o Sportv. A Globo tem conversado com essas equipes. No final do ano, por exemplo, houve encontros com dirigentes do Bahia e Palmeiras durante o sorteio da Libertadores.

A questão é que há clubes como o baiano, o Santos, o Atlético-PR e o Coritiba que não ficaram satisfeitos com a proposta da Globo. O modelo apresentado pela emissora é igual ao para outros clubes, com 40% fixo em partes iguais, 30% por exibição e 30% por premiação por posição.

Dirigentes de times avaliam que esse valor pode ser menor do que o do atual contrato de TV Aberta do Brasileiro. Explica-se: para atingir a proposta do Esporte Interativo, a Globo redistribuiu o total oferecido aos clubes, deslocando parte do dinheiro da Aberta para a Fechada. Resultado: quem fechar só na Aberta terá um bolo menor do que o atual. Outro ponto levantado é que o total que receberiam ficaria nas mãos da emissora que decide quantas vezes exibe cada equipe.

Em contraponto, a Globo argumenta que adotou exatamente o modelo proposto por vários clubes. Mais: alega que o critério de exibição é justo por ser baseado nas aparições na TV. Esse tipo de cláusula por mérito é utilizado em contratos de várias ligas, na versão da emissora.

Com isso, os clubes estudam se é mais vantagem exercerem a cláusula de garantia da Turner. Segundo apurou o blog, há a garantia de que o Esporte Interativo compra os direitos de TV Aberta de cada clube por R$ 18 milhões. Terão de fazer contas para saber qual o negócio mais vantajoso.

Neste caso, a Turner poderia revender os direitos de TV Aberta para uma emissora, ou simplesmente manter a exclusividade sobre esse jogos na TV Fechada. O Esporte Interativo entende que o valor estava previsto no contrato, então, já faz parte da conta estimada para compras de direitos.

Até o segundo semestre, haverá essa queda de braço entre os clubes com a Globo. Do lado da emissora, se não fechar com esses times, terá reduzida a sua disponibilidade para escolher jogos na TV Aberta. Do lado das equipes, terão de estudar qual o melhor negócio financeiro.


Conmebol prevê rodízio de times na TV aberta na Libertadores-2019
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O modelo traçado pela Conmebol para a Libertadores a partir de 2019 prevê um rodízio de times na TV aberta nos países, evitando que uma emissora só passe uma ou duas equipes. Essa regra deve entrar nos temos da concorrência de televisão da competição. A informação deixou a Globo contrariada por entender que o campeonato perde valor.

Historicamente, a emissora brasileira tem priorizado jogos de Flamengo e Corinthians na TV Aberta. Escolhe uma partida de um para o Rio e outra para São Paulo para obter maiores audiências. E isso se repete na Libertadores-2018.

Só que a diretoria da Conmebol prepara uma concorrência pelos direitos de televisão da Libertadores com regras que tiram das emissoras o poder de interferir na tabela. Assim, a confederação determinaria o cronograma de jogos e as televisões teriam de se adaptar. E só há previsão de um jogo por semana na TV aberta, e não dois como hoje em dia.

Mais: o modelo proposto prevê um rodízio de jogos de times. Se esta ideia for posta em prática, não serão mais marcados todos os jogos de Flamengo e Corinthians, por exemplo, para quarta-feira para serem transmitidos na aberta. Eles iriam variar nos dias disponíveis, terça, quarta e quinta, e nas mídias, aberta e fechada.

Isso não está previsto só no Brasil: o objetivo será replicar o mesmo modelo para a Argentina. Desta forma, a Conmebol não dá às TVs locais a garantia de que haverá sempre jogos de Boca Juniors e River Plate em seu pacote.

A intenção é dividir em três pacotes: 1) TV aberta com um jogo por quarta-feira 2) TV fechada com prioridade de escolha de jogos 3) Outra TV fechada com segunda prioridade 4) um pacote de apenas um jogo por semana em dia separado. Esse último pacote é inspirado na NFL, tipo Monday Night Football: seria um jogo isolado.

A Globo foi informada da intenção da Conmebol e ficou contrariada. A avaliação da emissora é que a mudança da confederação sul-americana vai afetar o valor do pacote de TV aberta para o Brasil. Ou seja, se  não puder escolher o jogo que quiser na Aberta, terá menos audiência e poderá pagar menos para a confederação sul-americana.

Esse modelo idealizado pela Conmebol tem aval da cúpula da entidade. Mas, claro, se não houve aceitação comercial pode sofrer modificações durante a concorrência conduzida pela entidade juntamente com a IMG e a Perform, que ganharam a licitação para serem as agências oficiais da Libertadores. A intenção é que as regras definitivas sejam conhecidas até fevereiro ou março. A Globo e outras emissoras serão concorrentes.

Há forte intenção da Conmebol de alterar o modelo de televisão da Libertadores, Tanto que, além de assumir a tabela, a confederação também prevê fazer todas as filmagens e transmissões, repassando para as televisões as imagens padronizadas. É outra questão que preocupa a Globo por conta de qualidade das imagens e porque assim os patrocinadores da confederação serão privilegiados, em detrimento dos da emissora. É provável que seja negociado um meio termo nesses itens.


Conmebol quer jogos da Libertadores-2019 às 21h30 de 4ª e contraria a Globo
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A Conmebol tem a intenção de antecipar o horário do último jogo da noite da Libertadores, passando de 21h50 para 21h30. Esse projeto faz parte da reformulação do campeonato para a edição de 2019 quando a entidade assumirá mais poder na competição. A Globo, que participará da concorrência dos direitos, já foi comunicada e analisaria como isso a afetaria.

A concorrência de direitos de televisão da Libertadores tem previsão de estar pronta até fevereiro. É organizada pela empresas IMG/Perform que ganharam o direito de ser a agência oficial da Conmebol.

Entre as condições, a Conmebol pretende tomar para si prerrogativas que antes estavam nas mãos das televisões. Entre eles, está a organização da tabela da competição.

Atualmente, após o sorteio, há uma reunião entre a confederação sul-americana e as redes de televisões para definir os horários dos jogos. Isso ocorreu nesta quinta-feira com encontro entre dirigentes da Conmebol, Globo e Fox Sports. Até 2015, a Globo tinha a prerrogativa por contrato de que os jogos fossem após às 21h50 com escolha de duas partidas.

O projeto que está sendo traçado pela Conmebol prevê formato bem diferente: a tabela seria feita unicamente pela entidade, sem interferência das televisões. Depois, a confederação repassaria quais os dias e jogos escolhidos para se encaixar nos pacotes que foram comprados pelas emissoras.

Ao antecipar o horário dos jogos das quartas-feiras, a Conmebol pretende atender os torcedores brasileiros. Há a consciência de que o horário das 21h50 é bem tarde e portanto atrapalha a volta do torcedor para casa depois. A intenção é ter três horários fixos de jogos.

A Globo já foi comunicada pela confederação sul-americana e, obviamente, não ficou satisfeita com a ideia. Continuará a haver conversas entre as partes, assim como a Conmebol tem falado com todas as televisões que participarão da concorrência. Resta saber se a Conmebol manterá sua intenção de tomar o poder sobre a tabela e antecipar jogos como sinalizou até agora, o que hoje tem aval do presidente Alejandro Dominguez.


Com Globo e EI, Brasileiro terá premiações totais de até R$ 330 mi em 2019
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Campeão brasileiro em 2017, o Corinthians ganhou uma premiação de R$ 18 milhões pelo título, dinheiro que faz parte do contrato de televisão. Pouco se comparado ao que se ganhará o campeão da Copa do Brasil e até a Libertadores, em 2018. O Nacional só se tornará uma competição forte de distribuição de dinheiro por colocação em 2019 com os novos acordos de televisão.

Com seu novo modelo de cotas, a Globo prevê dar 30% do total do contrato de R$ 1,1 bilhão (TV Aberta e Fechada) por posições no Brasileiro. Ou seja, considerando que tivesse 20 times no campeonato, daria R$ 330 milhões. Atualmente, em 2017, o total de premiação atingiu apenas R$ 63,8 milhões. Haverá um reajuste para 2018 pela inflação.

Em relação aos times com contrato com o Esporte Interativo, também haverá 25% do dinheiro distribuído por posição no campeonato. O canal deve desembolsar R$ 220 milhões se tiver as oito equipes no campeonato (tinha oferecido R$ 550 milhões por 20 clubes). Ou seja, haveria R$ 55 milhões em valores divididos por colocações.

Cada emissora só vai pagar para as equipes com quem tenha contrato, proporcionalmente aos direitos adquiridos. A Globo, por exemplo, vai pagar premiação maior a quem tiver contrato com ela para TV Aberta e Fechada, assim como o Esporte Interativo só pagará aos que tenham vendido seus direitos a eles. Assim, os valores das duas emissoras não se acumulam e é impossível agora saber qual o bolo por premiação.

De qualquer maneira, a previsão é que, a grosso modo, o bolo do dinheiro distribuído por colocação no campeonato seja multiplicado por quatro ou cinco vezes em 2019. Será portanto muito mais importante ficar em posições avançadas na tabela sob o ponto de vista financeiro.

Para se ter ideia, a Globo já fixou o prêmio para o campeão a partir de 2019 e este será de R$ 33 milhões. É mais de 80% superior ao valor destinado ao campeão Corinthians neste ano.

O modelo que incrementa a cota destinada à colocação no campeonato aproxima o Brasileiro do modelo inglês, onde há uma cota fixa, um total por desempenho esportivo e outro com critério de mercado. No caso deste último, a Globo usa o número de exibições na TV e o Esporte Interativo, a audiência.

 


Globo quer validade de contrato da Copa América sob suspeita de propina
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Com Jaime Cimino

A Globo defende como válido um contrato de direitos da Copa América do Brasil-2019 apesar de suspeitas sobre como esse foi obtido após depoimentos relatando propinas na Justiça dos EUA. O depoimento do ex-executivo da Torneos Alejandro Burzado indicou que esse acordo foi fruto de subornos. A Conmebol rompeu a maior parte dos contratos desta época há cerca de uma semana alegando irregularidades.

Em seu depoimento, Burzaco explicou a renegociação sobre os direitos de transmissão da Copa América ocorrida durante a Copa da África do Sul, em 2010. Havia uma disputa sobre o controle das próximas edições da competição entre a Traffic e a Full Play.

Foi alinhavado um acordo entre dirigentes sul-americanos e executivos com previsão de pagamento de US$ 15 milhões em propinas para os cartolas. Mas, para ser válido, dependia de aval dos dois mais poderosos na Conmebol, Julio Grondona (da AFA) e Ricardo Teixeira (da CBF). O argentino informou a Burzaco que Teixeira iria decidir as condições. E, segundo Burzaco, o então presidente da CBF impôs duas exigências:

“Um, neste momento a primeira edição com contrato da Full Play seria em 2015, e que no contrato de 2011 que existia e a edição de 2011 que ocorreria um ano depois da África do Sul, continuaria a incluir o contrato Conmebol Traffic, isto é, que a Traffic iria finalizar a edição de 2011. E a segunda condição era conseguir apoio da Globo e conseguir para a Globo um contrato de longo prazo para o território brasileiro dos direitos da Copa América”, afirmou o Burzaco.

Em seguida, ele relata que fechou um acordo, de fato, em que foi incluído um contato para a Torneos para direitos da Argentina, e outro para a Globo. “Em outras palavras, as condições de obter os direitos para a Torneos para a Argentina e Globo para o Brasil foram preenchidas e os pagamentos de propina então começaram”, completou Burzaco, em depoimento. Ou seja, segundo seu relato, o contrato da Globo para Copa América foi obtido em um contexto de negociação de propina.

Na semana passada, a Conmebol anunciou o rompimento dos contratos da Copa América com a Datisa, empresa que tinha como sócios Torneos, Full Play e Traffic, e concentrara os direitos da competição. Sua intenção é fazer novamente a venda de todos os contratos de televisão. Mas, desde o primeiro semestre de 2017, a Globo apresentou um contrato próprio com a Conmebol pela Copa América que a entidade sequer tinha conhecimento. Não havia cópia na sede da confederação sul-americana.

Consultada, a Globo confirmou que tem um contrato em vigor em relação direta com a Conmebol.

“Sim, temos um contrato em vigor com a Conmebol para a Copa América-2019. O contrato foi assinado direto com a Conmebol, que depois repassou os direitos e obrigações para a Datisa, mas manteve-se solidária no cumprimento das obrigações perante a Globo. Não chegamos a assinar contrato com a Datisa. O nosso contrato com a Conmebol está válido e não temos conhecimento de qualquer propina”, afirmou Pedro Garcia, diretor de Negócios do Esporte do Grupo Globo, por meio da assessoria de imprensa.

 

 


Fifa vai pedir indenização se ficar provada propina de Globo por Copa
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A Fifa vai pedir indenização a responsáveis caso fique provado que houve pagamento de propina pela Globo para obtenção de contratos de direitos de televisão da Copa-2022 e 2030. Em corte de Justiça dos EUA, o ex-executivo da Torneo Y Competencias Alejandro Burzaco afirmou que a emissora brasileira pagou subornos ao ex-presidente da Fifa Julio Grondona para obter esses direitos. A Globo nega ter dado suborno a dirigentes.

O blog perguntou à Fifa o que seria feito em relação ao contrato da emissora brasileira pela Copa após a denúncia. Como tem feito neste processo, a federação internacional afirmou ser vítima de irregularidades denunciadas na corte de Nova York, como já reconhecido na própria Justiça. Em seguida, ressaltou que ainda espera o final do processo para tomar medidas.

“Como o Departamento de Justiça já reconheceu, a Fifa é vítima de alegadas irregularidades que estão sob questão no julgamento. A Fifa fortemente apoia e encoraja as autoridades norte-americanas pelos esforços de responsabilidade os indivíduos que abusaram das suas posições para corromper o futebol internacional para seu benefício próprio. No caso de o juri constatar que os acusados são culpados dos crimes que são acusados, a Fifa vai tomar medidas necessárias para procurar restituição e recuperar qualquer perda causada pelas suas más condutas”, afirmou a entidade em resposta ao blog.

Em relação à conduta do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, a Fifa não quis dar mais informações. O depoimento de Burzaco deu mais detalhes sobre supostas propinas recebidas pelo dirigente da confederação, reafirmando que ele sabia do esquema de subornos da Conmebol. Del Nero já enfrenta um processo disciplinar na Fifa desde o final de 2015, mas não houve conclusão.

Por meio da assessoria, o Comitê de Ética da Fifa afirmou que não comentará casos em curso.

Veja a nota da Globo sobre o tema:

“Sobre depoimento ocorrido em Nova York, no julgamento do caso Fifa pela Justiça dos Estados Unidos, o Grupo Globo afirma veementemente que não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina. Esclarece que após mais de dois anos de investigação não é parte nos processos que correm na Justiça americana. Em suas amplas investigações internas, apurou que jamais realizou pagamentos que não os previstos nos contratos. Por outro lado, o Grupo Globo se colocará plenamente à disposição das autoridades americanas para que tudo seja esclarecido. Para a Globo, isso é uma questão de honra. Não seria diferente, mas é fundamental garantir aos leitores, ouvintes e espectadores do Grupo Globo que o noticiário a respeito será divulgado com a transparência que o jornalismo exige.”

 


Empresa de delator vendia Libertadores à Globo com 7 anos de antecedência
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A empresa controlada pelo executivo que acusou a Globo de pagar propina vendia os direitos da Libertadores à emissora com sete anos de antecedência, tanto que negociara a competição até 2022. Isso é incomum no mercado de direitos em que há valorização constante dos produtos. Os acordos foram rompidos após escândalos contrariando posição da Globo que queria mante-los.

Ex-executivo da Torneos Y Competencias Alejandro Burzaco é réu confesso no caso Fifa na Justiça dos EUA, após admitir ter pago propinas a dirigentes. Em depoimentos nesta terça-feira e quarta-feira, em Nova York, ele acusou a Globo de ter atuado juntamente com ele no pagamento de subornos a dirigentes sul-americanos.

Uma das empresas do grupo de Burzaco era a Torneos & Traffic Sports & Marketing BV, com sede na Holanda. Essa empresa tinha comprado os direitos da Libertadores da Conmebol por mais de dez anos. E mantinha uma relação desde 2004 com a Globo para quem revendia a competição sul-americana.

Em outubro de 2008, a Torneos & Traffic vendeu para a Globo os direitos da Libertadores dos anos de 2015 a 2018. Ou seja, a negociação aconteceu com sete anos de antecedência. Em seguida, em 2012, a T&T negociou novo contrato com a Globo, válido de 2019 a 2022. Assim, era uma transação, de novo, sete anos antes do primeiro campeonato.

Para efeito de comparação, a UEFA faz leilões pelos direitos da Champions League a cada três anos, em geral com um ou dois anos de antecedência. Estaduais também têm vendas de direitos um ou dois anos antes de se extinguir o acordo anterior. O Brasileiro teve sua renegociação de direitos no início de 2016 para acordos válidos a partir de 2019. Não há precedente de sete anos de antecipação, o que dificulta concorrência.

Além disso, o segundo contrato da Globo, previa um direito de preferência sobre a Libertadores que iria até 2026. Ou seja, a emissora teria chance de igualar ofertas de concorrentes e ficar com a competição até lá.

Outro privilégio do contrato é que previa que os jogos seriam marcos preferencialmente às 21h45, isto é, apôs a novela. Como já mostrado no blog, a emissora pagava um valor abaixo do mercado pela competição sul-americana.

Por isso, quando estourou o escândalo de corrupção na Conmebol, a Globo entrou na Justiça contra a Conmebol e a T & T para tentar manter seus contratos obtidos na gestão acusada de corrupção na entidade. Na ação, afirmou sobre a empresa de Burzaco: “A relação entre as partes é de longuíssima data.”

Quem aparecia como representante da Globo no segundo contrato com a T & & era Marcelo de Campos Pinto. Burzaco apontou que Campos Pinto presenciou acerto de subornos com dirigentes brasileiros em reunião na Conmebol. A Globo negou, em seus noticiários, conhecimento de qualquer atuação do executivo neste sentido e de reunião para isso.

Em nota, a Globo negou as acusações de Burzaco. É preciso ressaltar que a empresa não figura entre as acusadas de pagar propina no processo da Fifa até agora. Aqui a nota da emissora:

“Sobre depoimento ocorrido em Nova York, no julgamento do caso Fifa pela Justiça dos Estados Unidos, o Grupo Globo afirma veementemente que não pratica nem tolera qualquer pagamento de propina. Esclarece que após mais de dois anos de investigação não é parte nos processos que correm na Justiça americana. Em suas amplas investigações internas, apurou que jamais realizou pagamentos que não os previstos nos contratos. Por outro lado, o Grupo Globo se colocará plenamente à disposição das autoridades americanas para que tudo seja esclarecido. Para a Globo, isso é uma questão de honra. Não seria diferente, mas é fundamental garantir aos leitores, ouvintes e espectadores do Grupo Globo que o noticiário a respeito será divulgado com a transparência que o jornalismo exige.”