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Arquivo : Globo

Facebook e Esporte Interativo ganham direitos da Champions no Brasil
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O Facebook e o Esporte Interativo ganharam a concorrência dos direitos de televisão da Liga dos Campeões no Brasil a partir de 2018/2019 por mais três anos. O gigante de mídias sociais vai ficar com a TV aberta, substituindo a Globo que não entrou na licitação. Já a Turner mantém os direitos de TV fechada.

O processo ainda não está plenamente concluído com negociações para acertar detalhes. Mas os vencedores já estão definidos e não vão mudar, pelo que apurou o blog. A questão é como será a divisão de jogos das duas plataformas. Há a possibilidade de um acordo entre as partes para dividir os jogos.

A maior surpresa é o fato de a Globo perder os direitos da TV aberta. A competição vinha dando altos índices de audiência, mas a emissora acabou não fazendo proposta para os direitos. A Globo tem investido pesado em outros direitos com o aumento da concorrência: teve que aumentar valores pagos por competição que já tinha como o Brasileiro, Libertadores e Copa do Brasil.

O Facebook assim dá mais uma passo de crescimento no mercado esportivo. Já tinha obtido o quarto pacote de mídia da Libertadores, que representa todos os jogos na quinta-feira e agora avança. A empresa de mídias sociais também disputou a TV aberta da Libertadores com a Globo, chegando a fazer proposta pelo pacote do Brasil, segundo apurou o blog.

A entrada do Facebook no mercado de futebol brasileiro e da América do Sul é uma mudança na política da empresa no país. Inicialmente, informara que não investiria em direitos esportivos. O gigante de mídias sociais é reconhecido pela grande capacidade de alavancar receitas com publicidade, concorrendo com o Google com plataforma midiática que mais atrai anunciantes mundialmente.

Na concorrência da TV fechada, havia a possibilidade de o SporTV fazer uma proposta juntamente com a ESPN, o que não se concretizou. O blog chegou a publicar que isso estava previsto, mas, de fato, não ocorreu. O canal pago do grupo Globo também não entrou na concorrência.

A Turner fez uma oferta e manteve por mais três anos os direitos da competição. Não está claro se houve concorrência nesta parte para a TV fechada.

Pela divisão, só o pacote principal de TV aberta teria direitos sobre a final da Liga dos Campeões. Mas a negociação entre as partes pode transformar essa realidade. Por isso, é difícil saber neste momento como será a divisão de jogos, e se haverá partidas exclusivas. Nem há data prevista para a divulgação do resultado.

 

 

 

 


Globo faz rotação e reduz Corinthians e Flamengo na TV aberta no Brasileiro
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A Globo decidiu reduzir as presenças de Corinthians e Flamengo na TV aberta no Brasileiro-2018, e estabeleceu uma maior rotação entre os times em sua tela. Há dois objetivos: turbinar a presença dos dois clubes no pay-per-view e incrementar receitas; além de estabelecer um maior equilíbrio entre as equipes na exibição pública. Essa política será mantida em todo o Nacional.

Pela tabela do Brasileiro, serão oito jogos de Flamengo e Corinthians na TV aberta em um total de 24 partidas dessas 12 rodadas iniciais. Ou seja, apenas um terço das partidas dos dois clubes (33%), quatro de cada um, passará na Globo nesta primeira parte do Nacional.

Em comparação, o Brasileiro-2017 teve nove partidas de Flamengo e Corinthians na TV aberta nas 10 primeiras rodadas. No total, foram 45% dos jogos na Globo, sendo seis do Corinthians e três do Flamengo. O número de jogos rubro-negros é similar (33% contra 30%), mas isso será compensado durante o restante do Nacional.

A mudança na estratégia global tem como meta uma maior diversidade entre plataformas neste ano. Isso porque rubro-negros e corintianos já têm seus times bastante exibidos em TV aberta na Libertadores.

No Nacional, a ideia é apostar no pay-per-view, inclusive botando os dois times em horários alternativos. Dados apontam que não é apenas o tamanho da torcida que influencia o público a comprar pacotes de pay-per-view: tem de haver muitos jogos exclusivos do seu time neste projeto. Com mais partidas exclusivas, corintianos e rubro-negros tendem a comprar mais esse produto.

Sob o ponto de vista dos clubes, Flamengo e Corinthians passarão a ter a maior parte de sua receita de TV do Brasileiro-2019 atrelado ao pay-per-view. Essa renda vai variar de acordo com o número de adesões de torcedores que se declarem de seus times, o que aumenta seus ganhos. Ao mesmo tempo, deve haver alguma perda no percentual relacionado à exibição em TV Aberta, embora seja um valor menor.

Além disso, há a intenção de atender demandas de outros times como Palmeiras e Santos, cujas torcidas sempre reclamaram de aparecer pouco na TV. No caso palmeirense, há outro fator: o alto investimento tornou o time alviverde mais relevante no cenário nacional e portanto atrativo para torcidas além da sua.

Outra ideia é que o Brasileiro seja um campeonato de interesse pleno para os torcedores, isto é, além dos jogos só do time específico do telespectador. Assim, o objetivo é estimular o torcedor a acompanhar equipes que disputam posição com a sua, ou rivais que interessem.

Ainda não é possível fazer uma avaliação da nova estratégia da Globo sob o ponto de vista de impacto de audiência na TV aberta e receita do pay-per-view. O sistema pago está sob questionamento para 2019 porque clubes como Palmeiras, Atlético-PR, Coritiba e Bahia ainda não assinaram o seu contrato. É um produto prioritário dentro da emissora.

 


Vasco estima ganhar R$ 120 mi a menos do que Fla em cotas da Globo em 2019
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A diretoria do Vasco estima que ganhará menos da metade do valor do Flamengo em cotas da Globo pelo Brasileiro-2019. A informação consta do balanço do clube alvinegro. O modelo de nova distribuição de cotas da emissora foi para reduzir diferenças entre times, mas o cálculo vascaíno é que a vantagem rubro-negra vai aumentar e atingir R$ 120 milhões. Além do modelo, pesa um aditivo ao contrato assinado pelo ex-presidente Eurico Miranda que reduz as cotas do clube cruzmaltino.

Atualmente, o Flamengo já é o clube com maior receita de televisão do Brasil, superando inclusive rivais de outros Estados. Em 2017, ganhou R$ 199 milhões com televisão, contra R$ 97 milhões do Vasco. Mas, neste caso, estão todas as receitas de televisão, incluído o Estadual do Rio em que os dois times recebem igual.

Em seu balanço, o Vasco detalhou todas as informações do contrato assinado com a Globo. Alguns dados básicos eram sabidos: serão pagos R$ 1,1 bilhão aos clubes. Desse total, serão 40% divididos igual, 30% por exibição e 30% por posição no campeonato. Isso fora o pay-per-view.

Nessa conta, a diretoria vascaína prevê que vai ganhar R$ 61 milhões pelos contratos de TV Aberta e Fechada. Outros R$ 34 milhões viriam do PPV, distribuído de acordo com o percentual da torcida de cada time.

A questão é que o documento tem uma estimativa de que o Flamengo abocanhe muito mais pelo Brasileiro-2019. “O maior rival deve passar a receber valores acima de R$ 220 milhões com o novo contrato, o que aumentará a diferença de arrecadação com esses direitos dos atuais R$ 70 milhões para cerca de R$ 120 milhões. Esses valores ainda são estimativas, mas parece inegável que a diferença de receita aumentou substancialmente”, afirma o documento.

A estimativa foi feita com base nas variáveis de PPV, de posições de tabela e exibições de tv, segundo o blog apurou. Além disso, leva em conta que as luvas do rubro-negro foram de R$ 120 milhões e dos vascaínos, de R$ 60 milhões. A diretoria vascaína entende que esses números podem variar, mas que certamente haverá maior vantagem rubro-negra.

O blog não conseguiu confirmar com a diretoria do time da Gávea se as estimativas vascaínas correspondem ao contrato rubro-negro. Mas dirigentes vascaínos tinham informações sobre as diferenças entre os acordos, além das condições gerais que são iguais a todos.

A Globo defende que o novo modelo tornou mais igualitária a distribuição de dinheiro entre clubes, ao estabelecer critérios de meritocracia como a posição no campeonato. Mas há o reconhecimento na emissora que certos fatores tornam diferentes os valores recebidos por cada um como o pay-per-view que é estabelecido pela adesão da torcida.

E há outro aspecto que reduziu as cotas vascaínas. O balanço relata que o ex-presidente Eurico Miranda assinou um aditivo ao contrato com Globo para estendê-lo que reduziu o valor total com a previsão de descontos. Na gestão de Miranda, o Vasco recebeu luvas extras de R$ 12,5 milhões que, na verdade, funcionavam como um empréstimo.

Então, o Vasco perderá durante três anos um total de R$ 36 milhões em descontos do contrato da Globo por causa dessas luvas/adiantamento feito por Eurico. Isso por conta dos juros do período em que o dinheiro foi pego, em 2016, até a época de desconto. Ou seja, o ex-presidente recebeu um dinheiro de forma antecipada que implica em uma perda do triplo do valor no futuro para o Vasco.

 

 


Globo paga por Copa América no Brasil um terço do Paulista: R$ 51 mi
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A Globo pagará por todos os direitos da Copa América-2019 no Brasil R$ 51 milhões – um valor que, comparando com outros torneios transmitidos pela emissora, representa um terço do que foi pago pelo Campeonato Paulista. O dado consta do contrato obtido pelo blog em colaboração com o programa jornalístico “Sin Falta” do Paraguai.

O contrato firmado diretamente entre a Globo e a Conmebol foi assinado em 2010 e envolve duas edições da Copa América (2015 e 2019), mais todos os campeonatos sul-americanos sub-17 e sub-20 do período. Quem assinou pela Conmebol foi o ex-presidente da Conmebol Nicolás Leóz que está em prisão domiciliar no Paraguai por acusações de corrupção no caso Fifa.

Na Justiça dos EUA, o ex-executivo da Torneos Alejandro Burzaco acusou a Globo de pagar propina por direitos da Libertadores e da Copa do Mundo. A emissora nega essas acusações. Há ainda denúncia de que contratos da Copa América obtidos pela Datisa foram fruto de subornos.

Pelo contrato direto entre Globo e Conmebol, a emissora fez uma oferta à confederação pela Copa América e seu comitê executivo aceitou. Ou seja, não houve concorrência como está previsto ocorrer atualmente na confederação. A proposta era de pagar US$ 30 milhões (R$ 102 milhões) por duas edições da Copa América e mais os campeonatos de categorias de base.

Para efeito de comparação, um ano de contrato do Campeonato Paulista vale R$ 160 milhões e o Estadual do Rio tem valor de R$ 120 milhões. Ressalte-se que o Paulista e o Carioca tem 18 datas em TV Aberta com quatro times grandes por quatro meses. A Copa América terá maior visibilidade concentrada com até seis jogos da seleção que todo país assistirá, além de Messi e a Argentina, por um pouco menos de um mês.

Em 2010, época da assinatura do contrato, estava previsto que a Copa América de 2015 seria no Brasil. Posteriormente, houve uma troca com o Chile que ficou com esta edição, e o Brasil se tornou sede de 2019. Ou seja, a Conmebol sabia que estava vendendo sua principal competições de seleção para a maior rede do país.

Ao mesmo tempo, era um período com menor concorrência entre televisões a cabo já que não existia a Fox Sports e o Esporte Interativo não tinha a capacidade de investimento atual. Houve crescimento do valor de direitos esportivos. Em compensação, a Record estava investindo no esporte, pois comprou os direitos da Olimpíada.

Pelo acordo entre a Globo e a Conmebol, a Copa América tem que ter um mínimo de 25 jogos. A Globo já realizou pagamento da maior parte do valor acertado. Pelo acordo, a emissora tem que pagar mais US$ 11 milhões até 30 dias antes da Copa América. O acordo engloba todos os direitos, incluindo internet, TV a cabo e aberta.

Foi dada à emissora brasileira também o direito de preferência sobre renovação do acordo. Isso significa que para a próxima Copa América a Globo terá direito de igualar a melhor proposta de outra TV que tem que ser apresentada pela Conmebol.

A gestão do presidente da confederação sul-americana, Alejandro Dominguez, ficou surpresa com a existência desse contrato com a Globo. Isso porque o documento não constava dos arquivos da entidade, tendo sumido no período dos antecessores. Foi a própria emissora que apresentou o documento.

Com isso, a Conmebol teve restrito os seus direitos de negociação, reduzindo a receita com a Copa América. O contrato da Globo é considerado abaixo do que vale o mercado dentro da confederação que até pensa em negociar um aumento. Após uma licitação, a confederação sul-americana cedeu a MP & Silva a responsabilidade de vender os direitos da Copa América, excluindo o que já fora negociado.

Questionada pelo blog, a emissora defendeu a lisura do contrato: ‘Em 2010, o Grupo Globo negociou de boa-fé os direitos de transmissão da Copa América, edições de 2015 e 2019, em valores de mercado. Nas suas relações comerciais, como aliás, em todas as suas atividades, nada é mais importante para o Grupo Globo do que adotar práticas éticas e transparentes’.

A Globo não respondeu se a assinatura do acordo era feita por Marcelo Campos Pinto, ex-executivo da entidade acusado nos EUA de participar da negociação de propina a dirigentes. Em processo na Justiça norte-americana, a emissora foi acusada por delatores de pagar propinas a ex-dirigentes da Conmebol para obter direitos de competições sul-americanas, mas tal denúncia não tem qualquer citação a esse acordo pela Copa América-2019.

 


São Paulo prevê ganhar até R$ 130 mi por ano com Globo por Brasileiro
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A diretoria do São Paulo projeta uma renda de até R$ 130 milhões por ano com os contratos do Brasileiro-2019 com a Globo para a TV Aberta e Pay-Per-View. Os acordos válidos até 2024 foram aprovados pelo Conselho Deliberativo, restando agora serem redigidos.

Informado aos conselheiros, esse valor representa um ganho sobre o atual já que o clube arrecadou R$ 128 milhões em todos os seus direitos de TV em 2016, o que inclui outras competições. Ao mesmo tempo, a agremiação continuará a ganhar menos do que Flamengo e Corinthians por conta das condições contratuais do ppv.

No modelo mostrado aos conselheiros, a diretoria do São Paulo explicou que vai dividir um bolo total de R$ 600 milhões de TV Aberta com os outros times da Série A. Desse total, será distribuído em 40% de forma igual, 30% por exibição e 30% por premiação na temporada.

No caso do ppv, a distribuição será feita de acordo com o tamanho declarado da torcida entre os assinantes. Pela estimativa são-paulina, o clube ficaria com 7,5% do percentual total do projeto.

Por isso, a diretoria previu para conselheiros que vai ganhar entre R$ 103 milhões e R$ 130 milhões pelos contratos. Fora isso, lembrou que os acordos não incluem a publicidade estática e direitos internacionais do Brasileiro. O São Paulo prevê que pode ganhar mais um valor entre R$ 6 milhões e R$ 8 milhões por esses direitos.

A diferença para o Flamengo e Corinthians está justamente nas condições do ppv. A Globo deu para os dois uma garantia mínima percentual do ppv independente da pesquisa. Nesse caso, o Flamengo tem o percentual de 16% mínimo, e os corintianos um patamar levemente inferior. Isso significa que ambos devem ganhar praticamente o dobro do São Paulo do dinheiro de ppv. No total, o projeto gera um mínimo de R$ 700 milhões. a serem divididos pelos clubes.

Dirigentes são-paulinos sabem dessa garantia, mas não conseguiram obter o mesmo tipo de mecanismo. Em compensação, a agremiação obteve luvas de R$ 20 milhões a serem pagos pela Globo pela assinatura do contrato, somados aos R$ 60 milhões que já tinha ganho por fechar com o SporTV.

Em seu comunicado aos conselheiros, a diretoria do São Paulo ainda exaltou que não houve nenhuma complicação na negociação como ocorreu com times que fecharam com Esporte Interativo. Foi o caso do Santos que aceitou um fator redutor no montante que vai ganhar. E completou que acertar com a Globo até 2024 vai gerar previsibilidade das receitas por um período mais longo.


Globo fecha contrato com o Inter para Brasileiro-2019 em TV Aberta e ppv
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A Globo fechou acordo com o Internacional para o Brasileiro-2019 e 2020 para a TV Aberta e Fechada. O clube já tinha acordo com o Esporte Interativo para a TV Fechada nesses dois anos. A emissora carioca tenta atrair todas as equipes para fechar seu pacote dessas duas mídias.

O modelo de contrato da Globo é igual ao oferecido a outros times com divisão das receitas de 40% de forma igual, 30% de exibições em TV Aberta e 30% por premiação por posição no campeonato. Como ocorre com outros times do EI, deve haver um efeito redutor em jogos que sejam afetados pela exibição no canal do Turner. É um modelo similar do Santos, embora não confirmado pelas partes.

A Globo já tinha um contrato com o Internacional para os anos seguintes do Brasileiro, de 2021 a 2024. Nesse caso, a emissora comprou todas as plataformas dos jogos do colorado.

“Asseguramos, assim, oferta cada vez mais completa da Série A aos torcedores brasileiros nas próximas temporadas, através das diversas plataformas em que o Grupo Globo atua. Não poderia faltar o Colorado!”, afirmou Fernando Manuel, diretor de direitos esportivos da Globo.


Calendário e contrato de TV limitam mudança na fórmula do Estadual do Rio
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Em crise de público, o Estadual do Rio tem restrições no calendário da CBF e no contrato com a Globo para que sejam feitas alterações na fórmula de disputa para o próximo ano. Há dentro da federação discussões sobre mudança no formato, e a própria emissora vê como positiva essa discussão. A questão é que modificações têm que ser feitas mantendo 18 datas sem possibilidade de ficar sem jogos em determinados dias.

O Estadual do Rio-2018 tem enfrentado uma crise de público e de atratividade, com uma média de pagantes em torno de 3 mil pessoas. A Globo já demonstrou preocupação com a baixa presença de torcedores no estádio. E a própria Ferj reconheceu o problema quando questionada pelo blog:

“Obviamente que não (está satisfeita). E já vem se reunindo para melhorar o produto e fazer diferente em 2019. O campeonato carioca desperta interesse. Isso é fato. Não temos os números de 2018. Se todas as partidas do Campeonato Carioca de 2017, sem exceção, fossem jogadas com o Maracanã lotado, não atingiria 1/9 das pessoas que assistiram pela TV.  Porém, nosso desafio é levar o público ao estádio, em conjunto com os clubes, através de ações”, afirmou a Ferj por meio da assessoria.

Há diversos motivos para essa queda na atratividade do Carioca, entre elas, a violência do Rio de Janeiro, o baixo nível técnico dos jogos, problemas enfrentados pelos grandes clubes no início do ano, falta do Maracanã. Entre os questionamentos à Ferj (Federação do Estado do Rio de Janeiro), está a fórmula do Estadual do Rio.

Pelo formato atual, há dois turnos com semifinais e finais que contam pouco para a fase decisiva, de fato, da competição. Triunfos da Taça Rio e da Taça Guanabara só garantem vaga nas semifinais da competição, a não ser que o time vença ambos. O formato é complexo para ser entendido pelo torcedor e deixa vários jogos com pouco valor esportivo.

Para mudar a fórmula, no entanto, a Ferj e os clubes enfrentam restrições por compromissos assinados por eles mesmos. Por pressão das federações, o calendário da CBF estabelece 18 datas para os Estaduais.

Baseado nisso, a Ferj assinou um contrato com a Globo que prevê que todas essas datas têm que ser ocupadas por partidas. Assim, caso a federação optasse por uma redução do número de times e jogos, não poderia fazê-lo a não ser que reduzisse o valor recebido pelo contrato com consequência para as cotas dos clubes. O contrato tem valor de R$ 120 milhões, e se estende até 2024.

Não é possível também usar a antiga fórmula do Carioca que tinha dois turnos e, se um time vencesse os dois, levaria o título sem final. Isso deixaria duas datas em aberto sem jogo do Estadual, o que é vetado pelo contrato.

Não há resistência dentro da Globo a uma redução do número de datas do Estadual em favor do Brasileiro, mas isso implicaria em uma queda do valor. Dentro do calendário proposto, a emissora apoiaria uma mudança de formato desde que dentro das condições contratuais.

Já, na Ferj, há discussões para melhoria do Estadual. Já foi feita uma consulta ao Conselho Nacional do Esporte que referendou que a legislação não impede mudanças na fórmula para o próximo ano. Pode ser proposta nova fórmula que seria votada no arbitral dos clubes.

A federação não respondeu a perguntas sobre o contrato, alegando que respeita a confidencialidade do acordo. Mas disse que há efeito dos horários dos jogos na presença de público, e de aspectos comerciais que têm de ser respeitados. Abaixo a posição:

°A Federação de Futebol do Rio de Janeiro não se opõe ao debate sobre qualquer aspecto que venha a contribuir para o crescimento do Campeonato. Mas fica o registro que, seja qual for o formato ou adequação dele, não há chance de os aspectos comerciais deixarem de ser considerados como fator preponderante. Assim não fosse, bastaria que os clubes abdicassem do contrato de TV, colocassem as partidas nos horários e locais que melhor lhes conviesse cobrassem preço de ingresso bem barato.  A fórmula não é a única variável que  influencia.”

O contrato é válido por oito anos até 2024 para o caso dos três grandes clubes, Fluminense, Vasco e Botafogo, e da Ferj. O Flamengo, que assinou um contrato em separado com a mesma cota, tem compromisso até 2018.


Ao responder denúncia do PT, Globo diz que Libertadores é ‘pouco atraente’
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Ao se defender de denúncia feita pelo PT no Cade, a Globo afirmou que a Libertadores e a Copa Sul-Americana são pouco atraentes e praticamente não têm jogos exibidos na TV Aberta. Essa declaração foi uma forma de minimizar a acusação de que a emissora pagou propina por contratos dessas competições, feita em delação na Justiça dos EUA no caso Fifa. Há um procedimento de inquérito instaurado no Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para apurar se a empresa cometeu práticas anticoncorrenciais nesses acordos televisivos.

Relembrando o caso, em depoimento na Justiça americana, o ex-executivo da empresa Torneos Alejandro Burzaco afirmou que a Globo e outras emissoras participaram do esquema de propina do contrato da Libertadores, além de acusar a emissora de pagar subornos por direitos da Copa do Mundo. O Departamento de Justiça dos EUA não incluiu a Globo na sua denúncia. Já a emissora nega qualquer irregularidade e diz não tolerar esse tipo de prática.

Logo depois do depoimento, em dezembro de 2017, o PT, o PSOL e o PDT entraram com representações no Ministério Público e no Cade contra a Globo. No órgão regular, alegam que o suposto pagamento de propina fere a livre concorrência pelos direitos de campeonatos esportivos ao dar uma posição de hegemonia à emissora na TV Aberta. Os partidos queriam que os contratos da Libertadores e Copa fossem invalidados.

O Cade abriu o procedimento preparatório de inquérito e pediu uma resposta da Globo. Na semana passada, a emissora enviou sua posição: negou pagamento de propinas, atacou pontos da acusação do PT por conterem dados equivocados e minimizou a importância da Copa e da Libertadores.

A argumentação da emissora é de que, mesmo que os fatos fossem verdadeiros, a denúncia “falhou em demonstrar como tais fatos alegados poderiam redundar na caracterização de uma infração à ordem econômica”. E, depois, embasa sua tese afirmando que o Campeonato Brasileiro é o único que tem maior poder de influenciar na grade e na audiência da emissora durante o ano.

Sobre a Copa do Mundo, a Globo lembra que só tem duração de um mês em quatro em quatro anos. “Ora, é dificil vislumbrar como um evento que dura um mês e ocorre a cada quatro anos poderia ser responsável por uma suposta hegemonia de uma emissora de televisão aberta”, alega a emissora.

E, depois, a emissora desdenha da Libertadores:  “Já a Libertadores da América e a Copa Sul-Americana, por sua vez, são eventos que são pouco atraentes como um todo e pouco transmitidos na TV aberta (sendo predominantemente transmitidos na TV paga), em proporção muito inferior a outros campeonatos como o Brasileirão, por exemplo. De igual forma, como campeonatos que praticamente não são exibidos na TV aberta poderiam ser responsáveis por uma suposta hegemonia da Globo nessa mídia?”

Essa posição contraria a estratégia da emissora que transmitiu em TV Aberta um ou dois jogos em todas as rodadas da Libertadores em que houve um time brasileiro em 2018. Também contradiz uma posição da Globo expressa em outra ação judicial de 2016 contra a Conmebol e a Fox Sports em que tentava validar seu contrato da Libertadores, sob risco por conta das suspeitas de propina.

Então, a Globo afirmou que sofreria um “grave prejuízo de audiência” se não pudesse transmitir a Libertadores daquele ano. Mais, a emissora alegou que sofreria um dano irreparável caso seu contrato com a Conmebol não fosse validado.

No restante da sua defesa, a Globo alegou que o PT, PSOL e PDT tiveram “má fé” em sua denúncia. Isso porque a emissora não foi incluída na denúncia do Departamento de Justiça dos EUA, nem seu ex-executivo Marcelo Campos Pinto, como alegam os partidos. De fato, nem a emissora nem Campos Pinto figuram na denúncia. A emissora ainda alega que não há provas das acusações de Burzaco.

Foi a delação de Burzaco que apontou que a Globo teria participado do esquema de propinas de contratos da Libertadores com a Torneos. Ele ainda acusou a emissora de pagar US$ 15 milhões ao ex-dirigente Julio Grondona por direitos da Copa do Mundo.

Questionada sobre a contradição na posição sobre a Libertadores, a Comunicação da Globo respondeu por nota: “O que a Globo tinha para esclarecer sobre o assunto está no documento enviado ao Cade. Além disso, aproveitamos para reiterar que o Grupo Globo não pratica nem tolera qualquer tipo de propina e está sempre à disposição das autoridades.”

A assessoria do PT foi procurada para se manifestar sobre as acusações de má fé da Globo e de problemas na sua denúncia, mas não respondeu até o fechamento deste post.

 


Globo está preocupada com falta de público do Estadual do Rio
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Detentora dos direitos de televisão da competição, a TV Globo está preocupada com o esvaziamento do Estadual do Rio. Até agora o campeonato teve como maior público 20.862 pagantes no clássico entre Flamengo e Vasco, longe de Estaduais como Paulista e Mineiro. Na visão da emissora, há fatores como falta do Maracanã, segurança e fórmula que estão afetado a competição.

A Globo paga R$ 120 milhões pelo Estadual do Rio, um valor inferior apenas ao do Paulista. As audiências da competição se mantêm em bons patamares, não sendo essa preocupação da emissora. O problema é que o baixo público e atratividade afetam a qualidade do produto.

“Avaliamos constantemente os produtos e eventos cujos direitos adquirimos, jogos que transmitimos. Cabe aprofundar a análise das atuais médias de público no futebol do Rio de Janeiro, abordando todos os aspectos: estádios, segurança pública, momento econômico. Por exemplo, o povo carioca ama o Maracanã e temos tido poucos jogos, mesmo os clássicos, em tal estádio”, analisou o diretor de direitos esportivos do Grupo Globo, Fernando Manuel.

O executivo ainda destacou que há um excesso de jogos no Brasil, o que pode impactar no público das atuais fases do Estadual. Por isso, entende que o torcedor pode estar “se poupando para os clássicos”. Defendeu promoções para aumentar a presença em outros jogos.

A questão é que nem nos clássicos o torcedor carioca tem ido. Fora esse Flamengo e Vasco, nenhum outro jogo entre grandes atingiu a marca de 20 mil. Sem clássicos, o cenário é ainda pior. Na última rodada, a média de público foi de 3.077, com uma partida com apenas 194 pagantes (Portuguesa e Cabofriense).

Ao mesmo tempo, Manuel reconheceu que a baixa presença também pode ter relação com o calendário de jogos do Brasil. “O futebol é feito para seu público, então vale a máxima “a voz do Povo é a voz de Deus”. Cabe termos isso sempre em mente, estarmos atentos à resposta popular e trabalhar no aprimoramento do calendário e seu produto final”, avaliou o executivo.

O Estadual do Rio tem 18 datas por determinação do calendário da CBF. Baseado nesse cronograma, a Globo assinou um contrato com previsão desse número de datas. A emissora não fala sobre condições de contrato.

Dentro da Federação de Futebol do Estado do Rio de Janeiro, há a consciência de que o Estadual tem tido baixo público. Internamente, há a intenção de pensar em algumas medidas, inclusive repensar a fórmula do campeonato. Mas, na Ferj, também se leva em conta a ausência do Maracanã em várias partidas e problemas de segurança.

Atualmente, jogos da Taça Rio não tem valor esportivo quase nenhum para, por exemplo, o Flamengo que ganhou a Taça Guanabara e já se classificou às semifinais. Equipes que tenham garantido a vaga por pontuação também não precisam de vitórias no turno.

A decadência do Estadual do Rio vem se agravando ano a ano com fórmulas difíceis de compreender e desinteresse dos próprios times, que priorizam outras competições. O eterno problema do Maracanã, ainda no impasse Odebrecht/governo do Rio, e a crise financeira de três dos quatro grandes, Botafogo, Vasco e Fluminense, pioram o cenário.

Já os clubes pequenos, embora com cotas muito boas em relação ao patamar brasileiro, estão longe de exibir a força de outras praças onde fazem frente aos maiores rivais pelo menos em alguns jogos. Sim, houve resultado adversos das equipes tradicionais, mas em um início de temporada no meio de janeiro.

 


Globo reduz valor de contrato com Santos por causa do Esporte Interativo
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O contrato da Globo com o Santos prevê cláusulas de redução de valor por conta de o clube ter assinado com o Esporte Interativo. Essa mesma proposta foi apresentada a Atlético-PR e Bahia que as recusaram até o momento. Não está claro o percentual da redução do acordo santista, mas é fato que o clube receberá menos do que os que venderam tudo para a Globo.

Em 2016, Atlético-PR, Bahia, Coritiba, Santos, Internacional e Palmeiras, entre outros, venderam seus direitos de TV Fechada para a Turner, enquanto a maioria os negociou com a Globo. Esses clubes ficaram com os direitos de TV Aberta e Pay-Per-view em aberto. Pela nova divisão de cotas, todos os contratos eram similares com distribuição por igualdade, exibição (audiência) e posição na tabela.

A Globo ofereceu aos clubes que assinaram com a Turner a mesma distribuição de dinheiro para TV Aberta e pay-per-view. Só que incluiu cláusulas que aplicam um efeito redutor no valor de acordo com critérios complexos. A alegação da emissora é de que os direitos de alguns jogos específicos podem ser afetados, tanto na TV Aberta quanto no ppv, pelo fato de serem transmitidos em outra plataforma. Se a Globo entender que não há efeito, pode não haver a redução do contrato, mas esse cenário é improvável.

Pela explicação da emissora aos clubes, um jogo de Santos x Palmeiras no Esporte Interativo inteferiria no valor dele no ppv. Em outro exemplo, a Turner poderia ter pacotes mais vantajosos do que a Globo em determinada praça já que passará os jogos para a própria cidade. Na visão da emissora, seria como um carro danificado. O fator redutor só se aplicaria quando houver interferência no direito da Globo. A questão é que isso deve ocorrer em várias rodadas.

O efeito redutor poderia chegar a 20% do valor total, segundo o cálculo de um dos clubes. Assim, há dirigentes que avaliam que é melhor ficar com a garantia do Esporte Interativo para TV Aberta do que fechar com a emissora global. Mais: um cartola pelo menos qualificou a cláusula da Globo como anticoncorrencial. As negociações, no entanto, ainda devem continuar com o grupo de Atlético-PR, Coritiba e Bahia, que desejam negociar em conjunto.

O Santos obteve, sim, uma vantagem imediata com o pagamento de luvas no valor de R$ 20 milhões. Ou seja, recebeu mais dinheiro agora, mas ganhará menos depois. Procurada, a assessoria do Santos informou que não poderia comentar sobre o assunto porque o contrato tem cláusulas confidenciais.