Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Libertadores-2019

Com rotação, Facebook terá pacote da Libertadores incluindo brasileiros
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Na concorrência feita pela Conmebol, o Facebook adquiriu um pacote de direitos de transmissão da Libertadores-2019 que inclui todas as partidas da quinta-feira. Isso significa algo entre 20 e 30 jogos, entre compromissos de fase de grupo e alguns eliminatórios. Como haverá rotação de times na tabela, é certo que haverá jogos de times brasileiros que só passarão na plataforma digital, um fato inédito para campeonatos nacionais e internacionais no país.

A concorrência da Conmebol para o Brasil foi dividida em quatro pacotes, TV Aberta, TV Fechada A, TV Fechada B e todas as partidas de quinta-feira. A Globo levou a primeira propriedade, a Fox Sports, a segunda, e o Sportv, a terceira, como revelou o blog do Flávio Ricco. O Facebook ficou com essa quarta fatia.

No total, são 155 jogos da Libertadores-2019 a serem divididos pelos pacotes. A Globo tem direito a dois por rodada, incluindo a final da competição. Fora isso, todos os jogos são divididos entre os outros três pacotes.

O pacote número 1 de TV fechada tem em torno de 60 partidas, com a decisão da Libertadores. O pacote número 2 de TV Fechada tem em torno de 60 jogos, sem a final e com transmissão até a semifinal. No caso do Facebook, serão entre 20 e 30 partidas a que a plataforma terá direito com compromissos até as quartas-de-final.

A questão é que, pelas regras da concorrência, a Conmebol não dá mais às emissoras poder sobre a tabela. Agora, será a confederação sul-americana quem decidirá quais jogos serão em cada dia. E foi colocado nas regras que haveria uma rotação entre os grandes times.

Diante dessas regras, a Conmebol já dá como certo que clubes relevantes do continente com os brasileiros e argentinos terão jogos também nas quinta-feiras, ainda que em menor número do que nos outros pacotes. Ou seja, neste cenário, será a primeira vez que clubes nacionais terão jogos de seus times principais transmitidos exclusivamente no Facebook em competições nacionais ou internacionais.

Após longas conversas com a Conmebol, a plataforma de mídias sociais entrou forte na concorrência da Libertadores. Está disputando direitos de TV Aberta no pacote de outros países, fora o Brasil, e também apresentou interesse nos direitos internacionais para fora da América do Sul. Ainda não estão claros os resultados dessas concorrências, separadas da brasileira, mas é certo que o Facebook fez propostas relevantes.

Até recentemente, o Facebook negava que fosse investir na compra de direitos de competições. No Brasil, tinha apenas adquirido um campeonato brasileiro de aspirantes juntamente com o Esporte Interativo. Ainda não está claro como a plataforma digital vai explorar comercialmente as transmissões. Certo é que tem uma base de anunciantes considerável em seus negócios.


Conmebol distribui 70% da renda da Libertadores para clubes: R$ 354 mi
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A Conmebol distribuirá 70% do dinheiro arrecadado com a Libertadores para os clubes em 2018 em um total de R$ 354 milhões. O restante será usado para operação e logística da competição. O percentual é levemente inferior ao que a UEFA costuma repassar aos times em relação às suas competições.

As informações constam do relatório financeiro da Conmebol de 2017 que detalhou também a evolução das receitas da competição e do repasse aos clubes. É a segunda vez que a confederação sul-americana divulga seus dados econômicos e do campeonato, o que era uma exigência antiga dos times sul-americanos.

Pelas informações publicadas, a receita da Libertadores teve uma evolução nos últimos três anos, embora longe do salto que vai se verificar no próximo ano. Em 2016, a renda estava em US$ 121 milhões (R$ 415,7 milhões), atingindo US$ 144 milhões em 2017. Houve um novo contrato de patrocínio neste período. A previsão para 2018 é de uma receita de US$ 148,2 milhões (R$ 505 milhões).

Houve um crescimento do valor repassado aos clubes, mas em volume menor do que o aumento de receita. Em 2016, os clubes ficaram com US$ 92,1 milhões (R$ 314 milhões). A previsão para 2018 é de que seja distribuído aos times US$ 103,850 milhões (R$ 354 milhões), isto é, 70% do total. Ressalte-se que, em quatro anos, as receitas dos clubes vão praticamente dobrar já que em 2015 eram de US$ 52 milhões.

As cotas dos clubes em 2018 começam em US$ 50 mil para clubes eliminados na primeira fase e que só disputaram dois jogos. Até o campeão que leva US$ 6 milhões, valor que é o dobro do ano passado.

A UEFA repassa aos seus times 73% das receitas obtidas com a Liga dos Campeões, Liga da Europa e Recopa. O volume de dinheiro, no entanto, é muito maior na Europa, atingindo 2 bilhões de euros.

Dentro da Conmebol, a alegação é justamente de que o percentual de distribuição é mais alto na UEFA porque há mais dinheiro para suportar os custos das competições. Lembre-se que a operação logística de jogos da Liga dos Campeões é mais cara. Mas, na América do Sul, houve aumento de gasto com a implementação do árbitro de vídeo a partir das quartas-de-final, além disso há gastos com passagens de árbitros e delegados.

Segundo o relatório da Conmebol, o total de despesas com a Libertadores foi de US$ 103 milhões em 2017. Assim, haveria uma sobra de US$ 41 milhões para a confederação sul-americana já que as receitas foram de US$ 144 milhões. A tendência é, com a valorização da Copa América a partir de 2020, haver menos necessidade da renda da Libertadores para manter a confederação.

Para a temporada de 2019, o contrato da Libertadores de televisão vai pelo menos triplicar de valor atingindo um mínimo de US$ 350 milhões por ano, fora receitas de marketing. A promessa dentro da Conmebol é de que haverá aumento proporcional nas cotas distribuídas para os clubes, embora ainda não exista uma regra definida de como isso vai acontecer.

Há itens que podem aumentar as despesas da competição como a extensão do árbitro de vídeo para toda a competição. A final única também vai gerar custo extra para organização, mas, em compensação, os clubes não terão mais de pagar a logística da final.


Como a Conmebol decidirá local de final da Libertadores sem concorrência
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Ao aprovar a final única da Libertadores, a Conmebol decidiu que escolherá o primeiro local para 2019 sem uma concorrência entre cidades. Será utilizado como critério o local que garanta maior retorno comercial e de visibilidade, além de neutralidade. Lima foi a única cidade falada na reunião em Punta Del Leste, mas não é certa. Nos anos seguintes, deve haver uma disputa entre cidades.

O Conselho da Conmebol aprovou nesta sexta-feira a decisão da Libertadores em final única a partir de 2019. Era um projeto tocado pela cúpula da entidade no pacote de modernizações da competição.

Será feito um processo em relação ao primeiro local da final única tocado por IMG e Perform, agências que adquiriram os direitos da competição. Essas vão estudar cidades para apontar a que dê maior visibilidade e retorno comercial.

Neste processo, não vai ter peso se um estádio é mais moderno do que outro. Para a Conmebol, não é necessário ser uma arena nova como as brasileiras feitas para Copa ou outras similares no continente. O estádio tem que ter uma estrutura, mas pode ser mais antigo que permita adaptação. A ideia não é fazer um espetáculo superficial em relação à América do Sul.

Depois do estudo, todos os dados serão levados para o Conselho da Conmebol que decidirá sobre qual o local. Há uma candidatura posta de Lima para receber esse primeiro jogo, mas as condições em relação à cidade ainda não foram consideradas com detalhes. Uma ideia inicial de fazer nos EUA está praticamente descartada: avaliou-se que seria quebrar muito a tradição tirar o jogo do continente.

A Conmebol terá toda a organização do jogo, como venda de ingressos, administração do estádio e segurança no entorno. Os clubes ficarão com 25% dos ingressos para serem vendidos além da renda correspondente a essa fatia. A partida será organizada em um sábado, como a Liga dos Campeões, para dar maior visibilidade.

 

 

 


Conmebol decide enfrentar resistência à final única por Libertadores global
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Ao forçar a aprovação da final em jogo único da Libertadores a partir de 2019, a Conmebol entendeu que haveria ganhos comerciais e de visibilidade para a competição que justificavam enfrentar a resistência esperada e ocorrida por parte dos torcedores. A intenção é criar um evento global para atrair atenção para o campeonato que ainda tem repercussão tímida fora do continente.

Logo após o anúncio, o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, expôs em seu Twitter as explicações sobre a decisão pela final única. Quase todas as respostas que obteve foram de críticas pesadas à medida por parte dos torcedores. Mas a entidade já esperava esse tipo de reação.

Pelo modelo da Conmebol, a entidade vai cuidar de toda a organização do jogo, desde o controle do estádio aos ingressos (com exceção do percentual dos clubes). A intenção da confederação é promover uma semana de eventos na cidade para atrair atenção para a Libertadores.

Por isso, a entidade avaliava como essencial colocar o jogo no sábado à tarde quando poderia ter a atenção do mundo. Na visão dos dirigentes da confederação, jogos nas quartas-feiras à noite não geram tanta repercussão quanto uma  partida no final de semana.

Outra questão que pesou em favor da final única foi a da segurança. Os problemas enfrentados na final da Sul-Americana entre Flamengo e Independente fizeram a entidade temer por manchar outras decisões. Com o controle sobre toda a partida, a confederação espera conseguir evitar incidentes similares. O próprio presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, falou na questão da segurança no anúncio.

A Conmebol tinha noção que enfrentaria uma resistência grande de torcedores com a mudança pela tradição da Libertadores de confrontos ida e volta, e pelos custos para se assistir ao jogo. Outro ponto negativo reconhecido pelos dirigentes da confederação é a falta de infraestrutura de transportes na América do Sul em comparação com a Europa.

O entendimento na cúpula da Conmebol, no entanto, é de ser possível superar essa barreira com uma marcação prévia do local que prepararia a cidade para receber visitantes. Como um quarto dos ingressos irá para cada clube, o restante a entidade pode vender entre torcedores locais ou mesmo a fãs dos times por outros meios. Uma parte também será para atender patrocinadores.

Como evento global, a avaliação é que o jogo único vai valer bem mais do que rendas de bilheteria de duas partidas. Um cartola da Conmebol conta que, se a entidade já garantiu US$ 4 milhões aos clubes finalistas, é por que estima ganhar bem mais com a exibição desse jogo. Mas repita-se: a questão para a confederação não é só comercial e visa aumentar o tamanho da Libertadores no mundo.

Uma compensação financeira aos clubes pelas perdas de bilheteria também era vista como essencial na Conmebol para reduzir a resistência deles. O valor para cada finalista de US$ 2 milhões (R$ 6,5 milhões) praticamente cobre a maior renda líquida da história da final, obtida pelo Atlético-MG com R$ 7 milhões em 2013 no Mineirão. E os clubes ainda terão 25% da bilheteria que venderem a seus torcedores.

A ideia da final única vem desde que a Conmebol contratou a mesma consultoria que tratou da remodelagem da Liga dos Campeões. Ali, o relatório apontava que a essa decisão daria maior valor à Libertadores. Faltava convencer os dirigentes das federações nacionais o que foi feito em várias reuniões.

As empresas IMG e Perform, que são as agências que negociam os direitos da Libertadores, vão tratar agora de realizar o projeto da final única com esse objetivo de torna-lo global.


Conmebol acaba com poder de TVs sobre tabela para Libertadores-2019
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A Conmebol finaliza o modelo de licitação dos direitos de transmissão da Libertadores-2019 a ser lançado até o final de fevereiro ou início de março. E já foi incluído no texto que as redes de televisão não terão mais poder sobre a tabela com a entidade determinando o cronograma de jogos sozinha. Isso muda radicalmente o formato atual em que as emissoras escolhem jogos e times para determinados horários, priorizando equipes que dão mais audiência como Flamengo e Corinthians.

Como noticiou o blog, a Conmebol já tinha comunicado às emissoras que queria mudar a relação entre partes na nova venda dos direitos da Libertadores em alguns pontos. A informação causou contrariedade na Globo. Mas, mesmo assim, a confederação sul-americana decidiu incluir o novo modelo na licitação.

Pela fórmula escolhida, a Conmebol dividiu em quatro pacotes diferentes os direitos da Libertadores para o Brasil, principal mercado. Um será o de TV Aberta com direito a um jogo por rodada. Haverá dois pacotes de TV Fechada, um com direito a jogos melhores, e outro a segunda escolha de partidas. Por fim, haverá a opção de comprar um pacote isolado que inclui todos os jogos de quinta-feira para todas as plataformas.

Em nenhum dos modelos, as redes de televisão terão garantias de quais times atuarão na partida a que terão direito. As emissoras terão, sim, o direito de saber que poderão contar com as equipes mais atrativas sob o ponto de vista de audiência em algumas rodadas. Mas isso não ocorrerá em todos os jogos como atualmente.

Ou seja, a Globo não poderá passar os seis jogos do Flamengo ou do Corinthians na primeira fase em TV Aberta como faz atualmente. Na Argentina, quem levar o pacote mais generoso também não terá como apenas transmitir partidas de Boca Juniors e River Plate em todas as rodadas. Terá de haver um rodízio e será a Conmebol quem definirá quem fica com qual jogo.

No modelo atual, após o sorteio da Libertadores, diretores da Conmebol se reúnem com as principais televisões para fazer a tabela em conjunto. É assim também com o Brasileiro em que a CBF atende as demandas da Globo. A partir de 2019, a Conmebol que realizará a tabela sozinha.

Isso não significa que não haverá adaptações para as televisões. Os horários e distribuições de jogos estão sendo feitos para que sejam atrativos para as emissoras. A intenção da Conmebol de adiantar o início dos jogos da noite para 21h30 não está certa. Até o final da semana passada, a entidade ainda não tinha definido os horários padrões das partidas, que tem como objetivo criar uma marca fixa.

Há ainda uma intenção de expandir a transmissão da Libertadores em TV Aberta em vários países para além do Brasil. Isso porque, em boa parte das nações sul-americanas, as redes abertas não têm direitos da competição. O objetivo da Conmebol é popularizar a Libertadores nestes países mesmo que receba pouco pelos direitos nesses casos.

Uma outra novidade na licitação é que haverá uma inserção comercial de um dos patrocinadores da Libertadores obrigatória na TV. Não será uma imposição grande e por muito tempo como ocorre com a Liga dos Campeões. Será mais curto para não afetar as emissoras.

A expectativa da Conmebol é lançar a licitação da Libertadores até o final de fevereiro, no máximo início de março. Posteriormente, vai preparar uma disputa pelos direitos da Copa Sul-Americana. A IMG e a Perform, agências de marketing esportivo, garantiram uma renda mínima de US$ 350 milhões pelos direitos das duas competições. A partir daí, os ganhos serão divididos entre Conmebol e as empresas.


Libertadores fica mais rica para 2019, mas times brasileiros não perceberam
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Depois da transformação de 2017, em que virou anual, a Libertadores se prepara para uma nova revolução em 2019: uma mudança de patamar financeiro com aumento de ganhos. E, até agora, os clubes brasileiros tão ativos na briga por cotas no país não se mostraram interessados pelo tema. Foi o que se viu no sorteio da competição em dezembro.

A Conmebol já fechou um contrato com as agências IMG e Perform que dobra o valor total pago pela Libertadores, e Sul-Americana para 2019. Esse montante pode ser ainda maior dependendo da concorrência pelos direitos de televisão que vai ser estruturada neste primeiro semestre de 2018.

Os dados significariam, enfim, que os clubes poderiam ter acesso a cotas maiores pelas competições sul-americanas, uma reivindicação antiga de todos eles. Mas ainda não está claro como esse dinheiro será dividido.

No sorteio da Libertadores, antes do Natal, a Conmebol tinha uma previsão de realizar uma reunião da sua comissão de clubes para discutir temas como final única, e outros da competição. Não ocorreu. Nenhum clube brasileiro chegou mais cedo ou se interessou por se reunir para falar da nova Libertadores. Perguntei a vários dirigentes que desconheciam reuniões.

Um cenário diferente do meio do ano quando clubes brasileiros participaram e opinaram sobre temas relacionados às competições sul-americanas. Um funcionário da Conmebol me descreveu que os times pareciam mais interessados nas suas transações de jogadores do que em discutir qualquer outro tópico.

Ora, esse tema deveria ser prioridade para os clubes nacionais. A atual distribuição de cotas da Libertadores é extremamente prejudicial para os times brasileiros. O critério é de divisão igual por classificações por fases.

O mercado brasileiro representa entre 30% e 40% do total que a Conmebol pretende arrecadar com as duas competições com direitos de televisão e marketing. É quase igual a todos os outros países da América do Sul juntos, sendo o restante dividido pelo mundo.

Ainda assim, não há nenhuma previsão de distribuição de dinheiro da Libertadores por valor de mercado. Esse critério é comum na UEFA, na Liga dos Campeões, e mesmo no Brasil em relação ao Brasileiro com os itens como audiência ou exposição em TV Aberta. Sem isso, as TVs e empresas brasileiras devem dar mais dinheiro às competições sem que as equipes locais sejam beneficiadas.

Certamente haverá resistência de clubes de outros países em relação a uma reivindicação de times brasileiros por “dinheiro de mercado” da Libertadores. Mas, se há um momento em que os dirigentes nacionais podem iniciar essa discussão, é agora que o contrato para 2019 terá aumento de valor. Depois disso, será muito difícil mudar a regra. Há uma janela de oportunidade que os brasileiros não perceberam.


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