Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Mundial de Clubes

Fifa lida com disparidade técnica e oposição para mudar Mundial de clubes
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Desde o meio do ano, o presidente da Fifa, Giannni Infantino, vem insistindo na ideia de um novo formato do Mundial de Clubes, diante do fracasso financeiro da fórmula atual. O modelo pensado seria uma competição quadrienal com 24 clubes, uma espécie de Copa do Mundo de times. Só que esta ideia não é unanimidade entre dirigentes e não resolve a questão da disparidade técnica entre times.

Infantino tem falado de seu projeto na maioria dos encontros do Conselho da Fifa. Inicialmente, tinha pensado em um formato que teria até 13 equipes europeias. Recentemente, já mudou o modelo para oito times do velho continente, como disse aos seus pares no sorteio da Copa-2018, em Moscou.  A competição seria no lugar da Copa das Confederações.

Só que o presidente da UEFA, Aleksander Seferin, não mostrou entusiasmo com a ideia. Esse seria uma apoio importante já que são justamente os times europeus que representariam a maior atração do torneio. A associação de clubes da Europa ainda não se posicionou.

Na América do Sul, o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, está claramente mais animado com o projeto de volta da Copa Intercontinental, com o confronto entre um europeu e um sul-americano. É verdade que não haveria conflito entre as duas competições. Isso porque a Intercontinental poderia ser disputada nos três anos em que não haveria o Mundial.

Dentro da Confederação sul-americana, entende-se que haverá apoio dos europeus à volta da Intercontinental. Houve inclusive avanços comerciais em torno da negociação do torneio, que poderia voltar em 2019.

De qualquer maneira, todos os modelos estão em discussão também por conta do enorme abismo técnico entre os gigantes europeus e os times sul-americanos. As equipes do velho continente, turbinadas por muito mais dinheiro, ganharam nove das últimas dez edições.

Com oito times europeus em um Mundial, dependendo da fórmula, a competição poderia ser decidida só pelos clubes do velho continente, deixando os outros apenas como coadjuvantes. A Intercontinental continuaria a ter uma equipe sul-americana jogando por milagre diante do rival europeu mais forte, e o atual Mundial já se mostrou um fracasso.

É essa discussão que vai se desenrolar durante o ano de 2018 que será provavelmente o último do atual formato.


Como o escândalo da Fifa ajuda a explicar o abismo entre Real e Grêmio
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O Grêmio não é um time qualquer: ganhou a Libertadores com justiça, e é o melhor da América do Sul neste ano. O confronto com o campeão europeu, no entanto, não deu nem jogo: o Real Madrid teve um domínio absoluto e ganhou com facilidade. E não é exceção neste Mundial em que a distância entre os times dos dois continentes só aumenta.

Foi sempre assim? Quando ocorreu este processo? Não, não foi sempre assim. Até a década de 90 os confrontos eram equilibrados, ganhava um europeu um ano, outro sul-americano no seguinte. Veja o caso dos títulos do São Paulo na década de 90, batendo Barcelona e Milan na bola. Mesmo na derrota, era pau a pau.

Os times europeus já eram mais ricos, e já contratavam os melhores daqui. A questão é que nos últimos 15 anos essa disparidade aumentou absurdamente. É só constatar que o Real dispõe de R$ 2 bilhões a mais todo ano em relação ao Grêmio. Por isso, nos últimos dez, 15 anos, os europeus em geral dominam amplamente os jogos, até quando perdem a partida no final.

E isso aconteceu porque os gigantes europeus se tornaram marcas globais durante esse período e passaram a arrecadar dinheiro em todo planeta, enquanto times sul-americanos se limitam a mercados locais. É só ver os garotos com a camisa do Barcelona nas ruas do Brasil.

Essa expansão de marca se deu justamente no boom da Liga dos Campeões, competição que a UEFA mudou de cara na década de 90, e se tornou a mais importante de clubes durante os últimos 15 anos. Localmente, as ligas nacionais se profissionalizaram também a ponto de a Premier League se tornar o que é hoje, o campeonato mais rico do mundo de um país.

E o que fazia a Conmebol e a América do Sul neste período? Foi justamente o período em que o FBI revelou que os cartolas da confederação sul-americana venderam os direitos da Libertadores para quem lhes pagou propina. Não faziam concorrência, e assim arrecadavam menos para os clubes.

Pior, nunca deram ao campeonato a promoção para tentar torna-lo global. Os cartolas estavam mais preocupados em encher os bolsos do que em promover o futebol sul-americano, que foi ficando para trás. Poderiam ter expandido para os EUA, para o México, criar uma marca continental. Nada disso foi feito.

Dentro do Brasil, o processo era parecido. A investigação do Departamento de Estado dos EUA revelou que Ricardo Teixeira levava propina pela Copa do Brasil, e depois José Maria Marin e depois Marco Polo Del Nero. De novo, o campeonato era mal vendido, gerava menos dinheiro para os clubes.

A liga brasileira sempre foi sufocada por um sistema que não queria os times fora das asas desses cartolas da CBF. Sim, houve um salto de receita dos clubes brasileiros nos últimos dez anos, até proporcionalmente maior do que dos europeus. Mas dentro de um mercado limitado, pois o Brasileiro nunca se tornou global.

Não é só, claro, culpa de corrupção. A América do Sul tem menos dinheiro do que a Europa, e a Libertadores nunca será igual a Liga dos Campeões financeiramente. Mas a diferença poderia ser muito menor se o continente americano tivesse aproveitado a globalização como fizeram os europeus nos últimos 15 anos.

Os times da América do Sul são celeiros de jogadores talentosos. Se tivessem força financeira, poderiam segurar por mais tempo seus jogadores e tornar a Libertadores e os campeonatos locais bem mais atrativos.  E possivelmente teriam força como tinham na década de 90 de enfrentar os rivais europeus. Com desvantagem, mas com possibilidade de vencer.

Por isso, a derrota do Grêmio – digna, mas sem nenhuma chance de vencer – tem muita relação com algo que ocorreu no dia anterior: a suspensão do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, por suspeita de corrupção.

Claro, haverá quem apresente um argumento bem forte contra esse tese de que o presidente da federação espanhola, Angel Maria Villar, também está envolvido em casos de corrupção, assim como Michel Platini ex-presidente da UEFA. Não há santos entre os cartolas europeus.

Mas a questão é que os casos em que eles são suspeitos não envolviam a organização dos campeonatos em si, alicerçadas em premissas profissionais. Não havia uma estrutura de contratos das competições construídas para favorecer cartolas, e tirar dinheiro dos clubes como ocorreu na América do Sul. E isso faz toda a diferença… em campo como se viu.

 


Rival na final, Real tem renda dez vezes maior do que Grêmio
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A distância financeira entre os clubes dá uma dimensão do tamanho do desafio do Grêmio diante do Real Madrid na final do Mundial de Clubes: a renda do time gaúcho representa um décimo do que ganha a equipe madrilenha. Essa diferença aumentou nos últimos dez anos o que se reflete em um abismo de investimento no elenco. Claro, isso pode ser superado em campo, mas a tarefa se torna mais difícil.

Vamos aos números. No último período, 2016/2017, o Real Madrid ganhou € 674,6 bilhões (R$ 2,6 bilhões), excluída qualquer receita relacionada à venda de jogador. Ou seja, essa renda veio da comercialização de direitos de televisão, marketing e licenciamento que é o que mais cresce entre europeus.

Em termos de renda, o Grêmio está um patamar alto no Brasil, abaixo só dos mais ricos como Flamengo, Palmeiras e Corinthians. Turbinado pela Libertadores, tem uma previsão de ganhar R$ 325 milhões em 2017. Mas é preciso excluir desse valor R$ 66 milhões com venda de jogadores para fazer a comparação com o clube europeu. Assim, o time gaúcho ganhou R$ 259 milhões em torno de um décimo do Real.

Não é que a diretoria gremista trabalhe mal na obtenção de receitas. Se comparado a 2007, dez anos atrás, o time gaúcho triplicou sua arrecadação que girava na casa de R$ 100 milhões.

Proporcionalmente, o Real Madrid cresceu menos do que o Grêmio em receita. Saltou de um patamar de € 351 milhões para o valor atual, isto é, praticamente dobrou. A questão é que em número absoluto a diferença cresceu em mais de R$ 1 bilhão neste período.

E isso se repete em relação aos outros gigantes da Europa como Barcelona, Manchester United e Bayern de Munique que têm patamares de arrecadação similares. Se forem consideradas as rendas com venda de jogador, muito maiores na Europa do que na América do Sul, a distância entre os dois continentes cresce ainda mais.

Sendo assim, fica claro que neste Mundial de Clubes o Grêmio terá, sob o ponto de vista de investimento, um desafio ainda maior do que outros times brasileiros tinham há dez anos. O Internacional, que bateu o Barcelona em 2006, enfrentou uma equipe excelente, mas certamente menos poderosa sob o ponto de vista financeiro do que é o Real de 2017.


Fiasco comercial leva Fifa a reformular Mundial de Clubes
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Após reunião do seu Conselho, a Fifa anunciou o início da reformulação do seu Mundial de Clubes que será extinto no formato atual. Há uma explicação: a competição é um fracasso comercial pelos padrões financeiros da federação internacional de futebol.

Os documentos contábeis da Fifa mostram que o Mundial de Clubes-2016 no Japão rendeu Us$ 29 milhões (R$ 95 milhões). Em compensação, as despesas somam US$ 20,7 milhões (R$ 68 milhões). Ou seja, a entidade tem um lucro de pouco mais de US$ 1 milhões por jogo já que são oito partidas.

Pior, em 2015, a competição representou um prejuízo. A receita foi de US$ 20,450 milhões com despesas de US$ 20,8 milhões. Para o ciclo de quatro anos, a estimativa era de que entidade ficasse com Us$ 86 milhões neste quadriênio. Isso não dá nem metade do dinheiro da Libertadores que nem é uma competição bem vendida na atual temporada (claro, ressalte-se que é um torneio anual com muito mais jogos).

Assim, o Mundial de Clubes é a terceira competição em renda da Fifa, e quase empata com a quarta que é a Copa do Mundo Feminina. Pode parecer muito para padrões de competições sul-americanas, mas está bem abaixo com são exploradas estrelas mundiais como Cristiano Ronaldo, Messi ou Robben, que disputaram as últimas edições.

Para se ter ideia, os direitos de televisão do Mundial da América Latina para 2017 não foram vendidos ainda pela Fifa. A TV Globo espera a definição se haverá um brasileiro (o Grêmio) na final para saber se compra. Obviamente, com uma negociação tão em cima, o valor será menor.

O presidente da Fifa, Giani Infantino, deixou claro sua insatisfação com o campeonato ao dizer que um evento organizado pela entidade tinha que ser especial para se justificar. Por isso, sua ideia inicial é propor um campeonato em quatro em quatro anos no lugar da Copa das Confederações. Mas será uma comissão de dirigentes que vai discutir as propostas.


Conmebol quer volta da Intercontinental em 2019, e homenageará campeões
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A Conmebol vê como avançadas as negociações para a volta da Copa Intercontinental com a Uefa. E entende que o reconhecimento da competição como Mundial pela Fifa reforçou a campanha pelo retorno. A expectativa é de que o campeonato possa ser disputado novamente em 2019, após o fim do Mundial da Fifa que teria sua última disputa em 2018.

O reconhecimento da Intercontinental é uma vitória política da confederação e de seu presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, que convenceu outros continentes a apoiar sua proposta. Por isso, ele fará uma homenagem aos 13 times campeões da Intercontinental no sorteio da Libertadores, em dezembro. Ainda não está decidido o formato.

Em paralelo, sem participação da Fifa, a Conmebol tenta fechar o pacote comercial para viabilizar a Intercontinental com a Uefa. A expectativa é de que o torneio se torne um espécie de substituto provisório do Mundial de Clubes da Fifa que acabaria depois de 2018.

Mas que o trabalho da comissão da Fifa para discutir o Mundial de Clubes acabará influenciando o futebol Intercontinental. Atualmente, a tendência é que o Mundial se torne uma edição disputada no lugar da Copa das Confederações. Assim, na visão da Conmebol, sobraria espaço nos outros três anos para a Intercontinental. Alejandro Dominguez faz parte da comissão da Fifa.

Só que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou que quer uma solução que contemple os clubes de todos os continentes. E houve resistência de dirigentes africanos ao reconhecimento da Intercontinental justamente por só ter sul-americanos e europeus. Portanto, a Conmebol pode, sim, enfrentar barreiras no seu projeto.

O quadro deve se definir nos próximos quatro meses já que a Fifa estima para março de 2018 uma solução para a questão.

 


Retorno de Copa Intercontinental avança, e Mundial da Fifa vive incerteza
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A Conmebol e a UEFA avançam na discussão da volta da Copa Intercontinetal, conhecida como Mundial interclubes. Ao mesmo tempo, o Mundial de clubes da Fifa está em questionamento e a tendência é que ou mude bastante seu formato ou acabe. Isso vai se definir nos próximos dois anos.

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, entende que o modelo atual para o Mundial de clubes não é bem-sucedido. Sua intenção é fazer uma modificação. Mas há contrato até 2018 para a realização da competição nos Emirados Árabes. Depois, é um incógnita.

Em paralelo, a Conmebol e a Uefa avançam na discussão da volta da Copa Intercontinental em jogo entre os campeões dos dois continentes. Seria o mesmo formato da competição disputada por 43 edições que terminou em 2004.

É importante lembrar que o Intercontinental sempre foi organizado pela UEFA e pela Conmebol, sem participação da Fifa o que já gerou disputas políticas. Foi de fato o Mundial de clubes por mais de quatro décadas até as duas entidades fazerem um acordo para substitui-lo pelo Mundial da Fifa.

As duas competições só foram disputadas simultâneas em 2000. Por isso, há uma discussão se a volta da Intercontinental implicará no final do Mundial de Clubes. Não é certo qual será o formato final, mas é certeza de que o destino de uma competição está atrelado ao outro. E o futuro será definido nos próximos dois anos.


CBF cogita candidatura ao Mundial de Clubes para 2017
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( Para seguir o blog no Twitter: @_rodrigomattos_)

Ainda de forma tímida, a CBF cogita uma candidatura para sede do Mundial de Clubes nos anos de 2017 e 2018.  Há interesse da entidade em receber a competição, mas isso só ocorreria de houvesse patrocinadores que bancassem o evento.

A Fifa passou a organizar o Mundial de Clubes em definitivo a partir de 2005. Desde então, a maior parte das edições tem sido feita no Japão, onde a Dentsu atua para bancar a competição. Mas há um processo de candidatura, como nas Copas, embora de forma bem menos complexa.

Para que o Brasil configurasse uma candidatura, seria necessário que a CBF e o governo brasileiro apoiassem a ideia. E também seria necessário um patrocinador forte que topasse bancar os custos.

Em 2014, o Marrocos será a sede do Mundial. Para 2015 e 2016, o único candidato é o Japão. As inscrições acabam no final de março. Houve uma reunião nesta terça do comitê de organização da competição, mas não há novidades em termos de organização do evento.

O país-sede tem direito a incluir o seu campeão nacional no Mundial. Foi o que ocorreu com o Corinthians, em 2000, e voltaria a acontecer em eventuais edições no país.

Isso aumentaria consideravelmente a possibilidade de um time brasileiro voltar a ganhar o Mundial, pois poderiam haver dois representantes em caso de conquista da Libetadores. O último título foi do Corinthians, em 2012.


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