Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Mundial de Clubes

Fifa tenta aprovar às pressas novo Mundial de Clubes com oposição da Uefa
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O presidente da Fifa, Gianni Infantino, tenta marcar uma reunião às pressas no final de maio para aprovar um novo Mundial de Clubes que renderia um valor bilionário a entidade e a times. Mas há oposição forte por parte da Uefa que não concorda com acelerar o processo sem que todos os detalhes sejam conhecidos.

A polêmica começou quando Infantino apresentou uma proposta de US$ 25 bilhões pelos direitos de um Mundial de Clubes e uma Liga das Nações. Quem fez a oferta foi um grupo de investidores liderados pelo japonês Soft Bank, conglomerado que exigia uma resposta rápida.

Infantino já desenhou um projeto em que a Fifa ficava com 51% das ações da empresa que controlaria as competições, e dividiria os recursos entre clubes e federações para atrair seu apoio. A ideia era ter 24 times, mas até há abertura para discutir o formato em caso de oposição dos clubes. A questão é a resistência da Uefa.

Nesta quarta-feira, a cúpula da entidade europeia se reuniu e expressou “sérias reservas sobre o processo”, citando o timing e a falta de informações. Houve críticas de dirigentes europeus a falta de transparência e que Infantino estaria vendendo o futuro do futebol sem pensar em seu desenvolvimento.

Ao mesmo tempo, o presidente da Fifa manobra para ignorar a Uefa. Ele avisou membros do Conselho da Fifa que pretendia realizar uma reunião de urgência em Zurique até o final de maio para já aprovar o Mundial, segundo informações obtidas pelo blog. O encontro ainda não foi marcado oficialmente porque precisa de concordância dos outros integrantes do Conselho, o que não aconteceu.

Se na Europa existe resistência por parte de ligas e da Uefa, cartolas da América do Sul concordam com a pressa de Infantino em acelerar o processo. Entende que a proposta é bastante substanciosa e representaria um ganho para todos em termos de receitas.

Uma questão é que Infantino tenta convencer os grandes times europeus a participar do torneio, lhes dando a oportunidade até de opinar sobre o formato, em reunião que esteve com os gigantes do continente. Em compensação, não se preocupou em se reunir com clubes de outras regiões como a América do Sul, Ásia e África.


Fifa consulta clubes para definir tamanho de novo Mundial
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O presidente da Fifa, Gianni Infantino, decidiu ouvir times para definir o formato e o tamanho do novo Mundial de clubes. Foi o que ele afirmou em reunião da Conmebol nesta quinta-feira, no Paraguai, quando voltou a tratar mais sobre a proposta bilionária pela competição. O torneio pode ter de 16 a 32 equipes.

O cartola da federação internacional já começou a conversar com dirigentes de supertimes europeus, como revelou o “New York Times”. Foi uma reunião com Real Madrid, Barcelona, Juventus, Bayern de Munique, entre outros em que Infatino buscou apoio para o Mundial, segundo o jornal norte-americano.

Pois bem, já na América do Sul, Infantino voltou a falar sobre detalhes da proposta de US$ 25 bilhões pelos direitos do Mundial de Clubes e da Copa das Nações. Ele afirmou que não voltará atrás da decisão de acabar com a Copa das Confederações e substitui-la pela competição de times.

O presidente da Fifa, no entanto, já não se mostrou tão certo sobre o tamanho do Mundial que em seu projeto inicial tinha 24 times. Em certo momento, ele afirmou que o campeonato poderia ter 16, 24 ou 32 clubes. E completou dizendo que seria do jeito que os clubes quiserem.

É uma estratégia para atrair o apoio dos supertimes já que a Uefa tem tido uma posição crítica em relação ao Mundial. Representantes de ligas e de grandes clubes europeus também já manifestaram preocupação com a competição.

Infantino não mencionou em nenhum momento, porém, intenção de consultar os clubes sul-americanos e de outros continentes sobre o Mundial de Clubes. Até agora a Conmebol tem participado de forma lateral da discussão, tendo sido mais incisiva na defesa da volta da disputa do Mundial Interclubes anual, entre campeões da Europa e América do Sul.


Proposta por Mundial de Clubes prevê R$ 12 bi para Conmebol e times
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A proposta de um grupo de investimento à Fifa para comprar os direitos do Mundial de Clubes e da Liga das Nações prevê US$ 3,5 bilhões (R$ 11,9 bilhões) para a Conmebol por 12 anos. Esse dinheiro certamente teria de ser distribuído com associações nacionais e clubes de futebol que participassem da competição. Europeus ficariam com uma fatia ainda maior.

Durante reunião de cúpula da Fifa, no mês passado, o presidente da Fifa, Gianni Infantino, apresentou a proposta do fundo de US$ 25 bilhões (R$ 80 bilhões) por 12 anos dos direitos do Mundial de Clubes e da Liga das Nações. A informação foi revelada pelo “New York Times”.

Infantino não quis dizer durante a reunião quem seria o responsável pela proposta. Mas, posteriormente, o “Financial Times” revelou que o líder do consórcio é o Soft Bank, do Japão, que reuniria investidores da China, Arábia Saudita, EUA e Emirados Árabes.

A proposta envolve todos os direitos de televisão e marketing por quatro campeonatos Mundiais de clubes e quatro Liga das Nações, competições que seriam criadas envolvendo todas as seleções do mundo. Essa foi informação obtida pelo blog já que o acordo até 2032. Há outra informação de que a oferta poderia incluir só três campeonatos.

O novo Mundial de Clubes pensado por Infantino seria realizado de quatro em quatro anos, a partir de 2021, com 24 times, no espaço antes destinado à Copa das Confederações. A “Reuters” informou que seriam quatro vagas e meia para América do Sul, o que incluiria os quatro campeões da Libertadores do quadriênio e mais uma vaga a ser disputada com Oceania. Outras 12 vagas iriam para a Europa.

Pelo que apurou o blog, a promessa é de que seria distribuído US$ 8,5 bilhões do total das receitas para a UEFA e seus times. Outros US$ 3,5 bilhões seriam dados para a Conmebol.

Obviamente, as confederações continentais teriam de decidir para onde iria o dinheiro. Isso representaria quase US$ 300 milhões por ano para serem dividido na confederação sul-americana, quase o valor que a entidade ganhará por toda a Libertadores em 2019. Os clubes campeões certamente teriam um incremento significativo de receita ao disputar o Mundial que hoje dá menos de US$ 10 milhões. Há a informação de que, das receitas do Mundial, 75% iriam para os times.

Todo o negócio seria controlado por uma joint-venture com a Fifa com 51% das ações e o investidor com 49%. Esse dado, além do investidor ser mantido de forma anônima, gerou controvérsia entre dirigentes do Conselho da Fifa que ouviram a proposta de Infatino. Afinal, a Fifa se tornaria sócia de bancos, o que poderia gerar consequência inimagináveis.

Outra questão é que os clubes europeus já ofereceram resistência ao novo formato do Mundial de Clubes proposto por Infantino. Uma carta da associação de times europeus, também revelada pelo “New York Times”, questionou o plano do presidente da Fifa, assim como outra manifestação da Premier League.

Portanto, não será de fácil implantação a ideia de Infatino, embora a proposta oferecida, se oficializada, seja um trunfo ao seu favor. Ainda não há data para o presidente da Fifa apresentar novamente a oferta ao Conselho da Fifa para que seja votada, mas é certo que o assunto voltará a pauta.


Novo Mundial de clubes só fará sentido com limites para gigantes europeus
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Há duas discussões paralelas dentro da Fifa que têm uma grande relação entre elas: mudanças no Mundial de Clubes e nas regras de transferências para jogadores. A renovação da competição de times da entidade só fará sentido se houver uma reforma no mercado de transações que limite o poderio dos gigantes europeus. Por enquanto, a cúpula da Fifa teve de recuar em relação ao novo Mundial justamente por pressão dos times do velho continente.

As duas discussão estão na mesa da Fifa, mas não tiveram nenhum avanço na reunião do Conselho da entidade em Bogotá. O “New York Times” revelou que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, teve de desistir de definir seu novo Mundial agora após cartas da associação de clubes europeus e da Premier League, que o criticaram por tomar decisões sem ouvi-los.  Também há resistência europeia a certas mudanças nas transferências.

É bem provável que os dois pontos fiquem para depois da Copa da Rússia-2018. Certo é que há urgência, e que não adianta resolver uma questão sem tratar da outra.

Primeiro, a Fifa percebeu que o Mundial de Clubes é pouco atrativo e gera déficit financeiro em seu formato atual. Neste modelo, deve acabar em 2018. A proposta é substitui-lo por um competição quadrienal com 24 equipes, boa parte delas europeia e sul-americana.

Neste cenário, haverá até competição entre equipes em vez da previsibilidade do Mundial atual. O problema é que domínio europeu permanecerá, com seus orçamentos gigantescos perto dos sul-americanos, e mais ainda dos outros continentes.

Uma busca de um maior equilíbrio – ainda que os europeus se mantenham favoritos – passa justamente pela discussão da janela de transferências. Infantino tem uma proposta de limitar o poderio financeiro dos gigantes europeus.

São três ideias principais: impedi-los de contratar grandes números de jogadores e reemprestá-los pelo mundo como uma reserva de mercado; criar tetos salariais com limitação percentual à receita ganha; e acabar com uma janela de transferências. Em paralelo, a Uefa também tem medidas para obrigar o uso da base e limitar o elenco a ser usado em competições.

Na outra ponta, a Fifa pensa em aumentar o ganho de clubes formadores nas transferências, o que incrementaria as receitas de times principalmente da América do Sul e da África. Assim, tiraria dinheiro que fica na Europa para dar a outros continentes. Isso poderia ser até feito de forma mais radical do que pensa a Fifa, dando 10% aos formadores (a entidade pensa em 7%) porque são eles que trabalham os atletas em seus inícios de carreira.

Obviamente essas medidas não seriam suficientes para igualar a disputa entre um time brasileiro e um Barcelona, por exemplo. E sofrerão bastante resistência dos supertimes europeus. Mas, associadas ao potencial de crescimento da Libertadores, poderiam ser eficientes para reduzir significativamente o abismo atual.

Lembre-se que há cerca de dez ou 15 anos era bem possível (ainda que fosse uma zebra) para um time sul-americano bater o campeão europeu. Agora, isso é tratado quase como um milagre. A Fifa não deve reprimir o livre mercado, mas tem obrigação de regulá-lo.

Se a Fifa de fato quer ter um Mundial de Clubes atrativo, precisa considerar essa questão do equilíbrio. Ou então é melhor acabar de vez com a competição e aceitar que os times europeus viraram uma espécie de NBA do futebol. Só que isso não é positivo para o desenvolvimento do futebol mundial.

 


Fifa deve aprovar árbitro de vídeo na Copa e definir novo Mundial de Clubes
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A reunião do Conselho da Fifa deve aprovar o árbitro de vídeo para a Copa do Mundo da Rússia-2018 e definir o novo formato do Mundial de Clubes. Além disso, haverá a discussão sobre a criação da Copa das Nações com seleções de todo o mundo, em substituição a amistosos. O encontro será em Bogotá nesta sexta-feira.

A International Football Association Board (IAFB) aprovou em março a utilização do árbitro de vídeo no futebol, cabendo ao Conselho referendar se será usado na Copa-2018. Entre os membros do organismo, é dado como certo que o mecanismo será aprovado para o Mundial. A Uefa tem se manifestado contrária à tecnologia, mas é minoritária entre as confederações.

A Fifa já testou o árbitro de vídeo no Mundial de Clubes e na Copa das Confederações. Nessas competições, consolidou os procedimentos para chegar com a tecnologia pronta para a Copa.

Outro tópico é relacionado ao formato do Mundial de Clubes que será modificado porque é considerado pouco atrativo e deficitário. A última edição com a atual fórmula será em 2018 nos Emirados Árabes Unidos. Na agenda da reunião, está descrito que será discutida “a estratégia para competições de clubes (para aprovação)”.

A proposta do presidente da Fifa, Gianni Infantino, é realizar um Mundial a cada quatro anos com 24 clubes do mundo inteiro. A primeira edição só deverá ocorrer no período similar ao da extinta Copa das Confederações, isto é, um ano antes da Copa do Mundo. No formado idealizado, mais da metade dos clubes seria da Europa e da América do Sul. A fórmula, no entanto, não é unanimidade e tem resistência de alguns clubes europeus. Por isso, sua aprovação não é certa, segundo membros do Conselho da Fifa.

Um terceiro ponto é a discussão da criação da Copa das Nações. Pelo modelo proposto, os amistosos disputados atualmente seriam substituídos por jogos entre seleções a serem jogados em datas Fifa. O formato seria de campeonato, com grupos. Se houver um avanço e aprovação nas discussões, poderia ser disputado o torneio ainda em 2019.

A fórmula é inspirada no inventada pela Uefa para uma Copa das Nações Europeias, que já começa a ser disputado neste ano. Para atrair apoios no Conselho da Fifa, o presidente Infantino acena com verbas para todas as seleções participantes, o que incluiria o planeta inteiro.


Fifa lida com disparidade técnica e oposição para mudar Mundial de clubes
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Desde o meio do ano, o presidente da Fifa, Giannni Infantino, vem insistindo na ideia de um novo formato do Mundial de Clubes, diante do fracasso financeiro da fórmula atual. O modelo pensado seria uma competição quadrienal com 24 clubes, uma espécie de Copa do Mundo de times. Só que esta ideia não é unanimidade entre dirigentes e não resolve a questão da disparidade técnica entre times.

Infantino tem falado de seu projeto na maioria dos encontros do Conselho da Fifa. Inicialmente, tinha pensado em um formato que teria até 13 equipes europeias. Recentemente, já mudou o modelo para oito times do velho continente, como disse aos seus pares no sorteio da Copa-2018, em Moscou.  A competição seria no lugar da Copa das Confederações.

Só que o presidente da UEFA, Aleksander Seferin, não mostrou entusiasmo com a ideia. Esse seria uma apoio importante já que são justamente os times europeus que representariam a maior atração do torneio. A associação de clubes da Europa ainda não se posicionou.

Na América do Sul, o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, está claramente mais animado com o projeto de volta da Copa Intercontinental, com o confronto entre um europeu e um sul-americano. É verdade que não haveria conflito entre as duas competições. Isso porque a Intercontinental poderia ser disputada nos três anos em que não haveria o Mundial.

Dentro da Confederação sul-americana, entende-se que haverá apoio dos europeus à volta da Intercontinental. Houve inclusive avanços comerciais em torno da negociação do torneio, que poderia voltar em 2019.

De qualquer maneira, todos os modelos estão em discussão também por conta do enorme abismo técnico entre os gigantes europeus e os times sul-americanos. As equipes do velho continente, turbinadas por muito mais dinheiro, ganharam nove das últimas dez edições.

Com oito times europeus em um Mundial, dependendo da fórmula, a competição poderia ser decidida só pelos clubes do velho continente, deixando os outros apenas como coadjuvantes. A Intercontinental continuaria a ter uma equipe sul-americana jogando por milagre diante do rival europeu mais forte, e o atual Mundial já se mostrou um fracasso.

É essa discussão que vai se desenrolar durante o ano de 2018 que será provavelmente o último do atual formato.


Como o escândalo da Fifa ajuda a explicar o abismo entre Real e Grêmio
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O Grêmio não é um time qualquer: ganhou a Libertadores com justiça, e é o melhor da América do Sul neste ano. O confronto com o campeão europeu, no entanto, não deu nem jogo: o Real Madrid teve um domínio absoluto e ganhou com facilidade. E não é exceção neste Mundial em que a distância entre os times dos dois continentes só aumenta.

Foi sempre assim? Quando ocorreu este processo? Não, não foi sempre assim. Até a década de 90 os confrontos eram equilibrados, ganhava um europeu um ano, outro sul-americano no seguinte. Veja o caso dos títulos do São Paulo na década de 90, batendo Barcelona e Milan na bola. Mesmo na derrota, era pau a pau.

Os times europeus já eram mais ricos, e já contratavam os melhores daqui. A questão é que nos últimos 15 anos essa disparidade aumentou absurdamente. É só constatar que o Real dispõe de R$ 2 bilhões a mais todo ano em relação ao Grêmio. Por isso, nos últimos dez, 15 anos, os europeus em geral dominam amplamente os jogos, até quando perdem a partida no final.

E isso aconteceu porque os gigantes europeus se tornaram marcas globais durante esse período e passaram a arrecadar dinheiro em todo planeta, enquanto times sul-americanos se limitam a mercados locais. É só ver os garotos com a camisa do Barcelona nas ruas do Brasil.

Essa expansão de marca se deu justamente no boom da Liga dos Campeões, competição que a UEFA mudou de cara na década de 90, e se tornou a mais importante de clubes durante os últimos 15 anos. Localmente, as ligas nacionais se profissionalizaram também a ponto de a Premier League se tornar o que é hoje, o campeonato mais rico do mundo de um país.

E o que fazia a Conmebol e a América do Sul neste período? Foi justamente o período em que o FBI revelou que os cartolas da confederação sul-americana venderam os direitos da Libertadores para quem lhes pagou propina. Não faziam concorrência, e assim arrecadavam menos para os clubes.

Pior, nunca deram ao campeonato a promoção para tentar torna-lo global. Os cartolas estavam mais preocupados em encher os bolsos do que em promover o futebol sul-americano, que foi ficando para trás. Poderiam ter expandido para os EUA, para o México, criar uma marca continental. Nada disso foi feito.

Dentro do Brasil, o processo era parecido. A investigação do Departamento de Estado dos EUA revelou que Ricardo Teixeira levava propina pela Copa do Brasil, e depois José Maria Marin e depois Marco Polo Del Nero. De novo, o campeonato era mal vendido, gerava menos dinheiro para os clubes.

A liga brasileira sempre foi sufocada por um sistema que não queria os times fora das asas desses cartolas da CBF. Sim, houve um salto de receita dos clubes brasileiros nos últimos dez anos, até proporcionalmente maior do que dos europeus. Mas dentro de um mercado limitado, pois o Brasileiro nunca se tornou global.

Não é só, claro, culpa de corrupção. A América do Sul tem menos dinheiro do que a Europa, e a Libertadores nunca será igual a Liga dos Campeões financeiramente. Mas a diferença poderia ser muito menor se o continente americano tivesse aproveitado a globalização como fizeram os europeus nos últimos 15 anos.

Os times da América do Sul são celeiros de jogadores talentosos. Se tivessem força financeira, poderiam segurar por mais tempo seus jogadores e tornar a Libertadores e os campeonatos locais bem mais atrativos.  E possivelmente teriam força como tinham na década de 90 de enfrentar os rivais europeus. Com desvantagem, mas com possibilidade de vencer.

Por isso, a derrota do Grêmio – digna, mas sem nenhuma chance de vencer – tem muita relação com algo que ocorreu no dia anterior: a suspensão do presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, por suspeita de corrupção.

Claro, haverá quem apresente um argumento bem forte contra esse tese de que o presidente da federação espanhola, Angel Maria Villar, também está envolvido em casos de corrupção, assim como Michel Platini ex-presidente da UEFA. Não há santos entre os cartolas europeus.

Mas a questão é que os casos em que eles são suspeitos não envolviam a organização dos campeonatos em si, alicerçadas em premissas profissionais. Não havia uma estrutura de contratos das competições construídas para favorecer cartolas, e tirar dinheiro dos clubes como ocorreu na América do Sul. E isso faz toda a diferença… em campo como se viu.

 


Rival na final, Real tem renda dez vezes maior do que Grêmio
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A distância financeira entre os clubes dá uma dimensão do tamanho do desafio do Grêmio diante do Real Madrid na final do Mundial de Clubes: a renda do time gaúcho representa um décimo do que ganha a equipe madrilenha. Essa diferença aumentou nos últimos dez anos o que se reflete em um abismo de investimento no elenco. Claro, isso pode ser superado em campo, mas a tarefa se torna mais difícil.

Vamos aos números. No último período, 2016/2017, o Real Madrid ganhou € 674,6 bilhões (R$ 2,6 bilhões), excluída qualquer receita relacionada à venda de jogador. Ou seja, essa renda veio da comercialização de direitos de televisão, marketing e licenciamento que é o que mais cresce entre europeus.

Em termos de renda, o Grêmio está um patamar alto no Brasil, abaixo só dos mais ricos como Flamengo, Palmeiras e Corinthians. Turbinado pela Libertadores, tem uma previsão de ganhar R$ 325 milhões em 2017. Mas é preciso excluir desse valor R$ 66 milhões com venda de jogadores para fazer a comparação com o clube europeu. Assim, o time gaúcho ganhou R$ 259 milhões em torno de um décimo do Real.

Não é que a diretoria gremista trabalhe mal na obtenção de receitas. Se comparado a 2007, dez anos atrás, o time gaúcho triplicou sua arrecadação que girava na casa de R$ 100 milhões.

Proporcionalmente, o Real Madrid cresceu menos do que o Grêmio em receita. Saltou de um patamar de € 351 milhões para o valor atual, isto é, praticamente dobrou. A questão é que em número absoluto a diferença cresceu em mais de R$ 1 bilhão neste período.

E isso se repete em relação aos outros gigantes da Europa como Barcelona, Manchester United e Bayern de Munique que têm patamares de arrecadação similares. Se forem consideradas as rendas com venda de jogador, muito maiores na Europa do que na América do Sul, a distância entre os dois continentes cresce ainda mais.

Sendo assim, fica claro que neste Mundial de Clubes o Grêmio terá, sob o ponto de vista de investimento, um desafio ainda maior do que outros times brasileiros tinham há dez anos. O Internacional, que bateu o Barcelona em 2006, enfrentou uma equipe excelente, mas certamente menos poderosa sob o ponto de vista financeiro do que é o Real de 2017.


Fiasco comercial leva Fifa a reformular Mundial de Clubes
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Após reunião do seu Conselho, a Fifa anunciou o início da reformulação do seu Mundial de Clubes que será extinto no formato atual. Há uma explicação: a competição é um fracasso comercial pelos padrões financeiros da federação internacional de futebol.

Os documentos contábeis da Fifa mostram que o Mundial de Clubes-2016 no Japão rendeu Us$ 29 milhões (R$ 95 milhões). Em compensação, as despesas somam US$ 20,7 milhões (R$ 68 milhões). Ou seja, a entidade tem um lucro de pouco mais de US$ 1 milhões por jogo já que são oito partidas.

Pior, em 2015, a competição representou um prejuízo. A receita foi de US$ 20,450 milhões com despesas de US$ 20,8 milhões. Para o ciclo de quatro anos, a estimativa era de que entidade ficasse com Us$ 86 milhões neste quadriênio. Isso não dá nem metade do dinheiro da Libertadores que nem é uma competição bem vendida na atual temporada (claro, ressalte-se que é um torneio anual com muito mais jogos).

Assim, o Mundial de Clubes é a terceira competição em renda da Fifa, e quase empata com a quarta que é a Copa do Mundo Feminina. Pode parecer muito para padrões de competições sul-americanas, mas está bem abaixo com são exploradas estrelas mundiais como Cristiano Ronaldo, Messi ou Robben, que disputaram as últimas edições.

Para se ter ideia, os direitos de televisão do Mundial da América Latina para 2017 não foram vendidos ainda pela Fifa. A TV Globo espera a definição se haverá um brasileiro (o Grêmio) na final para saber se compra. Obviamente, com uma negociação tão em cima, o valor será menor.

O presidente da Fifa, Giani Infantino, deixou claro sua insatisfação com o campeonato ao dizer que um evento organizado pela entidade tinha que ser especial para se justificar. Por isso, sua ideia inicial é propor um campeonato em quatro em quatro anos no lugar da Copa das Confederações. Mas será uma comissão de dirigentes que vai discutir as propostas.


Conmebol quer volta da Intercontinental em 2019, e homenageará campeões
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A Conmebol vê como avançadas as negociações para a volta da Copa Intercontinental com a Uefa. E entende que o reconhecimento da competição como Mundial pela Fifa reforçou a campanha pelo retorno. A expectativa é de que o campeonato possa ser disputado novamente em 2019, após o fim do Mundial da Fifa que teria sua última disputa em 2018.

O reconhecimento da Intercontinental é uma vitória política da confederação e de seu presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez, que convenceu outros continentes a apoiar sua proposta. Por isso, ele fará uma homenagem aos 13 times campeões da Intercontinental no sorteio da Libertadores, em dezembro. Ainda não está decidido o formato.

Em paralelo, sem participação da Fifa, a Conmebol tenta fechar o pacote comercial para viabilizar a Intercontinental com a Uefa. A expectativa é de que o torneio se torne um espécie de substituto provisório do Mundial de Clubes da Fifa que acabaria depois de 2018.

Mas que o trabalho da comissão da Fifa para discutir o Mundial de Clubes acabará influenciando o futebol Intercontinental. Atualmente, a tendência é que o Mundial se torne uma edição disputada no lugar da Copa das Confederações. Assim, na visão da Conmebol, sobraria espaço nos outros três anos para a Intercontinental. Alejandro Dominguez faz parte da comissão da Fifa.

Só que o presidente da Fifa, Gianni Infantino, afirmou que quer uma solução que contemple os clubes de todos os continentes. E houve resistência de dirigentes africanos ao reconhecimento da Intercontinental justamente por só ter sul-americanos e europeus. Portanto, a Conmebol pode, sim, enfrentar barreiras no seu projeto.

O quadro deve se definir nos próximos quatro meses já que a Fifa estima para março de 2018 uma solução para a questão.