Blog do Rodrigo Mattos

Arquivo : Copa América

Contrato da Globo para Copa América-2019 sumiu na Conmebol
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O contrato da Copa América-2019 para direitos de TV para o Brasil existe e é assinado com a Globo. Mas até pouco tempo nem a Conmebol tinha o documento que não constava nos seus escritórios. Agora, a entidade pretende ganhar mais com esses direitos, enquanto a emissora brasileira defende que o antigo acordo é válido.

Esse não é o único problema da Conmebol que tem também um contrato em vigor com a Datisa para a Copa América, incluindo outros países. É a mesma empresa que pagava propina para dirigentes da cúpula da entidade como demonstrou a investigação do FBI sobre o “caso Fifa”.

Em reunião nesta semana, no Conselho da entidade, o presidente Alejandro Dominguez se mostrou otimista em desenrolar o nó dos acordos de direitos de televisão. Até porque, sem uma solução para o caso, a Conmebol terá valores reduzidos para a organização da entidade. O objetivo é renegociar os acordos para turbinar rendas. O número de sedes no Brasil dependerá dos valores arrecadados.

E o maior mercado para a Copa América é o Brasil, sede da competição. Mas representantes da Globo mostraram, há cerca de três meses, uma cópia do contrato que têm para os direitos do país. O documento não constava na sede da confederação sul-americana, e dirigentes se mostraram surpresos com sua existência. A emissora brasileira deixou uma cópia do documento no Paraguai.

O acordo é assinado em 2010, nove anos antes da realização da competição, quando nem se sabia onde seria a competição. Foi assinado pelo ex-presidente Nicolas Leóz, que está em prisão domiciliar em Assunção por desviar fundos e levar propinas em contratos. Leóz mantinha um escritório próprio na capital paraguaia, onde ficava boa parte dos documentos da entidade. A auditoria da nova gestão constatou a falta de vários papéis.

O contrato da Globo engloba todos os direitos de televisão para o Brasil. Em nota para o “Lance!”, em maio, a emissora reafirmou seus direitos sobre o torneio e disse que já tinha pago uma parte dos valores. Não houve modificação na posição da emissora que não abre mão de manter em vigor o contrato antigo.

 


Conmebol quer mudar cara da Libertadores na tela, e afetará TVs brasileiras
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A Conmebol planeja mudar a forma como são filmadas e transmitidas a Libertadores, a Copa América-2019 e outras competições, adotando modelo similar ao da Liga dos Campeões e da Copa do Mundo. Isso faz parte do processo de concorrência pelos direitos desses campeonatos iniciado no final de junho. As emissoras brasileiras serão afetadas porque terão menos poder sobre as imagens.

A Confederação Sul-Americana de Futebol iniciou nesta segunda-feira a licitação para a contratação de uma agência para cuidar de seus direitos comerciais e televisivos. Essa agência organizará a concorrência de televisões pela Libertadores a partir de 2019 e para a edição brasileira da Copa América.

Uma reunião do Conselho da Conmebol determinou que a agência vai tratar de diversos pontos: avaliar fórmulas das competições, estratégia de empacotamento audiovisual e de patrocínio, comercialização de direitos e assessorar a produção audiovisual das competições. A cúpula da confederação continua a ter a palavra final sobre quem fica com os contratos.

A intenção da Conmebol é a de produzir sua própria filmagem dos jogos da Libertadores, da Copa América e da Sul-Americana, segundo apurou o blog. Ainda não há data para isso ocorrer porque a confederação terá de entender qual o tamanho da estrutura a ser montada. Justamente por isso terá uma consultoria.

Mas, quando isso se tornar realidade, a produtora da Conmebol será a única a poder gerar imagens das competições. Em seguida, repassará um feed para as emissoras detentoras de direitos como são os casos atualmente da Fox Sports e da Globo. Hoje, são as redes que fazem sua própria filmagem.

Esse é o modelo adotado na Liga dos Campeões e na Copa do Mundo. Então, a UEFA e a Fifa podem determinar gráficos e a inserção de nomes de patrocinadores em placares, entre outros pontos. Por isso, a agência também será responsável pelo “empacotamento” audiovisual e patrocínio. Controlar a imagem significa dominar o que vai entrar na tela e dar um padrão às competições.

Isso não ocorre no Brasil nem na Libertadores, nem no Brasileiro. A Globo tem, por contrato, o domínio sobre as imagens do Nacional, assim como a Fox da Libertadores. Com o modelo da Fifa e da UEFA, há chance de aumentar as receitas das competições sul-americanas. A Globo, por exemplo, não poderia mais esconder nomes de parceiros dos campeonatos.

A Conmebol tem prometido que, com o crescimento das receitas, vai incrementar os ganhos dos clubes na Libertadores. Atualmente, as cotas recebidas pelos times atingem um máximo de US$ 8 milhões para o campeão, sendo que a competição gera um total de US$ 122 milhões.

A licitação para agência da Conmebol está aberta e vai durar um mês, prazo permitido para consultas. A confederação sul-americana ainda não tem uma data definida para a concorrência de tvs para a Libertadores. Mas a promessa é de que todo o processo seja público. Quem define o vencedor será a cúpula da confederação sul-americana.

 


Fifa estuda criar disputa entre campeões da Copa América e da Euro em 2020
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A cúpula da Fifa estuda criar uma disputa intercontinental entre os campeões da Copa América e da Euro em 2020. Essa ideia surgiu na federação internacional em meio à negociação que determinou que o torneio americano será disputado agora sempre no mesmo ano do europeu.

O Conselho da Conmebol já decidiu que a Copa América do Brasil, em 2019, será a última em anos ímpares. Com isso, no ano seguinte, seria disputado um novo torneio nos EUA e, a partir daí, se fixaria a competição nos anos pares em que não ocorra Copa do Mundo. Na sequência, 2020, 2024, 2028, etc.

Essa informação foi publicada primeiro pelo “Globo.com” e confirmada pelo blog. Ressalte-se que ainda falta oficializar a decisão em reunião do conselho da Conmebol, mas ela já conta com apoio dos membros.

O presidente da Fifa, Giani Infantino, apoiou a ideia e foi além: já manifestou intenção de realizar uma final entre os campeões dos dois continentes, aproveitando que as competições ocorrem no mesmo período. Seria mais um projeto do mandatário para aumentar a arrecadação já que o jogo atrairia bastante atenção no período sem Copa.

A Copa América a ser realizada de novo nos EUA tem como objetivo o crescimento de receitas. Para se ter ideia, a edição de 2016 também em terras norte-americanas gerou US$ 300 milhões em vendas de direitos de televisão e marketing. Cada seleção ficou com US$ 7 milhões, o dobro do valor obtido para cada time na competição de 2015 no Chile.

A informação da Fifa é de que a Euro e a Copa América simultâneas, juntas, atraíram tanta atenção pelo planeta quanto Copas do Mundo. Por isso, não se descarta que a Conmebol realize mais edições nos EUA. Neste cenário, a ideia de Infantino de uma final entre campeões continentais pode ganhar força, embora ainda não tenha sido discutida a fundo na Conmebol e na UEFA.

A realidade é que, após a expansão da Copa do Mundo para 48 seleções, a Fifa está revendo todas as competições. Quer maximizar receitas e atrair mais tempo de atenção mundial.


Copa América no Brasil tem direito de tv preso à empresa acusada de propina
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Os direitos de televisão da Copa América do Brasil, em 2019, continuam presos a uma empresa acusada de pagar propina para ex-dirigentes da Conmebol, a Datisa. Isso gera um dificuldade para a comercialização da competição. Tanto que começou a ser discutida uma solução para esta questão em reunião da confederação sul-americana nesta semana.

A investigação do FBI e do Departamento de Justiça dos EUA apontou que a Datisa e seus donos (Traffic, Torneos e Full Play) se comprometeram a pagar US$ 110 milhões em propina para dirigentes da Conmebol, entre presidentes da entidade e das federações nacionais. Em troca, levaram o contrato da Copa América até 2023. Três ex-presidentes da confederação sul-americana estão presos e outros dirigentes como José Maria Marin.

Pois bem, a Conmebol anunciou que tinha rompido o contrato com a Datisa para a Copa América Centenario, em 2016. Mas a empresa recebeu dinheiro pelos direitos em acordo revelado pelo jornal paraguaio “ABC Color” em julho do ano passado. O periódico mostrou que a Datisa e seus associados ganhariam US$ 40 milhões com a competição.

No processo norte-americano sobre corrupção, um ex-advogado da Conmebol afirmou que levantou US$ 25 milhões em dinheiro com contratos de televisão liberados pela Datisa para poder pagar as seleções. Afinal, a empresa estava com as contas bloqueadas pela Justiça. Esse dinheiro foi obtido com a venda dos direitos, e boa parte repassado à própria Datisa.

O acordo valeu para a Copa América Centenario, mas o problema ressurge para as próximas edições da competição para as quais o contrato continua válido. Para o torneio no Brasil, os cartolas da Conmebol começaram a discutir como resolver o contrato com a Datisa. Afinal, a empresa que deveria revender os direitos de televisão, mas não goza de credibilidade após o escândalo. Fato é que, passado o momento inicial da denúncia, a Datisa e seus donos se fortaleceram e o rompimento do contrato fica mais difícil.

Sem saber quanto vai arrecadar com direitos de televisão, a Conmebol tem dificuldade para planejar todo o restante da Copa América. É o dinheiro da comercialização que banca a organização e garante a renda para as seleções. A questão será discutida mais a fundo no encontro do executivo da Conmebol em abril, no Paraguai. O formato da Copa América e a escolha de sedes do torneio dependem de saber quanto de dinheiro tem disponível.

A Conmebol se posiciona como vítima no processo norte-americano em que seus ex-dirigentes são acusados de corrupção. Segundo seus advogados, a entidade tem sido totalmente transparente com o governo dos EUA em relação a informações sobre o caso desde que o presidente da entidade, Alejandro Dominguez assumiu no início de 2016.


Conmebol vendeu tabela e jogadores da Copa América por suborno a cartolas
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Em troca do pagamento de subornos a cartolas, dirigentes da Conmebol permitiram que a Traffic mandasse em toda a Copa América. A empresa tinha direito a definir formato da competição, a tabela e a exigir os melhores jogadores das principais seleções como Brasil e Argentina. Essa informação nova do “caso Fifa” consta do meu livro “Ladrões de bola”, lançado nesta semana, pela editora Panda Books.

Reprodução da capa do livro "Ladrões de bola"

Reprodução da capa do livro “Ladrões de bola”

Durante a apuração do livro, obtive o processo judicial nos EUA movido pela Traffic contra a Conmebol, em 2011, em disputa pelos direitos da Copa América. Nestes documentos inéditos da ação, há o contrato de venda de direitos de televisão da competição que dá todas essas prerrogativas à empresa em clara interferência no maior campeonato das Américas.

Lembre-se: os três ex-presidentes da Conmebol, Nicolás Leoz, Eugenio Figueredo, e Juan Angel Napout, são acusados na Justiça dos EUA de levar propinas de empresas para lhes garantir direitos sobre a Copa América e Libertadores. Dirigentes brasileiros como o atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, também estão entre réus pelo mesmo motivo.

Os documentos obtidos por mim no livro mostram que a Copa América representava 80% da receita da Traffic. Por isso, a empresa processou a Conmebol quando esta lhe tirou esses direitos para dar para a Full Play, que prometia mais subornos. Na ação civil nos EUA, a confederação sul-americana chegou a recorrer à Fifa para tentar vencer a ação. Mas, por carta, o então secretário-geral da Fifa Jérôme Valcke se recusou a se envolver no processo.

Veja abaixo o trecho do livro sobre os contratos da Traffic para a Copa América:

“Para a Traffic, o negócio era imensamente lucrativo, tanto que estendeu seus braços para criar filiais nos Estados Unidos: duas empresas passaram a gerir de lá boa parte dos acordos pela competição. “A Traffic construiu o seu negócio e reputação em promover e fazer o marketing da Copa América e da venda exclusiva dos direitos comerciais, de TV e de patrocínio. A Copa América é a pedra fundamental do negócio da Traffic”, explicam advogados da empresa em ação judicial contra a Conmebol movida em 2011 por disputa de direitos relacionados à competição. A estimativa era de que o torneio gerava 80% da receita da empresa brasileira. Não era à toa que Hawilla, no início do novo milênio, passou a dar pouca importância aos seus contratos com a CBF, que tinham se tornado secundários para a agência de marketing.

Com todos ganhando dinheiro de várias fontes, era natural que a rela-ção se estendesse. Por isso, a Conmebol e a Traffic renovaram os contratos em 2001, prevendo a venda dos direitos de marketing, comerciais e televisivos das três edições seguintes da Copa América: pelo novo acordo, a empresa se manteria “dona” do campeonato até 2015. As propinas pagas a Leoz, com o incremento da renda, saltavam para sete dígitos, isto é, pelo menos 1 milhão de dólares. Além dos subornos, a empresa aceitava pagar um total de 46 milhões de dólares por três edições do torneio, chegando a um valor de 18 milhões de dólares pela última edição, a de 2009.

Em troca desse dinheiro e das propinas, a Traffic tinha total controle sobre a Copa América, como fica claro no contrato da competição disponí-vel no processo judicial entre as partes. Os locais de todos os jogos tinham que ser aprovados pela empresa. O formato do campeonato já estava prede-finido, com 12 times divididos em três grupos de quatro e quartas de final. A Conmebol era obrigada a garantir que os melhores jogadores de cada se-leção pudessem atuar. Os estádios deveriam estar limpos e sem publicidade local para que a empresa pudesse explorá-los da melhor forma que lhe conviesse. Todos os patrocinadores e fornecedores seriam escolhidos pela agência brasileira. O total de 13 itens seria cedido à Traffic pela Conmebol, com exceção da bola.”

PS: O livro pode ser comprado (R$ 35,90) no site da editora Panda Books: https://pandabooks.websiteseguro.com. Se houver dificuldade com o link, é só digitar o domínio: www.pandabooks.com.br

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Hawilla detalha propinas que envolvem até Nike e seleção brasileira

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Hawilla detalha propinas que envolvem até Nike e seleção brasileira
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Quatro meses após a prisão de cartolas da Fifa, a Justiça dos EUA tirou o sigilo sobre a confissão do dono da Traffic José Hawilla, maior responsável pelo pagamento de propinas para os dirigentes. Seu depoimento relata pagamento de propina para obter contrato de patrocínio da seleção brasileira, e dos direitos da Copa do Brasil, além de Copa América e da Copa Ouro. Por isso, o ex-presidente da CBF José Maria Marin foi preso.

“Eu concordei em fazer pagamentos de propinas e subornos que seriam escondidos por contratos da Copa América, da Copa Ouro, da Copa do Brasil e do (…) patrocinador do time brasileiro.”

“Eu usei as instituições financeiras e os mecanismos eletrônicos dos EUA para fazer alguns desses pagamentos de propina e subornos, assim como para fazer pagamentos legítimos relacionados a esses direitos, todos para promover esse esquema.”

Hawilla fez um acordo para se declarar culpado por quatro crimes, conspiração, fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e obstrução à Justiça. Cada um poderia lhe render até 20 anos de prisão. Mas seu acordo de cooperação e a promessa de pagar US$ 151 milhões o mantém fora da cadeia em vigilância nos EUA.

“Durante este período, a Fifa, a Concacaf e outras organizações de futebol e empresas de marketing tiveram compromissos para promover e/ou regular o esporte do futebol pelo mundo como parte de uma organização. Entre outras coisas, essas organizações realizaram eventos esportivos e conduziram negócios nos EUA e usaram das instituições financeiras dos EUA.”

Foi em 12 de dezembro de 2014 que o executivo da Traffic se sentou diante Raymond Deari, na corte do Broklyn, Nova York, para relatar seus crimes. Respondeu a várias perguntas em que garantia saber os direitos dos quais abria mão ao se confessar culpado.

Primeira página do depoimento de Hawilla

Primeira página do depoimento de Hawilla

Aos 71 anos, admitiu que sofria sérios problemas de saúde, como um câncer na língua, curado, e um problema nos pulmões, que os obrigava a tomar uma série de remédios. Mas disse que estava plenamente consciente para fazer uma confissão que iria abalar o mundo do futebol. Aí vai o seu relato:

“Meu nome é José Hawilla. Desde aproximadamente 1980, eu comecei a desenvolver projetos de marketing esportivo por meio da minha companhia Traffic. Eu comprei os direitos de eventos de futebol e comecei a promovê-los de uma forma legítima pelo mundo.

Aproximadamente em 1991 quando eu fui renovar o contrato de um desses eventos, a Copa América, um dirigente associado com a Fifa, o organismo encarregado do futebol mundial e sua federação Conmebol, ele me pediu por propinas para ele assinar o contrato. Eu precisava daquele contrato porque eu já tinha tinha assumido futuros compromissos mesmo que eu não quisesse concordar em pagar para aquele dirigente.

Depois disso e até 2013, outros dirigentes de futebol vieram até mim e aqueles com quem me associei no negócio para pedir propinas para assinar ou renovar contratos. Eu concordei que pagamentos de propinas não revelados seriam feitos para dirigentes de futebol por contratos de direitos de marketing e outros para vários outros torneios e outros direitos associados ao futebol.

Eu concordei em fazer pagamentos de propinas e subornos que seriam escondidos por contratos da Copa América, da Copa Ouro, da Copa do Brasil e do (…) patrocinador do time brasileiro.

Eu usei as instituições financeiras e os mecanismos eletrônicos dos EUA para fazer alguns desses pagamentos de propina e subornos, assim como para fazer pagamentos legítimos relacionados a esses direitos, todos para promover esse esquema.”

(Neste trecho, o relato de Hawilla é interrompido para que os procuradores e o juiz se certifiquem do nome do patrocinador da seleção. O nome da empresa é mantido em segredo na transcrição, mas se sabe que se trata da Nike que assinou contrato com a CBF em 1996.)

“Durante este período, a Fifa, a Concacaf e outras organizações de futebol e empresas de marketing tiveram compromissos para promover e/ou regular o esporte do futebol pelo mundo como parte de uma organização. Entre outras coisas, essas organizações realizaram eventos esportivos e conduziram negócios nos EUA e usaram das instituições financeiras dos EUA.

Em relação às acusações dois e três, eu deliberadamente e conscientemente concordei que membros de duas outras companhias similares que fizeram compromissos para pagar propinas em conexão com a Copa América que a Traffic contribuiria com esses pagamentos. As propinas não reveladas foram pagas a dirigentes que tinham posições de autoridade e confiança na Fifa e em outras duas das suas confederações, Concacaf e Conmebol, para assegurar direitos de marketing relacionados à Copa América. Eu concordei em usar e usei a conta da Traffic no banco nos EUA e os mecanismos eletrônicos dos EUA para reembolsar uma porção do pagamento das despesas feitas com outras empresas de marketing transferindo dinheiro para bancos em outros países. As transferências foram feitas de bancos de Nova York”

“Finalmente, em conexão com a acusação quatro, antes da minha prisão, quando eu fui informado por uma pessoa que o FBI estava perguntando sobre propinas pagas pela Traffic, eu pedi a ele para não mencionar o meu nome e o nome da Traffic para o FBI. Também, depois da minha prisão, quando eu fui questionado pelo governo no Brooklyn em conexão com a investigação do grande juri, eu escondi retive informação dele incluindo sobre atividades criminais que eram relevantes para a investigação.

Ao fazer isso, eu impedi intencionalmente a investigação do grande juri.

Eu sabia que a minha conduta era errada. Eu me arrependo muito e peço desculpas pelo que fiz.”

Procurado, o advogado de Hawilla, José Luis de Oliveira Lima, soltou uma comunicado: “Não há nenhuma novidade nos documentos divulgados hoje. J. Hawilla contribuiu com as investigações e está sempre à disposição da Justiça para esclarecimento.”


Petrobras pagou R$ 19 mi à Traffic por direitos obtidos com propina
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A Petrobras pagou R$ 19,2 milhões para a Traffic para patrocinar a Copa do Brasil, de 2011 a 2014, e a Copa América-2011. A agência de marketing já admitiu à Justiça dos EUA que pagou propina para obter os contratos dos direitos sobre esses campeonatos. Ou seja, dinheiro público serviu para abastecer o esquema de corrupção descoberto no caso Fifa ainda que a estatal não soubesse.

A Traffic tinha os direitos de televisão, placas publicitárias e outras propriedades comerciais da Copa do Brasil e da Copa América desde o final da década de 80 e início de 90. Em depoimento ao Departamento de Justiça dos EUA, o dono da empresa José Hawilla admitiu ter pago subornos para ex-presidentes da CBF como José Maria Marin e Ricardo Teixeira (não citado no inquérito) e dirigentes da Conmebol por esses contratos.

Pelo acordo da Copa do Brasil, ele pagou oficialmente R$ 55 milhões para a CBF por seis anos, de 2009 a 2014, isto é, R$ 9 milhões por ano, além dos subornos. Com os direitos na mão, a Traffic vendeu placas publicitárias para a Petrobras para 2011 por R$ 3,099 milhões, em contrato assinado no final de 2010.

Logo depois, em abril de 2011, a Petrobras assinou novo acordo com a Traffic no valor de R$ 3,5 milhões pelo patrocínio da Copa América-2011, na Argentina. Por esse torneio, a agência de marketing pagou propinas ao então presidente da Conmebol Nicolás Leoz, e a membros do conselho da entidade.

Ao final de 2011, a estatal de petróleo estendeu seu contrato em relação à Copa do Brasil, fechando por mais três anos. Desta vez, foram R$ 12,6 milhões por três anos, o que significava cerca de R$ 4 milhões por ano. Ou seja, só o acordo da Petrobras bancava quase metade do que a agência tinha gasto com os direitos.

A assessoria da Petrobras informou que foi a CBF que indicou que a negociação fosse feita com a Traffic nos três contratos: “A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) atestou à Petrobras que esta empresa detinha os direitos de exclusividade de comercialização das cotas de patrocínio para os eventos. Todas as obrigações contratuais foram cumpridas por parte da Traffic. A Petrobras efetuou os pagamentos devidos nos prazos estabelecidos nos contratos.”

Assim, foi pago um total de R$ 19,2 milhões pela Petrobras à Traffic. Não foi feita licitação para nenhum dos três contratos baseado no decreto 274 que libera a concorrência nos casos de patrocínio ou de fornacedor único: “Não há obrigação legal de se efetuar um processo de licitação, pois não é possível haver competição por critérios objetivos”, disse a asessoria da estatal.

Segundo a Petrobras, o objetivo foi ter ganho de imagem institucional para seus produtos. Não há por parte da estatal nenhum indício de corrupção na contratação, e a petroleira não respondeu se abriu inquérito para investigar o caso após saber da corrupção nos contratos. A assessoria da Traffic não quis se pronunciar. Outros nove patrocinadores assinaram acordos com agência de marketing para a Copa do Brasil, todos privados.

 


CBF decide criar plano para futebol após críticas severas por Copa América
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As severas críticas sofridas pela seleção brasileira após a queda da Copa América foram decisivas para CBF se mobilizar para traçar um novo plano para o futebol brasileiro para os próximos anos. Será formado um conselho para identificar problemas e apontar soluções até o final do ano. A ideia é implantar medidas a partir de 2016.

“As críticas foram muito severas após a Copa América. Queremos ouvir as demandas da sociedade, o que os setores têm a dizer”, contou o secretário-geral da confederação, Walter Feldman. “Aceleramos um processo de reestruturação porque o Brasil quer resposta.”

Essa ideia surgiu em reunião da diretoria da CBF na terça-feira. Após o encontro, o presidente da entidade, Marco Polo Del Nero, instituiu uma RDP (Resolução da Presidência) para criar o Núcleo de Consultores Externos. Entre os convocados, técnicos e ex-técnicos do Brasil e de outros países, ex-jogadores, representantes da mídia, e profissionais técnicos e de ciência esportiva.

O objetivo é que esse grupo aponte os problemas do futebol brasileiro para criar um diagnóstico. A CBF tem uma avaliação de quais são os pontos a serem atacados, mas quer ouvir opiniões mais amplas. Não há um prazo fixado porque há a intenção de se ouvir técnicos estrangeiros, o que pode criar dificuldades de agenda. Mas a intenção é concluir o diagnóstico até o final do ano.

Na avaliação de dirigentes da entidade, como faltam três anos para a Copa-2018, há tempo para se implantar mudanças que já tenham efeito até lá. Antes da Copa América, já havia a ideia de se realizar um seminário do futebol, mas isso foi acelerado com a fraca campanha. “Há uma pressão por resultados, mas temos que pensar no longo prazo”, analisou Feldman.

Além das questões do campo, a CBF sofre com uma crise institucional desde que o seu vice-presidente José Maria Marin foi preso na Suíça acusado de receber propinas por contratos da entidade. Há suspeito sobre Del Nero que tem evitado viajar para o exterior por conta das investigações de autoridades norte-americanas.

Na parte administrativa, a confederação não fez nenhuma mudança e mantém os contratos suspeitos com empresas investigadas como a Kléfer, que detém os direitos sobre a Copa do Brasil e de amistosos da seleção. Neste caso, a CBF acena com uma auditoria da Ernest & Young para identificar problemas na gestão.


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