Blog do Rodrigo Mattos

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Copa América repete Mundial, encurta pré-temporada e vai parar Brasileiro
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A Copa América no Brasil vai paralisar todos as divisões do campeonato nacional e encurtará a pre-temporada de clubes durante o ano de 2019. Não há previsão de redução dos Estaduais. É com esse cenário que a CBF trabalha na elaboração do calendário do futebol para o próximo ano.

O cronograma de jogos do futebol nacionais deve ser concluído até o fim do mês de agosto, embora ainda sem data para ser divulgado. Há ajustes para serem feitos. As linhas gerais, no entanto, já estão traçadas e o aperto será quase igual ao de 2018 com a Copa do Mundo, com a vantagem de que a Copa América ocupará duas semanas a menos. A competição sul-americana ocorrerá durante três semanas de junho.

“Todas as competições vão ser paralisadas para a Copa América, inclusive as séries B e C”, contou Manoel Flores, diretor de competições da CBF. “Está apertado, mas não tanto quanto na Copa do Mundo.”

A tendência é de os Estaduais serem mantidos com 18 datas, como na atual temporada. Assim, a CBF será forçada a invadir o primeiro mês do ano com competições. Atualmente, trabalha-se com meados de janeiro como possível início das atividades. A confederação, no entanto, tenta fazer ajustes para retardar um pouco mais esse data.

O que é certo é que os clubes não terão novamente uma pre-temporada de 30 dias, como é o ideal para preparação física dos jogadores. Em 2018, os Estaduais começaram no meio de janeiro, precisamente na semana do dia 17. Como houve times que acabaram a temporada no meio de dezembro de 2017, como Flamengo e Grêmio, seus times titulares voltaram de férias justamente no início da temporada.

Outra questão é que, de novo, o Brasileiro ficará espremido em seu início e no seu final, com bom número de jogos nos meios de semana. Como a Libertadores e a Copa do Brasil se estendem pelo ano, os clubes voltarão a ter de poupar jogadores para evitar quedas de ritmo. No geral, haverá pouca ou nenhuma evolução em relação à atual temporada.


Copa América adiará projeto do Fla de retirar assentos do Maracanã
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Próximos de selar parceria em definitivo, Flamengo e administradores do Maracanã (Odebrecht) discutem também a retirada dos assentos do setor Norte, reinvidicação antiga do clube para aumentar a capacidade. Só que as conversas já indicaram que a medida terá de ser adiada para depois da Copa América, o que seria no segundo semestre de 2019.

Com plano de usar o estádio nos próximos anos, a diretoria do Flamengo colocou na mesa a ideia de retirar os assentos do setor Norte, onde a torcida ainda fica em pé. A concessão permite a Odebrecht realizar esse projeto sem aprovação do governo do Estado.

Mas há outros entraves para viabilizar de imediato um setor sem assentos. Primeiro, a Copa América deve prever que os estádios tenham assentos. Isso exigiria uma adaptação inclusive da Arena Corinthians, que tem um setor sem assentos.

Além disso, as partes ainda estudam questões de legislação que podem dificultar a adaptação. Outro ponto é que o corpo de bombeiros terá de aprovar um projeto que determinaria qual a capacidade para o setor.

Atualmente, há uma estimativa das partes envolvidas no projeto de quantas pessoas caberiam sem assentos: pode ser 1,5 ou 2 torcedores para um torcedor atual. A capacidade do setor Norte é de 23 mil a 24 mil lugares. Mas esses números ainda são sem o parecer dos bombeiros, que será decisiva.

Além de aumentar a capacidade, a retirada dos assentos representaria uma economia para o Flamengo, porque a maior parte das cadeiras quebradas estão no setor. Isso justamente porque as pessoas ficam em pé. Há uma média de 40 assentos perdidos por jogo, com um custo de R$ 500,00 cada para o clube.

Outras reformas pensadas para o estádio são a construção de um bar de esportes no setor de camarotes oeste. Isso é uma ideia apenas da concessionária. Há ainda a possibilidade de uma loja do clube no Maracanã, o que dependerá do Flamengo querer investir neste projeto.


Redução de Copa América ameaça dois estádios em São Paulo como sedes
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A redução do número de seleções na Copa América, de 16 para 12 times, deve diminuir a competição, criou disputa para ser sede do torneio e ameaça uma das vagas em São Paulo. Em 2017, o Comitê Organizador tinha batido martelo que a Arena Corinthians e o Allianz Parque estariam dentro do torneio. Mas, agora, há pressão por diminuição de sedes e uma discussão se cabe deixar duas na mesma cidade.

O plano inicial da Conmebol era ter 16 seleções na Copa América, incluindo México e EUA. Só que não houve acordo com a Concacaf (Confederação da América Central, do Norte e do Caribe) nem sobre calendário, nem sobre divisão comercial de receitas. Resultado: entraram apenas Qatar e Japão como extras além dos 10 times da América do Sul.

Aliado a isso, há um problema de contratos antigos de direitos de televisão (com a Globo e com a Datisa) que impacta nas receitas da competição. Menos dinheiro arrecadado, menos recursos para organizar o evento. Isso levo à conclusão de que é necessário ter um formato enxuto com poucas sedes.

Pelo plano atual, a ideia é fazer em até seis sedes. São Paulo, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Salvador são certos. Assim, teoricamente, os paulistas teriam dois estádios pela estratégia traçada no início. Mas há uma pressão pela inclusão de outra sede no Nordeste, com disputa entre Fortaleza e Recife. Isso já contando com uma possível exclusão da capital Brasília.

Diante desse quadro, já existe uma discussão na CBF e na Conmebol se um excesso de jogos em São Paulo acarretaria em desinteresse de parte do público se não forem confrontos interessantes. Outra corrente defende o contrário: é o mercado mais forte economicamente e portanto tem público para um número maior de partidas. Caso se decida por uma sede em São Paulo, o Allianz Parque e a Arena Corinthians disputariam uma vaga.

Em paralelo, já se iniciou o processo técnico para avaliar cada um dos estádios. Serão verificados não só estrutura dos dois estádios como se acordos prévios de marketing de cada arena, que poderiam dificultar a ocupação pelos parceiros da Conmebol. Neste caso, o Allianz Parque é um estádio mais bem sucedido em sua exploração e portanto tem mais compromissos a realizar do que a Arena Corinthians. Mas é certo que a WTorre demonstrou interesse em sediar os jogos.

Para além da avaliação técnica, o comitê organizador da Copa América terá de equilibrar a questão dos custos da competição com o número de sedes. Por isso, se a Conmebol for capaz de levantar mais dinheiro com patrocinadores e alguns direitos de TV, aumenta a chance de mais estádios. Até porque já haverá pressão pela inclusão de mais sedes. A confirmação da Arena Corinthians e do Allianz Parque juntos na Copa América, que antes era certa, agora depende desse cenário.


Conmebol tenta montar quebra-cabeça da Copa América no Brasil
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A Conmebol tem se esforçado para montar o quebra-cabeça da Copa América do Brasil-2019, decidindo número de participantes e sedes. Entre as dúvidas, haverá 12 ou 16 seleções participantes e se a competição ficará de fato restrita ao Sul e Sudeste do país. A decisão deve sair no início de abril no próximo Congresso da confederação.

É certa a intenção da Conmebol de expandir o torneio além dos 10 times da América da Sul. Por isso, existe a negociação com países da América do Norte e da Ásia. No caso do continente americano, os alvos são México e EUA, podendo ser acrescentadas outras nações. Na Ásia, o alvo é o Japão.

Por que a ideia da Conmebol de aumentar o torneio? O projeto é uma expansão comercial do torneio que sofre com limitações financeiras para esta edição. Explica-se: a maior parte dos direitos de países da América do Sul está preso em contratos antigos como é o caso do Brasil. Sem expansão, terá de ser feita uma competição modesta com poucos recursos.

Há complicações: a Concacaf (Confederação da América do Norte) tem datas da Copa Ouro, sua competição, que podem coincidir com a Copa América. E o mesmo pode ocorrer com o Japão, mas há uma esperança que os asiáticos se comprometam a trazer seu time A.

As decisões sobre número de equipes terão direto impacto no tamanho da competição no Brasil e no número de sedes. A princípio, com uma competição modesta, seriam usadas apenas sedes no Sudeste e no Sul, incluindo dois estádios em São Paulo e um no Rio.

Se houver mais dinheiro, com a inclusão de novos mercados, será possível incluir talvez uma capital do Nordeste ou outro centro fora deste eixo. A influência política também pode pesar no cenário.

Certo é que a Conmebol não tem tanto tempo por isso tem que definir tudo em abril. A partir daí, teria pouco mais de um ano para vender a competição, cujos direitos serão negociados pela MP & Silva.

 


Contrato da Globo para Copa América-2019 sumiu na Conmebol
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O contrato da Copa América-2019 para direitos de TV para o Brasil existe e é assinado com a Globo. Mas até pouco tempo nem a Conmebol tinha o documento que não constava nos seus escritórios. Agora, a entidade pretende ganhar mais com esses direitos, enquanto a emissora brasileira defende que o antigo acordo é válido.

Esse não é o único problema da Conmebol que tem também um contrato em vigor com a Datisa para a Copa América, incluindo outros países. É a mesma empresa que pagava propina para dirigentes da cúpula da entidade como demonstrou a investigação do FBI sobre o “caso Fifa”.

Em reunião nesta semana, no Conselho da entidade, o presidente Alejandro Dominguez se mostrou otimista em desenrolar o nó dos acordos de direitos de televisão. Até porque, sem uma solução para o caso, a Conmebol terá valores reduzidos para a organização da entidade. O objetivo é renegociar os acordos para turbinar rendas. O número de sedes no Brasil dependerá dos valores arrecadados.

E o maior mercado para a Copa América é o Brasil, sede da competição. Mas representantes da Globo mostraram, há cerca de três meses, uma cópia do contrato que têm para os direitos do país. O documento não constava na sede da confederação sul-americana, e dirigentes se mostraram surpresos com sua existência. A emissora brasileira deixou uma cópia do documento no Paraguai.

O acordo é assinado em 2010, nove anos antes da realização da competição, quando nem se sabia onde seria a competição. Foi assinado pelo ex-presidente Nicolas Leóz, que está em prisão domiciliar em Assunção por desviar fundos e levar propinas em contratos. Leóz mantinha um escritório próprio na capital paraguaia, onde ficava boa parte dos documentos da entidade. A auditoria da nova gestão constatou a falta de vários papéis.

O contrato da Globo engloba todos os direitos de televisão para o Brasil. Em nota para o “Lance!”, em maio, a emissora reafirmou seus direitos sobre o torneio e disse que já tinha pago uma parte dos valores. Não houve modificação na posição da emissora que não abre mão de manter em vigor o contrato antigo.

 


Conmebol quer mudar cara da Libertadores na tela, e afetará TVs brasileiras
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A Conmebol planeja mudar a forma como são filmadas e transmitidas a Libertadores, a Copa América-2019 e outras competições, adotando modelo similar ao da Liga dos Campeões e da Copa do Mundo. Isso faz parte do processo de concorrência pelos direitos desses campeonatos iniciado no final de junho. As emissoras brasileiras serão afetadas porque terão menos poder sobre as imagens.

A Confederação Sul-Americana de Futebol iniciou nesta segunda-feira a licitação para a contratação de uma agência para cuidar de seus direitos comerciais e televisivos. Essa agência organizará a concorrência de televisões pela Libertadores a partir de 2019 e para a edição brasileira da Copa América.

Uma reunião do Conselho da Conmebol determinou que a agência vai tratar de diversos pontos: avaliar fórmulas das competições, estratégia de empacotamento audiovisual e de patrocínio, comercialização de direitos e assessorar a produção audiovisual das competições. A cúpula da confederação continua a ter a palavra final sobre quem fica com os contratos.

A intenção da Conmebol é a de produzir sua própria filmagem dos jogos da Libertadores, da Copa América e da Sul-Americana, segundo apurou o blog. Ainda não há data para isso ocorrer porque a confederação terá de entender qual o tamanho da estrutura a ser montada. Justamente por isso terá uma consultoria.

Mas, quando isso se tornar realidade, a produtora da Conmebol será a única a poder gerar imagens das competições. Em seguida, repassará um feed para as emissoras detentoras de direitos como são os casos atualmente da Fox Sports e da Globo. Hoje, são as redes que fazem sua própria filmagem.

Esse é o modelo adotado na Liga dos Campeões e na Copa do Mundo. Então, a UEFA e a Fifa podem determinar gráficos e a inserção de nomes de patrocinadores em placares, entre outros pontos. Por isso, a agência também será responsável pelo “empacotamento” audiovisual e patrocínio. Controlar a imagem significa dominar o que vai entrar na tela e dar um padrão às competições.

Isso não ocorre no Brasil nem na Libertadores, nem no Brasileiro. A Globo tem, por contrato, o domínio sobre as imagens do Nacional, assim como a Fox da Libertadores. Com o modelo da Fifa e da UEFA, há chance de aumentar as receitas das competições sul-americanas. A Globo, por exemplo, não poderia mais esconder nomes de parceiros dos campeonatos.

A Conmebol tem prometido que, com o crescimento das receitas, vai incrementar os ganhos dos clubes na Libertadores. Atualmente, as cotas recebidas pelos times atingem um máximo de US$ 8 milhões para o campeão, sendo que a competição gera um total de US$ 122 milhões.

A licitação para agência da Conmebol está aberta e vai durar um mês, prazo permitido para consultas. A confederação sul-americana ainda não tem uma data definida para a concorrência de tvs para a Libertadores. Mas a promessa é de que todo o processo seja público. Quem define o vencedor será a cúpula da confederação sul-americana.

 


Fifa estuda criar disputa entre campeões da Copa América e da Euro em 2020
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A cúpula da Fifa estuda criar uma disputa intercontinental entre os campeões da Copa América e da Euro em 2020. Essa ideia surgiu na federação internacional em meio à negociação que determinou que o torneio americano será disputado agora sempre no mesmo ano do europeu.

O Conselho da Conmebol já decidiu que a Copa América do Brasil, em 2019, será a última em anos ímpares. Com isso, no ano seguinte, seria disputado um novo torneio nos EUA e, a partir daí, se fixaria a competição nos anos pares em que não ocorra Copa do Mundo. Na sequência, 2020, 2024, 2028, etc.

Essa informação foi publicada primeiro pelo “Globo.com” e confirmada pelo blog. Ressalte-se que ainda falta oficializar a decisão em reunião do conselho da Conmebol, mas ela já conta com apoio dos membros.

O presidente da Fifa, Giani Infantino, apoiou a ideia e foi além: já manifestou intenção de realizar uma final entre os campeões dos dois continentes, aproveitando que as competições ocorrem no mesmo período. Seria mais um projeto do mandatário para aumentar a arrecadação já que o jogo atrairia bastante atenção no período sem Copa.

A Copa América a ser realizada de novo nos EUA tem como objetivo o crescimento de receitas. Para se ter ideia, a edição de 2016 também em terras norte-americanas gerou US$ 300 milhões em vendas de direitos de televisão e marketing. Cada seleção ficou com US$ 7 milhões, o dobro do valor obtido para cada time na competição de 2015 no Chile.

A informação da Fifa é de que a Euro e a Copa América simultâneas, juntas, atraíram tanta atenção pelo planeta quanto Copas do Mundo. Por isso, não se descarta que a Conmebol realize mais edições nos EUA. Neste cenário, a ideia de Infantino de uma final entre campeões continentais pode ganhar força, embora ainda não tenha sido discutida a fundo na Conmebol e na UEFA.

A realidade é que, após a expansão da Copa do Mundo para 48 seleções, a Fifa está revendo todas as competições. Quer maximizar receitas e atrair mais tempo de atenção mundial.


Copa América no Brasil tem direito de tv preso à empresa acusada de propina
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Os direitos de televisão da Copa América do Brasil, em 2019, continuam presos a uma empresa acusada de pagar propina para ex-dirigentes da Conmebol, a Datisa. Isso gera um dificuldade para a comercialização da competição. Tanto que começou a ser discutida uma solução para esta questão em reunião da confederação sul-americana nesta semana.

A investigação do FBI e do Departamento de Justiça dos EUA apontou que a Datisa e seus donos (Traffic, Torneos e Full Play) se comprometeram a pagar US$ 110 milhões em propina para dirigentes da Conmebol, entre presidentes da entidade e das federações nacionais. Em troca, levaram o contrato da Copa América até 2023. Três ex-presidentes da confederação sul-americana estão presos e outros dirigentes como José Maria Marin.

Pois bem, a Conmebol anunciou que tinha rompido o contrato com a Datisa para a Copa América Centenario, em 2016. Mas a empresa recebeu dinheiro pelos direitos em acordo revelado pelo jornal paraguaio “ABC Color” em julho do ano passado. O periódico mostrou que a Datisa e seus associados ganhariam US$ 40 milhões com a competição.

No processo norte-americano sobre corrupção, um ex-advogado da Conmebol afirmou que levantou US$ 25 milhões em dinheiro com contratos de televisão liberados pela Datisa para poder pagar as seleções. Afinal, a empresa estava com as contas bloqueadas pela Justiça. Esse dinheiro foi obtido com a venda dos direitos, e boa parte repassado à própria Datisa.

O acordo valeu para a Copa América Centenario, mas o problema ressurge para as próximas edições da competição para as quais o contrato continua válido. Para o torneio no Brasil, os cartolas da Conmebol começaram a discutir como resolver o contrato com a Datisa. Afinal, a empresa que deveria revender os direitos de televisão, mas não goza de credibilidade após o escândalo. Fato é que, passado o momento inicial da denúncia, a Datisa e seus donos se fortaleceram e o rompimento do contrato fica mais difícil.

Sem saber quanto vai arrecadar com direitos de televisão, a Conmebol tem dificuldade para planejar todo o restante da Copa América. É o dinheiro da comercialização que banca a organização e garante a renda para as seleções. A questão será discutida mais a fundo no encontro do executivo da Conmebol em abril, no Paraguai. O formato da Copa América e a escolha de sedes do torneio dependem de saber quanto de dinheiro tem disponível.

A Conmebol se posiciona como vítima no processo norte-americano em que seus ex-dirigentes são acusados de corrupção. Segundo seus advogados, a entidade tem sido totalmente transparente com o governo dos EUA em relação a informações sobre o caso desde que o presidente da entidade, Alejandro Dominguez assumiu no início de 2016.


Conmebol vendeu tabela e jogadores da Copa América por suborno a cartolas
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Em troca do pagamento de subornos a cartolas, dirigentes da Conmebol permitiram que a Traffic mandasse em toda a Copa América. A empresa tinha direito a definir formato da competição, a tabela e a exigir os melhores jogadores das principais seleções como Brasil e Argentina. Essa informação nova do “caso Fifa” consta do meu livro “Ladrões de bola”, lançado nesta semana, pela editora Panda Books.

Reprodução da capa do livro "Ladrões de bola"

Reprodução da capa do livro “Ladrões de bola”

Durante a apuração do livro, obtive o processo judicial nos EUA movido pela Traffic contra a Conmebol, em 2011, em disputa pelos direitos da Copa América. Nestes documentos inéditos da ação, há o contrato de venda de direitos de televisão da competição que dá todas essas prerrogativas à empresa em clara interferência no maior campeonato das Américas.

Lembre-se: os três ex-presidentes da Conmebol, Nicolás Leoz, Eugenio Figueredo, e Juan Angel Napout, são acusados na Justiça dos EUA de levar propinas de empresas para lhes garantir direitos sobre a Copa América e Libertadores. Dirigentes brasileiros como o atual presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, também estão entre réus pelo mesmo motivo.

Os documentos obtidos por mim no livro mostram que a Copa América representava 80% da receita da Traffic. Por isso, a empresa processou a Conmebol quando esta lhe tirou esses direitos para dar para a Full Play, que prometia mais subornos. Na ação civil nos EUA, a confederação sul-americana chegou a recorrer à Fifa para tentar vencer a ação. Mas, por carta, o então secretário-geral da Fifa Jérôme Valcke se recusou a se envolver no processo.

Veja abaixo o trecho do livro sobre os contratos da Traffic para a Copa América:

“Para a Traffic, o negócio era imensamente lucrativo, tanto que estendeu seus braços para criar filiais nos Estados Unidos: duas empresas passaram a gerir de lá boa parte dos acordos pela competição. “A Traffic construiu o seu negócio e reputação em promover e fazer o marketing da Copa América e da venda exclusiva dos direitos comerciais, de TV e de patrocínio. A Copa América é a pedra fundamental do negócio da Traffic”, explicam advogados da empresa em ação judicial contra a Conmebol movida em 2011 por disputa de direitos relacionados à competição. A estimativa era de que o torneio gerava 80% da receita da empresa brasileira. Não era à toa que Hawilla, no início do novo milênio, passou a dar pouca importância aos seus contratos com a CBF, que tinham se tornado secundários para a agência de marketing.

Com todos ganhando dinheiro de várias fontes, era natural que a rela-ção se estendesse. Por isso, a Conmebol e a Traffic renovaram os contratos em 2001, prevendo a venda dos direitos de marketing, comerciais e televisivos das três edições seguintes da Copa América: pelo novo acordo, a empresa se manteria “dona” do campeonato até 2015. As propinas pagas a Leoz, com o incremento da renda, saltavam para sete dígitos, isto é, pelo menos 1 milhão de dólares. Além dos subornos, a empresa aceitava pagar um total de 46 milhões de dólares por três edições do torneio, chegando a um valor de 18 milhões de dólares pela última edição, a de 2009.

Em troca desse dinheiro e das propinas, a Traffic tinha total controle sobre a Copa América, como fica claro no contrato da competição disponí-vel no processo judicial entre as partes. Os locais de todos os jogos tinham que ser aprovados pela empresa. O formato do campeonato já estava prede-finido, com 12 times divididos em três grupos de quatro e quartas de final. A Conmebol era obrigada a garantir que os melhores jogadores de cada se-leção pudessem atuar. Os estádios deveriam estar limpos e sem publicidade local para que a empresa pudesse explorá-los da melhor forma que lhe conviesse. Todos os patrocinadores e fornecedores seriam escolhidos pela agência brasileira. O total de 13 itens seria cedido à Traffic pela Conmebol, com exceção da bola.”

PS: O livro pode ser comprado (R$ 35,90) no site da editora Panda Books: https://pandabooks.websiteseguro.com. Se houver dificuldade com o link, é só digitar o domínio: www.pandabooks.com.br

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Hawilla detalha propinas que envolvem até Nike e seleção brasileira
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Quatro meses após a prisão de cartolas da Fifa, a Justiça dos EUA tirou o sigilo sobre a confissão do dono da Traffic José Hawilla, maior responsável pelo pagamento de propinas para os dirigentes. Seu depoimento relata pagamento de propina para obter contrato de patrocínio da seleção brasileira, e dos direitos da Copa do Brasil, além de Copa América e da Copa Ouro. Por isso, o ex-presidente da CBF José Maria Marin foi preso.

“Eu concordei em fazer pagamentos de propinas e subornos que seriam escondidos por contratos da Copa América, da Copa Ouro, da Copa do Brasil e do (…) patrocinador do time brasileiro.”

“Eu usei as instituições financeiras e os mecanismos eletrônicos dos EUA para fazer alguns desses pagamentos de propina e subornos, assim como para fazer pagamentos legítimos relacionados a esses direitos, todos para promover esse esquema.”

Hawilla fez um acordo para se declarar culpado por quatro crimes, conspiração, fraude eletrônica, lavagem de dinheiro e obstrução à Justiça. Cada um poderia lhe render até 20 anos de prisão. Mas seu acordo de cooperação e a promessa de pagar US$ 151 milhões o mantém fora da cadeia em vigilância nos EUA.

“Durante este período, a Fifa, a Concacaf e outras organizações de futebol e empresas de marketing tiveram compromissos para promover e/ou regular o esporte do futebol pelo mundo como parte de uma organização. Entre outras coisas, essas organizações realizaram eventos esportivos e conduziram negócios nos EUA e usaram das instituições financeiras dos EUA.”

Foi em 12 de dezembro de 2014 que o executivo da Traffic se sentou diante Raymond Deari, na corte do Broklyn, Nova York, para relatar seus crimes. Respondeu a várias perguntas em que garantia saber os direitos dos quais abria mão ao se confessar culpado.

Primeira página do depoimento de Hawilla

Primeira página do depoimento de Hawilla

Aos 71 anos, admitiu que sofria sérios problemas de saúde, como um câncer na língua, curado, e um problema nos pulmões, que os obrigava a tomar uma série de remédios. Mas disse que estava plenamente consciente para fazer uma confissão que iria abalar o mundo do futebol. Aí vai o seu relato:

“Meu nome é José Hawilla. Desde aproximadamente 1980, eu comecei a desenvolver projetos de marketing esportivo por meio da minha companhia Traffic. Eu comprei os direitos de eventos de futebol e comecei a promovê-los de uma forma legítima pelo mundo.

Aproximadamente em 1991 quando eu fui renovar o contrato de um desses eventos, a Copa América, um dirigente associado com a Fifa, o organismo encarregado do futebol mundial e sua federação Conmebol, ele me pediu por propinas para ele assinar o contrato. Eu precisava daquele contrato porque eu já tinha tinha assumido futuros compromissos mesmo que eu não quisesse concordar em pagar para aquele dirigente.

Depois disso e até 2013, outros dirigentes de futebol vieram até mim e aqueles com quem me associei no negócio para pedir propinas para assinar ou renovar contratos. Eu concordei que pagamentos de propinas não revelados seriam feitos para dirigentes de futebol por contratos de direitos de marketing e outros para vários outros torneios e outros direitos associados ao futebol.

Eu concordei em fazer pagamentos de propinas e subornos que seriam escondidos por contratos da Copa América, da Copa Ouro, da Copa do Brasil e do (…) patrocinador do time brasileiro.

Eu usei as instituições financeiras e os mecanismos eletrônicos dos EUA para fazer alguns desses pagamentos de propina e subornos, assim como para fazer pagamentos legítimos relacionados a esses direitos, todos para promover esse esquema.”

(Neste trecho, o relato de Hawilla é interrompido para que os procuradores e o juiz se certifiquem do nome do patrocinador da seleção. O nome da empresa é mantido em segredo na transcrição, mas se sabe que se trata da Nike que assinou contrato com a CBF em 1996.)

“Durante este período, a Fifa, a Concacaf e outras organizações de futebol e empresas de marketing tiveram compromissos para promover e/ou regular o esporte do futebol pelo mundo como parte de uma organização. Entre outras coisas, essas organizações realizaram eventos esportivos e conduziram negócios nos EUA e usaram das instituições financeiras dos EUA.

Em relação às acusações dois e três, eu deliberadamente e conscientemente concordei que membros de duas outras companhias similares que fizeram compromissos para pagar propinas em conexão com a Copa América que a Traffic contribuiria com esses pagamentos. As propinas não reveladas foram pagas a dirigentes que tinham posições de autoridade e confiança na Fifa e em outras duas das suas confederações, Concacaf e Conmebol, para assegurar direitos de marketing relacionados à Copa América. Eu concordei em usar e usei a conta da Traffic no banco nos EUA e os mecanismos eletrônicos dos EUA para reembolsar uma porção do pagamento das despesas feitas com outras empresas de marketing transferindo dinheiro para bancos em outros países. As transferências foram feitas de bancos de Nova York”

“Finalmente, em conexão com a acusação quatro, antes da minha prisão, quando eu fui informado por uma pessoa que o FBI estava perguntando sobre propinas pagas pela Traffic, eu pedi a ele para não mencionar o meu nome e o nome da Traffic para o FBI. Também, depois da minha prisão, quando eu fui questionado pelo governo no Brooklyn em conexão com a investigação do grande juri, eu escondi retive informação dele incluindo sobre atividades criminais que eram relevantes para a investigação.

Ao fazer isso, eu impedi intencionalmente a investigação do grande juri.

Eu sabia que a minha conduta era errada. Eu me arrependo muito e peço desculpas pelo que fiz.”

Procurado, o advogado de Hawilla, José Luis de Oliveira Lima, soltou uma comunicado: “Não há nenhuma novidade nos documentos divulgados hoje. J. Hawilla contribuiu com as investigações e está sempre à disposição da Justiça para esclarecimento.”